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domingo, 11 de dezembro de 2016

50 + 50 discos brasileiros de 2016

já rolaram spoilers de alguns dos melhores discos brasileiros do ano na lista de músicas, então começo a falar desses destaques pessoais dentro da lista de 50 discos. trabalhos poderosos como o segundo do BaianaSystem [Duas Cidades] e o terceiro do Metá Metá [MM3], cheios de raivas e balanços, dubs e punks, música negra brasileira da maior qualidade. ou então os tropicalismos femininos de Céu [Tropix] e Iara Rennó [o duplo Arco e Flecha], docemente antropofágicas.  ou ainda a espiritualidade barroca e periférica do rapper Síntese [Trilha Para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem].

BaianaSystem e Metá Metá

mas talvez os discos mais completamente bonitos de 2016 sejam, infelizmente e/ou surpreendentemente, póstumos. Sabotage é uma sequência de porradas habilmente costuradas durante muitos anos pelo produtor Daniel Ganjaman [e seus parceiros do Instituto] sobre gravações inacabadas deixadas pelo rapper paulistano morto em 2003. é impressionante, quase assustador, a constante atualidade de Sabotage, suas letras, seu som e, acima de tudo, seu fraseado [flow]. o outro póstumo é Ascensão, de Serena Assumpção [a filha mais velha de Itamar morreu em março deste ano, aos 39 anos], um belíssimo “mapeamento” musical das divindades do candomblé.  nesses dois discos profundamente afrobrasileiros, muitos convidados – um belo punhado do melhor da atual música popular – homenageiam dois artistas que foram embora cedo demais.

Sabota e Serena #DEP

mais minas – entre estes 50 discos, outras mulheres deram suas caras. podem ser mais políticas como Aíla [Em Cada Verso Um Contra Ataque, disco bonito com produção de Lucas Santtana], Lay [199129], Ju Dorotea [Sincronia] e MC Carol [Bandida]. podem também ser mais afetivas como Dona Onete [Banzeiro], Héloa [Eu], Kika [Navegante], Luisa Maita [O Fio da Memória] e Mahmundi [Mahmundi]. ou podem ficar no meio desses caminhos como Tássia Reis [Outra Esfera]. todas muito no controle de suas vontades, sonoridades e falas.

mais manos – o rap já apareceu aqui com Sabotage, Síntese, Lay, Ju Dorotea, MC Carol e Tássia Reis, mas tem muito mais versos rimados entre os 50 melhores discos de 2016. tem a atualização do primeiro disco de Criolo [Ainda Há Tempo], o segundo solo de Dexter [Flor de Lôtus] e o primeiro solo de Mano Brown [e mesmo que Boogie Naipe seja um tanto quanto longo e irregular é também muito interessante por mostrar outras facetas do maior rapper brasileiro de todos os tempos]. tem ainda a juventude de Rico Dalasam [Orgunga], Jamés Ventura [Jahbless Ventura], Nego E [Oceano], Rael [Coisas do Meu Imaginário], Rashid [A Coragem da Luz], do coletivo D.D.H [Direto do Hospício] e de MC Guimê [Sou Filho da Lua].

cantautores – em tempos passados, a turma seguinte seria rotulada como mpb, mas sabemos que ‘mpb is no more’ [ou é limitada demais para descrever o que é feito nos últimos tempos, mesmo por veteranos]. tem samba sujo paulistano via Douglas Germano [Golpe de Vista], ópera rock caipira de Meno [Barriga de 7 Janta], as psicodelias folk de Tatá Aeroplano [Step Psicodélico] e Gustavo Galo [Sol], as digressões do mestre Tom Zé [Canções Eróticas de Ninar], a primeira experiência de intérprete do Romulo Fróes [Rei Vadio é sobre Nelson Cavaquinho], o rock pós-brega de Bruno Souto [Forte], os afoxés pops de Wado [Ivete], as pesquisas amazônico-caribenhas de Félix Robatto [Belemgue Banger], o indie solar de Beto Méjia [Kaningawa], a poesia paulistana de Felipe Antunes [Lâmina], os pontos de bossa de Álvaro Lancellotti [Canto de Marajó] e surpreendente estreia de Fióti [Gente Bonita] com um disco pop de sambas, balanço, djavaneios e reggae.

grupos, bandas e vice-versa – se BaianaSystem e Metá Metá encabeçam a lista com seus trabalhos coletivos, outras formações seguem mostrando que não vieram a passeio:  o trio O Terno ganhou metais em seu terceiro disco, Melhor Do Que Parece, e amadureceu sua mistura de vanguarda paulistana com Beach Boys; o brega caribenho da Academia da Berlinda [Nada Sem Ela] é diversão garantida para todas as estações; o carnaval paulistano de rua também é fortemente autoral com A Espetacular Charanga do França [O Último Carnaval de Nossas Vidas]; a Abayomy Afrobeat Orquestra cria novas pontes entre África e Brasil em Abra Sua Cabeça; e Saulo Duarte e A Unidade [Cine Ruptura, produção de Curumin] mergulha em desesperos e esperanças em disco cheio de misturas.

instrumentais – nessa grande lista tem espaço também pra longa tradição do instrumental brasileiro, tanto com o inquieto veterano João Donato [Donato Elétrico] quanto com o jovem estudioso Vitor Araújo [Levaguiã Terê], mas também no encontro de gerações/escolas de Paulo Santos [ex-Uakti] com a banda Hurtmold [Curado], na segunda aula de história e música da Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz [A Saga da Travessia] e no retorno grandioso de Arthur Verocai [No Voo do Urubu possui algumas faixas cantadas e que interessante que nelas participem, por exemplo, Mano Brown e Criolo].

p.s.: vale mencionar que Daniel Ganjaman segue como um dos melhores produtores da atualidade e desses 50 discos de 2016, 5 tem dedos dele [BaianaSystem, Sabotage, Síntese, Criolo e Rael].


sem mais, os 50 discos brasileiros de 2016 segundo o gosto da casa.

A Espetacular Charanga do França - O Último Carnaval de Nossas Vidas
Abayomy Afrobeat Orquestra - Abra Sua Cabeça
Academia da Berlinda - Nada Sem Ela
Álvaro Lancellotti - Canto de Marajó
Arthur Verocai - No Voo do Urubu
BaianaSystem - Duas Cidades
Beto Méjia - Wahyoob
Bruno Souto - Forte
Céu - Tropix
Criolo - Ainda Há Tempo
D.D.H. - Direto do Hospício EP
Dexter - Flor de Lótus
Dona Onete - Banzeiro
Douglas Germano - Golpe de Vista
Felipe Antunes - Lâmina
Felix Robatto - Belemgue Banguer
Fióti - Gente Bonita EP
Gustavo Galo - Sol
Héloa - Eu
Hurtmold & Paulo Santos - Curado
Iara Rennó - Arco & Flecha
Jamés Ventura - Jahbless Ventura
João Donato - Donato Elétrico
Ju Dorotea - Sincronia EP
Kika - Navegante
Lay - 129129 EP
Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - A Saga da Travessia
Luisa Maita - O Fio da Memória
Mahmundi - Mahmundi
Mano Brown - Boogie Naipe
MC Carol - Bandida
MC Guimê - Sou Filho da Lua
Metá Metá - MM3
Nego E - Oceano
Rashid - A Coragem da Luz
Rico Dalasam - Orgunga
Romulo Fróes - Rei Vadio
Sabotage - Sabotage
Saulo Duarte e A Unidade - Cine Ruptura
Serena Assumpção - Ascensão
Tássia Reis - Outra Esfera
Tatá Aeroplano - Step Psicodélico
Vitor Araújo - Levaguiã Terê
Wado - Ivete

e seguem mais 50 discos muito relevantes deste 2016.

Anna Tréa - Clareia
Arielly Oliveira - Negra Soul
Brisa Flow - Newen
Carne Doce - Princesa
Chave Mestra - Coração no Gelo EP
Clínica Geral - Clínica Geral EP
Côro Mc - Vem Desse Naipe EP
Coutto Orchestra - Voga
Dante Ozzetti - Amazônia Órbita
DeFalla - Monstro
Don Pixote - Don Pixote
Edvaldo Santana - Só Vou Chegar Mais Tarde
Esdras Nogueira - Na Barriguda
Família de Rua - Ontem, Hoje e Sempre
Flow MC - Versátil
francisco, el hombre - Soltasbruxa
Guri Assis Brasil - Ressaca
Ijexá Funk Afrobeat - Ifá
Jonathan Tadeu - Queda Livre
Jonnata Doll & Os Garotos Solventes - Crocodilo
Juliana Perdigão - Ó
Juliano Gauche - Nas Estâncias de Dyzan
Laya - Laya
Lestics - Torto
Liniker e Os Caramelows - Remonta
Lucas Vasconcellos - Silenciosamente
Lulina - Na Moita
Lurdez da Luz & PParalelo - Bem Vinda EP
Matéria Prima - Pocas EP
Paula Cavalciuk - Morte  & Vida
Projeto Nave - Remix vols. 1 e 2
Romulo Fróes & Cesar Lacerda - O Meu Nome é Qualquer Um
Serge Erege - Scorpio
Strobo - Strobo 4
The Baggios - Brutown
Thiago Elniño - Filho de um Deus Que Dança EP

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

80 + 10 músicas brasileiras de 2016

ah, Brasil tá ótimo, tá lindo, tá diverso. musicalmente falando, claro. tem dub, funk, rock, carimbó, arrocha, pagodão, samba, eletrônica, mpb e rap, muito rap. numa olhada rápida nessa lista é fácil de notar que quase metade das músicas do ano são ritmo & poesia. por outro lado, existe uma concentração da produção musical em sete estados [São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Distrito Federal], mas certamente está bem melhor do que já foi.

obviamente não fico pensando em representações quando estou fechando as listas de fim de ano. apenas agrupo as que mais ouvi no ano e vou editando para chegar em números razoáveis [e a cada ano que passa, as listas ficam maiores e maiores rsrs]. depois – tipo agora – é que traço esses perfis do meu gosto, do que vou atrás, do que vem a mim. mas porque caralha estou falando isso mesmo?


bem, a parte difícil de fazer listas musicais, pra mim pelo menos, é ter que escolher uma música só de alguns artistas que, não coincidentemente, assinaram os melhores discos do ano. foi difícil escolher uma só do Metá Metá, BaianaSystem, Céu, Iara Rennó, Síntese e das lindas produções póstumas de Sabotage e Serena Assumpção.

acho que em 2016 o que aconteceu de diferente foi um pessoal dando dribles no meu rigor e aparecendo solo em uma música e participando em outra [casos de Juçara Marçal, Mano Brown, Rincon Sapiência e Lay], alguns figuras que trabalham em muitos projetos [Thiago França, Daniel Ganjaman e Meno Del Picchia, por exemplo] ou então um fenômeno inescapável como o rapper baiano Baco Exu do Blues que emplacou uma própria ["999"] e uma parceria com o pernambucano Diómedes Chinaski ["Sulicídio", assunto e polêmica na cena rapper nos últimos meses deste ano]. 

os assuntos das músicas são os mais diversos: amores, perdas, paixões, a(s) cidade(s) e acho que tem muita política também ['política' no sentido da postura diante de alguns assuntos, tais como raça, gênero, feminismo, aborto, machismo, violência policial, etc]. mas foram o rap e o funk, os gêneros mais periféricos [e isso não é por acaso], que nos brindaram com as mais contundentes críticas sociais a este terrível ano de muitas perdas para o Brasil. destaque aí para "Hoje tem batuque" de Raphão Alaafin & Rincon Sapiência e "Delação premiada" da MC Carol [sem falar na (triste) atualidade de "Canão foi tão bom" do Sabotage].

na prorrogação da lista entrou um lançamento bem bom de Flora Matos ["Igual manteiga"] e acabou saindo Fumaça ["Tipo hustla"]; ambos candangos, veja só você. ah, e troquei a música do Mano Brown [é que foi lançado Boogie Naipe, o disco, então saiu "Felizes/Heart to Heart" e entrou "Adicto" - pensei na maravilhosa "Mulher elétrica", mas ela já tá rolando faz uns anos].

falei demais né? sobe som!

 
A Espetacular Charanga do França - "O bom marido" [part. Rodrigo Campos]
Abayomy Afrobeat Orquestra - "Mundo sem memória" [part. Otto]
Academia da Berlinda - "Nêgo nervoso" [part. Otto]
Aíla - "Lesbigay"
Aláfia - "O primeiro barulho" [part. Discopédia]
Alvaro Lancellotti - "Canto de Marajó"
ÀTTØØXXÁ - "F*da p*rra"
Baco Exu do Blues - "999"
Baco Exu do Blues & Diómedes Chinaski - "Sulicídio"
BaianaSystem - "Jah Jah Revolta Parte 2"
Beto Mejía - "Kaningawa"
Bonde das Dancinhas - "Vai quebrando"
Bruno Souto - "Amor demais"
Cabeça d’ Galeto - "Por acaso" [part. Dayane]
Carne Doce - "Artemísia"
DeFalla -"Monstro"
Dexter - "Tô de volta" [part. Edi Rock]
Don L - "Chapei" [part. Lay]
Dona Onete - "Coração Brechó"
Douglas Germano - "Golpe de vista"
Família 4i20 - "Meu deserto"
Felipe Antunes - "Essa moça"
Fióti - "Vacilão" [part. Juçara Marçal]
Flora Matos - "Igual manteiga" [part. Pedro Lotto]
Flow MC - "Gang das 4 rodas"
francisco, el hombre - "Triste, louca ou má"
Fresno - "Hoje sou trovão" [part. Caetano Veloso]
Froid - "Pseudosocial"
Héloa - "Calei"
Iara Rennó - "Mama-me"
Jamés Ventura - "Calma nego"
Ju Dorotea - "Sincronia" [part. DJ Josafá]
Juliano Gauche - "Muito esquisito"
Karol Conka - "Maracutaia"
Larissa Luz - "Bonecas pretas"
Laura Lavieri - "Quando alguém vai embora"
Lay - "Ressalva"
Lei Di Dai - "Chega na dança"
Livia Cruz - "Ordem na classe"
Ludmilla - "Sou eu"
Luisa Maita - "Na asa"
Lurdez da Luz & PPararelo - "Love" [part. Yanick Melo]
Mahmundi - "Hit"
Mano Brown - "Adicto" [part. Dado Tristão]
MC Carol - "Delação premiada"
MC Guimê - "Cadê a mina" [part. Marcelo D2]
MC Kevinho - "Tumbalatum"
MC Linn da Quebrada - "Enviadescer"
MC Marechal - "Primeiro de abril"
MC Tha - "Pra você"
MC Zaac & MC Jerry - "Bumbum granada
Meno - "Sabrina"
Metá Metá - "Angolana"
Mulamba - "P.U.T.A."
Nego E - "Lua negra"
Nego Gallo - "Missão"
O Terno - "Culpa"
Rael - "De amor"
Raphão Alaafin & Rincon Sapiência - "Hoje tem batuque"
Rashid - "Ruaterapia" [part. Mano Brown e Max de Castro]
Rico Dalasam - "Relógios"
Rincon Sapiência - "A coisa tá preta"
Sabotage - "Canão foi tão bom" [part. DBS, Negra Li, Lakers, Instituto e Daniel Ganjaman]
Sara Donato, Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz - "Machocídio"
Saulo Duarte e A Unidade - "Uma música" [part. Laércio de Freitas]
Serena Assumpção - "Obaluaiê" [part. Filipe Catto]
Siloque - "Mais bases aliadas"
Síntese - "Desconstrução"
Strobo - "Vingativa" [part. Marina Lima]
Tábata Alves - "Quem vai duvidar?"
Tássia Reis - "Ouça me [remix]"
Tatá Aeroplano - "Step psicodélico"
Vitor Araújo - "Canto n.3"
Wado - "Mistério"
Xamã & MC Estudante - "Pedras de março" [part. Jean Santoro]

aí fui fazer a playlist no Spotify e, como já esperava, faltou muita coisa brasileira. mas não imaginei que seria tanto, pois das 80 faltaram 20 [pra se ter uma ideia, das músicas gringas, faltaram 8 de 100]. portanto, já vou avisando que ficaram de fora da playlist no Spotify músicas da A Espetacular Charanga do França, Amiri, Beirando Teto, Bonde das Dancinhas, Cabeça d'Galeto, Coro MC, Família 4i20, Felipe Antunes, Froid, Héloa, Kika, Lei Di Dai, Lívia Cruz, MC Marechal, Mulamba, Nego Gallo, Sara Donato [mais Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz], Serena Assumpção, Tábata Alves e da dupla Xamã & MC Estudante. 



e aí a gente tem que aproveitar essas plataformas maravilhosas todas né. e tem playlist também - uma versão dela - no Deezer. não deu muita diferença pro Spotify. Felipe Antunes e Héloa tem no Deezer, a nova da Flora Matos no Spotify. de resto, as mesmas ausências. 



atualização 22.12: apareceram umas músicas, e fiquei sabendo de outras, depois que fechei a lista e deu uma dor de não colocar aqui. daí acabei fazendo uma nova playlist no youtube com mais 10 brasileiras. tem um remix do ÀTTØØXXÁ pruma música que deve ser o hit do verão baiano. tem os funks paulistas pós-ostentação de MC Neguinho do Kazeta e MC PP da VS. tem mais rap com Coruja BC1, BK e Gustavo Pontual. tem as canções de Guri Assis Brasil e Luedji Luna. e tem a ferveção drag de Lia Clark, Arezuta Lovi e Gloria Groove.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

notas aleatórias sobre um grande show

foi uma grande e longa noite no teatro municipal. a terceira edição do 'casa de francisco em concerto' pareceu uma peça do teatro oficina: cinco horas, dois intervalos, um monte de artistas no palco; só faltou gente pelada.

dividido em 3 partes, o show começou com um bloco levado por benjamin taubkin. foi o mais longo e, pra mim, o único com momentos chatos. ótimas participações de felipe cordeiro com o pai manoel cordeiro, marcelo pretto, pau brasil e mani padmé trio. teve também renato braz, que é um sujeito que me dá vontade de morrer, e alaíde costa que fez uma versão muito falha e só no gogó de villa-lobos. 

o segundo bloco, capitaneado por arrigo barnabé, teve uma cara de vanguarda paulistana. rolaram grandes momentos com cida moreira, zé miguel wisnik, cacá machado, ná ozzetti, celso sim, isca de polícia e maurício pereira com daniel szafran [que lindo foi ouvir "um dia útil" no teatro municipal]. 

o terceiro, mais atual e interessante, veio com kiko dinucci. e lá vieram os amigos romulo froés, rodrigo campos e marcelo cabral [passo torto], thiago frança e juçara marçal [metá metá], a juçara detonando solo, etc. e ainda teve alessandra leão cantando a música mais bonita da noite ["pedra de sal"] junto com rodrigo caçapa e manu maltez. o encerramento épico veio com o trio emicida, rodrigo campos e thiago frança [do espetacular show que já falei aqui] e então o metá metá se juntou.


emicida + metá metá

lá pelo final, antes do metá metá se reunir a emicida, kiko dinucci fez um breve discurso pra casa de francisca e agradeceu a presença do prefeito fernando haddad, que foi muito ovacionado.

ao fim & ao cabo, a noite foi ótima, apesar do cansaço de cinco horas, da confusão de algumas passagens de um artista pro outro, do roteiro também ocasionalmente confuso e da falta de um mestre de cerimônias que apresentasse os músicos e preenchesse os vazios.


uma parte do elenco do show agradecendo ao final

de qualquer forma, vida longa a casa de francisca! que venham novos, grandes e pequenos shows.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

redesenhando macalé

o blog banda desenhada faz aniversário de dois anos de vida e quem ganha presente é você! ou eu. ou nós. ou todos. disponível para download gratuitoe volto pra curtir é um tributo a jards macalé tendo seu disco de estreia, lançado originalmente em 1972, como bússola conceitual. estão lá suas dez faixas mais o hit “vapor barato”  que gal costa gravou em 1971 e jards somente em 1998 (no disco o q faço é música), interpretados por jovens artistas de várias partes do país sob curadoria de márcio bulk (o idealizador da banda desenhada). olha a capa do disco de jards, um dos melhores da música brasileira.


como todo tributo que se preze, e volto pra curtir é irregular e cada ouvinte terá suas preferidas. gostei de “farinha do desprezo” do letuce, “let's play that” do metá metá, “mal secreto” do apanhador só (música que deu nome ao esforçado e, portanto, tem um importante valor sentimental aqui por essas bandas), “revendo amigos” de márcia castro e das versões mínimas de “78 rotações” de arícia mess e “movimento dos barcos” de bruno cosentino & marcos campelo. não gostei de “vapor barato” das garotas suecas, “hotel das estrelas” de léo cavalcanti e “meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata” do filipe catto & pipo pegoraro. no disco original de jards existem dois covers numa faixa só, “farrapo humano” (luiz melodia) e “a morte” (gilberto gil), que no tributo viraram faixas independentes interpretadas por rafael castro (com tulipa ruiz nos vocais) e ava rocha, respectivamente. gostei de ambas, mas ainda tenho problemas com ava, algo cerebral demais me incomoda no seu canto. mas baixe o tributo e tire suas próprias conclusões. jards nunca é demais.