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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

o fotógrafo esforçado

fui fotógrafo profissional por alguns anos e momentos ali pela primeira metade dos anos 2000. o jornalismo, que começou sem querer e ao mesmo tempo, emparelhou, depois tomou a dianteira e foi abrindo vantagem. corpos e corpos de vantagem. até chegar ao ponto d'eu praticamente parar de fotografar, mesmo sem ter mais compromisso algum. as câmeras analógicas quebraram, nenhuma digital apareceu. fiquei uns dois ou três anos assim, olhos embotados, nessa virada dos 2000 pros 2010.

daí algo aconteceu no início de 2012 e tenho que agradecer eternamente ao instagram e a celulares com câmeras melhores [samsungs, no meu caso]: foi uma combinação de plataforma nova e simples, com linguagem similar & quadrada à minha analógica mamiya, a uma boa qualidade de imagem digital [sem falar na rapidez/discrição do celular]. voltei a fotografar regularmente, voltei pra rua a olhar as pessoas e as coisas. um ano depois, com o vcpraça e o começo dos rolezinhos vândalos, o número de fotos aumentou e a relação com a cidade se estreitou ainda mais.



fotografia pra mim é encontro, é relação, e foi bacana, pessoalmente bacana, ver como as minhas fotos analógicas e digitais se falavam com vários anos de diferença. são fotos de cidades. e de pessoas, quase sempre em cidades. é isso que me interessa. mas... tô querendo me explicar demais, né?

tudo isso pra falar que estou abrindo uma lojinha virtual pra vender minhas fotos. acho que tem umas coisas bonitas, né por nada não. são registros de 2012 pra cá, quase sempre em são paulo. cada foto é numerada de 1 a 10, ampliações 25 x 25, assinadas e tal. 100 realetas cada [+ frete pra fora de são paulo]. quando acabar, acabou. quer dizer, depois virão novas fotos, outras séries. vida segue, as fotos também.



dividi as atuais 183 imagens em 9 álbuns no flickr: 'centro de são paulo', 'música', 'coisas', 'bilhete único', 'mais gente por aí', 'viagem', 'arte de rua', 'vandalismo pessoal' e 'tríptico playcenter' [ah, esse tem preço diferente, são ampliações 25 X 78, 300 realetas cada]. então é só dar uma passeada por lá e mandar um email pro dafnesampaio@gmail.com. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

mexidão #24 e #31

entre inúmeros passaralhos e algumas novidades, o jornalismo brasileiro tem sido alvo de muitas e importantes discussões. tratei do assunto recentemente em duas colunas no yahoo. no final de junho entrevistei o colega bruno torturra sobre a mídia ninja e agora no início de agosto tratei das demissões que chegaram a editora abril (com direito a várias revistas fechadas como a bravo). resolvi reunir os dois textos aqui no esforçado e ainda acrescentei o programa roda viva, que foi ao ar ontem e entrevistou torturra e pablo capilé (fora do eixo).


JORNALISMO EM FOGO CRUZADO

São Paulo, 18 de junho de 2013. Duas horas após um grupo de alucinados tentarem invadir a Prefeitura de São Paulo, o Choque da PM do governador Geraldo Alckmin chegou ao centro da cidade e foi subindo até a Avenida Paulista expulsando todo mundo da rua com bombas e gás. Quando chegaram ao cruzamento da Paulista com a Rua da Consolação encontraram um painel da Coca Cola em chamas e o cercaram. Ninguém mais pode se aproximar a não ser dois catadores de latinha que fizeram a festa com os restos do painel-propaganda.

Belo Horizonte, 26 de junho de 2013. Dez minutos após a PM do governador Antônio Anastasia expulsar com bombas e gás centenas de manifestantes que estavam pacificamente na Praça 7 de Setembro, um trio elétrico aparece. Nada de Daniela Mercury ou Ivete Sangalo, e sim o Comandante Xuxa (sim, esse era seu nome) da PM mineira com o microfone na mão a falar que a polícia estava devolvendo a cidade às “pessoas de bem nesse momento histórico de resgate da democracia”.

Quem acompanhou ou está acompanhando as manifestações que tomaram o país neste junho pela mídia tradicional nem chegou perto dessas aparentemente pequenas, mas muito reveladoras, cenas brasileiras. Bem, pra falar a verdade, quem está acompanhando as manifestações pela mídia tradicional não está sabendo de muita coisa além de “pequeno grupo de vândalos” ou “a PM jogou bombas de efeito moral para conter a manifestação” e um bando de análises chutadas de especialistas que não tem a mínima ideia do que está acontecendo.

O pessoal da mídia Ninja também não sabe o que está acontecendo, mas eles estão cobrindo as manifestações em várias cidades com disposição, sangue frio e interesse, e tudo ali de muito perto da ação em transmissões ao vivo e sem cortes pela internet (vi as cenas descritas no alto do texto durante as transmissões). É, sem sombra de dúvida, o mais interessante acontecimento jornalístico desses novos tempos. Daí que fui conversar com o jornalista Bruno Torturra (@torturra), um dos idealizadores e linha de frente do Ninja, sobre a origem, os métodos e a assumida não-neutralidade da cobertura que estão fazendo dos protestos Brasil afora.

Belo Horizonte, 26.06.13 [foto: Mídia NINJA]

Você pode contar um pouco da história do surgimento (quando, como) da mídia Ninja e qual seu propósito. E quais outras coberturas importantes que vocês fizeram nesse período de existência.
O Ninja vem sendo pensado e articulado nos bastidores há alguns meses a partir da experiência da postv.org e de coberturas fotográficas pontuais que fizemos em rede. Antes de ser um veículo, começou como a tentativa de pensar e experimentar uma rede de jornalismo independente e descentralizada. Recentemente, no texto “O Ficaralho”, fizemos um chamado público para uma reunião aberta para a apresentação de um projeto e da criação de um banco de colaboradores. No dia da reunião [13 de junho], com mais de 300 confirmados, tivemos que adiá-la por conta do protesto do Passe Livre que terminou sendo o mais reprimido pela PM. Em vez de lançá-lo como um projeto, o Ninja acabou se lançando como um veículo na rua naquele dia. Outras coberturas importantes que fizemos: o Fórum Social Mundial na Tunísia, o julgamento dos acusados pelo assassinato de Zé Cláudio e Maria em Marabá. A cobertura de conflitos entre fazendeiros e povos indígenas no Mato Grosso. Os blocos de rua de SP e algumas cidades do Brasil. E incontáveis marchas e protestos pelo país.

Essas manifestações certamente estão sendo uma prova de fogo (tecnológica e conceitual) para vocês. O que estão aprendendo? Quais os acertos? Houve erros?
Aprendendo, como sempre, fazendo. A grande tecnologia Ninja é a recusa a dizer que "não vai dar". Todos os recursos, digitais e analógicos, podem ser utilizados para cobrir algo na rua. Os maiores acertos do ponto de vista técnico foram as construções e gambiarras cada vez mais portáteis e eficazes de transmissão de vídeo e fotos em tempo real. Do ponto de vista humano, a grande diferença é a disponibilidade 24hs dos envolvidos, a disposição de entrar no meio da ação e a base da articulação de colaboradores no país todo. Erros sempre acontecem. Desde deslizes técnicos a vacilos editoriais, comentários inadequados ou informações que poderiam ter sido melhor apuradas.

Você vê similaridade, na estrutura horizontal, entre a Ninja e movimentos sociais novos como o MPL?
Difícil responder por que não conheço bem o MPL por dentro. Talvez sim. Mas horizontalidade não é um conceito bem definido, nem homogêneo para nos compararmos com eles. Temos o maior respeito e admiração pela capacidade, maturidade e pelos argumentos do movimento passe livre. Mas, olhando de fora, vemos nosso trabalho mais como complementar, dentro de uma grande atualização dos processos políticos e de comunicação do que uma similaridade estrutural.

Já vi críticas à cobertura Ninja por sua “parcialidade”. O que você acha dessa crítica?
Entendo de onde vem a crítica, mas acho, no geral, um pouco equivocada. Nosso ponto de vista, nossa suposta parcialidade é, antes de tudo, assumida. Emitir uma opinião não pode significar, na era da rede, uma quebra da objetividade. Pelo contrário, cada vez mais ser subjetivo é ser objetivo também. Ser “neutro” diante de situações que consideramos injustas não é ser objetivo, é ser omisso. Mas me recuso a aceitar que somos tendenciosos. Basta ver nossa política de não edição. Transmitimos ao vivo, sem corte, direto da rua, dialogando e dando absoluta liberdade de expressão a todos os envolvidos nos protestos. Dos militantes de partidos, aos cidadãos de verde e amarelo, aos fascistas quase assumidos, aos policiais.

Qual sua avaliação pessoal desse momento no Brasil?
Antes de qualquer conclusão, acho que o mais importante nesse momento é a profunda ativação do pensamento político no país. Dos mais sofisticados pensadores ao mané mais despolitizado. O campo está aberto e todo mundo deu as caras na rua e na rede. É uma grande terapia coletiva ainda longe de acabar. Não me arrisco a grandes interpretações nesse ponto, mas sinto que é algo essencialmente bom. E que vai fortalecer, principalmente, os movimentos e organizações que trabalham causas e políticas quando a temperatura estava mais baixa.

Quantas pessoas estão envolvidas nas operações Ninja de cobertura das manifestações?

Difícil responder, já que pelo país muita gente está ajudando na cobertura colaborativamente. Mas existe um núcleo mais ativo em São Paulo e algumas capitais. Esse núcleo, que já estava trabalhando antes dos protestos começarem, e do Ninja ganhar tanta exposição, é de umas 10 ou 15 pessoas.

Belo Horizonte, 26.06.13 [foto: Mídia NINJA]

JORNALISMO TÁ MORTO?! TÁ NADA!

Pouco mais de dois anos atrás o jornalismo brasileiro começou a sofrer regulares ataques cardíacos. Também conhecidos como “passaralhos”, essas demissões em massa atingiram grandes empresas como as editoras Globo e Trip e os jornais Folha de S. Paulo e Estadão (do falecido Jornal da Tarde). Então, logo após a morte Roberto Civita em maio, o tsunami da crise chegou aos costados da Editora Abril. Em junho alguns executivos foram demitidos e entre ontem e hoje a tal “reestruturação” anunciada mostrou sua cara feia: foram encerradas as revistas Bravo, Alfa, Lola e Gloss, bem como os sites da revista Contigo e o abril.com.

As mais de 150 demissões previstas por esses dias alcançaram também as redações das revistas Info, Recreio, Contigo, Quatro Rodas, Viagem & Turismo, Placar, Men´s Health, Claudia e Veja, o portal M de Mulher e o site Bebê.com.

“A Abril encara esta fase como parte da evolução natural dos negócios e segue com a missão de difundir a informação, com excelência editorial, pioneirismo e integridade”, afirmou Fábio Barbosa, presidente da Abril S.A., em comunicado oficial & surreal. Claro que nem ele nem outros grandes executivos de empresas jornalísticas explicam como é possível ter excelência editorial com redações muito menores e profissionais sobrecarregados ou ganhando menos.

Precarizar a profissão jornalística é um caminho sem volta e quem perde mais com isso são justamente a credibilidade da informação e os leitores (esse caminho de mão dupla que é a essência do trabalho). Mas executivos não ligam para detalhes tão pequenos de nós todos e muito menos para os profissionais que estão na rua. Vivem de números, perdem aqui e ganham acolá, e bem podiam comandar a Comunicação de uma empresa farmacêutica ou o marketing de um banco, tanto faz.


Claro que existe uma crise no mercado e que ela tem atingido com mais contundência o jornalismo impresso que o televisivo, só que tantas demissões podem ser melhor explicadas por uma mistura de mau gerenciamento, soberba, investimentos errados, falta de visão estratégica, imediatismo e obsessão cega pelos anunciantes (Será que os anunciantes tão bajulados, e ocasionalmente intrometidos na linha editorial, continuarão juntos de um jornalismo cada vez mais raquítico?).

O jornalismo é maior que empresas jornalísticas e certamente sobreviverá a muitas delas. Para sorte de quem vive e ama a profissão, a boa notícia é que o jornalismo está se reinventando às próprias custas. Às vezes em coletivos independentes como a Pública – Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo, o Centro de Mídia Independente ou a Mídia Ninja e também dentro da grande imprensa por profissionais sérios e dedicados (de todas as gerações).

Vivemos também um momento no qual novas ferramentas jornalísticas estão disponíveis para todos, possibilitando que cada um crie seus próprios paradigmas de informação e comunicação (Não gosta da Folha? Não gosta da Mídia Ninja? Seja você mesmo sua mídia!). E isso é bom, caótico, transparente e renovador.

Tudo isso junto fará diferença para o futuro do jornalismo (além de pensar novas formas de negócio, obviamente) e não abraços simbólicos em homenagem a patrões.

p.s.: em 5 de agosto, o programa roda viva (tv cultura) entrevistou bruno torturra e pablo capilé sobre a mídia ninja.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

alma do brasil, instantâneos

décio galina me chama, eu vou. nessa segunda colaboração para a audi magazine a pauta era pedir para cinco renomados fotógrafos brasileiros escolherem uma foto que julgavam sintetizar o brasil. cinco fotografias, cinco regiões, um só país. e aí rolar uma conversa sobre a tal região e a foto, brasilidades e coisa e tal. todas as entrevistas rolaram por telefone e só tenho agradecer a disponibilidade e a simpatia dos envolvidos (sei bem que 'dar entrevista' não é o forte da profissão), mas a conversa com o mestre bóris kossoy foi particularmente deliciosa. ah, não custa repetir que a versão aqui no esforçado é sempre ligeiramente diferente da impressa.


EM BUSCA DA ESSÊNCIA

À pedido da Audi Magazine, cinco renomados fotógrafos brasileiros escolheram registros que resumem a grande experiência que é o Brasil



“Olha a tempestade caindo sobre o Rio Tapajós... tirei essa foto em 2008 durante uma expedição de pouco mais de um mês cruzando a Transamazônica. O Tapajós é um rio belíssimo com praias de areia branquinha na época da seca (julho a novembro). Nessa região existe a deliciosa tradição do Piracaia, que é comer peixe feito na areia da praia. Imagine a cena: o sol se pondo, o rio banhado por uma luz vermelha, a areia menos quente, umas estaquinhas de madeira seca com peixe frito. É uma coisa linda de se ver (e comer). Já andei tanto na Amazônia quanto os irmãos Villas-Boas, fiz quatro livros, conheci lugares maravilhosos como o Pico da Neblina, os lagos de Mamirauá, o Cabo Orange e o Parque Nacional de Anavilhanas, então, definitivamente, a região é a minha matriz criativa. Conheço o caboclo, o caráter dele, sua educação, beleza, simplicidade e força. Ele é o guardião de uma floresta que precisa cada vez mais buscar a sustentabilidade.”



“Essa foto foi tirada em 1972 em um dos períodos mais sombrios da história brasileira. Estava em Brasília pela segunda vez dentro de um projeto no qual fui a todas as capitais do país. Fotografava o que tinha de ser fotografado, mas também fazia imagens pra mim, como esta onde olho para o poder central, para uma justiça cega que só vê o que quer, tudo sob um contexto de deformação. É uma metáfora ao pé da letra daqueles anos de chumbo, o outro lado de uma balança desequilibrada no plano social e econômico. Como sou formado em Arquitetura também existe meu interesse estético pelas formas e espaços da cidade, mas lembro que na época parecia que estava andando em uma maquete, uma assepsia total. Não se via gente, tudo parecia mais ameaçador e isolado. Hoje a cidade está mais humanizada, mais plena de histórias e dúvidas. Sou formado em Arquitetura e a questão das formas, dos espaços, sempre esteve em minha cabeça. Brasília é tudo isso, mas quando você anda pela Esplanada hoje em dia vê que essa utopia moderna feita no coração do Brasil por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa finalmente é um lugar que quer ser cidade.”


“As Serras Gaúchas não são uma coisa só como muitos pensam com aquela coisa de italianos e alemães. A cultura do pampa, por exemplo, tomou conta dessa região de cânions, que vai de Cambará do Sul até Santa Catarina por uns 250 km. Tirei essa foto do Cânion Montenegro, no município de São José dos Ausentes, em 2011 para o meu livro Brasil Invisível, que foi uma tentativa minha de mostrar a população afastada dos grandes centros. Foi em um das minhas 30 viagens para a região e nessa vez fiquei em uma ex-estância de gado que virou pousada. Tive o prazer de compartilhar o dia-a-dia com o gaúcho tomando chimarrão, comendo churrasco no fogo de chão e fazendo passeios a cavalo que saem da praia e sobem esses paredões vencendo um desnível de 1000 metros. Esses cânions profundos possuem algumas das paisagens mais lindas que já fotografei, mas faço questão de não só registrar a natureza. A cultura do local tem que estar junto.”




“Nasci no Rio de Janeiro, mas fui bem cedo para São Paulo, onde fui criado. Depois morei por 20 anos em Nova York e quando retornei fiquei me questionando quem eu era, o que era ser brasileiro, porque mesmo sem querer perdemos as referências quando moramos longe. Então, no primeiro grande trabalho autoral após a minha volta decidi ir ao Rio de Janeiro para tentar me encontrar. Usei uma câmera grande, de médio formato, porque ela muda a relação com o que você fotografa (é junto com ela e não através dela). Ela é difícil, complexa, mas também te ensina a enxergar além do retângulo. E era isso que eu queria no Rio de Janeiro, ir além. Usando filme preto & branco, mexendo com foco e desfoque, paradoxos. Afinal, o Rio é um dos lugares mais contraditórios e extraordinários do Brasil, com praia e montanha, morro e asfalto, tudo muito próximo, muito junto. Essa foto é da praia do Leblom com o Morro Dois Irmãos ao fundo, e eu fiquei esperando o sujeito passar dentro do retângulo do gol.”


“Acho que a Bahia é o único estado brasileiro onde é possível ver a cultura tradicional nas ruas. Tem as baianas com trajes típicos vendendo acarajé e vatapá, o pessoal jogando capoeira, o candomblé, gente olhando o mar como se fosse numa foto dos anos 1930, os pescadores. E é uma cultura muito forte, basta olhar o tanto de excelentes músicos, pintores e escritores baianos. Existe esse clichê de falar que baiano é preguiçoso, mas discordo. Acho que eles tem um outro ritmo, que é muito mais ditado pelas forças da natureza, principalmente as marés. Eles sabem que não adianta perder tempo, muito menos se estressar, quando é a natureza que rege todas as coisas. Falando em natureza, essa foto eu tirei na Praia do Espelho, um lugar maravilhoso perto de Trancoso. Típica praia onde se pode desfrutar o que é essencial na Bahia: céu, sol e mar, tudo sem pressa.”

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

olho pro alto e vejo...

acabei esquecendo de colocar aqui um dos frilas do primeiro semestre, um que fiz para a revista private brokers. como é de história/fotografia - sobre o livro tetos do brasil - não envelheceu nadica de nada .

foto: bruno veiga

O CÉU QUE NOS PROTEGE

Desde que o mundo é mundo, um teto é muito mais que a segurança de que o céu, o sol e a chuva não desabem sobre nossas cabeças. “A história da humanidade está relacionada ao uso dos tetos como suporte para o registro de hábitos, ideologia e crenças do homem ao longo da sua história. Ao estudar a intervenção humana nos tetos, a partir dos primeiros registros nas cavernas até o uso de tecnologia atuais, pode-se conhecer a maneira como vive ou vivia determinada civilização. Como pensavam, no que acreditavam, seus hábitos e seu cotidiano”, explicou Renata Lima, coordenadora editorial de Tetos do Brasil – Origem, História e Arte (Editora Babel).

Experiente produtora cultural que vem se dedicando ultimamente ao mercado editorial, Renata teve a ideia deste trabalho numa viagem a Lisboa, em 2010, quando pesquisava sobre calçadas portuguesas para o livro-ensaio Tapetes de Pedra (19 Design). “Quando pensei em fazer o livro dos tetos tinha certeza que, pelo que já tinha visto mundo afora, teríamos material suficiente para um livro de referência sobre assunto. É que nosso patrimônio é riquíssimo. Basta entrar em qualquer igreja em Salvador ou passear por Brasília, olhar para o alto e perceber que o Brasil vem contribuindo há séculos nessa fina arte”, disse.

Numa edição luxuosa com 240 páginas, o livro traz belos ensaios fotográficos assinados por Bruno Veiga (coloridas) e Cristiano Mascaro (preto & branco) com os mais importantes tetos preservados de edificações brasileiras, e ainda os relaciona, em textos escritos por especialistas, com o momento histórico e estético em que foram realizados. Sem esquecer, claro, das especificidades e misturas da nossa arquitetura tropical.

foto: bruno veiga

É que desde que os primeiros carpinteiros e pedreiros portugueses aportaram por essas bandas, quando o Brasil ainda nem era chamado assim, a influência da metrópole foi sendo revista pelo clima, topografia e materiais disponíveis na colônia. “A austera e sombria casa peninsular portuguesa perdeu sua discrição e aspereza no Brasil e o uso da varanda externa forneceu a necessária integração com o mundo exterior”, afirmou o arquiteto Altino Caldeira, professor da PUC-MG e um dos convidados a escrever em Tetos do Brasil.

O conhecimento técnico dos índios também não era nada desprezível, como muitos experts acharam por bastante tempo, e sua discreta sofisticação fica patente no depoimento que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha deu ao livro. “Ele desenhou o teto de uma oca e comparou com o interior da catedral de Florença. Impressionante como a estrutura é similar. O que parece simples é na verdade de uma engenhosidade genial”, revelou Renata sobre uma das surpresas pessoais que teve durante a pesquisa.

foto: cristiano mascaro

De qualquer forma, igrejas e prédios públicos sempre foram os primeiros a ganharem construções mais esmeradas e seus tetos serviam como um fecho de ouro, ou uma carta de intenções, de tudo que estava relacionado à ostentação de seu próprio poder (religioso, político, financeiro, etc). Estão no livro exemplos muito bem preservados da arquitetura do Brasil Colonial em Salvador (Nossa Senhora da Conceição), Olinda (Mosteiro de São Bento) e Sabará (Nossa Senhora do Ó), por exemplo. Mas não há como negar que foram cidades mineiras como Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes, Sabará e Congonhas, por causa do Ciclo do Ouro no século 18, que mais se beneficiaram de tanto esmero. “Igrejas e casario demonstram em suas particularidades os resultados de uma arte que unia sentimento, devotamento e grande qualidade expressiva”, resumiu Caldeira sobre o barroco mineiro e seus tetos recheados de anjos e eventos, religiosos ou mundanos.

No início do século 19, com a chegada da Família Real (1808) e a Independência do Brasil (1822), foi a vez da então capital Rio de Janeiro ganhar mais sofisticação em suas construções. E enquanto esse século chegava ao fim, outras cidades e regiões eram beneficiadas por novos ciclos e boom econômicos: São Paulo e o Vale do Paraíba com o café, Manaus e Belém com a borracha. “Dos últimos momentos do Império herdamos os tetos das fazendas do café, das Casas de Misericórdia e dos palácios, onde se concentraram as riquezas que sobreviveram ao tempo do Brasil Colônia”, relembrou Caldeira. No livro, essas heranças são exemplificadas nas fotos das casas de fazenda da região de Bananal (SP) e no impressionante Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro.

Também no final do século 19 ocorreu a primeira grande leva de imigrantes não-ibéricos, o que estabeleceu outros contatos e influências do Brasil com o resto da Europa. De um lado veio o ecletismo, uma mistura de inúmeros estilos arquitetônicos de épocas diferentes, que já estava espalhado pelo Velho Mundo e virou moda nas grandes cidades brasileiras. Por outro, a chegada da luz elétrica e de novas tecnologias que conseguiam moldar mais facilmente ferro e vidro ampliaram os horizontes da então jovem arquitetura brasileira. E os tetos ganharam novos adereços. Assim nasceram o Teatro Amazonas em Manaus, o Teatro Municipal e a Confeitaria Colombo no Rio de Janeiro, e a Estação Júlio Prestes em São Paulo.

foto: cristiano mascaro

Mas foi no século 20, após o fim da Primeira Guerra Mundial, que as mudanças começaram a acontecer mais rapidamente na arquitetura. O que era rebuscado foi se tornando cada vez mais direto, minimalista e (enganosamente) simples, muito por causa do concreto. “Acrescentando um novo repertório aos tetos, que puderam ser simplificados ao extremo, a tônica dessa época foi a limpeza de ornamentos. O modernismo brasileiro enxugou nossa arquitetura das frivolidades e exageros do século 19, buscando novos significados para os espaços de convivência públicos e privados”, explicou Caldeira.

O modernismo de Oscar Niemeyer, cujo auge acontece entre a década de 1940 e a de 1960, aparece em diversas ocasiões no livro, além de alguns herdeiros como Décio Tozzi (Orquidário Ruth Cardoso) e Paulo Mendes da Rocha (Museu Brasileiro de Escultura). É que ninguém no mundo desenhou curvas e retas no concreto com tanta doçura e malemolência quanto o nosso modernismo; o que diz muito sobre quem o faz.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

esforçando o instagram #07

edição especial: músicos, em estúdio, no palco e em casa. participações especiais de paulo carvalho, fernando catatau e o instrumental (lincoln olivetti, kassin, richard ribeiro e clayton martin), caio bosco e arrigo barnabé.











sábado, 9 de junho de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

esforçando o instagram #05

edição especial: empurra empurra + marcha da maconha

"surubão do ibira #01"

"surubão do ibira #03"

"surubão do ibira #04"

"surubão do ibira #05"

"surubão do ibira #06" 

"concentração"

"4h20"

"branca de neve veio"

"reta final com fumacê"

"quem avisa amigo é"

terça-feira, 22 de maio de 2012

esforçando o instagram #04

ou coisas que acontecem quando se está na rua...

"lesma é tu"

"máscara, nada mais"

"vidro e nuvens, drama"

"de cima pra baixo tudo é telhado"

 "sem título #22"

"uma noiva baixo augusta"

"ocorrência"

"natureza morta #19"

"luz(es)"

"sombra, fios e vice-versa"