domingo, 22 de dezembro de 2013

35 discos brasileiros de 2013 e algo mais

ano bom é ano louco. 2013 foi isso. parece que durou uns três anos de tanta coisa que rolou, de tanta velocidade. comecei 2013 como um vândalo amador estreante fazendo o #vocêpraça e termino com outras três ações na rua (o #reiopixo foi o mais recente) e querendo mais. comecei o ano como frila e termino dentro de um grande projeto de reformulação do site da prefeitura de são paulo. sem falar em encontros, reencontros, desencontros, manifestações de junho, mídia ninja, black bloc, tremsalão tucano, medalhões contra biografias não autorizadas e mais um milhão e meio de etc. no mundo da música nacional também teve de tudo, mas como já disse na lista de “50 músicas brasileiras” e no texto pro yahoo (“minas e manos do rap brasileiro de 2013”) foi mais um grande ano para o rap, cada vez mais maduro, intenso e variado. daí que foram justamente dois discos de rap os que mais ouvi durante ano: o glorioso retorno de quem nunca esteve aqui (emicida) e fantástico mundo popular (sombra).

após várias mixtapes de grande qualidade, a estreia de emicida era praticamente tiro certo, mas a costura poética entre faixas (em parceria com elisa lucinda), os acenos tanto para o samba tradicional (wilson das neves) quanto para o funk ostentação (mc guimé), a diversão (“zoião”), o drama pessoal (“crisântemo”), o orgulho, tudo junto acrescentou novas camadas a uma carreira/obra cada vez mais sólida e impressionante. já sombra, menos conhecido do grande público, trouxe um disco inspirado, veloz, divertidíssimo, com levadas nordestinas (“piada cabeluda”, “baque na molera” e “chuva de gente estranha”) e adubadas (“mano eu vou ali comprar um chá”), produzido com esmero por marcelo cabral e acompanhado de banda (também em shows). dois grandes discos que ainda vão dar muito o que ouvir.


aláfia - aláfia
andreia dias – pelos trópicos
bárbara eugênia é o que temos
bixiga 70bixiga 70
bruno soutoestado de nuvem
cacá machadoeslavosamba
daniel groove – giramundo
do amor – piracema
edi rockcontra nós ninguém será
emicidao glorioso retorno de quem nunca esteve aqui
felipe cordeirose apaixone pela loucura do seu amor
gang do eletrogang do eletro
iara rennóiara
karol conká – batuk freak
lulinapantim
luz marinaluz marina
marcelo jenecide graça
meno del picchia – macaco sem pelo
momocadafalso
ná ozzettiembalar
ney matogrossoatento aos sinais
orquestra voadoraferro velho
raelainda bem que eu segui as batidas do meu coração
rodrigo amarantecavalo
síntese & distúrbio verbal - buracos ao chão EP
sombrafantástico mundo popular
thiago frança – malagueta, perus e bacanaço
tom zétribunal do feicebuqui EP
trio eternosuíte pistache
verônica ferrianiporque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio
vitor ramilfoi no mês que vem

como já virou tradição aqui no esforçado, a lista-dos-melhores-discos-segundo-a-casa vem acompanhada  de uma segunda lista com outros discos que valem muito a audição. 35 na de cima, 45 na debaixo, são 80 discos acima da média, quase todos independentes. os que não entraram aqui eu não ouvi (lembro agora de cabeça dos novos péricles cavalcanti, lulu santos, gabriel muzak, maria bethânia e móveis coloniais de acaju), ou passei batido (boogarins, nevilton, vespas mandarinas, etc.) ou não gostei mesmo ou não dei a devida atenção ou não me interessou de jeito maneira (ed motta, jota quest, roberto carlos remixes) ou chegaram tarde pra entrar nas listas, enfim... mil coisas.

mas gostaria de falar brevemente de alguns discos que estão nessa lista secundária e que achei que fossem entrar na principal: o disco do arnaldo antunes é legal e tal, bem feito como sempre, mas parece sofrer de um piloto automático pós-iê iê iê, senti uma acomodação; achei confuso pra cacete o retorno do cérebro eletrônico; admiro muito todos os envolvidos no passo torto, mas confirmei nesse segundo disco do projeto uma impressão que tive no primeiro, um cabecismo frio que realmente não me pega, mesmo sendo um trabalho com ocasionais resultados bem interessantes; o novo disco do tono tem algumas músicas muito boas, mas achei um tanto mais irregular e arrastado; por último, dois discos produzidos por marcelo camelo, os novos do wado e do cícero, excessivamente lamentosos, repetitivos, chatos mesmo (o do wado, artista que gosto muito e acompanho desde o início, foi a grande frustração pessoal do ano). chega de blábláblá. olha a lista secundária aí...

amiri - trinca EP
apanhador só - antes que tu conte outra
ben charles - carimbó electro seco
blubell - diva é a mãe
bonifrate - museu de arte moderna
catarina dee jah - mulher cromaqui
cérebro eletrônico - vamos pro quarto
cícero - sábado
clarice falcão - monomania
coutto orchestra - eletro fun farra
garotas suecas - feras míticas
guilherme arantes - condição humana
guilherme kastrup - kastrupismo
iconili - tupi novo mundo EP
jaloo - couve
joão rosseto - até você me achar
juliano gauche - juliano gauche
lia sophia - lia sophia
ligiana costa - floresta
lívia cruz - muito mais amor 
lucas vasconcelos - falo de coração
mahmundi - setembro EP
marcelo d2 - nada pode me parar
marina gasolina - commando
mombojó - 11º aniversário
passo torto - passo elétrico
porto - odradek
projota - muita luz
rashid - confundindo sábios
ruspo - esses patifes
são paulo underground - beija flors velho e sujo
satanique samba trio - bad trip simulator #3
sistema criolina - space night love dance laser
slim rimografia - aumenta o volume
stela campos - dumbo
tono - aquário
ully costa - quem sou eu
vanguart - muito mais que o amor
wado - vazio tropical

MENÇÃO HONROSA – durante o ano rolaram seis tributos bacanas com olhos no passado e ouvidos atuais. os meus preferidos foram os das moças cantando péricles cavalcanti (mulheres de péricles) e dos rapazes cantando angela rô rô (coitadinha bem feito), mas existem grandes achados interpretativos em e volto pra curtir (tributo ao disco de estreia de jards macalé, o de 1972), agenor (sobre composições menos conhecidas de cazuza), amor maior (antônio marcos) e armazém 73 (secos & molhados).

Um comentário:

and disse...
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