quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

80 + 10 músicas brasileiras de 2016

ah, Brasil tá ótimo, tá lindo, tá diverso. musicalmente falando, claro. tem dub, funk, rock, carimbó, arrocha, pagodão, samba, eletrônica, mpb e rap, muito rap. numa olhada rápida nessa lista é fácil de notar que quase metade das músicas do ano são ritmo & poesia. por outro lado, existe uma concentração da produção musical em sete estados [São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Distrito Federal], mas certamente está bem melhor do que já foi.

obviamente não fico pensando em representações quando estou fechando as listas de fim de ano. apenas agrupo as que mais ouvi no ano e vou editando para chegar em números razoáveis [e a cada ano que passa, as listas ficam maiores e maiores rsrs]. depois – tipo agora – é que traço esses perfis do meu gosto, do que vou atrás, do que vem a mim. mas porque caralha estou falando isso mesmo?


bem, a parte difícil de fazer listas musicais, pra mim pelo menos, é ter que escolher uma música só de alguns artistas que, não coincidentemente, assinaram os melhores discos do ano. foi difícil escolher uma só do Metá Metá, BaianaSystem, Céu, Iara Rennó, Síntese e das lindas produções póstumas de Sabotage e Serena Assumpção.

acho que em 2016 o que aconteceu de diferente foi um pessoal dando dribles no meu rigor e aparecendo solo em uma música e participando em outra [casos de Juçara Marçal, Mano Brown, Rincon Sapiência e Lay], alguns figuras que trabalham em muitos projetos [Thiago França, Daniel Ganjaman e Meno Del Picchia, por exemplo] ou então um fenômeno inescapável como o rapper baiano Baco Exu do Blues que emplacou uma própria ["999"] e uma parceria com o pernambucano Diómedes Chinaski ["Sulicídio", assunto e polêmica na cena rapper nos últimos meses deste ano]. 

os assuntos das músicas são os mais diversos: amores, perdas, paixões, a(s) cidade(s) e acho que tem muita política também ['política' no sentido da postura diante de alguns assuntos, tais como raça, gênero, feminismo, aborto, machismo, violência policial, etc]. mas foram o rap e o funk, os gêneros mais periféricos [e isso não é por acaso], que nos brindaram com as mais contundentes críticas sociais a este terrível ano de muitas perdas para o Brasil. destaque aí para "Hoje tem batuque" de Raphão Alaafin & Rincon Sapiência e "Delação premiada" da MC Carol [sem falar na (triste) atualidade de "Canão foi tão bom" do Sabotage].

na prorrogação da lista entrou um lançamento bem bom de Flora Matos ["Igual manteiga"] e acabou saindo Fumaça ["Tipo hustla"]; ambos candangos, veja só você. ah, e troquei a música do Mano Brown [é que foi lançado Boogie Naipe, o disco, então saiu "Felizes/Heart to Heart" e entrou "Adicto" - pensei na maravilhosa "Mulher elétrica", mas ela já tá rolando faz uns anos].

falei demais né? sobe som!

 
A Espetacular Charanga do França - "O bom marido" [part. Rodrigo Campos]
Abayomy Afrobeat Orquestra - "Mundo sem memória" [part. Otto]
Academia da Berlinda - "Nêgo nervoso" [part. Otto]
Aíla - "Lesbigay"
Aláfia - "O primeiro barulho" [part. Discopédia]
Alvaro Lancellotti - "Canto de Marajó"
ÀTTØØXXÁ - "F*da p*rra"
Baco Exu do Blues - "999"
Baco Exu do Blues & Diómedes Chinaski - "Sulicídio"
BaianaSystem - "Jah Jah Revolta Parte 2"
Beto Mejía - "Kaningawa"
Bonde das Dancinhas - "Vai quebrando"
Bruno Souto - "Amor demais"
Cabeça d’ Galeto - "Por acaso" [part. Dayane]
Carne Doce - "Artemísia"
DeFalla -"Monstro"
Dexter - "Tô de volta" [part. Edi Rock]
Don L - "Chapei" [part. Lay]
Dona Onete - "Coração Brechó"
Douglas Germano - "Golpe de vista"
Família 4i20 - "Meu deserto"
Felipe Antunes - "Essa moça"
Fióti - "Vacilão" [part. Juçara Marçal]
Flora Matos - "Igual manteiga" [part. Pedro Lotto]
Flow MC - "Gang das 4 rodas"
francisco, el hombre - "Triste, louca ou má"
Fresno - "Hoje sou trovão" [part. Caetano Veloso]
Froid - "Pseudosocial"
Héloa - "Calei"
Iara Rennó - "Mama-me"
Jamés Ventura - "Calma nego"
Ju Dorotea - "Sincronia" [part. DJ Josafá]
Juliano Gauche - "Muito esquisito"
Karol Conka - "Maracutaia"
Larissa Luz - "Bonecas pretas"
Laura Lavieri - "Quando alguém vai embora"
Lay - "Ressalva"
Lei Di Dai - "Chega na dança"
Livia Cruz - "Ordem na classe"
Ludmilla - "Sou eu"
Luisa Maita - "Na asa"
Lurdez da Luz & PPararelo - "Love" [part. Yanick Melo]
Mahmundi - "Hit"
Mano Brown - "Adicto" [part. Dado Tristão]
MC Carol - "Delação premiada"
MC Guimê - "Cadê a mina" [part. Marcelo D2]
MC Kevinho - "Tumbalatum"
MC Linn da Quebrada - "Enviadescer"
MC Marechal - "Primeiro de abril"
MC Tha - "Pra você"
MC Zaac & MC Jerry - "Bumbum granada
Meno - "Sabrina"
Metá Metá - "Angolana"
Mulamba - "P.U.T.A."
Nego E - "Lua negra"
Nego Gallo - "Missão"
O Terno - "Culpa"
Rael - "De amor"
Raphão Alaafin & Rincon Sapiência - "Hoje tem batuque"
Rashid - "Ruaterapia" [part. Mano Brown e Max de Castro]
Rico Dalasam - "Relógios"
Rincon Sapiência - "A coisa tá preta"
Sabotage - "Canão foi tão bom" [part. DBS, Negra Li, Lakers, Instituto e Daniel Ganjaman]
Sara Donato, Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz - "Machocídio"
Saulo Duarte e A Unidade - "Uma música" [part. Laércio de Freitas]
Serena Assumpção - "Obaluaiê" [part. Filipe Catto]
Siloque - "Mais bases aliadas"
Síntese - "Desconstrução"
Strobo - "Vingativa" [part. Marina Lima]
Tábata Alves - "Quem vai duvidar?"
Tássia Reis - "Ouça me [remix]"
Tatá Aeroplano - "Step psicodélico"
Vitor Araújo - "Canto n.3"
Wado - "Mistério"
Xamã & MC Estudante - "Pedras de março" [part. Jean Santoro]

aí fui fazer a playlist no Spotify e, como já esperava, faltou muita coisa brasileira. mas não imaginei que seria tanto, pois das 80 faltaram 20 [pra se ter uma ideia, das músicas gringas, faltaram 8 de 100]. portanto, já vou avisando que ficaram de fora da playlist no Spotify músicas da A Espetacular Charanga do França, Amiri, Beirando Teto, Bonde das Dancinhas, Cabeça d'Galeto, Coro MC, Família 4i20, Felipe Antunes, Froid, Héloa, Kika, Lei Di Dai, Lívia Cruz, MC Marechal, Mulamba, Nego Gallo, Sara Donato [mais Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz], Serena Assumpção, Tábata Alves e da dupla Xamã & MC Estudante. 



e aí a gente tem que aproveitar essas plataformas maravilhosas todas né. e tem playlist também - uma versão dela - no Deezer. não deu muita diferença pro Spotify. Felipe Antunes e Héloa tem no Deezer, a nova da Flora Matos no Spotify. de resto, as mesmas ausências. 



atualização 22.12: apareceram umas músicas, e fiquei sabendo de outras, depois que fechei a lista e deu uma dor de não colocar aqui. daí acabei fazendo uma nova playlist no youtube com mais 10 brasileiras. tem um remix do ÀTTØØXXÁ pruma música que deve ser o hit do verão baiano. tem os funks paulistas pós-ostentação de MC Neguinho do Kazeta e MC PP da VS. tem mais rap com Coruja BC1, BK e Gustavo Pontual. tem as canções de Guri Assis Brasil e Luedji Luna. e tem a ferveção drag de Lia Clark, Arezuta Lovi e Gloria Groove.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

50 discos gringos de 2016 + 70

Lemonade é o disco do ano, claro. o trabalho mais recente de Beyoncé é uma combinação matadora de raiva, afetos e redenção, tudo amarrado por um pop poderoso, negro e extremamente bem produzido. Beyoncé não é só diva ou rainha, como gritam os(as) fãs mais ardorosos(as); Beyoncé provou definitivamente em Lemonade que é uma artista maior e com total controle de seu discurso e do seu espetáculo.


daí que essa fantástica combinação de assombro feminino diante do mundo e pegada pop também  é encontrada nos novos trabalhos de Rihanna [Anti], M.I.A. [AIM], La Yegros [Magnetismo], Santigold [99 Cents], Alicia Keys [Here], Xenia Rubinos [Black Terry Cat], Norah Jones [Day Breaks], Warpaint [Heads Up], Kate Tempest [Let Them Eat Chaos] e da irmã de Beyonce, Solange [A Seat at the Table].

tem rap, o mais foda de todos os gêneros deste século 21, no trampo de algumas dessas minas, mas saíram alguns outros trabalhos impressionantes [nada próximo da grandeza de Kendrick Lamar e seu To Pimp a Butterfly do ano passado]. teve o emocionante retorno & fim do A Tribe Called Quest [We Got It From Here Thank You 4 Your Service] e novos trabalhos relevantes de veteranos como o De La Soul [And The Anonymous Nobody], o Atmosphere [Fishing Blues] e o Aesop Rock [The Impossible Kid]. já os novos de Drake [Views] e Kanye West [The Life of Pablo] são menos interessantes que seus trabalhos anteriores, mas mesmo assim muito acima da média geral. por fim, tem artistas mais jovens com sangue nozóio e novas referências, com destaque pra Anderson .Paak [Malibu], Frank Ocean [Blonde], Vince Staples [Prima Donna], Chance The Rapper [Coloring Book], ScHoolboy Q [Blank Face LP], Danny Brown [Atrocity Exhibition], J. Cole [4 Your Eyez Only] e volta de Aloe Blacc ao mundo do rap [Dystopia].

A Tribe Called Quest

então chegamos à cota de brancos da lista rsrsrs. David Bowie [Blackstar] e Leonard Cohen [You Want It Darker] nos deixaram este ano logo após lançarem belos e melancólicos discos de despedida, mas outros veteranos continuam trabalhando duro e em alto nível, com destaque pro lindos Radiohead [A Moon Shaped Pool] e Andrew Bird [Are You Serious?], e os afiados Iggy Pop [Post Pop Depression] e Nick Cave & The Bad Seeds [Skeleton Tree].


claro que ‘a gringa’ é muito maior que Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, e nessa lista de 50 discos entraram o blues rock tuareg do Bombino [Azel], o pan-africanismo eletrônico do Batuk [Música da Terra é um projeto dos sul-africanos Spoek Mathambo e Aero Manyelo com a moçambicana Manteiga], os dubs afro-latinos do Quantic's Flowering Inferno [1000 Watts], o afrobeat do Vaudou Game [Kidayu] e do Idris Ackamoor & The Pyramids [We Be All Africans], e o pop guettotech do congolês radicado nos Estados Unidos, Young Paris [African Vogue].

e pra encerrar, os discos instrumentais. dois tem o selo de qualidade Shabaka Hutchings, saxofonista inglês já conhecido da casa do espetacular Sons of Kemet:  Wisdom of Elders [Shabaka & The Ancestors] é um projeto dele com músicos sul-africanos e Channel The Spirits é do The Comet Is Coming, outra de suas muitas bandas. também ingleses são o Neil Cowley Trio com o excelente Spacebound Apes. tudo jazz da pesada.  outros discos europeus misturam jazz com sons africanos ou caribenhos, desde os holandeses do Jungle By Night [The Traveller] até os misteriosos suecos do Goat [Requiem], passando pelo finlandês Jimi Tenor [Saxentric] e os alemães do Bacao Rhythm & Steel Band [55]. por fim, os moleques americanos do BadBadNotGood [IV] e sua intensa mistura de jazz, rock, rap e outras bossas.

segue a lista completa:

A Tribe Called Quest - We Got It From Here Thank You 4 Your Service
A Tribe Called Red - We Are The Halluci Nation
Aesop Rock - The Impossible Kid
Alicia Keys - Here
Anderson .Paak - Malibu
Andrew Bird - Are You Serious?
Atmosphere - Fishing Blues
Beyoncé - Lemonade
Bombino - Azel
Chance The Rapper - Coloring Book
Charles Bradley - Changes
Danny Brown - Atrocity Exhibition
David Bowie - Blackstar
Drake - Views
Emanon [Aloe Blacc + Exile] - Dystopia
Frank Ocean - Blonde
Goat - Requiem
Idris Ackamoor & The Pyramids - We Be All Africans
J. Cole - 4 Your Eyez Only
Jimi Tenor - Saxentric
Jungle By Night - The Traveller
Kanye West - The Life of Pablo
Kate Tempest - Let Them Eat Chaos
Kaytranada - 99,9%
La Yegros - Magnetismo
Leonard Cohen - You Want It Darker
M.I.A. - AIM
Massive Attack - Ritual Spirit EP
Michael Kiwanuka - Love & Hate
Neil Cowley Trio - Spacebound Apes
Nick Cave & The Bad Seeds - Skeleton Tree
Norah Jones - Day Breaks
Quantic's Flowering Inferno - 1000 Watts
Radiohead - A Moon Shaped Pool
Rihanna - Anti
Santigold - 99 Cents
ScHoolboy Q - Blank Face LP
Shabaka & The Ancestors - Wisdom of Elders
Solange - A Seat at the Table
The Comet Is Coming - Channel The Spirits
Vaudou Game - Kidayu
Vince Staples - Prima Donna EP
Warpaint - Heads Up
Xenia Rubinos - Black Terry Cat
Young Paris - African Vogue

e como o serviço aqui no Esforçado é abrangente e inclusivo, seguem mais 70 discos bem bons mesmo [alguns destes chegaram a emplacar ‘músicas do ano’ na primeira lista da retrospectiva].

2 Chainz - Hibachi For Lunch
9th Wonder - Zion
Adrian Younge - Something About April 2
Adrienne Fenemor - Mo' Puddin'
Animal Collective - Painting With
Anthony Joseph - Caribbean Roots
Azealia Banks - Slay-Z
Balkan Beat Box - Shout It Out
Banks & Steelz - Anything But Words
Bishop Nehru - Magic:19
BJ The Chicaco Kid - In My Mind
Debo Band - Ere Gobez
Desiigner - New English
Devendra Banhart - Ape in Pink Marble
DJ Khaled - Major Key
El Guincho - Hiperasia
Fanfare Ciocarlia - Onwards to Mars!
Flume - Skin
Fritzwa - Avenue A
Fumaça Preta - Impuros Fanáticos
Gonjasufi - Callus
Guts - Eternal
Helado Negro - Private Energy
Homeboy Sandman - Kindness for Weakness
Hope Sandoval & The Warm Inventions - Until The Hunter
Isaiah Rashad - The Sun's Tirade
Izzy Bizu - A Moment of Madness
James Blake - The Colour in Anything
Jamila Woods - Heavn
Josef Leimberg - Astral Progressions
Kings of Leon - Walls
Kool Keith - Feature Magnetic
La Femme - Mystère
Laura Mvula - The Dreaming Room
Lee 'Scratch' Perry - Must Be Free
Lido Pimienta - La Papessa
Lizzo - Coconut Oil EP
L'Orange & Mr. Lif - The Life and Death of Scenery
Mexrrissey - No Manchester
Mick Jenkins - The Healing Component
Mykki Blanco - Mykki
Noname - Telefone
Onda Vaga - OV IV
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Madjafalao
Pigeon John - Good Sinner
PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project
Rae Sremmurd - SremmLife 2
Rapsody - Crown EP
RJD2 - Dame Fortune
Rolando Bruno - Bailazo
Sadat X - Agua
Snoop Dogg - Coolaid
Strokes - Future Present Past EP
The Bad Plus - It's Hard
The Bongolian - Moog Maximus
The Claypool Lennon Delirium - Monolith of Phobos
The Heliocentrics - From the Deep
The Olympians - The Olympians
The Underachievers - It Happened In Flatbush
Young Thug - Jeffery

sábado, 3 de dezembro de 2016

100 músicas gringas de 2016

mais um ano de rap dominando a lista de melhores músicas do ano, tanto no brasil [post futuro] quanto na gringolândia. acho que um terço desta lista aqui, a primeira da retrospectiva musical deste ano, é de raps. já falei aqui e em outros lugares que já faz uns bons par de anos que o rap é o mais diverso, atual e contestador gênero musical desta década [o que já se desenhava nos anos 1980 e, principalmente, nos anos 1990].

mas antes do rap, é bom destacar uma outra galera. David Bowie e Leonard Cohen, por exemplo, nos deixaram este ano logo após lançarem belas e tristes músicas. também foi um ano no qual outros preferidos [de longa data] da casa mantiveram o alto nível de suas carreiras e ainda subiram novos degraus: Beck, Radiohead, Andrew Bird, Massive Attack, M.I.A., Quantic [e este ano foi a vez do seu projeto Flowering Inferno], The Strokes, Rihanna, Iggy Pop, Devendra Banhart e Zack de la Rocha. 

2016 também foi o ano de minas foda com a faca no dentes e em vários gêneros, desde o pop poderoso e político de Beyoncé ["Sorry", a faixa de Lemonade que escolhi pra lista, poderia ser facilmente substituída por pelo menos outras 4 pedradas do disco] e Alicia Keys até a cumbia digital de La Yegros, passando pelos raps de Sa-Roc, Rapsody e Princess Nokia, o soul confessional de Solange [irmã de Beyoncé], o rock dançante das Warpaint, a divertida pegada de Santigold, a novidade em Xenia Rubinos, Fritzwa, Lizzo, A-Wa, Chloe & Halle e as já citadas M.I.A. e Rihanna.

mas o rap é o rap e este ano teve a volta/despedida emocionante de A Tribe Called Quest e novos sons bacanas de veteranos como o De La Soul, Drake ["One Dance" é certamente um dos hits do ano], Atmosphere, Aesop Rock, Common, Kool Keith e Kanye West; e moleques como Frank Ocean, Chance The Rapper, deM atlaS, Bishop Nehru, Vic Mensa, Jerreau, Vince Staples e Young Thug, botando pra quebrar; no rap vale ainda destacar ScHoolboy Q, Danny Brown, Mick Jenkins, Kid Cudi, Desiigner ["Panda", outro hit do ano], Mykki Blanco, J. Cole [o último a entrar na lista] e a chegada definitiva do nigeriano Jidenna. sem falar na presença discreta, em participações, do maior nome do rap atual, Kendrick Lamar.

agora, pra encerrar o blábláblá e partir logo pra música, tem uns sujeitos que definitivamente vieram pra ficar [talvez porque além do talento não são facilmente rotuláveis]: Anderson Paak, Sampha e Kaytranada.

então, som na caixa [ah, e como sempre, a lista está em ordem alfabética].




2 Chainz - "Here We Go Again"
A Tribe Called Quest - "We The People... "
A Tribe Called Red - "R.E.D." [Ft. Yasiin Bey, Narcy & Black Bear]
Adrian Younge & Ali Shaheed Muhammad – "Bulletproof Love" [feat. Method Man] 
Aesop Rock - "Kirby"
Alicia Keys - "Pawn It All"
Anderson .Paak - "Come Down"
Andrew Bird - "Are You Serious"
Animal Collective - "FloriDada"
Atmosphere - "Pure Evil" [feat. I.B.E.]
Balkan Beat Box - "Chin Chin"
Baloji - "Spoiler"
Banks & Steelz - "Conceal"
Batuk - "Puta"
Beck - "Wow"
Beyoncé - "Sorry"
Bishop Nehru - "He The Man"
Bombino - "Akhar Zaman"
Chance The Rapper - "No Problem" [feat. 2 Chainz & Lil Wayne]
Chemical Brothers - "Wide Open" [feat. Beck]
Chloe x Halle - "Drop"
Common - "Black America Again" [feat. Stevie Wonder]
Danny Brown - "Really Doe" [feat. Kendrick Lamar, Ab-Soul & Earl Sweatshirt]
David Bowie – "Lazarus"
De La Soul - "Snoopies" [feat. David Byrne]
deM atlaS - "Sum-Mo"
Desiigner - "Panda"
Devendra Banhart - "Fancy Man"           
DJ Khaled - "Nas Album Done" [feat. Nas]
DJ Shadow - "Nobody Speak" [feat. Run The Jewels]
DJ Vadim - "Inner Lite" [feat. Big Red & Pupa Jim]
El Guincho - "Comix" [feat. Mala Rodriguez]
Fanfare Ciorcarlia - "I Put a Spell On You"
Flume - "Smoke & Retribution" [feat. Vince Staples & Kučka]
Iggy Pop - "Break Into Your Heart"
Isaiah Rashad - "4r da Squaw"
Jamila Woods- "VRY BLK" [feat. Noname]
Jerreau - "Hunt & Trap"
Jidenna - "Chief Don't Run"
Jimi Tenor - "Full House" [feat. Tony Allen]
Joey Purp - "Girls" [feat. Chance the Rapper]
Jungle By Night - "Kingfisher"
Kaytranada - "Glowed Up" [feat. Anderson .Paak]
Kid Cudi - "Surfin" [feat. Pharrell Williams]
Kings of Leon - "Muchacho"
Kool Keith - "World Wide Lamper" [feat. B.a.R.S. Murre & Dirt Nasty]
La Yegros - "Atormentada"
Laura Mvula - "Phenomenal Woman"
Leonard Cohen - "Traveling Light"
Lizzo - "Phone"
M.anifest - "Cupid's Crooked Bow" [feat. Nomisupasta]
M.I.A. - "Borders"
Massive Attack - "Come Near Me" [feat. Ghostpoet]
Me And My Friends - "All That Is You"
Michael Kiwanuka - "Love & Hate"
Mick Jenkins - "Drowning" [feat. BadBadNotGood]
Miike Snow - "Genghis Khan"
Mr. Lif - "Let Go" [feat. Selina Carrera]
Mykki Blanco - "High School Never Ends" [feat. Woodkid]
Onda Vaga - "La Maga"
Pigeon John - "Rebel Rebel"
Princess Nokia - "Brujas"  
Quantic Presenta Flowering Inferno - "Chambacu" [feat. Nidia Gongora]
Radiohead - "Present Tense"
Rae Sremmurd - "Start a Party"
Rapsody - "OooWee" [feat. Anderson .Paak]
Rihanna - "Pose"
Run The Jewels - "Legend Has It"
Sampha - "Blood On Me"
Sa-Roc - "Lord of the Forest"
ScHoolboy Q - "THat Part" [feat. Kanye West]
Sinkane - "U'Huh"
Solange - "Weary"
Teachers - "Ocean"
Temi DollFace - "Beep Beep"
The Avalanches - "Frankie Sinatra"
The Bacao Rhythm & Steel Band - "Police in Helicopter"
The Bongolian - "Moog Maximus"
The Comet Is Coming - "Final Eclipse"
The Frightnrs - "Dispute" [dub version]
The Strokes - "Oblivius"
The Underachievers - "Really Got It"
The Weeknd - "Starboy" [feat. Daft Punk]
Vaudou Game - "La Vie C'est Bon"
Vex Ruffin & Fab 5 Freddy - "The Balance"
Vic Mensa - "New Bae"
Vince Staples - "Prima Donna"
Warpaint - "Whiteout"
Xenia Rubinos - "Mexican Chef"
Xiomara - "You Don’t Know Jack
Young Paris - "Best of Me" [feat. Ben Bronfman]
Young Thug & Travis Scott - "Pick Up the Phone" [feat. Quavo]
Zack de la Rocha - "Digging For Windows"

pra encerrar a lista, cinco músicas que, por algum mistério do mundo do business, não estão no youtube. sendo que duas delas, "One Dance" e "Nikes", grandes hits do ano.

Drake - "One Dance" [feat. Wizkid & Kyla]
Frank Ocean - "Nikes"
Fritzwa - "Lies and Ego"
J. Cole - "False Prophets (Be Like This)"
Kanye West - "No More Parties in LA" [feat. Kendrick Lamar]


daí que este ano também coloquei a lista no Spotify e, pra minha surpresa, achei 93 das 100 músicas. ficaram de fora Beyonce (?!), deM atlaS, DJ Vadim, Jamila Woods, Princess Nokia, Quantic's Flowering Inferno e Temi DollFace. e acabei, por um motivo ou outro, escolhendo outras músicas das A-Wa, Fanfare Ciocarlia, Mr. Lif, Pigeon John, Sa-Roc, The Comet Is Coming, The Frightnrs e Vince Staples. 



e também tem playlist no Deezer que acabou tendo menos artistas [87 de 100] que a do Spotify [93 de 100]. faltaram Beyonce [exclusiva Tidal], deM atlaS, Frank Ocean, Isaiah Rashad, Jamila Woods, Sampha, Temi DollFace, Joey Purp, Kaytranada, M.anifest, Radiohead, Warpaint e Xiomara. e coloquei outras músicas de A-Wa, Fanfare Ciocarlia, J. Cole, Mr. Lif, Mykki Blanco, Princess Nokia e Sa-Roc.




sexta-feira, 11 de novembro de 2016

i'm not alone, i've met a few

o grande grande grande leonard cohen nos deixou, mas também deixou muita coisa em seus 82 anos de vida: 14 discos, 13 livros de poesia, 2 romances, uma porrada de shows, uma infinidade de coisas bonitas. lembro até hoje que o ouvi o canadense pela primeira vez em algum momento do final dos anos 1980. meu pai comprou o LP poets in new york [1986], um tributo em memória aos então 50 anos da morte de federico garcia lorca, e lá estava leonard e sua voz rouca cantando "take this waltz" [versão que fez para a "pequena valsa vienense" do poeta espanhol]. lorca era um de seus poetas preferidos.



o tempo passou, minha adolescência foi indo embora e reencontrei leonard nas trilhas de assassinos por natureza de oliver stone e exotica de atom egoyam, ambos de 1994. do primeiro vieram "the future", "waiting for the miracle" e "anthem"; do segundo, "everybody knows". aí fiquei sabendo que ele era o autor de "hallelujah", "so long marianne", "first we take manhattan", "the partisan" e "suzanne", entre tantas outras de seus primeiros anos [seu disco de estreia é de 1967, quando já tinha pouco mais de 30 anos]. foi também nessa época, meados da década de 1990, que ele se converteu ao budismo e largou mão dessas coisas ocidentais. pausa para um flashback rápido com "suzanne" ao vivo em seu lendário show na ilha de wight em 1970.



daí que durante seu retiro budista, leonard foi passado pra trás por uma ex-empresária e precisou voltar aos palcos por motivos financeiros. e ele voltou com tudo em shows de 3, 4 horas, além de discos novos e novos clássicos sobre os temas que sempre o rodearam: amor, espiritualidade, sexo e, eventualmente, política. seus três últimos discos de estúdio são umas lindezas e separei aqui as minhas preferidas: "different sides" [old ideas, 2012], "almost like blues" [popular problems, 2014] e "traveling light" [you want it darker, 2016]. o título desta postagem é um verso desta última, uma linda e leve canção de despedida.








i'm traveling light. it's au revoir.



p.s. 1: um finlandês obcecado pelo artista mantém desde 1995 um grande arquivo online com tudo o que você possa imaginar que exista sobre leonard e também as muitas regravações de seus trabalhos. é o leonard cohen files.

p.s. 2: segue abaixo, como faixa bônus, ladies and gentlemen... mr. leonard cohen, um interessante documentário feito em 1965, quando leonard ainda era exclusivamente escritor.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

horace & pete, louis & donald

meu interesse por louis ck me levou a horace and pete, série em dez episódios que ele escreveu, dirigiu, atuou e lançou de surpresa no início do ano e exclusivamente em seu site [dá pra comprar tudo pela bagatela de 31 dólares].

a sinopse é simples: os irmãos horace [louis ck] e pete [steve buscemi] cuidam de um boteco mantido pela família a cem anos no brooklyn. o estabelecimento é frequentado por pessoas geralmente solitárias, gente que bebe durante o dia, e os episódios giram em torno de conversas aleatórias destes clientes e os dramas familiares de horace e pete [mortes, perdas, ressentimentos, um câncer, culpas, segredos, sexo, traições, etc]. 



horace and pete parece, visualmente, com uma sitcom, mas não tem aquela claque de risadas e nem plateia. também é bastante teatral e essencialmente dramática [com algumas piadas surgindo aqui e ali, geralmente pelos clientes]. e é, acima de tudo, muito muito triste, o que é ao mesmo tempo um gesto ousado e belo de louis ck em tempos de 'curtidas'. o texto é lindo, os personagens tem histórias e dramas profundos e muito bem construídos, e o espectador - eu, pelo menos - vai roendo as unhas e torcendo pra que essas pessoas não se machuquem ou machuquem tanto. vã esperança.

a série tem muitos grandes momentos e o longo monólogo do terceiro episódio com sarah [laurie metcalf], ex-mulher de horace, contando um segredo de seu atual casamento é assombroso de sensacional. mas tem ainda, por exemplo, um diálogo absolutamente atual sobre sexo com pessoas trans no sétimo episódio, entre muitas outras coisas [aliás, esses dois links que coloquei são de uma usuária que subiu todos os episódios no youtube, mas não sei se vão durar muito]. outro destaque é o elenco que, além de louis ck e steve buscemi, tem os monstros edie falco, alan alda e jessica lange, e coadjuvantes como aidy bryant, tom noonan, rebecca hall, karen pittman, steven wright, george wallace, david blaine e até paul simon [autor da música-tema da série] em participação especial.  



na madrugada deste 9 de novembro, enquanto a contagem dos votos da eleição americana mostrava uma inescapável e assustadora vitória de donald trump, vi o último e devastador episódio da série. lá pelas tantas, um dos clientes do bar, interpretado por kurt metzger, lança uma teoria bastante sarcástica sobre trump. segue abaixo uma transcrição levemente editada do diálogo.

- Ei, sabe de uma coisa? Desmascarei o Trump. 
- Mesmo?
- Sim, ele é o cara mais necessitado do planeta. Tipo, ele é muito carente e realmente precisa ser presidente mais do que qualquer coisa, e todos vamos votar por ele, porque somos um país generoso e ajudamos as pessoas necessitadas. (...) Mas Trump tem um vazio presidencial, sacou? Nada além da presidência vai preencher este vazio, e ele vai agarrar como agarrou aqueles dez bilhões, por que quando ele conseguiu os dez bilhões, isso não preencheu seu vazio. Ele percebeu, oh meu Deus ainda tem mais espaço... e minha muitas esposas não o preenchem (...). Eu preciso ser o líder do Mundo Livre e todo mundo tem que me amar, como se ele soubesse do vazio dentro dele e tentasse preenchê-lo, entende? E a América, porque somos bons, vamos ajudá-lo!
- Ok, então todos vamos votar no Trump porque ele está triste e sofrendo? Então na verdade nós vamos deixar ele ser nosso presidente só para ser legais, gentis ou algo do tipo?
- Sim, sim, como o Batboy. Lembram do Batboy? Todos participamos disso.
- O que foi o Batboy?
- Um garoto com câncer que queria ser o Batman, então a cidade inteira dizia: “você é o Batman!”
- Eu tenho essa amiga, e ela tem dez anos de idade.  Enfim, conversei com ela noutro dia e ela disse que estava com dor no estômago, então ela disse pra mim, Big Boy... bem, ela me chama assim, de Big Boy... Ela disse, meu estômago tá doendo tanto que quero dar socos no meu estômago porque dói muito. E eu disse, bem, não é assim que funciona, Esmeralda. Se seu estômago dói e você machucar mais ele, então você fica mais machucada. Eu disse, você precisa achar o lugar em você que dói e ser gentil com ele, ser bom pra ele, dar-lhe leite e mel e remédios e você vai ficar bem e se curar... Depois pensei: "Se alguém é parte de você, como você faz para essa pessoa parar de te machucar?" É sendo bom para eles e sendo cuidadoso com eles e lhes dando leite e mel. Você precisa cuidar das pessoas pra elas não te machucarem.
- Sim, estamos todos conectados. Essa bobagem hippie é verdade. Não é só o Trump, esse é o nosso Trump, entendem? Ele está sofrendo, está inchado, temos que pôr gelo nele e botá-lo rápido dentro da Casa Branca.
- Não podemos só dizer pra ele que ele é o presidente? Não podemos apenas fingir pra que ele fique bem?
- Como o Batboy.
- Sim, como o Batboy.

e assim foi feito e os estados unidos da américa elegeram para presidente o garoto mais mimado da turma. e como horace and pete mostra... às vezes, não tem leite e mel suficientes para aplacar certos machucados.