existem muitas músicas que atravessaram tempo, espaço e culturas, mas o caso que quero trazer aqui é de uma maravilhosa canção cubana gravada no México, transportada para Benin, refeita em Londres e traduzida pela Bahia. é o caso de "Yiri Yiri Bon" ou "Yiri Yiri Boum", tanto faz [não consegui achar nenhuma explicação pra esse título].
composta pelo cubano naturalizado mexicano Silvestre Méndez López, "Yiri Yiri Bon" foi gravada pelo também cubano Beny Moré enquanto este passava uma temporada no México. o registro aconteceu em algum momento entre 1949 e 1951 - não consegui uma info mais exata - e Moré foi acompanhado pela Orquestra Rafael de Paz. desde sua gênese, "Yiri Yiri Bon" é uma espécie muito particular da mistura afrocaribenha. saca só.
a música fez um puta sucesso no Caribe e foi cantada por gente como Célia Cruz, Ray Barreto, Antonio Machin, Eliades Ochoa e Tito Puente. fez tanto sucesso que atravessou o Atlântico e chegou ao Benin via Gnonnas Pedro. gravada entre 1965 e 1975, e agora chamada de "Yiri Yiri Boum", a música não mudou muito de sua versão original, mas ganhou algumas delicadas pinceladas de highlife [gênero anterior ao afrobeat e que fez muito sucesso no final dos anos 1960 e início dos anos 1970 em Gana, Benin, Togo e Nigéria].
salto no tempo para 2004 quando músicos cubanos radicados em Londres montaram o grupo Ska Cubano e em seu disco de estreia gravaram uma versão mais rápida e meio dancehall pra "Yiri Yiri Boum".
então chegou o ano da graça de 2012 e os irmãos Gileno e Gilmar Gomes fizeram uma versão em português e o que era "Yiri Yiri Boum" virou "Ziriguidum". então a banda Filhos de Jorge gravou e a música foi um baita sucesso no carnaval de 2013 [tanto que ganhou na votação popular do Bahia Folia 2013 promovido pela Rede Bahia].
o sucesso de "Ziriguidum" foi tão grande que chegou ao funk paulistano sendo sampleada, em 2013, por MC 2K e se transformou em "Ziguiriguidum".
então chegamos ao ano de 2019 e "Yiri Yiri Boum" ganhou mais uma regravação e entrou em trilha de novela global. quem assina essa versão bem fiel à original é a dupla/banda Dois Africanos formada aqui no Brasil, mais precisamente na Paraíba, por Opai Big Big - que é de Benin como Gnonnas Pedro - e Izzi Mistura - que é do Togo.
e isso é apenas um breve apanhado de uma música de aproximadamente 70 anos que segue linda, divertida e atual.
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segunda-feira, 15 de julho de 2019
uma música, muitas línguas
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
letra/música #27 e transversão #42
foi no blog do blundetto que fiquei sabendo do tributo brassens - echos d'aujourd'hui (fanon records), uma homenagem transglobal ao poeta, cantor e compositor anarquista francês georges brassens. nunca tinha ouvido falar dele, confesso, mas semana passada finalmente achei link para download do disco (aqui ou aqui) e é uma coisa linda. e também surpreendente porque foram reunidos artistas de várias partes do planeta cantando brassens em suas línguas nativas, o que acaba abrindo inúmeras portas para se procurar as versões originais e compará-las, colidí-las, etc. nas 16 faixas aparecem figuras como shawn lee (estados unidos), lianne la havas (inglaterra), grupo canalon de timbiqui (colômbia), las hermanas caronni (argentina), enkhjargal (mongólia), anthony joseph (trinidad), yael naim (israel) e, claro, blundetto (frança). mas então aparece rodrigo amarante cantando "o não-pedido de casamento" e... puxa... que versão, que música espantosamente linda e rebuscada. escuta só.
o não-pedido de casamento
(georges brassens, tradução e adaptação de rodrigo amarante e stephane san juan)
meu bem, por deus, tenho um pedido
não apontemos pro cupido
sua própria flecha
tantos amantes se arriscaram
com seu gozo eles pagaram
tal sacrilégio
uma aliança em cada mão
a jurar ordem de prisão
em domicílio
pro inferno, amélias secas amas
que deixam frias suas camas
pra pilar milho
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
vênus presa perde o viço
e com o choriço frita o juízo
cai na comida
por nada neste mundo eu vou
despetalar sobre o escargot
a margarida
cai o véu, com ele o encanto
o segredo da sereia, o canto
de Melusine
o batom nas cartas perde a cor
entre uma e outra página do
Nouvelle Cuisine
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
é muito fácil a gente pensa
largar no fundo da despensa
numa conserva
o belo fruto proibido
perdeu o gosto, foi cozido
não se preserva
de uma empregada eu não preciso
tratado a pão de ló, aviso
não quero nunca ser
como uma noiva eterna intento
a dona dos meus pensamentos
eu sempre ver
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
amarante, que está para lançar seu primeiro disco solo (cavalo), canta e toca violão acompanhado de berna ceppas (sintetizador), moreno veloso (cello), alberto continentino (baixo) e stephane san juan (percussão). agora veja e escute brassens direto de algum lugar dos anos 1960...
nas buscas por saber e ouvir mais dessa música encontrei ainda uma versão instrumental comandada por eddie "lockjaw" davis (sax tenor) e harry "sweets" edison (trompete) e lançada em 1979.
p.s.: agradecimentos a bebel prates que conseguiu essas informações (banda, tradução e revisão da letra que transcrevi) com o próprio amarante.
o não-pedido de casamento
(georges brassens, tradução e adaptação de rodrigo amarante e stephane san juan)
meu bem, por deus, tenho um pedido
não apontemos pro cupido
sua própria flecha
tantos amantes se arriscaram
com seu gozo eles pagaram
tal sacrilégio
uma aliança em cada mão
a jurar ordem de prisão
em domicílio
pro inferno, amélias secas amas
que deixam frias suas camas
pra pilar milho
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
vênus presa perde o viço
e com o choriço frita o juízo
cai na comida
por nada neste mundo eu vou
despetalar sobre o escargot
a margarida
cai o véu, com ele o encanto
o segredo da sereia, o canto
de Melusine
o batom nas cartas perde a cor
entre uma e outra página do
Nouvelle Cuisine
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
é muito fácil a gente pensa
largar no fundo da despensa
numa conserva
o belo fruto proibido
perdeu o gosto, foi cozido
não se preserva
de uma empregada eu não preciso
tratado a pão de ló, aviso
não quero nunca ser
como uma noiva eterna intento
a dona dos meus pensamentos
eu sempre ver
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
amarante, que está para lançar seu primeiro disco solo (cavalo), canta e toca violão acompanhado de berna ceppas (sintetizador), moreno veloso (cello), alberto continentino (baixo) e stephane san juan (percussão). agora veja e escute brassens direto de algum lugar dos anos 1960...
nas buscas por saber e ouvir mais dessa música encontrei ainda uma versão instrumental comandada por eddie "lockjaw" davis (sax tenor) e harry "sweets" edison (trompete) e lançada em 1979.
p.s.: agradecimentos a bebel prates que conseguiu essas informações (banda, tradução e revisão da letra que transcrevi) com o próprio amarante.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
transversão #41
não lembro quando ouvi “marcianita” pela primeira vez. acho
que ela tá naquele rol de músicas que sempre existiram, sempre tocaram, e não
se sabe direito como surgiram (nem no mundo, muito menos pra si). mas sei muito
bem quando ela definitivamente entrou na minha lista de preferidas: durante os
shows que o mauricio pereira
fez no início dos anos 2000 e que resultaram no disco as canções que você já assobiou (2003). foi então que descobri a
gravação do sérgio murilo (1960), a do caetano com os mutantes (1968),
uma do raul seixas (1973), outra da gal costa (2002) e recuperei a memória
de uma do grupo rumo (1992).
p.s.: e ainda tem os trapalhões (sim, isso mesmo, os trapalhões numa versão absolutamente fuleira), bobby di carlo, alípio martins, léo jaime, o “marcianito” de sueli, e uma recentíssima do felipe cordeiro, etc.
recentemente, e com certo atraso, ouvi a que jussara silveira
gravou no disco ame ou se mande
(2011) e chapei novamente. que versão linda e divertida! fui então pesquisar a
origem da música e me surpreendi com as poucas informações. consegui descobrir
que “marcianita” é uma composição de josé imperatore marcone e galvarino
villota alderete, chilenos até onde sei, e foi lançada em 1959 (até poucos dias
atrás nunca tinha ouvido nenhuma interpretação em espanhol). de bate pronto fez
muito sucesso na argentina na voz de billy cafaro e no ano seguinte ganhou uma
versão em português assinada por fernando césar que
estourou com sérgio murilo. a partir daí ganhou inúmeras versões por aqui (e
também em portugal com daniel bacelar,
por exemplo).
nessa volta a seção transversão após tantos meses de
silêncio (a última foi em julho do ano passado com “maria
bethânia” de caetano) separei algumas das minhas versões preferidas dessa lindeza que é
“marcianita”. começando com o argentino billy cafaro e os chilenos do grupo los
flamingos, ambos em 1959.
então chegamos ao brasil e logo de cara sérgio murilo quebra
tudo numa versão cool, sofisticadíssima, pré-jovem guarda.
queria colocar a do caetano com os mutantes, mas não achei
nenhuma opção para incorporar. tristeza, viu? então agora é
a vez das totalmente excelentes (e paulistanas) gravações do grupo rumo e de maurício pereira.
e, finalmente, jussara silveira em sua interpretação
cristalina e deliciosa, acompanhada por sacha amback e marco costa.
pra encerrar essa postagem uma gravação que achei nessas
buscas e que me impressionou bastante. gravada em 2012, essa “marcianita” traz
ana clara cantando acompanhada pelo trio molho negro e por felipe cordeiro,
todos paraenses. baita versão, mais pesada e pop, e com uma parte em espanhol
levada no tecnobrega.
p.s.: e ainda tem os trapalhões (sim, isso mesmo, os trapalhões numa versão absolutamente fuleira), bobby di carlo, alípio martins, léo jaime, o “marcianito” de sueli, e uma recentíssima do felipe cordeiro, etc.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012
yahoo #54
acho que foi em agosto que o muy aguardado disco de samba de mr. catra caiu na rede e a expectativa era alta para quem acompanha a carreira do sujeito. eu, que sempre esperei um disco bem produzido de catra, também me frustrei um pouco. não foi dessa vez. fora as razões musicais que aponto no texto pro yahoo, tenho a impressão que ele não liga muito pra esse lance de discos, nunca ligou. ele só quer as músicas para os shows e tá bom demais. catra, afinal, só faz o que lhe der na telha.
O SAMBA SEM PUTARIA DE MR. CATRA
O SAMBA SEM PUTARIA DE MR. CATRA
Ele gosta de ser chamado de “Operário do funk”, o que diz
muito sobre como encara seu ofício: música é trabalho (está no batente há quase
20 anos), entretenimento é trabalho (aos 44 anos segue fazendo shows todos os
dias). Pra falar a verdade, sua vida toda é trabalho, afinal possui entre 20 e
24 filhos, sempre mais de uma esposa e muitas ex-mulheres.
Figura das mais singulares da música popular brasileira, Mr. Catra é tudo isso, mas é também um
sujeito espiritualizado, autoproclamado “judeu salomônico”. Esse lado
religioso, despertado por uma viagem a Jerusalém em 1999, acabou entrando no
seu conhecido repertório de funks hipersexualizados, proibidões ou de crítica
social. Mas ele também é machista, sexista e homofóbico. E bem humorado e a
favor da legalização das drogas para acabar com o tráfico. O Isaac Hayes da
Tijuca é um liquidificador de mil loucuras e sanidades.
Como se tudo isso fosse pouco, Catra encarou recentemente um
disco de sambas, heresia total para alguém que começou no rock, passou pelo rap
e ganhou notoriedade no funk. Na humildade lhe deu o título de Com Todo Respeito ao Samba. Mas talvez,
talvez não, com certeza, humildade e respeito acabaram atrapalhando seu acerto
de contas com a tradição de sua cidade. Claro que tem coisa boa – além dessa
“Eu só quero paz” salvam-se as ótimas “Triste
fim da mina”, “Sua foto” e “Mangueira é uma mãe” –, mas faltou mais
Catra nesse samba (o pessoal do Fita
Bruta, um dos poucos veículos que resenhou o disco, ficou ainda mais
frustrado que eu).
O resultado abaixo das expectativas não tem nada a ver com
sua interpretação, segura, rascante, dolorida como sempre. A voz de Catra é uma
das mais fortes e cheias de balanço dos últimos tempos, mas a produção musical
nunca ajuda. Nos funks geralmente é pobre e nesses sambalanços ficou quadrada,
achatada. Todos os arranjos tem aquele peso de teclados e batuque careta,
confirmando que o samba pop carioca foi definitivamente ganho por diluições da
turma de Cacique de Ramos (Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, etc.),
produção do Rildo Hora, aquela coisa toda. Rolam até uns saxofones oitentistas
estragando “Happy end” e “Tão lindo”, faixas que poderiam ser boas baladas
soul.
Tudo é limpinho demais, redondinho demais, o que é
exatamente o oposto do que Catra sempre fez. Um cara que cantou pedradas como
“Júri popular” (player abaixo) agora vai de beatices constrangedoras como
“Minha vida é um milagre de Deus” e “Evolução”.
Agora é torcer para Catra voltar logo aos bons tempos de
molecagem. O funk e o samba carioca, atualmente tão carentes de novidades e
vozes poderosas, agradeceriam. Porque, da minha parte, sempre vou achar mais
legal um cara que fala “Putaria é sexo com alegria, putaria é quase amor” –
frase já clássica registrada no documentário 90 Dias com Catra (direção de Rafael
Mellin, 2010) – do que o que diz “Muito obrigado Senhor por esse mundo de
maravilhas”. Mas aí vai de cada um.
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
yahoo #53
por anos a fio pensei em fazer algo com as "versões místicas" de grandes sucessos pop (majoritariamente internacionais) feitas para louvar o figuraça inri cristo. nunca me importei se ele e as inrizetes acreditavam realmente no que pregavam, ou se eram um bando de malucos, ou malandros... deixem eles lá, não tão fazendo mal a ninguém... mas os vídeos são impagáveis, quase todos boas obras de humor (intencional ou não). pensei até em fazer aqui pro esforçado uma detalhada análise vídeo por vídeo, mas preferi fazer um apanhadão pro yahoo, o que fez mais sentido.
PAI Ó PAI
Já são quatro anos e meio de produção e pouco mais de 30
vídeos. Então, a essa altura do campeonato, podemos afirmar que Inri Cristo possui uma considerável
obra audiovisual digna de análise. Aquelas “versões
místicas”, sabe? Paródias de grandes sucessos do pop rock nacional e
internacional com letras de louvor ao “emissário do Pai” em clipes surreais e
primitivos da cabeça aos pés.
Provavelmente a primeira que vi foi a de “Umbrella” (Rihanna) e tudo já estava
ali: a jovem Alara apresentando a mensagem do vídeo com algum elemento cênico;
o vocal sempre desencontrado das cantoras Asusana e Alíbera (sempre nos cantos
esquerdo e direito do vídeo, respectivamente); a filmagem caseira pelas árvores
do terreno da Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade; cenas roubadas de
bancos de imagens; fotos de arquivo de Inri e algumas silenciosas e impagáveis
aparições. Enfim, diversão nonsense garantida.
Vieram loucuras como o espírito boxeador de “Eye of the tiger” (Survivor), uma
corajosa versão a capela de “What a
feeling” (Irene Cara), o êxtase sacolejante em “Single ladies” (Beyonce), a doçura épica
de “We are the world” (Michael
Jackson e Quincy Jones), a transformação de “Take you there” (Sean Kingston) em um
quase rap e os surtos eletrônicos de “Hot
n’ cold” (Katy Perry) e “Just dance”
(Lady Gaga). O sagrado balaio de gato de Asusana e Alíbera também vitimou “Hotel California” (Eagles), “Living on a prayer” (Bon Jovi), “Wind of change” (Scorpions), “Crusader” (Saxon) e “Rehab” (Amy Winehouse). Mas nessa
primeira fase nada supera o “plágio divino” de “Toxic” (Britney Spears). Saca
só o grau de genialidade tosca.
Deu um vazio no coração quando notei, em meados de 2010, que
Alíbera, minha preferida, tinha sumido das “versões místicas”. Será que ela
largou de vez esse lance de Inri? Nunca soube. Revelador que o último vídeo que
gravou foi uma cover do bolerão “Contigo aprendi”
(Armando Manzanero) em algum lugar na Cordilheira dos Andes (?!). Uma nova fase
(para todos) começava.
Com a saída de Alíbera, Assinoê tornou-se protagonista. Ela,
que já havia feito uma participação davidlynchiana em “Sorry” (Madonna), passou a cantar com
seus dramáticos olhos malucos e voz grave coisas tão diversas como “Breaking the law” (Judas Priest), “Judas” (Lady Gaga), “Imagine” (John Lennon), “Rolling in the deep” (Adele), “Ai se eu te pego” (Michel Teló), “Warriors of the world united” (Manowar)
e “Ciúme” (Ultraje a Rigor). Nessa
segunda fase, os vídeos passaram a ganhar outros cenários, desde novas partes
da Terra de Inri até as margens do Lago Paranoá (Brasília), e recursos visuais
mais, digamos assim, sofisticados.
A fiel e animada Alara também foi promovida e contribuiu com
uma atuação mais moleca-romântica, o que ajudou muito em “I want to know what love is” (Foreigner),
“Baby” (Justin Bieber), “Did it again” (Shakira) e “Friday” (Rebecca Black), sempre em dupla
com Asusana. Só que, ambiciosa, encarou sozinha “A banda” (Chico Buarque), uma das
músicas preferidas de Inri.
De um ano para cá, novas “inrizetes”
vem sendo testadas, o que acabou jogando Asusana para escanteio. A mais
promissora é a bela e expressiva Adeí que apareceu dividindo microfone com
Alara em “We r who we r” (Ke$ha), mas
já encarou o desafio solo na complexa e dolorida “Conquest of Paradise” (Vangelis). A
outra é Alysluz, que ainda precisa se soltar um tantão, mas não se preocupem
porque Alara há de ensinar. Só que em tão pouco tempo, Alysluz teve a sorte de
participar de dois dos melhores vídeos da carreira das “versões místicas”: a
superprodução “Gangnam Style” (Psy) e
“Wannabe” (Spice Girls).
O que acho mais lindo nisso tudo é o desprendimento, o auto
deboche. Nesse fantástico mundo maluco da internet vídeos assim viram piada
instantaneamente – e lá se vai a “mensagem” de Inri Cristo pelo ralo – e a
turma continua produzindo, ano após ano. Sabem talvez que falem bem, falem mal,
mas falem de mim (quer dizer, Dele). De qualquer forma todos os envolvidos
devem se divertir bastante, e os de fora que tem bom humor também. Isso é o que
importa, ó Pai, ó.
Até sempre, pessoal. Com ou sem pimentões.
p.s.: E se você
quiser saber um pouco mais sobre Inri Cristo tome um chopinho com ele em companhia de Michel Blanco.
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sábado, 3 de novembro de 2012
yahoo #51
nesse primeiro texto yahoozístico pós-campanha escolhi um assunto que queria tratar há tempos: quadrinhos. os últimos anos tem sido sensacionais em termos de lançamentos aqui no brasil e posso falar com conhecimento de causa porque compro e leio quadrinhos nacionais e internacionais desde meados dos anos 1980. na primeira parte, o texto é um apanhado pessoal, enquanto na segunda é um vôo panorâmico sobre os livros em quadrinhos (as tais 'graphic novels') de 2012. quem conhece quadrinhos tá careca de saber de tudo isso, mas é que foi feito como uma apresentação desse mundo pros leitores do yahoo.
CADA UM NO SEU QUADRINHO

CADA UM NO SEU QUADRINHO
Tem gente que até hoje acha que quadrinho é coisa de
moleque, criança ou adolescente. Eu descobri criança, ali em meados dos anos
1980, que o buraco era mais embaixo, ou ainda, que os melhores quadrinhos eram
aqueles que usavam essa linguagem tão popular para tratar de temas
tremendamente adultos. E eles existiam aos montes! Na verdade desde sua origem,
na virada do século 19 para o 20, com o extraordinário Little Nemo
(1905-14/1924-27), de Winsor McCay. Claro que só fui saber disso muito depois.
No começo eram os super-heróis: Batman, X-Men, Homem Aranha,
Hulk, DC Comics e Marvel, aquela coisa toda. Mas aí dentro desse universo comecei
a ver coisas diferentes, densas, como Batman – O Cavaleiro das Trevas (Frank
Miller, 1986), Elektra Assassina (Miller e Bill
Sienkiewicz, 1986-87), Batman: Ano Um (Miller e David Mazzucchelli, 1987), Batman
– A Piada Mortal (Alan Moore e Brian Bolland, 1988), Asilo Arkham (Grant
Morrison e Dave McKean, 1989) e o Monstro do Pântano
de Alan Moore.
E as portas definitivamente se abriram com V de Vingança (Alan
Moore e David Lloyd, 1982-85), Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons, 1986-87), Maus
(Art Spiegelman, 1986/91), a Mafalda do argentino Quino,
a Valentina do italiano Guido Crepax, as moças do também italiano Milo Manara, as
aventuras do francês Moebius e o pioneirismo de Will Eisner. No Brasil eram os
tempos de Chiclete com Banana (Angeli),
dos Piratas do Tietê (Laerte),
da revista Circo (editada por Luiz Gê e Laerte) e da saudosa Animal, revista
que me fez conhecer um mundo inteiro de artistas de primeira como Tanino
Liberatore, Daniel Torres, Fábio Zimbres, Andrea Sapienza, os irmãos Jaime
e Gilbert Hernandez, e Lourenço Mutarelli.
Tudo isso que foi citado tinha (e tem) uma coisa em comum: linguagem
pop, impacto visual e dedo na ferida (nas mais diversas feridas).
Acredito que nos últimos anos os quadrinhos se cristalizaram
como uma das mais relevantes artes populares. E que o mercado editorial
brasileiro vem conseguindo dar conta de lançar grandes álbuns estrangeiros e
estimular a produção nacional (graças às editoras guerreiras Conrad, Devir e Zarabatana Books, e ao atual poderio
da Quadrinhos
na Cia.). Não é o ideal, poder ser mais, e ainda é um pouco caro, mas
estamos muito melhores do que já estivemos. Basta dar uma olhada nos
lançamentos deste ano para se ter pistas disso.
Entre os gringos é possível entender um pouco sobre as
relações entre o Oriente Médio e os Estados Unidos em Os Melhores Inimigos (Jean-Pierre
Filiu e David B.) ou da história chinesa em Adeus Tristeza – A História dos
Meus Ancestrais (Belle Yang). Acompanhar leituras particulares das vidas de
grandes personalidades como J. Edgar Hoover (Rick Geary) e Freud (Anne Simon e
Corinne Maier) ou de zés-ninguéns como Wilson (Daniel Clowes). E o subgênero ‘confessional’?
Está lá em Pagando por Sexo (Chester Brown). Porém, nada melhor que fábulas
barra pesada como Pinóquio (Vincent ‘Winshluss’ Paronnaud) e Habibi (Craig
Thompson).
Já no Brasil tem o confessionalismo moleque de Momentos
Brilhantes da Minha Vida Ridícula (Adão Iturrusgarai), a fantasia Monstros! (Gustavo
Duarte), a crônica sexual-racial de Deus Essa Gostosa (Rafael Campos Rocha) e a
deliciosa aventura de A Máquina de Goldberg (Vanessa Barbara e Fido Nesti). Destaque
especial para os relançamentos luxuosos de Avenida Paulista (Luiz Gê), Diomedes
(Lourenço Mutarelli) e Toda Rê Bordosa (Angeli).
Histórias diversas, traços ainda mais, tudo unido em nome de
obras que se mostram atualmente mais adultas que o cinema, mais impactantes que
a literatura e mais humanas que o noticiário.
p.s.: Até o final do ano deve sair Crônicas de Jerusalém, do
sempre excelente Guy Delisle, enquanto não chegam por essas bandas Building
Stories (Chris Ware, o mesmo de Jimmy Corrigan) e Journalism (Joe Sacco, de Notícias
de Gaza). Sem falar em mais Rafael Coutinho, Rafael Grampá, Dash Shaw, Charles
Burns, Marjane Satrapi, Caeto Melo, Alison Bechdel, muita gente boa pra
dedéu...
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
queen e michael jackson, cumbia style
coisa do inglês quantic, um dos preferidos da casa. dois de seus projetos já apareceram por aqui - o adubado flowering inferno e o colombiano combo bárbaro - e agora chegou a hora de outro, o igualmente colombiano los miticos del ritmo. ano passado saiu o ótimo EP hip hop en cumbia (tru thoughts, 2011) e no final de abril veio o disco de estreia, los miticos del ritmo (soundway, 2012). discaço feito com músicos de cali, cidade que tem sido residência de will "quantic" holland desde 2007, e que é cumbia tradicional de cabo a rabo. nada mais moderno, principalmente quando se ouve o que os miticos del ritmo fazem, portanto, com queen ("another one bites the dust") e michael jackson ("don't stop 'til you get enough"). escuta só.
tem também uma versão sensacional de "satta massagana", clássico jamaicano do the abyssinians, só que farei uma postagem especial só com versões dessa música. mas opa! já ia esquecendo! quantic já lançou outro disco esse ano junto com a cantora alice russell e seu combo bárbaro. look around the corner (tru thoughts, 2012) é outro que precisa ser ouvido. tá cheio de músicas sensacionais soul/latinas como "una tarde en mariquita", "i'd cry", "boogaloo 33" e "su suzy". mas a minha preferida é "similau", toda sensual e dramática, perfeita para a trilha de um filme do tarantino.
e pra finalizar, um minidocumentário com os bastidores de outra música do disco, "i’ll keep my light in my window", gravada durante as rebeliões que se espalharam por londres durante agosto do ano passado (áudio no final do video).
ih, voltei. juro que é a última vez. é que tem essa versão acústica de "i'd cry", muito diferente da que saiu no disco.
tem também uma versão sensacional de "satta massagana", clássico jamaicano do the abyssinians, só que farei uma postagem especial só com versões dessa música. mas opa! já ia esquecendo! quantic já lançou outro disco esse ano junto com a cantora alice russell e seu combo bárbaro. look around the corner (tru thoughts, 2012) é outro que precisa ser ouvido. tá cheio de músicas sensacionais soul/latinas como "una tarde en mariquita", "i'd cry", "boogaloo 33" e "su suzy". mas a minha preferida é "similau", toda sensual e dramática, perfeita para a trilha de um filme do tarantino.
e pra finalizar, um minidocumentário com os bastidores de outra música do disco, "i’ll keep my light in my window", gravada durante as rebeliões que se espalharam por londres durante agosto do ano passado (áudio no final do video).
ih, voltei. juro que é a última vez. é que tem essa versão acústica de "i'd cry", muito diferente da que saiu no disco.
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domingo, 4 de março de 2012
domingueira
putz, ontem o bróder fernandinho me apresentou a versão original de uma música que conheci ano passado pelos ingleses do dub colossus. "uptown top ranking" foi o primeiro e único sucesso de uma dupla de vida curta, althea & donna, que estourou com essa música no final de 1977 na inglaterra e jamaica. daí que 1978 foi o ano delas, um disco inteiro saiu (boa resenha no allmusic), mas a falta de experiências das mocinhas (tinham por volta de 18 anos à época) a fizeram cair logo no esquecimento. seguem abaixo duas versões dessa música delícia, ambas ao vivo. a primeira foi na tv inglesa e a segunda veio direto do festival reggae sunsplash.
no mais, o pessoal que tocou em uptown top ranking, o disco, é um impressionante time dos sonhos: joe gibbs na produção (gibbs havia usado o 'riddim', a base, de "upside top ranking" em outras de suas produções anteriores - "i'm still in love with you girl" e "three piece suit"), tommy mccook no trombone, earl "chinna" smith na guitarra, robbie shakespeare no baixo e sly dunbar na bateria, etc. e já que você está aqui, aproveite e escute a versão do dub colossus, fazendo pontes entre jamaica e etiópia.
no mais, o pessoal que tocou em uptown top ranking, o disco, é um impressionante time dos sonhos: joe gibbs na produção (gibbs havia usado o 'riddim', a base, de "upside top ranking" em outras de suas produções anteriores - "i'm still in love with you girl" e "three piece suit"), tommy mccook no trombone, earl "chinna" smith na guitarra, robbie shakespeare no baixo e sly dunbar na bateria, etc. e já que você está aqui, aproveite e escute a versão do dub colossus, fazendo pontes entre jamaica e etiópia.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
com vocês, the skints
são quatro ingleses. três homens, uma mulher. um disco na bagagem (mais um ep e alguns singles) que já tem uns três anos. o próximo será lançado entre março e abril e foi financiado no sistema de crowdfunding em apenas 11 dias. o som é reggae, rock, dub, ska, punk e, mais recentemente, algo de eletrônico (e com um senso pop bem interessante, natural e despreocupado). puta som redondo esse do the skints (algo como 'os pobretões' ou 'os pé rapado'), com muito carinho pelo passado do reggae (que é inegavelmente o motor de tudo), mas sem jamais cair na armadilha do respeito à tradição. marcia richards é uma baita cantora, voz linda e ela idem, e ainda por cima se desdobra em teclados, sax, melódica, flauta e guitarra/violão. o ótimo guitarrista joshua water rudge parece que saiu direto do tempo dos rudeboys ou foi integrante do the specials e é outro cantor/vocalista da banda, além de ser quem mais fala em entrevistas (uma ótima aqui, em video). jonathan doyle é o baixista e baixista que é baixista quase não fala e detona. o baterista jamie kyriakides é muito bom, mas arriscaria dizer que ele é melhor cantor. que voz a desse cara! mas antes, a capa do disco de estréia, live.breathe.build.believe (lançado pela rebel alliance em 2009 e relançado pela bomber music em 2010).
sem mais delongas, os skints começam informal e acusticamente com música própria ("can't take no more").
nessa mesma seção eles fizeram um cover de "ah it mek" (ou "it mek"), um dos muitos clássicos de desmond dekker (a original, que é de 1969, tá aqui).
ainda informalmente, mas em outro pico, três dos quatro (onde estava o baixista de novo?) fizeram esse outro ótimo cover. dessa vez foi dennis brown e sua "lips of wine", outras dessas lindas canções jamaicanas soul do final dos anos 1960 (original aqui).
hora de estúdio, efeitos e outro cover. "on a mission" vem de "katy on a mission", sucessão britânico de 2010 lançado por katy b. originalmente é um dubstep mais pop produzido pelo especialista benga (aqui ó) e com os skints virou um dub acelerado de chorar. marcia richards cantando muito.
e pra encerrar essa apresentação, "ratatat", outra composição própria e acho que o primeiro clipe deles. já é uma das músicas do novo disco, part & parcel. dá pra sentir que tem um peso eletrônico vindo por aí, achei bem bom.
é isso, outra banda da hora pra ficar no radar. outra dica certeira do mano @OgaMendonca.
sem mais delongas, os skints começam informal e acusticamente com música própria ("can't take no more").
nessa mesma seção eles fizeram um cover de "ah it mek" (ou "it mek"), um dos muitos clássicos de desmond dekker (a original, que é de 1969, tá aqui).
ainda informalmente, mas em outro pico, três dos quatro (onde estava o baixista de novo?) fizeram esse outro ótimo cover. dessa vez foi dennis brown e sua "lips of wine", outras dessas lindas canções jamaicanas soul do final dos anos 1960 (original aqui).
hora de estúdio, efeitos e outro cover. "on a mission" vem de "katy on a mission", sucessão britânico de 2010 lançado por katy b. originalmente é um dubstep mais pop produzido pelo especialista benga (aqui ó) e com os skints virou um dub acelerado de chorar. marcia richards cantando muito.
e pra encerrar essa apresentação, "ratatat", outra composição própria e acho que o primeiro clipe deles. já é uma das músicas do novo disco, part & parcel. dá pra sentir que tem um peso eletrônico vindo por aí, achei bem bom.
é isso, outra banda da hora pra ficar no radar. outra dica certeira do mano @OgaMendonca.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
aloe blacc em paris
muito bonito e singelo o clipe de "green lights", uma das músicas mais bonitas do discaço good things (stones throw, 2010). a voz e o balanço de aloe blacc são de uma delicadeza que vou te contar e o clipe acabou de sair, tá quentinho...
e o video - como antecipa o título do post e você pode notar pelas imagens - foi filmado em paris pelo pessoal sangue bom do blogothèque, o site criado pelo vincent moon, que ano passado fez outros dois também pelas ruas da cidade. na primeira parte, blacc canta "hey brother" e "i need a dollar" e na segunda engata "you make me smile" (todas essas três também estão no disco good things) e um cover de "use me" (bill withers), uma das preferidas da casa.
e o video - como antecipa o título do post e você pode notar pelas imagens - foi filmado em paris pelo pessoal sangue bom do blogothèque, o site criado pelo vincent moon, que ano passado fez outros dois também pelas ruas da cidade. na primeira parte, blacc canta "hey brother" e "i need a dollar" e na segunda engata "you make me smile" (todas essas três também estão no disco good things) e um cover de "use me" (bill withers), uma das preferidas da casa.
Aloe Blacc | I Need A Dollar | A Take Away Show - Part 1 from La Blogotheque on Vimeo
Aloe Blacc | A Take Away Show - Part 2 from La Blogotheque on Vimeo
a história da gravação desses dois videos você pode ler aqui.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
transversão #40
muito engraçadinho esse caetano veloso que fez uma letra em inglês para sua irmã maria bethânia (logo ela que não canta em inglês) e lançou no primeiro disco que fez no exílio londrino, o ótimo caetano veloso (philips/universal, 1971). talvez pela própria língua escolhida "maria bethânia" foi poucas vezes regravada por aqui. a mana gal costa registrou em seu histórico ao vivo fa-tal, também de 1971. tem também uma versão instrumental comandada pelo violonista leandro carvalho e que saiu no disco london poem (independente, 2004) e até a própria bethânia usou-a para abrir o show-disco nossos momentos (philips/universal, 1982) de um jeito mezzo instrumental mezzo cantado pelas backing vocals de forma resumida (ela mesmo só entra depois, claro). mas escolhi aqui a recente "maria bethânia" que caetano colocou no repertório da turnê do disco zii e zie (universal, 2009) e que saiu no potente mtv ao vivo - zii e zie (universal, 2011). como a banda cê detona, heim?
a outra participação nesse transversão é uma ótima regravação que apareceu em 2009 pelas mãos e gogós da dupla peixoto & maxado. maxado é felipe machado, vocalista da firebug, e o clima é de um ska pouco mais lento e extremamente original. a música acabou sendo registrada no disco i wanna shoyu (independente, 2010). saca só.
p.s.: depois de fechar essas duas versões encontrei uma dos franceses do les beaux bizarres que fizeram a sua "maria bethânia" de um jeito assim meio iggy pop e um ótimo remix da original caetanística feito pelo dj e produtor pedro zopelar.
a outra participação nesse transversão é uma ótima regravação que apareceu em 2009 pelas mãos e gogós da dupla peixoto & maxado. maxado é felipe machado, vocalista da firebug, e o clima é de um ska pouco mais lento e extremamente original. a música acabou sendo registrada no disco i wanna shoyu (independente, 2010). saca só.
p.s.: depois de fechar essas duas versões encontrei uma dos franceses do les beaux bizarres que fizeram a sua "maria bethânia" de um jeito assim meio iggy pop e um ótimo remix da original caetanística feito pelo dj e produtor pedro zopelar.
sábado, 2 de julho de 2011
transversão #39
fazia tempo que não rolava um transversão nos conformes, então retorno com uma edição particularmente recheada e não poderia ser por menos. é que o caso agora é "ain't no sunshine", canção que o mestre bill withers lançou no disco just as i am (sussex, 1971) e virou sucesso mundial instantâneo. sempre tive a impressão que "ain't no sunshine" existe desde que o mundo é mundo. é daquelas músicas completas, totais, na sua mistura de lamento e balanço. é profundamente soul e ao mesmo tempo aberta para possibilidades em outros gêneros como reggae, funk, samba, eletrônica e rock. mas comecemos pela original na voz suada de seu autor (que começou a escrevê-la inspirada no filme vício maldito, drama etílico de blake edwards lançado em 1962).
sucesso! e vocês sabem como sucessos são... todo mundo quer tirar uma lasquinha. só que não falaremos aqui dos oportunistas e sim de gente da pesada como o saxofonista/flautista/etc rahsaan roland kirk (1935-1977) que, em blacknuss (atlantic, 1971), fez essa linda versão instrumental cheia de novas camadas.
e a jamaica, sempre atenta ao soul americano, não podia ficar de fora. ken boothe, por exemplo, gravou sua versão, mas ficaremos aqui com a de boris gardiner lançada no disco a soulful experience is happening (vampisoul, 1971). bela e sentida que só.
provavelmente no mesmo ano, no panamá, o pessoal do the soul fantastics escapou da influência do vizinho caribe e fez de "ain't no sunshine" um funk pesadão (no bom sentido). tá na excelente coletânea panama! vol.2 - latin, funk and calypso on the isthmus 1967-77 (soundway, 2008), que o original pinheiros style disponibilizou para a turma.
outra banda pouco falada. outra data desconhecida. outra coletânea. os moleques da kashmere stage band, regidos pelo prof. conrad o. johnson (1915-2008), quebraram tudo nessa interpretação moderna, e igualmente funk e instrumental, que foi registrada no disco texas thunder soul 1968-1974 (stones throw, 2006).
e então veio o sempre muito inspirado guitarrista josé feliciano (cego como rahsaan roland kirk) que em 1972 mostrou a sua ótima gravação e a registraram em video.
no mesmo 1972, um garoto de 13/14 anos lançou seu disco de estreia solo, got to be there (motown, 1972), e lá estava "ain't no sunshine". o nome dele era michael jackson (1958-2009) e mesmo que já fosse o menino prodígio conhecido e admirado no jackson 5 ninguém estava preparado para tamanho poder interpretativo sobre uma música tão adulta.
brasil não podia faltar. foi o grande sivuca (1930-2006) que, no auge de sua carreira internacional (quando morou em nova york de 1964 a 1976, tocava com miriam makeba), colocou a música de bill withers para abrir o disco sivuca (vanguard, 1972). acompanhado por muitos músicos americanos, o paraibano torceu o soul e acelerou sambisticamente.
agora, se em bill withers o drama é próximo, real, sussurrado, em tom jones a coisa muda um pouco de figura e seu drama é de fera ferida, afetado e poderoso. e os arranjos dessa versão, que saiu no disco the body and soul of tom jones (decca/parrot, 1973), são matadores.
e para encerrar, mais uma instrumental. dessa vez assinada pelo gigante vibrafonista roy ayers na sua fase ubiquity. e a canção pop(ular) transforma-se numa suite épica e suingante. é do disco red, black and green (polydor, 1976).
sucesso! e vocês sabem como sucessos são... todo mundo quer tirar uma lasquinha. só que não falaremos aqui dos oportunistas e sim de gente da pesada como o saxofonista/flautista/etc rahsaan roland kirk (1935-1977) que, em blacknuss (atlantic, 1971), fez essa linda versão instrumental cheia de novas camadas.
e a jamaica, sempre atenta ao soul americano, não podia ficar de fora. ken boothe, por exemplo, gravou sua versão, mas ficaremos aqui com a de boris gardiner lançada no disco a soulful experience is happening (vampisoul, 1971). bela e sentida que só.
provavelmente no mesmo ano, no panamá, o pessoal do the soul fantastics escapou da influência do vizinho caribe e fez de "ain't no sunshine" um funk pesadão (no bom sentido). tá na excelente coletânea panama! vol.2 - latin, funk and calypso on the isthmus 1967-77 (soundway, 2008), que o original pinheiros style disponibilizou para a turma.
outra banda pouco falada. outra data desconhecida. outra coletânea. os moleques da kashmere stage band, regidos pelo prof. conrad o. johnson (1915-2008), quebraram tudo nessa interpretação moderna, e igualmente funk e instrumental, que foi registrada no disco texas thunder soul 1968-1974 (stones throw, 2006).
e então veio o sempre muito inspirado guitarrista josé feliciano (cego como rahsaan roland kirk) que em 1972 mostrou a sua ótima gravação e a registraram em video.
no mesmo 1972, um garoto de 13/14 anos lançou seu disco de estreia solo, got to be there (motown, 1972), e lá estava "ain't no sunshine". o nome dele era michael jackson (1958-2009) e mesmo que já fosse o menino prodígio conhecido e admirado no jackson 5 ninguém estava preparado para tamanho poder interpretativo sobre uma música tão adulta.
brasil não podia faltar. foi o grande sivuca (1930-2006) que, no auge de sua carreira internacional (quando morou em nova york de 1964 a 1976, tocava com miriam makeba), colocou a música de bill withers para abrir o disco sivuca (vanguard, 1972). acompanhado por muitos músicos americanos, o paraibano torceu o soul e acelerou sambisticamente.
agora, se em bill withers o drama é próximo, real, sussurrado, em tom jones a coisa muda um pouco de figura e seu drama é de fera ferida, afetado e poderoso. e os arranjos dessa versão, que saiu no disco the body and soul of tom jones (decca/parrot, 1973), são matadores.
e para encerrar, mais uma instrumental. dessa vez assinada pelo gigante vibrafonista roy ayers na sua fase ubiquity. e a canção pop(ular) transforma-se numa suite épica e suingante. é do disco red, black and green (polydor, 1976).
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
podem lhe chamar de afrofuturista
você nunca imaginaria (e eu também, confesso) que a clássica "she's lost control" do joy division pudesse ser transformada em um pancadão sombrio dessa maneira. cortesia do sulafricano spoek mathambo, rapper, dj, ilustrador e designer gráfico de 25 anos.
e esse clipe sensacional foi dirigido pela dupla pieter hugo e michael cleary. descobri esse clipe/faixa, retirada do disco de estreia do rapaz mshini wam (bbe, 2010), no blog matsuli music.
atualização em 17 de maio: finalmente consegui ouvir a estreia de spoek e o disco é muito bom, cheio de outras canções poderosas (e videos idem) como "mshini wam" e "don't mean to be rude". saca só.
e esse clipe sensacional foi dirigido pela dupla pieter hugo e michael cleary. descobri esse clipe/faixa, retirada do disco de estreia do rapaz mshini wam (bbe, 2010), no blog matsuli music.
atualização em 17 de maio: finalmente consegui ouvir a estreia de spoek e o disco é muito bom, cheio de outras canções poderosas (e videos idem) como "mshini wam" e "don't mean to be rude". saca só.
quarta-feira, 16 de março de 2011
na tonalidade certa
muita produção dá nisso. só fui saber da existência da banda tono no final de 2010 quando o quinteto carioca lançou seu segundo disco: tono (oi música, 2010). não recebi o disco, não achei pra vender e, consequentemente, não consegui ouví-lo até duas semanas atrás. puxa, o disco entraria fácil entre os melhores do ano passado. cheio de camadas e sonoridades, um tanto rock, outro tanto psicodélico bolerístico & sambístico, doce e bem humorado, o disco é mais um excelente trabalho dessa vasta geração de jovem músicos cariocas que, desde a década de 1990 com acabou la tequila e mulheres q dizem sim, deixou entrar novos sons do brasil e do mundo dentro da bossa pop da cidade (e, o melhor, sem precisar cantar o rio de janeiro, rio de janeiro).
ah, o grupo é formado por ana cláudia lomelino (voz), bem gil (guitarra e vocais), leandro floresta (flauta, sintetizador e guitarra), bruno di lullo (baixista e vocais) e rafael rocha (bateria e voz), e o pessoal do blog discoteca nacional tem uma surpresa pra vocês. e aqui você pode baixar um podcast feito pelo pessoal oi música com ana cláudia e bem (filho de gilberto gil) fazendo um faixa-a-faixa. mas aqui você pode ouvir e ver todas as 12 faixas desse discaço em apresentações ao vivo muito bem filmadas (e, detalhe, com som bom e fiel a gravação original), além de um clipe oficial. divirta-se.
01. "não consigo"
02. "me sara" (que tem outro clipe aqui)
03. "sem falsas esperanças"
04. "corte no pé"
05. "so in"
06. "aquele cara"
07. "ele me lê"
08. "mariposa"
09. "da terra pro sol"
10. "distante demais"
11. "samba do blackberry"
12. "nega música" (itamar assumpção)
porra, o pessoal gravou itamar assumpção... só por isso já me ganharia, mas as composições próprias são muito bacanas, com destaque para "não consigo", "ele me lê", "corte no pé", "me sara" e a divertidíssima "samba do blackberry". e caetano veloso, que gosta de falar de tudo, disse o seguinte em sua coluna n'o globo: "o tono é uma banda interessantíssima. vi alguns shows seus e ouvi seus discos. rafael cantando e tocando bateria é música em estado elevado. ana cláudia é especialmente adorável por ser a única cantora realmente cool (nos dois ou três sentidos) da geração. há brilho de variada gama por todos os lados, mas o canto liso e econômico de ana cláudia está sozinho. e é muito bonito que ela não seja a frontwoman da banda. sem ser a “cantora” que puxa a turma, mas sem tampouco ser uma backing vocal, ela é parte da instrumentação (e do espírito) desse grupo talentoso e delicado." e agora, pra encerrar, um video-faixa-bônus com a regravação de uma música pouco conhecida do novos baianos...
13. "você me dá um disco?" (moraes moreira, pepeu gomes e galvão)
ah, o grupo é formado por ana cláudia lomelino (voz), bem gil (guitarra e vocais), leandro floresta (flauta, sintetizador e guitarra), bruno di lullo (baixista e vocais) e rafael rocha (bateria e voz), e o pessoal do blog discoteca nacional tem uma surpresa pra vocês. e aqui você pode baixar um podcast feito pelo pessoal oi música com ana cláudia e bem (filho de gilberto gil) fazendo um faixa-a-faixa. mas aqui você pode ouvir e ver todas as 12 faixas desse discaço em apresentações ao vivo muito bem filmadas (e, detalhe, com som bom e fiel a gravação original), além de um clipe oficial. divirta-se.
01. "não consigo"
02. "me sara" (que tem outro clipe aqui)
03. "sem falsas esperanças"
04. "corte no pé"
05. "so in"
06. "aquele cara"
07. "ele me lê"
08. "mariposa"
09. "da terra pro sol"
10. "distante demais"
11. "samba do blackberry"
12. "nega música" (itamar assumpção)
porra, o pessoal gravou itamar assumpção... só por isso já me ganharia, mas as composições próprias são muito bacanas, com destaque para "não consigo", "ele me lê", "corte no pé", "me sara" e a divertidíssima "samba do blackberry". e caetano veloso, que gosta de falar de tudo, disse o seguinte em sua coluna n'o globo: "o tono é uma banda interessantíssima. vi alguns shows seus e ouvi seus discos. rafael cantando e tocando bateria é música em estado elevado. ana cláudia é especialmente adorável por ser a única cantora realmente cool (nos dois ou três sentidos) da geração. há brilho de variada gama por todos os lados, mas o canto liso e econômico de ana cláudia está sozinho. e é muito bonito que ela não seja a frontwoman da banda. sem ser a “cantora” que puxa a turma, mas sem tampouco ser uma backing vocal, ela é parte da instrumentação (e do espírito) desse grupo talentoso e delicado." e agora, pra encerrar, um video-faixa-bônus com a regravação de uma música pouco conhecida do novos baianos...
13. "você me dá um disco?" (moraes moreira, pepeu gomes e galvão)
quinta-feira, 3 de março de 2011
letra/música #22
roberto tadeu de sousa, mais conhecido como bebeto, suportou durante muito tempo o estigma de ser um imitador de jorge ben. claro que os frequentadores de bailes de samba rock, principalmente em são paulo na década de 1970, não concordavam nada com isso. e nova gerações que o tem descoberto nos últimos anos também não acreditam nessa história de "jorge ben genérico". bem, basta ouvir o primeiro disco do "rei dos bailes" para ver que de imitação ele não tem nada, mas que jorge é sim uma grande referência no balanço e nas letras surreais do paulistano. não tenho receio algum ao afirmar que bebeto (copacabana, 1975) é um dos grandes discos brasileiros de todos os tempos. onde mais é possível encontrar pedradas como "segura nega" (luis vagner e bebeto), "esse criolo por você se fez poeta" (wando) e "adão você pegou o barco furado" (bebeto)? mas separei outras duas maravilhas bebetísticas e suingantes desse disco para esse letra/música: "poderoso thor" e "morte da sandália de couro" (que tem citação direta ao jorge "charles anjo 45" ben).

poderoso thor
(bebeto)
foram 365 dias perdidos,
8760 horas sem valor
e depois de ter passado tanto tempo
acordei e vi o mundo de outra cor
e hoje eu lamento não ter quem me ensinou
levar a vida alegre a cantar e dar amor
pois quando eu errava ele vinha me falar
mostrar o que era certo, era assim meu velho avô
e lá se foi
como tudo que é bom passa depressa e ele passou também
deixando saudade
poderoso thor
filho de odin
com sua força encantada
me deu alegria demais
e sem querer feriu
o meu coração
pois você partiu
e eu me perdi
na evolução
desse mundo grande, mas me lembrarei do que você me ensinou
pense sempre no futuro
que a vida assim tem mais valor
pense sempre no futuro
que a vida assim tem mais valor
Bebeto - Poderoso Thor by dafnesampaio4
morte da sandália de couro
(bebeto)
sandália de couro morreu no samba
tamanco no samba não morre não
sandália de couro furou sambando
tamanco no samba não fura não
tamanco no samba nasceu malandro
sandália de couro não nasceu não!
no corpo a mente é mais forte
no jogo quem ganha é melhor
na luta quem perde é fraco
no samba tamanco é o bom
sandália de couro morreu no samba
(sandália de couro morreu no samba)
tamanco no samba não morre, não
(adeus, adeus sandália de couro)
sandália de couro furou sambando
(é... adeus sandália)
tamanco no samba não fura não
(tamanco no samba é madeira de lei!)
tamanco no samba nasceu malandro
(tamanco no samba veio do morro)
sandália de couro não nasceu não!
pois como já dizia nosso amigo charles
devagar também é pressa e o apressado come cru
anjo 45, protetor dos francos,
desceu o morro de tamanco e só volta amanhã.
sandália de couro morreu no samba
(adeus sandália de couro)
tamanco no samba não morre, não
(tamanco no samba é madeira de lei!)
Bebeto - Morte da Sandália de Couro by dafnesampaio4
p.s.: o disco de estreia de bebeto pode ser encontrado no blog arquivo do samba rock, mas o cara continua na ativa e ano passado, após seis anos afastado dos estúdios, lançou o bom prazer, eu sou bebeto (emi, 2010). mas relembrei do bebeto após ver ontem um video feito pelo alexandre matias na última terça com bruno morais cantando "morte da sandália de couro" e sendo acompanhado por bluebell, mauricio takara, guizado, maurício fleury e paulo beto.

poderoso thor
(bebeto)
foram 365 dias perdidos,
8760 horas sem valor
e depois de ter passado tanto tempo
acordei e vi o mundo de outra cor
e hoje eu lamento não ter quem me ensinou
levar a vida alegre a cantar e dar amor
pois quando eu errava ele vinha me falar
mostrar o que era certo, era assim meu velho avô
e lá se foi
como tudo que é bom passa depressa e ele passou também
deixando saudade
poderoso thor
filho de odin
com sua força encantada
me deu alegria demais
e sem querer feriu
o meu coração
pois você partiu
e eu me perdi
na evolução
desse mundo grande, mas me lembrarei do que você me ensinou
pense sempre no futuro
que a vida assim tem mais valor
pense sempre no futuro
que a vida assim tem mais valor
Bebeto - Poderoso Thor by dafnesampaio4
morte da sandália de couro
(bebeto)
sandália de couro morreu no samba
tamanco no samba não morre não
sandália de couro furou sambando
tamanco no samba não fura não
tamanco no samba nasceu malandro
sandália de couro não nasceu não!
no corpo a mente é mais forte
no jogo quem ganha é melhor
na luta quem perde é fraco
no samba tamanco é o bom
sandália de couro morreu no samba
(sandália de couro morreu no samba)
tamanco no samba não morre, não
(adeus, adeus sandália de couro)
sandália de couro furou sambando
(é... adeus sandália)
tamanco no samba não fura não
(tamanco no samba é madeira de lei!)
tamanco no samba nasceu malandro
(tamanco no samba veio do morro)
sandália de couro não nasceu não!
pois como já dizia nosso amigo charles
devagar também é pressa e o apressado come cru
anjo 45, protetor dos francos,
desceu o morro de tamanco e só volta amanhã.
sandália de couro morreu no samba
(adeus sandália de couro)
tamanco no samba não morre, não
(tamanco no samba é madeira de lei!)
Bebeto - Morte da Sandália de Couro by dafnesampaio4
p.s.: o disco de estreia de bebeto pode ser encontrado no blog arquivo do samba rock, mas o cara continua na ativa e ano passado, após seis anos afastado dos estúdios, lançou o bom prazer, eu sou bebeto (emi, 2010). mas relembrei do bebeto após ver ontem um video feito pelo alexandre matias na última terça com bruno morais cantando "morte da sandália de couro" e sendo acompanhado por bluebell, mauricio takara, guizado, maurício fleury e paulo beto.
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
cida "winehouse" moreira
pois então. o dj zé pedro criou, em parceria com a distribuidora tratore, o selo "jóia moderna", no qual dá vazão a toda sua paixão pelas vozes femininas brasileiras. de bate-pronto estão saindo quatro discos inéditos e surpreendentes. tem as voltas de silvia maria (ave rara) e zezé motta (cantando luiz melodia e jards macalé em negra melodia), o especial a voz da mulher na obra de taiguara (que tem participações de célia, luciana mello, evinha, vânia bastos, verônica ferriani, fafá de belém, etc.) e um novo disco de cida moreira (a dama indigna). ainda estou começando a ouví-los, mas o primeiro que escutei, o da cida moreira, já pegou bem. produzido pela própria cantora/atriz com thiago marques luiz, a dama indigna traz mais da "canção popular melodramática" que cida destila por aí apenas com voz e piano. entre um david bowie e um gershwin aqui, um caetano veloso e um chico buarque acolá, surge uma versão linda e fortemente teatral de "back to black", de amy winehouse. escuta só.
ah, olha só as capas do disco (também são vendidos separadamente).
p.s.: agradecimento a @valtersil que passou o mp3 pra mim.
ah, olha só as capas do disco (também são vendidos separadamente).
p.s.: agradecimento a @valtersil que passou o mp3 pra mim.terça-feira, 18 de janeiro de 2011
transversão #38
olha só, the cure foi uma das bandas que mais ouvi na vida, pelo menos entre 1986, quando saiu a extraordinária compilação de singles standing on a beach, e os primeiros anos da década de 1990. depois eu me perdi de robert smith & sua gangue ou eles se perderam, enfim, aí vai do ponto de vista de cada um. bem, mas um dos discos essenciais na discografia dos ingleses é o ultra-melancólico disintegration (fiction records, 1989), que trouxe ao mundo canções como "lullaby", "fascination street", "pictures of you" e a belíssima "lovesong". e não é que esta última acabou de ganhar uma excelente interpretação pela voz da jovem adele? é a décima faixa de seu segundo disco, 21 (xl recordins/columbia, 2011). detalhe: também inglesa, adele nasceu um ano antes do lançamento de disintegration.
e aqui, o clipe da "lovesong" do the cure.
e aqui, o clipe da "lovesong" do the cure.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
duke ellington, shawn lee e os clássicos
bem, duke ellington é deus por aqui e shawn lee é frequentador assíduo, mas nunca imaginei que fosse reuní-los em um post. a deixa foi o lançamento de hooked up classics (ubiquity, 2010), disco no qual o multiinstrumentista americano pega temas bem conhecidos de figuras como tchaikovsky, satie, wagner, ravel, strauss, grieg e prokofiev, e os joga em levadas dub, funky, surf music e por aí. disco divertidíssimo em um ano particularmente frutífero para shawn lee, que lançou outros dois - into the wind, em parceria com uma instrumentista chinesa (bei bei), e o soul pop sing a song -, além de ter participado em várias faixas de bad bad things, do francês blundetto. mas o hooked up do shawn lee me lembrou um disco delicioso de duke ellington, three suites (columbia, 1960), um dos poucos trabalhos em que o mestre trabalhou em cima de composições de outrem (no caso, tchaikovsky e grieg).
separei duas músicas que unem estes dois trabalhos. começando então com "dance of the sugar plum fairy", um dos temas mais conhecidos da suíte quebra-nozes (1892), de piotr tchaikovsky (1840-1893). primeiro, duke ellington, que até mudou o nome da música ("sugar rum cherry"), e depois shawn lee.
igualmente clássica, "in the hall of the mountain king" é uma das partes da suíte peer gynt (1876), que edvard grieg (1843-1907) compôs para a peça homônima de henrik ibsen (1828-1906). muitos anos depois, duke e shawn fizeram das suas...
separei duas músicas que unem estes dois trabalhos. começando então com "dance of the sugar plum fairy", um dos temas mais conhecidos da suíte quebra-nozes (1892), de piotr tchaikovsky (1840-1893). primeiro, duke ellington, que até mudou o nome da música ("sugar rum cherry"), e depois shawn lee.
igualmente clássica, "in the hall of the mountain king" é uma das partes da suíte peer gynt (1876), que edvard grieg (1843-1907) compôs para a peça homônima de henrik ibsen (1828-1906). muitos anos depois, duke e shawn fizeram das suas...
terça-feira, 26 de outubro de 2010
waldo squash, o fenômeno
chego na redação, ligo o computador e uma janela do messenger pula na minha cara: "paaaaaara tudo, parem as máquinas!". é o timpin, com sua habitual animação. e segue ele. "waldo squash superou todas as fronteiras da genialidade com seu novo single. quanto bati os olhos na tela e li o nome, pensei de cara - agora é que fudeu tudo!". waldo squash é um dj paraense de eletromelody que vem causando espécie com seus remixes venenosos (que geralmente misturam a batida tecnobrega com coisas latinas) e composições em parceria com maderito, o alucinado do brasil. os dois juntos formaram a gang do eletro e o resto é história. o novo single da gang se chama "tributo a carmen miranda" e tudo faz muito sentido. escuta só.
basta uma música como essa para saber que waldo squash não é um dj comum. tem técnica, humor, balanço e um tanto bom de invenção e inspiração. e como ele tem uma conta no 4shared com uma porrada de músicas para baixar gratuitamente já vinha ouvindo uma coisa ou outra, principalmente o hit "panamericano".
genial, simplesmente genial. mas me bateu uma curiosidade para saber de onde veio esse sampler da música e fui refazendo a história. achei primeiro "we no speak americano", sucesso recente em rádios mundo afora, que tem assinatura dos australianos do yolanda be cool. a música ganhou um clipe simpático em ritmo de comédia muda.
só que essa música também possui um sampler, amiguinhos e amiguinhas. e qual não foi minha surpresa quando soube que a original ("tu vuò fa' l'americano", 1956) é do grande renato carosone, que já esteve aqui com "mambo italiano".
o mundo dá voltas.
basta uma música como essa para saber que waldo squash não é um dj comum. tem técnica, humor, balanço e um tanto bom de invenção e inspiração. e como ele tem uma conta no 4shared com uma porrada de músicas para baixar gratuitamente já vinha ouvindo uma coisa ou outra, principalmente o hit "panamericano".
genial, simplesmente genial. mas me bateu uma curiosidade para saber de onde veio esse sampler da música e fui refazendo a história. achei primeiro "we no speak americano", sucesso recente em rádios mundo afora, que tem assinatura dos australianos do yolanda be cool. a música ganhou um clipe simpático em ritmo de comédia muda.
só que essa música também possui um sampler, amiguinhos e amiguinhas. e qual não foi minha surpresa quando soube que a original ("tu vuò fa' l'americano", 1956) é do grande renato carosone, que já esteve aqui com "mambo italiano".
o mundo dá voltas.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
nego dito forévis!
ou transversão #37
ou letra/música #19
essa é caixa preta, senhoras e senhores, a ansiosamente aguardada caixa preta de itamar assumpção (selo sesc sp, 2010). pra mim é o lançamento do ano, sem sombra de dúvida. não só porque reúne em nova edição todos os discos de itamar assumpção como solta ao mundo o desfecho da trilogia pretobrás (volumes 2 e 3). nascido em 1949 e morto precocemente em 2003, o paulista-paulistano ainda não teve sua obra devidamente reconhecida dentro do tal cânone da música popular brasileira. itamar ainda é prazer de poucos, ainda é "maldito", o que é coisa das mais injustas levando-se em conta o humor, a invenção e seu afiado e surpreendente sentido pop. essa caixa precisa se espalhar - talvez não fisicamente porque o preço pode assustar (150 paus, mas são 12 discos, e no site do sesc sai por 120 reais) -, porque a música do nego dito serve pra tudo, é como a vida. saudade.quem ganha mais é quem ouve, porque itamar já é, pode acreditar. e na caixa preta estão beleléu leléu eu (1980), às próprias custas s.a. (1982, o único disco ao vivo de itamar e que vem com uma faixa inédita, uma versão de "não vou ficar" do tim maia), sampa midnight - isso não vai ficar assim (1983), intercontinental - quem diria? era só o que faltava!!! (1988), bicho de sete cabeças vols. 1, 2 e 3 (1993), ataulfo alves por itamar assumpção - pra sempre agora (1996), pretobrás - porque que eu não pensei nisso antes? (1998) e o já póstumo vasconcelos e assumpção - isso vai dar repercussão (2004). tudo lindo. mas são discos que já ouvi de trás para frente, inúmeras e inúmeras vezes. agora, os inéditos pretobrás II - maldito, vírgula (2010) e pretobrás III - devia ser proibido (2010) trazem uma porrada de novidades e convidados em suas 29 faixas, além do próprio itamar em registros caseiros de voz e violão posteriormente arranjados pelos produtores beto villares (pretobrás II) e paulinho lepetit (pretobrás III). separei aqui alguns destaques desses dois discos e já começo com um transversão.
"todo esse tempo" é o nome dessa música e depois de ouví-la com itamar agora é a vez da versão acelerada e totalmente atual de bnegão. as duas estão no volume dois do pretobrás.
ainda em pretobrás II aparecem outros convidados. seu jorge canta "o tempo todo" e tenho certeza que itamar ficaria orgulhoso da versão desse outro grande artista da música negra brasileira.
e para encerrar os destaques desse volume, elza soares cantando "elza soares", música feita por itamar em sua homenagem. de arrepiar versos como "desde que me entendo por gente / eu sambo, eu faço o que gosto / my soul is black, meu sangue é quente / eu quando gosto, me enrosco", ainda mais com a emoção de elza no final.
já no pretobrás III ouvi algumas músicas que achei que nunca iria possuir registro em disco (já tinha ouvido e vibrado em shows). a divertida "pirex", por exemplo, ótimo exemplo das brincadeiras de itamar com a nossa língua (e que nessa versão traz participação de naná vasconcelos).
outra que já tinha ouvido em shows é "devia ser proibido" (itamar assumpção e alice ruiz). música de rachar o coração feita em homenagem ao poeta paulo leminski (marido de alice e amigo/parceiro de itamar). a letra acabou caindo como uma luva para a ausência de itamar porque "devia ser proibido / uma saudade tão má / de uma pessoa tão boa". participação de zélia duncan, uma das mais aguerridas divulgadoras do nego dito.
e pra encerrar, letra e música de "que tal o impossível", doce, amorosa e lírica, que me lembrou carolina de cara (ela é muito fã de itamar, o que me dá um baita orgulho, porque fui eu que apresentei). cante junto e tente não se emocionar. tente não pensar nela/nele.
que tal o impossível
(itamar assumpção)
que tal se nós dois vivêssemos
do jeito que nós quiséssemos
sem nada que aborrecesse-nos
que tal se tudo tivéssemos
que tal se realizássemos
aquilo que nós sonhássemos
maçãs macias comêssemos
que tal se nós nos beijássemos
que tal se nós dois dormíssemos
olho no olho acordássemos
que tal se nós felicíssimos
que tal se nós dois voássemos
que tal se nós dois pudéssemos
aquilo que desejássemos
que tal se nós dois cantássemos
tocassemos e nós dois mesmos dançássemos
que tal se nós dois partíssemos
que tal se a sós ficássemos
que tal se ao máximo amássemos
que tal se no céu morássemos
que tal
que tal o impossível
que tal
que tal o impossível
foto de 1998, em casa de alzira espíndola, época da gravação do pretobrás; foi durante a única entrevista que fiz dele e que está lá no gafieiras
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