sexta-feira, 1 de abril de 2011

maderito, a entrevista

a outra metade da gang do eletro, assunto da reportagem que está no post "as duas cabeças do eletromelody", é o mc maderito, o alucinado do brasil, e aqui segue a íntegra da conversa que tive com ele via skype. figuraça esse maderito.

o começo
tenho 28 anos. nasci e me criei no bairro de aclimação, aqui em belém do pará. [trabalho com música] desde 2000, quando meu tio me colocou pra ser roadie do açaí machine... eu sou sobrinho de tonny brasil, entendeu? era o surgimento do tecnomelody, do tecnobrega, aquela onda todinha. aí ele criou a banda bundas, que era pra ser uma cover do mamonas [assassinas], e a gente foi fazer um show lá no acará. foi lá que o tonny disse que ia fazer uma banda e queria que eu fosse um dos principais. eu quero que você seja um personagem. porque a banda bundas tinha um teatro e chamava a galera pra dançar. daí que surgiu o maderito.

o apelido
o tonny criou o maderito do nada. ele falava que eu tinha que chamar as garotas pra dançar no palco comigo e naquela época eu era mais magro, aí ficou o maderito. e é assim que todo mundo me conhece.
[dias depois, no messenger, waldo squash comentou sobre o apelido de maderito: “rsrsr... é... mais agora ja está mais forte, tomou remédio pra vermes e está se alimentando melhor... rsrs]

composições próprias e parcerias
já vinha fazendo minhas composições tinha tempo. desde quando tinha uns 15 anos. vinham rimas na minha cabeça, direto, e versos e frases, aí eu criava uma coisa. mas nunca imaginei criar um ritmo chamado eletromelody e a galera adaptar aquilo como se fosse um hino nacional. é o que equipes falam aqui em belém. então é isso, desde os 15 que faço rimas, faço músicas, tecno, melody, eletro, direto... eu me acostumei a fazer letras desde o tempo do pop brega, do brega mesmo. tempo de roberto villar, nelsinho rodrigues, do brega de raiz do pará mesmo! mas eu não tenho ideia de onde surgiu isso, tanta coisa, tantas letras na minha cabeça como surgem até hoje. eu sinceramente não sei, não sei [ri]... não sei de onde vem tanta imaginação, tanta coisa na minha vida. só deus que sabe.

comecei a fazer as minhas coisas em 2002. foi quando a banda bundas teve uma pequena... pequena não, teve uma discussão entre os donos, o meu tio tonny brasil era um deles, e ficaram sem se falar. foi quando a banda bundas acabou que decidi que iria realizar o meu sonho. foi aí que comecei a criar tecnobrega. primeiro com o dj miller, depois com o dj betinho izabelense. também gravei algumas músicas que fizeram sucesso com o dj alex, da banda vip, e com o furacão sonoro. com o betinho izabelense foi que gravei uma música que fala: “fazemos a festa que você merece / agora joga a mão pra cima e faz um s”. essa música foi uma febre aqui no pará. depois, em 2007, conheci o joe benassi. quem me apresentou a ele foi o dj rafael teletubies, com quem também gravei uns tecnobregas. pouco depois conheci o waldo squash, e nós estamos juntos até hoje, na luta com a gang do eletro, entendeu? tipo assim, tenho um vínculo direto com a moçada. todos os djs me respeitam, tanto os velha guarda quanto os atuais. já mandei umas quatro letras pra banda medley, fora outras bandas. e sempre correndo atrás de inovar, de estudar várias rimas e gírias. sempre correndo atrás de tudo, de tudo, de tudo.

eu trabalhei com o joe [benassi] em 2007 e a gente montou a banda eletromelody. mas aí teve um desentendimento entre eu e ele e eu saí fora. vou falar de um ditado aqui... eu tô vendo que aquela plantação ali não vai me dar arroz, não vai me dar feijão, não vai me dar comida, não vai me dar dinheiro pra poder comprar um trator e colher alguma coisa boa dali, eu prefiro tacar fogo naquela porra e vender o terreno. sabendo que aquela praga não vai ter mais jeito... prefiro partir pra outro lugar. foi isso que aconteceu. não deu certo entre nós dois e eu saí fora. nessa época, o waldo trabalhava numa empresa aqui e eu conheci ele assim, do nada. a gente começou a bater um papo e falei de fazer uma parada juntos. ele disse que ainda não sabia mexer direito [nos equipamentos], e eu falei ‘bora que a gente vai ver no que vai dar. e hoje o waldo squash é uma referência no pará. gosto de trabalhar com ele porque o waldo estuda várias coisas, sabe? coloca uns violinos, ou um cello, ou então um sax. só o filé.

sobre a gang do eletro e o futuro
a gang do eletro é muito diferente do que fazia antes. totalmente diferente. a gang do eletro está pronta pra competir com qualquer banda mundial de eletrodance, entendeu? o waldo, além de ser produtor, ele é locutor também e tem uma técnica muito fina pra voz. ele ajuda a gente a cantar. ele faz muito comercial pra holanda, pra fora, e a gente fala com esse pessoal pelo facebook, pelo twitter. já toquei um set da gang do eletro em londres e o pessoal pirou e ficava perguntando de onde vinha aquela música. e eu falei que era de belém do pará, do brasil. a galera não acredita que no norte tenha uma evolução tecnológica assim. é uma onda diferente.

não dá pra dizer o que vai ou o que não vai acontecer porque o futuro só a deus pertence. porque, olha só, meu sonho era ser jogador de futebol. era pra eu estar jogando uma hora dessas no paysandu, apesar de ser remista, só que essa história acabou quando eu quebrei meu braço. mas aí surgiu essa onda das músicas.



breve digressão
antigamente tinha dificuldade de fazer minhas letras pra gang do eletro. hoje em dia não. vem do nada, tipo assim... “dafne sampaio / chegou pra você / entrevistando o alucinado / pra galera estremecer”, uma onda assim [risos]... entendeu? gostou? é do nada! e dafne tem tudo a ver com uma aparelhagem do pará, sabia? aqui tem uma aparelhagem boa chamada daf som.

o acidente
tenho sete parafusos desse aqui no meu braço. e um jogo de platina. era remo e paysandu, decisão do primeiro turno. eu trabalhava no jornal o liberal. minha mãe disse... “meu filho, não vá pro campo não que hoje é final e tu vai só tu”... “não, mãe, vai eu e um amigo meu”... acabou que meu amigo não foi porque foi levar a mulher no hospital que tava grávida. fui pro mangueirão. chegando lá... o remo tinha que ganhar do paysandu de 1 a 0, e pro paysandu bastava um empate. o remo dando com bola na trava tudinho. terminou o jogo e o paysandu foi campeão, levantaram a taça, e aí a torcida do remo veio com tudo. eu vinha descendo a arquibancada, a rampa, quando veio aquele arrastão, muita gente atropelando e aí me empurraram e eu caí lá de cima do mangueirão. caiu eu e uma senhora. ela quebrou a bacia e eu o meu braço, que quebrou em quatro partes. o médico falou que não tinha mais jeito do meu braço ficar normal, mas veio outro e disse que tinha jeito sim, mas que tinha que pegar um jogo de platina em são paulo que custava r$ 2,7 mil
[o resumo da sequência dessa história é que maderito estava em um consórcio para tirar a moto holda falcon, acabou resgatando o dinheiro e salvou o braço, recuperou todos os movimentos].

maderito escuta...
por incrível que pareça, as músicas que escuto em casa não são eletromelody, melody, funk, forró, nenhuma. eu curto muito baile da saudade. minha onda é flash brega. eu sou apaixonado por borba de paula, magno, roberto villar, wanderley andrade, tonny brasil, que é meu tio... direto... minha onda em casa é baile da saudade. não escuto outra coisa. merengue, cumbia, soca, casicó, siriá, entendeu? reggaeton. e lá em casa é direto cd do pop saudade, rubi saudade, daf saudade, que é um outro segmento da empresa, né? ah, porque ficar escutando latino, essas músicas de fora, lady gaga, beyonce... pra mim isso pode tá aí! choro! eu gosto de escutar o que é do pará, o que é nosso.

a evolução da música pop paraense
pro meu conceito mudaram três coisas. primeiro: as batidas são mais acelerados porque a galera dá mais valor. pela harmonia, melodia, tudinho geral. pelo instrumental. e as letras que hoje em dia tem umas lindas. por isso que falo pra todo mundo que nós paraenses temos a capacidade de criar uma música, uma letra linda maravilhosa. eu falo, gente, vamos parar de pegar música dos outros, forró ou funk, e transformar em melody, porque não vinga. desse jeito a gente nunca vai ser muita coisa. acho que mudou muita coisa, eu gostei.

do pará
nós somos ricos em música. temos artistas bons aqui e a nossa cultura é forte. eu considero o pará como um país, um país cheio de ritmos, entendeu? agradeço muito a deus por ter nascido no pará e ser paraense da nata. ter o sangue parauara. acho uma coisa bem legal, diferente mesmo.

tirando o chapéu
gaby amarantos, acho o trabalha dela filé mesmo. a banda os brothers tem umas sacadas boas no melody. marlon branco junto com david sampler, outro cara que tiro o chapéu. viviane batidão com betinho izabelense. só filé. uma onda gostosa de curtir.

dou muito valor a ivete sangalo. ia ser um grande privilégio cantar com ela. e com o marcelo d2, ele de camisa do flamengo cantando a rima dele, e eu com a camisa do vasco cantando a minha do pará. e tem também um cara que sou louco pela música dele que é o josé augusto
[e cantarola um trecho de “tudo deu em nada”].

os sonhos
tenho três sonhos na vida. quero construir uma casa e dar boas condições pra minha família, principalmente pra minha filha e minha mulher. quero conhecer são januário, o campo do vasco no rio de janeiro. e também tenho o sonho de conhecer o jô soares. os dois primeiros estão quase realizados, porque já mandei tirar o orçamento e daqui pra outubro vou terminar minha casa
[seu aniversário é em 3 de outubro, perto do círio de nazaré], tenho um abraço gravado do carlos germano, que foi goleiro do vasco, e esse ano eu devo ir a são januário. então falta esse sonho de conhecer o jô soares e todo o sexteto dele.

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