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terça-feira, 4 de novembro de 2014

notas aleatórias sobre um grande show

foi uma grande e longa noite no teatro municipal. a terceira edição do 'casa de francisco em concerto' pareceu uma peça do teatro oficina: cinco horas, dois intervalos, um monte de artistas no palco; só faltou gente pelada.

dividido em 3 partes, o show começou com um bloco levado por benjamin taubkin. foi o mais longo e, pra mim, o único com momentos chatos. ótimas participações de felipe cordeiro com o pai manoel cordeiro, marcelo pretto, pau brasil e mani padmé trio. teve também renato braz, que é um sujeito que me dá vontade de morrer, e alaíde costa que fez uma versão muito falha e só no gogó de villa-lobos. 

o segundo bloco, capitaneado por arrigo barnabé, teve uma cara de vanguarda paulistana. rolaram grandes momentos com cida moreira, zé miguel wisnik, cacá machado, ná ozzetti, celso sim, isca de polícia e maurício pereira com daniel szafran [que lindo foi ouvir "um dia útil" no teatro municipal]. 

o terceiro, mais atual e interessante, veio com kiko dinucci. e lá vieram os amigos romulo froés, rodrigo campos e marcelo cabral [passo torto], thiago frança e juçara marçal [metá metá], a juçara detonando solo, etc. e ainda teve alessandra leão cantando a música mais bonita da noite ["pedra de sal"] junto com rodrigo caçapa e manu maltez. o encerramento épico veio com o trio emicida, rodrigo campos e thiago frança [do espetacular show que já falei aqui] e então o metá metá se juntou.


emicida + metá metá

lá pelo final, antes do metá metá se reunir a emicida, kiko dinucci fez um breve discurso pra casa de francisca e agradeceu a presença do prefeito fernando haddad, que foi muito ovacionado.

ao fim & ao cabo, a noite foi ótima, apesar do cansaço de cinco horas, da confusão de algumas passagens de um artista pro outro, do roteiro também ocasionalmente confuso e da falta de um mestre de cerimônias que apresentasse os músicos e preenchesse os vazios.


uma parte do elenco do show agradecendo ao final

de qualquer forma, vida longa a casa de francisca! que venham novos, grandes e pequenos shows.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

yahoo #61

bateu uma nostalgia lá no yahoo e acabei fazendo, sem querer, um texto que dialogava com o anterior sobre o longa o som ao redor, afinal a morte do cinema de rua tem muito a ver com o tal medo da classe média do resto do brasil. de qualquer forma, ninguém deu a mínima pelota, então o lance é bola pro mato que o jogo é de campeonato (e está no ar "música popular de cavalgar").




SAUDADE DE CINEMA DE RUA

Os primeiros filmes que vi foram em cinemas de rua, mais precisamente no Centro de Fortaleza. Dá-lhe E.T. – O Extraterrestre, Superman III, Loucademia de Polícia e Trapalhões, muitos Trapalhões. O São Luís ainda existe, mas outros como o Diogo passaram dessa pra pior (shoppings, igrejas ou a pura e simples demolição). Depois vieram os do Rio de Janeiro. Vários na Praça Saens Peña, perto de onde morava, outros tantos no Centro e alguns poucos na Zona Sul. E tome Guerreiros de Fogo, Remo – Desarmando e Perigoso, Por Incrível que Pareça, Ran e Brás Cubas. Depois ainda vieram Ribeirão Preto, Campinas e, finalmente, São Paulo. Muitos e muitos filmes em cinemas de rua, sempre.

Tinha algo de mágico nesse movimento de sair da realidade (a cidade) para entrar na fantasia (o cinema) e depois voltar com uma montanha de imagens e assuntos na cabeça. Sempre achei que cinema, literatura, quadrinhos, música, cultura de uma forma geral, fazem a gente viver mais ou, pelo menos, ter mais experiências, conhecimentos e paixões. Cultura fica na gente, por baixo da pele, nos olhos. E os cinemas de rua fazem com que essas sensações se relacionem com a cidade. Mas lá pelo final dos anos 1980 os shoppings começaram a ganhar terreno.

Primeiro como modernidade e status provinciano, e depois como refúgio de classes médias e elites contra uma cidade que lhes parecia cada vez mais assustadora (é o medo do outro, do diferente, do Brasil, como se pode ver no longa O Som ao Redor, assunto que tratei em “Nem todos estão surdos”). Daí que os cinemas de rua foram sendo abandonados em nome de uma bolha de segurança e vitimados pela sempre esperta especulação imobiliária.


Mas não adianta chorar pelo fotograma derramado, pois os cinemas de shopping vieram pra ficar e ficou muito caro manter um cinema de rua. Talvez se houvessem incentivos públicos como isenção de IPTU, a coisa melhorasse um pouco, afinal qualquer equipamento cultural acaba movimentando a região que o cerca e isso é ótimo pra cidade.

No entanto tive sensações conflitantes quando soube que Juca Ferreira, Secretário de Cultura da nova gestão da Prefeitura de São Paulo, planeja comprar o prédio do falecido Cine Belas Artes (esquina da Consolação com a Paulista) para transformá-lo em centro cultural. Quer dizer, todo novo centro cultural é bem vindo, onde quer que seja, e a região agradeceria – bem como os que vivem, trabalham ou passam por ela – que lhe dessem uma chance contra a degradação urbana.

Por outro lado, o Belas Artes não tem nada de especial, a não ser, claro, a relação afetiva com seu frequentadores. Mas prédios também possuem seu ciclo de vida, é normal. Então, não seria o caso de usar esse dinheiro para criar equipamentos culturais em áreas menos favorecidas, como sugere Raul Juste Lores em “O elitismo da ‘compra’ do Belas Artes”? Ou que se pensem em políticas culturais melhores e mais abrangentes como diz Ricardo Queiroz em “A polêmica do Belas Artes”?

De uma forma ou de outra tem que ter pipoqueiro, boteco perto, esses gêneros de primeira necessidade de uma cidade feliz.

domingo, 24 de junho de 2012

isto é arrigo barnabé

opa, olhaí minha primeira reportagem em video pro site da istoé. bom começo com arrigo barnabé e uma nova versão de tubarões voadores, o cultuado disco de 1984, que ganhou dois shows no auditório ibirapuera com direito a banda original. agradecimentos totais a experiência de mariane engber, responsável por câmera e edição. e mais videos-reportagem hão de pintar por aí (para a istoé, claro).





e logo abaixo uma imagem do show de sábado: muito divertido, banda afiada, arrigo figuraça, vânia bastos cantando muito, mas é aquela coisa cerebral. exige. às vezes eu topo (esse show foi assim), mas na maioria das vezes não consigo embarcar. de qualquer forma, "lenda" é foda.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

esforçando o instagram #07

edição especial: músicos, em estúdio, no palco e em casa. participações especiais de paulo carvalho, fernando catatau e o instrumental (lincoln olivetti, kassin, richard ribeiro e clayton martin), caio bosco e arrigo barnabé.











segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

os 25 discos brasileiros de 2011 + bônus

agora chegamos ao brasil, tudo muito mais próximo, mais quente, etc. e tal. sinceramente achei que foi um ano bem bom por essas bandas, infinitamente superior ao ano dos estrangeiros: muita surpresa, vários discos bons de cabo a rabo, variadão de verdade. foi difícil, bati cabeça, mas aqui estão os 25 principais lançamentos brasileiros segundo a gerência.

academia da berlinda – olindance (independente)
anelis – sou suspeita estou sujeita não sou santa (scubidu records)
arthur de faria e seu conjunto – música para ouvir sentado (casa de francisca/natura)
bambas 2 (soul city/natura/universal)
bixiga 70 (traquitana discos)
caçapa – elefantes na rua nova (garganta records)
criolo – nó na orelha (matilha cultural)
felipe cordeiro – kitsch pop cult (independente)
domenico – cine privê (coqueiro verde)
gal costa – recanto (universal)
gui amabis – memórias luso-africanas (independente)
karina buhr – longe de onde (coqueiro verde)
kassin – sonhando devagar (coqueiro verde)
kiko dinucci, juçara marçal e thiago frança – metá metá (desmonta/circus produções)
leandro lehart – ensaio de escola de samba (independente)
lirinha – lira (independente)
marcelo camelo – toque dela (universal)
momo – serenade of a sailor (pimba/tratore)
pélico – que isso fique entre nós (yb music)
rodrigo ogi – crônicas da cidade cinza (independente)
romulo fróes, kiko dinucci, marcelo cabral e rodrigo campos – passo torto (yb music/phonobase)
são paulo underground – três cabeças loucuras (submarine records)
seu jorge – músicas para churrasco vol. 1 (cafuné/universal)
wado – samba 808 (independente)
zé miguel wisnik – indivisível (circus produções)

e aí? algum destaque? eu poderia facilmente eleger o nó na orelha do criolo como o disco do ano, afinal foi a grande história musical de 2011 (muita música boa, grandes arranjos, intérprete da pesada e por aí vai), mas resolvi destacar os discos que emplacaram mais músicas na minha memória afetiva: sou suspeita estou sujeita não sou santa, bambas 2, nó na orelha, lira, serenade of a sailor e samba 808.
claro que a história não acaba aí (como visto na lista gringa) e agora seguem outros 15 discos que também merecem (e muito) ser ouvidos.

adriana calcanhotto – o micróbio do samba (sony music)
autoramas – música crocante (coqueiro verde)
china – moto contínuo (joinha records/trama virtual)
cida moreira – a dama indigna (jóia moderna)
eddie – veraneio (pogo tropical/soul city)
emicida – doozicabraba e a revolução silenciosa (independente)
emiliano castro – kanimambo (independente)
mallu magalhães – pitanga (agência de música/sony music)
marginals (independente)
marisa monte – o que você quer saber de verdade (phonomotor/emi)
me & the plant – the romantic journeys of pollem (independente)
mundo livre s/a – as novas lendas da etnia toshi babaa (coqueiro verde)
romulo fróes – um labirinto em cada pé (yb music)
savave – versão extendida (independente)
slim rimografia & thiago beats – mais que existir (independente)

não é de hoje que as grandes gravadoras deixaram de frequentar listas como essa de melhores do ano. além de escolherem quase unicamente a saída do mercado, as majors tem lançado cada vez menos, o que deixa espaço livre, escancarado, a novos jeitos de tratar música. já faz um tempinho que os independentes são maioria nas minhas listas, mas de qualquer forma foi surpreendente olhar na lista e ver vários títulos de dois selos “pequenos”: o carioca coqueiro verde e o paulistano yb music. ambos emplacaram discos em todas as categorias, tanto na dos 25 principais, quanto na dos outros 15 e na lista-monstro que agora segue.

agridoce (vigilante/deckdisc); apanhador só (acústico-sucateiro, independente); ava (diurno, warner); azymuth (aurora, far out recordings); blubell (eu sou do tempo em que a gente se telefonava, yb music); bonifrate (um futuro inteiro, independente); caldo de piaba (volume 3, independente); camarones orquestra guitarrística (espionagem industrial, independente); celso fonseca & ronaldo bastos (liebe paradiso, dubas); che (papagaio's fever, somzera/yb music); chico buarque (chico, biscoito fino); chimpanzé clube trio (tudo veio do nada, independente); cícero (músicas de apartamento, independente); copacabana club (tropical splash, st2 records); css (la liberación, v2/universal); daniel peixoto (mastigando humanos, fora do eixo discos); doncesão (bem vindo ao circo, independente); douglas germano (orí, bac discos); eletrofan (day sky/night sky, el sonora/mutant records); elo da corrente (o sonho dourado da família, independente); erasmo carlos (sexo, coqueiro verde); eta carinae (novos sons e tradições mudernizadas, independente); fabio goés (o destino vestido de noiva, phonobase); faria & mori (outro lugar, reco-head records); flávio renegado (minha tribo é o mundo, independente); funk como le gusta (a cura pelo som, radar records); hamilton de holanda & andre mehmari (gismontipascoal, brasilianos); ivor lancellotti (em boas e más companhias, dubas música), jards macalé (jards, biscoito fino); júlia says (violência, independente); junio barreto (setembro, independente); léo cavalcanti (religar, traquitana discos/yb music); literalmente loucas – elas cantam marina lima (jóia moderna); los porongas (o segundo depois do silêncio, baritone records); macaco bong (verdão e verdinho EP, independente); mariana aydar (cavaleiro selvagem aqui te sigo, universal); marina lima (clímax, liberta records); mopho (volume 3, pisces records); naná rizzini (i said, independente); nevilton (de verdade, sombrero/fora do eixo discos); nuda (amarénenhuma, independente); panorama do choro paulistano contemporâneo (pôr do som/atração); pedro luís (tempo de menino, mp,b/universal); pio lobato (café 2, lado p); pipo pegoraro (táxi imã, yb music); projota (não há Lugar melhor no mundo que o nosso lugar, independente); rael da rima (música popular do 3º mundo, trama virtual); rafael castro (rc canta rc EP, traquitana discos); rashid (dádiva e dívida, independente); rubinho troll (stinkin like a brazilian, independente); silva (silva EP, independente); silvério pessoa (no grau, independente); sobrado 112 (sobrado 112 no país da skapolca, oi música); tibério azul (bandarra, joinha records); tiê (a coruja e o coração, warner); tonho crocco (o lado brilhante da lua, momo king records); vanguart (boa parte de mim vai embora, vigilante/deckdisc); xará (além da razão, independente).

alguns adendos se fazem necessários. dessa ruma, dez discos só não entraram nas listas principais porque a concorrência foi pesada (não coincidentemente todos emplacaram músicas entre as melhores como será lido/ouvido na próxima lista). são eles chimpanzé clube trio (tudo veio do nada), cícero (músicas de apartamento), css (la liberación), douglas germano (orí), junio barreto (setembro), pio lobato (café 2), literalmente loucas – elas cantam marina lima, mariana aydar (cavaleiro selvagem aqui te sigo), sobrado 112 (sobrado 112 no país da skapolca) e vanguart (boa parte de mim vai embora).

três discos/artistas foram decepções semi profundas para o que sempre espero deles: o chico de chico buarque (careta, sei lá, não quero falar nisso), o sexo de erasmo carlos (achei o anterior, rock’n’roll, tão mais intenso) e o jards de jards macalé (alguém pode fazê-lo parar de regravar as mesmas de sempre? se ele não fosse tão genial até nas repetições e eu tão fã...)

também me “decepcionei” – assim entre aspas mesmo porque gostei de todos os discos nessa lista, afinal os ruins e os não ouvidos estão em algum outro lugar - com outros três, mas pelas expectativas criadas nos ótimos trabalhos anteriores, os de estréia. esperei mais de blubell (eu sou do tempo em que a gente se telefonava), fabio goés (o destino vestido de noiva) e tiê (a coruja e o coração), mas aí é coisa minha. de qualquer forma listas são aquela coisa: um dia antes ou um dia depois e a ordem das coisas poderia muito bem ser outra.

p.s. 1: não fiz uma seleção de dvds musicais, mas não poderia encerrar esse post sem citar o excelente caixa de ódio – o universo de lupicínio rodrigues (casa de francisca/canal brasil), registro inspirado de shows de arrigo barnabé entortando à la tom waits as músicas de fossa do grande compositor gaúcho.
p.s. 2: também não poderia deixar de mencionar o grande programa musical televisivo de 2011, o grêmio recreativo (apesar que o som brasil da tv globo continua aprontando algumas ótimas surpresas como gaby amarantos na homenagem a zezé di camargo & luciano). mas nesse grêmio comandado por arnaldo antunes aconteceram grandes encontros, misturas inusitadas, novos e velhos hits, tudo muito bem filmado. a lista dos convidados dos dez episódios da primeira temporada é gigante e afiadíssima, mas separei um dos muitos pontos altos do programa. afinal, foi nele que conheci a maviosa "dia a dia, lado a lado", com marcelo jeneci, tulipa ruiz e grande elenco.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

yahoo #20

olha, esse "custe o que custar, uma ova!", meu vigésimo texto pra coluna ultrapop, foi um dos que mais gostei de fazer. um tanto pelo assunto - a derrocada moralista do cqc me intriga tem muito tempo -, mas ainda mais pela forma que encontrei de escrevê-lo (como uma carta de despedida). enfim, foi divertido de fazer e teve um retorno bem legal, tantos nos comentários (surpreendentemente muitas pessoas concordando comigo, coisa rara) quantos nos 'likes'. agora por lá é a vez de "o nada incrível huck", pro pessoal que comenta no yahoo não sair por aí dizendo que não se fala mal da tv globo, como aconteceu nesse texto do cqc. resultado? outro tanto de gente falando que meu mal é inveja. vai entender...


CUSTE O QUE CUSTAR, UMA OVA!


Lembro como se fosse ontem: 17 de março de 2008. Já passava das 22h quando nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. Foi amor à primeira vista, pode acreditar. Eu vinha de uma série de relações breves, não conseguia me deixar levar por ninguém, e quando você apareceu... nossa, era o programa de humor, na televisão aberta, que estava esperando por toda minha vida (mentira, vivi um lance muito forte com a TV Pirata, mas sabe como são essas coisas do coração, né?).

Um humor corrosivo e de cara limpa, sem o apoio de bordões, de olho na pompa ridícula de políticos e celebridades, além de um pé no jornalismo no quadro sobre os desperdícios e desmandos do poder público. Ah, CQC, como eu te amei! Tanto sua bancada de três cabeças-línguas quanto seus comediantes-repórteres, cada um a seu jeito.

Foi um ano lindo, lua-de-mel e amendoim todas às segundas, e era gostoso a gente se encontrar, a risada rolava fácil, assunto não faltava. Então encontrei, exatamente nessa época, sua cabeça mais brilhante e fiquei encantado. Na entrevista que deu origem a matéria “Entende o mundo quem ri melhor”, Tas me disse coisas como: “Nós não podemos fazer o que estamos criticando, ou seja, denúncias vazias, explorar fatos de uma maneira exagerada, fazer perguntas que não são pertinentes. (...) Não queremos virar os justiceiros ou a patrulha da moral e dos bons costumes”. Eu, cego de paixão, acreditei.

O primeiro ano se passou, a segunda temporada entrou no ar e segui fiel. Algumas coisinhas começaram a me incomodar, mas achei que era implicância, imaturidade minha. Qual o problema de cada matéria vir precedida por um comercial interminável e engraçadinho com os próprios integrantes do programa? Que mal há em cortar a resposta do entrevistado deixando na edição final apenas a pergunta-polêmica do repórter? De qualquer forma, comecei a perder um episódio ou outro. Vejo depois na internet, dizia para os meus botões, sem querer aceitar que a gente estava se distanciando.



Aí, na terceira temporada em 2010, a coisa desandou de vez. Não adiantou colocar uma mulher entre os repórteres, quadros novos também não resolveram. A gente deixou de falar a mesma língua, simples assim, só que de vez em quando contemporizava: afirmando que o problema era comigo, não com você. Bobagem, o problema era com você sim.

Desacreditar políticos com piadas é a coisa mais fácil do mundo e garante repercussão entre cidadãos preguiçosos que acham que esse pessoal de Brasília é tudo igual. Bancar o machão com um assistente de subsecretário de cidade interior é sopinha no mel. Quero ver fazer piadas com empresas que patrocinam o programa (isso acontece com muita frequência nos Estados Unidos), quero ver um Proteste Já com o setor privado.

Para onde foi aquele acidez de tempos passados que puxava o tapete das celebridades, globais ou não? Quando todos ficaram famosos demais a ponto de tudo virar uma suruba de rasgações de seda?

Na época da eleição então a coisa piorou ainda mais. Marcelo Tas, o saudoso e espirituoso Ernesto Varela, foi mostrando facetas autoritárias, preconceituosas e parciais, tanto na TV quanto no twitter (‘para os meus amigos, babações de ovo ou o silêncio cúmplice; para os inimigos, a piadinha rasteira e a polêmica fogo de palha’). Só sei que meu coração se quebrou em mil pedacinhos e que minha mulher não quis recolhê-los porque disse que já tinha me avisado inúmeras vezes.

Segunda agora, anteontem, resolvi dar uma olhada no que estava acontecendo. Fazia um bom tempo que não assistia um programa inteiro. Às vezes fugia de propósito, mas noutras esquecia completa e sinceramente. Sabia que as coisas por aí não andavam bem - audiência caindo, brigas internas, expulsão de um dos integrantes -, mas procurei assistir com amor no coração, respeitando a nossa história, saca? Não adiantou. Tudo estava diferente, sem graça, arrastado e moralmente flácido. Pensei que ficaria triste, tantos talentos se queimando desperdiçados, mas não senti nada. Nadinha. Um pouquinho de felicidade talvez, afinal agora poderia partir para outra de coração leve. E que o último que sair por aí apague a luz.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

tranquem as portas!!!

pesquisando sobre arrigo barnabé pr'um freela me deparei com um video curioso. dois anos atrás, um rapaz de volta redonda (rj) chamado jeffin scanneou tubarões voadores, história em quadrinhos que o mestre luiz gê fez em parceria com arrigo pra virar o segundo disco deste, lá em 1984. depois pegou as imagens e sincronizou com a faixa-título. trabalho caseiro e de coração.



tenho dificuldades em ouvir arrigo (cheguei a dormir no único show que vi dele na fiesp uns bons anos atrás), mas tem seus momentos divertidos (partes do clara crocodilo, "uga uga" do disco suspeito, de 1987, por exemplo) e abre o ouvido pra novas possibilidades musicais. ainda nessa busca achei dois videos de 1979 que trazem a participação de arrigo e a banda sabor de veneno no 1º festival universitário da música popular brasileira (tv cultura): tem "infortúnio" e a vencedora "diversões eletrônicas". perceba que a banda sabor de veneno é composto por gente como itamar assumpção (baixo), vânias bastos e suzana salles (vocais), paulo barnabé (bateria), bocato (trombone), etc. ah, e tem também esse video do showlivre, no qual arrigo fala um pouco do tubarões voadores (atenção redobrada do momento 3:19 ao 3:45, no qual ele mostra como é o seu samba modal, atonal, etc. e tal. dá como exemplo um trecho de "a europa curvou-se ante o brasil", a música pro santos dumont e que tem participação do paulinho da viola).

e pra finalizar olhaí um link pro download do tubarões.