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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

yahoo #59

o primeiro parágrafo desse texto foi escrito na noite do dia 31 de dezembro do ano passado (nem faz tanto tempo assim, 2012) e o resto já nesse ano nas minhas "férias" no ceará (depois aconteceu belém, mas aí é outra história). quis fazer algo diferente, mais reflexivo, pessoal, aquele tipo de texto para se reler no final do ano e avaliar o que foi feito. tomara que eu seja melhor em 2013 e que 2013 seja bonzinho comigo. simbora. enquanto isso, já no yahoo, o texto "nem todos estão surdos" sobre o excelente filme o som ao redor, de kleber mendonça filho.




DO TIPO QUE SORRI PARA FOGOS DE ARTIFÍCIO


No último dia do ano fiquei horas e horas olhando um rio em busca de uma metáfora. Para o sentido da vida, a virada de ano, coisas assim, só que não encontrei nada e acabei dando um mergulho. Quando saí da água me desequilibrei e abri um talho acima do joelho. Sangrou um tanto bom na hora... que tudo se realize... mas não doeu, nem inchou... no ano que vai nascer... e o ano novo nasceu, como sempre. Só que pra mim com uns cortes na perna, o que, obviamente, não é fato nada metafórico.

Então fiquei pensando nisso de “que tudo se realize” enquanto minha irmã borrifava um sanativo e meus sobrinhos olhavam hipnotizados. Porque desde que me entendo como gente, os telejornais do dia 31 de dezembro e 1º de janeiro fazem as mesmas perguntas mundo afora e as respostas sobre os sonhos para o ano novo são invariavelmente aquelas de sempre. Homens falam de dinheiro, enquanto mulheres, mais cuidadosas, mencionam genericamente saúde e paz. Tudo vago para agradar o bom mocismo da boca pra fora proporcionado pela TV ou que dependa de forças externas extraordinárias como sorte ou Deus.

"só pra me exibir / só pra te impressionar"

Mas antes que tudo se realize é preciso passar de ano. E lá vem o frenesi e a obrigatoriedade de ser feliz, muito feliz, durante o reveillon. Entre engarrafamentos na estrada, na praia e nas filas de banheiro, e na falta de água e luz com tanta gente amontoada em cidades e vilas que no resto do ano carecem de atenção. Alheio a tudo, o Rio Mal Cozinhado (cerca de 70 km de Fortaleza, o tal rio do início do texto) segue no fluxo de marés baixas e altas do seu encontro com o mar. Não existe ano novo no seu leito, muito menos siris espaçosos dirigindo Hilux. E quando a meia-noite se aproxima o rio continua lá impávido e em constante movimento.

Então decido jogar o relógio para escanteio na espera que os gritos e fogos anunciem que 2012 é passado e 2013 é presente e futuro. Mas e aí? O que falaria na TV sobre o que desejo para o ano? Dinheiro? Paz? Não. Saúde, talvez. “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”, grita o sempre elétrico  Paulo Cintura dentro da minha cabeça, enquanto os primeiros fogos estouram ao longe (alguém adiantado).

Mas coisas assim não dependem da gente. Nada disso é busca pessoal. Mais fogos, devem faltar uns cinco minutos. Já desencanei de procurar respostas no rio, não tem escapatória, é comigo mesmo, tá tudo no meu nome. Quero continuamente ser uma pessoa melhor (pra mim, para os que me cercam) do tipo que julga menos, ama e ouve mais. Do tipo que transforma medo em reflexão, curiosidade em ação, encantamento em paixão, músicas em amor, segundas chances em belezas totais. Bem na hora dos fogos. Fogos. 2013. Fogos. Fogos. E eu sorri. Quem sabe?


p.s.: “Brisa tropicana” é faixa de Pelos Trópicos, terceiro disco da cantora paulistana Andreia Dias, e está disponível para download gratuito.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

yahoo #53

por anos a fio pensei em fazer algo com as "versões místicas" de grandes sucessos pop (majoritariamente internacionais) feitas para louvar o figuraça inri cristo. nunca me importei se ele e as inrizetes acreditavam realmente no que pregavam, ou se eram um bando de malucos, ou malandros... deixem eles lá, não tão fazendo mal a ninguém... mas os vídeos são impagáveis, quase todos boas obras de humor (intencional ou não). pensei até em fazer aqui pro esforçado uma detalhada análise vídeo por vídeo, mas preferi fazer um apanhadão pro yahoo, o que fez mais sentido.


PAI Ó PAI

Já são quatro anos e meio de produção e pouco mais de 30 vídeos. Então, a essa altura do campeonato, podemos afirmar que Inri Cristo possui uma considerável obra audiovisual digna de análise. Aquelas “versões místicas”, sabe? Paródias de grandes sucessos do pop rock nacional e internacional com letras de louvor ao “emissário do Pai” em clipes surreais e primitivos da cabeça aos pés.

Provavelmente a primeira que vi foi a de “Umbrella” (Rihanna) e tudo já estava ali: a jovem Alara apresentando a mensagem do vídeo com algum elemento cênico; o vocal sempre desencontrado das cantoras Asusana e Alíbera (sempre nos cantos esquerdo e direito do vídeo, respectivamente); a filmagem caseira pelas árvores do terreno da Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade; cenas roubadas de bancos de imagens; fotos de arquivo de Inri e algumas silenciosas e impagáveis aparições. Enfim, diversão nonsense garantida.

Vieram loucuras como o espírito boxeador de “Eye of the tiger” (Survivor), uma corajosa versão a capela de “What a feeling” (Irene Cara), o êxtase sacolejante em “Single ladies” (Beyonce), a doçura épica de “We are the world” (Michael Jackson e Quincy Jones), a transformação de “Take you there” (Sean Kingston) em um quase rap e os surtos eletrônicos de “Hot n’ cold” (Katy Perry) e “Just dance” (Lady Gaga). O sagrado balaio de gato de Asusana e Alíbera também vitimou “Hotel California” (Eagles), “Living on a prayer” (Bon Jovi), “Wind of change” (Scorpions), “Crusader” (Saxon) e “Rehab” (Amy Winehouse). Mas nessa primeira fase nada supera o “plágio divino” de “Toxic” (Britney Spears). Saca só o grau de genialidade tosca.


Deu um vazio no coração quando notei, em meados de 2010, que Alíbera, minha preferida, tinha sumido das “versões místicas”. Será que ela largou de vez esse lance de Inri? Nunca soube. Revelador que o último vídeo que gravou foi uma cover do bolerão “Contigo aprendi” (Armando Manzanero) em algum lugar na Cordilheira dos Andes (?!). Uma nova fase (para todos) começava.

Com a saída de Alíbera, Assinoê tornou-se protagonista. Ela, que já havia feito uma participação davidlynchiana em “Sorry” (Madonna), passou a cantar com seus dramáticos olhos malucos e voz grave coisas tão diversas como “Breaking the law” (Judas Priest), “Judas” (Lady Gaga), “Imagine” (John Lennon), “Rolling in the deep” (Adele), “Ai se eu te pego” (Michel Teló), “Warriors of the world united” (Manowar) e “Ciúme” (Ultraje a Rigor). Nessa segunda fase, os vídeos passaram a ganhar outros cenários, desde novas partes da Terra de Inri até as margens do Lago Paranoá (Brasília), e recursos visuais mais, digamos assim, sofisticados.

A fiel e animada Alara também foi promovida e contribuiu com uma atuação mais moleca-romântica, o que ajudou muito em “I want to know what love is” (Foreigner), “Baby” (Justin Bieber), “Did it again” (Shakira) e “Friday” (Rebecca Black), sempre em dupla com Asusana. Só que, ambiciosa, encarou sozinha “A banda” (Chico Buarque), uma das músicas preferidas de Inri.

De um ano para cá, novas “inrizetes” vem sendo testadas, o que acabou jogando Asusana para escanteio. A mais promissora é a bela e expressiva Adeí que apareceu dividindo microfone com Alara em “We r who we r” (Ke$ha), mas já encarou o desafio solo na complexa e dolorida “Conquest of Paradise” (Vangelis). A outra é Alysluz, que ainda precisa se soltar um tantão, mas não se preocupem porque Alara há de ensinar. Só que em tão pouco tempo, Alysluz teve a sorte de participar de dois dos melhores vídeos da carreira das “versões místicas”: a superprodução “Gangnam Style” (Psy) e “Wannabe” (Spice Girls).

O que acho mais lindo nisso tudo é o desprendimento, o auto deboche. Nesse fantástico mundo maluco da internet vídeos assim viram piada instantaneamente – e lá se vai a “mensagem” de Inri Cristo pelo ralo – e a turma continua produzindo, ano após ano. Sabem talvez que falem bem, falem mal, mas falem de mim (quer dizer, Dele). De qualquer forma todos os envolvidos devem se divertir bastante, e os de fora que tem bom humor também. Isso é o que importa, ó Pai, ó.

Até sempre, pessoal. Com ou sem pimentões.


p.s.:  E se você quiser saber um pouco mais sobre Inri Cristo tome um chopinho com ele em companhia de Michel Blanco.

terça-feira, 26 de maio de 2009

transversão #7

o pop não poupa ninguém, disse certa vez um tal de humberto gessinger. taí uma verdade. o pop pega em cheio, pega na veia, marca a vida das pessoas. mas não tô aqui falando do pop radiofônico e sim de um pop maior que os top 10 da vida. é que existem músicas que, por alguma razão misteriosa, nascem perfeitas e prontas para dominar as mentes de milhões de pessoas. exemplos não faltam no mundo inteiro e o melhor é que nesses casos, a música é tão forte que qualquer regravação consegue ser tão boa (ou quase) quanto a original. vamos então de "toxic" que, provavelmente, é a melhor coisa que britney spears fez na vida e exemplo bom da carpintaria popular dos tempos de hoje. a canção foi lançada no disco in the zone (jive, 2003) e carrega a assinatura de um time de futebol de salão: cathy dennis, henrik jonback, rhian green, christian karlsson e pontus winnberg.

bem, acho que todo mundo conhece a versão original que tá aqui, no ótimo clipe dirigido por joseph kahn, mas gostaria de mostrar outras versões. a primeira é do multiinstrumentista shawn lee, que no disco hits the hits (ubiquity, 2007) jogou fora as letras e mergulhou "toxic" no instrumental.



e agora? a letra volta e o batidão vai embora. cortesia de katrine ottosen, ou simplesmente callmekat, que lançou no final do ano passado seu disco de estreia (fall down) e mandou ver na sua própria, doce e dinamarquesa "toxic".

quarta-feira, 6 de maio de 2009