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domingo, 30 de março de 2014

coleção grandes cagadas da folha

a tal marcha da família 2 que falhou miseravelmente (ufa) na semana passada  - e que descrevi no texto "menor que um rolezinho" - é um dos acontecimentos ligados a efeméride dos 50 anos do GOLPE MILITAR DE 1964. é o importante assunto do momento, com direito a alguns avanços significativos da comissão da verdade, e muitas matérias, reportagens, e novas luzes sobre esse triste (e ainda presente no nosso dia-a-dia) momento da história brasileira (vale muito ver o especial feito no site da ebc). na edição deste domingo da folha rolou um editorial sobre 1964 e... bem... o texto é tão absurdo (política, histórica e moralmente) e tão mal escrito que resolvi comentâ-lo em voz alta. 


ontem e hoje, o pensamento vivo da folha

"O regime militar (1964-1985) tem sido alvo de merecido e generalizado repúdio. A consolidação da democracia, nas últimas três décadas, torna ainda mais notória a violência que a ditadura representou [OLHA SÓ QUE LEGAL].

Violência contra a população, privada do direito elementar ao autogoverno. E violência contra os opositores, perseguidos por mero delito de opinião, quando não presos ilegalmente e torturados, sobretudo no período de combate à guerrilha, entre 1969 e 1974 [É ISSO AÍ, FOLHA. PARABÉNS POR TER CHEGADO A ESSA CONCLUSÃO EM 2014. ANTES TARDE DO QUE NUNCA, NÉ].

Aquela foi uma era de feroz confronto entre dois modelos de sociedade --o socialismo revolucionário e a economia de mercado [SÓ TINHAM DOIS?]. Polarizadas, as forças engajadas em cada lado sabotavam as fórmulas intermediárias e a própria confiança na solução pacífica das divergências, essencial à democracia representativa [NÃO SEI VOCÊS, MAS JUSCELINO E JANGO NÃO ME PARECIAM, E NEM TINHAM INTERESSE, EM POLARIZAÇÃO E NEM DITADURA COMUNISTA. MAS PODE SER IMPRESSÃO MINHA, NÉ?].

A direita e parte dos liberais violaram a ordem constitucional em 1964 e impuseram um governo ilegítimo [MUITO BEM, QUASE UM NOME AOS BOIS, QUE MADURO]. Alegavam fazer uma contrarrevolução, destinada a impedir seus adversários de implantar ditadura ainda pior [“AINDA PIOR”, E A FOLHA COMPROU ISSO, COMPRA ATÉ HOJE PELO JEITO], mas com isso detiveram todo um impulso de mudança e participação social.

Parte da esquerda forçou os limites da legalidade na urgência de realizar, no começo dos anos 60, reformas que tinham muito de demagógico [AO OLHOS DE QUEM CARA PÁLIDA?]. Logo após 1964, quando a ditadura ainda se continha em certas balizas [OLHA A DITABRANDA AÍ, MINHA GENTE, ELA APARECEU], grupos militarizados desencadearam uma luta armada dedicada a instalar, precisamente como eram acusados pelos adversários, uma ditadura comunista no país [É COMPREENSÍVEL QUE OS LIBERAIS DA ÉPOCA TIVESSEM ESSE MEDINHO, MAS HOJE EM DIA ACHAR QUE IRIA ROLAR UMA DITADURA COMUNISTA OU SE É BURRO OU MAL INTENCIONADO].

As responsabilidades pela espiral de violência se distribuem, assim, pelos dois extremos, mas não igualmente: a maior parcela de culpa cabe ao lado que impôs a lei do mais forte, e o pior crime foi cometido por aqueles que fizeram da tortura uma política clandestina de Estado [AH JURA?].

Isso não significa que todas as críticas à ditadura tenham fundamento [AÊ, A DITADURA TEVE UM LADO BOM, SENÃO VEJAMOS...]. Realizações de cunho econômico e estrutural desmentem a noção de um período de estagnação ou retrocesso.

Em 20 anos, a economia cresceu três vezes e meia. O produto nacional per capita mais que dobrou. A infraestrutura de transportes e comunicações se ampliou e se modernizou. A inflação, na maior parte do tempo, manteve-se baixa [O LADO POSITIVO QUE A FOLHA VÊ NA DITADURA FOI UM CRESCIMENTO ECONÔMICO QUE PODERIA TER SIDO MAIOR OU MELHOR DISTRIBUÍDO NUM GOVERNO DEMOCRÁTICO E QUE DO JEITO QUE ACONTECEU, CHEIO DE MAQUIAGENS, SÓ SERVIU PARA ENDIVIDAR O BRASIL POR DÉCADAS. ENTENDI.].

Todas as camadas sociais progrediram, embora de forma desigual, o que acentuou a iniquidade [OPA, NÃO SERÁ PORQUE ESSE CRESCIMENTO ECONÔMICO FOI PARA POUCOS?]. Mesmo assim, um dado social revelador como a taxa de mortalidade infantil a cada mil nascimentos, que era 116 em 1965, caiu a 63 em 1985 (e melhorou cada vez mais até chegar a 15,3 em 2011).

No atendimento às demandas de saúde e educação, contudo, a ditadura ficou aquém de seu desempenho econômico [AH PUXA VIDA, VACILARAM NISSO, FOI? PORQUE SERÁ?].

Sob um aspecto importante, 1964 não marca uma ruptura, mas o prosseguimento de um rumo anterior. Os governos militares consolidaram a política de substituição de importações, via proteção tarifária, que vinha sendo a principal alavanca da industrialização induzida pelo Estado e que permitiu, nos anos 70, instalar a indústria pesada no país [PERAÍ, ENTÃO A FOLHA TÁ COLOCANDO NA CONTA POSITIVA DA DITADURA ALGO QUE JÁ ESTAVA ROLANDO DESDE, POR EXEMPLO, GETÚLIO E JUSCELINO?].

A economia se diversificou e a sociedade não apenas se urbanizou (metade dos brasileiros vivia em cidades em 1964; duas décadas depois, eram mais de 70%) mas também se tornou mais dinâmica e complexa [SEI NÃO, MAS PARECE QUE A FOLHA TÁ QUERENDO DIZER QUE FOI A DITADURA, E SÓ A DITADURA, QUE O FEZ O BRASIL SE URBANIZAR] . Metrópoles cresceram de modo desordenado, ensejando problemas agudos de circulação e segurança.

O regime passou por fases diferentes, desde o surto repressivo do primeiro ano e o interregno moderado [OLHA DITABRANDA, OBA!] que precedeu a ditadura desabrida, brutal, da passagem da década, até uma demorada abertura política, iniciada dez anos antes de sua extinção formal, em 1985.

As crises do petróleo e da dívida externa desencadearam desarranjos na economia, logo traduzidos em perda de apoio, inclusive eleitoral [DÍVIDA EXTERNA? MAS A ECONOMIA NÃO TAVA MÓ BOA? E COMO ASSIM EM PERDA DE APOIO ELEITORAL?! QUE ELEIÇÃO?]. O regime se tornara estreito para uma sociedade que não cabia mais em seus limites [FILHINHO, TODA SOCIEDADE, EM QUALQUER MOMENTO HISTÓRICO, É MAIOR QUE UMA DITADURA. SÓ EM REGIMES DEMOCRÁTICOS SE PODE CHEGAR MAIS OU MENOS PRÓXIMO À COMPLEXIDADE DE UMA SOCIEDADE, AFINAL SOMENTE NUMA DEMOCRACIA TODOS PODEM SER ATORES POLÍTICOS]. Dissolveu-se numa transição negociada da qual a anistia recíproca foi o alicerce [NEGOCIADA ENTRE AS PARTES QUE TINHAM INTERESSE EM QUE NADA FOSSE JULGADO, CLARO ESTEJA].

Às vezes se cobra, desta Folha, ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro [PERAÍ, VAI ROLAR A DESCULPA AGORA, ME ABRAÇA].

Este jornal deveria ter rechaçado toda violência, de ambos os lados, mantendo-se um defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais [ISSO, É ISSO AÍ!].

É fácil [OI?], até pusilânime [AH NÃO, LÁ SE FOI A DESCULPA MORRO ABAIXO], porém, condenar agora os responsáveis pelas opções daqueles tempos, exercidas em condições tão mais adversas e angustiosas que as atuais [TAVA PUXADO PRO SEU FRIAS, NÉ?]. Agiram como lhes pareceu melhor ou inevitável naquelas circunstâncias [ACHO QUE O MAIS FÁCIL É FALAR QUE O PESSOAL AGIU DO JEITO QUE DEU PRO MOMENTO. PENSANDO BEM FOLHA, ASSIM DÁ PRA DESCULPAR O NAZISMO, A GUERRA DO VIETNÃ, O KHMER VERMELHO, AS LOUCURAS ASSASSINAS DE STALIN E MAO TESÉ TUNG, ETC.]

Visto em perspectiva, o período foi um longo e doloroso aprendizado para todos os que atuam no espaço público, até atingirem a atual maturidade no respeito comum às regras e na renúncia à violência como forma de lutar por ideias [MAS PERAÍ, SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA NO ANO PASSADO A FOLHA, ESTADÃO, E OUTROS ORGÃOS DE IMPRENSA, DEFENDERAM REPRESSÃO DO GOVERNO – ATRAVÉS DA PM – ÀS MANIFESTAÇÕES DE JUNHO. SERÁ QUE APRENDERAM? SERÁ QUE APRENDEMOS?]. Que continue sendo assim."

aiaiai

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

deu pra entender?



curiosamente, vi no josias de souza, que disse o seguinte: "quem assiste ao vídeo chega mais perto da compreensão dos mistérios que levam lula a roçar os 80% de popularidade. quem vê de novo, entende os motivos da transfusão de prestígio que guindou dilma rousseff ao topo das pesquisas". isso mesmo, quem disse isso foi o josias, prata da casa da folha de são paulo, que no fim desta sexta-feira jogou uma pá de cal no seu prestígio - depois de uma das coberturas políticas mais abertamente parciais e não-jornalísticas de sua história - ao censurar o blog satírico falha de são paulo sob a alegação de "uso indevido da marca". bom que o google tem memória e uma parte do conteúdo do blog está rodando a toda velocidade (tanto que já criaram o tumblr falha de s. paulo). vide, por exemplo, o boteco sujo do fausto salvadori. censura eu, folha!

atualização em dezembro: e o falha virou desculpe a nossa falha, e o caso já foi citado pela organização repórteres sem fronteiras e julian assange, do wikileaks, em entrevista ao estadão. até quando esse absurdo vai continuar, seu otavinho? até quando?

segunda-feira, 2 de março de 2009

a ditabranda da folha repercute

o idelber dá mais detalhes sobre o ato público contra a folha de s. paulo marcado para o dia 7 de março, sábado próximo, às 10h. também fala um pouco sobre as repercussões internas, com direito ao ótimo colunista da folha, marcelo coelho, batendo cabeça aqui (como sempre, vale a pena dar uma lida nos comentários). falei do assunto em um post da semana passada. waaal, como diria o louco saudoso paulo francis.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

bad trip da folha

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso."

quem escreveu isso? o reinaldo azevedo? diogo mainardi? qualquer um da veja? não, amiguinhos e amiguinhas, isso foi escrito por alguém da "democrática", da "progressista" folha de são paulo, no editorial de 17 de fevereiro ("limites a chávez"). aí um monte de gente se indignou e mandou e-mails e cartas e o diabo a quatro pra barão de limeira (painel@uol.com.br). olha só a resposta que a folha deu ao leitor sérgio pinheiro lopes.

"Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional."

mas o que podia piorar, piorou, pois as críticas de maria victoria de mesquita benevides (educação-usp) e fábio konder comparato (direito-usp) foram respondidas da seguinte forma.

"A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa."

cínica e mentirosa?!?!? quem escreveu isso, 'lamordedeus? sei lá eu, mas o editorial da folha acabou de jogar um caminhão de lama na reputação do próprio jornal (que com todo apoio velado e não velado a serra já não é mais essas coisas). e tá rolando na internet uma petição encabeçada pelo mestre antônio candido de repúdio ao jornal e solidariedade aos professores. assina lá, porque ditabranda é o caralho!

p.s.: hoje, dia 24, o fernando barros e silva, colunista da folha, fez uma crítica direta ao jornal: "O mundo mudou um bocado, mas "ditabranda" é demais. O argumento de que, comparada a outras instaladas na América Latina, a ditadura brasileira apresentou "níveis baixos de violência política e institucional" parece servir, hoje, para atenuar a percepção dos danos daquele regime de exceção, e não para compreendê-lo melhor." mas aí no final dá uma alfinetada no "esquerdista" fábio konder comparato. quer dizer, uma no cravo, outra na ferradura.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

domingueira

na domingueira dessa semana escolhi um clipe que pudesse puxar um texto do baú. daí veio eduardo bid e sua "mandigueira", música do primeiro disco solo do multiinstrumentista e produtor paulistano (bambas & biritas vol. 1, 2005). já sobre o texto, aliás, dois textos... em 3 de março de 2005 rolou o da folha sp sobre o disco, minha segunda colaboração. a seguir vem o que seria minha terceira pauta pra folha, em 9 de abril, mas que acabou não rolando. era sobre o show de lançamento do disco com a participação de alguns feras da soul music brasileira. o texto caiu (portanto, é totalmente inédito) e o que acabou saindo foi apenas uma foto. minha, pelo menos. gostei muito desse disco, inúmeros hits (fora essa "mandingueira" com elza soares, tem "e depois" com seu jorge, "saudades da black rio" com carlos dafé e "fora do horário comercial" com marku ribas), mas foi uma pena que o bid não conseguiu bombá-lo mais (pouquíssimos shows). no mais, parece que tá produzindo o vol. 2. chega de conversa. vai elza (e seu jorge e fernanda lima)...



BID ESTREIA COM MUITOS AMIGOS E SUINGUE

Você talvez não saiba quem é BiD, ou Eduardo BiD, ou ainda Eduardo Bidlovski, mas é certo que já ouviu e muito do trabalho deste produtor, compositor e multiinstrumentista. Ele foi líder e um dos criadores do Funk Como Le Gusta. Produziu
Afrociberdelia do Chico Science & Nação Zumbi e Por Pouco do Mundo Livre S/A, dois dos melhores discos brasileiros da década de 1990. Entre tantas outras coisas, BiD foi compondo, tocando e arrumando parcerias até chegar no ponto em que precisou segurar o microfone com as próprias mãos para se lançar solo. O resultado é Bambas & Biritas Vol. 1 que finalmente chega ao Brasil depois de ter sido lançado em 2004 no Japão e Europa.

“Venho fazendo esse disco há quatro anos, desde que nasceu meu filho, e foi nas lacunas dos trabalhos com o Funk Como Le Gusta, produções e trilhas. Foi um processo muito espontâneo e sem prazo. Não teve nada planejado, mas quando saí do Funk tinha esse disco para trabalhar”, relembra BiD.

Passeando pelas músicas dá para se notar que as amizades de BiD é variado e dos melhores. Tem figuras clássicas da black music nacional como Marku Ribas (“Fora do horário comercial”), Carlos Dafé (“Saudades da Black Rio” e “Não pára”) e Elza Soares (“Mandingueira”), além da unanimidade atual em termos de suingue certeiro, Seu Jorge (“E depois...”, um dos pontos altos do disco). Tem o rap paulistano de Rappin Hood e Funk Buia (“Maestro do Canão”, tocante e animada homenagem a Sabotage) e o rap carioca de Black Alien (“Na noite se resolve”). E ainda DJ Soul Slinger, André Abujamra, Fernandinho Beatbox, Arnaldo Antunes e Caju & Castanha, entre outros.

“Fiz todas as partes instrumentais do disco e fui chamando os parceiros e as participações de acordo com o que eu achava que as músicas pediam”, raciocina o produtor agregador. “Gosto dessas misturas de caras da antiga com gente nova porque todo mundo sai ganhando nesses encontros. Eles se renovam e a gente aprende muito com os feras”, segue BiD com um sorriso na cara. Tudo isso para chegar no trava-línguas eletrônico “Roda rodete rodiano”. Gravada em 1994, a música tem vocais de Chico Science em uma das raras gravações inéditas do mangueboy.

Uma prévia do disco saiu em dezembro de 2004 na forma de um compacto especial. Foram duas músicas, “Não pára” e “Mandingueira”, e dois remixes exclusivos comandados por Marcelinho Da Lua e o Instituto. O compacto trouxe também mídia interativa, as letras e o clipe de “Mandigueira”, estrelado por Seu Jorge, Fernanda Lima e o próprio BiD. Tudo embalado de forma bacana e financeiramente acessível. “A idéia surgiu de conversas com o Tacioli aqui da gravadora porque colecionamos vinil. Essa história do compacto é muito bacana e é uma pena que no Brasil ninguém soube como vender esse produto”, explica BiD.

Tanto no disco quanto no compacto nota-se que é possível ser inteligente e pop, suingado e crítico, lírico e malemolente. O recado está nas mensagens da secretária eletrônica do estúdio de BiD colocadas depois da última faixa. Tem que viajar, viajar e viajar. Música serve para isso.


BID REÚNE BAMBAS DA BLACK NACIONAL EM SHOW

Uma coisa todo mundo sabe, mas pouca gente põe em prática: disco é disco, show é show. Sabendo isso desde menino, o multiinstrumentista e produtor BiD montou uma super banda para fazer do show de lançamento de seu disco de estréia solo,
Bambas & Biritas Vol. 1, um evento único e diferente do que já foi registrado. Para este salto, BiD contou com a ajuda de figuras chave da música black brasileira dos anos 1970 que farão um encontro histórico no palco do teatro do Sesc Pompéia, hoje às 21h.

BiD, melhor que ninguém, apresenta a banda: “voz e piano Fender Rhodes, Carlos Dafé, um malandro carioca sensível, grande figura do samba soul brasileiro; voz, violão, percussão e flauta indígena, Marku Ribas, um ouvido incrível, sempre em busca da simplicidade e com um baita vozeirão; contrabaixo, Lula Barreto, um mestre que quando fala ou é piada ou um comentário que faz muito sentido; bateria, meu irmão Rocco, grande companheiro, econômico, toca comigo desde o começo, mas estamos sem trabalhar há dez anos porque ele está morando nos EUA; percussão, Bruno Buarque, grande músico, faz percussão corporal e tem uma aparelhagem de samplers, um sabor de novidade nessa interação com os mestres. E tem eu”.

Dafé, Marku e Lula possuem histórias o bastante para encher cadernos especiais e continuam tão ativos quanto nos anos 70. Com um disco previsto para ser lançado no segundo semestre com participações de Zeca Baleiro e Toni Garrido, Carlos Dafé tocou com Tim Maia, Dom Salvador e a Banda Black Rio, além de ver músicas suas interpretadas por Nana Caymmi e Seu Jorge, entre outros. Seu aviso é simples e direto, “nós estamos aqui para não deixar a chama apagar”.

Além de seus discos solo, Marku Ribas já acompanhou João Donato, Edison Machado e até os Rolling Stones. Enquanto prepara disco novo e dá uma pausa em sua estréia como ator em
Batismo de Sangue, filme de Helvécio Ratton baseado em livro homônimo de Frei Betto, Marku sente-se “muito feliz com essa emotividade que está rolando nos ensaios. É interessante quando a ligação entre as pessoas é mais pessoal que profissional”.

Lula Barreto não participou do disco por estar no Rio de Janeiro gravando o primeiro disco da volta de sua banda, a União Black (banda que acompanhou Gerson King Combo e lançou disco em 1977 recheado de petardos funk). Agora que o novo disco foi gravado e está para ser lançado nos EUA, Lula pôde entrar na banda: “Está sendo maravilhoso ensaiar com esse pessoal. Vai ser um show pro povo dançar sentado”.

Algum recado para quem ouviu o disco e espera as participações especiais? Com a palavra, BiD, “eu queria que o show tivesse essa cara de banda, seis caras fazendo um som, todos juntos. Esse negócio de convidado já virou uma fórmula. O bom desse show é que traz um frescor para todo mundo. Parece que é uma banda nova que a gente tá fazendo parte e todo mundo virou músico de novo”.

De um lado, músicas do disco tais como “Não pára”, “Mandingueira”, “E depois...” e “Fora do horário comercial”. Pelo outro, preciosidades de Dafé (“Bem querer” e “Escorpião”) e Marku Ribas (“Zamba ben” e “Barranqueiro”). Resultado, uma festa do samba soul brasileiro que se estenderá ao Rio de Janeiro (12/04, no Vivo Open Air) e Brasília (18/05).


sábado, 7 de fevereiro de 2009

quatro anos atrás

mas o primeiro-post-valendo já é com os olhos no passado? talvez sim, talvez não. mas é que rolou aquela coincidência. procurando no baú, selecionei esse texto e só depois vi que era de exatos quatro anos atrás. foi uma das minhas poucas (1 de 3, na verdade) contribuições para a grandiosa folha de s. paulo. demorou alguns dias para encaixar na ilustrada e foi publicado em 8 de fevereiro de 2005. era carnaval. acho que uma terça. e versa sobre um músico gaúcho que tinha acabado de conhecer.

ARTHUR DE FARIA MISTURA GÊNEROS EM SEU QUARTO DISCO

Imaginem um polvo, um polvo gaúcho. Poderia ser uma imagem para definir o cantor, instrumentista, compositor, produtor e arranjador Arthur de Faria. Seus tentáculos alcançam rapidamente sonoridades tão diferentes uma da outra que é impossível definir em qual gênero se encaixa o CD Música pra bater pezinho (YB Discos, 2004), o quarto disco do artista. Ao seu lado estão músicos de formações diversas, desde jazzistas ortodoxos até membros da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Sul. Não é, portanto, um polvo qualquer, ainda mais com o nome científico de Arthur de Faria & Seu Conjunto.

“Cada membro da banda tem uma formação diferente, por isso as músicas têm referências sonoras muito diversas”, esclarece Arthur em entrevista exclusiva à Folha de São Paulo. “É o lado bom da globalização”, diverte-se e continua, “o legal de amadurecer é que hoje posso dizer que toda manifestação musical me interessa”. Basta ouvir o disco para saber que este ecletismo não é um clichê qualquer. Estão lá, em suas 14 faixas, jazz, Arrigo Barnabé, rock, Frank Zappa, fanfarra, Jobim, música erudita, Björk, tango, MPB, pop, Radamés Gnatalli, Beatles, eletrônico, Black Sabbath e outras bossas e milongas. Tudo é música, afinal.

E as letras? “Dou muita importância à letra. Pode parecer óbvio, mas as pessoas esquecem disso. Pra mim, uma canção é 50% letra e os outros 50% são música e arranjo. Gosto muito de poesia e é um baita exercício pegar uma poesia, seu ritmo, e criar uma música em cima”. Desse casamento surgem “As coisas da casa” (poesia de Marcelo Sandmann, onde saltam os versos “Ela agora só pode amar / Com a paixão contida / Da borboleta espetada na placa de isopor”), “Breve oração da virada do ano” (poesia de Daniel Galera), “Revisitação” (poesia de José Paulo Paes) e “Sexo na cabeça” (sobre crônica de Luiz Fernando Veríssimo).

Uma atração a mais está nas participações especiais. “Descobri com o tempo que os malucos acabam de encontrando”, afirma Arthur referindo-se às duas parcerias com o paulistaníssimo Maurício Pereira (que também canta e toca sax em “Um teco-teco amarelo em chamas”) e aos encontros com Siba, Cida Moreira, e o casal Fernanda Takai e John Ulhoa do Pato Fu. “Gaúcho tem muito esse pudor de falar com outras pessoas de fora do Rio Grande. Parece que a gente tá querendo se enturmar com o resto do Brasil. Como se não fizéssemos parte...”, e a fogueira das diferenças regionais volta a se acender. Mas Arthur de Faria já vem com a solução: os malucos se encontram.

Quando foi curador do Projeto Rumos do Itaú Cultural, ele se deu conta da enormidade de talentos pouco conhecidos Brasil a fora. Mesmo sua banda, que todo ano faz shows em Buenos Aires, nunca tocou no Rio de Janeiro. O que fazer? “A gente tem que construir uma outra rede. Sei que nossa música é muito escutável, mas não é de rádio, sei como é isso, trabalho em rádio. Então a gente tem que achar lugares onde podemos vender 1000 discos. Se a gente consegue 200 lugares vendemos 200 mil discos”. E é nesta progressão aritmética que Arthur de Faria & Seu Conjunto querem mostrar sua música pra bater pezinho. Não é todo dia que os pés (e ouvidos) são tão bem tratados.