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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

yahoo #27

vamos lá, hoje é quarta, dia de coluna nova no yahoo. a bola da vez é "eu vou 'popotizar' você", sobre meu mais novo vício televisivo, o canal off e sua hipnotizante mistura de natureza e esportes radicais. aqui é a vez da anterior, "o país da internet moleque", uma ligeira reflexão sobre a frutífera relação dos brasileiros com os tumblrs (pedro, o troll, apareceu mais uma vez despejando seu ódio-amor). no mais, o luto abaixo é por causa do grande wando, levado por uma parada cardíaca (só podia ser o coração mesmo). semana passada, quando se submeteu a uma série de cirurgias e já estava mal de saúde, um tumblr de calcinhas foi criado pra dar uma força e é um dos citados no texto. hoje de manhã, elas (as calcinhas e suas donas), o esforçado e todos que gostam da música popular brasileira acordamos mais tristes. e que viva wando, um artista muito maior que fogo e paixão.

LUTO

O PAÍS DA INTERNET MOLEQUE

O nome cheio de consoantes é difícil de falar, ainda mais numa língua repleta de vogais como a nossa: tumblr. Mas pelo jeito os brasileiros não se importam muito com esse obstáculo, afinal o negócio é estar na internet como se não houvesse amanhã. Segundo reportagem no caderno Link do Estadão, o Brasil hoje em dia é o segundo país que mais utiliza o tumblr, perdendo apenas para os Estados Unidos. Já são 4 milhões de páginas criadas por aqui, com usuários muito mais ativos (ficam 32 minutos a cada visita sendo que a média global é de 23 minutos) e que acessam 2 bilhões de páginas do serviço por  mês (em junho do ano passado eram 313 milhões). Uma baita atividade.

Criado em 2007 por David Karp, hoje com 24 anos, o tumblr é um blog para, digamos assim, preguiçosos. Gente que não se sente à vontade, ou não gosta, de escrever, por exemplo. Basta colocar uma imagem ou um vídeo e pronto, tá feito. O restante fica por conta de uma interface simples que permite compartilhamento instantâneo em várias redes sociais e entre tumblrs. O negócio de Karp demorou uns dois anos para pegar nos Estados Unidos e em 2010 começou a se espalhar como rastilho de pólvora por essas bandas. E é fácil de entender porque deu certo: o nosso bom e velho espírito de galhofa.

Bastou surgir uma notícia mais ou menos bizarra, algum acontecimento político ou uma personalidade em destaque que o pessoal rapidamente cria um tumblr para fazer piada. Obviamente, grande parte desse conteúdo tem vida curta, afinal a notícia quente de hoje é coisa velha amanhã (em outras palavras, “jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe”, como canta João do Morro na música “Lado B do jornalista”). Mas o que importa, nesses casos fogo de palha, é a crônica debochada da “notícia”. Como uma charge, exatamente como uma charge.


Vamos então a alguns exemplos de tumblrs intensos, breves e nacionais que pipocaram na rede nos últimos tempos: Lavei pro Wando (fotos de calcinhas para dar força ao cantor que está se recuperando de uma complicada cirurgia cardíaca), Siga Piovani (uma coletânea de impagáveis tweets trocados entre a atriz Luana Piovani e seus seguidores), Criminals Taking Advantage of the Situation (uma crítica à infeliz declaração da ex-vereadora Soninha Francine sobre os moradores expulsos do bairro Pinheirinho, em São José dos Campos), Paulo Goulart Anuncia Isso Bem (uma brincadeira com o ator veterano que participa de muitas propagandas) e, claro, Menos Luisa, que está no Canadá (sobre vocês sabem quem, ou não, deixa pra lá). É isso, nem um destes durará mais que algumas semanas e provavelmente nem era intenção. Se a piada funcionou em seu tempo a missão foi cumprida.

No entanto, existem outros tumblrs que possuem conceito mais amplo e que podem muito bem ter uma vida mais longa (basta o usuário seguir atualizando). Entre milhares destacam-se Classe Média Sofre (coletânea hilariante do pensamento torto da classe média brasileira), Galeria Tosquista (uma compilação das artes mais mal acabadas encontradas na internet), Indie ou Sertanejo (piada sobre as camisas xadrez usadas tanto por indies quanto por sertanejos), Esse Dia Foi Foda (uma lembrança de momentos especiais), Renato Era Chato (tirinhas que debocham, mas com muito respeito, a poesia de Renato Russo), Racionais Para Tudo (uma prova viva e com imagens de que os versos dos Racionais MCs cabem em qualquer situação), Já Sei Namorar (letras de pagode de um lado, imagens malucas de outro), Porra Google Street View BR (registro de flagras improváveis nas ruas brasileiras), Blog de Notícias (intervenções humorísticas nas homes dos grandes portais), Princesas do Busão (título auto-explicativo), Pobregram (versão esculhambada do Instagram, filtro do iPhone que deixa as fotos com um jeitinho bacanudo) e 501 Pagodes Para Ouvir Antes de Morrer (outro título auto-explicativo e mesmo que um limite temporal seja imposto, essa série “501 alguma coisa” é interminável).

Tem de tudo um pouco por aí, mas a picardia é o denominador comum, afinal como humoristas natos que somos (ou achamos ser) perdemos seguidores, mas não a piada.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

yahoo #10

o tempo ruge, a lusitana roda e a "quinzenalidade" da ultra pop segue firme e forte. já está lá no yahoo o novo texto, "faça você mesmo", e aqui a segue o anterior, o décimo, que fala sobre a comédia nos dias de hoje e a relação tensa entre palco e público.

cartum de bruno maron, do dinâmica de bruto,
publicado na folha de são paulo

CÊ TÁ RINDO DO QUÊ?

Isso mesmo. Que tipo de humor você gosta? Pergunto isso porque parece que estamos vivendo um momento no qual comediantes e uma parcela do público entraram em declarado pé de guerra - ao mesmo tempo que uma nova geração de humoristas foi alçada ao posto de celebridade, são “influentes” no twitter e o diabo a quatro. Piadas viram motivo de polêmica, processo, perda de emprego/patrocínio, debate e, mais recentemente, agressão física.

Na verdade gostaria de entender o que passou pela cabeça do sujeito que na semana passada foi a um show de “comédia em pé” em São Paulo, não gostou de uma piada sobre gordos, levantou-se da sua poltrona, foi até o palco onde estava o humorista e o esbofeteou. Duas informações irrelevantes para o caso: o agressor era gordo e o agredido se chamava Ben Ludmer.

Mas, veja bem, o sujeito pagou 30 ou 40 reais (sem contar estacionamento, refrigerante e quetais), sentou na primeira fileira de um show de humor (que significa que será chamado a participar em algum momento) e, de uma hora para outra, decidiu que estava indignado ou insultado e que o autor daquelas piadas merecia um soco ao invés de uma vaia ou o silêncio. Não dá para entender. Afinal, ninguém vai a um show de humor sem saber o que vai acontecer. É como ir no Teatro Oficina e ficar chocado por ver gente pelada, né não João do Morro?



Não acredito em assuntos tabu para comédias (ou dramas). Tudo pode virar piada. Tudo mesmo. Se boa ou ruim é outra história. E se alguém se sente insultado que faça algo a respeito: processe, boicote produtos relacionados, promova manifestações, xingue muito no twitter, sei lá.

Apesar do nobre trabalho de fazer rir, os humoristas não possuem um salvo-conduto divino para falar o que bem entenderem. Piadas são ações que, como tudo na vida, geram reações e não adianta chorar e clamar pela Santa Liberdade de Expressão (essa liberdade é para todos, lembrem-se).

Por exemplo, não deu para passar batido pela tal piada do Rafinha Bastos que dizia que as mulheres feias deveriam agradecer seus estupradores, registrada em reportagem da Rolling Stone Brasil. Além de ser fraca, a piada foi irresponsável em um tempo com tantos casos impunes de violência contra mulheres. Taí uma que daria muito bem para ser perdida em nome do respeito a próxima.

Não foi o que aconteceu e o “humor transgressor” mostrou sua cara mais atrasada, rindo com o preconceito e não do preconceito, do absurdo. Foram totalmente justificáveis as manifestações contrárias a tal piada, nada de censura ou de patrulha do politicamente correto. Muito diferente da reação do maluco do teatro na semana passada.

Acho até que ele não se insultou com a piada sobre gordos, mas é que seu vazio é tão imperativo que só lhe resta acreditar que sua opinião é a verdade absoluta e que sua forma mais bem acabada é a agressão. É uma dureza saber rir de si próprio.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

joão do morro, ano 2011

a estreia em disco do incomparável joão do morro aconteceu na virada de 2009 pra 2010. do morro ao asfalto veio com 12 faixas com o seu poderoso e debochado pagode pernambucano, tais como "lado b do jornalista", "balaiagem" e "eu não presto". agora é a vez do homem lançar o seu ao vivo no morro, com direito a músicas do disco de estreia e outras que já são sucessos nos shows, mas ainda não tinham ganho registro. três músicas me chamaram atenção - "tu me fudeu", "tapa na bundinha" e "qualquer lugar rola pei pei" - e não podia deixar de colocar aqui. que o trabalho de joão comece...

João do Morro - Tu me Fudeu by dafnesampaio4

essa música te lembrou alguma coisa? é isso mesmo. "tu me fudeu" é uma versão livre de "beautiful girls", de sean kingston, umas das músicas mais tocadas no mundo em 2007.


João do Morro - Tapa na Bundinha by dafnesampaio4

"tapa na bundinha" é aquela esculhambação típica do joão. e, por favor, não levem tão a sério o sexismo do rapaz, ele é apenas um brincalhão (e declara no meio da música que "vocês sabem que eu sou escroto ao extremo"). destaque para o impagável momento da "linguada marroquina".

João do Morro - Qualquer Lugar Rola Pei Pei by dafnesampaio4

sem sombra de dúvida a melhor faixa desse ao vivo. épica, urbana e profundamente latina, "qualquer lugar rola pei pei" traz ainda apresentação dos músicos com solos e tudo o mais (seria legal ter uma versão dela editada sem essa parte). como se não bastassem todas essas novidades, joão do morro é o personagem principal de do morro?, um curta documental que passou em alguns festivais no ano passado e deve chegar na rede a qualquer momento. olha só o cartaz.


e aqui o trailer.



ah, esse ao vivo também gerou o clipe da música "ninguém merece" (uma música menor, levando em conta a concorrência no disco). o video é divertido e é interessante ver que é uma parceria com uma loja de calçados (não deixa de ser, portanto, um jingle, um neo-jingle).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

letra/música #9

não resisti à overdose. é que a letra de "lado b do jornalista", do joão do morro, é muito boa pra deixar passar batida (e como não achei essa letra na internet, serve como serviço público). crítica e deboche em doses cavalares. essa raça, viu? merece!

capa e contracapa do disco do morro ao asfalto

lado b do jornalista
(joão do morro)

a turma passa anos e anos
estudando numa faculdade
pra ser um jornalista
daquele que dá notícias
fala mal ou bem
sou um cara punk, sou escroto
e por isso tomei liberdade
de fazer uma música
que pudesse falar de vocês também

o jornalista tem uma vida babada
é muita fechação
nos bastidores da mídia é vida loka
rola groove, rola pegação
e a putaria acontece
quando a turma se reúne e sai pra beber
a turma fuma um beque pra tirar o stress e espairecer

eu tô tirando essa onda
tirando onda com essa raça
de homens e mulheres e gays e muitos que adoram a massa
eu tô tirando essa onda
só espero que ninguém se queixe
jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe

eu tô tirando essa onda
porque eu gosto dessa raça
de homens e mulheres e gays e muitos que adoram a massa
eu tô tirando essa onda
só espero que ninguém se queixe
jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe



p.s.: e aqui tem o disco para baixar. corrão!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ei, joão! pega o gringo!

tem horas que a gente acha umas coisas e tudo faz sentido. pelo menos naquele momento. pelo menos pra si mesmo. tô aqui ouvindo o disco de estreia do figuraça joão do morro, do morro ao asfalto (independente, 2009), e me divertindo horrores com seu samba maroto, um tanto baiano, bastante desavergonhado. faixas como "ninguém segura", "sarará", "frentinha", "o avião" e a genial "lado b do jornalista" (tudo lá no myspace do pernambucano). aí encontrei o clipe da divertidíssima "eu não presto" (do refrão matador "eu não presto / não valho nada / eu sou do dia / sou da noitada / eu sou doidera / eu sou da cachorrada / só fica comigo se for mulher safada" e que tem participação do conde do brega). mais brasileiro e pop, impossível. ah, joão do morro tem outro clipe, é de "balaiagem", crônica debochada sobre questões capilares femininas.



também estou ouvindo bastante outro disco de estreia, sampleando deus e o mundo (independente, 2009), dos brasilienses do sacassaia (que disponibilizaram no site o disco para download gratuito). é música eletrônica, variada, mas profundamente brasileira e igualmente pop. outro tanto de músicas ótimas, tais como "ossoduro", "transmissão inclusiva", "gem jam" e "canibal". e por esses dias, a dupla (tony roballo e gardenel) lançou o fotoclipe de "pega o gringo", batidão crítico sobre a relação dos brasileiros com estrangeiros, certos clichês transnacionais, a imagem construída e refletida, etc. e tal.



pronto. mas aí, no mesmo dia - hoje - vejo o clipe dos suecos do maskinen (via thiago ney). nunca tinha ouvido falar dos eletro rappers afasi e frej larsson, mas a música "dansa med vapen" é quase toda cantada em português por marina ribatski (ex-bonde do rolê) e é um pancadão eletrônico bacana (produzido por johan hugo do radioclit). curioso é o clipe com os gringos sendo pegos e assassinados por uma tribo de canibais com armamentos saídos do cidade de deus (o título da música, aliás, significa "danças com armas"). quer dizer... é nozes.