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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
nelson rodrigues não descansa em paz
e sabe por que? porque a certa altura do video abaixo ele diz, dramático como um chicabom derretendo no verão, "o morto esquecido é o único que realmente descansa em paz". e ele não foi esquecido, felizmente (pra nós) jamais será, ainda mais agora com a descoberta desse documentário de 1968 antes considerado perdido. olhem só a descrição: "trechos do filme fragmentos de dois escritores,
com nelson rodrigues. este filme, bastante raro, foi feito pelo dramaturgo joão bethencourt (que chegou a lamentar que o filme estivesse perdido), patrocinado
pelo consulado dos eua. joão entrevistou nelson e o dramaturgo norte-americano
edward albee [quem tem medo de virginia woolf?]. depoimento e cenas de nelson rodrigues tomando o famoso mingau
contra a úlcera, escrevendo, assistindo pelé no maracanã e gravando a
mesa-redonda sobre futebol na tv a grande revista esportiva facit.
a versão integral foi localizada no arquivo nacional dos eua por carlos fico e
será divulgada em breve pelo brasil recente". fiquei sabendo pela fernanda ezabella (@ferezabella).
sábado, 21 de janeiro de 2012
yahoo #24
olhaí a primeira coluna do yahoo no novo esquema semanal ultrapop. sobre esse sentimento que a gente vê por aí no brasil desde tempos imemoriais e que agora, nas janelas de comentários, ganhou ares de arte-bruta. o pessoal pegou mal, claro (aqui). esta semana já rolou o "bbb no dos outros é refresco" e vai saber o que mais pode aparecer por aí.
VIRA-LATA, UM COMPLEXO
Foi na década de 1950, e por causa do futebol, que Nelson Rodrigues falou que o brasileiro sentia um tremendo complexo de vira-lata. A causa era a derrota da seleção para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950. A volta por cima veio com a vitória bela e histórica em 1958 (e em 1962 e 1970). Entre uma Copa e outra, o brasileiro se escondia pelos cantos, envergonhado da própria existência, “um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem”. Mas é claro que essas taças, e as outras duas que vieram depois, não curaram um complexo anterior e tão arraigado nas elites e classe média, e o ufanismo vazio e truculento dos militares também não ajudou muito. E assim muitas pessoas continuaram se lamentando aos berros que viviam num “país subdesenvolvido de merda” com um “povinho de merda”. Bom mesmo é lá fora, povo educado, transporte público de qualidade, mil anos de história e os parques, que parques.
O crescimento econômico dos últimos dez anos criou uma nova classe média, mais dinheiro começou a entrar para mais gente que não os de sempre, e o Brasil passou a ser reconhecido internacionalmente para além de Carmen Miranda, Pelé e carnaval. Sem falar que receberemos uma nova Copa e a primeira edição das Olimpíadas na América do Sul, isto é, muito trabalho pela frente. Enfim, outros orgulhos foram tomando corpo a partir dessa, digamos assim, nova condição, essa nova ordem mundial. Mas não tem jeito, a manada dos descontentes segue na mesma toada de rejeição a tudo que for nosso, mestiço, fora do eixo.
Claro que não estou falando aqui de uma “obrigação de orgulho” ou um “agora, vai!”, muito pelo contrário, afinal o país continua radicalmente desigual e nossas políticas federais, estaduais, municipais e pessoais seguem viciadas em falsa cordialidade e toma lá, dá cá dos tempos da vovozinha. Ou como escreveu Caetano Veloso para Gal Costa cantar: “Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo / Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo”. Estou falando aqui, e cito palavras do colega James Cimino, de que é preciso “construir um orgulho que não precise de slogan”. Um orgulho que seja realista e construído diariamente, sem bandeiras, só vivência.
Lembrei novamente dessas vira-latices nacionais porque recentemente o cantor Michel Teló virou motivo de guerra virtual após o fenômeno de seu sucesso nacional e internacional virar capa da revista Época. Não vou tratar desse assunto aqui – colegas jornalistas como Alex Antunes, Luis Antônio Giron e o companheiro de Yahoo, Pedro Alexandre Sanches, já o fizeram com maestria – porque o que me deixou mais uma vez intrigado foi a repulsa sobre uma das teses da reportagem: Teló reflete os valores da cultura popular brasileira. “Não, não e não, que absurdo”, diziam batendo pé no chão e prendendo respiração. Era o bom e velho complexo de vira-lata em mais uma manifestação 2.0 (no ano passado, A Banda Mais Bonita da Cidade sentiu esse gostinho com as reações ao clipe de “Oração” e escrevi sobre isso na coluna “A banda mais coisinha-bebê do Brasil”).
É como se o Brasil fosse um quintal a ser explorado para conseguir uma graninha e se mudar para algum lugar da Europa, aquilo sim que é terra de gente, pensam os vira-latas. É como se orgulho – que é muito diferente de patriotismo - fosse falta de visão crítica. Muito diferente disso pensa Timpin Pinto, um cara que só não é do Nordeste ou do Norte porque nasceu no Rio Grande do Sul e mora em Curitiba. Dia desses ele soltou, no seu jeito apaixonado e hiperbólico de sempre, que “seremos o novo Império Cultural e que nosso Império será hedonista, lúdico, matriarcal e dionisíaco”. Não iria tão longe nessa animação toda, principalmente sobre a parte do Império, mas tenho certeza que enquanto ainda aprendemos como ser Nação e sociedade, e isso é aprendizado sem fim, podemos ensinar muito mais do que julga nossa vã vira-latice.
VIRA-LATA, UM COMPLEXO
Foi na década de 1950, e por causa do futebol, que Nelson Rodrigues falou que o brasileiro sentia um tremendo complexo de vira-lata. A causa era a derrota da seleção para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950. A volta por cima veio com a vitória bela e histórica em 1958 (e em 1962 e 1970). Entre uma Copa e outra, o brasileiro se escondia pelos cantos, envergonhado da própria existência, “um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem”. Mas é claro que essas taças, e as outras duas que vieram depois, não curaram um complexo anterior e tão arraigado nas elites e classe média, e o ufanismo vazio e truculento dos militares também não ajudou muito. E assim muitas pessoas continuaram se lamentando aos berros que viviam num “país subdesenvolvido de merda” com um “povinho de merda”. Bom mesmo é lá fora, povo educado, transporte público de qualidade, mil anos de história e os parques, que parques.
O crescimento econômico dos últimos dez anos criou uma nova classe média, mais dinheiro começou a entrar para mais gente que não os de sempre, e o Brasil passou a ser reconhecido internacionalmente para além de Carmen Miranda, Pelé e carnaval. Sem falar que receberemos uma nova Copa e a primeira edição das Olimpíadas na América do Sul, isto é, muito trabalho pela frente. Enfim, outros orgulhos foram tomando corpo a partir dessa, digamos assim, nova condição, essa nova ordem mundial. Mas não tem jeito, a manada dos descontentes segue na mesma toada de rejeição a tudo que for nosso, mestiço, fora do eixo.
Claro que não estou falando aqui de uma “obrigação de orgulho” ou um “agora, vai!”, muito pelo contrário, afinal o país continua radicalmente desigual e nossas políticas federais, estaduais, municipais e pessoais seguem viciadas em falsa cordialidade e toma lá, dá cá dos tempos da vovozinha. Ou como escreveu Caetano Veloso para Gal Costa cantar: “Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo / Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo”. Estou falando aqui, e cito palavras do colega James Cimino, de que é preciso “construir um orgulho que não precise de slogan”. Um orgulho que seja realista e construído diariamente, sem bandeiras, só vivência.
Lembrei novamente dessas vira-latices nacionais porque recentemente o cantor Michel Teló virou motivo de guerra virtual após o fenômeno de seu sucesso nacional e internacional virar capa da revista Época. Não vou tratar desse assunto aqui – colegas jornalistas como Alex Antunes, Luis Antônio Giron e o companheiro de Yahoo, Pedro Alexandre Sanches, já o fizeram com maestria – porque o que me deixou mais uma vez intrigado foi a repulsa sobre uma das teses da reportagem: Teló reflete os valores da cultura popular brasileira. “Não, não e não, que absurdo”, diziam batendo pé no chão e prendendo respiração. Era o bom e velho complexo de vira-lata em mais uma manifestação 2.0 (no ano passado, A Banda Mais Bonita da Cidade sentiu esse gostinho com as reações ao clipe de “Oração” e escrevi sobre isso na coluna “A banda mais coisinha-bebê do Brasil”).
É como se o Brasil fosse um quintal a ser explorado para conseguir uma graninha e se mudar para algum lugar da Europa, aquilo sim que é terra de gente, pensam os vira-latas. É como se orgulho – que é muito diferente de patriotismo - fosse falta de visão crítica. Muito diferente disso pensa Timpin Pinto, um cara que só não é do Nordeste ou do Norte porque nasceu no Rio Grande do Sul e mora em Curitiba. Dia desses ele soltou, no seu jeito apaixonado e hiperbólico de sempre, que “seremos o novo Império Cultural e que nosso Império será hedonista, lúdico, matriarcal e dionisíaco”. Não iria tão longe nessa animação toda, principalmente sobre a parte do Império, mas tenho certeza que enquanto ainda aprendemos como ser Nação e sociedade, e isso é aprendizado sem fim, podemos ensinar muito mais do que julga nossa vã vira-latice.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
uma grande dama
acho que já falei por aqui que não gosto de entrevistar por telefone. falta o olho no olho, a reveladora linguagem corporal, enfim, falta uma porrada de coisas. mas como o tempo ruge e as distâncias existem, ocasionalmente não existe saída. foi assim com marília pêra em maio de 2008. o mote da entrevista pra revista monet era a estreia, no canal brasil, de vestido de noiva, de joffre rodrigues. olha o trailer.
confesso que até hoje não vi o filme, mas conheço bem a genial peça do nelson rodrigues, já li algumas vezes. e a entrevista? que desperdício falar apenas uns 20 minutos com uma atriz com tanta história pra contar. e ela foi tão profissional ao telefone, tão anti-estrela. enfim... segue aqui o bate-papo, direto do meu baú (que há tempos não abria).
INSTINTO PURO - A grande dama fala de sua relação com a obra de Nelson Rodrigues – das crônicas que a avó lhe contava para dormir à cafetina do filme Vestido de Noiva
Quando você assistiu uma peça do Nelson pela primeira vez?
Tenho uma história anterior com o Nelson porque quando tinha, sei lá, uns 5 anos meus pais saíam para trabalhar no teatro e me deixavam com a minha avó, que era atriz também, lá no Rio Comprido. E ela lia pra mim na cama aquelas crônicas de A Vida Como Ela É. Não tinha idéia de quem escrevia, mas gostava muito daquilo. Tenho esse encontro com Nelson ainda muito menina. Depois vi Toda Nudez Será Castigada, Bonitinha Mas Ordinária e todas as adaptações para o cinema. Fiz também alguns trechos de peças dele para o Fantástico na década de 1970 e depois, em 1998, estive em uma montagem de Toda Nudez.
Alguma razão para essa demora?
É que foi a primeira vez que me convidaram pra fazer um Nelson Rodrigues e como não produzo tudo o que faço... foi só por isso. Outras atrizes foram fazendo e houve um momento em que montaram muito as peças dele. Acho que acabou surgindo um desinteresse meu por causa disso, por causa de tantas boas montagens. Já estava feito. Aí fui esquecendo da minha vontade de fazer.
Qual a contribuição do Nelson Rodrigues para a dramaturgia nacional?
Ele é um revolucionário e uma pessoa louca, mas no sentido criativo. Engraçado. Com uma família dilacerada e uma coragem de expor todas as coisas que aconteceram com ele. Teve uma vida muito rica, uma história muito sofrida e tudo colocado ali no teatro. É um clássico. É o nosso maior autor e um desbravador que abriu o caminho para muitos autores brasileiros.
E como chegou o convite para participar dessa adaptação?
Acho que o Joffre Rodrigues [diretor do filme e filho de Nelson Rodrigues] pretendia fazer com outras atrizes, uma delas era a Lucélia Santos, mas não sei porque não aconteceu com nenhuma delas e ele acabou chegando a mim. Quando ele chegou com o texto e o convite não entendi muito bem porque sempre imaginei a Madame Clessy como uma mulher de 40 anos. Achei estranho porque tenho uma idade maior que essa, mas ele disse que isso não tinha importância e partimos para o filme.
Como foi a experiência de viver a Madame Clessy?
Viver qualquer texto do Nelson é uma experiência rica porque ele tem um jeito todo particular de contar a vida. Queria muito viver isso. E a Clessy é linda, é uma personagem muito bonita que morre de amor por um menino de 17 anos. Sempre vi a Madame Clessy muito meiga e delicada, diferente de outras interpretações que deram a ela. Já vi a Clessy muito incisiva, mais cafetina mesmo, mas sempre imaginei ela mais doce, mais menina. Aliás, eu tenho mesmo essa tendência de puxar o lado menina das personagens. Gosto de fazer isso.
E porque você faz isso?
Acho que a alma da personagem está na criança. É quando ela é mais verdadeira. Eu sempre regrido um pouco os personagens para entender suas almas. Acho que é isso. E a Madame Clessy é uma menina, uma menina.
Isso me lembra seu personagem em Polaróides Urbanas...
É que as gêmeas são puro instinto e a criança é puro instinto. A Magali e a Magda talvez tenham essa coisa mais infantil, mais espontânea. Possuem menos auto-censura.
Como foi o trabalho em Polaróides?
O Miguel Falabella é um homem de teatro. Primeiro como ator e depois como escritor, produtor e diretor. Depois é que foi fazer televisão e agora está começando em cinema. O Miguel é muito talentoso e delicado no trato com os atores. Essa é uma diferença muito visível entre os diretores que são também atores e os diretores-diretores. Os diretores-atores possuem um extremo cuidado com os atores e um desejo enorme de deixá-los à vontade e felizes. Voltando ao Miguel... ele sabia muito bem o que queria, nunca ficou perdido e conseguiu com o diretor de fotografia uma movimentação de câmera muito cinematográfica. Acho o filme muito bem acabado, muito redondo. E muito bonito, o que acabou me surpreendendo porque a minha parte é muito chanchada da Atlântida – a Magali e a Magda são a Dercy Gonçalves [risos] - e não sabia que aconteceriam tantos momentos pungentes e dramáticos nas outras partes.
e pra encerrar, o video da "polêmica" participação da atriz no especial elas cantam roberto (2009), no qual interpretou a setentista "120, 150, 200 km por hora". é um pouco cheio de excessos teatrais mais que a conta, mas é forte e de verdade.
p.s.: procurando videos de marilia no youtube achei uma propaganda de sempre livre que ela estrelou em 1974. toda metalinguística, a propaganda teve um trecho censurado - um close na aba do absorvente (?) - e a história é contada no blog almanaque da comunicação.
confesso que até hoje não vi o filme, mas conheço bem a genial peça do nelson rodrigues, já li algumas vezes. e a entrevista? que desperdício falar apenas uns 20 minutos com uma atriz com tanta história pra contar. e ela foi tão profissional ao telefone, tão anti-estrela. enfim... segue aqui o bate-papo, direto do meu baú (que há tempos não abria).
INSTINTO PURO - A grande dama fala de sua relação com a obra de Nelson Rodrigues – das crônicas que a avó lhe contava para dormir à cafetina do filme Vestido de Noiva
Quando você assistiu uma peça do Nelson pela primeira vez?
Tenho uma história anterior com o Nelson porque quando tinha, sei lá, uns 5 anos meus pais saíam para trabalhar no teatro e me deixavam com a minha avó, que era atriz também, lá no Rio Comprido. E ela lia pra mim na cama aquelas crônicas de A Vida Como Ela É. Não tinha idéia de quem escrevia, mas gostava muito daquilo. Tenho esse encontro com Nelson ainda muito menina. Depois vi Toda Nudez Será Castigada, Bonitinha Mas Ordinária e todas as adaptações para o cinema. Fiz também alguns trechos de peças dele para o Fantástico na década de 1970 e depois, em 1998, estive em uma montagem de Toda Nudez.
Alguma razão para essa demora?
É que foi a primeira vez que me convidaram pra fazer um Nelson Rodrigues e como não produzo tudo o que faço... foi só por isso. Outras atrizes foram fazendo e houve um momento em que montaram muito as peças dele. Acho que acabou surgindo um desinteresse meu por causa disso, por causa de tantas boas montagens. Já estava feito. Aí fui esquecendo da minha vontade de fazer.
Qual a contribuição do Nelson Rodrigues para a dramaturgia nacional?
Ele é um revolucionário e uma pessoa louca, mas no sentido criativo. Engraçado. Com uma família dilacerada e uma coragem de expor todas as coisas que aconteceram com ele. Teve uma vida muito rica, uma história muito sofrida e tudo colocado ali no teatro. É um clássico. É o nosso maior autor e um desbravador que abriu o caminho para muitos autores brasileiros.
E como chegou o convite para participar dessa adaptação?
Acho que o Joffre Rodrigues [diretor do filme e filho de Nelson Rodrigues] pretendia fazer com outras atrizes, uma delas era a Lucélia Santos, mas não sei porque não aconteceu com nenhuma delas e ele acabou chegando a mim. Quando ele chegou com o texto e o convite não entendi muito bem porque sempre imaginei a Madame Clessy como uma mulher de 40 anos. Achei estranho porque tenho uma idade maior que essa, mas ele disse que isso não tinha importância e partimos para o filme.
Como foi a experiência de viver a Madame Clessy?
Viver qualquer texto do Nelson é uma experiência rica porque ele tem um jeito todo particular de contar a vida. Queria muito viver isso. E a Clessy é linda, é uma personagem muito bonita que morre de amor por um menino de 17 anos. Sempre vi a Madame Clessy muito meiga e delicada, diferente de outras interpretações que deram a ela. Já vi a Clessy muito incisiva, mais cafetina mesmo, mas sempre imaginei ela mais doce, mais menina. Aliás, eu tenho mesmo essa tendência de puxar o lado menina das personagens. Gosto de fazer isso.
E porque você faz isso?
Acho que a alma da personagem está na criança. É quando ela é mais verdadeira. Eu sempre regrido um pouco os personagens para entender suas almas. Acho que é isso. E a Madame Clessy é uma menina, uma menina.
Isso me lembra seu personagem em Polaróides Urbanas...
É que as gêmeas são puro instinto e a criança é puro instinto. A Magali e a Magda talvez tenham essa coisa mais infantil, mais espontânea. Possuem menos auto-censura.
Como foi o trabalho em Polaróides?
O Miguel Falabella é um homem de teatro. Primeiro como ator e depois como escritor, produtor e diretor. Depois é que foi fazer televisão e agora está começando em cinema. O Miguel é muito talentoso e delicado no trato com os atores. Essa é uma diferença muito visível entre os diretores que são também atores e os diretores-diretores. Os diretores-atores possuem um extremo cuidado com os atores e um desejo enorme de deixá-los à vontade e felizes. Voltando ao Miguel... ele sabia muito bem o que queria, nunca ficou perdido e conseguiu com o diretor de fotografia uma movimentação de câmera muito cinematográfica. Acho o filme muito bem acabado, muito redondo. E muito bonito, o que acabou me surpreendendo porque a minha parte é muito chanchada da Atlântida – a Magali e a Magda são a Dercy Gonçalves [risos] - e não sabia que aconteceriam tantos momentos pungentes e dramáticos nas outras partes.
e pra encerrar, o video da "polêmica" participação da atriz no especial elas cantam roberto (2009), no qual interpretou a setentista "120, 150, 200 km por hora". é um pouco cheio de excessos teatrais mais que a conta, mas é forte e de verdade.
p.s.: procurando videos de marilia no youtube achei uma propaganda de sempre livre que ela estrelou em 1974. toda metalinguística, a propaganda teve um trecho censurado - um close na aba do absorvente (?) - e a história é contada no blog almanaque da comunicação.
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