Mostrando postagens com marcador síntese. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador síntese. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de dezembro de 2016

50 + 50 discos brasileiros de 2016

já rolaram spoilers de alguns dos melhores discos brasileiros do ano na lista de músicas, então começo a falar desses destaques pessoais dentro da lista de 50 discos. trabalhos poderosos como o segundo do BaianaSystem [Duas Cidades] e o terceiro do Metá Metá [MM3], cheios de raivas e balanços, dubs e punks, música negra brasileira da maior qualidade. ou então os tropicalismos femininos de Céu [Tropix] e Iara Rennó [o duplo Arco e Flecha], docemente antropofágicas.  ou ainda a espiritualidade barroca e periférica do rapper Síntese [Trilha Para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem].

BaianaSystem e Metá Metá

mas talvez os discos mais completamente bonitos de 2016 sejam, infelizmente e/ou surpreendentemente, póstumos. Sabotage é uma sequência de porradas habilmente costuradas durante muitos anos pelo produtor Daniel Ganjaman [e seus parceiros do Instituto] sobre gravações inacabadas deixadas pelo rapper paulistano morto em 2003. é impressionante, quase assustador, a constante atualidade de Sabotage, suas letras, seu som e, acima de tudo, seu fraseado [flow]. o outro póstumo é Ascensão, de Serena Assumpção [a filha mais velha de Itamar morreu em março deste ano, aos 39 anos], um belíssimo “mapeamento” musical das divindades do candomblé.  nesses dois discos profundamente afrobrasileiros, muitos convidados – um belo punhado do melhor da atual música popular – homenageiam dois artistas que foram embora cedo demais.

Sabota e Serena #DEP

mais minas – entre estes 50 discos, outras mulheres deram suas caras. podem ser mais políticas como Aíla [Em Cada Verso Um Contra Ataque, disco bonito com produção de Lucas Santtana], Lay [199129], Ju Dorotea [Sincronia] e MC Carol [Bandida]. podem também ser mais afetivas como Dona Onete [Banzeiro], Héloa [Eu], Kika [Navegante], Luisa Maita [O Fio da Memória] e Mahmundi [Mahmundi]. ou podem ficar no meio desses caminhos como Tássia Reis [Outra Esfera]. todas muito no controle de suas vontades, sonoridades e falas.

mais manos – o rap já apareceu aqui com Sabotage, Síntese, Lay, Ju Dorotea, MC Carol e Tássia Reis, mas tem muito mais versos rimados entre os 50 melhores discos de 2016. tem a atualização do primeiro disco de Criolo [Ainda Há Tempo], o segundo solo de Dexter [Flor de Lôtus] e o primeiro solo de Mano Brown [e mesmo que Boogie Naipe seja um tanto quanto longo e irregular é também muito interessante por mostrar outras facetas do maior rapper brasileiro de todos os tempos]. tem ainda a juventude de Rico Dalasam [Orgunga], Jamés Ventura [Jahbless Ventura], Nego E [Oceano], Rael [Coisas do Meu Imaginário], Rashid [A Coragem da Luz], do coletivo D.D.H [Direto do Hospício] e de MC Guimê [Sou Filho da Lua].

cantautores – em tempos passados, a turma seguinte seria rotulada como mpb, mas sabemos que ‘mpb is no more’ [ou é limitada demais para descrever o que é feito nos últimos tempos, mesmo por veteranos]. tem samba sujo paulistano via Douglas Germano [Golpe de Vista], ópera rock caipira de Meno [Barriga de 7 Janta], as psicodelias folk de Tatá Aeroplano [Step Psicodélico] e Gustavo Galo [Sol], as digressões do mestre Tom Zé [Canções Eróticas de Ninar], a primeira experiência de intérprete do Romulo Fróes [Rei Vadio é sobre Nelson Cavaquinho], o rock pós-brega de Bruno Souto [Forte], os afoxés pops de Wado [Ivete], as pesquisas amazônico-caribenhas de Félix Robatto [Belemgue Banger], o indie solar de Beto Méjia [Kaningawa], a poesia paulistana de Felipe Antunes [Lâmina], os pontos de bossa de Álvaro Lancellotti [Canto de Marajó] e surpreendente estreia de Fióti [Gente Bonita] com um disco pop de sambas, balanço, djavaneios e reggae.

grupos, bandas e vice-versa – se BaianaSystem e Metá Metá encabeçam a lista com seus trabalhos coletivos, outras formações seguem mostrando que não vieram a passeio:  o trio O Terno ganhou metais em seu terceiro disco, Melhor Do Que Parece, e amadureceu sua mistura de vanguarda paulistana com Beach Boys; o brega caribenho da Academia da Berlinda [Nada Sem Ela] é diversão garantida para todas as estações; o carnaval paulistano de rua também é fortemente autoral com A Espetacular Charanga do França [O Último Carnaval de Nossas Vidas]; a Abayomy Afrobeat Orquestra cria novas pontes entre África e Brasil em Abra Sua Cabeça; e Saulo Duarte e A Unidade [Cine Ruptura, produção de Curumin] mergulha em desesperos e esperanças em disco cheio de misturas.

instrumentais – nessa grande lista tem espaço também pra longa tradição do instrumental brasileiro, tanto com o inquieto veterano João Donato [Donato Elétrico] quanto com o jovem estudioso Vitor Araújo [Levaguiã Terê], mas também no encontro de gerações/escolas de Paulo Santos [ex-Uakti] com a banda Hurtmold [Curado], na segunda aula de história e música da Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz [A Saga da Travessia] e no retorno grandioso de Arthur Verocai [No Voo do Urubu possui algumas faixas cantadas e que interessante que nelas participem, por exemplo, Mano Brown e Criolo].

p.s.: vale mencionar que Daniel Ganjaman segue como um dos melhores produtores da atualidade e desses 50 discos de 2016, 5 tem dedos dele [BaianaSystem, Sabotage, Síntese, Criolo e Rael].


sem mais, os 50 discos brasileiros de 2016 segundo o gosto da casa.

A Espetacular Charanga do França - O Último Carnaval de Nossas Vidas
Abayomy Afrobeat Orquestra - Abra Sua Cabeça
Academia da Berlinda - Nada Sem Ela
Álvaro Lancellotti - Canto de Marajó
Arthur Verocai - No Voo do Urubu
BaianaSystem - Duas Cidades
Beto Méjia - Wahyoob
Bruno Souto - Forte
Céu - Tropix
Criolo - Ainda Há Tempo
D.D.H. - Direto do Hospício EP
Dexter - Flor de Lótus
Dona Onete - Banzeiro
Douglas Germano - Golpe de Vista
Felipe Antunes - Lâmina
Felix Robatto - Belemgue Banguer
Fióti - Gente Bonita EP
Gustavo Galo - Sol
Héloa - Eu
Hurtmold & Paulo Santos - Curado
Iara Rennó - Arco & Flecha
Jamés Ventura - Jahbless Ventura
João Donato - Donato Elétrico
Ju Dorotea - Sincronia EP
Kika - Navegante
Lay - 129129 EP
Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - A Saga da Travessia
Luisa Maita - O Fio da Memória
Mahmundi - Mahmundi
Mano Brown - Boogie Naipe
MC Carol - Bandida
MC Guimê - Sou Filho da Lua
Metá Metá - MM3
Nego E - Oceano
Rashid - A Coragem da Luz
Rico Dalasam - Orgunga
Romulo Fróes - Rei Vadio
Sabotage - Sabotage
Saulo Duarte e A Unidade - Cine Ruptura
Serena Assumpção - Ascensão
Tássia Reis - Outra Esfera
Tatá Aeroplano - Step Psicodélico
Vitor Araújo - Levaguiã Terê
Wado - Ivete

e seguem mais 50 discos muito relevantes deste 2016.

Anna Tréa - Clareia
Arielly Oliveira - Negra Soul
Brisa Flow - Newen
Carne Doce - Princesa
Chave Mestra - Coração no Gelo EP
Clínica Geral - Clínica Geral EP
Côro Mc - Vem Desse Naipe EP
Coutto Orchestra - Voga
Dante Ozzetti - Amazônia Órbita
DeFalla - Monstro
Don Pixote - Don Pixote
Edvaldo Santana - Só Vou Chegar Mais Tarde
Esdras Nogueira - Na Barriguda
Família de Rua - Ontem, Hoje e Sempre
Flow MC - Versátil
francisco, el hombre - Soltasbruxa
Guri Assis Brasil - Ressaca
Ijexá Funk Afrobeat - Ifá
Jonathan Tadeu - Queda Livre
Jonnata Doll & Os Garotos Solventes - Crocodilo
Juliana Perdigão - Ó
Juliano Gauche - Nas Estâncias de Dyzan
Laya - Laya
Lestics - Torto
Liniker e Os Caramelows - Remonta
Lucas Vasconcellos - Silenciosamente
Lulina - Na Moita
Lurdez da Luz & PParalelo - Bem Vinda EP
Matéria Prima - Pocas EP
Paula Cavalciuk - Morte  & Vida
Projeto Nave - Remix vols. 1 e 2
Romulo Fróes & Cesar Lacerda - O Meu Nome é Qualquer Um
Serge Erege - Scorpio
Strobo - Strobo 4
The Baggios - Brutown
Thiago Elniño - Filho de um Deus Que Dança EP

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

80 + 10 músicas brasileiras de 2016

ah, Brasil tá ótimo, tá lindo, tá diverso. musicalmente falando, claro. tem dub, funk, rock, carimbó, arrocha, pagodão, samba, eletrônica, mpb e rap, muito rap. numa olhada rápida nessa lista é fácil de notar que quase metade das músicas do ano são ritmo & poesia. por outro lado, existe uma concentração da produção musical em sete estados [São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Distrito Federal], mas certamente está bem melhor do que já foi.

obviamente não fico pensando em representações quando estou fechando as listas de fim de ano. apenas agrupo as que mais ouvi no ano e vou editando para chegar em números razoáveis [e a cada ano que passa, as listas ficam maiores e maiores rsrs]. depois – tipo agora – é que traço esses perfis do meu gosto, do que vou atrás, do que vem a mim. mas porque caralha estou falando isso mesmo?


bem, a parte difícil de fazer listas musicais, pra mim pelo menos, é ter que escolher uma música só de alguns artistas que, não coincidentemente, assinaram os melhores discos do ano. foi difícil escolher uma só do Metá Metá, BaianaSystem, Céu, Iara Rennó, Síntese e das lindas produções póstumas de Sabotage e Serena Assumpção.

acho que em 2016 o que aconteceu de diferente foi um pessoal dando dribles no meu rigor e aparecendo solo em uma música e participando em outra [casos de Juçara Marçal, Mano Brown, Rincon Sapiência e Lay], alguns figuras que trabalham em muitos projetos [Thiago França, Daniel Ganjaman e Meno Del Picchia, por exemplo] ou então um fenômeno inescapável como o rapper baiano Baco Exu do Blues que emplacou uma própria ["999"] e uma parceria com o pernambucano Diómedes Chinaski ["Sulicídio", assunto e polêmica na cena rapper nos últimos meses deste ano]. 

os assuntos das músicas são os mais diversos: amores, perdas, paixões, a(s) cidade(s) e acho que tem muita política também ['política' no sentido da postura diante de alguns assuntos, tais como raça, gênero, feminismo, aborto, machismo, violência policial, etc]. mas foram o rap e o funk, os gêneros mais periféricos [e isso não é por acaso], que nos brindaram com as mais contundentes críticas sociais a este terrível ano de muitas perdas para o Brasil. destaque aí para "Hoje tem batuque" de Raphão Alaafin & Rincon Sapiência e "Delação premiada" da MC Carol [sem falar na (triste) atualidade de "Canão foi tão bom" do Sabotage].

na prorrogação da lista entrou um lançamento bem bom de Flora Matos ["Igual manteiga"] e acabou saindo Fumaça ["Tipo hustla"]; ambos candangos, veja só você. ah, e troquei a música do Mano Brown [é que foi lançado Boogie Naipe, o disco, então saiu "Felizes/Heart to Heart" e entrou "Adicto" - pensei na maravilhosa "Mulher elétrica", mas ela já tá rolando faz uns anos].

falei demais né? sobe som!

 
A Espetacular Charanga do França - "O bom marido" [part. Rodrigo Campos]
Abayomy Afrobeat Orquestra - "Mundo sem memória" [part. Otto]
Academia da Berlinda - "Nêgo nervoso" [part. Otto]
Aíla - "Lesbigay"
Aláfia - "O primeiro barulho" [part. Discopédia]
Alvaro Lancellotti - "Canto de Marajó"
ÀTTØØXXÁ - "F*da p*rra"
Baco Exu do Blues - "999"
Baco Exu do Blues & Diómedes Chinaski - "Sulicídio"
BaianaSystem - "Jah Jah Revolta Parte 2"
Beto Mejía - "Kaningawa"
Bonde das Dancinhas - "Vai quebrando"
Bruno Souto - "Amor demais"
Cabeça d’ Galeto - "Por acaso" [part. Dayane]
Carne Doce - "Artemísia"
DeFalla -"Monstro"
Dexter - "Tô de volta" [part. Edi Rock]
Don L - "Chapei" [part. Lay]
Dona Onete - "Coração Brechó"
Douglas Germano - "Golpe de vista"
Família 4i20 - "Meu deserto"
Felipe Antunes - "Essa moça"
Fióti - "Vacilão" [part. Juçara Marçal]
Flora Matos - "Igual manteiga" [part. Pedro Lotto]
Flow MC - "Gang das 4 rodas"
francisco, el hombre - "Triste, louca ou má"
Fresno - "Hoje sou trovão" [part. Caetano Veloso]
Froid - "Pseudosocial"
Héloa - "Calei"
Iara Rennó - "Mama-me"
Jamés Ventura - "Calma nego"
Ju Dorotea - "Sincronia" [part. DJ Josafá]
Juliano Gauche - "Muito esquisito"
Karol Conka - "Maracutaia"
Larissa Luz - "Bonecas pretas"
Laura Lavieri - "Quando alguém vai embora"
Lay - "Ressalva"
Lei Di Dai - "Chega na dança"
Livia Cruz - "Ordem na classe"
Ludmilla - "Sou eu"
Luisa Maita - "Na asa"
Lurdez da Luz & PPararelo - "Love" [part. Yanick Melo]
Mahmundi - "Hit"
Mano Brown - "Adicto" [part. Dado Tristão]
MC Carol - "Delação premiada"
MC Guimê - "Cadê a mina" [part. Marcelo D2]
MC Kevinho - "Tumbalatum"
MC Linn da Quebrada - "Enviadescer"
MC Marechal - "Primeiro de abril"
MC Tha - "Pra você"
MC Zaac & MC Jerry - "Bumbum granada”
Meno - "Sabrina"
Metá Metá - "Angolana"
Mulamba - "P.U.T.A."
Nego E - "Lua negra"
Nego Gallo - "Missão"
O Terno - "Culpa"
Rael - "De amor"
Raphão Alaafin & Rincon Sapiência - "Hoje tem batuque"
Rashid - "Ruaterapia" [part. Mano Brown e Max de Castro]
Rico Dalasam - "Relógios"
Rincon Sapiência - "A coisa tá preta"
Sabotage - "Canão foi tão bom" [part. DBS, Negra Li, Lakers, Instituto e Daniel Ganjaman]
Sara Donato, Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz - "Machocídio"
Saulo Duarte e A Unidade - "Uma música" [part. Laércio de Freitas]
Serena Assumpção - "Obaluaiê" [part. Filipe Catto]
Siloque - "Mais bases aliadas"
Síntese - "Desconstrução"
Strobo - "Vingativa" [part. Marina Lima]
Tábata Alves - "Quem vai duvidar?"
Tássia Reis - "Ouça me [remix]"
Tatá Aeroplano - "Step psicodélico"
Vitor Araújo - "Canto n.3"
Wado - "Mistério"
Xamã & MC Estudante - "Pedras de março" [part. Jean Santoro]

aí fui fazer a playlist no Spotify e, como já esperava, faltou muita coisa brasileira. mas não imaginei que seria tanto, pois das 80 faltaram 20 [pra se ter uma ideia, das músicas gringas, faltaram 8 de 100]. portanto, já vou avisando que ficaram de fora da playlist no Spotify músicas da A Espetacular Charanga do França, Amiri, Beirando Teto, Bonde das Dancinhas, Cabeça d'Galeto, Coro MC, Família 4i20, Felipe Antunes, Froid, Héloa, Kika, Lei Di Dai, Lívia Cruz, MC Marechal, Mulamba, Nego Gallo, Sara Donato [mais Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz], Serena Assumpção, Tábata Alves e da dupla Xamã & MC Estudante. 



e aí a gente tem que aproveitar essas plataformas maravilhosas todas né. e tem playlist também - uma versão dela - no Deezer. não deu muita diferença pro Spotify. Felipe Antunes e Héloa tem no Deezer, a nova da Flora Matos no Spotify. de resto, as mesmas ausências. 



atualização 22.12: apareceram umas músicas, e fiquei sabendo de outras, depois que fechei a lista e deu uma dor de não colocar aqui. daí acabei fazendo uma nova playlist no youtube com mais 10 brasileiras. tem um remix do ÀTTØØXXÁ pruma música que deve ser o hit do verão baiano. tem os funks paulistas pós-ostentação de MC Neguinho do Kazeta e MC PP da VS. tem mais rap com Coruja BC1, BK e Gustavo Pontual. tem as canções de Guri Assis Brasil e Luedji Luna. e tem a ferveção drag de Lia Clark, Arezuta Lovi e Gloria Groove.

quinta-feira, 24 de março de 2016

histórias do rap nacional, a série

totalmente ótima a primeira temporada de histórias do rap nacional, série em seis episódios escrita e comandada por ronald rios e exibida pela tv gazeta [ora veja só você, a gazeta]. apesar de errar em alguns poucos insights pessoais sobre o rap, nacional e gringo, ronald se mostra sempre atento e entusiasmado com o tema e colocou no ar um belo panorama histórico e atual sobre o gênero [majoritariamente em são paulo].


ronald e leandro, que ganhou um episódio totalmente 
dedicado ao seu alter ego emicida 

segue a lista da turma que aparece em cada episódio e, na sequência, todos os seis episódios numa mesma playlist de youtube.

episódio 1: rashid, tássia reis, rincon sapiência, bitrinho, lurdez da luz, lívia cruz, haikaiss, síntese, drika barbosa e rodrigo ogi

episódio 2: pepeu, thaíde, max b.o., dmn, gabriel o pensador, kamau e rappin hood

episódio 3: emicida

episódio 4: kl jay, edi rock, dj nyack, dj cia, wzy, dario, skeeter, dj hum e daniel ganjaman

episódio 5: rzo, rael, msário, sampa crew, de menos crime, gog, ndee naldinho, dbs, xis, renan inquérito e rico dalasam

episódio 6: criolo, rinha dos mcs, dj dandan, redniggaz, kauan, bivolt mc, flow mc, dj colorado, tvs, helibrown, marcelo gugu, guilherme treeze e matheus mc

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

65 discos brasileiros de 2015

já rolaram os discos e músicas gringas de 2015, então agora é a vez de falar daqui, de listar o que mais gostei do que ouvi aqui: artistas novos se firmando, iniciantes cheios de gás e voz, medalhões inquietos, um pouco mais da nossa costumeira efervescência musical. acabei fechando a minha lista [sempre e cada vez mais] inclusiva com 65 discos, mas destacarei 17 que estiveram mais muito mais próximos. pra facilitar minha vida separei esses 17 em 3 blocos: os raps, as mina e os mano.

ogi, emicida, instituto, black alien, bnegão, síntese & cia

os rap – tal e qual a gringolândia, o rap também é no brasil o gênero que tem mostrado mais originalidade, mais vontade de falar de assuntos diversos e urgentes, e de se misturar sem medos. isso, claro, não é de hoje, mas seis discos lançados este ano são prova clara que o rap brasileiro cresceu de uma forma absolutamente inequívoca. por exemplo rá!, o segundo disco do grande cronista paulistano rodrigo ogi, que é um passeio veloz e afiado pelos humores da cidade. e tem ainda samba e muita vida, e ocasionalmente sangue, em suas rimas. já sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa, de emicida, a grande jovem estrela do gênero, é uma maravilha de diversa atualidade: é família, pop, pesado e ativista, tudo ao mesmo tempo, e com uma delicadeza e equilíbrio de dar inveja a muito veterano. 

transmutação e babylon by gus vol. II, dos contemporâneos, cariocas e ex-companheiros de planet hemp, bnegão e black alien, são produções extremamente bem acabadas, divertidas e com pegada [e como é bom ver e ouvir black alien de novo].

a volta do instituto, após 14 anos de sua estreia, com violar é outra prova de como o rap se tornou predominante e incontornável. até as músicas instrumentais do disco parecem rap, mas como se isso não bastasse, tem criolo, bnegão, karol conká, sombra e uma linda pérola póstuma de sabotage.

então, pra finalizar esse bloco de rap, um trabalho que entrou aos 48 do segundo tempo, síntese, akilez, kiko dinucci e thiago frança. encontro poderoso e ofegante esse do rapper de são josé dos campos com o produtor curitibano, o guitarrista guarulhense e o saxofonista mineiro [nada mais paulistano que isso]. síntese continua firme com um dos rappers mais originais da atualidade, apesar dos arroubos religiosos [ou devido a eles?].

elza, gal, alessandra, karina, letuce e tulipa

as mina – duas veteranas abrem esse bloco com discos absurdos de lindos. a mulher do fim do mundo é o encontro de elza soares com composições e músicos muito atuais e de são paulo. é trabalho poderoso, negro, rasgado, torto, sexual, melancólico e surpreendente. estratosférica é gal costa tinindo em delicadezas e com repertório também todo de inéditas. duas grandes mulheres artistas inquietas e atentas.

a jovem guarda feminina tem um tanto de pernambuco via são paulo com selvática, o mais regular e bonito disco de karina buhr, e os fortes e carnais eps aço e língua de alessandra leão [karina e alessandra foram companheiras de comadre fulozinha]. tem também rio de janeiro com estilhaça, o terceiro disco de letuce e que traz a cantora e compositora letícia novaes ainda à flor da pele, mas também conseguindo ser menos estritamente confessional e mais universal. pra encerrar o bloco, dancê, o mais recente, alegre e solto trabalho de tulipa ruiz.

jaloo, siba, lira, cidadão instigado e rodrigo campos

os mano – a grande surpresa deste ano, entre os manos, foi o #1 de jaloo. conhecido por seus remixes tecnobregas, o paraense fez um belíssimo, doce e dançante disco autoral. gosto de jaloo tem tempo, mas realmente não esperava um disco com tantas músicas tão bonitas. no mais, os feras de sempre aprontando mil e uma confusões: fortaleza, o quarto disco do cidadão instigado, é o que existe de melhor e mais pulsante no rock nacional; de baile solto do siba tem pernambuco, áfrica, guitarra e muitas outras coisas tão boas quanto; o igualmente pernambucano lira lançou seu segundo disco solo, o labirinto e o desmantelo, e sua poesia está cada vez mais apurada e dolorida; por último e não menos importante, o delicado conversas com toshiro, terceiro e mais maduro disco de rodrigo campos.

aqui, a lista completa com os 65 discos:

aláfia - corpura
alessandra leão – aço/língua EPs
amplexos - sendeiro
andreia dias - prisioneira do amor
as bahias e a cozinha mineira - mulher
barbara eugênia - frou frou
bixiga 70 - III
bnegão & seletores de frequência - transmutação
boogarins - manual
cícero - a praia
cidadão instigado - fortaleza
daniel groove - romance pra depois
diogo strausz - spectrum vol. 1
eddie - morte e vida
fabio góes - zonzo
frito sampler - aladins bakunins
gal costa - estratosférica
gui amabis - ruivo em sangue
hélio flanders - uma temporada fora de mim
iconili - piacó
instituto - violar
jaloo - #1
juçara marçal e cadu tenório - anganga
karina buhr - selvática
karine alexandrino - mulher tombada
letuce - estilhaça
liniker - cru EP
mariana aydar - pedaço duma asa
metá metá - metá metá EP
ná ozzetti e zé miguel wisnik - ná e zé
ná ozzetti & passo torto - thiago frança
odair josé - dia 16
orquestra brasileira de música jamaicana - obmj ataca!
orquestra raiz - as américas
pélico - euforia
qinho - ímpar
rafael castro - um chopp e um sundae
raphão alaafin - eu gosto
rodrigo campos - conversas com toshiro
rodrigo ogi - rá!
romulo froés - por elas sem elas
silva - júpiter
space charanga - r.a.n. (rhythm and noise)
thiago ramil - leve embora
trupe chá de boldo - presente
tulipa ruiz - dancê
vicente barreto - cambaco
vitrola sintética - sintético
wado - 1977
zé manoel - canção e silêncio
zé pi - rizar
síntese, akilez, kiko dinucci & thiago frança

sexta-feira, 21 de março de 2014

raps, pontes e overdrives

as amigas e colegas de trabalho laíssa barros e renata assumpção tem um site chamado 'era segunda e não tinha sorvete' e pouco tempo atrás me chamaram pra colaborar com uma seleção musical. acabei fazendo uma seleta de raps contemporâneos, de clipes de rap pra ser mais exato, que segue agora também aqui no esforçado.


lurdez da luz em show na casa do mancha

raps, pontes e overdrives

não é de hoje e não é novidade, mas também não custa repetir: o rap é a música mais forte, política, variada, pulsante, inclusiva e com mais cores de todos os gêneros dos últimos tempos (no brasil e no mundo). aqui vai uma uma amostra grátis exclusivamente brasileira – tem gente de são paulo, claro, mas também de fortaleza, rio de janeiro e são josé dos campos – e muito atual.

“doce dose”, don l & leo grijó
“equação”, síntese
“ela é favela”, aláfia & lurdez da luz
“beijo de judas”, kayuá
“caminho”, rael
“quartinho obscuro”, flow mc

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

50 músicas brasileiras de 2013 e um p.s.

dezembro é aquela coisa. listas e balanços, balanços e listas. a retrospectiva aqui no esforçado começa com a de músicas brasileiras e 2013 foi mais um ano sensacional pros lados de cá. como é de costume tento traçar um largo panorama do que ouvi durante o ano - aqui nós é da inclusão, tá ligado? -, mas é claro que ficam coisas de fora e claro que poderia acrescentar mais duas ou três músicas de determinados discos. só que a vida é escolhas, né não? engole o choro e vai...

agora, reparem o seguinte... boa parte da lista é formada por raps, gênero que tem sido o mais ousado, inquieto e variado nesse começo de século no brasil. são manos e minas rimando sobre tudo, sem medo de arriscar e misturar. um desses raps é, muy provavelmente, a música mais bonita desse ano e desde já um clássico: "crisântemo", do emicida. do lado da, digamos assim, mpb destaco a lindíssima, sambística e experimental "sim", de cacá machado, registrada num dueto arrepiante de elza soares e zé miguel wisnik.



aláfia - “ela é favela”
amiri - “trinca”
andreia dias -“brisa tropicana” [part. criolina]
anitta - “show das poderosas”
bárbara eugênia - “roupa suja” [part. pélico]
bruno morais – “insomnio y palabrería” [part. 3 cruzeiros]
bruno souto - “dentro”
cacá machado - “sim” [part. elza soares e zé miguel wisnik]
catarina dee jah - “intercumbia”
cérebro eletrônico - “não bateu nosso santo”
cícero - “duas quadras”
criolo - “duas de cinco”
dj dolores - “álcool” [part. isaar frança]
do amor - “mindingo” [part. lucas santtana]
don l - “cafetina seu mundo”
edi rock - “negro cantou” [part. don pixote]
emicida - “crisântemo”
gang do eletro - “só no charminho”
garotas suecas - “a nuvem” [part. lurdez da luz]
gasparzinho - “vai no cavalinho”
iara rennó - “outros tantos”
joão rosseto - “pagando pra ver”
juliano gauche - “amor do capeta”
karol conká - “sandália” [part. rincon sapiência]
lívia cruz - “sei quem eu sou” [part. karol de souza]
lulina - “lua vazia”
lurdez da luz - “ping pong”
luz marina - “paisagem”
marcelo d2 - “fella” [part. shock, batoré e akira presidente]
marcelo jeneci - “de graça”
mc garden - “isso é brasil”
mc guimê - “país do futebol” [part. emicida]
mc tipocki - “quero bunda”
meno del picchia - “vou pro pará”
momo - “uu”
ná ozzetti - “lizete” [part. kiko dinucci]
rael - “o hip hop é foda”
rodrigo amarante - “maná”
ruspo - “chatuba do agroboy”
síntese - “equação”
slim rimografia - “limpe seu próprio quintal”
sombra - “piada cabeluda”
submarinos - “trampolim”
thiago frança - “caso do bacalau” [part. kiko dinucci e rodrigo ogi]
tono - “tu cá, tu lá”
trio eterno - “saí descalço”
tropkillaz - “morena” [part. nave]
vanguart - “olha pra mim”
verônica ferriani - “estampa e só”
zulumbi - “babe, eu vou bombar”

p.s.: depois de fechar a lista saíram os clipes de "beijinho no ombro" de valesca popozuda e "bai bai" de jaloo, duas músicas que tinha esquecido de colocar na lista. e teve outra música sensacional que não tinha ouvido, passei batido geral, mas que apareceu aos 49 do segundo tempo e senti que precisava deixar o registro. é "bigode grosso" da mc marcelly (aqui num remix à la trap music).