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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

40 + 20 discos brasileiros de 2019

e dá-lhe mais um ano ótimo, esse 2019, pra música brasileira. ano de discos fortes de mulheres idem como a rainha Elza Soares e seu Planeta Fome, de Alessandra Leão e o sagrado Macumbas e Catimbós, de Céu e a doçura confessional de APKÁ!, além das "estreantes" Larissa Luz e seu belo Trovão e MC Tha e seu elevado Rito de Passá.

o sagrado em MC Tha e Alessandra Leão, 
alguns dos pontos altos musicais de 2019

da macharada destaco O Futuro Não Demora do BaianaSystem, Besta Fera do gigante Jards Macalé, I Was Told To Be Quiet do Marcelo "Momo" Frota e Coruja Muda do Siba. 

a besta fera Jards Macalé

mas nunca é demais frisar que um quarto dos mais interessantes, bacanas, fortes, etc discos brasileiros do ano - aqui segundo os 40 +20 do esforçado - são de rap, uma média que tem se mantido alta por aqui há pelo menos uma década. é o gênero mais crítico, diverso, pulsante e rico [e crescentemente popular]. e que em 2019 nos deu os poderosos Abaixo de Zero: Hello Hell de Black Alien [tão franco ao expor tantas feridas] e AmarElo de Emicida [tão maduro entre a doçura e o dente afiado]. e ainda por cima novos trabalhos de outros preferidos da casa como Amiri, Coruja BC1, Djonga, Rincon Sapiência, Tássia Reis e Thiago Elniño. e solos finos de veteranos como Edi Rock [Racionais MCs] e Nego Gallo [do saudoso e cearense Costa a Costa]. e também Davzera, Drik Barbosa, Nill, Rashid e Zudizilla. muita coisa boa, impressionante.


Black Alien, Emicida e o rapBR mais forte que nunca

vale destacar ainda a volta dos veteranos e paulistaníssimos Rumo, a produção intensa de Marcos Valle [que já lançou disco novo neste 2020] e de Dona Onete, a crescente politização de Lucas Santtana, o retorno de Lia de Itamarcá, e o sempre irrequieto Jorge Mautner.

então, sem mais delongas, a lista completa 40 +20 da música brasileira de 2019 segundo o esforçado.

Alessandra Leão - Macumbas e Catimbós
Alice Caymmi - Electra
Amiri - O.N.F.K.
Baiana System - O Futuro Não Demora
Barbara Eugênia - Tuda
Boogarins - Sombrou Dúvida
Céu - APKÁ!
Coruja BC1 - Psicodelic
Djonga - Ladrão
Dona Onete - Rebujo
Douglas Germano – Escumalha
Edi Rock - Origens
Elza Soares - Planeta Fome
Emicida - AmarElo
Felipe Cordeiro - Transpyra
Héloa - Opará
Jaloo - ft. (pt. 1)
Jards Macalé - Besta Fera
Karina Buhr - Desmanche
Larissa Luz - Trovão
Lia de Itamaracá - Ciranda Sem Fim
Lúcio Maia - Lúcio Maia
Lulina - Desfaz de Conta
Marcelo Jeneci - Guaia
Marcos Valle - Sempre
MC Tha - Rito de Passá
Nego Gallo - Veterano
O Terno - atrás/além
Pitty - Matriz
Rumo - Universo
Siba - Coruja Muda
Tássia Reis - Próspera

+ 20
Chico Bernardes - Chico Bernardes
Davzera - Vale do Silício
Drik Barbosa - Drik Barbosa
Giovani Cidreira - Mix$take
Iconili - Quintais
Juliana Perdigão - Folhuda
Keila - Malaka
Lello Bezerra - Desde Até Então
Liniker e Os Caramelows - Goela Abaixo
Luísa e os Alquimistas - Jaguatirica Print
Manoel Cordeiro - Guitar Hero Brasil
Nill - Lógos
Nomade Orquestra - Vox Populi Vol. 1
Rashid - Tão Real
Rogerman - Manhã de Amanhãs

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

50 músicas brasileiras de 2013 e um p.s.

dezembro é aquela coisa. listas e balanços, balanços e listas. a retrospectiva aqui no esforçado começa com a de músicas brasileiras e 2013 foi mais um ano sensacional pros lados de cá. como é de costume tento traçar um largo panorama do que ouvi durante o ano - aqui nós é da inclusão, tá ligado? -, mas é claro que ficam coisas de fora e claro que poderia acrescentar mais duas ou três músicas de determinados discos. só que a vida é escolhas, né não? engole o choro e vai...

agora, reparem o seguinte... boa parte da lista é formada por raps, gênero que tem sido o mais ousado, inquieto e variado nesse começo de século no brasil. são manos e minas rimando sobre tudo, sem medo de arriscar e misturar. um desses raps é, muy provavelmente, a música mais bonita desse ano e desde já um clássico: "crisântemo", do emicida. do lado da, digamos assim, mpb destaco a lindíssima, sambística e experimental "sim", de cacá machado, registrada num dueto arrepiante de elza soares e zé miguel wisnik.



aláfia - “ela é favela
amiri - “trinca
andreia dias -“brisa tropicana” [part. criolina]
anitta - “show das poderosas
bárbara eugênia - “roupa suja” [part. pélico]
bruno morais – “insomnio y palabrería” [part. 3 cruzeiros]
bruno souto - “dentro
cacá machado - “sim” [part. elza soares e zé miguel wisnik]
catarina dee jah - “intercumbia
cérebro eletrônico - “não bateu nosso santo
cícero - “duas quadras
criolo - “duas de cinco
dj dolores - “álcool” [part. isaar frança]
do amor - “mindingo” [part. lucas santtana]
don l - “cafetina seu mundo
edi rock - “negro cantou” [part. don pixote]
emicida - “crisântemo
gang do eletro - “só no charminho
garotas suecas - “a nuvem” [part. lurdez da luz]
gasparzinho - “vai no cavalinho
iara rennó - “outros tantos
joão rosseto - “pagando pra ver
juliano gauche - “amor do capeta
karol conká - “sandália” [part. rincon sapiência]
lívia cruz - “sei quem eu sou” [part. karol de souza]
lulina - “lua vazia
lurdez da luz - “ping pong
luz marina - “paisagem
marcelo d2 - “fella” [part. shock, batoré e akira presidente]
marcelo jeneci - “de graça
mc garden - “isso é brasil
mc guimê - “país do futebol” [part. emicida]
mc tipocki - “quero bunda
meno del picchia - “vou pro pará
momo - “uu
ná ozzetti - “lizete” [part. kiko dinucci]
rael - “o hip hop é foda
rodrigo amarante - “maná
ruspo - “chatuba do agroboy
síntese - “equação
slim rimografia - “limpe seu próprio quintal
sombra - “piada cabeluda
submarinos - “trampolim
thiago frança - “caso do bacalau” [part. kiko dinucci e rodrigo ogi]
tono - “tu cá, tu lá
trio eterno - “saí descalço
tropkillaz - “morena” [part. nave]
vanguart - “olha pra mim
verônica ferriani - “estampa e só
zulumbi - “babe, eu vou bombar

p.s.: depois de fechar a lista saíram os clipes de "beijinho no ombro" de valesca popozuda e "bai bai" de jaloo, duas músicas que tinha esquecido de colocar na lista. e teve outra música sensacional que não tinha ouvido, passei batido geral, mas que apareceu aos 49 do segundo tempo e senti que precisava deixar o registro. é "bigode grosso" da mc marcelly (aqui num remix à la trap music).





domingo, 5 de maio de 2013

elas cantam ele, eles cantam ela

neste ano, o selo jóia moderna lançou dois excelentes tributos. não foram os primeiros da curta vida do selo criado pelo dj zé pedro – antes aconteceram literalmente loucas - as canções de marina lima (2011) e a voz da mulher na obra de guilherme arantes (2012) –, mas certamente são os melhores até agora (achei o da marina bom e o do guilherme arantes muito fraco). mulheres de péricles (2013) traz um punhado de cantoras da nova geração ao redor do compositor péricles cavalcanti, enquanto coitadinha bem feito (2013) faz o mesmo com jovens cantores e as músicas de ângela ro ro. ah, como se não bastassem trazer interpretações surpreendentes para algumas canções bem conhecidas, os dois tributos também estão disponíveis para download gratuito.


mulheres de péricles - péricles cavalcanti é um ilustre desconhecido. todos sabem cantar pelo menos uma de suas composições, mas poucos conhecem seus discos solos (são 5) ou associam seu nome a canções gravadas por gal (“negro amor”), caetano (“elegia”), arnaldo antunes (“eva e eu”) e adriana calcanhotto (“medo de amar nº3”). não que isso seja um problema ou motivo de ressentimento para ele (não parece), mas de qualquer forma esse disco é uma oportunidade e tanto para colocar alguns pingos nos is, principalmente sobre a poesia sofisticada e popular de suas letras. por outro lado, a escolha dessas jovens vozes femininas confere diversos tons de delicadeza (sexual, rascante, derramada, etc.) e experimentações musicais das mais variadas a canções feitas no decorrer das últimas quatro décadas. todas soam igualmente fresquinhas, urgentes. cada ouvinte terá suas preferidas e as minhas são “clariô” (marietta vital e mairah rocha), “blues” (céu), “porto alegre” (tulipa ruiz), “elegia” (mallu magalhães), “quem nasceu?” (laura lavieri) e “ode primitiva” (bárbara eugênia). detalhe: os anos indicados após as músicas (o mesmo vale para o próximo tributo) são das gravações originais.


1. céu – “blues” (péricles cavalcanti, 1981)
2. nina becker – “o céu e o som” (péricles cavalcanti, 1974)
3. blubell – “bossa nova” (péricles cavalcanti, 2004)
4. mallu magalhães – “elegia” (péricles cavalcanti & augusto de campos, 1979)
5. bárbara eugênia – “ode primitiva” (péricles cavalcanti & haroldo de campos, 1991)
6. marietta vital & mairah rocha – “clariô” (péricles cavalcanti, 1977)
7. tulipa ruiz – “porto alegre” (péricles cavalcanti, 2007)
8. iara rennó – “nossa bagdá” (péricles cavalcanti, 2004)
9. anelis & serena assumpção – “eva e eu” (péricles cavalcanti & arnaldo antunes, 1996)
10. laura lavieri – “quem nasceu?” (péricles cavalcanti, 1974)
11. karina buhr – “negro amor” (péricles cavalcanti & caetano veloso, 1977)
12. juliana kehl – “será o amor?” (péricles cavalcanti, 2004)
13. ava rocha – “musical” (péricles cavalcanti, 1983)
14. tiê – “medo de amar nº3” (péricles cavalcanti, 2000)
15. juliana perdigão – “canto maneiro” (péricles cavalcanti, 1991)




coitadinha bem feito - felizmente ângela ro ro se tornou objeto de culto ainda em vida, e a partir dos anos 2000 voltou a fazer shows, a gravar e até emplacou um programa de televisão. coitadinha bem feito é um coroamento desse movimento e uma bela homenagem a uma das compositoras mais fortes da música popular brasileira. a costura do repertório é menos original que a do mulheres de péricles – tanto que metade do tributo veio diretamente do disco de estreia de ângela, de 1979 –, mas a escolha por (e dos) intérpretes masculinos é um belo contraponto ao estilo da carioca. suas ironias mudam de lugar, seu romantismo rasgado ganha distância, seu blues ganha novas cores. as preferidas da casa são (sem nenhuma ordem, sempre) “balada da arrasada” (tatá aeroplano), “perdoai-os pai” (rael), “coitadinha bem feito” (otto), “não há cabeça” (pélico), “me acalmo danando” (hélio flanders), “came e case” (léo cavalcanti), “abre o coração” (gui amabis) e “fogueira” (rodrigo campos). baixe aí e veja quais são suas preferidas porque música boa é que não falta.

1. lucas santtana – “amor meu grande amor” (ângela ro ro & ana terra, 1979)
2. lira – “renúncia” (ângela ro ro, 1980)
3. leo cavalcanti – “came e case” (sérgio bandeira & ângela ro ro, 1981)
4. rómulo froés – “só nos resta viver” (ângela ro ro, 1980)
5. thiago pethit – “mares da espanha” (ângela ro ro, 1979)
6. tatá aeroplano – “balada da arrasada” (ângela ro ro, 1979)
7. otto – “coitadinha bem feito” (sérgio bandeira & ângela ro ro, 1981)
8. gui amabis – “abre o coração” (ângela ro ro, 1979)
9. adriano cintra – “gota de sangue” (ângela ro ro, 1979)
10. pélico – “não há cabeça” (ângela ro ro, 1979)
11. rodrigo campos – “fogueira” (ângela ro ro, 1984)
12. kiko dinucci – “tango da bronquite” (ângela ro ro, 1980)
13. rael – “perdoai-os pai” (sérgio bandeira & ângela ro ro, 1981)
14. gustavo galo – “fraca e abusada” (ângela ro ro, 1981)
15. dani black – “tola foi você” (ângela ro ro, 1979)
16. juliano gauche – “a mim e a mais ninguém” (ângela ro ro, 1979)
17. helio flanders – “me acalmo danando” (ângela ro ro, 1979)

terça-feira, 9 de abril de 2013

o que é que a bárbara tem?

agora na edição de abril da revista da gol saiu uma reportagem ligeira que fiz sobre o disco novo da cantora e compositora bárbara eugênia (é o que temos). pena que não rolou mais espaço porque a entrevista que aconteceu em uma padaria na vila madalena rendeu mais que as risadas e os sucos tomados. mas aqui no esforçado, meu-amiguinho-minha-amiguinha, sempre tem mais, e logo após o texto e o streaming do disco dá pra conferir o resto da conversa e algumas fotos roubadas entre perguntas e respostas. e o disco? é o que temos, produzido por edgard scandurra e clayton martin, é interessante, variado, romântico, bem humorado e atual. traz uma cantora-compositora mais segura e um punhado de músicas ótimas. destaque absoluto para "ugabuga feelings" (que a princípio me chamou atenção por causa de uma referência a "você passa eu acho graça"), "you wish, you get it" e a arrebatadora "roupa suja", dueto-hit com pélico. a estreia de bárbara em journal de bad, produzido por dustan gallas e junior boca, já era bastante promissora ("drop the bombs", "agradecimento", "o oposto do osso", etc.), mas ela realmente tem muito mais a mostrar. basta ouví-la.



LIVRE, LEVE E SOLTA

Uma das vozes mais interessantes da atual música popular brasileira está com trabalho novo na praça. É o que Temos é o segundo disco de Bárbara Eugênia, cantora e compositora nascida em Niterói, criada no Rio de Janeiro e radicada em São Paulo. “Comecei a pensar nesse disco uns dois anos atrás, mais ou menos na época que escutei Amador do Adanowsky, que foi um disco que mudou minha vida. Ele fala de buscar uma coisa maior, amor, coisas boas. É um disco totalmente hippie e vi que estava muito descolada desse meu lado meu, e de uma coisa mais espiritualizada. Foi super transformador pra mim. Aí fiquei pensando que queria um disco que fosse mais pra esse lado, cheio de canções, e com mensagens positivas”, explicou. E assim nasceram as 11 faixas do disco com sonoridades que variam da psicodelia ao iê iê iê, do bolero ao folk, com destaque para os duetos-parcerias com Pélico (“Roupa suja”) e Tatá Aeroplano (“Não tenho medo da chuva e não fico só”), a regravação de um clássico de Diana (“Porque brigamos?”) e as divertidas “Ugabuga feelings” e “You wish, you get it”. “Acho que no meu primeiro disco [Journal de Bad, 2010] tinha uma coisa mais carregada nos rompimentos, no amor, em tudo, e nesse disco, mesmo quando trata disso, tem mais piada, não se leva tão a sério”, confessa e ri, tímida, provavelmente lembrando de coisas que só ela sabe (e agora canta).



"A mudança não foi pelas pessoas e sim pelas circunstâncias da vida, porque quando fiz meu primeiro disco [Journal de Bad] tinha acabado de começar a cantar. Estava fazendo shows pouco mais de um ano antes. Então não sabia nada de nada e estava muito feliz de gravar um disco."

"Esse disco novo já estava meio pronto na minha cabeça. Quando a gente começou a ensaiar e a tirar os arranjos eu já sabia o que queria. Então coordenei.. meio que de certo produzi junto porque escolhi tudo o que queria. Essa música eu quero assim, essa outra eu quero assim... nessa eu quero o Guizado, nessa outra quero o Chankas, e foi assim... foi um disco que dominei totalmente. É um disco muito mais meu, apesar de ter sido feito em conjunto com a banda e deles serem muito meus amigos. Quer dizer, eles me ajudaram a chegar aonde eu queria. Eu tenho ideias, mas não sei executar. Mal toco violão. Então preciso muito deles pra chegar onde quero, pra fazer acontecer. O primeiro eu não sabia o que queria, mas sei que gostei, que ficou lindo, que amei. Mas tem essa diferença que é bem grande."

"Comecei a pensar nesse disco uns dois anos atrás. Mais ou menos na época que escutei o segundo disco do Adanowsky [Amador, 2011], que foi um disco que mudou minha vida num grau muito forte [ela acabou gravando “Sozinha”, uma versão dela mesmo de “Me siento solo]. Ele fala de buscar uma coisa maior, de amor, da vida, de coisas boas, é um disco totalmente hippie e eu vi que tava muito descolada desse lado meu, e da canção, e de uma coisa mais espiritualizada. Foi super transformador pra mim. Aí fiquei pensando que queria um disco que fosse mais pra esse lado, um disco de canções, com mensagens positivas."



"“Coração” é uma música super otimista. A gente escolheu ela pra começar porque sintetiza bem o disco. Não é mais lenta, nem a mais animada, nem a mais alegre, nem a mais triste. É uma música que engloba tudo isso e tem uma ‘buena onda’ ali. A Diana [“Porque brigamos?”] é aquela coisa... sou muito fã da Diana e nos show costumava cantar “Meu lamento”, mas aí fiz “Porque brigamos?” no [programa] Som Brasil e o Odair José estava lá, ele era um dos homenageados, e ele disse que eu tinha que gravar essa música. Eu me identifico muito com essa música, óbvio, porque já passei por situações assim e sinto as coisas assim. Eu faria uma música nesse estilo. Acho que no meu primeiro disco tinha uma coisa mais carregada nos rompimentos, no amor, em tudo, e nesse disco, mesmo quando trata disso, tem mais piada, não se leva tão a sério."

"E tem o bolero, “O peso dos erros”, que é uma música muito pessoal, mas não é sobre uma relação, nem sobre questões românticas, é uma outra coisa. Essa é a música mais densa do disco, gosto muito da letra dela, acho que é a minha favorita. E mesmo nela tem uma mensagem positiva. Quero que a pessoa melhore. Acho que mesmo que fale de rompimentos no disco dessa vez é com uma visão menos fatalista, menos pessimista das coisas."

"Fiz “You wish, you get it” nos 45 minutos do segundo tempo… duas músicas não tinham dado certo, não queria fazer mais uma versão, e até tinha umas músicas mais antigas, mas não queria... aí sentei em casa, comecei a ouvir Devendra Banhart, fiz uma vodka com suco de laranja [risos], fiquei lá e teve uma música que me inspirou... é isso! Comecei a escrever e fiz a música em 15 minutos. Cheguei com ela no último dia de gravação na Casa do Mancha. Fiquei muito feliz de encerrar o disco com ela, que é um rock pra cima e com uma mensagem otimista."

"Escrevi “Ugabuga feelings” em 2010 ou 2009 e ficou guardada, não sabia muito o que fazer. Aí cheguei pro pessoal e falei que tinha um axé [risos], vamos ver o que a gente faz com esse axé, porque ela é um axé, né? Total. Se a Ivete Sangalo quiser gravar ficarei feliz. Seria lindo. Aí a gente transformou em um rock, o Clayton usou Bo Diddley como referência pruma pegada mais primitiva."



"Minha voz melhorou bastante. A prática, a tal da cancha, mais soltura, segurança... tô experimentando mais. Antigamente não conseguia abrir voz comigo mesmo. No primeiro disco não tem isso. Não é porque não quisesse e sim porque não conseguia. Agora já consigo e fiz várias vezes no disco. Tenho certeza que melhorei muito e que ainda vou melhorar muito mais. Como compositora também [melhorei]... Journal de Bad foram dez anos de histórias, tem música que escrevi com 18, 19 anos, então é muita história... agora tá tudo mais fácil e ando muito inspirada. Desde o ano passado que tenho escrito bastante. Já tô fazendo um disco novo, em parceria com o Chankas, e está ficando foda. Enfim, tenho escrito muito e com a facilidade de pegar uma letra que não tava terminada e terminar, pegar um pedaço de uma e juntar com outra... estou brincando mais, experimentando..."

"Estou muito afim de fazer mais isso esse ano, trabalhar com outras pessoas... o Tatá Aeroplano, por exemplo... a gente tem uma ligação muito forte, a gente sempre fica muito feliz cantando juntos, e somos muito parceiros, temos ideias parecidas, somos amigos há muito tempo." 



p.s.: ano passado, bárbara registrou uma versão acústica "i wonder" em sua participação no projeto in.casa. no disco é o que temos, a música ganhou uma pegada country com o acompanhamento de mustache & os apaches.

sábado, 5 de janeiro de 2013

foi bonita a festa, pá

cultura livre é um daqueles raros espaços para a boa e nova música popular brasileira no rádio e na tv. comandado com graça e interesse por roberta martinelli, o programa ganhou uma promoção e tanto ao ser transformado em um especial de quase duas horas no réveillon da tv cultura. e ele está disponível na íntegra no youtube. olha só que belezura de atrações (tendo o terno como banda de apoio)...

o terno – “zé, assassino compulsivo”
barbara eugênia – “por aí”
barbara eugênia & tatá aeroplano – “sinta o gole quente do café que eu fiz pra ti tomar”
tatá aeroplano – “tudo parado na city”
filipe catto – “adoração”
pélico – “recado” (com tony berchmans)
tulipa ruiz – “script”
márcia castro – “29 beijos”
karina buhr – “não me tanto”
rafael castro – “pra vender mais, agradar mais, se falar mais”
kiko dinucci – “lizete”
todo mundo – “gente aberta” (erasmo carlos)
rael – “caminho” (com carlos café e dj will)
felipe cordeiro – “legal e ilegal” (com manoel cordeiro)
léo cavalcanti – “sonho parasita”
laura lavieri – “quem nasceu”
blubell – “protesto”
letuce & blubell – “que se chama amor”
letuce – “insoniazinha”
juçara marçal – “morto”
maurício pereira & juçara marçal – “trovoa”
maurício pereira – “compromisso”
o terno – “66”

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

arnaldo antunes convida...

ontem rolou a segunda noite de gravação do novo programa da mtv, o grêmio recreativo arnaldo antunes, uma séries de dez shows que começa a ser televisionado mensalmente a partir de 31 de março (e a direção é do bróder roger carlomagno, o talentoso pai de alice). cada episódio traz um bando de convidados diferentes e enquanto o primeiro veio com seu jorge, hyldon, céu, edgard scandurra e karina buhr, esse segundo trouxe odair josé, paulo miklos, cidadão instigado e barbara eugênia e otto. o integrante mais pernambucano do corjacast, o digníssimo valtinho silva (@valtersil) esteve lá ontem e conta um pouquinho do que aconteceu, com direito a um flagrante celular. no(s) próximo(s), eu vou, não quero nem saber...

régis damasceno (cidadão instigado), paulo miklos, barbara eugênia,
arnaldo antunes e odair josé


Pense numa reunião de músicos com a banda cearense Cidadão Instigado, o pernambucano Otto, a carioca (radicada em Sampa) Bárbara Eugênia, o titã Paulo Miklos e o outrora chamado de brega, e agora ídolo dos alternativos, Odair José. Junte toda esta galera ao redor do anfitrião e ex-titã e só podia dar no Grêmio Recreativo. Ontem, dia 22 de fevereiro, foi gravado o segundo programa no Inferno Club, no baixo Augusta.

A boa sacada do programa é a informalidade. Arnaldo Antunes se sente bem à vontade para conduzir o programa, quem participa como destaque, depois continua no programa, faz backing vocal ou toca para o próximo e por aí vai, então tenha paciência para ouvir as ótimas desafinações de Catatau em "Doido", e na sequência um dueto dele com Barbara Eugênia em "Tempo" vai te deixar suspenso. A moça, aliás, promete muito, performance estilo Jane Birkin e repertório bem original.

Otto, o bárbaro, impagável, performance genial, e para a família ficar ainda mais reunida, Paulo Miklos e Arnaldo invocam sucessos da época áurea do Titãs: "Pavimentação" numa performance que James Brown aprovaria e "Televisão" (o Cride, fala pra mãe...).

Depois disso, o grande tributo ao convidado da noite. Odair José vem desfilar pérolas como "Eu vou tirar você deste lugar" e "A noite mais linda do mundo" num clima de grand finale apoteótico para delírio geral. Só faltaram nossos pais e mães na platéia para aprovarem o resultado.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

CORJA #10

[sons de grilos] oi? tem alguém aí? [entram cigarras no coral] ok, já entendi. final de ano, né? aliás, mais final de ano impossível. só queria avisar que o corjacast #10 tá no ar com cinco músicas bem jóias para animar seu reveillon, virada de ano, entradas, pular sete ondas e coisa e tal. depois de muito apuro conseguimos nos reunir para gravar esse último programa de um ano meio tumultuado com muito trabalho, viagens e desencontros. mas tá tudo bem - dá para sentir pela bagunça da conversa fiada - e o que importa é que o som não pode parar e 2011 tá logo ali depois da curva.

e os sons? tem barbara eugênia ("sinta o gole quente do café que eu fiz pra ti tomar"), cabruera ("doce de coco"), brazilian girls ("ricardo"), stromae ("alors on danse"), kelvis duran ("à deriva") e ao fundo da conversinha o dub latino do quantic presenta flowering inferno.

o resto do post sobre a edição #10 do corjacast está lá no blog oficial do podcast da família (disfuncional) brasileira, incluindo os videos relacionados. vai lá. mas o programa você ouve aqui também.


corjacast #10 by dafnesampaio3