sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
noir brega
terça-feira, 23 de agosto de 2011
a felicidade segundo marcelo jeneci
jeneci e laura lavieri lançaram o video ontem no mtv na brasa, programa comandado pelo igualmente pernambucano china, e lá afirmaram que desejam exibí-lo na praça central de sairé junto com um documentário que fizeram com a família e que ainda está sendo finalizado.
domingo, 14 de agosto de 2011
mano brown assim assado
quarta-feira, 27 de julho de 2011
chico, apenas chico
Chico - "Dia Voa" from Chico Buarque: Bastidores
pra não dizer que não gostei de nada, achei bonita a última faixa, "sinhá", um afrosamba dolorido. e só. a música é parceria de chico com joão bosco, que toca violão e faz uns vocais.
Chico: Bastidores - Clipe "Sinhá" from Chico Buarque: Bastidores
p.s. 1: no mais, engraçado comparar o chico do disco chico com sua participação em "embebedado", uma das faixas de indivisível de zé miguel wisnik (assunto de um recente letra/música). o arranjo da música tem poucos instrumentos, mas seus poucos minutos são mais modernos que o disco inteiro do chico. mais engraçado ainda é acompanhar as piruetas intelectuais do violonista arthur nestrovski, músico presente em quase todas as faixas do disco duplo de wisnik, ao defender chico no estadão.
p.s. 2: quase ia esquecendo de colocar um dos trechos mais divertidos desses bastidores filmados (e que não está no dia voa). é quando chico comenta e racha o bico com a descoberta dessa tal internet (e desse pessoal que povoa as caixas de comentários).
Video do dia: Comentários na Internet from Chico Buarque: Bastidores on Vimeo
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
dois marcelos
via bebel prates no facebook.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
feliz natal e aquela coisa toda
e como o natal é esse período de união e festividades decidi incluir uma faixa bônus nesse post (e tal qual o video acima, recentemente produzida). o joão brasil, em seu projeto 365 mashups, pegou "dar-te-ei" do jeneci e misturou com "maria gasolina", hit da primeira formação do bonde do rolê. ho-ho-ho.
Dar-Te-Ei Gasolina (João Brasil) by joaobrasil
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
cadê a peruca de crina de cavalo do ney?
SANGUE E PAIXÃO
Camaleão em pele de sofisticado artista pop, Ney Matogrosso está muito próximo de completar 70 anos. Não parece, claro. Nem ao telefone, com sua voz tranquila, bem humorada e límpida, e muito menos no palco, espaço que domina como poucos há quatro décadas. Quem já o viu saracoteando ao vivo sabe de sua intensidade e magnetismo. Ninguém é Ney Matogrosso à toa e seu mais recente show, Beijo Bandido, é uma nova prova disso. Gravada em agosto, na reabertura do reformado Theatro Municipal carioca, a apresentação chega ao Canal Brasil com toda a energia do ex-integrante da lendária banda Secos & Molhados aliada a uma recém-descoberta maturidade artística.
“Acho que estou mais maduro na forma. Antes era uma coisa muito aleatória. Agora vou entendendo e procurando dar uma continuidade na história. Antigamente não era assim: eu entrava, caía naquela loucura e ia até o final sem muita preocupação com a forma. Agora estou conduzindo mais a história e antes era conduzido.” E o show Beijo Bandido, que ganhou este nome por causa do elogiado disco de 2009, é conduzido como uma história romântica cheia de cores e possibilidades, e como sempre esbarrando no erotismo, no qual cabem músicas de veteranos como Luiz Bonfá (“De Cigarro em Cigarro”), Herivelto Martins (“Segredo”), Roberto e Erasmo Carlos (“À Distância”) e Vinicius de Moraes (“Medo de Amar”), mas também de jovens como Herbert Vianna (“Nada por Mim”), Vitor Ramil (“Invento”), Junior Almeida (“A Cor do Desejo”) e Cazuza (“Mulher Sem Razão”).
Curioso é que este repertório repleto de corações partidos nasceu de um estímulo, digamos assim, político-ambiental. Ney explica melhor: “Esse trabalho surgiu porque a Lucélia Santos me ligou dizendo que era aniversário de morte do Chico Mendes – e a única passeata que fui na minha vida foi uma com ele pela defesa da Amazônia. A Lucélia também participou e como sabia que eu tinha essa ligação me perguntou se não queria fazer um show. Comecei a pensar e fui vendo que começou a aparecer um repertório romântico, mas achei que tudo bem. Quero sempre cantar o que gosto, independente do que for.”
O bom dessa autonomia é que Ney gosta de muita coisa e está sempre de ouvidos abertos. Em discos recentes como Olhos de Farol (1999), Vagabundo (2004, feito em parceria com Pedro Luís e a Parede) e Inclassificáveis (2008), o intérprete mostrou a seus fãs que a música popular brasileira continua pulsante no cancioneiro de gente como Itamar Assumpção, Marcelo Camelo, André Abujamra e Luiz Tatit. Mas obviamente nunca deixa de lado as vozes que aprendeu a amar ouvindo o rádio da década de 1950. E dá-lhe Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso e Ângela Maria.
De terno sóbrio e justo, o cantor investiga em Beijo Bandido os sobressaltos do amor, mas atualmente ele mesmo não tem o que reclamar desse campo permanentemente minado. Não revela nada, discreto como sempre, mas sua voz deixa escapar sinais de felicidade. Bem, pode ser também porque virou unanimidade nacional e só faz os discos e shows que quer. “Olha, quando vi o show gravado vi que é o primeiro que realmente... tem alguns outros que gosto, mas esse me satisfez artisticamente. Já vi duas vezes e tive muito prazer ao vê-lo.” Se Ney, autocrítico que é, repetiu a dose, imagine a gente...
e agora segue a breve entrevista na íntegra.
Como nascem seus discos? Cada um tem uma história diferente ou você já tem um método na escolha de repertório?
Nascem de várias maneiras, por vários estímulos. Esse, por exemplo, surgiu porque a Lucélia Santos me ligou dizendo que era aniversário de morte do Chico Mendes – e a única passeata que eu fui na minha vida inteira foi uma com o Chico aqui no Rio de Janeiro pela defesa da Amazônia. A Lucélia também participou e como sabia que eu tinha essa ligação me perguntou se não queria fazer um show para o aniversário da morte dele no Teatro Tom Jobim. Estava fazendo o show “Inclassificáveis”, mas ele não cabia lá, então comecei a pensar em outro show. Fui vendo que começou a aparecer um repertório romântico, mas achei que tudo bem. Quero sempre cantar o que gosto, independente de ser o que for. Quando terminei fui falar com ela, que ficou espantada e disse que “não era um show inteiro!”. Aí respondi que era tarde demais [risos]. Mas no dia cantei 6 das 14 músicas desse show. Depois de gravar o disco coloquei mais 5 para montar o show definitivo, porque 14 é pouco para um show.
E quando você está montando o repertório já pensa no show?
Penso. Penso. Não consigo disso dissociar. Quando começo a gravar um disco já começo a imaginar como será o espírito da coisa ao vivo. Claro que só depois vou entender como a coisa vai ser, mas já vou tendo idéias pra frente.
Acontece então de músicas ficarem de fora se você acha que não terão força ao vivo?
Sim, podem ficar de fora. Como também podem entrar outras. Depois dessa apresentação no Teatro Tom Jobim fiz outros três shows em lugares diferentes para públicos muito diferentes. Queria observar a reação dessas pessoas ao repertório e em função disso tirei “Veleiros” (Heitor Villa-Lobos) e “Tema de Amor de Gabriela” (Tom Jobim), que ficavam no meio do show e acabavam dando uma amornada. Aí gravei o disco sem elas e acabei colocando outras no lugar. Achei que podia colocar alguma coisa mais pop no disco e não ficar apenas nos clássicos, sabe? Então coloquei “Nada por Mim” (Herbert Vianna e Paula Toller) e “A Cor do Desejo”, que é de um compositor de Maceió, o Junior Almeida (em parceria com Ricardo Guima). Achei que o show ficou mais equilibrado. Tirou aquela cara de recital apenas. Continua sendo um recital, mas ele é pop no sentido que canto um tango, um Piazzolla, um bolero, uma música do Roberto Carlos que queria cantar faz muito tempo (“À Distância”), alternando climas. Embora a temática romântica seja a mesma.
Você mudou no palco nos últimos anos?
Acho que estou mais maduro na forma. Antes era uma coisa muito aleatória. Agora eu vou entendendo e procurando dar uma continuidade na história. Antigamente não era assim: eu entrava, caía naquela loucura e ia até o final sem muita preocupação com a forma. Agora estou conduzindo mais a história, antes eu era conduzido. É o amadurecimento mesmo. Ah, mas deixa te falar uma coisa que descobri recentemente. Um amigo me mostrou uns livros sobre butô, aquela dança japonesa, e fiquei muito impressionado porque eu me via nas fotos dos livros. Eu me via em cena! Nunca imaginei que eu fizesse butô [risos]. Gostei de saber disso. Claro que não é trágico como o do Kazuo Ohno, mas tem uma coisa similiar.
Essa descoberta te fez pesquisar mais sobre?
É uma descoberta muito recente. Vou fazer um ensaio fotográfico e estou pensando em caminhar exatamente por aí. Tenho uma série de amigos fotógrafos e às vezes faço ensaios sem maiores pretensões. Apenas para entrar no estúdio e curtir. Estou atrás de uma peruca gigante de crina de cavalo que eu tinha... mas não sei, não encontrei. Achei que seria interessante pra esse trabalho. Ia até a cintura e era muito selvagem. Ela cai sobre o rosto, fica em pé no alto da cabeça. Era uma peruca que foi feita pra mim, sabe? [risos] Já usei até em show.
No release diz que o show foi dedicado ao Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN)...
Foram duas noites no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, uma delas para esse projeto. Foi na mesma noite que o [empresário] Eike Batista doou R$ 4,5 milhões para o movimento e... estamos esperando.
Não veio ainda?
Ainda não [risos].
Eike caloteiro... [risos]
Não, imagina...
Tô brincando.
Ele não ia se comprometer publicamente, né? Mas o dinheiro não chegou na mão do movimento...
Mas como começou sua relação com o projeto?
Foi em 2000. Fui procurado por engano porque o Ney Latorraca tinha dado uma entrevista dizendo que ia deixar a herança dele para projetos relacionados a AIDS e a Hanseníase. E aí mandaram procurar o Latorraca e chegaram a mim [risos]. Não foi uma surpresa.
É comum confundirem vocês? [risos]
Acontece muito na rua. As pessoas gritam: “Ê, Ney Latorraca!”. Eu já aceno, nem digo nada [risos]. E ele também acena quando o chamam de Matogrosso.
Olha só, tipo Itamar Assumpção e Luiz Melodia. Gêmeos.
Pode ser. Só que nossos nomes são parecidos. Ambos somos de Mato Grosso. Também tem isso, né?
Então começou assim...
Começou com essa confusão. E eu achava, como 99,9% da população, que essa doença não existia mais no Brasil. Eu achava que não existia mais no mundo! E fiquei muito assustado em saber que o Brasil lidera... temos essa medalha de ouro vergonhosa [nesse ano, segundo a OMS, o Brasil caiu para o segundo lugar e a Índia voltou a liderar]. Comecei a pedir informações e vi que eram extremamente úteis e não estavam disponíveis. Ninguém falava que a doença tem cura, que o remédio é de graça. Informações simples e muito importantes. Aí fui participando de campanhas Brasil afora. Já são dez anos nisso.
E como foi ver o registro do show?
Olha, quando vi o show gravado vi que é o primeiro que realmente... tem outros que gosto, mas esse me satisfez artisticamente. O pessoal que filmou, a Urca Filmes, fez algumas intervenções visuais que me agradaram muito. Já vi duas vezes e tive muito prazer ao vê-lo.
e pra encerrar, um video raro: ney cantando "desafinado" (tom jobim e newton mendonça) em um especial da tv bandeirantes de 1978.
domingo, 24 de outubro de 2010
domingueira
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
ela toca campainha e sai correndo
nesse tempo, maria rita estava lançado segundo (warner, 2005), um disco agradável e sonoramente próximo a sua ótima estreia em maria rita (warner, 2003). depois desse nosso encontro fulgaz, a cantora se mudou para o rio de janeiro e caiu no samba. achei o terceiro disco da moça, samba meu (warner, 2007), um tanto chato, talvez pelo excesso de composições de arlindo cruz - eu realmente não gosto da escola cacique de ramos, não tem jeito - e por respeitar muito o cânone carioca do samba (fiz resenhas dos três discos para o gafieiras e os link estão em maria rita, segundo e samba meu). no mais, maria rita, que ontem completou 33 anos, continua uma das melhores cantoras da atualidade. e a vida continua.
A CERTEZA DE SER MARIA RITAQuando, há dois anos, a cantora Maria Rita surgiu para o grande público foi com a força de um fenômeno natural, um furacão, um terremoto, um vendaval, e em seu rastro brotaram todo tipo de comentários: produto de gravadora, linda, filha da Elis, produto de marketing, maravilhosa, revelação, filha de César Camargo Mariano, um novo sopro de vida da MPB e assim por diante, para todos os gostos. Muita coisa mudou desde então e Maria Rita tanto ganhou quanto perdeu. Ganhou um filho, Antônio. Ganhou uma legião de fãs de todas as idades, e em mais de 30 países, que levaram as vendas de seu disco de estréia a ultrapassarem as 800 mil cópias. Perdeu o amigo e produtor do primeiro CD, Tom Capone, morto em um acidente nos EUA na noite da entrega do Grammy Latino 2004 (onde Maria Rita, que estava lá, levou três prêmios).
O mundo deu muitas voltas e recentemente deu mais uma paradinha para ver a cantora lançar seu esperado segundo disco, e por isso mesmo intitulado de Segundo (Warner Music). A Maria Rita que se vê hoje não é a estrela distante que se espera, é apenas uma jovem mulher que sofre quando o filho fica doente, cola frases em sua agenda, brinca, grita, fala palavrão e sente uma força inexplicável quando sobe ao palco e enfrenta platéias com desejos e expectativas tão diversas. “Quem sou eu para julgar as interpretações dos outros. também sou uma intérprete”, disse durante a entrevista exclusiva.
O certo é que Maria Rita faz suas escolhas ouvindo a intuição. Foi assim que manteve a sonoridade ao vivo com piano, baixo e bateria dos amigos Tiago Costa, Sylvinho Mazzuca e Cuca Teixeira: “Se eu mudasse falariam que não tenho personalidade e se eu repetisse diriam que estou seguindo uma fórmula”, brincou. Foi assim que voltou a gravar composições de Marcelo Camelo, da banda carioca Los Hermanos, que no primeiro disco emplacou três e agora volta com duas, “Casa pré-fabricada” e a inédita “Despedida”. Foi assim que apostou suas fichas em compositores pouco conhecidos como Rodrigo Maranhão, Edu Tedeschi e Edino Krieger, além de encarar interpretações pessoais dos clássicos “Sobre todas as coisas” (Chico Buarque e Edu Lobo) e “Minha alma (A paz que eu não quero)” (Marcelo Yuka e O Rappa). Foi assim que chamou o ídolo Lenine para co-produzir o disco a seu lado. E foi assim por diante, feliz e certa de suas escolhas, que chegou ao final das gravações de Segundo.
Vendo você nos shows, ouvindo você falar, dá para notar uma postura pessoal bastante discreta. Como é ser assim e ter que lidar com um grande esquema de divulgação que exige superexposição?
É difícil, é algo que gera conflitos mesmo, porque eu realmente sou uma pessoa mais envergonhada, mais caseira. Não gosto muito de falar. E toda essa exposição gera muitos incômodos no dia-a-dia... gente tocando a campainha ou telefonando... mas é claro que é uma escolha. Sou uma artista e quero que as pessoas conheçam meu trabalho, mas é preciso colocar limites. Isso é muito importante.
E onde colocar esse limite?
Também é difícil saber porque uma hora tudo bem e outra hora não. A resposta é vaga... porque sim! Mas a gente também tem que pensar que para a pessoa levantar de onde ela está, respirar fundo... porque, enfim, é um ídolo dela ou é alguém que ela admira... e vir falar exige também uma coragem. Mas ao mesmo tempo vejo palavras minhas numa revista e não disse nada daquilo ou... quem tirou esse foto do meu filho? Quem deu autorização? Eu só trabalho com quem me cobra. Não sou preferencial, preferenciável ou prereferenciada. Não quero isso. Quero que respeitem meu trabalho, e as pessoas com quem trabalho, como respeito o trabalho de todo mundo.
E como foi esse aprendizado de lidar com todas essas questões?
Como tudo aconteceu muito rápido no primeiro disco, foi uma coisa meio no susto, não tive muito tempo para digerir. É assim? Então tá! Mas é um aprendizado diário. Chegou um momento na turnê do primeiro disco que não conseguia dormir, não conseguia sair com os amigos, namorar, tava fazendo mal a minha saúde. Foi muito delicado. E ao mesmo tempo você tá no meio disso tudo e não dá pra parar porque tem gente que tá comprando, gente que tá vendendo, gente que tá segurando a onda.
Maria Rita - Cara ValenteEnviado por azvix_1
Mas você esperava que fosse assim? Qual era tua expectativa?
Eu achei, claro, que fosse ter uma procura porque sou filha de dois grandes ídolos da música brasileira e minha mãe tem muitos fãs até hoje. Achei que houvesse uma curiosidade normal. Mas não achei que fosse tanto e que fosse tão rápido. De repente começou a encher o Supremo Musical [onde Maria Rita começou a cantar ao lado de Chico Pinheiro e Luciana Alves logo que voltou dos Estados Unidos], que tinha 70 lugares. Tivemos que fazer shows extras. Aí mudamos para um outro lugar um pouco maior, o Crowne Plaza. E começou a lotar também. Recebi até uma carta de uma fã dizendo que apanhou na fila porque queria comprar quatro ingressos e a gente tinha limitado em dois por pessoa. Uma loucura. Essa rapidez com que as coisas aconteceram me impressionou. E tenho que entender meu lugar nisso tudo.
Você já fez os shows de lançamento do disco novo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Notou alguma diferença no público deste disco para o público da sua estréia?
A gente já notou uma diferença durante a turnê do primeiro disco. O público foi ficando mais jovem. No começo apareceram os fãs da minha mãe, fãs de todas as idades, mas rapidamente isso foi mudando, foram aparecendo jovens, adolescentes e até crianças. As pessoas cantavam as minhas músicas e, juro, nunca ninguém pediu nenhuma música da minha mãe nos shows. Acho que todos logo perceberam que quem estava ali no palco era a Maria Rita.
E como surgiu a idéia do Lenine produzir o disco?
Quando o Tom Capone morreu eu fiquei muito insegura. Foi um baque muito forte porque a gente se entendeu muito rápido e era uma coisa que não precisava de palavras. No olhar a gente se entendia. Tinha muita verdade, muita entrega. E ele virou logo uma referência musical pra mim porque produziu de tudo, MPB, rock, tudo. Foi difícil pensar em um produtor novo. Aí, um dia, o Álvaro [Alencar], que é amigo de infância do Tom e foi engenheiro de som do primeiro disco, disse: “E o Lenine?”. O Lenine? E foi o primeiro nome com quem me senti confortável. Já tinha gravado uma música dele no primeiro disco (“Lavadeira do rio”) e o admiro muito. Senti que esse era o caminho e que tava tudo bem.
Você manteve a mesma sonoridade do primeiro disco no segundo com piano, baixo e bateria. Ao vivo. Foi uma escolha natural?
Pois é, se eu mudasse falariam que não tenho personalidade e se eu repetisse diriam que estou seguindo uma fórmula [risos]. Um dia eu tava folheando uma revista e vi uma propaganda, tinha uma mulher toda poderosa, um fundo branco ao lado, e uma frase que dizia assim: “A intuição é a arma mais poderosa da mulher. Use-a!”. Achei aquilo o máximo, colei na agenda e tudo. Decidi usar minha intuição, meu coração e pensei... porque mudar? Estou com esses músicos há anos, são meus amigos. Eles entendem minha linguagem corporal no palco. A gente se entende muito bem. Segui então minha intuição.
Mas você tem vontade de se envolver com outras sonoridades, outros tipos de formação?
Tenho sim. Gosto muito de metais e uma paixão pelo trompete. Gosto de cordas. Tenho vontade de fazer uns projetos especiais, mas não sei se esse é um nome adequado. Gosto de rock, tenho isso dentro de mim. Quero colocar isso pra fora. Não sou uma bonequinha! Não mesmo. Fico indignada com muitas coisas, com todas essas injustiças sociais, crianças abandonadas na rua, e acho que tem sonoridades que cabem melhor a esse tipo de indignação. O rock, por exemplo.
E você toca algum instrumento?
Campainha [risos]. Adorava tocar campainha e sair correndo [risos]. Mas tenho vontade de aprender algum instrumento sim, mais até do que compor. Tem esse lance de menininha... papai é meu herói... então tenho um lance com piano. Acho piano tão bonito!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
1974
jards macalé - rua real grandeza by dafne47
lá no gafieiras tive uma coluna chamada disco do mês de sempre, no qual escrevi textos curtos e ficcionais inspirados em discos clássicos (alguns bem no esquema colagem como esse aqui). teve discos de figuras como jorge ben, racionais mcs, batatinha, egberto gismonti, chico buarque, roberto carlos, paulinho da viola, paulo vanzolini, elis regina e romulo fróes (15 ao total). mas começou, coincidentemente, com esse disco do jards, justo do ano que nasci. já faz muito tempo que não escrevo e nem me interesso por ficção (na literatura), então segue o texto, sem nenhuma revisão espaço-temporal e com um pouquinho de vergonha.
...
Estava nascendo e ouvia uma voz batendo suavemente na barriga da minha mãe - "vale, vale a pena ser poeta!" -, mas relutava em sair. Só o calor e aquela escuridão úmida, fruto de dois corações que se amavam de verdade, importavam. Posso ficar mais um pouco? E ouvir meu pequeno coração descompassando em jatos de sangue?
Mas então meu pai encostou a boca na barriga de minha mãe e sussurrou, "tudo é alegria". Parecia um aviso. O médico veio da sala ao lado com um instrumento de ferro que parecia poder agarrar um pouco mais de seis cabeças ao mesmo tempo. Seus olhos cansados de uma longa madrugada escoavam um só lamento, "tudo é ilusão". Vi muito claramente que não poderia mais ficar ali e que para ser poeta precisava antes nascer. Só mesmo vendo. Doeu... e o mundo ficou de cabeça para baixo.
A luz fria da sala me cegou, o frio me fez chorar e não conseguia deixar de ouvir música por todo o lado. Não eram violinos, nem trombetas, pareciam mais violões dobrados e caixas de fósforo. Gemi entre sete cordas e soltei um silencioso "e daí?"
Mãos emborrachadas me levantaram ao céu do quarto e logo depois fui descendo até o peito de minha mãe que entre um choro e outro me segredou, "não pode haver no mundo maior felicidade". Mas vai continuar assim? pensei. E se eu saltar de banda? E se eu saltar de lado? Meu pai não tardou a emendar, "meu querido, samba é sempre a mesma história". Uma tesoura veio correndo prateada e jogou fora o cordão. Aliviada, a enfermeira cantou "vou aprender a nadar... eu não quero me afogar". Silêncio, olha o vexame, o ambiente exige respeito.
Fui retirado para o berçário, minha mãe foi para o quarto descansar e meu pai saiu para comer alguma coisa. Nada de café, estraga o estômago, são quatro e meia da manhã. A sala de cirurgia ficou assim vazia. Paisagem de fim de festa. Meu olhos pareciam grudados de tanta música, mas não estava com medo, já havia nascido com a alma em sinuca. Todo o resto seria mais fácil.
p.s.: achei um myspace em homenagem ao jards - o site dele que existiu sumiu no éter - e a imagem de fundo da página é uma foto tirada para a entrevista que ele deu ao gafieiras.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
a lista, a lista
1 - construção - chico buarque (chico buarque)
2 - águas de março - elis e tom (tom jobim)
3 - carinhoso - pixinguinha (pixinguinha e joão de barro)
4 - asa branca - luiz gonzaga (luiz gonzaga e humberto teixeira)
5 - mas que nada - jorge ben (jorge ben)
6 - chega de saudade - joão gilberto (tom e vinicius)
7 - panis et circensis - os mutantes (gil e caetano)
8 - detalhes - roberto carlos (roberto e erasmo)
9 - canto de ossanha - baden e vinicius (baden e vinicius)
10 - alegria, alegria - caetano veloso (caetano veloso)
11 - domingo no parque - gilberto gil e os mutantes (gilberto gil)
12 - aquarela do brasil - francisco alves (ary barroso)
13 - as rosas não falam - cartola (cartola)
14 - desafinado - joão gilberto (tom jobim e newton mendonça)
15 - trem das onze - demônios da garoa (adoniran barbosa)
16 - ouro de tolo - raul seixas (raul seixas e paulo coelho)
17 - o mundo é um moinho - cartola (cartola)
18 - sinal fechado - chico buarque (paulinho da viola)
19 - quero que tudo vá pro inferno - roberto carlos (roberto e erasmo)
20 - preta pretinha - novos baianos (luiz galvão e moraes moreira)
21 - tropicália - caetano veloso (caetano)
22 - da lama ao caos - chico science & nação zumbi (chico science)
23 - inútil - ultraje a rigor (roger moreira)
24 - eu sei que vou te amar - vinicius (tom e vinicius)
25 - país tropical - wilson simonal (jorge ben)
26 - roda viva - chico buarque & mpb4 (chico buarque)
27 - garota de ipanema - pery ribeiro (tom e vinicius)
28 - pra não dizer que não falei das flores - geraldo vandré (vandré)
29 - nanã (coisa nº5) - moacir santos (moacir santos e mario telles)
30 - baby - gal costa (caetano veloso)
31 - travessia - milton nascimento (milton nascimento e fernando brandt)
32 - ovelha negra - rita lee (rita lee)
33 - pérola negra - luiz melodia (luiz melodia)
34 - brasil pandeiro - novos baianos (assis valente)
35 - trem azul - lô borges (lô borges e ronaldo bastos)
36 - o bêbado e o equilibrista - elis regina (joão bosco e aldir blanc)
37 - primavera - tim maia (cassiano e silvio rochael)
38 - eu quero é botar meu bloco na rua - sérgio sampaio (sérgio sampaio)
39 - metamorfose ambulante - raul seixas (raul seixas e paulo coelho)
40 - sanque latino - secos e molhados (joão ricardo e paulinho mendonça)
41 - manhã de carnaval - luiz bonfá (luiz bonfá e antônio maria)
42 - sampa - caetano veloso (caetano)
43 - como nossos pais - elis regina (belchior)
44 - azul da cor do mar - tim maia (tim maia)
45 - carcará - maria bethânia (joão do vale e josé candido)
46 - ponteio - edu lobo e maria medalha (edu lobo e capinam)
47 - me chama - lobão e os ronaldos (lobão)
48 - maracatu atômico - chico science & nação zumbi (jorge mautner e nelson jacobina)
49 - os alquimistas estão chegando - jorge ben (jorge ben)
50 - ando meio desligado - os mutantes (arnaldo baptista, rita lee e sérgio dias)
51 - disparada - jair rodrigues (geraldo vandré e théo de barros)
52 - diário de um detento - racionais mc's (jocenir e mano brown)
53 - brasileirinho - waldir azevedo (waldir azevedo e ruy pereira costa)
54 - sabiá - cynara e cybele (tom jobim e chico buarque)
55 - balada do louco - os mutantes (arnaldo baptista e rita lee)
56 - a lua e eu - cassiano (cassiano e paulo zdanowski)
57 - conversa de botequim - noel rosa (noel rosa, vadico e francisco alves)
58 - apesar de você - chico buarque (chico buarque)
59 - minha namorada - carlos lyra (vinicius de moraes e carlos lyra)
60 - na rua, na chuva, na fazenda - hyldon (hyldon)
61 - chão de estrelas - silvio caldas (silvio caldas e orestes barbosa)
62 - luar do sertão - luiz gonzaga (catulo da paixão cearense e joão pernambuco)
63 - alagados - paralamas do sucesso (herbert vianna, bi ribeiro e joão barone)
64 - as curvas da estrada de santos - roberto carlos (roberto e erasmo)
65 - br-3 - toni tornado (antonio adolfo e tibério gaspar)
66 - clube da esquina nº2 - milton nascimento (milton, lô borges e márcio borges)
67 - a banda - nara leão (chico buarque)
68 - comida - titãs (arnaldo antunes, marcelo fromer e sérgio britto)
69 - rosa de hiroshima - secos e molhados (gerson conrad e vinicius de moraes)
70 - ronda - inezita barroso (paulo vanzolini)
71 - como uma onda (zen surfismo) - lulu santos (lulu santos e nelson motta)
72 - gita - raul seixas (raul seixas e paulo coelho)
73 - wave - tom jobim (tom jobim)
74 - sentado à beira do caminho - erasmo carlos (roberto e erasmo)
75 - foi um rio que passou em minha vida - paulinho da viola (paulinho da viola)
76 - samba de verão - marcos valle (marcos valle e paulo cesar valle)
77 - insensatez - tom jobim (tom e vinícius)
78 - cálice - chico buarque e milton nascimento (gilberto gil e chico buarque)
79 - maria fumaça - banda black rio (oberdan magalhães e luiz carlos batera)
80 - vapor barato - gal costa (jards macalé e waly salomão)
81 - que país é este? - legião urbana (renato russo)
82 - sossego - tim maia (tim maia)
83 - ideologia - cazuza (cazuza e roberto frejat)
84 - rosa - orlando silva (pixinhuinha e otávio de souza)
85 - o barquinho - maysa (ronaldo bôscoli e roberto menescal)
86 - nervos de aço - paulinho da viola (lupicínio rodrigues)
87 - meu mundo e nada mais - guilherme arantes (guilherme arantes)
88 - sá marina - wilson simonal (antonio adolfo e tibério gaspar)
89 - a flor e o espinho - nelson cavaquinho (nelson, guilherme de brito e alcides caminha)
90 - 2001 - os mutantes (tom zé e os mutantes)
91 - felicidade - caetano veloso (lupicínio rodrigues)
92 - tico-tico no fubá - ademilde fonseca (zequinha de abreu e eurico barreiros)
93 - casa no campo - elis regina (zé rodrix e tavito)
94 - o mar - dorival caymmi (dorival caymmi)
95 - último desejo - aracy de almeida (noel rosa)
96 - disritmia - martinho da vila (martinho da vila)
97 - você não soube me amar - blitz (evandro mesquita, ricardo barreto, guto e zeca mendigo)
98 - a noite de meu bem - dolores duran (dolores duran e tom jobim)
99 - rua augusta - ronnie cord (hervé cordovil)
100 - anna júlia - los hermanos (marcelo camelo)
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
nada de arrombar a festa
bem, após a angústia da escolha veio um questionamento, digamos assim, filosófico-conceitual-pessoal: escolheria racionalmente (pensando em importâncias históricas, hinos de uma geração, canções icônicas, etc. e tal) ou jogaria tudo para o alto e mandaria ver na subjetividade. optei por um equilíbrio. algumas músicas simplesmente não poderiam deixar de aparecer, nem mesmo por birra (“garota de ipanema” nunca me disse nada, mas seria um descalabro não tê-la na lista). também não queria limar músicas que me são muito caras. e daí que só teriam o meu voto? enfim, cheguei a essas vinte músicas (p.s.: coloquei links de videos pras músicas, dica de ana aranha, mas claro que não consegui as versões originais de todas).“a flor e o espinho”, por nelson cavaquinho
“águas de março”, por tom jobim & elis regina
“ando meio desligado”, por mutantes
“augusta, angélica, consolação”, por tom zé
“back in bahia”, por gilberto gil
“como dois e dois”, por roberto carlos
“construção”, por chico buarque
“da maior importância”, por gal costa
“dama tereza”, por sabotage & instituto
“danada”, por eddie & erasto vasconcelos
“diário de um detento”, por racionais mc’s
“doralice”, por joão gilberto
“ela partiu”, por tim maia
“laser”, por josé miguel wisnik
“maracatu atômico”, por chico science & nação zumbi
“milágrimas”, por itamar assumpção
“o bem do mar”, por dorival caymmi
“o homem da gravata florida”, por jorge ben
“para um amor no recife”, por paulinho da viola
“rua real grandeza”, por jards macalé
faltou gente? claro. cometi injustiças? óbvio. listas são assim, retratos (imperfeitos) de um momento. sei também que das minhas vinte apenas seis entraram na lista de cem. são elas, e suas respectivas colocações, “construção” (1), “águas de março” (2), “maracatu atômico” (48), “ando meio desligado” (50), “diário de um detento” (52) e “a flor e o espinho” (89). de resto, escolhi músicas menos conhecidas de medalhões ou fiz outras combinações entre compositores e intérpretes. e ainda, claramente em quatro, fiz escolhas estritamente pessoais: “dama tereza”, “danada”, “laser” e “milágrimas”. mas gostaria de lançar aqui alguns pensamentos avulsos sobre a lista final.
o gênero, sempre ele – maioria esmagadora de homens por todos os lados. dos cento e quatro compositores mencionados, apenas duas mulheres (rita lee e dolores duran). dos setenta e dois intérpretes treze são mulheres, número que pode aumentar um pouco se forem consideradas baby consuelo (novos baianos) e a dupla fernanda abreu e márcia bulcão (blitz). nesse último caso, pelo menos, elis regina é uma das mais mencionadas. claro que esse machismo não é novidade, afinal somente após o final da década de 1970 é que as mulheres conseguiram espaço para se mostrar como compositoras, e só agora nos anos 2000 esse número deixou, definitivamente, de ser traço nas estatísticas.
ah, no meu tempo – listas assim costumam refletir a geração de votantes. meu chute é que a faixa etária varie entre 20 e tantos até 40 e trilili (tenho 35), com devidas exceções, o que já confere um certo ar nostálgico, conservador, pra coisa toda. das cem músicas, apenas doze foram feitas da década de 1980 pra cá (contando com “maracatu atômico”, na versão de chico science, que é na verdade de 1974), e a mais nova, “anna júlia”, já tem dez anos. no entanto, é inegável que a lista deixe claro, mais uma vez, a força das três décadas mais cruciais e absurdamente produtivas da música popular brasileira: 1930s, 1960s e 1970s. é muita coisa boa junta. por outro lado, na minha lista, coloquei duas músicas dos anos 2000 (“danada” e “dama tereza”) e tenho certeza que exemplos não faltam. mas ainda é preciso dar tempo e com isso fica a pergunta: será que uma lista dessas, dez anos para frente, muda pouco ou muito?
absurdum – dorival caymmi aparecer somente na rabeira é tipo um crime hediondo (“o mar” está em 94). acho péssimo não ter itamar assumpção e tom zé surgir via “2001” com os mutantes. nenhum dos grandes compositores/intérpretes populares (os bregas) entrou. nada de odair josé, waldick soriano, paulo sérgio, fernando mendes, lindomar castilho e afins. nem beth carvalho, clara nunes e alcione, por exemplo. nem egberto gismonti, hermeto pascoal ou qualquer outra coisa puramente instrumental. claro que tem muita gente por aí, dá pra entender que nem todos entrarem, mas o que não dá pra perdoar é “anna júlia” ter entrado (mesmo que no 100). qual a importância dessa música? a não ser como marco do lançamento de uma das bandas mais importantes dos anos 2000, mas que se tornou referência após ter “renegado” seu primeiro sucesso comercial (e camelo & amarante possuem uma boa coleção de canções interessantes). quer dizer...
tiro certo – bom saber que roberto e erasmo carlos solidificaram, de uma vez por todas, sua importância na música brasileira (milhões já sabiam, mas faltavam alguns “especialistas”). a inseparável dupla emplacou “detalhes” (8), “quero que vá tudo para o inferno” (19), “as curvas da estrada de santos” (64) e “sentado à beira do caminho” (74). bom ver também o hitmaker guilherme arantes (“meu mundo e nada mais”, 87), o instrumental black power da black rio (“maria fumaça”, 79) e o choro pop de waldir azevedo (“brasileirinho”, 53), e ainda ultraje a rigor (“inútil”, 23), lobão (“me chama”, 47), paralamas (“alagados”, 63), titãs (“comida”, 68), lulu santos (“como uma onda”, 71) e blitz (“você não soube me amar”, 97). racionais e chico science entraram de vez no cânone, o que é ótimo e mais que merecido. o resto era de se esperar. ah, diferente do zeca camargo, não esperei que por levar o selo rolling stone a lista fosse ter uma pegada mais jovem, mais pop rock. aliás, esse é um dos grandes achados da lista, o de colocar todo mundo junto no mesmo espaço (como a gente no gafieiras faz desde o início em 2001). afinal de contas, o rótulo mpb é (e deve ser) coisa do passado.
pra finalizar, um material bônus. entre idas e vindas na minha escolha deixei separado uma segunda lista, uma espécie de banco de reservas com mais cinquenta opções (?!). algumas dessas entraram na lista da rolling stone brasil e estão devidamente sinalizadas.
“a vida é doce”, por lobão
“bananeira”, por joão donato
“banzo”, por rumo
“boa noite, cinderela”, por costa a costa
“caio no suingue”, por pedro luís e a parede
“canto de ossanha”, por baden powell & vinicius (9)
“carolina”, por seu jorge
“chorando no meio da rua”, por cristina buarque
“conselheiro”, por batatinha
“coqueiro verde”, por erasmo carlos
“de alegria raiou o dia”, por carlos dafé
“disritmia”, por martinho da vila (96)
“espelho”, por joão nogueira
“eu quero é botar meu bloco na rua”, por sérgio sampaio (38)
“eu, você e a praça”, por odair josé
“fita amarela”, por aracy de almeida
“incompatibilidade de gênios”, por clementina de jesus
“jaçanã picadilha”, por relatos da invasão
“jacarandá”, por luiz bonfá
“maria fumaça”, por banda black rio (79)
“me acalmo danando”, por ângela rô rô
“na rua, na chuva, na fazenda”, por hyldon (60)
“não creio em mais nada”, por paulo sérgio
“ninguém”, por clara nunes
“o céu, o sol, o mar”, por mombojó
“o ouro e a madeira”, por conjunto nosso samba
“o percurso”, por nervoso
“o pior é esperar”, por fernando mendes
“podes crê, amizade”, por tony tornado
“poema rítmico do malandro”, por sônia santos & zito righi
“pra dizer adeus”, por tom jobim & edu lobo
“quase 6 de misticismo”, por hurtmold
“rebelde sem causa”, por ultraje a rigor
“retalhos de cetim”, por benito di paula
“rio de janeiro”, por picassos falsos
“rumo”, por parteum
“segura a nega”, por bebeto
“semáforo”, por vanguart
“sobre a gente”, por rômulo fróes
“sonífera ilha”, por titãs
“swing de campo grande”, por novos baianos
“taí”, por carmem miranda
“te encontra logo”, por cidadão instigado
“tempos modernos”, por lulu santos
“tributo a wes montgomery”, por egberto gismonti
“um dia útil”, por mauricio pereira
“uma vida”, por união black
“v.v.”, por bnegão & os seletores de frequência
“volta por cima”, por maria bethânia
“zamba ben”, por marku ribas
p.s.: o bruno natal, outro a participar da lista, colocou as suas vinte músicas lá no URBe.
sábado, 16 de maio de 2009
romulo não fica quieto
conheci a música do paulistano pouco antes do lançamento de calado (bizarre, 2004). gostei de cara dos sambas estranhos, tristes, tortos. de um quê de nelson cavaquinho, batatinha e jards macalé. dos arranjos. da participação visceral de dona inah. do video de "suite". da regravação de ataulfo alves ("na cadência do samba"). fui no show de lançamento no sesc vila mariana e tava tudo lá, com direito a um romulo de ar roqueiro indie e totalmente sem jeito no palco (mão no bolso, imagine), e uma banda ótima com figuras tarimbadas de regionais de samba de são paulo (o clarinetista stanley, o violonista zé barbeiro e o bandolinista milton de mori, etc.), além do baixista fábio sá e de clima, um dos parceiros mais frequentes, na guitarra. as duas fotos que ilustram este texto tirei naquela noite.
depois veio cão (yb music, 2006) e sob algumas novas influências. após ser o diretor musical do show que refez acabou chorare (som livre, 1972) dos novos baianos dentro do projeto disco de ouro, romulo deixou a guitarra tomar mais espaço junto com uma certa psicodelia. gostei de cara. da entrada de curumin e lanny gordin. da velha guarda da nenê de vila matilde. do video de "sobre a gente". da regravação de nelson cavaquinho e guilherme de brito ("mulher sem alma"). o samba continuava lá, e muitos dos músicos também, mas tudo parecia ainda mais deslocado. também fui ao lançamento, dessa vez no sesc pompéia, e tava meio vazio porque na mesma noite tinha algum show gringo muito do disputado (quem era? gang of four?). taí, um dos melhores shows da minha vida. numa boa. se não me engano a banda virou zé barbeiro (violão 7 cordas), lanny gordin (guitarra), fábio sá (baixo) e curumin (bateria), e eles fizeram o diabo no palco. romulo sempre tímido, olhando pra baixo, pendendo de um lado para o outro, mão no bolso. lembro de um momento em que ficaram somente zé barbeiro e lanny gordin tocando e eu arrepiei porque ali estavam duas escolas muito diferentes, com destinos muito diferentes, tocando juntos. a coisa toda pareceu perfeita demais e as músicas ganharam mais força, mais presença.
agora é a vez de no chão sem o chão (yb music, 2009) e dessa vez não consegui ir no show de lançamento. fruto de uma crise com os músicos que o acompanhavam e com as músicas que vinha fazendo, romulo queria com esse disco se desfazer da imagem de "sambista" e assim abriu espaço para algumas experimentações, principalmente no encontro entre voz e música. projeto ousado pelo tamanho, o disco duplo vem com 33 faixas que ajudam a implodir ainda mais o tal conceito velho e vazio de mpb (afinal, a música popular brasileira só pode se contrapor a música erudita brasileira ou a música instrumental brasileira, não é rótulo e pronto). gostei de cara da coragem. do tamanho da empreitada. da regularidade na alta qualidade das canções. da melancolia rascante e eletrificada das letras de nuno ramos, clima e romulo. de guilherme held na guitarra (curumin e fábio sá continuam em muitas faixas). das participações instrumentais e fundamentais de bocato, andré mehmari, tatá aeroplano, mauricio tagliari, lanny gordin e rui weber, entre outros (destaque para o duelo/encontro do piano de mehmari com a guitarra de lanny em "ou nada"). das vozes de mariana aydar ("de adão pra eva"), anya ("ela me quer bem"), nina becker ("ninguém liga" e "astronauta"), lulina ("se eu for") e da velha guarda da nenê de vila matilde ("manda chamar" e "caveira", esta um rock que poderia ser de... walter franco, talvez). da regravação de assis valente ("uva de caminhão") com andreia dias.o samba tá sempre pelos cantos dos discos, e muitas vezes na frente, mas a guitarra agora suja mais a batida da bateria ("qualquer coisa em você mulher" é um belo exemplo disso). mas tem rocks ("anjo", "peraí", "ela me quer bem"), ska ("minha casa"), bossa ("amor antigo", "fui eu" e "gelatina"), marchinha ("o que todo mundo quer/ninguém liga") e tudo o mais que ele ouvir. que é um tanto do que também ouvimos, tudo misturado, sem gradações ou hierarquias. por essas e outras que um rótulo abrangente e desbotado como a mpb parece cada vez mais sem propósito. mas deixa pra lá que a batata já está assando para a tal mpb, não coincidentemente junto com a tradicional indústria fonográfica e as grandes gravadoras. o que me fez lembrar de "para fazer sucesso", música que abre o segundo disco, no qual romulo canta que "para fazer sucesso faço uma greve de fome / para saber meu preço olha como um bicho dorme / (...) eu sou um resto que eu detesto de um projeto cultural / imobiliário, financeiro, otário e quase oficial". romulo, diferente de muitos artistas, não se isenta da fogueira das vaidades, da roda viva da cultura nacional (não custa lembrar que o cantor e compositor trabalha com nuno ramos, um dos artistas plásticos brasileiros mais inquietos da atualidade).
já ia esquecendo uma coisa sobre no chão sem o chão: os discos são chamados de 1a. sessão - cala boca já morreu e 2a. sessão - saiba ficar quieto. e pronto.
p.s.: os clipes de "suite" e "sobre a gente" estão aqui.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
pa ra ra ti bum bum bum
"Já na faculdade entrei no Rumo, e aí não tinha como fazer uso dessas escolas porque era o canto falado. Quando não era canto falado era o Rumo aos antigos, que me levou a ouvir as cantoras antigas. Foi assim que conheci a Carmen Miranda mais a fundo e fiquei fascinada. Pra mim era uma incógnita aquele jeito de cantar, aquela pegada sambista cheia de graça e malandragem que ela tinha. Descobri que tinha mais facilidade pra imitar a Carmen Miranda do que pra imitar a Elis Regina, por exemplo, ou a Maria Bethânia, porque elas tinham uma outra natureza de voz e minha voz se aproximava mais da brejeirice da Carmem Miranda. Então comecei a perceber essas coisas de pra onde rendia mais a minha voz. No Rumo parei de ter como referências as outras cantoras que tinha até então. Tinha um pouco da Carmen Miranda pra cantar o Rumo aos antigos e nas outras, do Rumo, era a Ná mesmo, nua e crua, porque não tinha referência nenhuma de músicas que lembravam músicas do Rumo pra tentar cantar igual."
terça-feira, 28 de abril de 2009
da mata, de paraty
foi o primeiro show que vi de vanessa da mata e mesmo tendo gostado muito do disco sim (sonybmg, 2007), base de todo especial, não esperava que fosse ser tão bom. pegada, leveza, arranjos ótimos e a participação especialíssima da dupla jamaicana sly & robbie.

VANESSA DA MATA DE PARATY
Motores de popa sumindo no horizonte, cascos de cavalo trotando em calçadas centenárias e um tranquilo martelar em frente a Igreja de Santa Rita. Estes eram alguns dos sons ouvidos por quem chegava na histórica cidade de Paraty em uma quinta-feira aparentemente normal lá pelo final de novembro de 2008. Mas de normal aquela quinta não tinha nada: não é todo dia que é possível assistir e participar da gravação de um especial para TV, mais precisamente do Multishow Ao Vivo – Vanessa da Mata. Ao longe, um carro de som chamava a população para o show de fim de tarde.
“Tenho uma história longa com Paraty. Conheço os bolos, os tiozinhos dos bolos, os cafés, as ruas todas, tenho realmente uma relação com a cidade. Foi perfeito. Tinha a ver com a minha carreira, céu aberto, barroco brasileiro de arquitetura, todo mundo na rua, meio interiorzinho, nada de 45 mil pessoas. Precisava de uma coisa mais poética mesmo, mais acolhedora”, explicou Vanessa em conversa por telefone tempos depois do show. E a cidade a acolheu com sua mistura de turistas estrangeiros, malucos vendedores de pulseirinhas e nativos de toda a sorte, além de um céu bonito, mesmo que parcialmente nublado. Gente que foi chegando de mansinho faltando mais de uma hora para o início do show.
Todo mundo já estava no palco ensaiando, desde a própria Vanessa até seus convidados jamaicanos (Sly & Robbie), quando a platéia começou a reagir calorosamente como se o espetáculo já tivesse começado. Vanessa sorria de vermelho com a certeza que assim o clima só poderia melhorar. “Você vê gente de todas as idades e estilos na minha platéia. Adoro isso. E isso sou eu, é o meu reflexo. Porque sou mestiça de italianos, negros e índios. Pelo lado do pai uma família mais abastada e super humilde pelo lado materno. Os dois lados musicais pra caramba. Tenho uma empatia com as pessoas e, de repente, não é à toa.” Atrás dela, no fundo do palco, uma cacofonia de espelhos, imagens e flores formavam o cenário enquanto o dia virava noite e todos corriam para que Vanessa, uma das cantoras e compositoras mais populares da recente safra musical brasileira, pudesse dar o pontapé inicial.
Quando foi anunciado o início da gravação, o público foi pego de jeito pelo carisma brejeiro de Vanessa da Mata. O repertório do show, que também sairá em CD e DVD, é quase todo baseado no disco Sim (2007). Deste terceiro álbum da artista vieram novos hits para sua coleção, tais como “Boa Sorte/Good Luck”, “Amado”, “Pirraça” e “Ilegais”, que, juntos com “Ai Ai Ai”, “Não Me Deixe Só” e das suas bem sucedidas regravações de Caetano Veloso (“Eu Sou Neguinha”) e Chico Buarque (“História de uma Gata”), formaram um bloco coeso e cheio de apelos. Ninguém ali na praça escapou de cantar todas as músicas, até as menos conhecidas, em coro emocionado e feliz. “No início da minha vida musical as pessoas falavam que eu não ia fazer sucesso porque minha música era sofisticada demais para entrar no rádio. Gosto de repetir essa história porque as pessoas gostam de criar moldes e, ao mesmo tempo, acham que o público é burro. Nunca desejei cantar para uma elite, sempre quis cantar pra todo mundo, bicho. Agora, não sei como isso se tornou popular. Acredito que as pessoas sentiam falta de alguma coisa assim. Mas fico um pouco passada com a situação, não acredito muito.”
A noite veio comendo pelas beiradas históricas de Paraty enquanto as músicas iam sendo tocadas, ovacionadas e, raramente, refeitas. “Absurdo”, uma canção de levada ecológica, foi uma das poucas que teve que ser repetida porque Vanessa invariavelmente chorava. O público? Sempre com ela, sem nunca exagerar ou soterrar sua voz. Nada de gritos, isqueiros ou objetos voadores rumo ao palco. Apenas carrinhos com pé-de-moleque e cocada, balões rumo ao céu e crianças brincando de sombras com um dos holofotes. Muito colorido? E olha que no final do show, quando Vanessa cantou “Ai Ai Ai” pela segunda vez começou a chover exatamente na hora dos versos “o que a gente precisa é tomar um banho de chuva”. Delírio geral, bicho.
Pausa para a chuva diminuir. Enquanto isso, uma senhora cola no repórter e pergunta se o show acabou porque deseja entregar um livro religioso para a cantora. “Adoro o cabelo dela!”, revela. Mas aí o show volta com Vanessa cantando Cartola (“As Rosas Não Falam”) e logo depois a chuva retorna mais forte. Cai o pano. “Nasci numa cidade de 8 mil habitantes e ficava louca pra ir embora, queria fugir com o circo, com os ciganos, com qualquer coisa. Ficava imaginando pra onde aquelas pessoas estavam indo, como devia ser o lugar delas, tudo. Sempre tive muita sede pelo mundo.” Dá para arriscar que o mundo também tem sede por Vanessa da Mata.
AMIGOS DA JAMAICA
Tem dois sujeitos presentes no video acima que não fazem parte da banda de Vanessa. Na verdade, são convidados muito especiais do show. O baixista Robbie Shakespeare (de boné) e o baterista Sly Dunbar são lendas vivas (e muito ativas) do reggae jamaicano. Músicos e produtores, os dois formaram na década de 1970 a dupla Sly & Robbie que tocou ao lado de figuras como Peter Tosh, Gregory Isaacs, Horace Andy, Barrington Levy e a banda Black Uhuru, ao mesmo tempo que produziam discos de outros artistas e os próprios a partir do selo Taxi. O All Music Guide estimou que os dois participaram, de um jeito ou de outro, de cerca de 200 mil músicas (sim, esse é o número!). Destaque para os discos Taxi Fare (1986), Two Rhythms Clash (1989) e Dubs for Tubs: Tribute to King Tubby (1990), todos da dupla. Uma boa dica para ouví-los é o blog You & Me on a Jamboree, especializado em reggae.
Vanessa da Mata e os produtores do disco Sim, a dupla Kassin e Mario Caldato (também responsáveis por esse Multishow Ao Vivo), foram atrás da dupla lá em Kingston, Jamaica, em busca de uma sonoridade moderna e malemolente. Acharam muito mais que isso, obviamente, tanto que foram chamados para uma participação neste especial. Sly & Robbie colocaram seus instrumentos nas músicas “Vermelho”, “Pirraça”, “Absurdo”, “Ilegais” e “Boa Sorte/Good Luck”. Curiosidade: quando chegou em São Paulo, aos 16 anos, Vanessa fez parte de uma banda feminina de reggae chamada Shalla-Ball e 3 anos depois, em 1995, excursionou como backing vocal da Black Uhuru, a mesma que Sly & Robbie produziu na década anterior. As voltas que o mundo dá...
quarta-feira, 15 de abril de 2009
o samba a persegue
leia a íntegra da nota sobre o disco de mariana aydar no gafieiras.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
pra semana começar bem
e olha que ainda tem novidades de anelis assumpção, thalma de freitas, nina becker, jumbo elektro, etc.
p.s.: já ia esquecendo. dois trechos da vindoura entrevista com a ná ozzetti estão no myspace do gafieiras.




