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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

troca troca (musicalmente falando)

de volta à revista da gol, agora na edição de setembro saiu uma matéria sobre o disco mundo livre s.a. vs. nação zumbi, com aspas de fred 04 e jorge du peixe (em boas, mesmo que breves, conversas por telefone). achei que o disco seria bom, não tinha dúvidas sobre isso, mas me surpreendi com a liberdade e originalidade de todas as versões, e de como o jeito de uma banda se misturou com as músicas da outra (e vice-versa, etc). as minhas preferidas foram mundo livre de "a praieira", "rios, pontes e overdrives" e "samba makossa" e nação de "bolo de ameixa", "musa da ilha grande" e "o velho james brouse já dizia". 



O MANGUE NÃO PARA

Mundo Livre e Nação Zumbi refazem clássicos um do outro em disco que celebra a atualidade e o poder musical do movimento mangue beat

Pouco se falou, mas em 2012 se completaram 20 anos desde que um bando de caranguejos com cérebro enfiou antenas parabólicas na lama. A antena rodou meio mundo, mas continua lá, firme e forte, e tanto é verdade que as duas principais bandas do mangue beat continuam ativas e acabaram de se reunir em um excelente tributo ao movimento (ou seja, a eles próprios). É que o disco Mundo Livre S.A. vs. Nação Zumbi tem 14 faixas e em sua primeira metade, a banda liderada por Fred ZeroQuatro refaz clássicos dos amigos como “A Praieira” e “Samba Makossa”. Na segunda parte, é a vez do grupo de Jorge Du Peixe devolver a cortesia em versões de “Bolo de Ameixa” e “Musa da Ilha Grande”. Todas continuam fundamentais, mas a surpresa é que também parecem atuais, novinhas em folha.

“O mangue beat é um movimento conhecido pela diversidade, não existe uma sonoridade padrão. E o Nação tem um som próprio, um som forte. Eles podem tocar qualquer coisa que vai parecer Nação. É um som complicado de simular, então a gente tentou fazer com que as músicas deles soassem como a gente tivesse acabado de fazer, como se fossem nossa [risos]”, afirmou Fred ZeroQuatro após lembrar de um show em 1994, no Rio de Janeiro, no qual foi chamado de emergência para substituir o guitarrista Lúcio Maia, do então Chico Science & Nação Zumbi. Outra lembrança que o ajudou neste projeto foi a Orquestra Manguefônica, uma big band formada pelos dois grupos e que fez uma série de shows na segunda metade dos anos 2000.

“A gente tomou um cuidado muito grande para não tirar a essência das músicas do Mundo Livre porque somos fãs também. Ao mesmo tempo queríamos mostrar que são músicas elásticas e que podem trazer novidades. Fizemos versões em estados alterados e elas superaram nossas expectativas também [risos]”, disse Jorge Du Peixe, que também declarou que o próximo disco de estúdio do Nação Zumbi sai em 2014 após um longo recesso da banda para projetos pessoais de seus integrantes. Certeza que o mangue nunca deixará de nos surpreender.


FILHOTES DE CARANGUEJO 
Líderes das duas bandas indicam herdeiros do manguebeat

FRED ZEROQUATRO: “Não tenho mais aquela energia pra acompanhar tudo, mas sou muito fã do Eddie, que é de uma segunda geração do mangue beat. Entre os mais recentes destacaria a Academia da Berlinda, a Catarina Dee Jah e a Orquestra Contemporânea de Olinda. Tem muita coisa acontecendo, melhor mesmo acompanhar blogs como o Recife Rock e o Coquetel Molotov”.


JORGE DU PEIXE: “Prefiro falar de Brasil porque o mangue beat ajudou o país a se reconhecer cantando a nossa língua. E tem muita referência boa aqui, e gente nova cheia de ideias. Tem que colocar essa meninada pra se coçar como tenho feito com meu filho [Ramon Lira] e minha nora [Louise Taynã, filha de Chico Science] no Afrobombas. É que tudo influencia tudo, basta abrir os ouvidos”.

p.s.: tem ainda esse video curto com bastidores do nação gravando "livre iniciativa".


atualização: saiu o clipe com o nação zumbi tocando "musa da ilha grande". imagens de estúdio durante a gravação, na verdade, e os tambores/percussão não aparecem (parece que o nação virou um quarteto com jorge du peixe, lúcio maia, dengue e pupillo).



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

yahoo #60

quem gosta e acompanha cinema brasileiro estava ansioso para a estreia em longas de kléber mendonça filho. um tanto por seus inspirados curtas (ficcionais e documentais) e outro por suas brilhantes, e serenas, críticas de cinema no jornal do commercio, incluindo deliciosas coberturas do festival de cannes. o som ao redor é tudo que se podia esperar de seu talento e muito mais. é o tipo de filme que dá o que pensar e fica por dias a fio maturando na cabeça de quem o assiste, melhorando a cada lembrança. e, claro, foi assunto no yahoo. o texto mais recente por lá é o "saudade de cinema de rua" e tem relação com esse.




NEM TODOS ESTÃO SURDOS


Medo. Do que pode acontecer. Do desconhecido. Do escuro. Da rua. De quem está ao lado. De tudo, tudo. Boa parte dos personagens de O Som ao Redor, longa de Kleber Mendonça Filho lançado recentemente nos cinemas, sofre desse mal tão contemporâneo e urbano. Algumas vezes com razão, mas na grande maioria fruto de um emaranhado de paranoias, delírios e preconceitos, muitos preconceitos, individuais e coletivos.

Não existe uma trama clara nessa excelente estreia do pernambucano, autor de curtas sensacionais como Recife Frio e hábil crítico de cinema. Existem pessoas de classe média e seus empregados (porteiro, doméstica, flanelinha, entregador de água etc.), uma rua em Recife perto da Praia da Boa Viagem e um grupo de seguranças particulares que chegam oferecendo... segurança (Contra o quê? Contra quem?). E, claro, um dia após o outro dia.

Tem crianças brincando no playground azulejado do prédio, a patroa que dá esporro na empregada, a moradora de apartamento que reclama porque “anda recebendo sua Veja fora do plástico”, o boyzinho arruaceiro e prepotente, uma reunião de condomínio, o cachorro que não para de latir madrugada afora, um baseado fumado escondido, um banho de mar noturno, adolescentes namorando, um argentino perdido, uma batida de carros. Tudo normal, aparentemente normal. Aos poucos, o filme vai sendo tomado por uma tensão de que algo (ruim) está para acontecer. É o medo dessa gente tomando as mais diferentes formas.


No ótimo texto “Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus”, Daniel Duclos fala da Holanda onde mora para chegar ao Brasil onde nasceu e à seguinte conclusão: “O curioso é que aqueles brasileiros que se queixam amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas [de Amsterdam], sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social”.

Só que no Brasil a manutenção da desigualdade – consequentemente da violência e do medo – é um bom negócio para muita gente (não só dá lucro como também elege os coronéis Telhada da vida). E grudado nisso tem o espírito Casa Grande & Senzala que ainda vive arraigado em nossas relações sociais. Arraigado e difuso, afinal hoje em dia existem milhões de senhorzinhos de engenho espalhados pelo país (a diminuição da desigualdade econômica ameniza a social, mas não a resolve).

Não precisa mais ter poder, basta achar que tem. E na rua de O Som ao Redor, como em todo o país, tem um monte de gente que quer manter as coisas como estão com seus grandes e pequenos poderes. Quanto mais desigual, melhor, e o medo é moeda de troca nesse conflito diário entre autoritarismos e subserviências.

O filme critica tudo isso observando, apenas observando. Não levanta bandeiras, não faz discursos. Mas registra inúmeros momentos no qual pessoais normais alimentam o bicho feio (real ou não) que irá lhes assustar quando colocarem o pé na rua. Quem mandou não olhar para o lado. Quem mandou não ouvir.

p.s.: Recomendáveis a leitura desses dois textos sobre o filme, “O som ao meu redor” (Marcelo Negromonte) e “Terror suspenso” (Kiko Dinucci), e a ótima divulgação que o filme tem feito no Facebook.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

14 anos sem...

chico science, uma das perdas mais tristes e precoces da música popular brasileira. seu nação zumbi seguiu firme e forte após a morte e continua como uma das melhores bandas do brasil/mundo, mas a figura de chico se perdeu e isso é coisa que não tem jeito, não tem remédio. foi hoje, num dia de iemanjá, 14 anos atrás, que ele perdeu o rumo de seu carro. e mesmo assim, chico vive. viva chico!







esse aí é o minidoc viva! chico vive!, que deve ser um trabalho de fim de curso, pois tem cinco sujeitos creditados como realizadores (cauê martins, eric veloso, guilherme genereze, milner souza e raoni gruber) e é bastante singelo em suas pretensões. entre os depoentes, rogê, dj dolores, fred 04 e canibal, mas ninguém do nação zumbi.