








à esquerda, a capa da edição de janeiro que está nas bancas e com os assinantes; à direita, um estudo anterior cuja foto acabou sendo a que abre a reportagem na versão impressa (era para ser o contrário); fotos de jorge bispo
ARTE É OFÍCIO - “Só vou sair da linha do Sol, vamos lá”, disse o ator de 61 anos se arrumando na cadeira. “Já no primeiro Se Eu Fosse Você percebemos que o roteiro não era e nem podia ser apenas uma sucessão de gags. Pra fazer isso não precisa gastar celulóide; faz um vídeo, coloca na internet”, brinca. “Com o segundo tivemos essa mesma preocupação e o novo roteiro foi bem trabalhado para tratar de outros assuntos: o desgaste do relacionamento do casal, uma gravidez indesejada e inesperada da filha [interpretada por Isabelle Drummond], e por aí vai, mas ainda exercitando o grande barato dessa licença poética da troca de corpos, que é o que as pessoas esperam.” Tony gosta de falar, é franco e simpático, acessível e discreto, extraordinariamente normal e preciso. Não é à toa que, após 46 anos de carreira, seja um dos atores mais queridos e respeitados por companheiros de ofício e seus milhares de fãs.
DO HUMOR SE FAZ COMÉDIA – A tarde vai caindo sob os rumores de Copacabana e Tony segue articulando pensamentos. Nem liga quando é informado que Glória ainda vai demorar mais um pouco. Todo o resto está pronto, é isso que importa. Será que existe algum segredo para ser tão boa praça? “O humor. Pra mim, o humor é o grande condutor do ser humano. As pessoas às vezes confundem com deboche ou falta de responsabilidade, mas estou falando de um humor que vem na alma.” Sua cabeça não para, afinal o assunto humor lhe é muito caro, e lembranças de seus anos de formação começam a ricochetear pelas paredes do cômodo.
TROCANDO AS BOLAS – Durante a sessão de fotos, um inquieto Tony soltava piadas, grunhidos e expressões hindus aprendidas durante Caminho das Índias. Glória, muito concentrada, segurava a boca para não gargalhar. Nem sempre conseguia. Pouco depois, após a partida do ator rumo a um compromisso, a carioca deu um diagnóstico sobre o elétrico colega. “Tony vive contando piadas e fazendo graça porque, na verdade, é tímido demais. Isso eu saquei com o tempo. Em qualquer situação nova, com uma pessoa nova, ele vem com todo seu repertório. É uma defesa. Ele é muito engraçado, muito humano, o Tony.”