pode substituir 'les miserables' por 'os guardas chuvas do amor' ou 'sweeney todd' ou qualquer outro filme musical todo cantado, pois sampleados, websérie da platô produções, tem justamente a pretensão de contar uma(s) história(s) costurando apenas hits do brega e tecnobrega paraense, sem diálogos falados. acabou de sair o primeiro episódio e nele estão a atriz betty dopazo [a vilã do impagável curta encantada do brega], o lendário wanderley andrade e as celebs leona vingativa e aleijada hipócrita [da saga leona vingativa]. bem divertido, profundamente paraense [making of aqui].
no final aparecem as músicas usadas - lembrando que a produção musical é do will love, da gang do eletro - e resolvi replicar aqui com links para suas versões originais. são elas: "eu te amo meu amor" [frankito lopes], "você vacilou" [irmãos metralha], "um drink no bar" [banda conexão] e "conquista" [wanderley andrade].
então vem o segundo episódio com suanny batidão [banda anjos do melody] e a dupla will love e waldo squash [gang do eletro], e as músicas "lá vem o corno" [banda viper], "ultra som" [banda ravelly], "nego lindo" [lene bandeira] e "rupinol" [marinho].
já o terceiro episódio é estrelado por nanna reis, félix robatto, letícia moura, may souza [banda ar-15] e renan sanches [banda ark]; e as músicas são "galera da golada" [viviane batidão], "quem vai querer" [banda katrina], "varejeira/cisca varejeira" [banda voo livre/banda xeiro verde] e "gringo lindo" [banda floresta nativa].
o quarto tem thaciane pantoja [banda batidão do melody] e o lendário tony brasil levando as músicas "tic tic tac" [banda amazonas], "meu amor é todo seu" [banda sayonara], "bole rebole" [banda los bregas] e "volte logo meu amor" [nelsinho rodrigues e aninha]. e mais do ver-o-peso, o set mais característico e recorrente da cidade de belém.
finalizando a websérie - foi anunciado que esta foi a primeira temporada, então tem mais por aí em 2016 -, aparecem keila gentil [gang do eletro], viviane batidão, rebeca lindsay, valéria paiva [banda fruto sensual], edilson moreno e billy brasil. e mais uma porrada de músicas de épocas diferentes do brega paraense: "ao pôr do sol" [teddy max], "declaração de amor" [banda sayonara], "xirley" [gaby amarantos], "na balada pop" [banda maria eugênia], "brega da marmita" [jurandir], "luxuoso jacksom" [banda fruto sensual], "ouro negro" [skema dance], "traficante do amor" [wanderley andrade], "piranha do banheiro" [aparelhagens], "pra me conquistar" [banda calypso] e "melô do ladrão" [wanderley andrade].
como não poderia deixar de ser, sampleados acaba numa grande festa de aparelhagem ao som dos versos 'eu vou samplear, eu vou te roubar' [versos de "xirley" e uma espécie de resumo de intenções do tecnobrega paraense].
e aqui uma série de mixagens, assinadas por will love, com as músicas dos cinco episódios.
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sábado, 13 de junho de 2015
o 'les miserables' do brega
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sábado, 13 de dezembro de 2014
disney batido no açaí
tão mas tão divertido esse curta ‘encantada do brega’, que
nada mais é que uma fábula escrachada e musical ambientada no infinito mundo
das quebradas e aparelhagens de belém. a princesa é batedora de açaí, o príncipe é dj e por aí vai. e ainda tem participações de keila
gentil e will love, da gang do eletro, gaby amarantos e paulo colucci [a
aleijada hipócrita da saga de leona
vingativa, igualmente paraense e debochada – leona, aliás, aparece
rapidamente ao lado de gaby]. vários momentos impagáveis de zuera tipicamente
paraense; escolha o seu preferido.
o curta tem página no facebook. curte lá pra saber mais.
atualização: pouco mais de um dia depois que postei o curta, o pessoal da produção disponibilizou a trilha para streaming e download. saca só.
atualização: pouco mais de um dia depois que postei o curta, o pessoal da produção disponibilizou a trilha para streaming e download. saca só.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
gaby is crazy for you
atualmente, gaby amarantos está malhando, fazendo regime e cuidando da saúde em horário nobre, mais precisamente no quadro 'medida certa - a disputa' (sua participação, aliás, gerou uma série daquelas microindignações virtuais, devidamente destruídas por nina lemos em "liberdade para preta gil e gaby amarantos"). só que a partir do dia 19 desse mês, às 19h no canal bis, a paraense estará em um reality show bem diferente. filmado na segunda quinzena de julho desse ano, gaby gringa é uma série em dez episódios que acompanha passeios, encontros musicais, descobertas e frios na barriga da artista em sua primeira miniturnê internacional (nova york, londres, bristol e antuérpia). bati um papinho virtual com a moça pouco após sua volta e antes da entrada no 'medida certa'. saiu na monet agora de setembro. ah, e as fotos que ilustram esta postagem foram tiradas durante um divertido encontro com ela em belém, no início de janeiro deste ano. não emplaquei a pauta sobre a gravação de um comercial, mas a conversa foi ótima (não transcrevi até hoje, mals) e a noite tão boa quanto.
DISSERAM QUE ELA VOLTOU MAIS PARAENSE AINDA
Desde que lançou, há dois anos, a primeira música (“Xirley”)
de seu disco de estreia, Gaby Amarantos não sossegou o facho. Talvez tenha sido
por causa do feitiço do café que ela coou na calcinha da música popular
brasileira, mas o fato é que o disco Treme
foi eleito um dos melhores de 2012 pela crítica especializada e Gaby
emplacou uma canção (“Ex-Mai Love”) numa abertura de novela global, além de
encarar muitos shows, matérias e aparições televisivas para todos os tipos de
públicos país afora. Agora é a vez da orgulhosa paraense, que acabou de fazer
35 anos, ganhar o mundo, ou pelo menos parte dele, no especial Gaby Gringa.
Filmado em julho durante a miniturnê internacional que levou
a cantora a países como Estados Unidos (Nova York), Inglaterra (Londres e
Bristol) e Bélgica (Antuérpia), Gaby
Gringa foi dirigido e produzido por Tatiana Issa e Rafael Alvarez, a mesma
dupla do premiado documentário Dzi
Croquetes. “[O programa] vai trazer um mix de irreverências, porque sou uma
comediante por natureza e causei muito nos ‘States’, e momentos emocionantes
como cantar ‘Aquarela Brasileira’ no Birdland, onde Billie Holiday foi
consagrada, e visitar o Apollo Theater, palco de shows históricos de James
Brown e Michael Jackson. Também rolaram encontros musicais inusitados com
artistas do Brooklyn e Harlem e alguns brasileiros bem conhecidos. Cada
encontro, uma emoção diferente”, explicou Gaby, já de volta a sua casa no
Jurunas, bairro periférico de Belém.
Os brasileiros a quem Gaby se refere vão de Seu Jorge ao
rapper Emicida, passado por Tulipa Ruiz, Lucas Santtana, Maria Gadú, Pretinho
da Serrinha e a banda Graveola. Alguns desses encontros aconteceram em
situações intimistas, na rua ou em um parque, e outros em grandes shows como o Brasil
Summerfest, no Central Park. “A receptividade foi melhor do que imaginava, mas
tinha certeza que algo maravilhoso estava reservado pra mim por lá. Sei o
potencial do que faço e o fato das pessoas lá fora não atentarem para o
significado da palavra ‘brega’ faria com que esse público ouvisse a música
livre de qualquer preconceito”. Um público livre de preconceitos como ela
própria.
“Essa viagem me agregou muita bagagem cultural e me fez
levar a cultura do meu país para outros mundos. Isso me fez ver tudo, vida,
carreira, com outros olhos”. Gaby Gringa
é, portanto, o retrato de um momento especial de uma artista que nasceu nas
festas de aparelhagem no Norte do Brasil e que agora mostra toda sua força pop
miscigenada a um novo público.
Enquanto prepara o segundo disco, que só deve ser lançado em
2014, Gaby também comemora a descoberta do seu lado atriz. No primeiro semestre
protagonizou o episódio de estreia da série Contos
do Edgar (Fox) e em novembro estará nos cinemas em Super Crô – O Filme. Mas certamente 2013 ficará marcado na sua
memória, e na sua carreira, como o ano que deu os primeiros passos do projeto
de dominação mundial Gaby Gringa. “Todos
os lugares [retratados no programa] foram especiais. Sabe aquele trabalho que
você faz se arrepiando a cada passo? Foi assim. Nós nos emocionávamos a cada
ato e chorei muito ao cantar ‘Como Nossos Pais’ [de Belchior] em homenagem aos
meus pais que são heróis pra mim, e ‘The Very Thought of You’ da Billie
Holiday. As pessoas vão se surpreender me assistindo cantar músicas que jamais
imaginariam que eu flertasse. Mas o que quero mesmo é continuar fazendo o mundo
e o Brasil tremerem com a alegria do Pará”. Sossegar o facho é uma expressão
que não está em seu dicionário.
p.s. 1: olha só a reportagem em página dupla na monet.
p.s. 2: e aqui o clipe de "gemendo" gravado na galeria/ateliê do artista plástico kenny scharf durante a passagem de gaby por nova york.
p.s. 1: olha só a reportagem em página dupla na monet.
p.s. 2: e aqui o clipe de "gemendo" gravado na galeria/ateliê do artista plástico kenny scharf durante a passagem de gaby por nova york.
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terça-feira, 2 de abril de 2013
o charminho da gang
a primeira vez que falei da gang do eletro aqui no esforçado foi
em outubro
de 2010. já tinha virado fã de cara e o grupo virou presença constante
aqui. ainda em 2010, rolou uma coletânea
digital organizada pelo timpin pinto e em março de 2011 fiz um perfil
da dupla maderito e waldo squash, os fundadores da gang, para o site da
vice brasil (a entrevista por skype rendeu tanto que publiquei material bônus
de maderito
e waldo).
pouco depois entraram keila gentil e william nos vocais e o quarteto começou a
fazer mais e mais shows, produzindo muito e preparando a estreia em disco. como
2012 acabou sendo o ano da conterrânea e amiga gaby amarantos – waldo e a gang
participaram do disco dela, treme –,
acho que eles, estrategicamente, deixaram o disco para este ano. gang do eletro (deckdisc, 2013) reúne
em 10 faixas toda a versatilidade do quarteto. e dá-lhe brega, cumbia, tecnobrega,
música eletrônica pra sorrir e o diabo a quatro. é o som que a galera dá valor.
claro que sou suspeito, mas taí um disco cheio de diversão e
muitas informações musicais. Já os vi ao vivo umas quatro ou cinco vezes – ano passado
no festival
sónar e no sesc pompéia, shows memoráveis – e o disco conseguiu captar a
energia do quarteto. os meus destaques pessoais vão para “dançando no salão”, “só
no charminho”, “una cosa”, “eletro do robô”, “esquenta” e “velocidade do eletro”,
que ganhou um clipe rodado no centro de belém.
e pra finalizar, umas fotos que tirei desses shows da gang
do eletro no sónar (as duas primeiras) e no sesc pompéia (as restantes).
neste último rolou participações da banda uó e de felipe cordeiro.
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sábado, 23 de março de 2013
deusa e diaba na terra da chuva
dois anos atrás, quando foi gravado live in jurunas, gaby amarantos ainda estava se preparando para gravar seu cd de estreia (treme, 2012). muita coisa aconteceu com a paraense de lá pra cá, desde seu disco entrar em boa parte das listas de melhores do ano (também aqui no esforçado) até centenas de shows, participações, aparições em tv, editoriais de moda e o escambau, sempre trafegando muito fácil e confortavelmente entre os mundos popular e cult.
mas este live in jurunas, lançado hoje, é particularmente revelador da energia da intérprete no palco e da sua forte ligação com seu bairro de nascimento e criação (coisas que, obviamente, não aparecem no disco). e tudo filmado de forma crua, documental, suada e apaixonada por priscilla brasil (que depois dirigiria o clipe de "xirley") e vincent moon. clique aí e se divirta com os muitos detalhes, sonoros e visuais, desse grande show que é gaby amarantos.
mas este live in jurunas, lançado hoje, é particularmente revelador da energia da intérprete no palco e da sua forte ligação com seu bairro de nascimento e criação (coisas que, obviamente, não aparecem no disco). e tudo filmado de forma crua, documental, suada e apaixonada por priscilla brasil (que depois dirigiria o clipe de "xirley") e vincent moon. clique aí e se divirta com os muitos detalhes, sonoros e visuais, desse grande show que é gaby amarantos.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
cheiro de floresta, luz de cidade
taí minha outra contribuição pra edição de fevereiro da revista da gol, uma entrevista com a cantora lia sophia. só lamentei que o chamado para a matéria tenha surgido poucos dias depois d'eu ter voltado de belém. teria sido ótimo entrevistá-la em casa (como sempre, o batepapo aqui tá maior do que o da revista). de resto, conversa ótima, divertida, super franca. lembro bem da minha primeira impressão quando ouvi lia cantando "ai, menina" no terruá pará: "se os mariozinhos rochas da globo fossem espertos de verdade pegavam essa música correndo pra colocar em trilha de novela". cerca de um ano depois lá estava lia embalando personagens globais. novos ventos talvez.
A MENINA QUER CANTAR
Uma das revelações da nova música paraense, Lia Sophia emplacou música em novela e agora quer mostrar mais de sua mistura sonora de floresta e cidade
Ela surgiu no canto esquerdo do palco, girando e girando, toda de branco. Estava de saia rodada, claro, e todo o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, parou para ouví-la cantar. Foi ali, na segunda edição do festival Terruá Pará, em junho de 2011, que uma das cantoras paraenses mais interessantes da atualidade foi apresentada ao eixo Rio-SP. Mas Lia Sophia não era uma estreante, longe disso.
Nascida na Guiana Francesa, criada em Macapá e formada e radicada em Belém, Lia Sophia já possuía três discos na bagagem – Livre (2005), Castelo de Luz (2008) e Amor Amor (2009) – quando decidiu explorar outros mares. E tudo deu muito certo, desde uma música em trilha de novela (“Ai, Menina” em Amor Eterno Amor), com direito a participação em um dos capítulos, muitos shows e chuvas de elogios da crítica especializada.
Essa música, aliás, será o carro-chefe de seu quarto álbum solo, que sairá ainda neste primeiro semestre com patrocínio da Natura Musical e produção de Félix Robatto (La Pupuña e Gaby Amarantos) em parceria com a própria cantora. “O disco tá ficando com um cheiro de floresta e com a luminosidade da cidade”, afirma Lia, que também compõe e toca violão desde os 9 anos de idade. Quem já conhece sua mistura de pop, mpb, música caribenha, carimbó, brega e guitarrada sabe que um dos discos do ano está prestes a nascer.
Você é de uma família de músicos, sua mãe foi cantora de rádio, e mesmo assim ganhar a vida com música não era visto com bons olhos em sua casa. Ao mesmo tempo você cantava em igreja e aprendeu a tocar violão. Qual era o receio deles? Naquela época, o que era música pra você?
Na minha casa a música sempre esteve presente, com duas funções bem distintas, uma era a de louvar a Deus – caminho por onde eu e meus irmãos seguimos, na infância e adolescência, na igreja – e a outra era a de alegrar as festas que meus pais faziam em casa, e eram muitas [risos]. Não se ouvia música que não fosse pra dançar. Chico Buarque, Caetano Veloso, João Gilberto e Maria Bethânia, nem pensar! Até os meus 17 anos de idade, eu não conhecia esses artistas, até já tinha ouvido alguma coisa, mas muito pouco mesmo. Boleros, bregas, zouks, carimbós, merengues, era isso que rolava. Meus pais não viam na música uma profissão segura, rentável, temiam que eu ou meus irmãos nos perdêssemos nos bares da vida, sem ter uma segurança financeira. Ironicamente, comecei a aprender violão por imposição de minha mãe, que sempre quis tocar e nunca teve a chance de estudar. Eu não queria tocar violão, machucava os meus dedos, e tinha apenas 9, queria fazer outras coisas. Mas quando toquei a primeira música que aprendi ao violão (“Pobre Menina”, Leno e Lílian) recebi muitos elogios, aplausos, foi um momento mágico, me apaixonei. Daí por diante passei a dormir abraçada com o violão ouvindo a rádio e tentando tocar tudo o que ouvia. Nessa época, e ainda hoje, a música é pra mim, uma forma de me aproximar de Deus. Me faz estar próximo do que é divino. Tocar um instrumento, compor uma canção, cantá-la, me faz sentir divina, criando algo novo e único.
Imagino que sua mudança pra Belém para fazer faculdade tenha sido libertadora. Como a música foi entrando na sua vida nessa época? Teve algo de revolta com a família ou foi mais tranquilo? O que fazia teus ouvidos na época?
A mudança pra Belém era uma necessidade, pois em Macapá os cursos universitários eram muito limitados, não havia muita opção. Nesse momento não foi nada libertador pra mim. Belém era a cidade grande, onde eu não conhecia ninguém, teria que aprender a andar de ônibus, fazer minha própria comida, cuidar de mim e ainda provar que era capaz de passar em uma prova de vestibular onde a concorrência era de 25 pra 1! Foi na verdade apavorante! [risos] Só hoje eu consigo ver como foi libertador! Me formei em Psicologia pela UFPA [Universidade Federal do Pará] mas nunca atuei na área. É que a música sempre esteve na minha vida e a necessidade de independência acabou me levando pra esse caminho. Comecei tocando em bares, depois fui para dentro dos teatros, os discos vieram, os shows foram aumentando, essa paixão toda me dominando [risos]… e a música se tornou a minha profissão. Com a qual conquistei respeito, construí a minha vida, com a qual me mantenho, enfim ultrapassando os limites e quebrando todos os preconceitos que a mim foram impostos e ensinados. É claro que nesse novo caminho escolhido, logo no início, tive sim alguns estranhamentos com meus pais, eles não botavam fé, mas foram mudando de opinião com as minhas vitórias. Nessa época ouvia muito Chico Buarque, João Gilberto, Marisa Monte, Gal Costa, Caetano Veloso… isso tudo me ajudou a começar a compor minhas primeiras canções.
Como você vê hoje, com cerca de 10 anos de carreira, esse seu começo? Foi fácil ou difícil, e como foi, construir sua própria personalidade musical? E o lado compositora?
Esse começo foi difícil. Tocar em bar não é fácil, embora seja uma super escola para um artista, os cachês são muito baixos, as condições de equipamentos de som são péssimas, o repertório tem que ser bastante eclético para agradar ao público, nem sempre se toca só o que se gosta… e tudo bem, aprendi muito nessa época. Aprendi a cantar com muita alegria e prazer, sempre, mesmo em condições adversas, aprendi a respeitar e a valorizar o público que me assiste, aprendi a ser profissional. A minha personalidade musical foi se construindo nesse caminho, as minhas influências musicais da infância foram se misturando as novas descobertas, e as minhas composições deixam bem claro isso. Hoje acho que estou vivendo um momento de maturidade musical. Sei muito bem o que quero compor, cantar, como quero que soe e me envolvo na produção do meu trabalho em todas as etapas. A composição é um trabalho diário, com o qual eu tendo ser bem disciplinada, tiro sempre 2 a 3 horas diárias para trabalhar compondo, não costumo viver dos momentos de inspiração, quando eles acontecem, ótimo, senão acontecem, trabalho do mesmo jeito.
Nos últimos anos, a música paraense se tornou a bola da vez em termos de sucesso e encantamento nacional. Como você acha que isso aconteceu? O que tem a música paraense de mais interessante? O que você mais gosta pessoalmente nela?
Uma série de fatores favoreceu a música paraense, entre eles, as leis de incentivo estadual e municipal, palcos de diversos festivais de música produzidos aqui e pelo Brasil onde esses artistas puderam expandir seus públicos, a autopropaganda na internet e suas redes sociais, etc. Mas acho que essa é uma construção de muitos anos, e fazem parte dela, artistas que mesmo não inseridos diretamente neste momento, ajudaram para que isso seja possível agora. Artistas como Pinduca, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Banda Calypso, e muitos compositores de Brega dos anos 1980 e 90, que a muito custo e sem esses fatores acima citados conseguiram levar para o Brasil um pouco da diversidade da música paraense. O que tem de mais interessante na música produzida aqui é a diversidade. Diversidade de influências, de sonoridades, de ritmos. Somos influenciados pela música do Caribe, que desde os anos 50 chegava por aqui pelas ondas do rádio, como o merengue, o calypso, o zouk, pela música africana dos quilombolas como o lundu e o carimbo, pela música indígena, e mais recentemente a música eletrônica. O que mais gosto na música produzida no Pará é a possibilidade de subverter os conceitos e poder fazer música com liberdade. É possível misturar música clássica com carimbó, ou rock com brega, merengue com jazz, e tudo bem, a música feita aqui tem uma identidade única.
E como você vê essa geração que você faz parte e que tem tanto o pessoal que pode ser rotulado como MPB (você, Luê, Felipe Cordeiro, etc.), gente que veio das aparelhagens (Gaby Amarantos, Gang do Eletro) e gente da velha guarda (carimbó, guitarrada, Dona Onete)?
É difícil rotular a música produzida no Pará. É possível perceber um pouco da música de cada um misturada a música do outro, mesmo assim são trabalhos muito diferentes. O carimbó que eu faço é diferente do carimbó que a Dona Onete faz, assim como o tecnobrega da Gaby é diferente do que faz a Gang.
Emplacar música em trilha sonora de novela da Globo muda a vida do artista? Como foi essa experiência?
Muda um pouco sim. É claro que toda a visibilidade que a novela traz dá muitas possibilidades para o artista divulgar o seu trabalho ainda melhor. Mas é claro que isso depende muita coisa. Se a música foi bem tocada na novela, se o artista está preparado, bem assessorado para aproveitar esse momento, se tem um trabalho sólido para mostrar a partir daí, se esse artista tem um público que mantenha os seus shows e a sua agenda, enfim, a novela é apenas mais um passo na carreira de qualquer artista. Para mim foi uma surpresa muito feliz ter uma música em uma novela. Segundo o diretor, minha música foi descoberta em uma rede social na internet, através da produção que fazia pesquisas para compor a trilha musical. Eu havia gravado a música “Ai, Menina” em um disco promocional que enviei para várias rádios públicas, jornalistas, produtores, festivais, além de colocar para download na internet. Acabei colhendo frutos incríveis! A música foi parar na novela e eu, em uma cena da novela cantando o carimbó que virou hit. A música está sendo tocando em diversas rádios do país, cantada pela Timbalada, Preta Gil, Gaby Amarantos, foi a música mais executada na quadra junina no Pará, enfim, uma benção pra mim. A propósito, tenho feito isso há anos. Envio pelos Correios os meus discos para um mailing de contatos que consegui juntar em todos esses anos de carreira, que vão desde jornalistas, produtores, revistas, rádios. Já cheguei a gastar quase 3 mil reais com postagem de correios de uma só vez, acreditando que essa semente frutificaria. E frutificou! Meus discos tocam em lugares pra onde nunca fui. Ainda.
Como estão os preparativos de próximo disco solo? Quais as novidades e diferenças deste trabalho para os anteriores?
Esse será o quarto álbum, e está sendo produzido por Félix Robatto e co-produzido por mim. Deverá ser lançado até abril deste ano. Já estamos no processo final das gravações e depois partiremos para a mixagem e finalização. Esse disco vem com uma linguagem contemporânea que traz as raízes da música paraense em muitas de suas vertentes. A ideia é mostrar toda a latinidade amazônica de maneira moderna misturando várias influências rítmicas do carimbó, da guitarrada, do zouk, o marabaixo com pitadas de elementos eletrônicos. O álbum traz uma brasilidade própria da região norte e nova para o Brasil. O repertório é composto em 70% de composições minhas em parceria com outros artistas, mas terá também regravações nacionais e locais. O disco tá ficando com um cheiro de floresta e com a luminosidade da cidade.
p.s.: depois vi que lia reviveu seus tempos de barzinho em sua participação no programa som brasil (tv globo). o repertório? "a lua e eu" (cassiano), "noite do prazer" (brylho, com participação de cláudio zolli) e "bye bye tristeza" (sandra de sá).
foto de luiz braga
A MENINA QUER CANTAR
Uma das revelações da nova música paraense, Lia Sophia emplacou música em novela e agora quer mostrar mais de sua mistura sonora de floresta e cidade
Ela surgiu no canto esquerdo do palco, girando e girando, toda de branco. Estava de saia rodada, claro, e todo o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, parou para ouví-la cantar. Foi ali, na segunda edição do festival Terruá Pará, em junho de 2011, que uma das cantoras paraenses mais interessantes da atualidade foi apresentada ao eixo Rio-SP. Mas Lia Sophia não era uma estreante, longe disso.
Nascida na Guiana Francesa, criada em Macapá e formada e radicada em Belém, Lia Sophia já possuía três discos na bagagem – Livre (2005), Castelo de Luz (2008) e Amor Amor (2009) – quando decidiu explorar outros mares. E tudo deu muito certo, desde uma música em trilha de novela (“Ai, Menina” em Amor Eterno Amor), com direito a participação em um dos capítulos, muitos shows e chuvas de elogios da crítica especializada.
Essa música, aliás, será o carro-chefe de seu quarto álbum solo, que sairá ainda neste primeiro semestre com patrocínio da Natura Musical e produção de Félix Robatto (La Pupuña e Gaby Amarantos) em parceria com a própria cantora. “O disco tá ficando com um cheiro de floresta e com a luminosidade da cidade”, afirma Lia, que também compõe e toca violão desde os 9 anos de idade. Quem já conhece sua mistura de pop, mpb, música caribenha, carimbó, brega e guitarrada sabe que um dos discos do ano está prestes a nascer.
Você é de uma família de músicos, sua mãe foi cantora de rádio, e mesmo assim ganhar a vida com música não era visto com bons olhos em sua casa. Ao mesmo tempo você cantava em igreja e aprendeu a tocar violão. Qual era o receio deles? Naquela época, o que era música pra você?
Na minha casa a música sempre esteve presente, com duas funções bem distintas, uma era a de louvar a Deus – caminho por onde eu e meus irmãos seguimos, na infância e adolescência, na igreja – e a outra era a de alegrar as festas que meus pais faziam em casa, e eram muitas [risos]. Não se ouvia música que não fosse pra dançar. Chico Buarque, Caetano Veloso, João Gilberto e Maria Bethânia, nem pensar! Até os meus 17 anos de idade, eu não conhecia esses artistas, até já tinha ouvido alguma coisa, mas muito pouco mesmo. Boleros, bregas, zouks, carimbós, merengues, era isso que rolava. Meus pais não viam na música uma profissão segura, rentável, temiam que eu ou meus irmãos nos perdêssemos nos bares da vida, sem ter uma segurança financeira. Ironicamente, comecei a aprender violão por imposição de minha mãe, que sempre quis tocar e nunca teve a chance de estudar. Eu não queria tocar violão, machucava os meus dedos, e tinha apenas 9, queria fazer outras coisas. Mas quando toquei a primeira música que aprendi ao violão (“Pobre Menina”, Leno e Lílian) recebi muitos elogios, aplausos, foi um momento mágico, me apaixonei. Daí por diante passei a dormir abraçada com o violão ouvindo a rádio e tentando tocar tudo o que ouvia. Nessa época, e ainda hoje, a música é pra mim, uma forma de me aproximar de Deus. Me faz estar próximo do que é divino. Tocar um instrumento, compor uma canção, cantá-la, me faz sentir divina, criando algo novo e único.
Imagino que sua mudança pra Belém para fazer faculdade tenha sido libertadora. Como a música foi entrando na sua vida nessa época? Teve algo de revolta com a família ou foi mais tranquilo? O que fazia teus ouvidos na época?
A mudança pra Belém era uma necessidade, pois em Macapá os cursos universitários eram muito limitados, não havia muita opção. Nesse momento não foi nada libertador pra mim. Belém era a cidade grande, onde eu não conhecia ninguém, teria que aprender a andar de ônibus, fazer minha própria comida, cuidar de mim e ainda provar que era capaz de passar em uma prova de vestibular onde a concorrência era de 25 pra 1! Foi na verdade apavorante! [risos] Só hoje eu consigo ver como foi libertador! Me formei em Psicologia pela UFPA [Universidade Federal do Pará] mas nunca atuei na área. É que a música sempre esteve na minha vida e a necessidade de independência acabou me levando pra esse caminho. Comecei tocando em bares, depois fui para dentro dos teatros, os discos vieram, os shows foram aumentando, essa paixão toda me dominando [risos]… e a música se tornou a minha profissão. Com a qual conquistei respeito, construí a minha vida, com a qual me mantenho, enfim ultrapassando os limites e quebrando todos os preconceitos que a mim foram impostos e ensinados. É claro que nesse novo caminho escolhido, logo no início, tive sim alguns estranhamentos com meus pais, eles não botavam fé, mas foram mudando de opinião com as minhas vitórias. Nessa época ouvia muito Chico Buarque, João Gilberto, Marisa Monte, Gal Costa, Caetano Veloso… isso tudo me ajudou a começar a compor minhas primeiras canções.
Como você vê hoje, com cerca de 10 anos de carreira, esse seu começo? Foi fácil ou difícil, e como foi, construir sua própria personalidade musical? E o lado compositora?
Esse começo foi difícil. Tocar em bar não é fácil, embora seja uma super escola para um artista, os cachês são muito baixos, as condições de equipamentos de som são péssimas, o repertório tem que ser bastante eclético para agradar ao público, nem sempre se toca só o que se gosta… e tudo bem, aprendi muito nessa época. Aprendi a cantar com muita alegria e prazer, sempre, mesmo em condições adversas, aprendi a respeitar e a valorizar o público que me assiste, aprendi a ser profissional. A minha personalidade musical foi se construindo nesse caminho, as minhas influências musicais da infância foram se misturando as novas descobertas, e as minhas composições deixam bem claro isso. Hoje acho que estou vivendo um momento de maturidade musical. Sei muito bem o que quero compor, cantar, como quero que soe e me envolvo na produção do meu trabalho em todas as etapas. A composição é um trabalho diário, com o qual eu tendo ser bem disciplinada, tiro sempre 2 a 3 horas diárias para trabalhar compondo, não costumo viver dos momentos de inspiração, quando eles acontecem, ótimo, senão acontecem, trabalho do mesmo jeito.
lia no show coletivo "terruá pará"
Nos últimos anos, a música paraense se tornou a bola da vez em termos de sucesso e encantamento nacional. Como você acha que isso aconteceu? O que tem a música paraense de mais interessante? O que você mais gosta pessoalmente nela?
Uma série de fatores favoreceu a música paraense, entre eles, as leis de incentivo estadual e municipal, palcos de diversos festivais de música produzidos aqui e pelo Brasil onde esses artistas puderam expandir seus públicos, a autopropaganda na internet e suas redes sociais, etc. Mas acho que essa é uma construção de muitos anos, e fazem parte dela, artistas que mesmo não inseridos diretamente neste momento, ajudaram para que isso seja possível agora. Artistas como Pinduca, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Banda Calypso, e muitos compositores de Brega dos anos 1980 e 90, que a muito custo e sem esses fatores acima citados conseguiram levar para o Brasil um pouco da diversidade da música paraense. O que tem de mais interessante na música produzida aqui é a diversidade. Diversidade de influências, de sonoridades, de ritmos. Somos influenciados pela música do Caribe, que desde os anos 50 chegava por aqui pelas ondas do rádio, como o merengue, o calypso, o zouk, pela música africana dos quilombolas como o lundu e o carimbo, pela música indígena, e mais recentemente a música eletrônica. O que mais gosto na música produzida no Pará é a possibilidade de subverter os conceitos e poder fazer música com liberdade. É possível misturar música clássica com carimbó, ou rock com brega, merengue com jazz, e tudo bem, a música feita aqui tem uma identidade única.
lia e a conterrânea gaby amarantos
E como você vê essa geração que você faz parte e que tem tanto o pessoal que pode ser rotulado como MPB (você, Luê, Felipe Cordeiro, etc.), gente que veio das aparelhagens (Gaby Amarantos, Gang do Eletro) e gente da velha guarda (carimbó, guitarrada, Dona Onete)?
É difícil rotular a música produzida no Pará. É possível perceber um pouco da música de cada um misturada a música do outro, mesmo assim são trabalhos muito diferentes. O carimbó que eu faço é diferente do carimbó que a Dona Onete faz, assim como o tecnobrega da Gaby é diferente do que faz a Gang.
Emplacar música em trilha sonora de novela da Globo muda a vida do artista? Como foi essa experiência?
Muda um pouco sim. É claro que toda a visibilidade que a novela traz dá muitas possibilidades para o artista divulgar o seu trabalho ainda melhor. Mas é claro que isso depende muita coisa. Se a música foi bem tocada na novela, se o artista está preparado, bem assessorado para aproveitar esse momento, se tem um trabalho sólido para mostrar a partir daí, se esse artista tem um público que mantenha os seus shows e a sua agenda, enfim, a novela é apenas mais um passo na carreira de qualquer artista. Para mim foi uma surpresa muito feliz ter uma música em uma novela. Segundo o diretor, minha música foi descoberta em uma rede social na internet, através da produção que fazia pesquisas para compor a trilha musical. Eu havia gravado a música “Ai, Menina” em um disco promocional que enviei para várias rádios públicas, jornalistas, produtores, festivais, além de colocar para download na internet. Acabei colhendo frutos incríveis! A música foi parar na novela e eu, em uma cena da novela cantando o carimbó que virou hit. A música está sendo tocando em diversas rádios do país, cantada pela Timbalada, Preta Gil, Gaby Amarantos, foi a música mais executada na quadra junina no Pará, enfim, uma benção pra mim. A propósito, tenho feito isso há anos. Envio pelos Correios os meus discos para um mailing de contatos que consegui juntar em todos esses anos de carreira, que vão desde jornalistas, produtores, revistas, rádios. Já cheguei a gastar quase 3 mil reais com postagem de correios de uma só vez, acreditando que essa semente frutificaria. E frutificou! Meus discos tocam em lugares pra onde nunca fui. Ainda.
Como estão os preparativos de próximo disco solo? Quais as novidades e diferenças deste trabalho para os anteriores?
Esse será o quarto álbum, e está sendo produzido por Félix Robatto e co-produzido por mim. Deverá ser lançado até abril deste ano. Já estamos no processo final das gravações e depois partiremos para a mixagem e finalização. Esse disco vem com uma linguagem contemporânea que traz as raízes da música paraense em muitas de suas vertentes. A ideia é mostrar toda a latinidade amazônica de maneira moderna misturando várias influências rítmicas do carimbó, da guitarrada, do zouk, o marabaixo com pitadas de elementos eletrônicos. O álbum traz uma brasilidade própria da região norte e nova para o Brasil. O repertório é composto em 70% de composições minhas em parceria com outros artistas, mas terá também regravações nacionais e locais. O disco tá ficando com um cheiro de floresta e com a luminosidade da cidade.
p.s.: depois vi que lia reviveu seus tempos de barzinho em sua participação no programa som brasil (tv globo). o repertório? "a lua e eu" (cassiano), "noite do prazer" (brylho, com participação de cláudio zolli) e "bye bye tristeza" (sandra de sá).
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
os 30 discos brasileiros de 2012 e algo mais
bem, a lista de melhores
músicas brasileiras do ano já trazia indicações de quais discos ficariam
entre os bonzões: as estreias de gaby amarantos, los sebosos postizos, maga bo,
oquadro e alvinho lancelotti, e ainda curumin, tulipa ruiz, lucas santtana,
letuce, gui amabis, siba e bnegão & os seletores de frequência. discos
fortes, variados, alegres, melancólicos e, acima de tudo, repletos de ótimas músicas.
mas acho que dois discos resumiriam o ano pra mim: arrocha, o terceiro do paulistano
curumin, e treme, a estreia de gaby
amarantos.
arrocha por seus
cruzamentos surpreendentes e orgânicos do batuque afro-brasileiro com música
eletrônica, e sem jamais esquecer a necessidade por canções, refrões, pegada,
balanço, amor, experiências. e por músicas como “afoxoque”, “selvage”,
“passarinho”, “treme terra”, “paris vila matilde”, “doce” e “pra nunca mais”,
além da regravação linda de “vestida de prata” (paulinho boca de cantor, 1981)
e da parceria com russo passapusso (baiana system).
treme por suas
gigantescas possibilidades pop. gaby amarantos conseguiu um feito raro no
brasil, pois é, ao mesmo tempo, hype e popularíssima (claro que isso não dura
muito). seu disco de estreia, que começou a ser lançado no final de
2011 com o clipe de “xirley”,
reúne fernanda takai e dona onete, thalma de freitas e zezé di camargo &
luciano, zé cafofinho e veloso dias, kraftwerk e gang do eletro, todo um
tsunami de altas e baixas culturas. ah, se um pedacinho da música pop mundial
tivesse tanta informação como nas músicas cantadas por gaby... exemplos não
faltam, vide “merengue latino”, “eira”, “gemendo”, “pimenta com sal”,
“mestiça”, “coração está em pedaços”, “ex mai love”, “galera da laje” e
“chuva”.
no mais, segue a lista completa:
alvinho
lancelotti (o tempo faz a gente ter
esses encantos)
bnegão & os
seletores de frequência (sintoniza
lá)
caetano veloso
(abraçaço)
café preto (café preto)
céu (caravana sereia bloom)
curumin
(arrocha)
dona onete (feitiço caboclo)
dudu tsuda (le son par lui même)
gaby amarantos (treme)
gui amabis (trabalhos carnívoros)
hurtmold (mils crianças)
improvisado trio
(interferências)
juçara marçal, thiago
frança & kiko dinucci (metal
metal)
letuce (manja perene)
los
sebosos postizos (interpretam jorge
ben jor)
lucas santtana (o deus que devasta mas também cura)
maga bo (quilombo do futuro)
nina becker
& marcelo callado (gambito
budapeste)
oquadro (oquadro)
otto (the moon 1111)
paulo carvalho (o amor é uma religião)
rodrigo
campos (bahia fantástica)
sambanzo (etiópia)
shaw (orquestra simbólica)
siba (avante)
silva (claridão)
síntese (sem cortesia)
thiago pethit (estrela decadente)
tom zé (tropicalismo lixo lógico)
tulipa ruiz (tudo tanto)
dessa lista gostaria de destacar ainda os excelentes e
densos discos de rap do carioca-paulistano mc shaw (orquestra simbólica) e dos paulistas do síntese (sem cortesia, e ah, paulistas de são
josé dos campos), bem como os novos trabalhos de uma turma muito produtiva de
são paulo, bahia fantástica de
rodrigo campos e metal metal, do
trio juçara marçal, kiko dinucci e thiago frança. este último, saxofonista da
banda do criolo, também lançou o belo instrumental etiópia sob o pseudônimo sambanzo (dinucci incluso). falando em
instrumental, uma ótima surpresa foi interferências,
disco de estreia do improvisado trio (marcelo castilha, meno del picchia e
pedro ito). e pra finalizar, outras três estreias muito felizes, café preto (projeto adubado de cannibal
do devotos do ódio), claridão (do
capixaba indie silva) e le son par lui même (o multifacetado primeiro solo de
dudu tsuda, que foi jumbo elektro, cérebro eletrônico, trash pour 4, etc).
detalhe: os últimos discos a entrar na lista, tipo 43 do segundo tempo, foram abraçaço de caetano veloso e o extraordinário mils crianças do hurtmold.
MENÇÃO HONROSA - não tem como não falar de alguns ótimos
tributos/coletâneas lançados no ano, destacando primeiro os que foram produzidos de forma
independente, tais como o duplo re-trato los hermanos (com bárbara
eugênia, cícero, dan nakagawa, hidrocor, lula queiroga, érika machado,
nevilton, do amor, velhas virgens, tibério azul, banda gentileza, nervoso &
os calmantes, etc.), o variadão brasileiros (com pélico cantando
cartola, mahmundi de rita lee, bazar pamplona de dorival caymmi, etc.) e o
muito excelente jeito felindie (tributo ao raça
negra com lulina, amplexos, letuce, vivian benford, harmada, minha pequena
soundsystem, etc.). menções honrosas também para o multinacional a tribute do caetano veloso (com
beck, chrissie hynde, seu jorge, marcelo camelo, jorge drexler, céu, qinho, momo,
tulipa ruiz, mariana aydar, etc.) e o projeto transglobal paraense terruá
pará vols. 1 e 2 (com gang do eletro, gaby amarantos, mestres da
guitarrada, lia sophia, dona onete, pio lobato, metaleiras da
amazônia, etc.)
TEM MAIS SAMBA – nem preciso dizer que rolou muito mais
coisa, portanto não custa nada mencionar outros discos
interessantes/divertidos/desafiadores lançados neste ano e que passaram pelos
ouvidos da casa. alguns emplacaram músicas entre as melhores do ano, mas
acabaram não entrando na lista principal de discos. então, se não ouviu, ouça a banda dos corações partidos (a banda dos corações partidos EP), abayomy
afrobeat orquestra (abayomy afrobeat
orquestra), afroelectro (afroelectro), aíla (trelelê),
amplexos (a música da alma), arnaldo
antunes, edgard scandurra & toumani diabaté (a curva da cintura), banda
uó (motel), beto mejía (abraço), bonde do rolê
(tropical/bacanal), caio bosco (caio bosco), domenico
& joão brasil (taksi EP), doo doo doo (casa das macacas), filarmônica de pasárgada (o hábito da força), flow mc (sensaflownal), fóssil (mocumentário), holger (ilhabela), jair naves (e você se sente numa cela escura…), kamau (... entre), laura wrona (r.h. volcano), madrid (madrid), mahmundi (efeito das cores EP), mão de oito (um dia que já vem), márcia
castro (de pés no chão), marginals (marginals 2), marina de la
riva (idílio), mr. catra (com todo respeito ao samba), o
terno (66), orquestra contemporânea de olinda
(pra ficar), orquestra imperial (fazendo as pazes com o swing), pentágono (manhã), psilosamples (mental surf), qinho (o
tempo soa), rafael castro (lembra?), rogerman (o caminho do lobo), sasquat (alfazema), ska maria
pastora (as margens do rio doce),
sobre
a máquina (sobre a máquina), sonic junior (inspire), strobo (quando se perde a inocência), tatá
aeroplano (tatá aeroplano), trupe chá de boldo (nave manha), vítor araújo (a/b), volver (próxima estação) e zélia
duncan (tudo esclarecido – músicas
de itamar assumpção).
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
sonhos legais e ilegais
e os clipes nacionais não param de ser lançados. rolando um
boom daqueles. e nessa terça, 24 de julho, saíram três ao mesmo tempo. “pra
sonhar” é do disco de estreia de marcelo
jeneci, de 2010 portanto, mas só veio à tona agora em forma colaborativa
com um chamado na internet por imagens de casamento. o resultado é emocionante,
música e clipe feitos na medida para fazer qualquer ouvinte-espectador beijar a
lona diante de tamanha fofice.
daí vem felipe cordeiro
com seu “legal e ilegal”, música de seu disco de estreia, kitsch pop cult (ná music), que foi lançado de forma independente
no ano passado, mas tá ganhando mais divulgação por agora mesmo. a música é
divertidíssima, tem uma letra tremendamente atual, e o clipe dirigido por
brunno regis e carolina matos – com produção executiva de priscilla
brasil – ficou a altura. sem falar nas participações de dona onete, manoel
cordeiro (guitarrista pai de felipe), keila gentil (gang do eletro) e andré
abujamra, o produtor do disco.
finalizando esse post, uma música-clipe novinho em folha. “alteração
(éa!)” é do discaço sintoniza lá (coqueiro
verde), o segundo e muy esperado disco de bnegão & os seletores de
frequência, e ganhou esse clipe com cara de curta esperto dirigido por
emílio domingos.
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
eletro sónar
olhaí 13 minutos da gang do eletro no começo do segundo dia do sónar são paulo 2012. foi o melhor e mais animado dos três shows que já assisti do quarteto paraense (tudo bem, sou fã, portanto não muito confiável). de qualquer forma, endoida irmão!
e aqui duas fotos que tirei do show (foco sempre em keila gentil e sua grande presença de palco, mas um salve também para maderito, waldo squash e william).
fiquei sabendo do video lá no avalanche tropical.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
gemendo em dois tempos
foi no primeiro dia desse ano que gaby amarantos soltou na internet três músicas de seu aguardado disco de estreia solo (treme). "xirley" (zé cafofinho) já estava rodando em forma de clipe sensacional desde o início de outubro (e já com mais de 180 mil visualizações), portanto as novidades foram a sacudida "merengue latino" (ronaldo silva) e a pop tecnobrega "gemendo" (gaby amarantos), que a paraense canta desde os tempos da banda tecno show. é bem interessante ver e ouvir o quanto a música e gaby mudaram nos últimos cinco anos. começando com "gemendo" em uma versão bem mais rápida nos tempos da tecno show.
é essa versão, aliás, que aparece em o céu de suely (2006), numa cena com a atriz hermila guedes depilando as pernas e ouvindo radinho de pilha. mas voltando a "gemendo", escuta só como ficou a música em sua versão 2012. menos rápida e com gaby cantando bem melhor, com mais segurança, e sem firulas vocais.
p.s. 1: como gaby é moça moderna em seu site estão disponibilizadas, para download gratuito, as bases de "xirley". e que cada um(a) faça sua própria "xirley".
p.s. 2: muito boa a entrevista que ela deu a marília gabriela no programa de frente com gabi (sbt). seguem aqui as quatros partes.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
treme-treme-treme-treme
na íntegra, o showzão que a gang do eletro fez no studio sp no primeiro semestre. claro que não chega aos pés de ver o pessoal ao vivo, mas esse ótimo registro do incontornável e impermeável timpin pinto - que escreveu o ótimo "na estrada com a gang do eletro" - dá uma boa medida do poder pop de waldo squash, keila, maderito e william (e, mais recentemente, joe benassi).
a gang é da casa - o primeiro post, "waldo squash, o fenômeno", é de outubro do ano passado - e escrevi sobre eles o texto "duas cabeças, uma levada" para o site da vice brasil.
a gang é da casa - o primeiro post, "waldo squash, o fenômeno", é de outubro do ano passado - e escrevi sobre eles o texto "duas cabeças, uma levada" para o site da vice brasil.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
e com vocês, a bjork do brega!
e por falar em mulher brasileira em ação... já nem sei mais se foi no twitter ou no facebook que ouvi essa divertida definição dada a gaby amarantos, mas "bjork do brega" é sensacional. e ainda combina com "xirley", o primeiro clipe da primeira música de seu vindouro (e muy ansiado pela casa) disco de estreia solo. a música, aliás, é uma versão sacudida e ainda mais bem humorada de "xirley" do pernambucano zé cafofinho. a original foi dica de valtinho (@valtersil) no corjacast #8.
e se a gaby é bjork do brega, a priscilla brasil, diretora desse clipaço, é o seu michel gondry curtido no açaí. tudo muito bem feito, roteiro ótimo e direção cheia de sacadas, sem falar na ironia malandra de seu fim. parabéns a todos os envolvidos.
p.s.: não por nada, mas gaby foi uma das protagonistas do show no dia de posse da dilma.
e se a gaby é bjork do brega, a priscilla brasil, diretora desse clipaço, é o seu michel gondry curtido no açaí. tudo muito bem feito, roteiro ótimo e direção cheia de sacadas, sem falar na ironia malandra de seu fim. parabéns a todos os envolvidos.
p.s.: não por nada, mas gaby foi uma das protagonistas do show no dia de posse da dilma.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
batuque na cozinha sinhá não quer
é dona onete, por vincent moon.
collection petites planètes • outtake • DONA ONETE from Vincent Moon / Petites Planètes on Vimeo
sexta-feira, 24 de junho de 2011
yahoo #08
rádio, esse bicho estranho (pra mim). tentei inúmeras vezes gostar de alguma, desde minha adolescência quando gravava fitas k-7, mas a verdade é que minha curiosidade, a minha demanda pessoal, sempre foi maior que a oferta da grande maiorias das estações brasil afora (no meu caso, rio de janeiro, ribeirão preto e são paulo, porque era muito criança em fortaleza). a rádio no brasil dos dias de hoje foi o assunto da ultra pop #08 (agora, por lá, a mais recente, "jesus não tem dentes no país dos banguelas", tem uma pegada mais polêmica com religiosos intolerantes na mira).

RÁDIO: ENTRE O AMOR E O JABÁ
Já estava mais que na hora de falar de rádio, esse veículo de comunicação tão potente quanto subestimado (nas últimas décadas) no Brasil. Outros assuntos acabaram tomando à frente aqui na Ultra Pop, mas um texto no site Farofafá!, serviu de estímulo para a frequência modulada finalmente ecoar por essas bandas. Nele, o jornalista Eduardo Nunomura compilou as cinco músicas mais pedidas nas rádios mais populares de 9 grandes cidades brasileiras: Belém (Rádio Liberal), Fortaleza (Jangadeiro FM), Recife (Clube FM), Salvador (Itapoan FM), Belo Horizonte (BH FM), Rio de Janeiro (FM O Dia), São Paulo (Tupi FM), Curitiba (98 FM) e Porto Alegre (Cidade FM). Resolvi acrescentar Goiânia (Rádio Terra 104,3) porque senti falta de um representante do Centro-Oeste.
p.s.: e segue aqui, como material extra, a lista completa das 5 músicas mais tocadas nas rádios mais populares dessas dez praças.
Belém – Rádio Liberal
Fortaleza - Jangadeiro FM
Recife - Clube FM
Salvador - Itapoan FM
Goiânia - Rádio Terra FM 104,3
Cristiano Araújo e Jorge & Matheus - Efeitos
Eduardo Costa - Quem é
Belo Horizonte - BH FM
Alexandre Pires - Sissi
Rio de Janeiro - FM O Dia
São Paulo - Tupi FM
Curitiba 98 FM
Porto Alegre - Cidade FM

netinho é ouvinte de rádio e não desiste nunca
RÁDIO: ENTRE O AMOR E O JABÁ
Já estava mais que na hora de falar de rádio, esse veículo de comunicação tão potente quanto subestimado (nas últimas décadas) no Brasil. Outros assuntos acabaram tomando à frente aqui na Ultra Pop, mas um texto no site Farofafá!, serviu de estímulo para a frequência modulada finalmente ecoar por essas bandas. Nele, o jornalista Eduardo Nunomura compilou as cinco músicas mais pedidas nas rádios mais populares de 9 grandes cidades brasileiras: Belém (Rádio Liberal), Fortaleza (Jangadeiro FM), Recife (Clube FM), Salvador (Itapoan FM), Belo Horizonte (BH FM), Rio de Janeiro (FM O Dia), São Paulo (Tupi FM), Curitiba (98 FM) e Porto Alegre (Cidade FM). Resolvi acrescentar Goiânia (Rádio Terra 104,3) porque senti falta de um representante do Centro-Oeste.
Mais um estímulo para análises e discussões, o texto de Nunomura é também o retrato de um momento no qual podemos ver que nossas rádios comerciais permanecem latifúndios para poucos gêneros e artistas.
Sertanejo e pagode dominam, terra devastada, sedimentando um caminho construído com altas granas pelas grandes gravadoras na década de 1990. O jovem Luan Santana – tema da coluna “Eu queria gostar Luan Santana” – simplesmente massacra, emplacando três músicas (“Amar não é pecado”, “Um beijo” e “A bússola”) em 9 das 10 cidades (apenas Salvador ficou de fora). Os veteranos do Exaltasamba - que, recentemente, anunciaram um recesso em 2012 após 25 anos de existência – colocaram três músicas em 6 cidades, incluindo uma inusitada parceria com o funkeiro Mr. Catra (o carioca esteve presente na coluna “Não tem papo, não tem alô”). Ainda na categoria destaque nacional pode anotar a presença incontornável da bela Paula Fernandes, enquanto o dueto de Joelma, da Banda Calypso, com Reginaldo Rossi é raio, estrela e luar nas capitais do Nordeste.
Agora, imagine... uma música muito tocada em uma rádio líder de audiência se espalha como fogo em mato seco pelo dial. E não adianta fugir. Você pode navegar por várias rádios o dia todo e só ouvirá cerca de 30 músicas, mudando apenas a ordem de sua execução. Mas será o gosto popular a razão desse monopólio? Ou o bom, velho e misterioso jabá que segue fazendo agrados em donos de rádios, programadores e DJs? Ou, mais provavelmente, um pouco dos dois?
Bem, sobre o gosto popular é preciso admitir que o amor, o romance e a dor-de-cotovelo são preferência nacional e não é de hoje (para quem não sabe, a primeira transmissão radiofônica no Brasil aconteceu em 7 de abril de 1922). Esse coração na ponta das chuteiras define muito bem a alma brasileira, mais até do que o humor, e não é a toa que Roberto Carlos é o Rei e suas canções são a nossa cara. E lá se vão artistas novos e velhos correndo atrás cantando suas próprias paixões, que são as mesmas de seu público. Assim o mundo gira.
Mas é o jabá, fenômeno mais falado que investigado, que explica melhor essa concentração absurda de poucos artistas no dial (e olha que nem toquei no assunto espinhoso que é o fato das rádios serem concessões públicas). É isso, é a velha ganância conhecida de todos: poucos querem ganhar muito e no máximo de tempo possível. Claro que artistas desejam chegar a seu público e, consequentemente, expandí-lo, porém toda essa relação viciada entre gravadoras, empresários, rádios e TVs colocou a música popular brasileira em um beco sem saída. Essa falta de diversidade vem criando uma desconfiança numa boa faixa do público, gente que acredita que não se faz mais música boa no país como antigamente, gente que confunde o que é veiculado em rádios e TVs com o que é produzido (e nem se dá o trabalho de ver/ouvir como existe coisa boa e atual na internet, a um clique de distância).
A sabedoria popular diz que a variedade é o tempero da vida. E eu acrescentaria, parafraseando o saudoso Itamar Assumpção, que tal se a gente sonhasse com o impossível? Uma rádio variada e para todos.
A sabedoria popular diz que a variedade é o tempero da vida. E eu acrescentaria, parafraseando o saudoso Itamar Assumpção, que tal se a gente sonhasse com o impossível? Uma rádio variada e para todos.
Belém – Rádio Liberal
Luan Santana - Amar não é Pecado
AR 15 - Largo tudo
Jorge e Matheus - Chove, chove
Banda Calypso - Perdoa
Luan Santana - Um Beijo
Fortaleza - Jangadeiro FM
Paula Fernandes - Pássaro de fogo
Calypso & Reginaldo Rossi - Não posso negar que te amo
Regis Danese - Família
Luan Santana - Amar não é pecado
Ricky Valen - Sei lá
Recife - Clube FM
Ivete & Seu Jorge - Pensando em nós
Calypso & Reginaldo Rossi - Não posso negar que te amo
Luan Santana - A bússola
Luan Santana - Amar não é pecado
Exaltasamba & Mariana Rios - Viver sem ti
Salvador - Itapoan FM
Paula Fernandes - Pra você
Sorriso Maroto - Clichê
Exaltasamba & Mariana Rios - Viver sem ti
Calypso & Reginaldo Rossi - Não posso negar que te amo
Zezé & Luciano - Mentes tão bem
Goiânia - Rádio Terra FM 104,3
Bruno & Marrone - Essa droga de carinho
Luan Santana - Um beijo
Exaltasamba - Viver sem ti
Belo Horizonte - BH FM
Sorriso Maroto - Clichê
Luan Santana - Um beijo
Exaltasamba - Um minuto
Bruno e Marrone - Tentativas em vão
Rio de Janeiro - FM O Dia
Bom Gosto & Revelação - Pais e filhos
Sorriso Maroto - Clichê
Belo - Defeito meu
Luan Santana - Amar não é pecado
Exaltasamba - Não seria justo
São Paulo - Tupi FM
Luan Santana - Amar não é pecado
Paula Fernandes - Pra você
Victor & Léo - Água de oceano
Leonardo - Alucinação
Léo Magalhães - 24 horas
Curitiba 98 FM
Luan Santana - Amar não é pecado
Manu Gavassi - Planos impossíveis
Paula Fernandes - Pra você
Jorge e Mateus - Seu astral
Luan Santana - Um beijo
Porto Alegre - Cidade FM
Luan Santana - Amar não é pecado
Exaltasamba & Mr. Catra - A gente faz a festa
Grupo Revelação - Trilha do amor
Grupo Pixote - Recado das estrelas
Rodriguinho - Para de falar besteira
Marcadores:
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ceará,
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reginaldo rossi,
rio de janeiro,
são paulo,
suzana salles,
yahoo,
youtube
pará invade são paulo, outra vez
de volta ao lar depois de uns dias além mar (ooops, rimou) me preparo para assistir a segunda edição do terruá pará, cinco anos após o primeiro, e que acontece hoje e amanhã, às 21h, no auditório ibirapuera. quem passa por aqui sabe que o pará é uma das obsessões da casa (junto com rap, áfrica, documentários, a questã das drogas, política e por aí vai), tanto que já falei bastante de gaby amarantos, gang do eletro, waldo squash e maderito, alguns dos artistas que estarão no palco nestes dois shows. mas tem muito mais gente, de tribos, sons e gerações das mais diversas: solano, dona onete, manoel cordeiro, felipe cordeiro, félix robatto (félix y los carozos), sebastião tapajós, pio lobato, orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia, grupo charme do choro, carimbó uirapuru de marapanim, lia sophia, luê soares, paulo andré barata e edilson moreno. vou colocar aqui uma palinha do que são paulo pode esperar nestas duas noites potencialmente inesquecíveis. tem para todos os gostos e pode começar com a voz rascante, safada e poética de dona onete.
ou a jovem guitarrada de pio lobato (la pupuña/cravo carbono).
ou o brega sacolejante de edilson moreno.
ou o folclore vivo do carimbó uirapuru.
ou a versatilidade de lia sophia.
ou félix y los carozos que emprestou alguns de seus integrantes (o guitarrista félix robatto e o baterista adriano sousa, ambos ex-la pupuña) para formar a banda base para todo esse terruá.
ou a erudição de sebastião tapajós.
ou as canções de luê soares.
ou as muitas caras/sons de felipe cordeiro (e o pai manoel cordeiro).
ou o compositor paulo andré barata (de hits como "foi assim" eternizado pela conterrânea fafá de belém).
ou os eruditos-moleques da orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia.
ou o choro raiz das meninas da charme do choro.
ou o clássico brega solano.
além de, claro, gaby amarantos e a gang do eletro.
ou a jovem guitarrada de pio lobato (la pupuña/cravo carbono).
ou o brega sacolejante de edilson moreno.
ou o folclore vivo do carimbó uirapuru.
ou a versatilidade de lia sophia.
ou félix y los carozos que emprestou alguns de seus integrantes (o guitarrista félix robatto e o baterista adriano sousa, ambos ex-la pupuña) para formar a banda base para todo esse terruá.
ou a erudição de sebastião tapajós.
ou as canções de luê soares.
ou as muitas caras/sons de felipe cordeiro (e o pai manoel cordeiro).
ou o compositor paulo andré barata (de hits como "foi assim" eternizado pela conterrânea fafá de belém).
ou os eruditos-moleques da orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia.
ou o choro raiz das meninas da charme do choro.
ou o clássico brega solano.
além de, claro, gaby amarantos e a gang do eletro.
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