Mostrando postagens com marcador lirinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lirinha. Mostrar todas as postagens
sábado, 19 de dezembro de 2020
70 músicas brasileiras de 2020
Agnes – “Hiroshima”
Marcadores:
alessandra leão,
alice caymmi,
anitta,
black alien,
criolo,
don l,
eddie,
gaby amarantos,
iara rennó,
lirinha,
ludmilla,
marcelo d2,
moreno veloso,
música,
pabblo vittar,
retrospectiva,
retrospectiva 2020,
youtube
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
65 discos brasileiros de 2015
já rolaram os discos e músicas
gringas de 2015, então agora é a vez de falar daqui, de listar o que mais
gostei do que ouvi aqui: artistas novos se firmando, iniciantes cheios de gás e
voz, medalhões inquietos, um pouco mais da nossa costumeira efervescência
musical. acabei fechando a minha lista [sempre e cada vez mais] inclusiva com
65 discos, mas destacarei 17 que estiveram mais muito mais próximos. pra
facilitar minha vida separei esses 17 em 3 blocos: os raps, as mina e os mano.
ogi, emicida, instituto, black alien, bnegão, síntese & cia
os rap – tal e qual a gringolândia, o rap também é no brasil
o gênero que tem mostrado mais originalidade, mais vontade de falar de assuntos
diversos e urgentes, e de se misturar sem medos. isso, claro, não é de hoje,
mas seis discos lançados este ano são prova clara que o rap brasileiro cresceu
de uma forma absolutamente inequívoca. por exemplo rá!, o segundo disco do grande cronista paulistano rodrigo ogi, que
é um passeio veloz e afiado pelos humores da cidade. e tem ainda samba e muita
vida, e ocasionalmente sangue, em suas rimas. já sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa, de emicida, a
grande jovem estrela do gênero, é uma maravilha de diversa atualidade: é
família, pop, pesado e ativista, tudo ao mesmo tempo, e com uma delicadeza e
equilíbrio de dar inveja a muito veterano.
transmutação e babylon by gus vol. II, dos
contemporâneos, cariocas e ex-companheiros de planet hemp, bnegão e black alien,
são produções extremamente bem acabadas, divertidas e com pegada [e como é bom
ver e ouvir black alien de novo].
a volta do instituto, após 14
anos de sua estreia, com violar é
outra prova de como o rap se tornou predominante e incontornável. até as
músicas instrumentais do disco parecem rap, mas como se isso não bastasse, tem
criolo, bnegão, karol conká, sombra e uma linda pérola póstuma de sabotage.
então, pra finalizar esse
bloco de rap, um trabalho que entrou aos 48 do segundo tempo, síntese, akilez, kiko dinucci e thiago
frança. encontro poderoso e ofegante esse do rapper de são josé dos campos
com o produtor curitibano, o guitarrista guarulhense e o saxofonista mineiro
[nada mais paulistano que isso]. síntese continua firme com um dos rappers mais
originais da atualidade, apesar dos arroubos religiosos [ou devido a eles?].
elza, gal, alessandra, karina, letuce e tulipa
as mina – duas veteranas abrem esse bloco com discos absurdos
de lindos. a mulher do fim do mundo
é o encontro de elza soares com composições e músicos muito atuais e de são
paulo. é trabalho poderoso, negro, rasgado, torto, sexual, melancólico e surpreendente.
estratosférica é gal costa tinindo
em delicadezas e com repertório também todo de inéditas. duas grandes mulheres
artistas inquietas e atentas.
a jovem guarda feminina tem
um tanto de pernambuco via são paulo com selvática,
o mais regular e bonito disco de karina buhr, e os fortes e carnais eps aço e língua de alessandra leão [karina e alessandra foram companheiras
de comadre fulozinha]. tem também rio de janeiro com estilhaça, o terceiro disco de letuce e que traz a cantora e
compositora letícia novaes ainda à flor da pele, mas também conseguindo ser
menos estritamente confessional e mais universal. pra encerrar o bloco, dancê, o mais recente, alegre e solto trabalho
de tulipa ruiz.
jaloo, siba, lira, cidadão instigado e rodrigo campos
os mano – a
grande surpresa deste ano, entre os manos, foi o #1 de jaloo. conhecido por seus remixes tecnobregas, o paraense fez
um belíssimo, doce e dançante disco autoral. gosto de jaloo tem tempo, mas
realmente não esperava um disco com tantas músicas tão bonitas. no mais, os
feras de sempre aprontando mil e uma confusões: fortaleza, o quarto disco do cidadão instigado, é o que existe de
melhor e mais pulsante no rock nacional; de
baile solto do siba tem pernambuco, áfrica, guitarra e muitas outras coisas
tão boas quanto; o igualmente pernambucano lira lançou seu segundo disco solo, o labirinto e o desmantelo, e sua
poesia está cada vez mais apurada e dolorida; por último e não menos
importante, o delicado conversas com
toshiro, terceiro e mais maduro disco de rodrigo campos.
aqui, a lista completa com os
65 discos:
aláfia - corpura
amplexos - sendeiro
andreia dias - prisioneira do amor
as bahias e a cozinha mineira
- mulher
ava rocha - ava patrya yndia yracema
barbara eugênia - frou frou
bixiga 70 - III
black alien - babylon by gus vol. II (no princípio era o verbo)
bnegão & seletores de
frequência - transmutação
boogarins - manual
cícero - a praia
cidadão instigado - fortaleza
daniel groove - romance pra
depois
diogo strausz - spectrum vol. 1
eddie - morte e vida
elza soares - a mulher do fim do mundo
fabio góes - zonzo
fafá de belém - do tamanho certo para o meu sorriso
frito sampler - aladins bakunins
gal costa - estratosférica
gui amabis - ruivo em
sangue
guizado - o vôo do
dragão
hélio flanders - uma temporada
fora de mim
iconili - piacó
instituto - violar
jaloo - #1
juçara marçal e cadu tenório
- anganga
karina buhr - selvática
karine alexandrino - mulher tombada
letuce - estilhaça
liniker - cru EP
lira - o labirinto e o desmantelo
marcelo callado - meu trabalho han sollo vol. II
mariana aydar - pedaço duma
asa
metá metá - metá metá EP
ná ozzetti e zé miguel wisnik
- ná e zé
ná ozzetti & passo torto
- thiago
frança
odair josé - dia 16
orquestra brasileira de
música jamaicana - obmj ataca!
orquestra raiz - as américas
pélico - euforia
qinho - ímpar
rafael castro - um chopp e um sundae
raphão alaafin - eu gosto
rodrigo campos - conversas com toshiro
rodrigo ogi - rá!
romulo froés - por elas sem elas
siba - de baile solto
silva - júpiter
space charanga - r.a.n. (rhythm and noise)
thiago ramil - leve embora
trupe chá de boldo - presente
tulipa ruiz - dancê
vicente barreto - cambaco
vitrola sintética - sintético
wado - 1977
zé manoel - canção e
silêncio
zé pi - rizar
síntese,
akilez, kiko dinucci & thiago frança
Marcadores:
alessandra leão,
black alien,
bnegão,
elza soares,
emicida,
gal costa,
internet,
jaloo,
karina buhr,
letuce,
lirinha,
música,
retrospectiva,
retrospectiva 2015,
rodrigo ogi,
siba,
síntese,
tulipa ruiz
domingo, 5 de maio de 2013
elas cantam ele, eles cantam ela
neste ano, o selo jóia
moderna lançou dois excelentes tributos. não foram os primeiros da curta
vida do selo criado pelo dj zé pedro – antes aconteceram literalmente loucas - as canções de marina lima (2011) e a voz da mulher na obra de guilherme
arantes (2012) –, mas certamente são os melhores até agora (achei o da
marina bom e o do guilherme arantes muito fraco). mulheres
de péricles (2013) traz um punhado de cantoras da nova geração ao redor
do compositor péricles
cavalcanti, enquanto coitadinha bem feito (2013) faz o
mesmo com jovens cantores e as músicas de ângela ro ro. ah, como se não
bastassem trazer interpretações surpreendentes para algumas canções bem
conhecidas, os dois tributos também estão disponíveis para download gratuito.
mulheres de péricles - péricles cavalcanti é um ilustre desconhecido. todos sabem
cantar pelo menos uma de suas composições, mas poucos conhecem seus discos
solos (são 5) ou associam seu nome a canções gravadas por gal (“negro amor”), caetano (“elegia”), arnaldo antunes (“eva e eu”) e adriana calcanhotto (“medo de amar nº3”). não que isso seja um
problema ou motivo de ressentimento para ele (não parece), mas de qualquer
forma esse disco é uma oportunidade e tanto para colocar alguns pingos nos is,
principalmente sobre a poesia sofisticada e popular de suas letras. por outro
lado, a escolha dessas jovens vozes femininas confere diversos tons de
delicadeza (sexual, rascante, derramada, etc.) e experimentações musicais das
mais variadas a canções feitas no decorrer das últimas quatro décadas. todas
soam igualmente fresquinhas, urgentes. cada ouvinte terá suas preferidas e
as minhas são “clariô” (marietta vital e mairah rocha), “blues” (céu), “porto
alegre” (tulipa ruiz), “elegia” (mallu magalhães), “quem nasceu?” (laura lavieri) e “ode primitiva” (bárbara
eugênia). detalhe: os anos indicados após as músicas (o mesmo vale para o
próximo tributo) são das gravações originais.
1. céu – “blues” (péricles cavalcanti, 1981)
2. nina becker – “o céu e o som” (péricles cavalcanti, 1974)
3. blubell – “bossa nova” (péricles cavalcanti, 2004)
4. mallu magalhães – “elegia” (péricles cavalcanti & augusto de campos, 1979)
5. bárbara eugênia – “ode primitiva” (péricles cavalcanti & haroldo de campos, 1991)
6. marietta vital & mairah rocha – “clariô” (péricles cavalcanti, 1977)
7. tulipa ruiz – “porto alegre” (péricles cavalcanti, 2007)
8. iara rennó – “nossa bagdá” (péricles cavalcanti, 2004)
9. anelis & serena assumpção – “eva e eu” (péricles cavalcanti & arnaldo antunes, 1996)
10. laura lavieri – “quem nasceu?” (péricles cavalcanti, 1974)
11. karina buhr – “negro amor” (péricles cavalcanti & caetano veloso, 1977)
12. juliana kehl – “será o amor?” (péricles cavalcanti, 2004)
13. ava rocha – “musical” (péricles cavalcanti, 1983)
14. tiê – “medo de amar nº3” (péricles cavalcanti, 2000)
15. juliana perdigão – “canto maneiro” (péricles cavalcanti, 1991)
coitadinha bem feito - felizmente ângela ro ro se tornou objeto de culto ainda em
vida, e a partir dos anos 2000 voltou a fazer shows, a gravar e até emplacou um
programa de televisão. coitadinha bem
feito é um coroamento desse movimento e uma bela homenagem a uma das
compositoras mais fortes da música popular brasileira. a costura do repertório
é menos original que a do mulheres de
péricles – tanto que metade do tributo veio diretamente do disco de estreia
de ângela, de 1979 –, mas a escolha por (e dos) intérpretes masculinos é um
belo contraponto ao estilo da carioca. suas ironias mudam de lugar, seu romantismo
rasgado ganha distância, seu blues ganha novas cores. as preferidas da casa são
(sem nenhuma ordem, sempre) “balada da arrasada” (tatá aeroplano), “perdoai-os
pai” (rael), “coitadinha bem feito” (otto), “não há cabeça” (pélico), “me
acalmo danando” (hélio flanders), “came e case” (léo cavalcanti), “abre o
coração” (gui amabis) e “fogueira” (rodrigo campos). baixe aí e veja quais são
suas preferidas porque música boa é que não falta.
1. lucas santtana – “amor meu grande amor” (ângela ro ro &
ana terra, 1979)
2. lira – “renúncia” (ângela ro ro, 1980)
3. leo cavalcanti – “came e case” (sérgio bandeira & ângela
ro ro, 1981)
4. rómulo froés – “só nos resta viver” (ângela ro ro, 1980)
5. thiago pethit – “mares da espanha” (ângela ro ro, 1979)
6. tatá aeroplano – “balada da arrasada” (ângela ro ro,
1979)
7. otto – “coitadinha bem feito” (sérgio bandeira & ângela
ro ro, 1981)
8. gui amabis – “abre o coração” (ângela ro ro, 1979)
9. adriano cintra – “gota de sangue” (ângela ro ro, 1979)
10. pélico – “não há cabeça” (ângela ro ro, 1979)
11. rodrigo campos – “fogueira” (ângela ro ro, 1984)
12. kiko dinucci – “tango da bronquite” (ângela ro ro, 1980)
13. rael – “perdoai-os pai” (sérgio bandeira & ângela ro
ro, 1981)
14. gustavo galo – “fraca e abusada” (ângela ro ro, 1981)
15. dani black – “tola foi você” (ângela ro ro, 1979)
16. juliano gauche – “a mim e a mais ninguém” (ângela ro ro,
1979)
17. helio flanders – “me acalmo danando” (ângela ro ro,
1979)
Marcadores:
angela ro ro,
anos 2010,
barbara eugênia,
céu,
download,
internet,
jóia moderna,
lirinha,
mallu magalhães,
música,
otto,
pélico,
péricles cavalcanti,
soundcloud,
tatá aeroplano,
tributo,
tulipa ruiz
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
os 30 clipes brasileiros de 2012 e muito mais
não sei se fui eu que prestei mais atenção ou se este ano,
especialmente, houve uma grande e muito boa produção de clipes nacionais. tanto
que alguns que aparecem na lista abaixo foram postados aqui no esforçado no decorrer do ano. e tem de
tudo, caseiros e superproduções, do digital ao super 8, com mais
roteiro ou sem roteiro nenhum, com humor ou sérios pra cacete, de tudo quanto é
canto do brasil, quase todos produzidos na raça. vale destacar ainda o nome de
alguns diretores e diretoras com trabalhos bacanas na área: ricardo spencer, fred
ouro preto, lírio ferreira, vera egito, felipe rocha, daniel lisboa, vivi
amaral, rabu gonsales, del reginato, toddy ivon e a dupla autumn sonnichsen
& erica gonsales (do clipe de “sangue é champanhe”, talvez o melhor do
ano).
MUITO MAIS QUADROS POR SEGUNDO. e dá-lhe autoramas
(“abstrai”), barbara eugênia &
tatá aeroplano (“dos pés”), cabes mc
(“não nasci pra ensinar”), céu (“retrovisor”), chimpanzé
clube trio (“tira essa pessoa da minha
vida”), cícero (“ponto cego”), clarice falcão (“oitavo andar”), criolo
(“mariô”), funkero (“chapa quente”), grandphone vancouver (“miss me”), jamés ventura (“odeio político”), japan bondage (“japan bondage”), kamau (“21/12” e “(eu quero) mais”), karina buhr (“amor brando”), karol conká (“corre, corre erê”), kassin (“fora de área”), léo cavalcanti &
tulipa ruiz (“sem (des)esperar”), lívia
cruz (“não foi em vão”), lucy and the
popsonics (“eu vou casar com um
cosmonauta”), madrid (“sad song”
e “siblings”), malbec (“calo”), marcelo camelo (“vermelho”), marcelo d2, sain e helio
bentes (“eu já sabia”), márcia castro
& helio flanders (“29 beijos”, e
márcia esteve ainda no divertido “de pés
no chão”), marina wisnik (“na rua
agora”), molho negro (“aparelhagem de
apartamento”), mv bill (“o soldado que fica”), ogi (“eu me perdi na
madrugada” e “profissão perigo”),
ordinária hit (“patrão”), psilosamples
(“no canto da cidade”), rashid (“r.a.p.”), rita lee (“reza”), savave (“tá suave”), shaw (“a área”), slim rimografia & thiago
beats (“limpe seu próprio quintal”), sobre
a máquina (“oito”), sonic junior (“inflamável”), super stereo surf (“clipe vertical”), supercordas (“índico de estrelas”), terra preta (“nasce, cresce e morre”), trupe chá de
boldo (“na garrafa”), vivendo do ócio
(“nostalgia”) e xis (“entre o amor e o ódio”).
bnegão & os
seletores de frequência - “alteração
(éa!)”
bonde do rolê - “kilo”
caio bosco - “mendigos de amor”
cone crew diretoria -
“chama os mulekes”
domenico - “cine privê”
don l. & flora
matos - “sangue é champanhe”
doo doo doo - “carnaval no fogo”
edi rock & seu jorge - “that's my way”
emicida - “zica, vai lá” (também no primeiro
semestre lançou “dedo na ferida”,
vídeo cru e preto & branco)
felipe cordeiro -
“legal e ilegal”
filarmônica de
pasárgada - “o seu tipo”
flow mc - “o quartinho obscuro” (música de sua
mixtape de 2011, enquanto a desse ano trouxe o clipe de “por que”)
gui amabis - “pena mais que perfeita”
haikaiss - “camaleão” (no começo do ano os rappers
lançaram também o clipe de “existência”,
bem mais prosaico)
junio barreto - “passione”
lirinha, angela rô rô
& otto - “valete” (e ainda “ah se não fosse o amor” e “sistema lacrimal”)
lucas santtana - “o deus que devasta mas também cura”
(outras música do excelente disco de lucas, “para onde irá essa noite?”, também
ganhou clipe)
lurdez da luz - “levante”
mallu magalhães -
“velha e louca” (outras duas músicas
do seu disco de 2011, “sambinha bom”
e “baby i'm sure”, ganharam vídeos,
sendo que o último feito pelo maridão marcelo camelo)
marcelo jeneci - “pra sonhar”
max b.o. - “fábrica de rap”
negro leo - “jovem tirano príncipe besta”
o terno - “66”
racionais mcs - “mil faces de um homem leal (marighella)”
(prestes a lançar mais um esperado disco de inéditas, o quarteto também lançou
o clipe de “mente do vilão”)
silva - “a visita”
thiago pethit - “pas de deux” (e, pouco antes, lançou outro
clipe de uma música do seu primeiro disco, “não se vá”)
tono - “samba do blackberry”
tulipa ruiz - “é” (também rolou um clipe caseiro de “memória fora de hora”, música que gravou
no tributo à marina lima lançado em 2011)
vanguart - “mi vida eres tu”
MENÇÃO HONROSA #01. sou fã assumido do letuce e o segundo disco (manja perene) da dupla-casal deixou
marcas profundas em mim e no meu ano de 2012. mas tem outra coisa admirável
neles: seus vídeos caseiros. imagens de viagens, do cotidiano, um ultrassom, coisas
da internet, gif animados, qualquer coisa vira clipe e assim sendo nasceram os vídeos
de “areia fina”, “medo de baleia”, “ninguém muda ninguém”, “sempre tive perna” e “loteria”.
MENÇÃO HONROSA #02. não gosto de funk ostentação
e acho os clipes tão repetitivos quanto as músicas, mas é admirável o trabalho
de konrad “kondzilla” dantas. o cara criou
e ampliou, em apenas dois anos, todo o imaginário visual de um gênero musical crescentemente
popular.
MENÇÃO HONROSA #03. fora os clipes produzidos pelos próprios
artistas também rolam outros que aparecem em séries independentes ou patrocinadas
na internet e em programas de tv. destaco aqui a segunda temporada da série compacto, a estreia da versão
brasileira de meet the
legends (com emicida & wilson das neves, elza soares & garotas
suecas, luiz melodia & karol konká, jards macalé & dorgas, jorge
mautner & tulipa ruiz), o inescapável música de bolso (mesmo que
atualizando menos), o inspirado don’t
touch my karaoke, o projeto
in.casa (com gente como barbara eugênia, pélico e romulo fróes cantando acusticamente
em suas próprias casas) e os programas televisivos cada canto
(canal brasil), cantoras do
brasil (canal brasil) e som
brasil (tv globo).
Marcadores:
anos 2010,
céu,
clipe,
don l,
emicida,
felipe cordeiro,
internet,
letuce,
lirinha,
lista,
mallu magalhães,
música,
racionais mcs,
retrospectiva,
retrospectiva 2012,
tulipa ruiz,
videoclipe,
vimeo,
youtube
terça-feira, 7 de agosto de 2012
você quer um coração tonto?
que fase essa de clipes nacionais, que fase... depois de
todos esses que saíram em julho – e que coloquei nas postagens “crítica
social no balanço”, “a postos”
e “sonhos
legais e ilegais” – teve márcia
castro & hélio flanders (“29 beijos”), madrid (“sad song”), banda gentileza (“quem me dera”), super stereo surf (“clipe vertical”) e agora surgiu
“valete”, do primeiro disco solo de lirinha
(ex-cordel).
a direção é de lírio ferreira, em parceria com natara ney, e
participam ângela ro ro e otto, as vozes que acompanham lirinha nessa música absurdamente bonita. detalhe: lírio ferreira, que dirigiu longas como baile
perfumado e árido movie, também esteve esse ano atrás das câmeras do clipe de
“passione”, de junio
barreto.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
os 25 discos brasileiros de 2011 + bônus
agora chegamos ao brasil, tudo muito mais próximo, mais quente, etc. e tal. sinceramente achei que foi um ano bem bom por essas bandas, infinitamente superior ao ano dos estrangeiros: muita surpresa, vários discos bons de cabo a rabo, variadão de verdade. foi difícil, bati cabeça, mas aqui estão os 25 principais lançamentos brasileiros segundo a gerência.
academia da berlinda – olindance (independente)
anelis – sou suspeita estou sujeita não sou santa (scubidu records)
arthur de faria e seu conjunto – música para ouvir sentado (casa de francisca/natura)
bambas 2 (soul city/natura/universal)
bixiga 70 (traquitana discos)
caçapa – elefantes na rua nova (garganta records)
criolo – nó na orelha (matilha cultural)
felipe cordeiro – kitsch pop cult (independente)
domenico – cine privê (coqueiro verde)
gal costa – recanto (universal)
gui amabis – memórias luso-africanas (independente)
karina buhr – longe de onde (coqueiro verde)
kassin – sonhando devagar (coqueiro verde)
kiko dinucci, juçara marçal e thiago frança – metá metá (desmonta/circus produções)
leandro lehart – ensaio de escola de samba (independente)
lirinha – lira (independente)
marcelo camelo – toque dela (universal)
momo – serenade of a sailor (pimba/tratore)
pélico – que isso fique entre nós (yb music)
rodrigo ogi – crônicas da cidade cinza (independente)
romulo fróes, kiko dinucci, marcelo cabral e rodrigo campos – passo torto (yb music/phonobase)
são paulo underground – três cabeças loucuras (submarine records)
seu jorge – músicas para churrasco vol. 1 (cafuné/universal)
wado – samba 808 (independente)
zé miguel wisnik – indivisível (circus produções)
e aí? algum destaque? eu poderia facilmente eleger o nó na orelha do criolo como o disco do ano, afinal foi a grande história musical de 2011 (muita música boa, grandes arranjos, intérprete da pesada e por aí vai), mas resolvi destacar os discos que emplacaram mais músicas na minha memória afetiva: sou suspeita estou sujeita não sou santa, bambas 2, nó na orelha, lira, serenade of a sailor e samba 808.
claro que a história não acaba aí (como visto na lista gringa) e agora seguem outros 15 discos que também merecem (e muito) ser ouvidos.
adriana calcanhotto – o micróbio do samba (sony music)
autoramas – música crocante (coqueiro verde)
china – moto contínuo (joinha records/trama virtual)
cida moreira – a dama indigna (jóia moderna)
eddie – veraneio (pogo tropical/soul city)
emicida – doozicabraba e a revolução silenciosa (independente)
emiliano castro – kanimambo (independente)
mallu magalhães – pitanga (agência de música/sony music)
marginals (independente)
marisa monte – o que você quer saber de verdade (phonomotor/emi)
me & the plant – the romantic journeys of pollem (independente)
mundo livre s/a – as novas lendas da etnia toshi babaa (coqueiro verde)
romulo fróes – um labirinto em cada pé (yb music)
savave – versão extendida (independente)
slim rimografia & thiago beats – mais que existir (independente)
não é de hoje que as grandes gravadoras deixaram de frequentar listas como essa de melhores do ano. além de escolherem quase unicamente a saída do mercado, as majors tem lançado cada vez menos, o que deixa espaço livre, escancarado, a novos jeitos de tratar música. já faz um tempinho que os independentes são maioria nas minhas listas, mas de qualquer forma foi surpreendente olhar na lista e ver vários títulos de dois selos “pequenos”: o carioca coqueiro verde e o paulistano yb music. ambos emplacaram discos em todas as categorias, tanto na dos 25 principais, quanto na dos outros 15 e na lista-monstro que agora segue.
agridoce (vigilante/deckdisc); apanhador só (acústico-sucateiro, independente); ava (diurno, warner); azymuth (aurora, far out recordings); blubell (eu sou do tempo em que a gente se telefonava, yb music); bonifrate (um futuro inteiro, independente); caldo de piaba (volume 3, independente); camarones orquestra guitarrística (espionagem industrial, independente); celso fonseca & ronaldo bastos (liebe paradiso, dubas); che (papagaio's fever, somzera/yb music); chico buarque (chico, biscoito fino); chimpanzé clube trio (tudo veio do nada, independente); cícero (músicas de apartamento, independente); copacabana club (tropical splash, st2 records); css (la liberación, v2/universal); daniel peixoto (mastigando humanos, fora do eixo discos); doncesão (bem vindo ao circo, independente); douglas germano (orí, bac discos); eletrofan (day sky/night sky, el sonora/mutant records); elo da corrente (o sonho dourado da família, independente); erasmo carlos (sexo, coqueiro verde); eta carinae (novos sons e tradições mudernizadas, independente); fabio goés (o destino vestido de noiva, phonobase); faria & mori (outro lugar, reco-head records); flávio renegado (minha tribo é o mundo, independente); funk como le gusta (a cura pelo som, radar records); hamilton de holanda & andre mehmari (gismontipascoal, brasilianos); ivor lancellotti (em boas e más companhias, dubas música), jards macalé (jards, biscoito fino); júlia says (violência, independente); junio barreto (setembro, independente); léo cavalcanti (religar, traquitana discos/yb music); literalmente loucas – elas cantam marina lima (jóia moderna); los porongas (o segundo depois do silêncio, baritone records); macaco bong (verdão e verdinho EP, independente); mariana aydar (cavaleiro selvagem aqui te sigo, universal); marina lima (clímax, liberta records); mopho (volume 3, pisces records); naná rizzini (i said, independente); nevilton (de verdade, sombrero/fora do eixo discos); nuda (amarénenhuma, independente); panorama do choro paulistano contemporâneo (pôr do som/atração); pedro luís (tempo de menino, mp,b/universal); pio lobato (café 2, lado p); pipo pegoraro (táxi imã, yb music); projota (não há Lugar melhor no mundo que o nosso lugar, independente); rael da rima (música popular do 3º mundo, trama virtual); rafael castro (rc canta rc EP, traquitana discos); rashid (dádiva e dívida, independente); rubinho troll (stinkin like a brazilian, independente); silva (silva EP, independente); silvério pessoa (no grau, independente); sobrado 112 (sobrado 112 no país da skapolca, oi música); tibério azul (bandarra, joinha records); tiê (a coruja e o coração, warner); tonho crocco (o lado brilhante da lua, momo king records); vanguart (boa parte de mim vai embora, vigilante/deckdisc); xará (além da razão, independente).
alguns adendos se fazem necessários. dessa ruma, dez discos só não entraram nas listas principais porque a concorrência foi pesada (não coincidentemente todos emplacaram músicas entre as melhores como será lido/ouvido na próxima lista). são eles chimpanzé clube trio (tudo veio do nada), cícero (músicas de apartamento), css (la liberación), douglas germano (orí), junio barreto (setembro), pio lobato (café 2), literalmente loucas – elas cantam marina lima, mariana aydar (cavaleiro selvagem aqui te sigo), sobrado 112 (sobrado 112 no país da skapolca) e vanguart (boa parte de mim vai embora).
três discos/artistas foram decepções semi profundas para o que sempre espero deles: o chico de chico buarque (careta, sei lá, não quero falar nisso), o sexo de erasmo carlos (achei o anterior, rock’n’roll, tão mais intenso) e o jards de jards macalé (alguém pode fazê-lo parar de regravar as mesmas de sempre? se ele não fosse tão genial até nas repetições e eu tão fã...)
também me “decepcionei” – assim entre aspas mesmo porque gostei de todos os discos nessa lista, afinal os ruins e os não ouvidos estão em algum outro lugar - com outros três, mas pelas expectativas criadas nos ótimos trabalhos anteriores, os de estréia. esperei mais de blubell (eu sou do tempo em que a gente se telefonava), fabio goés (o destino vestido de noiva) e tiê (a coruja e o coração), mas aí é coisa minha. de qualquer forma listas são aquela coisa: um dia antes ou um dia depois e a ordem das coisas poderia muito bem ser outra.
p.s. 1: não fiz uma seleção de dvds musicais, mas não poderia encerrar esse post sem citar o excelente caixa de ódio – o universo de lupicínio rodrigues (casa de francisca/canal brasil), registro inspirado de shows de arrigo barnabé entortando à la tom waits as músicas de fossa do grande compositor gaúcho.
p.s. 2: também não poderia deixar de mencionar o grande programa musical televisivo de 2011, o grêmio recreativo (apesar que o som brasil da tv globo continua aprontando algumas ótimas surpresas como gaby amarantos na homenagem a zezé di camargo & luciano). mas nesse grêmio comandado por arnaldo antunes aconteceram grandes encontros, misturas inusitadas, novos e velhos hits, tudo muito bem filmado. a lista dos convidados dos dez episódios da primeira temporada é gigante e afiadíssima, mas separei um dos muitos pontos altos do programa. afinal, foi nele que conheci a maviosa "dia a dia, lado a lado", com marcelo jeneci, tulipa ruiz e grande elenco.
academia da berlinda – olindance (independente)
anelis – sou suspeita estou sujeita não sou santa (scubidu records)
arthur de faria e seu conjunto – música para ouvir sentado (casa de francisca/natura)
bambas 2 (soul city/natura/universal)
bixiga 70 (traquitana discos)
caçapa – elefantes na rua nova (garganta records)
criolo – nó na orelha (matilha cultural)
felipe cordeiro – kitsch pop cult (independente)
domenico – cine privê (coqueiro verde)
gal costa – recanto (universal)
gui amabis – memórias luso-africanas (independente)
karina buhr – longe de onde (coqueiro verde)
kassin – sonhando devagar (coqueiro verde)
kiko dinucci, juçara marçal e thiago frança – metá metá (desmonta/circus produções)
leandro lehart – ensaio de escola de samba (independente)
lirinha – lira (independente)
marcelo camelo – toque dela (universal)
momo – serenade of a sailor (pimba/tratore)
pélico – que isso fique entre nós (yb music)
rodrigo ogi – crônicas da cidade cinza (independente)
romulo fróes, kiko dinucci, marcelo cabral e rodrigo campos – passo torto (yb music/phonobase)
são paulo underground – três cabeças loucuras (submarine records)
seu jorge – músicas para churrasco vol. 1 (cafuné/universal)
wado – samba 808 (independente)
zé miguel wisnik – indivisível (circus produções)
e aí? algum destaque? eu poderia facilmente eleger o nó na orelha do criolo como o disco do ano, afinal foi a grande história musical de 2011 (muita música boa, grandes arranjos, intérprete da pesada e por aí vai), mas resolvi destacar os discos que emplacaram mais músicas na minha memória afetiva: sou suspeita estou sujeita não sou santa, bambas 2, nó na orelha, lira, serenade of a sailor e samba 808.
claro que a história não acaba aí (como visto na lista gringa) e agora seguem outros 15 discos que também merecem (e muito) ser ouvidos.adriana calcanhotto – o micróbio do samba (sony music)
autoramas – música crocante (coqueiro verde)
china – moto contínuo (joinha records/trama virtual)
cida moreira – a dama indigna (jóia moderna)
eddie – veraneio (pogo tropical/soul city)
emicida – doozicabraba e a revolução silenciosa (independente)
emiliano castro – kanimambo (independente)
mallu magalhães – pitanga (agência de música/sony music)
marginals (independente)
marisa monte – o que você quer saber de verdade (phonomotor/emi)
me & the plant – the romantic journeys of pollem (independente)
mundo livre s/a – as novas lendas da etnia toshi babaa (coqueiro verde)
romulo fróes – um labirinto em cada pé (yb music)
savave – versão extendida (independente)
slim rimografia & thiago beats – mais que existir (independente)
não é de hoje que as grandes gravadoras deixaram de frequentar listas como essa de melhores do ano. além de escolherem quase unicamente a saída do mercado, as majors tem lançado cada vez menos, o que deixa espaço livre, escancarado, a novos jeitos de tratar música. já faz um tempinho que os independentes são maioria nas minhas listas, mas de qualquer forma foi surpreendente olhar na lista e ver vários títulos de dois selos “pequenos”: o carioca coqueiro verde e o paulistano yb music. ambos emplacaram discos em todas as categorias, tanto na dos 25 principais, quanto na dos outros 15 e na lista-monstro que agora segue.
agridoce (vigilante/deckdisc); apanhador só (acústico-sucateiro, independente); ava (diurno, warner); azymuth (aurora, far out recordings); blubell (eu sou do tempo em que a gente se telefonava, yb music); bonifrate (um futuro inteiro, independente); caldo de piaba (volume 3, independente); camarones orquestra guitarrística (espionagem industrial, independente); celso fonseca & ronaldo bastos (liebe paradiso, dubas); che (papagaio's fever, somzera/yb music); chico buarque (chico, biscoito fino); chimpanzé clube trio (tudo veio do nada, independente); cícero (músicas de apartamento, independente); copacabana club (tropical splash, st2 records); css (la liberación, v2/universal); daniel peixoto (mastigando humanos, fora do eixo discos); doncesão (bem vindo ao circo, independente); douglas germano (orí, bac discos); eletrofan (day sky/night sky, el sonora/mutant records); elo da corrente (o sonho dourado da família, independente); erasmo carlos (sexo, coqueiro verde); eta carinae (novos sons e tradições mudernizadas, independente); fabio goés (o destino vestido de noiva, phonobase); faria & mori (outro lugar, reco-head records); flávio renegado (minha tribo é o mundo, independente); funk como le gusta (a cura pelo som, radar records); hamilton de holanda & andre mehmari (gismontipascoal, brasilianos); ivor lancellotti (em boas e más companhias, dubas música), jards macalé (jards, biscoito fino); júlia says (violência, independente); junio barreto (setembro, independente); léo cavalcanti (religar, traquitana discos/yb music); literalmente loucas – elas cantam marina lima (jóia moderna); los porongas (o segundo depois do silêncio, baritone records); macaco bong (verdão e verdinho EP, independente); mariana aydar (cavaleiro selvagem aqui te sigo, universal); marina lima (clímax, liberta records); mopho (volume 3, pisces records); naná rizzini (i said, independente); nevilton (de verdade, sombrero/fora do eixo discos); nuda (amarénenhuma, independente); panorama do choro paulistano contemporâneo (pôr do som/atração); pedro luís (tempo de menino, mp,b/universal); pio lobato (café 2, lado p); pipo pegoraro (táxi imã, yb music); projota (não há Lugar melhor no mundo que o nosso lugar, independente); rael da rima (música popular do 3º mundo, trama virtual); rafael castro (rc canta rc EP, traquitana discos); rashid (dádiva e dívida, independente); rubinho troll (stinkin like a brazilian, independente); silva (silva EP, independente); silvério pessoa (no grau, independente); sobrado 112 (sobrado 112 no país da skapolca, oi música); tibério azul (bandarra, joinha records); tiê (a coruja e o coração, warner); tonho crocco (o lado brilhante da lua, momo king records); vanguart (boa parte de mim vai embora, vigilante/deckdisc); xará (além da razão, independente).
alguns adendos se fazem necessários. dessa ruma, dez discos só não entraram nas listas principais porque a concorrência foi pesada (não coincidentemente todos emplacaram músicas entre as melhores como será lido/ouvido na próxima lista). são eles chimpanzé clube trio (tudo veio do nada), cícero (músicas de apartamento), css (la liberación), douglas germano (orí), junio barreto (setembro), pio lobato (café 2), literalmente loucas – elas cantam marina lima, mariana aydar (cavaleiro selvagem aqui te sigo), sobrado 112 (sobrado 112 no país da skapolca) e vanguart (boa parte de mim vai embora).
três discos/artistas foram decepções semi profundas para o que sempre espero deles: o chico de chico buarque (careta, sei lá, não quero falar nisso), o sexo de erasmo carlos (achei o anterior, rock’n’roll, tão mais intenso) e o jards de jards macalé (alguém pode fazê-lo parar de regravar as mesmas de sempre? se ele não fosse tão genial até nas repetições e eu tão fã...)
também me “decepcionei” – assim entre aspas mesmo porque gostei de todos os discos nessa lista, afinal os ruins e os não ouvidos estão em algum outro lugar - com outros três, mas pelas expectativas criadas nos ótimos trabalhos anteriores, os de estréia. esperei mais de blubell (eu sou do tempo em que a gente se telefonava), fabio goés (o destino vestido de noiva) e tiê (a coruja e o coração), mas aí é coisa minha. de qualquer forma listas são aquela coisa: um dia antes ou um dia depois e a ordem das coisas poderia muito bem ser outra.
p.s. 1: não fiz uma seleção de dvds musicais, mas não poderia encerrar esse post sem citar o excelente caixa de ódio – o universo de lupicínio rodrigues (casa de francisca/canal brasil), registro inspirado de shows de arrigo barnabé entortando à la tom waits as músicas de fossa do grande compositor gaúcho.
p.s. 2: também não poderia deixar de mencionar o grande programa musical televisivo de 2011, o grêmio recreativo (apesar que o som brasil da tv globo continua aprontando algumas ótimas surpresas como gaby amarantos na homenagem a zezé di camargo & luciano). mas nesse grêmio comandado por arnaldo antunes aconteceram grandes encontros, misturas inusitadas, novos e velhos hits, tudo muito bem filmado. a lista dos convidados dos dez episódios da primeira temporada é gigante e afiadíssima, mas separei um dos muitos pontos altos do programa. afinal, foi nele que conheci a maviosa "dia a dia, lado a lado", com marcelo jeneci, tulipa ruiz e grande elenco.
Marcadores:
anelis assumpção,
arrigo barnabé,
bid,
brasil-sil,
criolo,
download,
internet,
lirinha,
momo,
música,
retrospectiva,
retrospectiva 2011,
wado
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
letra/música #25
o ano tá acabando, muita coisa acontecendo, e ainda não consegui ouvir com a devida atenção alguns dos últimos lançamentos musicais brasileiros. no entanto, os acontecimentos do início da semana acabaram me dando esse tempo. ouvi mais vezes eddie (veraneio) e china (moto-contínuo), discos que tinham me parecido legais nas primeiras audições e que cresceram bastante; me surpreendi com os cariocas do me & the plant (the romantic journeys of pollen); confirmei que o junio barreto (setembro) é apenas bom, um tanto repetitivo e sem grandes músicas; o wado (samba 808) tá excepcional, bem como o bambas 2 e os instrumentais do bixiga 70 (bixiga 70), caçapa (elefantes na rua nova), arthur de faria & seu conjunto (música para ouvir sentado) e são paulo underground (três cabeças loucuras); karina buhr (longe de onde) continua mandando muito bem; e ainda tenho pela frente autoramas (música crocante), ava (diurno), o agridoce da pitty e celso fonseca & ronaldo bastos (liebe paradiso), entre outros. não ouvi o da marisa monte, por exemplo, e o esperado disco novo da gal costa tá chegando agora aos 47 do segundo tempo para as listas de melhores do ano (daqui há pouco elas chegam por aqui também).
nenhum desses me causou tanto espanto (no bom sentido) quanto o lira (independente, 2011), de lirinha, ex-cordel do fogo encantado. acho que demorei pra ouví-lo por causa exatamente do cordel, um grupo que eu mais respeitava que gostava. me incomodava o tom apocaliptico-profetico e a falta de música, era tudo muito pesado. e o que lirinha iria aprontar sozinho? coloquei o disco pra tocar e logo tomei um tapão nas ideias com a linda faixa de abertura, "ah, se não fosse o amor". poesia, força, sentido pop/rock e um tanto de surpresas. e vieram outras músicas sensacionais como "adebayor", "ela vai dançar" (parceria com fábio trummer, do eddie, e também registrada em veraneio), "noite fria", "sidarta", "memória" e "valete". porra, "valete"!
cantada a três vozes - simplesmente angela ro ro, otto e lirinha -, "valete" é uma canção de amor, de fim de amor, e essas vozes formam uma colcha de retalhos de sensações e pensamentos sobre esse fim. uma sobre a outra, uma comentando a outra, uma loucura de significados. a música, também de lirinha, é épica e dramaticamente romântica, e o produtor pupillo (nação zumbi) a veste de teclados, guitarras com efeitos e percussão da pesada. aliás, a produção de pupillo para o disco é uma maravilha a parte, discreta, simples, cheia de pegada e muito variada. enfim, ouça o disco todo e procure suas próprias surpresas, mas "valete", porra, "valete" é outro nível de mil grau.
valete (josé paes de lira)
angela
vê
vou te contar minha paixão por um valete de paus
e ele vivia aqui na minha mão
lira
vê quanta força há!
angela
até que um dia o vento carregou
lira
carregou, carregou
angela
revirou, suspendeu o meu amor
lira
você quer um coração tonto?
angela
carregou, carregou pra nunca mais voltar
lira
só é preciso soprar, só soprar
otto
menos mal, menos mal
fica o cheiro do perfume que quebrou
fica mais
a saudade é, a verdade é
otto & lira
que plantei e cresceu, vá buscar
eu disse, vá buscar
angela
vê
meu coração se deslocou por um valete de paus
lira
é a carta de um baralho
angela
e ele circula aqui seguindo planos
e os pés descalços entre as armadilhas
e bebe a noite como quem bebe água
levanta o corpo e se quebra em ondas
otto & lira
sei ganhar, sei perder
otto
dentro deste, outro este
otto & lira
desconcerto de papel
otto
não sei nada, não li nada
otto & lira
só joguei e rodei sem parar
lira
escorrer pela tampa e molhar
p.s.: além de otto e angela ro ro, lira conta ainda com as participações cirúrgicas de fernando catatau, maestro forró, lula cortês, duani, luisa maita e junio barreto.
nenhum desses me causou tanto espanto (no bom sentido) quanto o lira (independente, 2011), de lirinha, ex-cordel do fogo encantado. acho que demorei pra ouví-lo por causa exatamente do cordel, um grupo que eu mais respeitava que gostava. me incomodava o tom apocaliptico-profetico e a falta de música, era tudo muito pesado. e o que lirinha iria aprontar sozinho? coloquei o disco pra tocar e logo tomei um tapão nas ideias com a linda faixa de abertura, "ah, se não fosse o amor". poesia, força, sentido pop/rock e um tanto de surpresas. e vieram outras músicas sensacionais como "adebayor", "ela vai dançar" (parceria com fábio trummer, do eddie, e também registrada em veraneio), "noite fria", "sidarta", "memória" e "valete". porra, "valete"!
cantada a três vozes - simplesmente angela ro ro, otto e lirinha -, "valete" é uma canção de amor, de fim de amor, e essas vozes formam uma colcha de retalhos de sensações e pensamentos sobre esse fim. uma sobre a outra, uma comentando a outra, uma loucura de significados. a música, também de lirinha, é épica e dramaticamente romântica, e o produtor pupillo (nação zumbi) a veste de teclados, guitarras com efeitos e percussão da pesada. aliás, a produção de pupillo para o disco é uma maravilha a parte, discreta, simples, cheia de pegada e muito variada. enfim, ouça o disco todo e procure suas próprias surpresas, mas "valete", porra, "valete" é outro nível de mil grau.
valete (josé paes de lira)
angela
vê
vou te contar minha paixão por um valete de paus
e ele vivia aqui na minha mão
lira
vê quanta força há!
angela
até que um dia o vento carregou
lira
carregou, carregou
angela
revirou, suspendeu o meu amor
lira
você quer um coração tonto?
angela
carregou, carregou pra nunca mais voltar
lira
só é preciso soprar, só soprar
otto
menos mal, menos mal
fica o cheiro do perfume que quebrou
fica mais
a saudade é, a verdade é
otto & lira
que plantei e cresceu, vá buscar
eu disse, vá buscar
angela
vê
meu coração se deslocou por um valete de paus
lira
é a carta de um baralho
angela
e ele circula aqui seguindo planos
e os pés descalços entre as armadilhas
e bebe a noite como quem bebe água
levanta o corpo e se quebra em ondas
otto & lira
sei ganhar, sei perder
otto
dentro deste, outro este
otto & lira
desconcerto de papel
otto
não sei nada, não li nada
otto & lira
só joguei e rodei sem parar
lira
escorrer pela tampa e molhar
p.s.: além de otto e angela ro ro, lira conta ainda com as participações cirúrgicas de fernando catatau, maestro forró, lula cortês, duani, luisa maita e junio barreto.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
é de graça, meu rei!
cada vez mais comum ver artistas brasileiros, muito independentes sim senhor, disponibilizando seus novos trabalhos para download gratuito. aproveitei a deixa de três novidades - os igualmente excelentes discos de wado (samba 808), karina buhr (longe de onde) e junio barreto (setembro) - para fazer uma lista com 15 discos nacionais lançados dessa forma no decorrer do ano. tem mais coisa, claro, mas essa selecta dá uma boa ideia da alta qualidade e diversidade do que temos ouvido por aqui.
8. pélico (que isso fique entre nós)
11. eta carinae (novos sons e tradições mudernizadas)
12. rael da rima (música popular do 3º mundo)
8. pélico (que isso fique entre nós)
11. eta carinae (novos sons e tradições mudernizadas)
12. rael da rima (música popular do 3º mundo)
Marcadores:
academia da berlinda,
bonifrate,
camarones,
china,
download,
emicida,
eta carinae,
internet,
junio barreto,
karina buhr,
lirinha,
nuda,
pélico,
rafael castro,
romulo fróes,
wado
Assinar:
Postagens (Atom)



















