Mostrando postagens com marcador o terno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o terno. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de maio de 2013

mexidão #09

uma coisa certa nessa vida: tom zé é foda. hoje com 76 anos, o artista segue produzindo a mil por hora, experimentando, olhando e pensando sobre o presente e o futuro da cultura e da música popular, e com bom humor, sem parar, sem parar. as críticas que surgiram com sua participação em uma propaganda da coca-cola o fizeram criar um de seus trabalhos mais interessantes e divertidos dos últimos anos, o EP tribunal do feicebuqui. lá no yahoo falei dessa resposta-musical que ainda contou com a participação de uma boa turma de jovens músicos paulistanos - o terno, emicida, tatá aeroplano, trupe chá de boldo e filarmônica da pasárgada - sob curadoria do jornalista marcus preto. de seus discos dos anos 2000 gosto muito de estudando o pagode e jogos de armar, gosto de estudando a bossa, imprensa cantada e pirulito da ciência, achei danç-êh-sá muito chato e ainda não entendi direito o tropicalismo lixo lógico. só a partir dessa listinha é possível ver o muito que o baiano produziu nos últimos anos e sempre muito intensamente. quer dizer, você pode não entender, pode até não gostar, mas é impossível não respeitar um cara apaixonado como ele e que ainda faz tanto pela música e pelo brasil... após ter lançado tribunal do feicebuqui deu ótima entrevista no programa roda viva e pagou um esporro federal durante show no circo voador (porque alguém jogou um copo de cerveja no palco).


O ARROTO GOSTOSO DE TOM ZÉ

Foi no início de março deste ano que apareceu na TV e na internet uma propaganda da Coca-Cola narrada por Tom Zé. Rapidamente, como sempre nos tempos de hoje, apareceram um tanto de comentários críticos à participação do artista na publicidade do refrigerante. “Tom Zé, seu vendido” foi o mantra repetido ad nauseam nas redes sociais.

O baiano de Irará, 76 anos, é um dos maiores artistas da música brasileira (e, consequentemente, do mundo). Também é um dos mais irrequietos, originais e coerentes. Por tudo isso ele já merecia um pouco de mais maturidade nas críticas, mas Tom Zé nunca fez sucesso (em sucesso leia-se, no caso, dinheiro) na vida, apesar de ser referência para centenas de artistas brasileiros e internacionais. E durante cerca de 15 anos, do final da década de 1970 ao inícios dos anos 1990, passou por profundas dificuldades financeiras que quase o fizeram desistir da carreira.

Mas os mimados da internet se acham no direito de julgar e apontar o dedo – quem destes comprou um disco dele ou foi em shows? – e tanto fizeram que Tom Zé publicou um texto em seu blog. Genuinamente preocupado, afirmou o seguinte: “É curioso que quando fui consultado sobre o anúncio nem pensei nessa probabilidade [das críticas negativas]. No ano passado meu disco [Tropicália Lixo Lógico] fora patrocinado pela Natura e como eu nunca tinha recebido patrocínio desse tipo – nem de nenhum outro – , cara, eu me senti como um artista levado em conta!”.


Não tem nada de errado na propaganda da Coca narrada por Tom Zé. Tem uma graça e um otimismo pelo Brasil que são típicos dele. Mas certos fãs que ainda acreditam que o refrigerante é o “líquido negro do capitalismo” ou algo parecido não lhe perdoaram (e, veja bem, a Natura, que é bem brasileira, não é nada santa). E não adiantou o compositor de clássicos como “Angélica, Augusta, Consolação” falar que o dinheiro ganho será reinvestido em sua própria música (nada de carrões, iate, cobertura de luxo, etc).

“Atualmente sinto paixão pela retomada do projeto dos instrumentos experimentais de 1972. Com a eficiente colaboração do engenheiro Marcelo Blanck, começamos a desenvolver alguma tecnologia, mas com recursos parcos, insuficientes. (...) Aí entrou o anúncio da Coca-Cola que, mesmo sem ela saber, patrocinaria boa parte da pesquisa”, disse no blog. Humildemente ainda perguntou: “Será que o uso dos recursos obtidos com o anúncio muda a avaliação de vocês?”. Olha o tamanho da fofurice e da atenção do sujeito! Eu já teria mandado todo mundo catar coquinho na ladeira.

Só que Tom Zé é mais, muito mais. Nesse meio tempo ele se reuniu com um grupo de jovens artistas de São Paulo (Emicida, O Terno, Tatá Aeroplano, Filamônica de Pasargada e Trupe Chá de Boldo), gravou e acabou de lançar o EP Tribunal do Feicebuqui para dowload gratuito em seu site oficial.

Nas cinco faixas do disco, Tom Zé dá um tapa com luva de pelica nos patrulheiros da vida alheia. Estão lá versos irônicos como “Que é que custava morrer de fome só pra fazer música?” (em “Tom Zé Mané”) ou “O povo, querida, com pedras na mão voltadas contra o imperialismo pagão / E na cerimônia do beija-pé / Papa Francisco perdoa Tom Zé / No Feicebuqui da Santa Sé / Papa Francisco perdoa Tom Zé” (em “Francisco perdoa Tom Zé). É isso, meu caro Tom Zé, arrota melhor quem arrota melhor.


p.s.: seguem abaixo as cinco músicas do tribunal do feicebuqui.

sábado, 5 de janeiro de 2013

foi bonita a festa, pá

cultura livre é um daqueles raros espaços para a boa e nova música popular brasileira no rádio e na tv. comandado com graça e interesse por roberta martinelli, o programa ganhou uma promoção e tanto ao ser transformado em um especial de quase duas horas no réveillon da tv cultura. e ele está disponível na íntegra no youtube. olha só que belezura de atrações (tendo o terno como banda de apoio)...

o terno – “zé, assassino compulsivo”
barbara eugênia – “por aí”
barbara eugênia & tatá aeroplano – “sinta o gole quente do café que eu fiz pra ti tomar”
tatá aeroplano – “tudo parado na city”
filipe catto – “adoração”
pélico – “recado” (com tony berchmans)
tulipa ruiz – “script”
márcia castro – “29 beijos”
karina buhr – “não me tanto”
rafael castro – “pra vender mais, agradar mais, se falar mais”
kiko dinucci – “lizete”
todo mundo – “gente aberta” (erasmo carlos)
rael – “caminho” (com carlos café e dj will)
felipe cordeiro – “legal e ilegal” (com manoel cordeiro)
léo cavalcanti – “sonho parasita”
laura lavieri – “quem nasceu”
blubell – “protesto”
letuce & blubell – “que se chama amor”
letuce – “insoniazinha”
juçara marçal – “morto”
maurício pereira & juçara marçal – “trovoa”
maurício pereira – “compromisso”
o terno – “66”

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

yahoo #58

acabei usando minhas listas retrospectivas em duas colunas no yahoo: a de 10 músicas e essa de 6 clipes. tudo nacional, tudo nosso. publicando essa de clipes aqui no esforçado encerro definitivamente 2012 e agora 2013 é o que importa. bola pra frente que tem muita coisa pra fazer.



O BRASIL DE 2012 EM 6 CLIPES

Semana passada rolou por aqui uma lista com 10 das melhores músicas brasileiras do ano como parte de uma retrospectiva que tenho feito no meu blog pessoal, o Esforçado. Agora é a vez de clipes, videoclipes, que de alguma forma resumem a excelente e sortida safra audiovisual nacional (e, não coincidentemente, são de ótimas músicas) bem como a descentralização de nossa produção.

“Legal e ilegal” (Felipe Cordeiro). A última década viu nascer no Pará uma pulsante geração de artistas populares: estrelas como Gaby Amarantos, eletrônicos como a Gang do Eletro e ligeiramente MPB como Aíla, Luê Soares e Lia Sophia. Felipe Cordeiro também é desse último grupo só que traz a tiracolo uma guitarra eletrizante e bastante humor (com um bigode daqueles, só podia). O clipe de “Legal e ilegal”, música do disco Kitsch Pop Cult, pega o humor, o balanço e as cores da trabalho do paraense e lhe dão uma forma de carrossel repleto de figuraças. Direção de Bruno Reggis e Carolina Matos.


“66” (O Terno). Prova clara que São Paulo também possui senso de humor, o primeiro clipe do trio liderado por Tim Bernardes, filho de Mauricio Pereira (Os Mulheres Negras), é uma montanha russa de boas ideias e achados visuais em pouco menos de 3 minutos. Sem falar que “66” é ótimo exemplo de uma união entre senso pop, pulso de rock e inteligência (a música que fala da própria situação da música hoje em dia). Direção de Marco Lafer e Gustavo Moraes.


“Carnaval no fogo” (doo doo doo). Que o Rio de Janeiro não é mais aquele do banquinho e violão todo mundo já está bronzeado de saber, mas UPPs e funks à parte, ninguém jamais imaginou uma invasão de zumbis em um bloco carnavalesco. Esse é um dos muitos acontecimentos do divertido e estranho clipe dessa marchinha rock psicodélica retirada do disco Casa das Macacas.


“Mi vida eres tu” (Vanguart). Por mais que clipes livres, nonsense ou de colagens de imagens sejam ocasionalmente bacanas, nada como o bom e velho clipe com história, com roteiro. Ainda mais quando rola uma produção, elenco, etc. e tal. “Mi vida eres tu”, música do disco Boa Parte de Mim Vai Embora, é isso e ainda a muito bem filmada aventura romântica e violenta de um menino. É também o encontro do folk rock com a Jovem Guarda, Mato Grosso e São Paulo, o cool e o brega. Direção de Ricardo Spencer.


“Levante” (Lurdez da Luz). Uma das mais ativas vozes femininas no ultramasculino cenário rapper brasileiro, Lurdez tem aprontado das suas desde os tempos do Mamelo Sound System. Sua estreia solo em 2010 mostrou uma artista segura, engajada e bela (e com clipes ótimos como “Andei” e “Ziriguidum”). Neste ano, inquieta, começou a colocar novas sonoridades, mais eletrônicas, em sua rima e o primeiro resultado foi “Levante”, batidão politizado com clipe simples, bem iluminado e fashion. Direção de Ricardo Magrão.


“Sangue é champanhe” (Don L & Flora Matos). Já falei do cearense Don L aqui no meio do ano (“A hora e a vez do rap nordestino”), mas de lá pra cá ele lançou o mais interessante e belo clipe do ano. A música, que traz participação da brasiliense Flora Matos, fala de diversões, vida e morte, encantamentos e a volatilidade dos afetos. Enquanto isso, o clipe alterna imagens de moças muito nuas, viagens, comidas e shows, muito diferente do que se imagina em um vídeo de rap. Atenção: não recomendável para ambientes de trabalho e moralistas de plantão. Direção de Autumn Sonnichsen e Erica Gonsales.