foi no blog do blundetto que fiquei sabendo do tributo brassens - echos d'aujourd'hui (fanon records), uma homenagem transglobal ao poeta, cantor e compositor anarquista francês georges brassens. nunca tinha ouvido falar dele, confesso, mas semana passada finalmente achei link para download do disco (aqui ou aqui) e é uma coisa linda. e também surpreendente porque foram reunidos artistas de várias partes do planeta cantando brassens em suas línguas nativas, o que acaba abrindo inúmeras portas para se procurar as versões originais e compará-las, colidí-las, etc. nas 16 faixas aparecem figuras como shawn lee (estados unidos), lianne la havas (inglaterra), grupo canalon de timbiqui (colômbia), las hermanas caronni (argentina), enkhjargal (mongólia), anthony joseph (trinidad), yael naim (israel) e, claro, blundetto (frança). mas então aparece rodrigo amarante cantando "o não-pedido de casamento" e... puxa... que versão, que música espantosamente linda e rebuscada. escuta só.
o não-pedido de casamento
(georges brassens, tradução e adaptação de rodrigo amarante e stephane san juan)
meu bem, por deus, tenho um pedido
não apontemos pro cupido
sua própria flecha
tantos amantes se arriscaram
com seu gozo eles pagaram
tal sacrilégio
uma aliança em cada mão
a jurar ordem de prisão
em domicílio
pro inferno, amélias secas amas
que deixam frias suas camas
pra pilar milho
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
vênus presa perde o viço
e com o choriço frita o juízo
cai na comida
por nada neste mundo eu vou
despetalar sobre o escargot
a margarida
cai o véu, com ele o encanto
o segredo da sereia, o canto
de Melusine
o batom nas cartas perde a cor
entre uma e outra página do
Nouvelle Cuisine
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
é muito fácil a gente pensa
largar no fundo da despensa
numa conserva
o belo fruto proibido
perdeu o gosto, foi cozido
não se preserva
de uma empregada eu não preciso
tratado a pão de ló, aviso
não quero nunca ser
como uma noiva eterna intento
a dona dos meus pensamentos
eu sempre ver
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
amarante, que está para lançar seu primeiro disco solo (cavalo), canta e toca violão acompanhado de berna ceppas (sintetizador), moreno veloso (cello), alberto continentino (baixo) e stephane san juan (percussão). agora veja e escute brassens direto de algum lugar dos anos 1960...
nas buscas por saber e ouvir mais dessa música encontrei ainda uma versão instrumental comandada por eddie "lockjaw" davis (sax tenor) e harry "sweets" edison (trompete) e lançada em 1979.
p.s.: agradecimentos a bebel prates que conseguiu essas informações (banda, tradução e revisão da letra que transcrevi) com o próprio amarante.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
letra/música #27 e transversão #42
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
esforçado 4 anos
foi agora, dia 7 de fevereiro, que o esforçado completou 4
anos de existência. não lembrei no dia, cabeça a mil, mas sabia que dessa vez
precisava comemorar de alguma forma. já tinha rolado um aquecimento, digamos
assim, com o surgimento do projeto “você
praça acho graça”, mas me deu vontade de fazer umas coletâneas pra
download. e qual seria o recorte? já tinha feito de reggae
e música
brasileira, então sobrou pra paixão mais recente, a latina. chegou então a
vez de reunir sons da colômbia, peru, panamá, porto rico, caribenhas e globais,
coisas belas de ontem e hoje, balanço negro e mestiço da pesada. acabei
fechando em 3 coletâneas, com 13 faixas cada. sabe aquela coisa de “o gerente
ficou louco! a gente faz aniversário e quem ganha o presente é você”? então, é
exatamente o caso. a primeira das selectas é toda de instrumentais e devo
confessar que é a minha preferida tanto por causa da versão absolutamente
sensacional de “90 percent of me is you” feita em 1975 pelo amral's trinidad
cavaliers, grupo de trinidad tobago, quanto pela doçura de “una tarde en
mariquita”, canção que grudou lindamente em mim no ano passado e que é um dos
pontos altos do encontro dos ingleses quantic e alice russell com os
colombianos do combo bárbaro. mas claro que tem mais. lembrando que basta clicar nas imagens pra baixar.
esforzado #01
amral's trinidad cavaliers – “90 percent of me is you”
(trinidad tobago)
los beltons – “cumbia pop” (peru)
los miticos del ritmo – “willy’s merengue” (colômbia e
inglaterra)
rosendo martinez y su orquesta – “el alegron” (colômbia)
lucho bermudez y su orquesta – “fiesta de negritos” (colômbia)
los superiores – “descarga superior” (panamá)
los mirlos – “sonido amazonico” (peru)
los destellos – “constelación” (peru)
los wemblers de iquitos – “lamento del yacuruna” (peru)
jesus acosta & the professionals – “guajida” (belize)
los silvertones – “carmen” (panamá)
quantic, combo bárbaro & alice russell – “una tarde en
mariquita” (colômbia e inglaterra)
original
tropicana steel band – “ain't no sunshine” (trinidad tobago)
...
a segunda coletânea é uma mistura de colômbia com porto
rico, países com tradições musicais riquíssimas. a colômbia então... é de lá que surgem coisas maravilhosas como a
cumbia moderna de soledad (que em “shacalao” estabelece uma ponte entre o país
e a áfrica via fela kuti), jesus torres y sus provincianos e o sexteto manaure.
de porto rico vem surpresas como o incansável e versátil cortijo e bobby valentine,
este já criado no harlem espânico em nova york.
esforzado #02
cumbia moderna de soledad – “shacalao” (colômbia)
los salvajes – “amor salvaje” (colômbia)
cortijo y su combo – “déjalo que suba” (porto rico)
luis kalaff y sus alegres dominicanos – “agarralo que eso es
tuyo” (porto rico)
cortijo y su combo & ismael rivera – “el bombón de elen”
(porto rico)
jesus torres y sus provincianos – “de mala y de buena”
(colômbia)
angel luis torruellas y su conjunto pleneros de borinquen –
“camélia” (porto rico)
monse garcía y su conjunto – “el gallo espuelérico” (porto
rico)
abelardo carbono – “quiero mi gente” (colômbia)
canario y su grupo & raful – “cortaron a elena” (porto
rico)
sexteto manaure – “bajo el trupillo guajiro” (colômbia)
bobby
valentin – “funky big feet” (porto rico e spanish harlem)
afrosound – “el eco y el carretero” (colômbia)
...
a terceira e última coletênea deste aniversário do esforçado
é uma mistura e tanto. tem sons setentistas de cuba, panamá e república
dominicana, e também músicas de grupos atuais que prestam homenagem e recriam a
tradição caribenha do sacolejo, entre eles os colombianos do frente cumbiero e
os transnacionais bronx river parkway, los po-boy citos, chicha libre, ska
cubano e ondatrópica.
esforzado #03
los invasores – “el raton” (panamá)
orquestra riverside – “en casa del trompo no bailes” (cuba)
papi brandão y sus ejecutivos – “decidete mi amor” (panamá)
bobby quesada and his band – “bataola boogaloo” (república
dominicana/spanish harlem)
los van van – “y no le conviene” (cuba)
bobby quesada and his band – “ritmo moderno” (república
dominicana/spanish harlem)
papi brandão y conjunto aires tablenos – “la murga de
panamá” (panamá)
frente cumbiero & mad professor – “la bocachico”
(colômbia e guiana)
bronx river
parkway – “el resbalón” (nova york)
los po-boy
citos – “fried neck bones and some homefries” (nova orleans)
chicha libre – “lupita en la selva y el doctor” (nova york)
ska cubano – “lupita” (londres)
quantic & frente cumbiero's ondatrópica – “suena”
(colômbia e inglaterra)
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
charangas me mordam
nos últimos tempos, o pobre e esquecido carnaval de rua paulistano vem ganhando um fôlego novo. a cada ano surgem blocos novos - agora em 2013, por exemplo, tem o bloco soviético (dia 2, 16h) - e projeto especiais como a espetacular charanga do frança. big band liderada por um dos homens que mais trabalha na música de são paulo, o saxofonista thiago frança (sambanzo, criolo, metá metá, marginals, etc.), a charanga tem se apresentado às quartas no centro cultural rio verde e é um das maiores delícias de ouvir e ver (olha aqui o poder deles ao vivo). tem show hoje, dia 30, e na quarta que vem, dia 6 de fevereiro. o repertório vai de marchinhas clássicas como "taí" até versões inusitadas de canções como "cheia de manias" (raça negra), "lama" (mauro duarte) e "retalhos de cetim" (benito di paula), passando por composições próprias da pesada como estas três que o frança disponibilizou em seu canal no youtube.
o grupo é formado por thiago frança (sax alto), anderson quevedo (sax barítono), amílcar rodrigues (trompete), didi machado (trombone), emerson bernardes (cavaquinho), samba sam (surdo), tony gordin (reco) e pimpa moreira (bateria). e aqui abaixo fotos dos shows que fui nos dia 16 e 30 de janeiro, e 6 de fevereiro, respectivamente.
o grupo é formado por thiago frança (sax alto), anderson quevedo (sax barítono), amílcar rodrigues (trompete), didi machado (trombone), emerson bernardes (cavaquinho), samba sam (surdo), tony gordin (reco) e pimpa moreira (bateria). e aqui abaixo fotos dos shows que fui nos dia 16 e 30 de janeiro, e 6 de fevereiro, respectivamente.
sábado, 22 de dezembro de 2012
caranguejo eu, caranguejo tu
após voltar ao mundo dos frilas uma das primeiras coisas que aconteceu foi uma pauta aceita pela trip. o tema da edição que acabou de chegar às bancas é praia e nela emplaquei uma reportagem sobre a caranguejada, evento tradicional das noites de quinta em fortaleza. quer dizer, originalmente era uma reportagem, mas por causa da dificuldade de encontrar fotos legais do evento (e sem tempo de produzí-las) acabou virando uma nota. de modos que... é uma semi-estreia na trip (agradecimentos a lino bocchini que pegou a pauta e lia hama que editou o texto). segue, portanto, o original.
CARANGUEJAR, VERBO INTRANSITIVO
CARANGUEJAR, VERBO INTRANSITIVO
Nas noites de quinta,
as praias de Fortaleza são o palco de uma inusitada mistura que envolve leite
de côco, coentro, forró, piadas e crustáceos piauienses
Que uma coisa fique clara logo de início. Os caranguejos que
participam de uma das maiores tradições gastronômicas de Fortaleza não são
locais. Nenhum deles. A típica caranguejada é feita com exemplares de Ucides cordatus cordatus – o bom e velho
caranguejo-uçá – pescados no piauiense Delta do Parnaíba e em Belém. É que o
prato ganhou status de atração nobre nas noites de quinta na cidade, tanto nas
barracas da Praia do Futuro quanto em restaurantes, e a demanda passou a ser
tão alta que os mangues da costa cearense não deram conta.
“Essa história começou aqui no Chico do Caranguejo em 1987
por obra do Seu Francisco Quirino, pai do Chico. É que naquela época os
caranguejos chegavam de Parnaíba somente às quintas e era um jeito de comemorar
com os bichos mais fresquinhos”, explicou André Brauna Santos, 24 anos,
subgerente há três anos da barraca, uma das mais conhecidas da Praia do Futuro.
Atualmente os crustáceos só não chegam às segundas e a
logística de seu transporte é quase militar, pois precisam chegar vivos ao
caldeirão, distante pelo menos 500 km de seu habitat natural. “Só aqui na
barraca são consumidos 3 mil caranguejos por noite de quinta e distribuímos
outros 15 mil”, enumera orgulhoso.
Regados a leite de côco, cebola, pimentão, cebolinha e
coentro, os milhares de caranguejos-uçá consumidos nos 6 km da costa da Praia
do Futuro foram, com o passar do tempo, ganhando acompanhamentos pitorescos.
Desde apresentações ao vivo de música até shows de humor, vale tudo para chamar
o cliente nativo (os turistas ainda preferem o dia, o pé na areia).
Agora pense no seguinte cenário: famílias, alguns casais,
grupos de amigos, todos chegando arrumados para ocupar o grande salão aberto da
barraca-restaurante; um vento noturno correndo pela praia; e o barulho incessante
de batidas e patas sendo quebradas e devidamente chupadas. Para se chegar à
caranguejada ideal liquidifique tudo isso ao som de atrações como grupos de
forró pé-de-serra, cantores genéricos de MPB e os comediantes Ciro Santos e
Augusto Bonequeiro (e seu boneco Fuleragi). Afinal, os caranguejos podem não
ser locais, mas as piadas de corno são 100% cearenses.
p.s.: procurando uma trilha pra cá achei essa boa e caseira versão instrumental de "vendedor de caranguejo" (gordurinha) feita por um tal de araújo bossa nova.
terça-feira, 26 de junho de 2012
todo mundo dança
e um pessoal da romênia organizou ano passado um flash mob em bucareste para homenagear a coreógrafa alemã pina bausch (1940-2009) e ainda por cima divulgar o belíssimo documentário pina, de wim wenders. o resultado é emocionante, principalmente por ver a dança contemporânea ganhar as ruas. dica de @Jugranjeia.
lembro que quando assisti o trailer fiquei fascinado por uma música, mas depois que vi o filme acabei esquecendo de saber qual era seu nome e quem era o autor. o video acima me relembrou essa lacuna e ontem descobri que o compositor é o japonês jun miyake, a música se chama "lillies of the valley" e foi originalmente composta para o espetáculo vollmond (2006). coisa mais linda.
lembro que quando assisti o trailer fiquei fascinado por uma música, mas depois que vi o filme acabei esquecendo de saber qual era seu nome e quem era o autor. o video acima me relembrou essa lacuna e ontem descobri que o compositor é o japonês jun miyake, a música se chama "lillies of the valley" e foi originalmente composta para o espetáculo vollmond (2006). coisa mais linda.
sábado, 17 de setembro de 2011
pra desanuviar
depois de uma semana de muitas emoções - jornalistas musicais em chamas, yahoos de ontem e hoje, a estreia do gafieiras no mundo das twitcams e mais um fechamento da monet -, saio de férias. darei notícias e continuarei ali pelas quebradas do twitter e facebook, porque não consigo ficar longe. quem sabe até coloco nesse meio tempo umas descobertas, umas imagens, videos, sei lá. mas por enquanto tiro o pé do acelerador, abro a janela... porque nesse setembro eu resolvi fazer algo de diferente... resolvi ir para o litoral gaúcho!
brincadeira. "a última estrada da praia" é a faixa que encerra o excelente e instrumental música pra ouvir sentado (independente, 2011), de arthur de faria e seu conjunto, e foi originalmente feito para a trilha do longa a última estrada da praia, de fabiano de souza.
então... porque nesse setembro eu resolvi fazer algo de diferente... resolvi sair de rolê por pernambuco com um careca!
vamos lá, outra vez... porque nesse setembro eu resolvi fazer algo de diferente... resolvi cair no ziriguidum do mundo.
"ziriguidum" é mais um clipe e música fodásticos de lurdez da luz.
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
gafieiras ao vivo
quarta-feira, dia 14 de setembro de 2011, o gafieiras fez sua primeira entrevista com transmissão via twitcam. o protagonista da vez foi o grande violonista heraldo do monte que no dia seguinte declarou em seu facebook: "nunca me desnudei tanto numa entrevista como a de ontem". foi a primeira ação comemorativa dos dez anos de existência do site e até o fim do ano sobe o sítio de cara totalmente nova. e fora as muitas entrevistas de arquivo, quatro inéditas estão na fila para chegar ao público. tem sérgio ricardo, nasi, luiz tatit e gaby amarantos. a quinta é essa do heraldo, que já está na íntegra em video logo abaixo, mas que ganhará sua versão transcrita no site novo
som, imagem e transmissão rolaram muito bem. e a entrevista foi excelente, como de costume. assisti metade das poucos mais de duas horas de conversa boa por motivos de força maior (trabalho, trânsito), mas o que vi honrou a tradição.
bateu também uma tristezinha, afinal fazem uns três meses que me desliguei oficialmente do gafieiras após quase dez anos de serviços prestados, e acompanhar a entrevista de longe (via twitcam, oras) dava um aperto no coração. mas fiquei muito feliz em ver como as coisas deram certo. e felicidade é o que importa, né não? vida longa ao gafieiras.
ah, e se você não faz ideia quem é o velhinho falante da janela acima - mais informações sobre sua longa, discreta e sensacional carreira no dicionário cravo albin - saiba que ele integrou um dos grupos instrumentais mais interessantes, e de vida mais breve, da história da música brasileira, o quarteto novo. eram heraldo (viola e guitarra), théo de barros (violão e contrabaixo), hermeto pascoal (flauta) e airto moreira (bateria e percussão) e um disco saiu desse encontro, quarteto novo (odeon, 1967). clique na imagem e divirta-se.
som, imagem e transmissão rolaram muito bem. e a entrevista foi excelente, como de costume. assisti metade das poucos mais de duas horas de conversa boa por motivos de força maior (trabalho, trânsito), mas o que vi honrou a tradição.
bateu também uma tristezinha, afinal fazem uns três meses que me desliguei oficialmente do gafieiras após quase dez anos de serviços prestados, e acompanhar a entrevista de longe (via twitcam, oras) dava um aperto no coração. mas fiquei muito feliz em ver como as coisas deram certo. e felicidade é o que importa, né não? vida longa ao gafieiras.
ah, e se você não faz ideia quem é o velhinho falante da janela acima - mais informações sobre sua longa, discreta e sensacional carreira no dicionário cravo albin - saiba que ele integrou um dos grupos instrumentais mais interessantes, e de vida mais breve, da história da música brasileira, o quarteto novo. eram heraldo (viola e guitarra), théo de barros (violão e contrabaixo), hermeto pascoal (flauta) e airto moreira (bateria e percussão) e um disco saiu desse encontro, quarteto novo (odeon, 1967). clique na imagem e divirta-se.
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
o jazz em guiné
a guiné foi colônia francesa até 1958, quando conseguiu sua independência sob a liderança do ditador ahmed sékou touré. apenas três anos depois nasceu, na capital conakry, a bembeya jazz national, uma das mais conhecidas e bem sucedidas big bands da costa oeste da áfrica durante as décadas de 1960 e 70 (e olha que a competição na região é acirrada, afinal a guiné é vizinha de países muito ricos musicalmente, tais como nigéria, benin, costa do marfim e cabo verde). sob o comando do extraordinário guitarrista sekou diabate, a bembeya lançou discos da pesada - um deles é regard sur le passe, de 1968 - com sua mistura de jazz, afropop e ritmos tradicionais. conheci esse pessoal no global groove e logo fui baixando o que aparecesse pela frente, mas um tempo depois, no site radio africa, achei uns videos sensacionais com o pessoal quebrando tudo em 1979.
pena que no global groove não dê para encontrar os discos de um artista. por outro lado o holandês dono do blog fez uma marcação por gêneros, ritmos e países. o que tem de guiné, por exemplo, está aqui.
pena que no global groove não dê para encontrar os discos de um artista. por outro lado o holandês dono do blog fez uma marcação por gêneros, ritmos e países. o que tem de guiné, por exemplo, está aqui.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
a física dança
40 Winks "Outside The Box" Official Video (It's The Trip - Project: Mooncircle, 2011) from Project Mooncircle on Vimeo
esse som se chama "outside the box" e é dos produtores belgas do 40 winks. a direção do video é do coletivo holandês lgb5. descobri via blog do blundetto.
sábado, 11 de junho de 2011
música é trabalho e fonte
jovino santos neto. antes de conhecê-lo em 2008 era um mistério. quer dizer, sabia que seu nome se repetia inúmeras vezes nos encartes de alguns dos discos mais potentes de hermeto pascoal. jazz brasileiro da pesada. mas esses discos eram da década de 1980 e depois, sobre ele, não sabia mais nada. então o conheci e fiquei sabendo que estava morando em seattle, professor de universidade, criando família e tomates, e tocando bastante jazz pelos estados unidos. estava em são paulo para lançar um disco de "volta às raízes", o belo alma do nordeste, e lá estávamos nós no restaurante de hotel ali na rua turiassú (ele ia tocar no sesc pompéia). conversa boa, durou um tempão e acho que tem muito mais da entrevista (ah, seu canal no youtube é recheado de bons sons). o resultado saiu na revista brasileiros de outubro de 2008 numa versão levemente editada. segue aqui a original de fábrica.

jovino santos neto e hermeto pascoal em 1991 e 2001
ALMA EM MOVIMENTO
Um dos homens de confiança de Hermeto Pascoal, o músico Jovino Santos Neto viajou pelo sertão e descobriu um Nordeste de fábulas e cacofonias
Imagine o verde, montanhas e águas. A natureza logo ali e por todo o lado. Poderia ser o Rio de Janeiro, mas por uma dessas obras do destino este lugar é Seattle. A maior cidade do Estado de Washington, extremo noroeste dos Estados Unidos, vem há quinze anos sendo residência do músico carioca Jovino Santos Neto em um auto-exílio profissional sem maiores crises. No entanto, durante 20 dias de maio de 2007, o ex-integrante da banda mais célebre do mago Hermeto Pascoal saiu do conforto de seu lar em terras distantes para se perder nas estradas e cidades do sertão nordestino. Saiu de lá com as músicas de seu quinto disco solo (Alma do Nordeste), o primeiro a ser lançado no Brasil, e algumas surpresas.
“No final de 2005 minha produtora no Brasil perguntou se tinha algum projeto para colocar no edital da Petrobras. Olhei para estante e vi um livro que tinha acabado de resgatar da biblioteca do meu pai. Era uma edição autografada de Alma do Nordeste, de C. Nery Camello, que pertenceu ao meu avô. O livro foi resultado de uma viagem que o autor fez em 1936 pelo interior da Bahia e Pernambuco. Não é organizadinho, é mais uma coleção de impressões sobre a viagem. Decidi refazer os passos desse escritor e retratá-los musicalmente a partir dos sons e cheiros da jornada”, explicou Jovino em breve passagem por São Paulo para lançamento do disco.
O pianista, compositor, arranjador e regente de 54 anos começou a tocar no início da adolescência, mas durante a segunda metade da década de 1970 sua vida tomou novo rumo ao conhecer Hermeto Pascoal. “Quinze anos com ele é uma escola no qual você aprende todas as coisas possíveis sobre a música instrumental brasileira”. Jovino esteve ao lado de músicos como Itiberê Zwarg e Carlos Malta em uma banda que acompanhou Hermeto em inúmeras turnês mundiais, além de discos clássicos como Cérebro Eletrônico (1980), Lagoa da Canoa, Município de Arapiraca (1984), Só Não Toca Quem Não Quer (1987) e Festa dos Deuses (1992). No início da década de 1990, o pianista foi tomado por uma urgência de outros aprendizados e acabou em Seattle, mais precisamente no Cornish College of the Arts, que acabou lhe contratando como professor. “Acho que morando lá sou mais brasileiro do que morando aqui. Ampliei meu conceito de lar, mas ainda não equilibrei porque gostaria de vir mais vezes para cá”.
é, o jovino tá no meio dessa bagunça aquática comandada pelo hermeto
O projeto Alma do Nordeste e a viagem por cidades como Campina Grande, João Pessoa, Caruaru, Recife e Cabedelo serviu como um calmante para os embates internos deste neto de sergipanos com o Brasil. Mas nada o havia preparado para o primeiro encontro com o Nordeste do início do século 21. “Estava esperando voltar no tempo, mas todos os hotéis tinham internet sem fio e de graça. Achei as estradas ótimas e a infra-estrutura muito boa no geral. É que tinha um Nordeste na minha cabeça e acabei encontrando outros. Por exemplo, Arapiraca, terra do Hermeto, era um caos urbano como qualquer outro, ainda mais que chegamos no sábado anterior ao Dia das Mães. A princípio quis sair correndo, mas parei pra pensar e achei que a gente estava ali por algum motivo, e a cacofonia da cidade acabou entrando no disco. Em vários momentos os músicos improvisam juntos e ao mesmo tempo”.
O Nordeste fabular também apareceu em alguns momentos. Só que na Fazenda da Macuca, próximo de Garanhuns, o encontro se deu com rara intensidade. Durante três dias o músico tocou com sanfoneiros e percussionistas locais e conheceu o samba de coco de Mestre Zé Romão e uma festa de boi diferente e anárquica. “Mas é bom falar que não fui buscar música, especificamente. Outro ensinamento de Hermeto: o músico não pode se inspirar só em música porque fica naquela auto-referência. É preciso se inspirar nas árvores, coisas e pessoas, e no Nordeste a gente acha muito pra se inspirar”. Nesta e em muitas outras palavras de Jovino é possível notar a assumida reverência aos ensinamentos do mestre Hermeto Pascoal. Um dos principais é que aprendizado e movimento precisam caminhar colados um ao outro. Rodopiando, de preferência.
No liquidificador pessoal de Jovino Santos Neto todas essas informações se misturam ao forró, jazz, baião, choro, free jazz, maracatu e outras milongas. “Quando subo no palco não estou tirando uma coisa do nada. Estou lançando uma rede em um mar cheio de peixes, cheio de idéias musicais que estão ali a mais de 500 anos. Esse movimento constante é uma enorme fonte de alimento para o amanhã. Ainda mais no caso da música brasileira. Acho que a razão da nossa música ser tão rica e aceita no mundo é porque condensa influências musicais de todos os lugares, muito mais que qualquer outra que conheça”.
Ele sabe, afinal é o responsável por um concorrido curso sobre a história da música brasileira na Cornish, em Seattle. Atento e de ouvidos abertos, o músico se mantém informado sobre o noticiário cultural/musical daqui por amigos e, principalmente, pela internet, local onde construiu seu sítio lá pelas bandas do ano 2000. Mais recentemente, no final de 2007, montou sua página no MySpace. “Agora tenho 1000 acessos por mês e uma rede com umas 700 pessoas, sendo que metade é do Brasil. Agora, uma das coisas mais bacanas da internet é que meu outdoor é do mesmo tamanho que o de uma grande gravadora. É do tamanho da tela do computador”.
Mesmo não sendo um alvo em potencial da pirataria digital, o artista gosta de meter a colher nessa panela. “Consigo ver os dois lados. Como compositor que paga aluguel e compra o leite das crianças não é legal ver as pessoas consumindo minha música sem pagar nada. Por outro lado, faço tanta música que não vejo problema em colocar algumas para as pessoas baixem. Serve como estímulo para ouvirem mais músicas”. E, de repente, tomado por metáforas dignas do mestre Hermeto finaliza o raciocínio: “Porque música é trabalho, mas também é fonte. O sujeito pode ir lá e beber um litro, pode ir lá e pegar três garrafas, mas é fonte de água e continua jorrando. De onde saiu essa tem muito mais”.
O retorno a sua casa, mulher e dois filhos, estava marcado para o dia seguinte da entrevista. Não sabia ao certo quando voltaria para o Brasil, mas gostaria de finalmente conseguir manter a rotina de vir três vezes por ano. “Mas agora, nesse exato momento, estou com saudade dos meus tomates em Seattle”. A alma brasileira tem lá seus segredos.
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domingo, 6 de março de 2011
domingueira nada carnavalesca
afinal, trabalharei segunda, terça, quarta, normalmente... nada de carnaval. por isso vou de polar bear, grupo inglês de jazz ora experimental ora pop e quase sempre muito bom. ano passado eles dançaram peepers (the leaf label, 2010), um disco cheio de sons interessantes como a faixa-título que nesse video feito para o jornal guardian é mostrada ao vivo no cafofo-estúdio dos cabras.
e aqui abaixo segue a versão original que tá no disco (que pode ser achado no sempre ótimo blog do nirso).
Peepers by polar bear music
e aqui abaixo segue a versão original que tá no disco (que pode ser achado no sempre ótimo blog do nirso).
Peepers by polar bear music
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
paulo moura, ano 1978
sensacional que o cineasta e músico paulo roberto martins, do grupo teatro do som, venha recuperando seus curtas setentistas em seu canal no vimeo. tem canoa quebrada no ceará, rio de janeiro e outras bossas, mas a cereja no bolo é esse documentário sobre o grande paulo moura (1932-2010) que vi no URBe. filmado no morro da mangueira, o curta tem participações especiais de jorge ben, milton nascimento, egberto gismonti, hermeto pascoal e os sambacanas.
e como faixa bônus um curta recente de paulo martins sobre as gravações do disco alento (biscoito fino, 2010), que reuniu paulo moura e o teatro do som, mas que passou batido no ano passado (eu mesmo só fiquei sabendo por causa do video).
e como faixa bônus um curta recente de paulo martins sobre as gravações do disco alento (biscoito fino, 2010), que reuniu paulo moura e o teatro do som, mas que passou batido no ano passado (eu mesmo só fiquei sabendo por causa do video).
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domingo, 12 de dezembro de 2010
domingueira
parece que o pawn shop é do canadá. parece que é uma dupla. certo mesmo é que lançaram um disco instrumental muito bom com dubs, funks e outros sons legais. fiquei sabendo lá no só pedrada (que tem o disco para baixar), de onde tirei o clipe de "datura roots", uma das melhores do disco pawn shop (nocturne records, 2010).
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
afrobeat hecho en brasil
isso mesmo. cortesia do videocast compacto, que reuniu em seu episódio 7 os músicos curumin e léo marinho (burro morto). o baterista e o guitarrista, acompanhados de haley (sintetizador), lucas martins (baixo) e pablo ramires (percussão), tocam a sensacional "kalakuta", música que estará no esperado (por mim) segundo disco da banda burro morto, baptista virou máquina.
e para quem não sabe, "kalakuta" é o nome de uma "república" criada pelo músico nigeriano fela kuti, o pai do afrobeat, no anos 1970. a tal república compreendia, na verdade, a sua propriedade em lagos, onde vivia em forma comunitária com a família e membros da banda. foi uma forma de se contrapor politicamente aos militares que estavam no poder. obviamente, a coisa não acabou nada bem e em 1977 os zumbis fardados do general olusegun obasanjo colocaram abaixo a república de kalakuta, entre tiros, socos e fogo (a mãe de fela, a professora e ativista feminista funmilayo ransome kuti, foi jogada pela janela pelos milicos e acabou entrando em um coma que tirou sua vida em abril de 1978. tinha 77 anos).
e para quem não sabe, "kalakuta" é o nome de uma "república" criada pelo músico nigeriano fela kuti, o pai do afrobeat, no anos 1970. a tal república compreendia, na verdade, a sua propriedade em lagos, onde vivia em forma comunitária com a família e membros da banda. foi uma forma de se contrapor politicamente aos militares que estavam no poder. obviamente, a coisa não acabou nada bem e em 1977 os zumbis fardados do general olusegun obasanjo colocaram abaixo a república de kalakuta, entre tiros, socos e fogo (a mãe de fela, a professora e ativista feminista funmilayo ransome kuti, foi jogada pela janela pelos milicos e acabou entrando em um coma que tirou sua vida em abril de 1978. tinha 77 anos).
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
joseph tourton, a banda, o disco e o download
os pernambucanos d'a banda de joseph tourton já tinham aparecido aqui com o clipe de "frevo do preguiçoso" (cortesia do música de bolso), mas agora a parada é mais séria, afinal eles estão lançando seu esperado disco de estreia. a banda de joseph tourton (independente, 2010), o disco, é rock, jazz, soul, dub, samba, tudo instrumental, cheio de climas e camadas. e eles disponibilizaram o disco para download gratuito no site deles (link acima), mas também dá para ouvir todas as faixas via soundcloud. escuta só.
josephtourton by josephtourton
legal também é ouvir o disco junto com o ótimo texto do jornalista alex antunes. coloco aqui na íntegra porque vale a pena.
Já há alguns anos que a cena do rock instrumental brasileiro só faz crescer. Não apenas em subgêneros tradicionais, como a surf music, o ska e o rockabilly, mas também com o experimentalismo presente em bandas da cena paulistana como o Hurtmold ou os cuiabanos do Macaco Bong. E a contribuição sempre original de Recife no instrumental de agora é o lançamento do primeiro álbum d'A Banda de Joseph Tourton. Mas o interessante é que, no caso desse quarteto, se o território não é tradição, também não é o seu oposto simétrico, a desconstrução. A Banda de Joseph Tourton encontra jeito de combinar liberdade com elegância arejada. E, se é encantador de ouvir, não é nada fácil de explicar.
O exercício de pinçar referências, no caso d'A Banda de Joseph Tourton, pode acabar dando um resultado dadaísta. Por exemplo, “Lembra o Que?”, de título autoexplicativo, poderia ser descrita como o encontro de um King Crimson que gostasse de usar escaleta com algum arranjador maroto de samba rock, como o de “Luiza Manequim” de Abílio Manoel. Já “16 Minutos” fica em algum outro lugar setentista, digamos entre a doçura radiofônica de algum tema de Dave Grusin para a trilha de “500 Milhas” e o delírio flutuante do krautrock do Can.
O importante é anotar que, neste álbum, o instrumental d'A Banda de Joseph Tourton equilibra pelo menos três aspectos: um certo conforto auditivo; uma forte inspiração imagética; um tanto de urgência e inquietação. Nesse sentido, as comparações com sons do final dos anos 60 e início dos 70 fazem sentido. No pré-metal e pré-punk, havia todo um enorme território imaginário onde o rock fazia fronteira com gêneros menos agressivos (mas também menos simplórios), como o lounge e a chamada “library music” (música de trilha para cinema, rádio e televisão). Nos anos 90, iniciou‐se uma revalorização dessa memória, cuja sofisticação climática antes era tida como um tanto brega, mas até agora não havia muito sinal disso chegar ao rock (o resgate ficou mais restrito ao hip hop e à eletrônica, como nos trabalhos geniais do finlandês Jimi Tenor e do inglês Barry Adamson – mas todo roqueiro inteligente devia ouvir “Futures” do Burt Bacharach ou as trilhas da blaxploitation e do western spaghetti).
O fascinante em relação à Banda de Joseph Tourton é que os rapazes não são particularmente pesquisadores de gravações e estilos do século passado. São só jovens instrumentistas e compositores autodidatas que, sem o menor traço de preconceito ou programa ideológico, cresceram ouvindo as coisas de sua época como rock noventista e o pós‐manguebeat – e de lá da faísca de alguma sinapse do cérebro-sampler de Chico Science pescaram a chave para o paraíso perdido. Neste primeiro álbum, predominam nos arranjos o espaço e a leveza para brilharem as composições. Então acaba se destacando o trabalho dos guitarristas (e multiinstrumentistas, se desbobrando à flauta, teclados vintage e programações), Gabriel Izidoro e Diogo Guedes. Mas preste atenção na pegada ao mesmo tempo eficiente e criativa de Pedro Bandeira (bateria) e Rafael Gadelha (baixo), que nos shows costumam bater mais pesado. E aí pode-se traçar outro roteiro de seu DNA: em “Aquaplanagem”, por exemplo, a cozinha ao mesmo tempo sólida e suingada lembra o Public Image de Jah Wobble, banda que estabeleceu no pós-punk a conexão com os alemães do Can – mas um Public Image que tocasse samba, evidentemente. E olhe que até aqui eu só citei as três primeiras faixas.
Outras conexões (iê-iê-iê, soul, dub, fusion, prog, regional) podem ser estabelecidas observando as participações: em diferentes momentos, aparecem os convidados Chiquinho, Marcelo e Felipe S. do Mombojó (esses dois últimos produziram o álbum com Rodrigo Sanches, produtor da Trama), o pianista pop-erudito Vitor Araújo (aqui tocando o piano elétrico Fender Rhodes), o trompetista Guizado, os metais (Beto Mejía, Paulo Rogério, Esdras Nogueira, Xande Bursztyn) dos Móveis Coloniais de Acaju, o produtor e percussionista Homero Basilio (Catarina Dee Jah) e China. As outras músicas alternam climas evocativos (“100 m”), pulsantes (“O Triunfo de Salomão”, “A Festa de Isaac”, “#3”), sinuosos (“After Work Ganja”) e marotos (“Provolone”, “Volta Seca”). Não estranhe o título bíblico de algumas faixas; é só mais um exercício de desinibição criativa, assim como o Joseph Tourton do nome do grupo, um suposto aviador da Segunda Guerra Mundial. Se essa combinação de curiosidade com sofisticação serve para descrever a personalidade dessas pessoas tão jovens (Pedro e Gabriel têm 19 anos, Rafael 20, Diogo 21), podemos continuar sendo otimistas em relação à música – e à humanidade.
josephtourton by josephtourton
legal também é ouvir o disco junto com o ótimo texto do jornalista alex antunes. coloco aqui na íntegra porque vale a pena.
Já há alguns anos que a cena do rock instrumental brasileiro só faz crescer. Não apenas em subgêneros tradicionais, como a surf music, o ska e o rockabilly, mas também com o experimentalismo presente em bandas da cena paulistana como o Hurtmold ou os cuiabanos do Macaco Bong. E a contribuição sempre original de Recife no instrumental de agora é o lançamento do primeiro álbum d'A Banda de Joseph Tourton. Mas o interessante é que, no caso desse quarteto, se o território não é tradição, também não é o seu oposto simétrico, a desconstrução. A Banda de Joseph Tourton encontra jeito de combinar liberdade com elegância arejada. E, se é encantador de ouvir, não é nada fácil de explicar.O exercício de pinçar referências, no caso d'A Banda de Joseph Tourton, pode acabar dando um resultado dadaísta. Por exemplo, “Lembra o Que?”, de título autoexplicativo, poderia ser descrita como o encontro de um King Crimson que gostasse de usar escaleta com algum arranjador maroto de samba rock, como o de “Luiza Manequim” de Abílio Manoel. Já “16 Minutos” fica em algum outro lugar setentista, digamos entre a doçura radiofônica de algum tema de Dave Grusin para a trilha de “500 Milhas” e o delírio flutuante do krautrock do Can.
O importante é anotar que, neste álbum, o instrumental d'A Banda de Joseph Tourton equilibra pelo menos três aspectos: um certo conforto auditivo; uma forte inspiração imagética; um tanto de urgência e inquietação. Nesse sentido, as comparações com sons do final dos anos 60 e início dos 70 fazem sentido. No pré-metal e pré-punk, havia todo um enorme território imaginário onde o rock fazia fronteira com gêneros menos agressivos (mas também menos simplórios), como o lounge e a chamada “library music” (música de trilha para cinema, rádio e televisão). Nos anos 90, iniciou‐se uma revalorização dessa memória, cuja sofisticação climática antes era tida como um tanto brega, mas até agora não havia muito sinal disso chegar ao rock (o resgate ficou mais restrito ao hip hop e à eletrônica, como nos trabalhos geniais do finlandês Jimi Tenor e do inglês Barry Adamson – mas todo roqueiro inteligente devia ouvir “Futures” do Burt Bacharach ou as trilhas da blaxploitation e do western spaghetti).
O fascinante em relação à Banda de Joseph Tourton é que os rapazes não são particularmente pesquisadores de gravações e estilos do século passado. São só jovens instrumentistas e compositores autodidatas que, sem o menor traço de preconceito ou programa ideológico, cresceram ouvindo as coisas de sua época como rock noventista e o pós‐manguebeat – e de lá da faísca de alguma sinapse do cérebro-sampler de Chico Science pescaram a chave para o paraíso perdido. Neste primeiro álbum, predominam nos arranjos o espaço e a leveza para brilharem as composições. Então acaba se destacando o trabalho dos guitarristas (e multiinstrumentistas, se desbobrando à flauta, teclados vintage e programações), Gabriel Izidoro e Diogo Guedes. Mas preste atenção na pegada ao mesmo tempo eficiente e criativa de Pedro Bandeira (bateria) e Rafael Gadelha (baixo), que nos shows costumam bater mais pesado. E aí pode-se traçar outro roteiro de seu DNA: em “Aquaplanagem”, por exemplo, a cozinha ao mesmo tempo sólida e suingada lembra o Public Image de Jah Wobble, banda que estabeleceu no pós-punk a conexão com os alemães do Can – mas um Public Image que tocasse samba, evidentemente. E olhe que até aqui eu só citei as três primeiras faixas.
Outras conexões (iê-iê-iê, soul, dub, fusion, prog, regional) podem ser estabelecidas observando as participações: em diferentes momentos, aparecem os convidados Chiquinho, Marcelo e Felipe S. do Mombojó (esses dois últimos produziram o álbum com Rodrigo Sanches, produtor da Trama), o pianista pop-erudito Vitor Araújo (aqui tocando o piano elétrico Fender Rhodes), o trompetista Guizado, os metais (Beto Mejía, Paulo Rogério, Esdras Nogueira, Xande Bursztyn) dos Móveis Coloniais de Acaju, o produtor e percussionista Homero Basilio (Catarina Dee Jah) e China. As outras músicas alternam climas evocativos (“100 m”), pulsantes (“O Triunfo de Salomão”, “A Festa de Isaac”, “#3”), sinuosos (“After Work Ganja”) e marotos (“Provolone”, “Volta Seca”). Não estranhe o título bíblico de algumas faixas; é só mais um exercício de desinibição criativa, assim como o Joseph Tourton do nome do grupo, um suposto aviador da Segunda Guerra Mundial. Se essa combinação de curiosidade com sofisticação serve para descrever a personalidade dessas pessoas tão jovens (Pedro e Gabriel têm 19 anos, Rafael 20, Diogo 21), podemos continuar sendo otimistas em relação à música – e à humanidade.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
lançamento de livro
é com muito orgulho que faço aqui o convite de lançamento do livro narrativas musicais: performance e experiência na música popular instrumental brasileira (editora anna blume). é de autoria do antropólogo e guitarrista giovanni cirino, um dos primeiros amigos que fiz em são paulo, 15 anos atrás, e eventual participante das entrevistas do gafieiras (lembro que ele esteve no lindomar castilho, luis vagner, hamilton de holanda e na inédita do sérgio ricardo). ainda não consegui ler o livro, mas giovanni conversou com um monte de gente para identificar "elementos que constituem as experiências que surgem no fazer musical e investiga como as questões relativas à construção da identidade nacional se articulam na música popular instrumental. apresenta seu trabalho em duas partes: a primeira contendo os dados da pesquisa de campo; e a segunda, com as discussões sobre a etnografia do fazer musical, a experiência musical e seus significados no mundo contemporâneo." sacou? tem que ter, mano!
o lançamento é amanhã, dia 5 de maio, das 18h30 às 21h30, na livraria da vila, em são paulo (mais informações no 11 3814.5811). no cardápio, além dos autógrafos memoráveis de giovanni e de seu misterioso sorriso do gato de alice, uma apresentação musical surpresa e uma bebidinha (essa eu chutei, não sei se terá, hehehe).
p.s.: pena que ainda não tinha blog quando outros amigos lançaram seus livros (maurício fiore e davi tangerino, entre eles). não há de ser nada, farei o convite dos próximos.
o lançamento é amanhã, dia 5 de maio, das 18h30 às 21h30, na livraria da vila, em são paulo (mais informações no 11 3814.5811). no cardápio, além dos autógrafos memoráveis de giovanni e de seu misterioso sorriso do gato de alice, uma apresentação musical surpresa e uma bebidinha (essa eu chutei, não sei se terá, hehehe).
p.s.: pena que ainda não tinha blog quando outros amigos lançaram seus livros (maurício fiore e davi tangerino, entre eles). não há de ser nada, farei o convite dos próximos.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
injeção de ânimo
cansadão. trabalho na monet na sexta santa. comi picanha no shopping continental, só de zuêra. aí ouço essa "bajii" do hypnotic brass ensemble (do disco the brothas, 2008, que o mano gian marco trouxe de presente lá de nyc, valeu demais!).
ahhh. vou ali beber com carolina, uns brothas e sistas.
ahhh. vou ali beber com carolina, uns brothas e sistas.
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