música brasileira é aquela coisa bonita, cada vez mais diversa e territorialmente vasta. e todo ano aparece gente nova, tem povo amadurecendo e veteranos inquietos. mas foi em 2023 que teve Barbara Eugênia cantando Wando, Céu cantando Pitty, DJ Múlu remixando Tetê Espíndola, Martinho da Vila e Chico César cantando Zé Ketti, Valério tocando Luiz Gonzaga e Xande de Pilares cantando Caetano.
também foi em 2023 que finalmente gostei de Ava Rocha e fui surpreendido pelo improvável (a ex-atriz Cleo e Johnny Hooker, a ex-skatista Karen Jonz e o Cansei de Ser Sexy). falando em primeiras vezes, surgiram por aqui a potiguar Sarah Oliver, a mineira Sara Não Tem Nome, os gaúchos Ian Ramil e Duda Brack, o paraibano VictoRAMA, o cearense Mateus Fazeno Rock, o pernambucano Luiz Lins, o carioca Jonathan Ferr e o paulista MC Pedrinho.
também foi em 2023 que precisei quebrar mais uma vez a regra de não colocar mais de uma música por artista. Aleatoriamente de Rodrigo Ogi é tão porrada pulsante de um rapper cronista cada vez mais afiado que foi difícil fechar em apenas uma música (teria colocado mais que duas, aliás), e assim entraram “Chegou sua vez” e “Valha-me” (uma com Juçara Marçal, a outra com Siba, ambas produzidas por Kiko Dinucci). também não fui capaz de escolher entre “Madrugada maldita” e “Estante de livros” (essa com participação certeira de Don L), os dois pontos altos do excelente disco O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão Nos Levar Para Outro Planeta do FBC.
dessas 70 músicas vieram, obviamente, trampos novos & massa de gente já querida pela casa. gente que já sai com uns corpos de vantagem. é o caso de Aíla, Alice Caymmi, Jaloo, Ju Dorotea, Lurdez da Luz, Lucas Santtana, MC Tha, Síntese, Vitor Ramil, Baiana System, Duda Beat, Marcelo D2, Tatá Aeroplano, Xis e sempre sempre a filha Iara Rennó e a mãe Alzira E. mas já tá bom de blábli né. segue a playlist com 70 músicas brasileiras de 2023 segundo os ouvidos da casa.
70 MÚSICAS BRASILEIRAS DE 2023
A Espetacular Charanga do França - “Chevette azul” Academia da Berlinda - “Bandoleiro” Afrocidade - “Tá fod*” Aíla & Jáder - “Me beija” Alaíde Costa - “Ata-me” Aldo Sena - “Meu vovô” [part. Saulo Duarte] Alice Caymmi - “Las brujas” Alzira E - “Filha da mãe” [part. Ney Matogrosso] Ana Frango Elétrico - “Insista em mim” Arquétipo Rafa - “Feito ladeira” [part. Alessandra Leão] ÀTTØØXXÁ - “Dejavú” [part. Liniker] Ava Rocha - “Longe longe de mim” BaianaSystem & Duda Beat - “Borogodó” BaianaSystem, Gilsons & Tropkillaz - “Presente” Bárbara Eugênia - “Gosto de maçã” Bixiga 70 - “Na quarta-feira” Céu - “Emboscada” Clarice Falcão - “Chorar na boate” Cleo - “Seu fim” [part. Johnny Hooker] Coruja BC1, MC Luanna & Febem - “Versão brasileira” Djonga - “Coração gelado” [part. Tz da Coronel] Domenico Lancellotti - “Quem samba” [part. Ricardo Dias Gomes e
Marcia] Don L - “Tudo é pra sempre agora” [part. Luiza de Alexandre] Duda Brack - “Víbora ligeira” Eddie - “Máscara negra” [part. Karina Buhr e Isaar] FBC - “Estante de livros” [part. Don L] FBC - “Madrugada maldita” Felipe Cordeiro, Illy & Barro - “Todo céu azul” Giovani Cidreira - “Dois lados” [part. Russo Passapusso e Melly] Ian Ramil - “Macho-Rey” Iara Rennó - “Orí axé” Iza & MC Carol - “Fé nas maluca” Jaloo - “Tudo passa” Jards Macalé - “A foto do amor” Jonathan Ferr - “Correnteza” Ju Dorotea - “Raven” Juliano Gauche - “Nos cânticos de lá” Karen Jonz - “Coocoocrazy” [part. CSS] Karol Conká, Tasha & Tracie - “Negona” Letrux & Lulu Santos - “Zebra” Lucas Santtana - “What's Life” Luiz Lins - “Midas” Luisa e os Alquimistas & Getulio Abelha - “Caninga” Luiza Lian - “Homenagem” Lurdez da Luz - “Devastada” Marcelo D2 - “Povo de fé” Marina Sena - “Me ganhar” Martinho da Vila & Chico César - “Acender as velas” Mateus Fazeno Rock - “Melô de Aparecida” MC Pedrinho - “Gol bolinha, Gol quadrado 2” MC Tha & MahalPita - “Coisas bonitas” Moreno Veloso - “Mundo paralelo” Mulú - “Escrito nas estrelas” [remix] niLL - “3.0” [part. Amiri] Paulo Ohana & Bruna Alimonda - “Um pedido de desculpas” Rico Dalasam - “Tarde d+” Rodrigo Campos - “Japonego” [part. Juçara Marçal] Rodrigo Ogi - “Chegou sua vez” [part. Juçara Marçal] Rodrigo Ogi - “Valha-me” [part. Siba] Sara Não Tem Nome - “Nós” Sarah Oliver - “Redinha” Síntese - “Éter, dom & maldição” Tatá Aeroplano - “Canto mistério” Valério - “Asa Branca” VictoRAMA - “AfroRobot” Vitor Ramil - “Acordei sonhando” [part. Alunas e Alunos da Escola
Projeto] Xande de Pilares - “Muito romântico” Xis - “Cutuco di bituca” [part. Elena Diz, Kami Cruz e Chico
Chagas] YMA & Jadsa - “Meredith Monk”/ “Mete Dance” Zudizilla - “Groove ou caos” [part. Tuyo]
João Gilberto por Speto (próximo ao Mercadão de São Paulo)
55 DISCOS BRASILEIROS DE 2023
como já disse lá em cima, Aleatoriamente do Rodrigo Ogi e O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão Nos Levar Para Outro Planeta do FBC são dos maiores frutos do ano. discos que são tanto 2023 quanto o futuro. tem balanço e sujeira, esperança e desigualdade, cidade e amor.
outros grandes discos deste ano são o Coração Bifurcado de Jards Macalé, Iboru de Marcelo D2, a Negra Ópera de Martinho da Vila, O Paraíso de Lucas Santtana, a volta de Xis em Invisível Azul, a revelação de Mateus Fazeno Rock em Jesus Ñ Voltará, a delicadeza de Xande de Pilares ao cantar Caetano Veloso e a dobradinha de Rodrigo Campos (com o próprio Pagode Novo e a parceria com Romulo Fróes em Elefante), além do absurdo talento de mãe (a Mata Grossa de Alzira E) e filha (o Orí Okán de Iara Rennó).
seguem os 55 discos brasileiros do ano com link pra ouvir os respectivos na íntegra.
ano difícil da porra esse 2021. ano que fez 2020 parecer uma viagem de
cruzeiro. certamente ouvi menos música e muito certamente ouvi menos discos
inteiros de cabo a rabo e com atenção. tempos atrás eram quatro listas (músicas e
discos brasileiros, músicas e discos gringos), ano passado caiu pra duas
(músicas brasileiras e gringas) e agora fiz apenas uma juntando brasileiras e
gringas tudo misturado (mas em ordem alfabética rsrsrs).
e como tá tudo diferente mesmo, este ano abri uma exceção que nunca
havia feito desde o começo das minhas listas em 2009: coloquei mais de uma
música do mesmo disco; afinal, os trabalhos absolutamente fantásticos de três
mulheres – Gaby Amarantos, Juçara Marçal e Little Simz – não me deram opção (e
mesmo assim foi difícil fechar em duas). outras minas conhecidas da casa também
botaram pra quebrar, tais como Aíla, Alessandra Leão, Alice Caymmi, Céu, Duda
Beat, Flora Matos, Iara Rennó, Jorja Smith, Larissa Luz, Luana Carvalho, Mallu Magalhães, Nneka, Rosalía, St. Vincent, Tássia Reis, Xenia
Rubinos e Yendry (e as estreantes Ana Flor de Carvalho, Duda Brack, Jadsa, Kimberose, La Dame Blanche e o fenômeno Marina
Sena). como já venho repetindo nos últimos anos, as minas tem sido responsáveis pelas músicas mais interessantes e invariavelmente também são compositoras e produtoras.
dos manos preciso destacar algumas que foram muito trilha do meu ano: a espetacular "Cotidiano" do Rincon Sapiência; "Calling England Home" do Anthony Joseph (combinação foda de ethio jazz com spoken poetry); "Linda" d'Os Amantes (encontro de Jaloo com a dupla Strobo); a porrada de "Cleane" do Criolo; "Fim de festa" do saudoso Itamar Assumpção via Arnaldo Antunes e Vitor Araújo; "Me espera", o hit veraneio ijexá oitentista de Múlu (ex-DJ Omulu) com vocais de Letrux; as doçuras de "O tempo e o vento" de Roger W. Lima, "I Can't Wait" de Rodrigo Amarante, "Estrangeiro" de Rico Dalasan; os balanços poderosos de "Hustle" do Sons of Kemet, "Reza forte" do Baiana System & BNegão, "Santé" do Stromae, "Poke it Out" de Wale & J. Cole e "Brasa" do Saulo Duarte (com participação de Thalma de Freitas); e por último, o brega e o piseiro e vice versa de "Aquelas coisas" de João Gomes, "Amante de aluguel" de Johnny Hooker e "Unha de gel" d'Os Barões da Pisadinha.
taí playlist com as 110 músicas. só o fino, né por nada não.
João Gomes & Tarcísio do Acordeon - Aquelas Coisas
Johnny Hooker - Amante de Aluguel
Jorja Smith - Bussdown (feat. Shaybo)
Juçara Marçal - Crash
Juçara Marçal - Vi de Relance a Coroa
Kaytranada - $payforhaiti (feat. Mach-Hommy)
Kimberose - Pull Me Down
La Dame Blanche – Veneno
Larissa Luz - Afrodate (Dreadlov)
Lex Amor - Ruckus
Little Simz - I Love You, I Hate You
Little Simz - Point and Kill (feat. Obongjayar)
Lizzo - Rumors (feat. Cardi B)
L'Orange & Namir Blade - Corner Store Scandal
Los Yesterdays - Nobody's Clown
Luana Carvalho - Mainha
Luísa e os Alquimistas - I Love You Lulu (feat MC Tchelinho)
Major Lazer & Ludmilla - Pra te Machucar (feat. ÀTTØØXXÁ & Suku
Ward)
Mallu Magalhães - América Latina
Marcelo Jeneci - Vem Vem (feat. Muse Maya)
Marina Sena - Me Toca
Masego - Mystery Lady (Sego’s Remix)
Menahan Street Band - The Duke
Meridian Brothers & Conjunto Media Luna - En Teusaquillo te Pueden
Partir la Cara
Mick Jenkins - Contacts
Moonchild Sanelly - Undumpable
Mulú & Letrux - Me Espera
Mundo Livre S/A - Baile Infectado
Muzi - Interblaktic
niLL - Control (feat. DijahSB)
Nneka - With You
Onda Vaga - Deja
OQuadro - Asas (feat. Jorge Du Peixe)
Os Amantes (Jaloo & Strobo) - Linda
Os Barões da Pisadinha - Unha de Gel (Remix com Grave)
Owiny Sigoma Band - Changamooka
Pongo - Bruxos
Princess Nokia - Boys Are From Mars (feat. Yung Baby Tate)
Rico Dalasam - Estrangeiro
Rincon Sapiência - Cotidiano
Rodrigo Amarante - I Can't Wait
Roger W. Lima - O Tempo & O Vento (feat. Apollo 9)
Rosalía - La Fama (feat. The Weeknd)
Saulo Duarte - Brasa (feat. Thalma de Freitas)
serpentwithfeet - Amir
Sombra & Valério - Onde Orbitamos
Sons Of Kemet - Hustle (feat. Kojey Radical)
Sopico - Nuage
St. Vincent - Down
Stromae - Santé
Tamara Franklin - Fugio
Tank And The Bangas - Big (feat. Big Freedia)
Tássia Reis & Djonga - Ostentação da Cultura
The Brkn Record - Assimilation (feat. Dylema)
Tierra Whack - Stand Up
Tobe Nwigwe - Fye Fye (feat. Fat Nwigwe)
Wale - Poke It Out (feat. J. Cole)
Wayne Snow - Figurine
Xenia Rubinos - Don't Put Me In Red
Yendry - Ya
Zé Cafofinho - Bacuri (feat. Bárbara Eugênia)
ATUALIZAÇÃO: acabei não aguentando e fiz uma lista secundária com mais 40 músicas. algumas não entraram por pouco na primeira, outras eu esqueci e outras ouvi só agora aos 47 do segundo tempo. segue abaixo a lista e na sequência a playlist.
Agnes Nunes - Vish
Aminé - Charmander
Arlo Parks - Portra 400
BADBADNOTGOOD - Love Proceeding
Botika - Carnívora (feat. Alice Caymmi)
Caetano Veloso - Pardo
César Lacerda - Parece Pouco (feat. Xênia França)
Common - When We Move (feat. Black Thought & Seun Kuti)
Damon Albarn - The Cormorant
Emicida - São Pixinguinha
Erika de Casier - Make My Day
Esty - 7heaven
Flo Milli - Ice Baby
Greentea Peng - Nah It Ain't The Same
Hiatus Kaiyote - And We Go Gentle
Jazmine Sullivan - Pick Up Your Feelings
Jorge Du Peixe - Sanfona Sentida
Khruangbin & Leon Bridges - B-Side
Laís de Assis - Terra Vermelha
Los Retros - Amtrak
Lulina & Hurso - Uma Tela do Bob Ross
Marlowe (L'Orange & Solemn Brigham) - Small Business
MC Carol - Mulher do Borogodó
Meia Banda - Ipê (feat. Moreno Veloso & Iba Sales Huni Kuin)
Nas - Nobody (feat. Ms. Lauryn Hill)
Nightmares On Wax - Breathe In (feat. OSHUN)
Noname - Rainforest
Nova Malandragem - Moanin
Pabllo Vittar - Triste com T
Pat Kalla & Le Super Mojo - Cumbia de Paris
Rejjie Snow - Arigato
Rockers Control - Nine Out Of Ten
Rodrigo Campos - Deixa a Noite (feat. Verônica Ferriani)
Santa Salut - Un Altre Peto
Skepta - Nirvana (feat. J Balvin)
Thiago França - O Futuro Um Dia Volta
Tommy Guerrero - By the Sea at the End of the World
Tony Allen - Stumbling Down (feat. Sampa The Great)
Vince Staples - Are You With That?
Yebba - Far Away (feat. A$AP Rocky)
muita música, muita gente, muitas línguas e sons né. mas não custa
deixar o registro de alguns discos do ano. uns emplacaram músicas na lista
acima, outros não, e nada disso importa porque são todos discos fundamentais
pra se entender um pouco do que aconteceu musical e humanamente no mundo em
2021 (em caps locko os meus preferidos pessoais.
não sei se vocês notaram, mas 2020 foi meio diferente né. rolaram umas paradas no mundo exterior, um negócio invisível e mortal chamado vírus se espalhando por toda terra, muito muito tempo em casa, muito mais coisa pra fazer, um tsunami de merda bandida destruindo o país. enfim, umas coisas diferentes e todas ao mesmo tempo.
tenho uma filha de quase 3 anos, então esse "ao mesmo tempo" pra mim é todo dela. o que sobra dá pra ver alguma pouca coisa e, principalmente, seguir ouvindo música. mas pela primeira vez desde que comecei o blog em 2009 não conseguirei fazer lista de discos (brasileiros e gringos). um tanto pelo tempo - que, lembrem-se, é todo dela <3 -, mas também porque ouvi muita música, mas foram poucos discos que consegui ouvir decentemente, mais de uma vez, com alguma atenção. achei mais saudável e justo ficar só nas músicas (brasileiras e gringos). daí o que fiz agora nessa lista foi, a partir de uma música da lista de 70, chamar atenção para alguns dos poucos discos que ouvi e gostei um pouco mais.
mas tem coisa pra dedéu, artistas que se consolidam, mundos musicais novos que surgem, veteranos afiados, música negra, feminina, rap sempre, funk, cantautores, Pernambuco, Bahia, periferias, trans, fora do eixo, a porra toda e o baile todo (no que consigo alcançar, claro).
segue abaixo então, em ordem alfabética, a lista completa com 70 músicas brasileiras de 2020. fiz, como sempre, uma playlist firmona no youtube, mas não sei pq catso não consegui incorporar aqui no post. PLAYLIST AQUI.
tão mas tão divertido esse curta ‘encantada do brega’, que
nada mais é que uma fábula escrachada e musical ambientada no infinito mundo
das quebradas e aparelhagens de belém. a princesa é batedora de açaí, o príncipe é dj e por aí vai. e ainda tem participações de keila
gentil e will love, da gang do eletro, gaby amarantos e paulo colucci [a
aleijada hipócrita da saga de leona
vingativa, igualmente paraense e debochada – leona, aliás, aparece
rapidamente ao lado de gaby]. vários momentos impagáveis de zuera tipicamente
paraense; escolha o seu preferido.
o curta tem página no facebook. curte lá pra saber mais. atualização: pouco mais de um dia depois que postei o curta, o pessoal da produção disponibilizou a trilha para streaming e download. saca só.
atualmente, gaby amarantos está malhando, fazendo regime e cuidando da saúde em horário nobre, mais precisamente no quadro 'medida certa - a disputa' (sua participação, aliás, gerou uma série daquelas microindignações virtuais, devidamente destruídas por nina lemos em "liberdade para preta gil e gaby amarantos"). só que a partir do dia 19 desse mês, às 19h no canal bis, a paraense estará em um reality show bem diferente. filmado na segunda quinzena de julho desse ano, gaby gringa é uma série em dez episódios que acompanha passeios, encontros musicais, descobertas e frios na barriga da artista em sua primeira miniturnê internacional (nova york, londres, bristol e antuérpia). bati um papinho virtual com a moça pouco após sua volta e antes da entrada no 'medida certa'. saiu na monet agora de setembro. ah, e as fotos que ilustram esta postagem foram tiradas durante um divertido encontro com ela em belém, no início de janeiro deste ano. não emplaquei a pauta sobre a gravação de um comercial, mas a conversa foi ótima (não transcrevi até hoje, mals) e a noite tão boa quanto.
DISSERAM QUE ELA VOLTOU MAIS PARAENSE AINDA
Desde que lançou, há dois anos, a primeira música (“Xirley”)
de seu disco de estreia, Gaby Amarantos não sossegou o facho. Talvez tenha sido
por causa do feitiço do café que ela coou na calcinha da música popular
brasileira, mas o fato é que o disco Tremefoi eleito um dos melhores de 2012 pela crítica especializada e Gaby
emplacou uma canção (“Ex-Mai Love”) numa abertura de novela global, além de
encarar muitos shows, matérias e aparições televisivas para todos os tipos de
públicos país afora. Agora é a vez da orgulhosa paraense, que acabou de fazer
35 anos, ganhar o mundo, ou pelo menos parte dele, no especial Gaby Gringa.
Filmado em julho durante a miniturnê internacional que levou
a cantora a países como Estados Unidos (Nova York), Inglaterra (Londres e
Bristol) e Bélgica (Antuérpia), Gaby
Gringa foi dirigido e produzido por Tatiana Issa e Rafael Alvarez, a mesma
dupla do premiado documentário Dzi
Croquetes. “[O programa] vai trazer um mix de irreverências, porque sou uma
comediante por natureza e causei muito nos ‘States’, e momentos emocionantes
como cantar ‘Aquarela Brasileira’ no Birdland, onde Billie Holiday foi
consagrada, e visitar o Apollo Theater, palco de shows históricos de James
Brown e Michael Jackson. Também rolaram encontros musicais inusitados com
artistas do Brooklyn e Harlem e alguns brasileiros bem conhecidos. Cada
encontro, uma emoção diferente”, explicou Gaby, já de volta a sua casa no
Jurunas, bairro periférico de Belém.
Os brasileiros a quem Gaby se refere vão de Seu Jorge ao
rapper Emicida, passado por Tulipa Ruiz, Lucas Santtana, Maria Gadú, Pretinho
da Serrinha e a banda Graveola. Alguns desses encontros aconteceram em
situações intimistas, na rua ou em um parque, e outros em grandes shows como o Brasil
Summerfest, no Central Park. “A receptividade foi melhor do que imaginava, mas
tinha certeza que algo maravilhoso estava reservado pra mim por lá. Sei o
potencial do que faço e o fato das pessoas lá fora não atentarem para o
significado da palavra ‘brega’ faria com que esse público ouvisse a música
livre de qualquer preconceito”. Um público livre de preconceitos como ela
própria.
“Essa viagem me agregou muita bagagem cultural e me fez
levar a cultura do meu país para outros mundos. Isso me fez ver tudo, vida,
carreira, com outros olhos”. Gaby Gringa
é, portanto, o retrato de um momento especial de uma artista que nasceu nas
festas de aparelhagem no Norte do Brasil e que agora mostra toda sua força pop
miscigenada a um novo público.
Enquanto prepara o segundo disco, que só deve ser lançado em
2014, Gaby também comemora a descoberta do seu lado atriz. No primeiro semestre
protagonizou o episódio de estreia da série Contos
do Edgar (Fox) e em novembro estará nos cinemas em Super Crô – O Filme. Mas certamente 2013 ficará marcado na sua
memória, e na sua carreira, como o ano que deu os primeiros passos do projeto
de dominação mundial Gaby Gringa. “Todos
os lugares [retratados no programa] foram especiais. Sabe aquele trabalho que
você faz se arrepiando a cada passo? Foi assim. Nós nos emocionávamos a cada
ato e chorei muito ao cantar ‘Como Nossos Pais’ [de Belchior] em homenagem aos
meus pais que são heróis pra mim, e ‘The Very Thought of You’ da Billie
Holiday. As pessoas vão se surpreender me assistindo cantar músicas que jamais
imaginariam que eu flertasse. Mas o que quero mesmo é continuar fazendo o mundo
e o Brasil tremerem com a alegria do Pará”. Sossegar o facho é uma expressão
que não está em seu dicionário. p.s. 1: olha só a reportagem em página dupla na monet.
p.s. 2: e aqui o clipe de "gemendo" gravado na galeria/ateliê do artista plástico kenny scharf durante a passagem de gaby por nova york.
dois anos atrás, quando foi gravado live in jurunas, gaby amarantos ainda estava se preparando para gravar seu cd de estreia (treme, 2012). muita coisa aconteceu com a paraense de lá pra cá, desde seu disco entrar em boa parte das listas de melhores do ano (também aqui no esforçado) até centenas de shows, participações, aparições em tv, editoriais de moda e o escambau, sempre trafegando muito fácil e confortavelmente entre os mundos popular e cult.
mas este live in jurunas, lançado hoje, é particularmente revelador da energia da intérprete no palco e da sua forte ligação com seu bairro de nascimento e criação (coisas que, obviamente, não aparecem no disco). e tudo filmado de forma crua, documental, suada e apaixonada por priscilla brasil (que depois dirigiria o clipe de "xirley") e vincent moon. clique aí e se divirta com os muitos detalhes, sonoros e visuais, desse grande show que é gaby amarantos.
bem, a lista de melhores
músicas brasileiras do ano já trazia indicações de quais discos ficariam
entre os bonzões: as estreias de gaby amarantos, los sebosos postizos, maga bo,
oquadro e alvinho lancelotti, e ainda curumin, tulipa ruiz, lucas santtana,
letuce, gui amabis, siba e bnegão & os seletores de frequência. discos
fortes, variados, alegres, melancólicos e, acima de tudo, repletos de ótimas músicas.
mas acho que dois discos resumiriam o ano pra mim: arrocha, o terceiro do paulistano
curumin, e treme, a estreia de gaby
amarantos.
arrocha por seus
cruzamentos surpreendentes e orgânicos do batuque afro-brasileiro com música
eletrônica, e sem jamais esquecer a necessidade por canções, refrões, pegada,
balanço, amor, experiências. e por músicas como “afoxoque”, “selvage”,
“passarinho”, “treme terra”, “paris vila matilde”, “doce” e “pra nunca mais”,
além da regravação linda de “vestida de prata” (paulinho boca de cantor, 1981)
e da parceria com russo passapusso (baiana system).
treme por suas
gigantescas possibilidades pop. gaby amarantos conseguiu um feito raro no
brasil, pois é, ao mesmo tempo, hype e popularíssima (claro que isso não dura
muito). seu disco de estreia, que começou a ser lançado no final de
2011 com o clipe de “xirley”,
reúne fernanda takai e dona onete, thalma de freitas e zezé di camargo &
luciano, zé cafofinho e veloso dias, kraftwerk e gang do eletro, todo um
tsunami de altas e baixas culturas. ah, se um pedacinho da música pop mundial
tivesse tanta informação como nas músicas cantadas por gaby... exemplos não
faltam, vide “merengue latino”, “eira”, “gemendo”, “pimenta com sal”,
“mestiça”, “coração está em pedaços”, “ex mai love”, “galera da laje” e
“chuva”.
dessa lista gostaria de destacar ainda os excelentes e
densos discos de rap do carioca-paulistano mc shaw (orquestra simbólica) e dos paulistas do síntese (sem cortesia, e ah, paulistas de são
josé dos campos), bem como os novos trabalhos de uma turma muito produtiva de
são paulo, bahia fantástica de
rodrigo campos e metal metal, do
trio juçara marçal, kiko dinucci e thiago frança. este último, saxofonista da
banda do criolo, também lançou o belo instrumental etiópia sob o pseudônimo sambanzo (dinucci incluso). falando em
instrumental, uma ótima surpresa foi interferências,
disco de estreia do improvisado trio (marcelo castilha, meno del picchia e
pedro ito). e pra finalizar, outras três estreias muito felizes, café preto (projeto adubado de cannibal
do devotos do ódio), claridão (do
capixaba indie silva) e le son par lui même (o multifacetado primeiro solo de
dudu tsuda, que foi jumbo elektro, cérebro eletrônico, trash pour 4, etc).
detalhe: os últimos discos a entrar na lista, tipo 43 do segundo tempo, foram abraçaço de caetano veloso e o extraordinário mils crianças do hurtmold.
MENÇÃO HONROSA - não tem como não falar de alguns ótimos
tributos/coletâneas lançados no ano, destacando primeiro os que foram produzidos de forma
independente, tais como o duplo re-trato los hermanos (com bárbara
eugênia, cícero, dan nakagawa, hidrocor, lula queiroga, érika machado,
nevilton, do amor, velhas virgens, tibério azul, banda gentileza, nervoso &
os calmantes, etc.), o variadão brasileiros (com pélico cantando
cartola, mahmundi de rita lee, bazar pamplona de dorival caymmi, etc.) e o
muito excelente jeito felindie (tributo ao raça
negra com lulina, amplexos, letuce, vivian benford, harmada, minha pequena
soundsystem, etc.). menções honrosas também para o multinacional a tribute do caetano veloso(com
beck, chrissie hynde, seu jorge, marcelo camelo, jorge drexler, céu, qinho, momo,
tulipa ruiz, mariana aydar, etc.) e o projeto transglobal paraense terruá
pará vols. 1 e 2 (com gang do eletro, gaby amarantos, mestres da
guitarrada, lia sophia, dona onete, pio lobato, metaleiras da
amazônia, etc.)