sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

larica total reloaded

tem várias coisas que me orgulho nesses 20 e poucos anos como jornalista e uma delas é, certamente, ter feito a primeira reportagem pra grande imprensa sobre o mítico Larica Total lá no final de 2008. foi um delírio à primeira vista e rapidamente se tornou obsessão e eu falava igual ao personagem, usava frases, entonações, era uma loucura. e o programa foi crescendo e ganhando mais e mais fãs e isso em tempos de redes sociais engatinhando.

entrevistei Paulo Tiefenthaler, o ator-protagonista da série, sobre a primeira temporada ("Comida Kung Fu") e a segunda ("Xablablau no Tucupi"), ambas pra Revista Monet. então, dez anos após o fim da terceira temporada, eu, Larica Total e Monet voltamos a nos encontrar. é pq agora em meados de fevereiro irá ao ar, no Canal Brasil, um episódio inédito feito agora em dezembro junto a um documentário sobre esse reencontro, lembranças do início do programa e das três temporadas. então entrevistei, via zoom, Tiefenthaler, Caíto Mainier e Leandro Ramos. o resultado tá aqui.

Paulo de Oliveira ilustrado por Ronaldo Barata

RETROGOSTO DE QUERO MAIS

O acaso, às vezes, é acrobático. O “autor” desta frase, Paulo de Oliveira, jamais poderia imaginar como as piruetas e cambalhotas do destino o fariam se tornar um dos personagens mais queridos e influentes na recente história do audiovisual brasileiro. Paulo é o cara e a cara do Larica Total, programa que estreou no Canal Brasil em outubro de 2008 e que durante três temporadas e 74 episódios mudou o jeito de fazer comédia e comida na TV. Nunca foi comida de qualquer jeito, foi sempre comida a qualquer custo, feita de verdade, possível. 

Paulo também é, acima de tudo, o ator Paulo Tiefenthaler que, após dez anos do fim da terceira temporada em 2012, voltou a se encontrar com os parceiros-roteiristas-diretores Caíto Mainier, Leandro Ramos e Felipe Abrahão. O motivo é um especial de uma hora com episódio inédito e atual e um documentário dirigido por Pedro Asberg com lembranças, imagens do reencontro, e todo o processo de produção de um programa, desde o roteiro até a gravação (Vai Dar Certo - Larica Total 10 Anos Depois será exibido no Canal Brasil dia 19 de fevereiro, às 21h). 

O Larica Total abriu muitas portas e janelas para Tiefenthaler e nesses dez anos trabalhou bastante e fez de um tudo, desde séries como Amor Veríssimo, Coisa Mais Linda e Nada Suspeitos até filmes como A Noite da Virada, O Roubo da Taça e A Mulher do Meu Marido. Com o parceirão Canal Brasil idealizou as selfies-pensatas TiefenTalks e, mais recentemente, dirigiu e atuou na série Perdido. Criou até dois espetáculos gastronômicos-teatrais (Larica Live Concert e Fome, o Musical - Do Broto ao Bacon, Everybody Rocks). 

Tiefenthaler diretamente de Teresópolis

“Mas estava precisando dar uma retomada na energia solar do personagem. Só que tinha dúvida se conseguiria fazer esse personagem com essa alegria toda dez anos depois. Agora tenho 53 anos, sou um tiozão cinquentão de barba branca e mais careca”, disse Tiefenthaler diretamente de um sítio da família em Teresópolis onde se refugiou desde o início da pandemia em 2020. Foi lá que nasceu a ideia da volta do Larica Total. “Depois encontrei com Caíto e Felipe no Rio e falei... e se o Paulo voltasse nessa época maluca de pandemia e fascismo, e desse um alô, viesse com uma mensagem, e depois sumisse de novo?”. Todos gostaram, todos queriam trabalhar juntos novamente.

“A ideia de voltar sempre foi muito recorrente. Muita gente pedia. Tem os saudosistas, tem o pessoal que descobre o Larica porque é fã do Choque de Cultura que eu e o Leandro fazemos. Então a gente pensava, mas era mais uma coisa de desejo pessoal porque a gente logo lembrava o trabalho que dava com tão pouco dinheiro. Dessa vez tinha uma energia diferente. E todo mundo achou legal fazer o programa hoje, com o Paulo hoje, todo mundo hoje. E que seria legal documentar isso também”, afirmou Caito Mainier, que segue roteirista (Irmão do Jorel, Lady Night, etc), diretor (Décimo Andar), mas que também foi pra frente das câmeras (Falha de Cobertura, o já citado Choque e Os Salafrários).

Caíto Mainier diretamente do Rio de Janeiro

“A gente se colocou na mesma situação porque era interessante tentar refazer como era, e com a mesma equipe. Por outro lado, esse documentário foi como abrir uma caixa preta. Muita gente achava que era o Paulo que fazia tudo sozinho, improvisando. Então essa coisa do processo de fazer, de estar concentrado naquilo, a gente guardava muito pra gente mesmo. Agora, com esse documentário, a gente perdeu o medo de mostrar essa intimidade. A gente viu que rola, que tem um grau de concentração que é nosso. Isso foi libertador”, completou Leandro Ramos que, ultimamente, tem trabalhado mais como ator (nas séries Ninguém Tá Olhando e O Mecanismo e em filmes como Cabras da Peste, Papai é Pop e Juntos e Enrolados, além de uma participação na novela A Dona do Pedaço como Julinho da Van, seu personagem no Choque de Cultura). 

Leandro Ramos diretamente de São Paulo

Mas e aí? Foi tranquilo recuperar o fio da meada ou teve que pegar no tranco? “Ah, foi fácil retomar a energia com todo mundo de volta e naquela cozinha. A cozinha é como se fosse um figurino pro personagem. Mas eu estava muito ansioso, fiquei uns três dias sem dormir”, confessou Tiefenthaler. “Quando a gente chegou no apartamento não parecia que tinham se passado dez anos. Parecia que foram uns seis meses. O cara que mora agora lá não reformou nada e a cozinha estava mais velha”, e gargalhou ao relembrar os dois dias de gravação que aconteceram em meados de dezembro.

Mainier e Ramos também tiveram a mesma sensação. “A gente passou tanto tempo lá, pensando, criando, gravando, vivendo. Foram cinco anos fazendo aquilo, então era tudo muito familiar”, pontuou Mainier. “É que a nossa intimidade permanece a mesma, a gente se encontra, se fala e ocasionalmente trabalhamos juntos. Não teve aquele impacto de ficar dez anos sem ver as pessoas e se reencontrar”, disse Ramos. 

Tudo certo e azeitado no set de gravação, mas qual foi a receita escolhida para celebrar tão aguardado reencontro? Um cozido. “O cozido é uma receita que agrega muitos ingredientes, muitos legumes, e é uma coisa quentinha, gostosa, que reúne pessoas”, lembra Tiefenthaler sobre o prato que fizeram na mesma cozinha de uma década atrás. Mainier assina embaixo e complementa que “é uma receita fácil e dá essa ideia de aglomeração, de combinação de cores, sabores. Fazer esse episódio novo também tem isso da volta, das pessoas voltando a se encontrar. Voltar foi o tema que a gente usou e que permeia o episódio. Mas não significa a volta do Larica, significa apenas a volta do personagem naquele dia”.

Sim, todos deixam bem claro que não existem planos para novas temporadas do Larica Total. Não por vontades próprias. “Acho que no nosso atual universo audiovisual, a gente poderia voltar a fazer o Larica tranquilamente por mais uma, duas, três temporadas. Sem medo, sendo legal. Não seria uma novidade, mas também não precisa”, sentencia Mainier. Então faz uma pausa. “O que não dá mais, e nisso todo mundo concorda, é fazer naquele esquema de guerrilha. A gente não tem mais saúde. Precisa ter uma equipe maior, uma parada com estrutura, um investimento maior”.

Ramos acrescenta, na sinceridade, que “o programa acabou porque a gente não aguentava mais. Era muito exaustivo. Equipe reduzida, todo mundo fazia tudo. Era uma delícia, foi um grande aprendizado, mas daquele jeito a gente não consegue mais. A gente era jovem. Na guerrilha não dá mais”.

E Tiefenthaler adiciona uma dose de experiência pessoal nesse caldo de cansaços que encerrou o programa em 2012. “No começo era divertido gravar na própria casa, mas depois de um tempo foi ficando estressante. A equipe ia embora e eu continuava lá, naquele ambiente, e era um pouco confuso. Me desgastou muito”. Mainier reaparece e reduz o fogo. “Ganhamos APCA, o Prêmio da Revista Monet, tivemos liberdade pra criar, então todo mundo também estava com a sensação de dever cumprido depois de 5 anos intensos. Quando acabou a gente até tirou um pouco férias da gente mesmo”. Bola do jogo, sal na comida, vida que segue, normal.

“O Larica foi interrompido no auge. Um tanto por isso virou cult. E fomos influência pr’um monte de canais no YouTube, essa coisa de culinárias populares, improviso e humor”, diz um orgulhoso Tiefenthaler. O programa saiu do ar deixando os fãs com água na boca por mais receitas como Yakisobra, Sushi de Feijoada, Estragadinho e Churros de Aipim, o que pode muito bem ser reativado por esse tão aguardado reencontro. Vai saber o que ainda pode sair daquela cozinha?

Da ideia original de Terêncio Porto e Adriana Nolasco para um curta lá em 2006, ampliada pelo mítico Frango Total Flex feito no primeiro episódio, Paulo de Oliveira continuou sendo, nas palavras de Ramos, “o cara que cozinha com o que tem em casa, faz com o conhecimento que tem. Ele faz o que é possível, como nós”. E isso é humor que não acaba mais.

seguem abaixo TODOS os episódios das três temporadas de Larica Total

 

MELHORES EPISÓDIOS

Primeira Temporada (2008-09)

- 'Frango Total Flex': o piloto, a origem de tudo, um frango estragado, o erro como personalidade e recurso narrativo, frases lendárias como “Tá com medo do arroz?” e “Não tenho cara de que vou te ajudar?”; tá tudo ali, naquela cozinha

- 'Tenha sempre uma glicose em casa': roteiro espertíssimo costurando manhã de preparação da larica com muito leite condensado e chocolate, noite de festa de casamento e madrugada de volta pra casa bêbado feito um gambá, com direito a um final lindo e melancólico ao som de Bob Marley (“Chances Are”)

Segunda Temporada (2009-10)

- 'Peladona do primeiro andar': o programa teve várias participações especiais, mas a da atriz Karine Carvalho como uma vizinha divertida e naturalmente sedutora, o que gera uma baita química com Tiefenthaler, é uma das melhores e a receita é uma pão caseiro todo multigrãos

- 'Nos litorais do Carnaval me vi peixe ensaboado na Curva do Batman': um dos episódios mais delirantes que tem início com "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua" do Sérgio Sampaio e Paulo fantasiado de Batman minimalista, um peixe destruído por uma faca sem corte e uma piada maravilhosa com "Eyes Without a Face" de Billy Idol

Terceira Temporada (2011-12)

- 'Em Busca do Camarão Perfeito': o clima do episódio é uma paródia de Apocalypse Now e Paulo vai rio abaixo em busca do misterioso Baba Guru, um rasta criador de camarões; tudo em nome de um bobó pra entrar pra história

- 'Self-Ceviche Milenar': episódio em dois tempos, sendo que em um Paulo faz bico de guia turístico meio charlatão, e n’outro está em casa fazendo um ceviche e disparando frases como a lendária “Pintou tubarão? Vai no crawl”; participações especiais de Caito Mainier e Leandro Ramos

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

150 músicas e 50 discos de 2021

ano difícil da porra esse 2021. ano que fez 2020 parecer uma viagem de cruzeiro. certamente ouvi menos música e muito certamente ouvi menos discos inteiros de cabo a rabo e com atenção. tempos atrás eram quatro listas (músicas e discos brasileiros, músicas e discos gringos), ano passado caiu pra duas (músicas brasileiras e gringas) e agora fiz apenas uma juntando brasileiras e gringas tudo misturado (mas em ordem alfabética rsrsrs). 

e como tá tudo diferente mesmo, este ano abri uma exceção que nunca havia feito desde o começo das minhas listas em 2009: coloquei mais de uma música do mesmo disco; afinal, os trabalhos absolutamente fantásticos de três mulheres – Gaby Amarantos, Juçara Marçal e Little Simz – não me deram opção (e mesmo assim foi difícil fechar em duas). outras minas conhecidas da casa também botaram pra quebrar, tais como Aíla, Alessandra Leão, Alice Caymmi, Céu, Duda Beat, Flora Matos, Iara Rennó, Jorja Smith, Larissa Luz, Luana Carvalho, Mallu Magalhães, Nneka, Rosalía, St. Vincent, Tássia Reis, Xenia Rubinos e Yendry (e as estreantes Ana Flor de Carvalho, Duda Brack, Jadsa, Kimberose, La Dame Blanche e o fenômeno Marina Sena). como já venho repetindo nos últimos anos, as minas tem sido responsáveis pelas músicas mais interessantes e invariavelmente também são compositoras e produtoras.

dos manos preciso destacar algumas que foram muito trilha do meu ano: a espetacular "Cotidiano" do Rincon Sapiência; "Calling England Home" do Anthony Joseph (combinação foda de ethio jazz com spoken poetry); "Linda" d'Os Amantes (encontro de Jaloo com a dupla Strobo); a porrada de "Cleane" do Criolo; "Fim de festa" do saudoso Itamar Assumpção via Arnaldo Antunes e Vitor Araújo; "Me espera", o hit veraneio ijexá oitentista de Múlu (ex-DJ Omulu) com vocais de Letrux; as doçuras de "O tempo e o vento" de Roger W. Lima, "I Can't Wait" de Rodrigo Amarante, "Estrangeiro" de Rico Dalasan; os balanços poderosos de "Hustle" do Sons of Kemet, "Reza forte" do Baiana System & BNegão, "Santé" do Stromae, "Poke it Out" de Wale & J. Cole e "Brasa" do Saulo Duarte (com participação de Thalma de Freitas); e por último, o brega e o piseiro e vice versa de "Aquelas coisas" de João Gomes, "Amante de aluguel" de Johnny Hooker e "Unha de gel" d'Os Barões da Pisadinha. 

taí playlist com as 110 músicas. só o fino, né por nada não.

Aíla - Tô de Onda (feat. Rincon Sapiência)

Alessandra Leão - Borda da Pele

Alewya - Ethiopia

Alice Caymmi - Serpente

Amaarae - Sad Girlz Luv Money (feat. Moliy)

Amaro Freitas - Sankofa

Ana Flor de Carvalho - Delito

Anchorsong - Remedy

Anitta - Girl From Rio

Anthony Joseph - Calling England Home

Arnaldo Antunes & Vitor Araújo - Fim de Festa

Atmosphere - Crumbs (feat. Evidence & Muja Messiah)

Bacao Rhythm & Steel Band - Raise It Up

BaianaSystem - Reza Forte (feat. BNegão)

Bárbara Eugênia - Hold me Now

Bomba Estéreo & Leonel García - Como Lo Pedí

Bonbon Vodou - Fonkèr

Bonobo - Shadows (feat. Jordan Rakei)

Bruno Mars, Anderson Paak & Silk Sonic - Smokin Out The Window

Carolina Deslandes - Eco

Céu - I Don’t Know

Cindy Sanyu & Mungo's Hi Fi - Pull Up On Mi Bumpa

Cochemea - Mimbreños

Coruja BC1 - O Piano (feat. Margareth Menezes & Jonathan Ferr)

Criolo & Tropkillaz - Cleane

Don L - Na Batida da Procura Perfeita

Duda Beat - Nem um Pouquinho (feat. Trevo)

Duda Brack & Ney Matogrosso - Ouro Lata (feat. BaianaSystem)

El Michels Affair & Liam Bailey - Awkward (Take 2)

FaceSoul - Grow (Freestyle)

Felipe Cordeiro - Flecha

Felipe S - Liberta (feat. Barbarelli)

Filarmônica de Pasárgada - Rios e Ruas

Flora Matos - Chá de maçã

Gaby Amarantos - Amor pra Recordar (feat. Liniker)

Gaby Amarantos - Última Lágrima (feat. Elza Soares, Alcione & Dona Onete)

GIO - Joias

Gloria Groove - A Queda

Gustavo Pontual - Minha Onda (feat. Kael Semlote)

Heavy Baile & ÀTTØØXXÁ - Raposa Love

Homeboy Sandman - Go Hard

IAMDDB - JGL

Iara Rennó - Quase Amar

Ibeyi - Made of Gold (feat. Pa Salieu)

J. Cole - a m a r i

Jadsa - Run, Baby

Jesse Boykins III - No Love Without You

João Brasil - Funk Lento

João Donato & Jard Macalé - Cururu

João Gomes & Tarcísio do Acordeon - Aquelas Coisas

Johnny Hooker - Amante de Aluguel

Jorja Smith - Bussdown (feat. Shaybo)

Juçara Marçal - Crash

Juçara Marçal - Vi de Relance a Coroa

Kaytranada - $payforhaiti (feat. Mach-Hommy)

Kimberose - Pull Me Down

La Dame Blanche – Veneno

Larissa Luz - Afrodate (Dreadlov)

Lex Amor - Ruckus

Little Simz - I Love You, I Hate You

Little Simz - Point and Kill (feat. Obongjayar)

Lizzo - Rumors (feat. Cardi B)

L'Orange & Namir Blade - Corner Store Scandal

Los Yesterdays - Nobody's Clown

Luana Carvalho - Mainha

Luísa e os Alquimistas - I Love You Lulu (feat MC Tchelinho)

Major Lazer & Ludmilla - Pra te Machucar (feat. ÀTTØØXXÁ & Suku Ward)

Mallu Magalhães - América Latina

Marcelo Jeneci - Vem Vem (feat. Muse Maya)

Marina Sena - Me Toca

Masego - Mystery Lady (Sego’s Remix)

Menahan Street Band - The Duke

Meridian Brothers & Conjunto Media Luna - En Teusaquillo te Pueden Partir la Cara

Mick Jenkins - Contacts

Moonchild Sanelly - Undumpable

Mulú & Letrux - Me Espera

Mundo Livre S/A - Baile Infectado

Muzi - Interblaktic

niLL - Control (feat. DijahSB)

Nneka - With You

Onda Vaga - Deja

OQuadro - Asas (feat. Jorge Du Peixe)

Os Amantes (Jaloo & Strobo) - Linda

Os Barões da Pisadinha - Unha de Gel (Remix com Grave)

Owiny Sigoma Band - Changamooka

Pongo - Bruxos

Princess Nokia - Boys Are From Mars (feat. Yung Baby Tate)

Rico Dalasam - Estrangeiro

Rincon Sapiência - Cotidiano

Rodrigo Amarante - I Can't Wait

Roger W. Lima - O Tempo & O Vento (feat. Apollo 9)

Rosalía - La Fama (feat. The Weeknd)

Saulo Duarte - Brasa (feat. Thalma de Freitas)

serpentwithfeet - Amir

Sombra & Valério - Onde Orbitamos

Sons Of Kemet - Hustle (feat. Kojey Radical)

Sopico - Nuage

St. Vincent - Down

Stromae - Santé

Tamara Franklin - Fugio

Tank And The Bangas - Big (feat. Big Freedia)

Tássia Reis & Djonga - Ostentação da Cultura

The Brkn Record - Assimilation (feat. Dylema)

Tierra Whack - Stand Up

Tobe Nwigwe - Fye Fye (feat. Fat Nwigwe)

Wale - Poke It Out (feat. J. Cole)

Wayne Snow - Figurine

Xenia Rubinos - Don't Put Me In Red

Yendry - Ya

Zé Cafofinho - Bacuri (feat. Bárbara Eugênia)

ATUALIZAÇÃO: acabei não aguentando e fiz uma lista secundária com mais 40 músicas. algumas não entraram por pouco na primeira, outras eu esqueci e outras ouvi só agora aos 47 do segundo tempo. segue abaixo a lista e na sequência a playlist.

Agnes Nunes - Vish 

Aminé - Charmander

Arlo Parks - Portra 400

BADBADNOTGOOD - Love Proceeding

Botika - Carnívora (feat. Alice Caymmi)

Caetano Veloso - Pardo

César Lacerda - Parece Pouco (feat. Xênia França)

Common - When We Move (feat. Black Thought & Seun Kuti)

Damon Albarn - The Cormorant

Emicida - São Pixinguinha

Erika de Casier - Make My Day

Esty - 7heaven

Flo Milli - Ice Baby

Greentea Peng - Nah It Ain't The Same

Hiatus Kaiyote - And We Go Gentle

Jazmine Sullivan - Pick Up Your Feelings

Jorge Du Peixe - Sanfona Sentida

Khruangbin & Leon Bridges - B-Side

Laís de Assis - Terra Vermelha

Los Retros - Amtrak

Lulina & Hurso - Uma Tela do Bob Ross

Marlowe (L'Orange & Solemn Brigham) - Small Business

MC Carol - Mulher do Borogodó

Meia Banda - Ipê (feat. Moreno Veloso & Iba Sales Huni Kuin)

Nas - Nobody (feat. Ms. Lauryn Hill)

Nightmares On Wax - Breathe In (feat. OSHUN)

Noname - Rainforest

Nova Malandragem - Moanin

Pabllo Vittar - Triste com T 

Pat Kalla & Le Super Mojo - Cumbia de Paris

Rejjie Snow - Arigato

Rockers Control - Nine Out Of Ten

Rodrigo Campos - Deixa a Noite (feat. Verônica Ferriani)

Santa Salut - Un Altre Peto

Skepta - Nirvana (feat. J Balvin)

Thiago França - O Futuro Um Dia Volta

Tommy Guerrero - By the Sea at the End of the World

Tony Allen - Stumbling Down (feat. Sampa The Great)

Vince Staples - Are You With That?

Yebba - Far Away (feat. A$AP Rocky)


muita música, muita gente, muitas línguas e sons né. mas não custa deixar o registro de alguns discos do ano. uns emplacaram músicas na lista acima, outros não, e nada disso importa porque são todos discos fundamentais pra se entender um pouco do que aconteceu musical e humanamente no mundo em 2021 (em caps locko os meus preferidos pessoais. 

Aíla - Sentimental

ALESSANDRA LEÃO - ACESA

ALICE CAYMMI - IMACULADA

AMARO FREITAS - SANKOFA

ANTHONY JOSEPH - THE RICH ARE ONLY DEFEATED WHEN RUNNING FOR THEIR LIVES

ARNALDO ANTUNES & VITOR ARAÚJO - LÁGRIMAS NO MAR

Atmosphere - Word?

BACAO RHYTHM & STEEL BAND - EXPANSIONS

Badsista - Gueto Elegance

BAIANASYSTEM - OXEAXEEXU

BOMBA ESTÉREO - DEJA

Bonbon Vodou - Cimetière Créole

Bruno Mars, Anderson Paak & Silk Sonic - An Evening With Silk Sonic

Caetano Veloso - Meu Coco

CÉU - UM GOSTO DE SOL

COCHEMEA - VOL. 2: BACA SEWA

CORUJA BC1 - BRASIL FUTURISTA

Curtis Harding - If Words Were Flowers

Damon Albarn - The Nearer The Fountain, More Pure The Stream Flows

DON L - ROTEIRO PRA AINOUZ VOL. 2

DUDA BEAT - TE AMO LÁ FORA

Duda Brack - Caco de Vidro

El Michels Affair - Yeti Season

El Michels Affair & Liam Bailey - Ekundayo Inversions

Flora Matos - Flora de Controle

GABY AMARANTOS - PURAKÊ

Gorillaz - Meanwhile... EP

Homeboy Sandman - Anjelitu EP

IARA RENNÓ - PRA TE ABRAÇAR

J. Cole - The Off-Season

Jadsa - Olho de Vidro

JOÃO DONATO & JARD MACALÉ - SÍNTESE DO LANCE

JUÇARA MARÇAL - DELTA ESTÁCIO BLUES

Leon Bridges - Gold-Diggers Sound

LITTLE SIMZ - SOMETIMES I MIGHT BE INTROVERT

Lulina - Wi-Sci-Fi

Mallu Magalhães - Esperança

Marina Sena - De Primeira

Menahan Street Band - The Exciting Sounds of Menahan Street Band

Meridian Brothers - Paz en la Tierra

OQUADRO - PRETO SEM AÇUCAR

Os Amantes (Jaloo & Strobo) - Os Amantes

Rico Dalasan - Dolores Dala Guardião do Alívio

Rodrigo Amarante - Drama

Romulo Fróes - Aquele Nenhum / Ó Nóis

Saulo Duarte - Lumina EP

SONS OF KEMET - BLACK TO THE FUTURE

St. Vincent - Daddy’s Home

THE BRKN RECORD - THE ARCHITECTURE OF OPPRESION PART 1

Xenia Rubinos - Una Rosa

terça-feira, 5 de outubro de 2021

entre miranda e jangada, o release

quatro anos atrás fiz o release pro disco instrumental santos 3am do duo cæs. trampo massa demais e foi um prazer escreve sobre. daí que o tempo passou e uma pandemia dominou e domina o mundo e nossas vidas. então guilherme barros, uma das metades desse duo paulista, produziu um disco solo interessantíssimo e me chamou pra fazer o release. leia o disco, escute o release, e vice-versa. com vcs, entre miranda e jangada.

ORGANIZANDO SONS NUMA PANDEMIA

Acorda, toma café, trabalha, come alguma coisa, trabalha de novo, tira um cochilo, cai nos braços do amor, vê um filme ou uma série, ouve músicas, trabalha mais um pouco, almoço vira janta, dorme. Tudo em casa, tudo entre quatro paredes. E no dia seguinte, tudo de novo, mas não necessariamente nessa ordem. 

Pra muita gente essa rotina desesperadoramente repetitiva foi o novo normal durante os tempos mais fechados da pandemia. Com Guilherme Barros não foi diferente. Mas o que poderia ser angústia pura e simples, virou Entre Miranda e Jangada, disco instrumental que é tanto uma viagem pessoal do músico por timbres e paisagens sonoras quanto uma bela fuga instigante para o ouvinte em tempos de repetição.

Inspirado pelas roupas e as armas de uma de suas referências, o organizador de sons John Cage, Barros passou a entrar todo dia no seu pequeno estúdio caseiro para pescar, de seu passado como captador de som direto para documentários, o que achasse interessante, bonito, estranho. Vieram assim, de fora do quartinho, cigarras, pássaros, uma velha máquina de tear, uma chaleira apitando, galos amanhecendo, um anúncio de velório numa cidadezinha do interior, uma fala sonolenta e onírica. A partir daí foi criando músicas para essas paisagens, de dentro pra fora e vice-versa. 

Mais interessado em compor a partir de timbres e experimentações no seu pequeno laboratório do que em criar narrativas com começo, meio e fim, Barros foi buscando sons no próprio instrumento (o violão) e tentou combinar coisas das mais variadas e sem muito planejamento. E porque tudo numa faixa só? “Sei que nesses tempos de playlists é difícil, mas queria que Entre Miranda e Jangada fosse uma experiência. De colocar o fone, apagar a luz e ouvir os 30 e poucos minutos do disco de uma vez”, disse o músico. 

Com ou sem pandemia, uma experiência sonora dessas é mais que necessária, é enriquecedora. Do tipo que faz nossos ouvidos se abrirem para sons que criam mundos internos e externos, e músicas que surgem onde menos se espera.

p.s.: E o título? O que significa o título Entre Miranda e Jangada? Está lá no início da, digamos assim, terceira faixa, na fala de Renata Assumpção, companheira de Barros. São cidades? Lugares? Ela também não sabe, mas tinha uma parede colorida rodando entre Miranda e Jangada. Era um sonho, ainda é.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

80 músicas gringas de 2020

e a segunda e última parte da retrospectiva musical deste ('infeliz' pode ser usado?) 2020 é dedicada às músicas gringas. acho que talvez eu tenha, pela primeira vez em muito tempo, ouvido mais coisas de fora do que produto interno bruto. talvez, é uma impressão. pensei agora. certo mesmo é que pelo menos consegui traçar alguns perfis musicais (preferências que chama né) do que ouvi de fora. olha só.

tem uma forte cena de MCs/cantoras inglesas: Lex Amor, Little Simz, Flohio, Arlo Parks, Nadia Rose, Enny, Jorja Smith, Ms Banks, Greentea Peng, Hope Tala e Lady Leshurr.

tem latinidades hispanohablantes das mais variadas: Rosalía, Yendry, Meridian Brothers, Lido Pimienta, Kali Uchis, Bomba Estéreo, Chancha Via Circuito, Xenia Rubinos, Systema Solar, Puerto Candelária, El Búho e Nathy Peluso.

tem irmãos e irmãs d'além mares: Capicua, Bandé-Gamboa, Pedro da Linha, Branko, Rita Vian, Dino d'Santiago e Pedro Mafama

tem instrumentais poderosos: Antibalas, The Budos Band, Menahan Street Band, Idris Ackamoor & the Pyramids, The Comet is Coming, Hypnotic Brass Ensemble, KOKOROKO e Nubya Garcia.

tem África sem escalas, sempre: Spoek Mathambo, Master KG, Nomcebo, Wizkid e Moonchild Sanelly.

e tem umas mulheres muito fodas com uns trabalhos poderosos: Beyonce e seu panafricanismo futurista, a doçura com ruídos de Lianne La Havas e a iraniana Sevdaliza com sua eletrônica experimental persa-portisheadiana.

e mais um monte de gente que sempre aparece por aqui, de Blundetto a Anderson Paak, de Busta Rhymes a CeeLo Green, de Kid Cudi a Common, de Ghostpoet a Gorillaz, e também J. Cole, Jidenna, Janelle Monae, Little Dragon, Michael Stipe, Princess Nokia, Run the Jewels, Sa-Roc, Aesop Rock, Bishop Nehru, Big Boi, Shabazz Palaces e Talib Kweli.

e tem ainda um pessoal novo e altamente promissor como Lous and the Yakuza, Moses Sumney, Badi, Sevana, Tank and the Bangas, Tierra Whack, Kelly Lee Owens, Namir Blade, Goya Gumbani e Liam Bailey.

no mais, continuo não entendendo o que aconteceu com o youtube que desabilitou a incorporação da playlist em blogs e tals. então dá pra ouvir todas as 80 neste hyperlink chamativo old school: PLAYLIST AQUI.

ou então tá aqui a lista completa com link para cada uma das músicas e uma menção especial a discos especialmente fodas de onde saíram essas músicas.

Aesop Rock – “The Gates
Al Green – “Before The Next Teardrop Falls
Aminé – “Woodlawn
Anderson Paak – “Cut ‘Em In” [feat. Rick Ross]
Antibalas – “Fist of Flowers” do disco Fu Chronicles
Arlo Parks – “Hurt
Badi – “Kitendi
Bandé-Gamboa – “Pé Di Bissilon” do disco Horizonte - Revamping Rare Gems from Cabo Verde and Guinea-Bissau
Beyoncé – “Already” [feat. Shatta Wale & Major Lazer] do disco Black is King
Big Boi & Sleepy Brown – “We The Ones (Organized Noise Remix)” [feat. Killer Mike & Big Rube]
Billie Eilish – “Therefore I Am
Bishop Nehru – “Emperor
Blundetto – “Fly High” [feat. Hindi Zahra] do disco Good Good Things
Bomba Estéreo – “Vive Bacano
Busta Rhymes – “Where I Belong” [feat. Mariah Carey] do disco Extinction Level Event 2: The Wrath of God
Capicua – “Circunvalação
Captain Planet & Shungudzo – “Big Man
Cardi B – “WAP” [feat. Megan Thee Stallion]
Cee-Lo Green – “The Way
Chancha Via Circuito & El Búho – “Oruga
Common – “Say Peace” [feat. Black Thought & PJ]
Dino d'Santiago – “Brava
Enny – “Peng Black Girls Remix” [feat. Jorja Smith]
Flohio – “Sweet Flaws
Ghostpoet – “I Grow Tired But Dare Not Fall Asleep” do disco I Grow Tired But Dare Not Fall Asleep
Gorillaz – “Pac-Man” [feat. ScHoolboy Q] do disco Song Machine, Season One: Strange Timez
Goya Gumbani – “What's The Prize
Greentea Peng – “Hu Man
Hope Tala – “All My Girls Like To Fight
Hypnotic Brass Ensemble – “Indigo” do disco Bad Boys of Jazz
Idris Ackamoor & the Pyramids – “Tango of Love” do disco Shaman!
J. Cole – “Snow On Tha Bluff
Janelle Monáe – “Turntables
Jidenna – “Black Magic Hour” [feat. Bullish]
Kali Uchis – “Aquí Yo Mando”[feat. Rico Nasty] do disco Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)
Kelly Lee Owens – “On
Kid Cudi – “The Void” do disco Man On The Moon III: The Chosen
KOKOROKO – “Baba Ayoola
Lady Leshurr – “Quaranting” [feat. Busy Signal]
Leikeli47 – “Zoom
Lex Amor – “Odogwu” do disco Government Tropicana
Liam Bailey – “Paper Tiger
Lianne La Havas – “Can't Fight” do disco Lianne La Havas
Lido Pimienta – “Nada” [feat. Li Saumet] do disco Miss Colombia
Little Dragon – “Are You Feeling Sad?” [feat. Kali Uchis]
Little Simz – “might bang, might not
Lous and The Yakuza – “Amigo” do disco Gore
Master KG – “Jerusalema” [feat. Nomcebo]
Menahan Street Band – “Midnight Morning
Meridian Brothers – “Cumbia de La Fuente
Michael Stipe – “No Time for Love Like Now
Moonchild Sanelly – “Where De Dee Kat
Moses Sumney – “Cut Me
Ms Banks – “Novikov
Nadia Rose – “Sugar Zaddy
Namir Blade – “Space Ghost
Nathy Peluso – “Sana Sana
Nubya Garcia – “Source” do disco Source
Pedro – “Terra Treme” [feat. Pedro Mafama]
Princess Nokia – “I Like Him
RDGLDGRN – “Danger” [feat. Nitty Scott & Alexandra Stan]
Rita Vian & Branko – “Sereia Remix
Rosalía & Travis Scott – “TKN
Run The Jewels – “Ju$t” [feat. Pharrell Williams & Zack de la Rocha]
Sa-Roc – “The Black Renaissance” [feat. Black Thought] do disco
Sevana – “Blessed
Sevdaliza – “Lamp Lady” do disco Shabrang
Shabazz Palaces – “Bad Bitch Walking
Sly5thAve – “More Or Less” [feat. Marlon Craft]
Spoek Mathambo – “Kings and Queens” do disco Tales From The Lost Cities
Systema Solar & Puerto Candelaria – “Mi Kolombia
Talib Kweli – “People's Party” [feat. Boots Riley]
Tank and The Bangas – “Self Care” [feat. Jaime Woods, Orleans Big & Anjelika 'Jelly' Joseph]
The Budos Band – “The Wrangler” do disco Long In The Tooth
The Comet Is Coming – “Imminent” [feat. Joshua Idehen]
The Strokes – “The Adults Are Talking” do disco The New Abnormal
Tierra Whack – “Dora
Wajatta – “Don’t Let Get You Down
Xenia Rubinos – “Who Shot Ya?
Yendry – “Nena

sábado, 19 de dezembro de 2020

70 músicas brasileiras de 2020

não sei se vocês notaram, mas 2020 foi meio diferente né. rolaram umas paradas no mundo exterior, um negócio invisível e mortal chamado vírus se espalhando por toda terra, muito muito tempo em casa, muito mais coisa pra fazer, um tsunami de merda bandida destruindo o país. enfim, umas coisas diferentes e todas ao mesmo tempo. 

tenho uma filha de quase 3 anos, então esse "ao mesmo tempo" pra mim é todo dela. o que sobra dá pra ver alguma pouca coisa e, principalmente, seguir ouvindo música. mas pela primeira vez desde que comecei o blog em 2009 não conseguirei fazer lista de discos (brasileiros e gringos). um tanto pelo tempo - que, lembrem-se, é todo dela <3 -, mas também porque ouvi muita música, mas foram poucos discos que consegui ouvir decentemente, mais de uma vez, com alguma atenção. achei mais saudável e justo ficar só nas músicas (brasileiras e gringos). daí o que fiz agora nessa lista foi, a partir de uma música da lista de 70, chamar atenção para alguns dos poucos discos que ouvi e gostei um pouco mais.

mas tem coisa pra dedéu, artistas que se consolidam, mundos musicais novos que surgem, veteranos afiados, música negra, feminina, rap sempre, funk, cantautores, Pernambuco, Bahia, periferias, trans, fora do eixo, a porra toda e o baile todo (no que consigo alcançar, claro).   

segue abaixo então, em ordem alfabética, a lista completa com 70 músicas brasileiras de 2020. fiz, como sempre, uma playlist firmona no youtube, mas não sei pq catso não consegui incorporar aqui no post. PLAYLIST AQUI.

Agnes – “Hiroshima
Alessandra Leão – “Meu Filho Meu
Alfamor – “Paô” [com Mateus Aleluia]
Alice Caymmi – “Me Leva
Amplexos – “Segura
Anitta – “Jogação” [com Psirico]
Arnaldo Antunes – “De Outra Galáxia” do disco O Real Resiste
ÀTTØØXXÁ – “Lokinho
Áurea Semiséria – “Destemida” [com marea]
BK' – “Poder” do disco O Líder em Movimento
Black Alien – “Chuck Berry
Cícero – “Falso Azul
Criolo & Tropkillaz – “Sistema Obtuso
Dani Nega – “Como Noiz Quiser
Danilo Penteado – “É a Esperança” [com Mauricio Pereira]
Davzera – “Ma Prince
Don L – “kelefeeling (verso livre)
Duda Beat – “Pro Mundo Ouvir
Eddie – “Atiça” do disco Atiça
Edgar – “Também Quero Diversão!
Felipe Cordeiro – “Foguinho” [com Psirico]
Flora Matos – “I Love You
Francisco, el Hombre & Sidney Magal – “Vou Pra Cima
Gaby Amarantos – “Vênus em Escorpião” [com Ney Matogrosso e Urias]
Gloria Groove – “Suplicar
Guilherme Held – “Sorongo” [com Letieres Leite] do disco Corpo Nós
Heavy Baile, Leo Justi & DJ Seduty – “Vai Quebrando (Desce Que Desce)
Hiran & Tom Veloso – “Gosto de Quero Mais
Hot e Oreia – “Domingo”/“Presença” do disco Crianças Selvagens
Iara Rennó – “Duelo
Illy – “Desafio
Ju Dorotea – “Are You Alive?
Jup do Bairro, Rico Dalasam & Linn da Quebrada – “All You Need Is Love
Kiko Dinucci – “Olodé
Lirinha – “O Amor é um Tubarão
Loma e Gêmeas Lacração – “Bate Com Vontade
Luana Carvalho – “Selfie”
Ludmilla – “Rainha da Favela”
Luedji Luna – “Bom Mesmo é Estar Debaixo d'Água” do disco Bom Mesmo é Estar Debaixo d'Água
Luísa e os Alquimistas – “Cadernin (Piseiro)” [com Potyguara Bardo]
Mahmundi – “Sem Medo
Marcelo Cabral – “Mariannen” do disco Naunyn
Marcelo D2 – “Rompeu o Couro” [com Juçara Marçal, Bk', Baco Exu do Blues e Anelis Assumpção] do disco Assim Tocam os MEUS TAMBORES
Marcelo Jeneci – “Me Sinto Bem
Marietta – “Analógica” do disco Analógica
Mateus Aleluia – “Samba-Oração” do disco Olorun
MC Dukenny – “Só Pitbull de Raça, os Faixa tá Presente
MC Guime – “Fight (Jovem Milionário)
MC Paulin da Capital, MC Lipi & DJ GM – “Mulher Cativante
Meno Del Picchia – “Crie Seu Espaço
MOMO – “Koh Pha Ngan
Moreno Veloso – “Fullgás
Os Barões da Pisadinha – “Tá Rocheda
Pabllo Vittar – “Lovezinho” [com Ivete Sangalo]
Parteum – “Addendum
Quebrante – “Hey Man” [com Lurdez da Luz]
Rafael Castro – “Adrian
Rodrigo Campos – “Meu Samba Quer se Dissolver
Rodrigo Vellozo & Benito Di Paula – “Lágrimas No Meu Sorriso
Rosa Neon – “Ombrim [Larinhx Remix]
Samuca e a Selva – “Flores Raras [Terra Treme Remix]
Saulo Duarte – “Tapume
Silva – “Soprou” [com Criolo]
Slipmami – “Moranguinho
Tantão e os Fita – “Pessoas do Mal
Tatá Aeroplano – “Trinta Anos Essa Noite
Tika – “72 Horas” [com Solo Valencia]
Urias – “Racha
Valério – “Desapego
Zé Manoel – “Adupé Obaluaê” do disco Adupé Obaluê

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

essa é pra vc, quino. obrigado por tudo.

e o grande, o gigante Quino, morreu neste final de setembro deste tenebroso 2020. tinha 88 anos e a gente lamenta e coisa e tal, mas o argentino viveu muito bem e produziu ainda mais. vida foda, vida plena. só temos que agradecer por sua existência e pela sua arte. daí que no twitter, a amiga Bia Abramo, lembrou de um trampo que fizemos nas redes da Prefeitura de São Paulo em janeiro de 2015 [estivemos por lá de 2014 a 2016, gestão Fernando Haddad]: Mafalda no rolê

inspirado no filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, levamos uma bonequinha da personagem imortal de Quino para mostrar alguns pontos turísticos de São Paulo e contar um pouco da história da cidade. partimos da Praça das Artes, que sediava uma exposição em homenagem a Quino e sua personagem. não conseguimos fazer todo o rolê que planejamos no início, acho que por conta de outras tarefas de comunicação do município, mas o que foi feito nos deu muito orgulho. 

segue abaixo as fotos e textos originais que publicamos naquele distante 2015, afinal todo esse material já não está mais disponível nas redes da Prefeitura.

1. PRAÇA DAS ARTES

Mafalda, a criação imortal do cartunista argentino Quino, está entre nós. Desde 17 de dezembro, "O Mundo Segundo Mafalda" ocupa a Praça das Artes e a exposição interativa ficará por lá até final de fevereiro, o que significa que a menina inquieta será nossa hóspede por mais algum tempo. Então, como bons anfitriões que somos, decidimos levá-la para conhecer a cidade. 

Nos próximos dias você acompanha aqui o rolê de Mafalda Oficial por São Paulo, cada dia um lugar diferente, e o passeio começa pela Praça das Artes, onde cerca de 3 mil pessoas por dia estão se divertindo e conhecendo essa menina de 50 anos.

2. GALERIA DO ROCK

Saindo da Praça das Artes pelo calçadão da Avenida São João, levamos Mafalda para conhecer a Galeria do Rock, logo ali pertinho. É que a menina queria ouvir os seus amados Beatles em algum lugar diferente e tipicamente paulistano.

Aí explicamos que a Galeria do Rock nasceu como Shopping Center Grandes Galerias em 1963, portanto o prédio é apenas um ano mais velho que Mafalda, fato que a fez abrir um sorriso de identificação. E o sorriso aumentou quando ela viu as primeiras camisetas e LPs do quarteto de Liverpool dividindo o mesmo grande e sinuoso espaço – ao todo, a Galeria possui cerca de 450 estabelecimentos comerciais – com salões de beleza black, alfaiates, lojas com centenas de tênis coloridos, estúdios de tatuagem, material para graffiti, lanchonetes e muita democracia musical [rap, metal, mpb, psicodelia, etc.].

Dizem que aproximadamente 20 mil pessoas circulam por dia pela Galeria do Rock e Mafalda ficou bem à vontade com a variedade de tipos e estilos, mas ficou mesmo fascinada com o rap, que fala na lata o que precisa ser falado. Tipo ela. 

3. VIADUTO DO CHÁ

Semana passada não estava tão quente quanto hoje e Mafalda foi e voltou várias vezes pelo Viaduto do Chá. Era uma espécie de brincadeira do tipo ‘quem será que encontro agora?'. A menina cruzou com nigerianos, bolivianos, vendedores de chip de celular, homens de terno, turistas americanos, mulheres que lêem o futuro, equipes de TV etc. Depois, ela acalmou, bebeu um pouco de água e quis saber sobre um dos marcos mais importantes da cidade que tem o Theatro Municipal em uma extremidade e a Prefeitura em outra.   

É o seguinte Mafalda: o Viaduto do Chá foi inaugurado em 1892, depois de uma construção tumultuada que teve início em 1888 e foi interrompida porque alguns poucos moradores da região, entre eles o Barão de Tatuí, se incomodaram com essa ideia de ligar o Centro Velho [Sé, Pátio do Colégio] ao Centro Novo [Praça da República, Largo do Arouche]. De uma forma ou de outra, a turma do Barão perdeu e a cidade ganhou. 

Sob o Viaduto do Chá, Mafalda, corre o Vale do Anhangabaú. Por lá já passou um rio [o Anhangabaú], mas quando surgiu o projeto do viaduto no final do século 19, o vale passou pelo seu primeiro processo de urbanização. Só que os belos jardins do Parque do Anhangabaú não duraram muito e no final da década de 1930 o que era verde virou via expressa para carros e mais carros. Essa fase carrodependente do Anhangabaú durou até os anos 1980 até que um novo projeto urbanístico devolveu o espaço para uso público, de shows a manifestações políticas, de paqueras e passeios de skate.

4. PRAÇA DA SÉ

Pessoas dançando forró agarradinhas, pastores declamando e comentando a Bíblia, gente correndo para chegar ou sair do trabalho, tem de tudo um pouco na Praça da Sé, e Mafalda, curiosa como sempre, não parava de perguntar sobre isso ou aquilo. 

Explicamos que a praça e a escadaria da Catedral já foram palco de manifestações históricas durante a ditadura militar e o período de redemocratização. E que a grande igreja em estilo neogótico projetada pelo alemão Maximilian Emil Hehl [1861-1916], autor também da Igreja da Consolação e da Catedral de Santos, é a terceira no mesmo lugar do Centro Velho.

A primeira, ainda nos tempos de São Paulo de Piratininga, durou, mais ou menos, de 1616 a 1745. A segunda, quando a cidade se tornou sede da diocese, foi de 1764 a 1911. A terceira e atual começou a ser construída em 1913, mas as duas guerras mundiais atrasaram as obras e inauguração só aconteceu, com o prédio inacabado, em 1954 [o projeto foi finalizado mesmo em 1967].

Após tantas datas, Mafalda entrou na Catedral e andou por tudo de olhos muito abertos. Quando saiu, ainda impactada pela imponência do edifício, perguntou para algumas pessoas na praça se já tinham entrado lá. A maioria disse que não por causa da pressa do dia a dia. “O urgente nunca deixa tempo para o importante, né?”, retrucou a menina.

5. AVENIDA PAULISTA

Acontecem muitas e variadas coisas nos quase três quilômetros da mais paulista das avenidas. Tem o maior reveillon da cidade e a Parada Gay, a maior do mundo. Tem a tradicional Corrida de São Silvestre e muitos artistas de rua. Tem o oásis verde do Parque Trianon e dezenas de cinemas, teatros e centros culturais como o Museu de Arte de São Paulo, o icônico Masp. 

Mafalda passeou pela Avenida Paulista em um domingo, que é o dia da Feira de Antiguidades no vão livre do Masp, atração permanente no local desde 1979. Mais uma vez adorou a quantidade de gente andando pra lá e pra cá e que nem faz ideia de que a Paulista foi a primeira via pública asfaltada de São Paulo, isso em 1909. Atualmente, moram cerca de 200 mil pessoas na avenida, cuja “data de nascimento” é 8 de dezembro de 1891.

Mas o rosto da menina ficou sério quando lhe disseram que apenas dois casarões sobraram na avenida [o único aberto ao público é a Casa das Rosas]. Os outros, que fizeram a fama da região na primeira metade do século 20, foram sendo demolidos a partir dos anos 1950 e dando lugar a grandes edifícios. “Às vezes me pergunto se a vida moderna não tem mais de moderna do que de vida”, disse. 

Ela acabou arrastando um certo mau humor por alguns quarteirões, mas tudo mudou quando explicamos que a Paulista também é sede de um punhado de consulados, inclusive o da Argentina. Quando soube disso, “la niña” decidiu fazer uma visita para ouvir sua língua materna e comer umas medialunas salgadas e doces. Bateu saudade de casa, sabe como é. Então voltou a sorrir e desceu, barriga cheia, para ver o pôr do sol na Praça do Ciclista. Acontecem muitas coisas na Paulista.

6. BECO DO BATMAN

O nome oficial é Rua Gonçalo Afonso, mas há cerca de 30 anos essa viela tortuosa na Vila Madalena é conhecida como Beco do Batman. Mafalda quis saber como o nome surgiu e explicamos que, no início da década de 1980, grafitaram um Homem-Morcego gorducho por lá. Estudantes, universitários e curiosos começaram a frequentar o Beco para ver o Batman e a fama foi se espalhando até surgirem outros grafites e mais outros e mais outros.

Completamente eufórica, a menina corria pela viela pra cima e pra baixo querendo ver tudo e perguntando o nome dos(as) artistas que vivem colorindo essa e outras partes da cidade. Não sabíamos o nome de todo mundo, mas estavam lá figuras como Speto, Paulo Ito, Milo Tchais, Alex Senna, Magrela, Binho e Presto.

Nos últimos anos, o Beco do Batman passou a ser também uma atração turística internacional. Qualquer dia da semana é possível encontrar um gringo de olhos arregalados perdido entre tantos desenhos. No dia que Mafalda esteve lá, por exemplo, cruzou com uma família de americanos, um mexicano, uma inglesa, dois amigos irlandeses, uma equatoriana e seu namorado boliviano, e um estudante argentino que deu altos pulos de alegria quando a viu. O mundo é um ovo no Beco do Batman.

7. PÁTIO DO COLÉGIO

Foi aqui onde tudo começou, Mafalda. Quer dizer, mais ou menos. O Pátio do Colégio é o marco do começo da cidade de São Paulo, exatos 461 anos atrás, mas já rolava muita coisa por esses morros, várzeas e rios. Muitas aldeias e povos indígenas, como os guianás e os tupiniquins, nômades ou não, viviam e perambulavam por esses planaltos. Então chegaram os portugueses, representados inicialmente pelos jesuítas, e fundaram, em 25 de janeiro de 1554, o Colégio de São Paulo de Piratininga. 

O colégio era, pra te falar a verdade, um barracão feito de taipa de pilão. Mas ficava em um ponto estratégico, no alto de uma colina que dava para o encontro dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, e foi lá que Manoel da Nóbrega e José de Anchieta tentavam converter os índios à fé católica e a história da região mudou para sempre. Nada muito diferente do que aconteceu no resto do Brasil, na sua Argentina, por todos os lados das Américas, Mafalda. 

A partir do Colégio, o povoado foi crescendo e virou Vila de São Paulo de Piratininga em 1560, capital da grande Capitania de São Vicente em 1681-83 e, finalmente, cidade de São Paulo em 1711. Já o Pátio do Colégio manteve papel central na cidade e Estado e foi sede do governo paulista entre 1765 e 1912.

Atualmente, o Pátio tem apenas, das antigas construções, uma parede de 1585, e o resto foi todo demolido. A primeira igreja tombou em 1896 e o Palácio dos Governadores em 1953, e esse prédio que a gente está vendo, que tem museu, biblioteca, restaurante, etc, é de 1979. Mas é que São Paulo tem também essa maluquice de erguer e destruir coisas belas, Mafalda.

8. LARGO DA BATATA

Assim que chegou, Mafalda não entendeu muito bem o que era o Largo da Batata. Talvez fosse o calor e o solzão de verão. Talvez a amplidão e a falta de sombra; afinal as árvores ainda estão jovens, pequenas. Talvez o resultado de obras de revitalização que duraram cerca de dez anos e que, justamente pela demora, não conseguiram ainda dar uma cara para o espaço.

Tudo mudou quando viu umas barraquinhas com legumes e frutas na parte de cima do Largo – fomos numa quarta, dia da Feira de Orgânicos –, e uns móveis engraçados e coloridos na parte de baixo. A menina, que de boba não tem nada, viu logo que o Largo da Batata é um lugar que está acontecendo. Com a participação ativista de muitas pessoas, uma nova história está sendo escrita para um dos povoamentos mais antigos da cidade [os outros dois, contemporâneos de século 16, são o Centro Velho e São Miguel Paulista].  

O Largo da Batata já foi terra dos guianás, capela dos jesuítas, durante séculos o único povoado às margens do Rio Pinheiros, entreposto comercial com o interior [daí o Mercado Caipira, atual Mercado de Pinheiros] e alta concentração de vendedores de batata [que lhe deu o nome em algum momento nos anos 1920].

Hoje tem bicicletário, shows, manifestações e aqueles móveis engraçados e coloridos feitos pelo pessoal da Batata Precisa de Você, um grupo que se reúne há um ano para conversar sobre o Largo [e a cidade], promover festas, shows e atividades variadas, enfim, humanizar o local. E tudo por conta própria. Mafalda entendeu direitinho e, pensando alto enquanto passeava entre os móveis feitos de pallets, soltou: “A vida é linda né? O problema é que muitos confundem lindo com fácil”.

p.s.: escrevi em 2010 uma matéria sobre Quino para a revista de bordo da Trip Linhas Aéreas. é uma matéria sem aspas, não consegui entrevistá-lo, mas é um texto que gosto muito. com vcs, "O pai da matéria".