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sábado, 17 de dezembro de 2022

70 músicas e 30 discos brasileiros de 2022

depois que fechei essa lista percebi que neste ano ouvi quase nada fora da minha bolha rap-mpb. não sei porque. estranho. mas não teve quase nada de funks, arrochas, piseiros, pops variados (sertanejo realmente não consigo mesmo). paciência. mas tem 70 músicas aqui, é muita coisa vai.

muitas mulheres, como sempre. Anelis Assumpção, Alaíde Costa, Anitta, Deize Tigrona, Duda Beat, Iara Rennó (com Thalma de Freitas), Illy (em duas faixas, uma como protagonista e outra como convidada), Marina Sena (em duas faixas, mas como coadjuvante de luxo), Juçara Marçal, Larissa Luz, Luedji Luna, Lurdez da Luz, MC Tha, Céu (em duas faixas, uma como parceira e outra como convidada), Tiê, Tulipa Ruiz e Xênia França. e algumas estreantes por aqui, tipo Bruna Alimonda, Pâmela Amaro (com Maíra Freita e Yzalú), Rachel Reis e Victoria dos Santos. 

no mais, ouçam. 

 

A Banda dos Corações Partidos – “Intuição”
Alaíde Costa – “Pessoa-Ilha”
Amiri – “Tudo eu”
Anelis Assumpção – “Pouso de ave rara” (com Josyara)
Anitta – “Gata”
Baco Exu do Blues – “Inimigos”
BaianaSystem – “Catraca”
BK', Marina Sena & JXNV$ - “Se eu não lembrar”
Black Alien – “Pique Peaky Blinders”
Bruna Alimonda – “Canção de cansaço”
Bruno Morais – “Divindade”
Chico Buarque – “Que tal um samba?” (com Hamilton de Holanda)
China – “Deixe-se acreditar” (com Felipe S)
Coruja BC1 – “Auxílio emergencial do rap”
Criolo – “Quem planta amor aqui vai morrer” (com Tropkillaz)
Deize Tigrona – “Ibiza” (prod. Badsista)
Djonga – “Conversa com uma menina branca”
Duda Beat – “Dar uma deitchada”
Edgar – “Bíblia, boi e bala”
Elo da Corrente – “Homens e meninos”
Felipe Cordeiro – “Muita onda” (com Valéria Paiva)
Fernando Catatau – “Quando o dia amanhecer” (com Manoel Cordeiro)
Filarmônica de Pasárgada – “Rios e ruas”
Fióti – “Quando for falar de amor (Summer song)” (com Tuyo)
Froid – “Malandragem”
Gloria Groove – “Pisando fofo” (com Tasha & Tracie)
Iara Rennó & Thalma de Freitas – “Bàbá Orí”
Illy & Marina Sena – “Quente e colorido”
Jefferson Placido – “Música clássica do subúrbio”
João Donato & Céu – “Floriu”
Johnny Hooker – “Cuba”
José Miguel Wisnik – “Estranha religião” (com Marina Wisnik)
Juçara Marçal – “Um choro”
Kamau – “Pacífico”
Larissa Luz & Tropkillaz – “Cupido Erê”
Lucas Santtana – “Vamos ficar na Terra”
Luedji Luna – “3 Marias”
Luisa e os Alquimistas – “El misterio ya está aqui” (com Letrux)
Lurdez da Luz, Tiago Frúgoli & Ivan Conti – “Portal”
Manoel Cordeiro – “Mambo bragantino” (com Kassin, Pupillo e Marlon Sette)
MC Tha – “Figa de Guiné” (com Jongo Dito Ribeiro)
Mundo Livre SA & Doralyce – “Melô das musas empoderadas da Ilha Grande”
Orquestra Raiz – “Distractions”
Os Barões da Pisadinha & Parangolé – “Não que eu vá”
Pabllo Vittar – “Follow me” (com Rina Sawayama)
Pâmela Amaro, Maíra Freitas & Yzalú – “Deixa que eu vou te contar”
Parteum – “O balanço do efeito Dunning-Kruger”
Paulo Miklos – “Do amor não vai sobrar ninguém”
Projetonave & Caco Pontes – “Sétimo selo”
Rachel Reis & Céu – “Brasa”
Rashid – “Linha de frente” (com Amiri e Don L)
Rico Dalasam – “30 semanas”
Rodrigo Campos, Juçara Marçal & Gui Amabis – “Faca”
Russo Passapusso & Antonio Carlos & Jocafi – “Pitanga”
Samuca e a Selva – “Lambe-lambe” (com Illy)
Siloque – “Desidratando”
Surra de Rima – “Faz a linha”
Tatá Aeroplano – “Na beleza da vida”
Thiago Elniño & Tolen – “Dengo Modo Tambor”
Tiê & Adriano Cintra – “Pagar pra ver I”
Tim Bernardes – “BB (Garupa de moto amarela)”
Tom Zé – “Metro Guide”
Trio Shaloshinho – “Que mêda”
Tulipa Ruiz – “Não pira” (com Jonas Sá)
Urias – “Tanto faz”
Victória dos Santos – “Estou velha” (com Rodrigo Campos)
Vitor Ramil – “Rilke Shake”
Wado – “Atiraste uma pedra” (com LoreB)
Xênia França – “Interestelar”
Zudizilla – “Matrix” (com Coruja BC1)
 
e os DISCOS BRASILEIROS de 2022... dentre estes 30 discos, destaques meus para os trabalhos novos das amigas-parceiras-irmãs Iara Rennó (o afro-espetacular Oríkì) e Anelis Assumpção (o femininíssimo Sal), pros raps ferozes de Baco Exu do Blues (QVVJFA?) e Criolo (Sobre Viver), pros veteranos & inquietos Tom Zé (Estudando a Língua Brasileira) e Alaída Costa (O Que Meus Calos Dizem de Mim), pra MC Tha cantando lindezas pouco conhecidas de Alcione (Meu Santo é Forte), pra Vitor Ramil todo em parceria com Angélica Freitas (Avenida Angélica), pros lindos trampos solo de Fernando Catatau (também Fernando Catatau) e Russo Passapusso (Alto da Maravilha, feito junto com os veteranos-referência Antônio Carlos & Jocafi), para as belezas totais de um dos preferidos da casa, José Miguel Wisnik (Vão), pra alegria de Wado (com o solar e auto-explicativo O Disco Mais Feliz do Mundo Vol. 1) e pras múltiplas São Paulos em Tulipa Ruiz (Habilidades Extraordinárias), Bruno Morais (Poder Supremo) e Tim Bernardes (Mil Coisa Invisíveis).

Alaíde Costa – O QUE MEUS CALOS DIZEM DE MIM
Anelis Assumpção - SAL
Anitta – VERSIONS OF ME
Baco Exu do Blues - QVVJFA?
Bruno Morais - PODER SUPREMO
China – CARNAVAL DA VINGANÇA
Criolo - SOBRE VIVER
Djonga - O DONO DO LUGAR
Fernando Catatau - FERNANDO CATATAU
Filarmônica de Pasárgada - PSSP
Iara Rennó - ORÍKÌ
João Donato – SEROTONINA
José Miguel Wisnik - VÃO
Juçara Marçal - EPDEB
Larissa Luz & Tropkillaz - DEUSA DULOV VOL. 1
Luisa e Os Alquimistas - ELIXIR
Manoel Cordeiro, Kassin, Pupillo & Marlon Sette – LEVADAS DE FESTA
MC Tha - MEU SANTO É FORTE
Mundo Livre S/A - WALKING DEAD FOLIA
Rachel Reis - MEU ESQUEMA
Rashid - MOVIMENTO RÁPIDO DOS OLHOS
Rico Dalasam - FIM DAS TENTATIVAS
Rodrigo Campos, Juçara Marçal & Gui Amabis - SAMBAS DO ABSURDO VOL. 2
Russo Passapusso, Antônio Carlos & Jocafi - ALTO DA MARAVILHA
Tatá Aeroplano - NÃO DÁ PRA AGARRAR
Tim Bernardes - MIL COISAS INVISÍVEIS
Tom Zé - ESTUDANDO A LÍNGUA BRASILEIRA
Tulipa Ruiz - HABILIDADES EXTRAORDINÁRIAS
Vitor Ramil - AVENIDA ANGÉLICA
Wado e o Bloco dos Bairros Distantes - O DISCO MAIS FELIZ DO MUNDO VOL. 1


sábado, 25 de fevereiro de 2012

35 minutos de história

foi em 2005 que a universal finalmente lançou phono 73 (em dois cds e um dvd), o célebre show que a então gravadora polygram promoveu em são paulo, entre 11 e 13 de maio de 1973, com os artistas de seu casting. se você ainda não viu os 35 minutos de filmagens que sobraram daquelas noites separe um tempinho em sua vida atribulada e divirta-se com grandes encontros, loucuras mil e um pouco do melhor da música brasileira (de então e de sempre).


quase impossível conceber uma gravadora (que mais tarde se transformaria na philips e depois em universal) com um elenco absurdamente excelente como esse. e dá-lhe ronnie von, hermeto pascoal, nara leão, mpb-4, odair josé, jair rodrigues, wilson simonal, maria bethânia, gal costa, dominguinhos, toquinho, vinicius de moraes, caetano veloso (pirando progressivamente em "a volta da asa branca", afinal o baiano estava em sua fase araçá azul), jorge ben (suingando loucamente ainda no violão e também com gilberto gil em "jazz potatoes", por exemplo), raul seixas (em performance endiabrada), elis regina (toda em ritmo de tango), sérgio sampaio (sensualizando "eu quero é botar meu bloco na rua"), chico buarque e gilberto gil (que fazem a mais radical versão de "cálice", com direito a microfone de chico cortado pela censura dos milicos, a letra trocada, o escambau).

domingo, 18 de dezembro de 2011

as canções que você fez pra mim

segue aqui no esforçado o texto que foi minha primeira contribuição ao farofafá, dos camaradas pedro alexandre sanches e eduardo nunomura. é sobre o novo documentário de eduardo coutinho, as canções, que ainda segue em cartaz em poucos cinemas nas cidades de são paulo, rio de janeiro, fortaleza, salvador, porto alegre, brasília e joão pessoa.


NO CORPO DE QUEM CANTA

As Canções, o mais novo documentário de Eduardo Coutinho, estreou na sexta passada em alguns poucos cinemas de algumas poucas cidades e, provavelmente, não fará a boa e surpreendente bilheteria que Edifício Master teve lá em 2002. Não merecia. Só o anúncio que foi colocado para convocar pessoas no Rio de Janeiro para participar do filme (“Alguma música já marcou sua vida? Cante e conte sua história”) já seria uma deixa para se prever que Coutinho levaria o espectador para o terreno dos sentimentos mais populares: amor, perda, traição, saudade, alegria. E isso dá samba, sabemos bem. Ou samba canção. Ocasionalmente bolero. É identificação imediata e não importa idade ou gosto musical (e olha que a faixa etária d’as canções do documentário é alta). Enfim, sucesso. Mas isso não acontecerá com As Canções e sua muita tímida distribuição.

Ao total, 237 pessoas foram entrevistadas pela sempre afiada equipe de Coutinho, 42 foram gravadas e 18 entraram na edição final. O formato do filme é o mesmo de Jogo de Cena (2007) – uma cadeira, um palco, um entrevistado por vez rasgando o peito -, o que acaba lhe conferindo um ar de déjà vu. Mas isso é o de menos, originalidade hoje em dia está nos detalhes ou na construção de algo. O que importa em As Canções são as histórias e suas relações íntimas com a música popular brasileira. Coisa de pele mesmo.

Como a de um músico (tô em dúvida agora sobre a profissão do cara), talvez a mais surpreendente dessa leva. Ele conta sobre seu primeiro casamento que o levou a tocar na Igreja Batista, e da súbita interrupção do mesmo com a morte de sua mulher. Depois a depressão, um novo amor, o segundo casamento, a saída da igreja. Mas acaba lembrando de uma música (“Esmeralda”, bolerão de 1960 cantado por Carlos José) que associa a sua mãe costurando em casa. E começa a chorar copiosamente. Mas sua mãe está bem, viva, 85 anos, não tem nada de errado e ele fica desconcertado sem saber por que chorou desse jeito, com essa música.

Muitas outras histórias aparecem. Doloridas, divertidas, ricas, mas a maioria girando em torno de amores perdidos, por desencontros ou separações. É aí que as músicas de Roberto Carlos (e Erasmo) entram de sola nos corações de alguns entrevistados (“Não se Esqueça de Mim” e “Olha”) e de milhões de brasileiros. Coutinho chegou a afirmar em entrevista recente que o filme todo poderia ter sido feito apenas com Roberto e Erasmo, mas que as negociações de direitos seriam muito problemáticas.

De qualquer forma, entram ainda nesse microcosmo sentimental canções como “Minha Namorada” (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes), “Retrato em Branco e Preto” (Tom Jobim e Chico Buarque), “Último Desejo” (Noel Rosa) e as clássicas versões em português das latinas “Fascinação” e “Perfídia”. A música mais nova presente no filme é “Que Nega é Essa?” (Jorge Ben), já que “Pais e Filhos” (Legião Urbana), segundo o próprio realizador, acabou ficando no chão da sala de edição.

E assim, em suas falas e histórias, os personagens vão deixando claro que o romantismo é a faceta mais importante, mais próxima, de sua relação com o cancioneiro popular brasileiro. Músicas servem para lembrar, celebrar ou curar o amor, são terapêuticas em sua essência, e é isso que marca a vida das pessoas (a maioria das histórias do filme são entre mulher X homem, mas também entraram casos de filho X pai e filho X mãe).

Ainda haverá o momento que conseguiremos entender direitinho porque povo tão festivo curte mesmo uma fossa. As Canções, de Eduardo Coutinho, dá uma pista: a música popular é o divã do povão.



Epílogo-diálogo

No sábado a tarde, 10 de dezembro, um dia após a estréia, o colega James Cimino me chamou no facebook perguntando se eu gostava de Coutinho (respondi que sim, claro), porque ele não gostava, tinha escrito uma crítica negativa ao filme e queria saber minha opinião, queria entender porque as pessoas gostavam do cineasta. Então li seu texto, voltei ao bate-papo e, brincando, disse que como ele já tinha me adiantado que não gostava do Coutinho discordei de tudo que ele tinha escrito. Ali, na hora, começamos a discutir o processo dele, as escolhas, mas só depois de assistir o filme à noite tive a confirmação do que, pra mim, era o erro de sua análise.

“Na maioria dos casos, os entrevistados estão apenas expostos ao escárnio público, quando não à piedade coletiva”, diz Cimino sobre os personagens que vão cantando, abrindo e fechando suas feridas publicamente. E isso eu não consigo entender porque vejo aquelas pessoas com muito orgulho de ter essas histórias e de poder contá-las (ou teatralizá-las). Sentir-se constrangido com essa exposição é problema unicamente do espectador.

Tenho certeza que se o estrevistado tivesse se arrependido ou tivesse “apelado”, Coutinho seria o primeiro a cortá-lo (tanto para preservar o filme quanto o personagem, afinal sendo jornalista como Cimino, eu e os camaradas do Farofafá, ele sabe que ‘respeito’ e ‘confiança’ são fundamentais na relação ideal entre entrevistado e entrevistador).

Cimino fala ainda que “ao encadear essas histórias desconexas umas das outras, não apresenta reflexão nenhuma, como se espera de um documentário”. E aí está outro erro. As histórias não são nada desconexas, pois na costura de todos os depoimentos está a ligação íntima entre sentimentos pessoais e sua manifestação musical (o bom e velho “essa música foi feita pra mim”). No mais, um documentário, como qualquer outro filme, não é obrigado a apresentar reflexões, ou o que quer que seja, como “se espera”. As histórias podem ser bem ou mal contadas, e o resto é com a gente.

Pra mim é impossível imaginar Coutinho explorando a miséria humana, como Cimino afirma numa comparação de As Canções com realities shows que apelam para o choro fácil. Em todos os seus filmes que vi – de Cabra Marcado Para Morrer a Moscou, passando por Santo Forte, Babilônia 2000, Edifício Master, Peões, O Fio da Memória e Jogo de Cena –, a emoção é sempre intensa, mas o choro é raro e quando vem é à reboque de uma identificação com a história de uma ou outra pessoa (e não por meio de artifícios).

Coutinho é um antisentimental por natureza, oras bolas, mas seus entrevistados não, e é desse “confronto” que surgem alguns dos melhores momentos de seus filmes. Porque Coutinho não julga e gosta de ouvir, o que faz com que seus entrevistados se sintam livres e confiantes para rasgar o coração diante das câmeras.


o militar aposentado que é um dos 18 entrevistados que entraram
na edição final de as canções

quarta-feira, 27 de julho de 2011

chico, apenas chico

não tenho nada o que falar sobre chico (biscoito fino, 2011) além de que achei um disco chato, arrastado, sem brilho. adoraria ter gostado, mas não aconteceu. acredito, sinceramente, que os arranjos do violonista luiz cláudio ramos, o jaques morelenbaum de chico buarque, ajudam e muito nessa sensação que tive de mesmice. pode ser chatice minha também. o lado bom é que mais uma vez o bruno natal acompanhou as gravações com sua câmera (já tinha acontecido na época do carioca) e o resultado é o ótimo dia voa, documentário disponível na íntegra junto com outros quitutes no chico buarque: bastidores. chico é figuraça.

Chico - "Dia Voa" from Chico Buarque: Bastidores

pra não dizer que não gostei de nada, achei bonita a última faixa, "sinhá", um afrosamba dolorido. e só. a música é parceria de chico com joão bosco, que toca violão e faz uns vocais.


Chico: Bastidores - Clipe "Sinhá" from Chico Buarque: Bastidores

p.s. 1: no mais, engraçado comparar o chico do disco chico com sua participação em "embebedado", uma das faixas de indivisível de zé miguel wisnik (assunto de um recente letra/música). o arranjo da música tem poucos instrumentos, mas seus poucos minutos são mais modernos que o disco inteiro do chico. mais engraçado ainda é acompanhar as piruetas intelectuais do violonista arthur nestrovski, músico presente em quase todas as faixas do disco duplo de wisnik, ao defender chico no estadão.

p.s. 2: quase ia esquecendo de colocar um dos trechos mais divertidos desses bastidores filmados (e que não está no dia voa). é quando chico comenta e racha o bico com a descoberta dessa tal internet (e desse pessoal que povoa as caixas de comentários).

Video do dia: Comentários na Internet from Chico Buarque: Bastidores on Vimeo

sábado, 30 de abril de 2011

fique atento! criolo no microfone!

só se você esteve fora do ar na semana. só assim pode não ter cruzado com alguma coisa-notícia-dica relacionada ao paulistano criolo e seu segundo disco, nó na orelha, que foi liberado para download gratuito pelo próprio (agora em maio saem as versões em cd e vinil). se você não ouviu nada a respeito fique atento porque logo vai ter gente aí do seu lado falando que é o disco do ano, que o cara detona, numa corrente daquelas que vira onda grande, unanimidade surpreendente e nada burra. fique atento!

alguns meses atrás um dos produtores do disco, daniel ganjaman colocou em seu soundcloud três aperitivos do disco: o rap forte "grajauex", a balançante e malandra "subirusdoistiozin" e a soul "não existe amor em sp". aí já deu pra sacar que um dos comandantes da lendária rinha dos mcs de são paulo, e que em 2006 estreou com o convencional ainda há tempo, tinha mudado. o rap continuava ali nas suas músicas, mas de repente aquele rap era uma canção! com cara de clássico, "não existe amor em sp" é um bom exemplo de que o tema da cidade, tão caro ao rap, está ali, mas sob violinos, batidas e sentimentos soul. quando as outras sete faixas de nó na orelha caíram oficialmente na rede no início da semana, a variedade de caras e sons de criolo se mostrou ainda maior e melhor (com ajuda de ganjaman e marcelo cabral, do trio marginals, o outro produtor). escuta só o disco todo aí embaixo e me diz se estou mentindo.

Criolo - Nó Na Orelha by PoesiaRitmada

o disco começa com "bogotá" em ritmo de afrobeat, mas tem afrosamba em "mariô" (parceria com kiko dinucci), reggae adubado em "samba sambei", bolerão setentista em "freguês da meia noite", mais rap em "sucrilhos", orientalidades em "lion man" e o sambão divertido "linha de frente", com direito a uma turma da mônica do asfalto. sem parecer esquizofrênico, e muito menos oportunista, a variedade de vozes e ritmos de criolo é toda natural, absolutamente autêntica, fazendo de nó na orelha um microcosmos de achados e possibilidades para o rap e a canção brasileira. são as coisas que se ouve saindo do jeito que se sente. e sem as amarras de um gênero. afinal, quem disse que um rapper não pode fazer um bolero?

mas essas dez faixas são apenas um pedacinho de sua produção. parece que o sujeito está compondo como quem respira. então separei aqui videos de outras músicas. começando com uma homenagem a "cálice", aquela mesmo cantada por chico buarque e milton nascimento.



ou então "pra quê cerol?", numa versão ao vivo, rap meio punk e meio jazz com participações de lurdez da luz e os marginals.



e encerrando com a nordestina "lantejoula", dedicada aos seus pais cearenses (e como meus pais, como eu, também são cearenses, aproveito e dedico também a eles).



e o sujeito tem uma presença de palco que vou te falar...

p.s.: vale ler as resenhas do camilo rocha no bate estaca e a do velot wamba na + soma, e a reportagem do pedro alexandre sanches.

quinta-feira, 21 de maio de 2009