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sexta-feira, 13 de abril de 2012

yahoo #36

de uma hora pra outra, em algum lugar de 2011, comecei a ver instagram pra lá, instagram pra cá. era um aplicativo para iphones que dava um ar antigo, sujo, para fotos (algumas seriam totalmente ordinárias sem o filtro), ao mesmo que também funcionava como rede social. enfim, uma brincadeira legal. como não tenho nada da apple (questões ideológicas e tals) só fui mexer com o aplicativo quando recentemente chegou ao sistema android (smartphones). aí constatei que alguns membros do clubinho iphoner tinham ficado incomodados com essa popularização. essa foi a deixa para escrever na semana passada o texto "mimados e sem filtro" lá pro yahoo. o da semana é "arte é público", sobre o museu-parque inhotim e as pessoas se jogando nas cosmococas e penetráveis de hélio oiticica.


MIMADOS E SEM FILTRO

As redes sociais (a humanidade?) se alimentam de grandes e pequenas polêmicas diárias. Algumas reais, a maioria fictícia. Um tanto porque estão sempre acontecendo muitas coisas ao mesmo tempo e outro tanto porque vivemos numa corrida neurótica por assuntos, informações e opiniões sobre tudo. Só nos resta filtrar esse maremoto de muitas marolas do jeito que acharmos melhor.

A “polêmica” mais recente foi a chegada ontem do Instagram ao sistema operacional Android. Antes exclusivo para usuários de iPhone, o aplicativo é um jeito fácil e rápido de dar uma cara bacana, por meio de efeitos, a imagens comuns. Sabe aquela foto que você tirou nas últimas férias de uma prima enterrada na areia? Então, com o Instagram fica parecendo uma polaroide dos anos 1970.

Lançado em outubro de 2010, o aplicativo rapidamente se tornou cool, depois virou febre e agora, já com uma base de 30 milhões de usuários, tende a se tornar ainda mais popular. Daí que surgiu a palavra “popular” e o mundo (virtual) tremeu. “É a orkutização do Instagram!” foi a gritaria geral, principalmente no twitter. Bem, só de ler “orkutização” já sinto calafrios, mas felizmente esse termo já foi usado tantas vezes e de tantas formas (todas bestas) nos últimos anos que caiu no ridículo.
                                   
O curioso, nesse caso específico, é que muitas pessoas usaram esse termo especificamente para fazer alguma piada (já perceberam ou sempre perceberam o ridículo da coisa), mas a grande maioria foi mesmo para fazer troça ou simplesmente reclamar de quem a usava. Em alguns casos, a reação foi até desproporcional (e muito maior que) a ação como, por exemplo, em “Agora ‘guenta os macfags falando de ‘orkutização’ do instagram” (de @babalin).


Mais irônicas, consequentemente mais incisivas, foram frases como “Pessoa humana reclamando da orkutização do instagram, mal sabe que semana passada vi um iphone pré-pago” (de @srtabia) ou “Agora entendi pq estão falando da orkutização do Instagram. O povo se acha rico por ter iPhone, mas posso comprar em 25x nas Casas Bahia” (de @Karinalv).

E elas pegaram bem no nervo. A questão não passa por ser ou não ser um “macfags”. É mais uma briga de antigas percepções de classe, principalmente em um Brasil que, de uns poucos tempos pra cá, viu democratizações de certas posses e acessos. Resultado? Classes começam a se confundir, tudo se mistura com mais ânsia e velocidade, nada é o que parece.

Quem reclama disso bate em velhas teclas como nesses três exemplos: “Orkutização do Instagram não! Já tô vendo geral postando foto do sol na laje!! #MedoDoInstagramAndroid” (de @calterojr), “Tenho certeza q vou ver fotos de gente dentro de caixa dágua, ou seja, será a orkutização do instagram. vão matar o app” (de @amaralamaral) e “Liberaram o instagram pra android! Puuutz vai virar orkut! Fotos de biquinhos e V com mão! Perdemos um app legal! Droga!!” (de @babi_cocolichio). E daí? Como diria a colega Nina Lemos, “quantos anos essas pessoas têm para achar que um brinquedo vai perder a graça só porque mais gente vai poder brincar?”

É isso: brincar, verbo intransitivo. Ou então, como na “tuitada” de @Leuzito, “na moral, bem mais L0k0 um instagram com foto de favela/baile funk do que com parede ~tijolinho a vista/por do sol. viva a orkutização”.

p.s.: na esteira da “polêmica”, e como não poderia deixar de ser, apareceram alguns tumblrs para debochar da tal “orkutização do Instagram”. Tem o Orkutgram, o Hipsters Orkutizados e o Android no Instagram, por exemplo, além do precursor de todos, o sensacional Pobregr.am (um dos tumblrs citados na coluna “O país da internet moleque”).


p.s.: depois, o matias escreveu para o caderno link (estadão) o bonzão "a 'orkutização' do instagram e a natureza gregária da internet".

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ei, joão! pega o gringo!

tem horas que a gente acha umas coisas e tudo faz sentido. pelo menos naquele momento. pelo menos pra si mesmo. tô aqui ouvindo o disco de estreia do figuraça joão do morro, do morro ao asfalto (independente, 2009), e me divertindo horrores com seu samba maroto, um tanto baiano, bastante desavergonhado. faixas como "ninguém segura", "sarará", "frentinha", "o avião" e a genial "lado b do jornalista" (tudo lá no myspace do pernambucano). aí encontrei o clipe da divertidíssima "eu não presto" (do refrão matador "eu não presto / não valho nada / eu sou do dia / sou da noitada / eu sou doidera / eu sou da cachorrada / só fica comigo se for mulher safada" e que tem participação do conde do brega). mais brasileiro e pop, impossível. ah, joão do morro tem outro clipe, é de "balaiagem", crônica debochada sobre questões capilares femininas.



também estou ouvindo bastante outro disco de estreia, sampleando deus e o mundo (independente, 2009), dos brasilienses do sacassaia (que disponibilizaram no site o disco para download gratuito). é música eletrônica, variada, mas profundamente brasileira e igualmente pop. outro tanto de músicas ótimas, tais como "ossoduro", "transmissão inclusiva", "gem jam" e "canibal". e por esses dias, a dupla (tony roballo e gardenel) lançou o fotoclipe de "pega o gringo", batidão crítico sobre a relação dos brasileiros com estrangeiros, certos clichês transnacionais, a imagem construída e refletida, etc. e tal.



pronto. mas aí, no mesmo dia - hoje - vejo o clipe dos suecos do maskinen (via thiago ney). nunca tinha ouvido falar dos eletro rappers afasi e frej larsson, mas a música "dansa med vapen" é quase toda cantada em português por marina ribatski (ex-bonde do rolê) e é um pancadão eletrônico bacana (produzido por johan hugo do radioclit). curioso é o clipe com os gringos sendo pegos e assassinados por uma tribo de canibais com armamentos saídos do cidade de deus (o título da música, aliás, significa "danças com armas"). quer dizer... é nozes.