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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

yahoo #15

não imaginaria que "meu fraco é subcelebridade" fosse ter a repercussão que teve e se tornasse a mais lida dos meus textos até agora no yahoo (e um dos mais do próprio site, categoria colunas, claro). segundo michel blanco foram mais de 350 mil cliques, muitos cliques. pena que um erro de avaliação meu tirasse o foco do texto para muitos leitores. quando coloquei ronaldo fenômeno numa lista imaginária pensei em um nome de alguém que gostasse, mas que na atual circunstância (fora dos gramados de futebol, no caso) poderia ser tratado como uma mulher melão qualquer pelos grandes portais e revistas de fofoca. só que como não expliquei esse meu raciocínio as pessoas ficaram chocadas com esse rótulo de subcelebridade dado a ele ("por mim") e sairam me xingando de subjornalista pra baixo. devia ter colocado minha primeira opção, o eri johnson. ou não.

no mais, o ultrapop agora virou blog no yahoo e desde já contará com os meus textos dividindo espaço com os colegas dudu tsuda e pedro alexandre sanches. já no ar, e no novo endereço, "ajoelhou tem que dançar".


MEU FRACO É SUBCELEBRIDADE


Não consigo me conter. Basta olhar uma chamada com as palavras Nana Gouvêa & praia ou ex-ídolo em reabilitação ou ainda algo relacionado a qualquer ex-BBB que vou lá e me jogo. Já nem sinto mais culpa. Mas é claro que vou arrumando jeitos de explicar esse, digamos assim, desvio. Dou uma maquiada, enfeito com um monte de palavras. No fundo sei que é papo furado.

Mas é que às vezes sinto que subcelebridade é como aquele tio que você achava engraçadão na infância e quando o reencontra enquanto adulto sente um pouco de pena. Lá está ele repetindo a mesma piada há décadas. E ele sabe que a piada não funciona mais. E continua mesmo assim. Só que junto com a pena vem também um carinho, um respeito por aquela figura que te divertiu no passado. Pode substituir o tio por uma tia/prima bonitona ou qualquer outra combinação familiar possível. Subcelebridade pra mim é isso.

Mas Nana Gouvêa e Nicole Bahls não são minhas primas. Ronaldo Fenômeno não é meu tio. Priscila e Fani não estavam na mesma classe que eu no ensino fundamental. Na verdade, esses e inúmeros outros exemplos são meras engrenagens de uma máquina voraz e enigmática que produz notícias sobre nada. E o mais curioso é que subcelebridades não pagam nada para estar, diariamente, em todos os principais portais de notícias da internet brasileira. Elas estão lá por uma conspiração cósmica que une certo jornalismo de resultados (cada pageview, um flash) a um bando de gente com sede eterna para fofocas.


O que algumas dessas pessoas que buscam fama a qualquer custo não percebem – e isso vale também para famosos autodestrutivos como Amy Winehouse – é que grande parte de quem as consome gostaria mesmo de vê-las na pior, cada vez na pior. Até mortas, talvez.

Afinal, tem muito de crueldade em se alimentar esperanças de fama em corações despreparados. Mais cruel ainda é quando essas pessoas alcançam certa popularidade, porque quando ela acaba – e ela sempre acaba rápido – a diversão aumenta exponencialmente. Acompanhar um ex-BBB em sua maratona de humilhações e tiros n’água é um jeito moderno e menos sangrento de jogar escravos aos leões. À salvo do outro lado da telinha do computador, o “fã” vibra e clama por sangue. Eu não faço parte dessa torcida e quando acompanho o mundo de fofocas é na esperança de ver comportamentos surreais, cenas nonsense, bagunça, qualquer coisa que me faça rir ou que gere coisas sensacionais como o blog Ego Estagiário.

A humanidade é uma coisa complexa e fascinante e se existem pessoas que desejam a morte das outras em caixas de comentários também é verdade que nos deparamos com outras que fazem strip-tease ao som de Kátia Cega ou fazem jornalismo denúncia sobre drogas usando batata baroa no lugar de crack (caso do impagável professor Germano Borges, da tranquila e capixaba Guarapari). Ou ainda como Roberto Leal que fingiu tão bem que estava sob efeito de LSD no programa português Último a Sair que muita gente acreditou. Exatamente como um tio que mesmo após ter se curado do alcoolismo continuava fingindo estar bêbado nas festas familiares. Era assim que todos o conheciam e, curiosamente, o amavam.

terça-feira, 19 de julho de 2011

é verdade, podiscrê

via fuck yeah dementia. só podia.

p.s.: e acabei colocando essa imagem no blog só de birra, afinal o censurador bunda mole do facebook não permitiu (disse que era conteúdo previamente sinalizado como abusivo ou algo assim).

quarta-feira, 29 de junho de 2011

o jazz em guiné

a guiné foi colônia francesa até 1958, quando conseguiu sua independência sob a liderança do ditador ahmed sékou touré. apenas três anos depois nasceu, na capital conakry, a bembeya jazz national, uma das mais conhecidas e bem sucedidas big bands da costa oeste da áfrica durante as décadas de 1960 e 70 (e olha que a competição na região é acirrada, afinal a guiné é vizinha de países muito ricos musicalmente, tais como nigéria, benin, costa do marfim e cabo verde). sob o comando do extraordinário guitarrista sekou diabate, a bembeya lançou discos da pesada - um deles é regard sur le passe, de 1968 - com sua mistura de jazz, afropop e ritmos tradicionais. conheci esse pessoal no global groove e logo fui baixando o que aparecesse pela frente, mas um tempo depois, no site radio africa, achei uns videos sensacionais com o pessoal quebrando tudo em 1979.







pena que no global groove não dê para encontrar os discos de um artista. por outro lado o holandês dono do blog fez uma marcação por gêneros, ritmos e países. o que tem de guiné, por exemplo, está aqui.

domingo, 15 de maio de 2011

domingueira analógica

por causa dos dinamarqueses do analogik, mais uma descoberta via blog do nirso. o sexteto faz aquela mistura multicultural - e não podia ser diferente, né? afinal, qual a música da dinamarca? - com balcãs, cumbia digital, rock, jazz, sonoridades ciganas, eletrônica, etc. possuem dois discos, søens folk (2006) e klunserbeats live (2008), e um ep, a great mix (2011), com algumas inéditas junto com remixes de figuras como o argentino el remolón (lá no nirso tem todos os discos para download). ainda não ouvi os discos inteiros, mas aqui vai um ótimo aperitivo dominical: "the beat", que é a faixa que dá início aos trabalhos do disco klunserbeats.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

podem lhe chamar de afrofuturista

você nunca imaginaria (e eu também, confesso) que a clássica "she's lost control" do joy division pudesse ser transformada em um pancadão sombrio dessa maneira. cortesia do sulafricano spoek mathambo, rapper, dj, ilustrador e designer gráfico de 25 anos.



e esse clipe sensacional foi dirigido pela dupla pieter hugo e michael cleary. descobri esse clipe/faixa, retirada do disco de estreia do rapaz mshini wam (bbe, 2010), no blog matsuli music.

atualização em 17 de maio: finalmente consegui ouvir a estreia de spoek e o disco é muito bom, cheio de outras canções poderosas (e videos idem) como "mshini wam" e "don't mean to be rude". saca só.





quinta-feira, 3 de março de 2011

letra/música #22

roberto tadeu de sousa, mais conhecido como bebeto, suportou durante muito tempo o estigma de ser um imitador de jorge ben. claro que os frequentadores de bailes de samba rock, principalmente em são paulo na década de 1970, não concordavam nada com isso. e nova gerações que o tem descoberto nos últimos anos também não acreditam nessa história de "jorge ben genérico". bem, basta ouvir o primeiro disco do "rei dos bailes" para ver que de imitação ele não tem nada, mas que jorge é sim uma grande referência no balanço e nas letras surreais do paulistano. não tenho receio algum ao afirmar que bebeto (copacabana, 1975) é um dos grandes discos brasileiros de todos os tempos. onde mais é possível encontrar pedradas como "segura nega" (luis vagner e bebeto), "esse criolo por você se fez poeta" (wando) e "adão você pegou o barco furado" (bebeto)? mas separei outras duas maravilhas bebetísticas e suingantes desse disco para esse letra/música: "poderoso thor" e "morte da sandália de couro" (que tem citação direta ao jorge "charles anjo 45" ben).


poderoso thor
(bebeto)

foram 365 dias perdidos,
8760 horas sem valor
e depois de ter passado tanto tempo
acordei e vi o mundo de outra cor
e hoje eu lamento não ter quem me ensinou
levar a vida alegre a cantar e dar amor
pois quando eu errava ele vinha me falar
mostrar o que era certo, era assim meu velho avô

e lá se foi
como tudo que é bom passa depressa e ele passou também
deixando saudade
poderoso thor
filho de odin
com sua força encantada
me deu alegria demais
e sem querer feriu
o meu coração
pois você partiu
e eu me perdi
na evolução
desse mundo grande, mas me lembrarei do que você me ensinou

pense sempre no futuro
que a vida assim tem mais valor
pense sempre no futuro
que a vida assim tem mais valor

Bebeto - Poderoso Thor by dafnesampaio4

morte da sandália de couro
(bebeto)

sandália de couro morreu no samba
tamanco no samba não morre não
sandália de couro furou sambando
tamanco no samba não fura não

tamanco no samba nasceu malandro
sandália de couro não nasceu não!

no corpo a mente é mais forte
no jogo quem ganha é melhor
na luta quem perde é fraco
no samba tamanco é o bom

sandália de couro morreu no samba
(sandália de couro morreu no samba)
tamanco no samba não morre, não
(adeus, adeus sandália de couro)
sandália de couro furou sambando
(é... adeus sandália)
tamanco no samba não fura não
(tamanco no samba é madeira de lei!)
tamanco no samba nasceu malandro
(tamanco no samba veio do morro)
sandália de couro não nasceu não!

pois como já dizia nosso amigo charles
devagar também é pressa e o apressado come cru
anjo 45, protetor dos francos,
desceu o morro de tamanco e só volta amanhã.

sandália de couro morreu no samba
(adeus sandália de couro)
tamanco no samba não morre, não
(tamanco no samba é madeira de lei!)

Bebeto - Morte da Sandália de Couro by dafnesampaio4

p.s.: o disco de estreia de bebeto pode ser encontrado no blog arquivo do samba rock, mas o cara continua na ativa e ano passado, após seis anos afastado dos estúdios, lançou o bom prazer, eu sou bebeto (emi, 2010). mas relembrei do bebeto após ver ontem um video feito pelo alexandre matias na última terça com bruno morais cantando "morte da sandália de couro" e sendo acompanhado por bluebell, mauricio takara, guizado, maurício fleury e paulo beto.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

não vacila, curumin

após algumas colaborações com o músico americano e skatista lendário tommy guerrero, o paulistano curumin emplacou uma faixa em português no novíssimo disco de shawn lee's ping pong orchestra. multiinstrumentista que não para (ano passado lançou três discos) e nem deixa a peteca cair, shawn lee vem agora de world of funk (ubiquity, 2011), discaço com muito funk, orientalismos, latinidades, soul e o nosso curumin mandando ver na faixa "não vacila". escuta só.

Shawn Lee & Curumin - Não Vacila by dafnesampaio4

e o resto do disco - que ainda tem participações de figurões como clutchy hopkins e michael leonhart - pode ser achado no ótimo blog afrofunkybrassjazz. clique aí na imagem e boa viagem.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

quebrando paradigmas na rede

se você ainda não conhece lucas celebridade, o clamor luzilandense, precisa rapidamente tirar o atraso. figuraça de 25 anos nascido na piauiense luzilândia, lucas brito é radialista, cantor, ator, professor, mestre de cerimônias de eventos, enfim, "um furacão revelado pela comunicação". o seu blog serve como uma espécie de coluna social da cidade e é uma diversão sem fim, mas o bicho pega mesmo nos ensaios sensuais.

muito ativo na internet, lucas quer porque quer participar de um reality show do tipo big brother brasil ou a fazenda e usa seu twitter @lucasfamapop para fazer campanha pesada (e tem mais de 10 mil seguidores, o que é um número bastante relevante). quer dizer, ele quer essa fama midiática para fazer seja lá o que for, e deixa isso muito claro, não finge ser quem não é. mas acho que o mais bacana e divertido sobre lucas é que ele sabe muito bem usar as redes sociais, mesmo que muitas pessoas que o seguem o façam pelo pitoresco. sua última cartada foi entrar no mundo dos vlogueiros (esse pessoal que faz "postagens" em video) e a estreia é retumbante, com direito ao seu quarto com vista para a rodoviária. dá até pena desses vlogueiros - ô nome feio da porra - que ficam falando de assuntos banais do mundo pop. vida real, a gente se encontra em lucas celebridade.



"porque o twitter está aí: eu tuíto meu almoço, tuíto se vou cagar, se vou mijar, se vou fazer qualquer coisa. é pra quebrar paradigmas? então vamos. chega de clichês!"

precisa mais?

teje preso!
(foto do ensaio feito para o blog não salvo)

domingo, 18 de julho de 2010

domingueira

não sabia da existência do little dragon até uns dias atrás quando conheci o blog nacht musik. formado na cidade sueca de gothenburg, o grupo é um quarteto com yukimi nagano (voz e percussão), håkan wirenstrand (teclados), fredrik källgren wallin (bass) e erik bodin (drums), e o som é uma mistura interessante de pop, eletrônico, rock e outras bossas e milongas. o pessoal tem dois discos nas costas: o de estreia, little dragon (peacefrog records, 2007), ainda não ouvi, mas o segundo, machine dreams (peacefrog records, 2009), é bem bom.



além dessa melancólica "feather", machine dreams traz outras músicas ótimas, e um tanto mais animadas, como "runabout" e "swimming". vale também destacar "my step" e "fortune".



na pesquisa para saber mais sobre o pessoal descobri que, além de participações em projetos de conterrâneos como josé gonzález e koop, o little dragon esteve recentemente em duas faixas de plastic beach (parlophone/virgin, 2010), o mais recente trabalho do gorillaz. ouvi esse disco muitas vezes, mas "empire ants" e "to binge", as músicas que yukimi canta, não me chamaram particularmente atenção e o cruzamento de informações não se fez. ouvirei novamente, com atenção renovada.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

as cores de um diamante

já tem um tempo que corre pela internet uma versão demo do primeiro trabalho do projeto almaz (que significa diamante em russo). não sei se o nome oficial será almaz ou seu jorge & almaz, mas é certo que o encontro de seu jorge, lúcio maia, antônio pinto e pupillo está entre as boas notícias do ano. a princípio, o quarteto se reuniu para gravar uma versão de "juízo final" (nelson cavaquinho e élcio soares) para a trilha de linha de passe (2008), de walter salles e daniela thomas. no estúdio, uma música virou duas, três, quatro e um repertório foi nascendo com tim maia ("cristina"), kraftwerk ("the model"), martinho da vila ("cirandar"), michael jackson ("rock with you"), jorge ben ("errare humanum est"), noriel vilela ("saudosa bahia") e roy ayers ("everybody loves the sunshine"), entre outras.

pelo que dá pra ouvir nas versões demo, o disco é de encher os ouvidos, cheio de climas e grooves. mas segundo informações da jornalista patricia palumbo, o lp e cd duplo só tem previsão de lançamento no exterior (shows? também só lá fora) e assim, novamente, acontece o mesmo que ocorreu com o sonantes (céu, rica amabis, gui amabis, pupillo e dengue), que lançou um disco fudidaço em 2008 e que nunca ganhou versão nacional. enquanto isso não acontece, a gente torce e acompanha (e ouve mesmo assim). escolhi três entre as doze que já estão por aí, começando com altemar dutra e depois partindo para roy ayers e tim maia. só belezura.







atualização em 24 de setembro: no youtube já existem vários trechos de shows do projeto mundo afora, mas tem essa ótima entrevista feita com seu jorge em chicago.



e na sequência, a gravação de algumas parte da bateria do pupillo para a música "cristina", com a presença no estúdio dos produtores mário caldato jr, beto villares e missionário zé.




atualização em 14 de dezembro: o diretor (e ator) hindu-americano kahlil joseph fez dois curtas, filmados nos estados unidos, inspirados nesse trabalho de seu jorge & almaz (e com a participação dos próprios). climão e coisa e tal.



terça-feira, 18 de maio de 2010

aí ponho meus pés na cara, sabe?

as pessoas não se dão conta, mas os musicais podem ser mais perturbadores do que muita coisa que se vê por aí. olha só esse exemplo. o número logo abaixo é um trecho do filme broadway rhythm (1944), musical dirigido pelo faz-tudo roy del ruth pra mgm naquele esquema de teatro de revista. aí entram as ross sisters: cantoras, malabaristas e contorcionistas nascidas no texas durante a segunda metade da década de 1920. as irmãs aggie ross, elmira ross e maggie ross (cujos nomes verdadeiros, acredite-se quiser na wikipedia, são veda victoria, dixie jewel e betsy ann ross) cantam em afinado uníssono a infantil e bucólica "solid potato salad". mas logo a letra é esquecida e as três passam a se contorcer como se não houvesse amanhã. p.s.: o número musical começa no 1.27.



vi lá no blog quase pouco de quase tudo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

letra/música #15

ah, hellcife. foi de lá que saiu recife lo-fi vol. 1 (independente, 2010), coletânea de artistas novos e semi-novos que foi lançado em fevereiro. idealizada pelo músico zeca viana, o disco virtual é uma parceria recife rock, coquetel molotov, trama virtual, revista o grito e agência alavanca. agora, é uma coletânea e sendo assim é irregular. natural. tem coisas interessantes de lulina e júlia says, nomes já conhecidos, e também de gente como bruno souto, rama, d mingus e ex-exus. mas nenhuma bate jalu maranhão e "só nietzsche explica (acadêmico frustrado)", tecnobrega de letra debochadamente erudita. não vou negar, lembrou meu tempo de faculdade nas ciências sociais da usp. clicando na imagem abaixo tem link para baixar o disco.

só nietzsche explica (acadêmico frustrado)
(jalu maranhão, mas não consegui nenhuma confirmação sobre a autoria da música, portanto qualquer ajuda é bemvinda)

sou um acadêmico frustrado
que queria ter a vida de artista
um pós-moderno sequelado
essa injustiça cultural só nietzsche explica

componho sonhos, vendo a prazo
mas o real me vem e cobra, é à vista
tem que existir um resultado
arrumo a trouxa e lavo a roupa no analista

já tentei rené descartes
tentei o lévi-strauss
tentei até o paulo coelho

já tentei santo agostinho
tentei henri wallon
mas nada disso dá dinheiro

tentei sigmundo freud
tentei o lévinas
já tentei ser gustave flaubert

já tentei o karl jung
hipnose com o braüer
nada disso dá mulher

sou um acadêmico frustrado
que queria ter a vida de artista
um pós-moderno sequelado
essa injustiça cultural só nietzsche explica

componho sonhos, vendo a prazo
mas o real me vem e cobra, é à vista
tem que existir um resultado
arrumo a trouxa e lavo a roupa no analista

já tentei ser o karl marx
em protesto estudantil
pras gatinhas de história

já tentei henry thoreau
pra não ser um bom civil
mas nada disso me dá glória

já tentei ser fukuyama
tentei ser adam smith
para entrar na burguesia

já tentei ser bom selvagem
como pregava rousseau
mas nada disso alivia

eu quero mesmo é ser artista
compor feito rimbaud
e encantar o mundo inteiro

ser em banda ou ser solista
cantar feito john lennon
e ganhar muito dinheiro

eu quero ser como joão bosco
pra comprar com o violão
a estadia no cabaret

quero ser a cássia eller
quero ser como a bethânia
pra não me faltar mulher

eu quero ser elis regina
quero ser a rita lee
eu quero ser esta fusão

quero ter a minha glória
quero ver minha memória
bem escrita num refrão

sou um acadêmico frustrado
que queria ter a vida de artista
um pós-moderno sequelado
essa injustiça cultural só nietzsche explica

componho sonhos, vendo a prazo
mas o real me vem e cobra, é à vista
tem que existir um resultado
arrumo a trouxa e lavo a roupa no analista


jalu maranhão - só nietzsche explica (acadêmico frustrado) by dafne47

p.s.: essa música tem uma gravação anterior, igualmente sensacional, assinada pelos míticos the playboys no disco
chega de niilismo (independente, 2008). tem lá no blog discoteca nacional.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

fala mulatu

isso mesmo, o homem, a lenda, o cara, ou simplesmente mulatu astatke. um ano depois do maravilhoso disco em parceria com os heliocentrics (inspiration information vol. 3, strut records, 2009), o jazzista etíope retorna com um novo disco solo, mulatu steps ahead (strut records, 2010), e fala sobre o novo trabalho nesse excelente video. vi lá no radiola urbana.



gostei bastante do
steps ahead, mas o inspiration information é imbatível, ainda acho que é um dos melhores discos que já ouvi na vida. vai saber. no mais, clicando aí na capa do disco novo do mulatu você será direcionado ao original pinheiros style, um dos blogs preferidos da casa.

terça-feira, 30 de março de 2010

seu corpo é um campo de batalha

tá agitado o negócio aqui, heim? é que simplesmente não pude deixar pra amanhã. assunto: erykah badu e clipe fodão da música "window seat", o primeiro a sair de seu mais recente disco, new amerykah, part 2 - return of the ankh (universal motown, 2010). ela, que é texana de dallas, fez o clipe nas ruas de sua cidade natal em um único plano sequência. de tempos em tempos tira uma peça de roupa e no final, próximo de onde john kennedy foi assassinado, está toda nua e também é alvejada. foda. em matéria no new york daily news, erykah disse que estava mais preocupada com o possível aparecimento de policiais do que com a própria nudez. disse também que o clipe é uma declaração contra o "pensamento de grupo" (groupthink), no qual o pensamento independente é deixado de lado pela busca de uma coesão coletiva e confortável (acertei, psicólogos/sociólogos de passagem?).



o mais curioso é que fiquei sabendo do clipe, sem saber que era de erykah, pelo twitter do jornalista gabriel priolli (tv cultura) que disse assim: "cantora grava clipe tirando a roupa no local onde mataram john kennedy. apelação não tem pátria nem limite". o que mostra que 1) não sabe nada de erykah badu, que de mulher hortifrutigranjeira não tem nada e 2) não entendeu uma vírgula do clipe. ah, o myspace da moça é aqui e o clipe que serviu de inspiração para "window seat" é do matt & kim e se chama "lessons learned" (valeu bettoni).

p.s. 1: e vi lá no blog do kibe uma entrevista de erykah para o wall street journal.



p.s. 2 (do dia 11 de agosto): "window seat" ganhou uma nova versão, com participação do rapper rick ross, e um novo clipe. via @sheilaspago.

sexta-feira, 26 de março de 2010

enquanto isso em parajuru, ceará

documentário extremamente necessário que vi lá no URBe. dirigido por josé huerta, uma semana em parajuru trata do conflito cheio de arestas entre os moradores/pescadores de uma vila no ceará com empreendedores estrangeiros que desejam construir um complexo hoteleiro e vem angariando apoiadores locais em troca de promessas de cursos profissionalizantes e trabalho. claro que nada é assim tão fácil e a história envolve ainda questões ambientais, afirmação cultural local e até, após o filme ser produzido, ameaças e processos contra josé huerta.


Uma semana em Parajuru
Enviado por josehuerta

já passei algumas (poucas) vezes em parajuru, que fica a uns 100 km sentido leste de fortaleza, e que é uma das muitas praias do município de beberibe, terra da família de minha mãe. outra praia famosa de lá é morro branco, a tal praia das garrafas de areia colorida. claro que essa história de parajuru é só mais uma entre todos os absurdos que vem acontecendo na costa brasileira, de norte a sul. ocupação indevida é pouco, meus caros.

e o bruno natal, lá no URBe (link direto para o post) entrevistou josé huerta - que é espanhol, mora na frança, e é casado com um brasileira - e conseguiu mais informações sobre o início do projeto e os desdobramentos atuais. sobre o início, huerta diz que "a idéia do filme surgiu em 2007, após um estada de um mês em parajuru. achei interessante fazer um retrato do vilarejo, que estava vivendo uma mutação econômica, social e cultural. não tinha a menor idéia do que descobri depois com a fala dos entrevistados. foi durante as rodagem, as pesquisa e as entrevistas do povo de parajuru que percebi que tinha alguma coisa de errada ali". o empreendimento gringo (austríaco, para ser mais exato) se chama paraiso do sol beach resort, mas achei também um tal de sozialprojekt parajuru, que não sei se é o tal desdobramento social do resort. no mais, a vagalume productions, produtora de huerta, criou um site para uma campanha de apoio ao filme uma semana em parajuru. dêem um pulo lá, olhos abertos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

são paulo dubstyle

documentário sobre a cena de reggae, dub e ska de são paulo, com depoimentos do pessoal do firebug, victor rice e outros tantos.



via vinicius alves (@ostresmacacos) que também tem blog.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

letra/música #13

exatamente um mês atrás ouvi uma coletânea que me deixou de cara, de queixo caído, assombrado mesmo de tão sensacional quanto verdadeira. foi no blog mundo estranho de pb, do músico paulo beto (ou anvil fx), que me deparei com amargurado, triste e sozinho - uma amostragem nua e crua da psicoperiferia, um catadão de compactos produzidos na década de 1980 por compositores esquecidos e radicados em são paulo, quase todos genéricos de célebres artistas populares dos anos 1970 (tipo odair josé, waldick soriano, etc). tem um luiz heleno e sua "anticoncepcionais", o vesgo catuí e suas "prostituta heroína" e "empregada doméstica", e ainda edval rafael, japecanga, gesildo calixto e o sensacional geraldão da colina, autor de "coquetel no céu" e "passat", música escolhida pra essa edição do letra/música. saca só o tipo...

passat
(geraldão da colina)

cortei o pau
eu mesmo fiz a gamela
eu pintei a casinha branca pra ela
cortei o pau
eu mesmo fiz a gamela
eu pintei a casinha branca pra ela

no mês de agosto,
sabe o que me aconteceu?
o acontecimento foi o que me entristeceu

o cravo branco botei na cabeça dela
veio o passat, lá do rio, e levou ela
o cravo branco botei na cabeça dela
veio o passat, lá do rio, e levou ela

carro veloz derrubou a gameleira
no caminho, quando eu vi, era só poeira
carro veloz derrubou a gameleira
no caminho, quando eu vi, era só poeira

quando eu cheguei, as criança contou tudo
foi um passat que trazia um cabeludo
quando eu cheguei, as criança contou tudo
foi um passat que trazia um cabeludo

Geraldão da Colina - Passat by dafnesampaio

p.s.: toda a história da criação de coletânea e o respectivo e imperdível link para download estão lá no mundo estranho de pb.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

são paulo de muitos

São Paulo de muitos from ciadefoto on Vimeo

projeto da cia. de foto que chamou um bando de fotógrafos (230!), profissionais e amadores, para reunir imagens sobre são paulo e suas várias caras e cores. ficou lindão, saiu na revista da folha de ontem, ganhou endereço próprio e contribui com essa aqui.

expressionismo no viaduto santa ifigênia