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domingo, 14 de agosto de 2011
mano brown assim assado
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
no mês do cachorro louco...
enquanto isso, no excelente baú de velhas novidades do canal viva, é dia de estreia da minissérie agosto, uma adaptação bem feita do livro homônimo de rubem fonseca. fiz um texto pra revista monet desse mês com direito a um papinho virtual com zé henrique fonseca, cineasta, filho de rubem e que estreou como diretor naquele distante início da década de 1990.
CLÁSSICOS - AGOSTO
As primeiras noites de agosto de 1954 foram agitadas no Rio de Janeiro. Modo de falar, claro. Aquelas primeiras noites mudaram a história do país. Tudo começou com o assassinato do empresário Paulo Gomes de Aguiar no primeiro dia do mês em um prédio numa das ruas mais movimentadas de Copacabana. Apenas quatro dias depois, e distante cerca de seis quarteirões, o jornalista Carlos Lacerda sofreu um atentado e quem acabou morrendo foi Rubens Vaz, major da Aeronáutica que fazia sua segurança.
Nada menos que o presidente Getúlio Vargas, principal alvo das críticas e denúncias de Lacerda, tornou-se o principal suspeito de ser o mandante, deixando o país em pé de guerra. Mas o Comissário Mattos acreditava que os dois crimes tinham alguma conexão. Pelo menos no campo da ficção, já que estamos falando de Agosto, minissérie baseada em livro homônimo de Rubem Fonseca lançado em 1990 e que agora ganha reexibição.
Mistura hábil de personagens ficcionais com figuras muito reais, e excelente reconstituição de época, os 16 capítulos de Agosto foram ao ar entre os dias 24 de agosto e 17 de setembro de 1993 com produção e direção artística do veterano Carlos Manga. Já o roteiro adaptado ficou a cargo de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, enquanto a direção foi dividida entre Paulo José, Denise Saraceni e o jovem estreante José Henrique Fonseca. “Foi o Manga que me convidou e de certa forma me ‘indicou’ [risos] ao Paulo José, diretor-geral da série. Dirigia algumas cenas externas e no final acabei fazendo algumas bem legais, mas rodei poucas em estúdio. A maior parte eram externas noturnas e assassinatos. Devo dizer que gostava”, relembrou Fonseca, não por acaso filho de Rubem Fonseca, em entrevista para a MONET.
Foi sua primeira grande experiência como diretor e mais tarde assinaria inúmeros clipes, shows, filmes publicitários, um dos episódios de Traição (1998), o longa O Homem do Ano (2003) e a série Mandrake (2005-07). Detalhe: tanto O Homem do Ano quanto Mandrake tiveram participação direta ou indireta de Rubem Fonseca. “Já disse e repito que poderia ser o cineasta oficial do meu pai se fosse preciso, ou se alguém quisesse fechar um acordo desse... toparia na hora!!! Faço cinema por causa dele, pelos filmes que vi com ele, pelos livros que li na minha juventude, inclusive e sobretudo os que ele escreveu.”
Escritor da rua (sobretudo carioca), seco e intenso, Rubem Fonseca criou em Agosto uma história policial trágica ao redor do dividido Comissário Mattos (José Mayer). Honesto em meio a uma corporação corrupta, Mattos também balançava entre um amor do presente, Salete (Letícia Sabatella), e outro do passado, Alice (Vera Fischer), enquanto vivia consumido por uma intensa gastrite. A frágil Alice, por sua vez, tinha casado com Pedro Lomagno (José Wilker), tipo ambicioso e amante de Luciana (Lúcia Veríssimo), mulher de Paulo Gomes de Aguiar. Pois então, para controlar a empresa de Aguiar, Lomagno e Chicão (Norton Nascimento) arquitetam sua morte, o que não chega a ser um mistério para o espectador da minissérie.
Porém, Mattos se confunde com algumas evidências que ligam Gregório Fortunato (Tony Tornado), chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas acusado do atentado a Carlos Lacerda, à empresa ambicionada por Lomagno e o tem como suspeito da morte de Aguiar. Fortunato é o principal personagem real a participar da trama de Agosto e estes paralelos entre a ficção e a não-ficção – a saber, o esfacelamento do governo de Vargas culminando no suicídio em 24 de agosto de 1954 – só amplificavam a roda viva de sentimentos e impulsos dos personagens.
“Quando a gente faz personagens nascidos da boa literatura a gente se torna melhor. Nem é muito mérito nosso não. Mas a gente fica visivelmente melhor quando fala texto de bons autores. Pra mim, [o Comissário Mattos] foi um crescimento na carreira”, relembrou José Mayer dentro do projeto Memória Globo. Mayer, aliás, não foi a primeira opção para viver Mattos. Quando Carlos Manga o chamou seu papel deveria ser o do vilão Pedro Lomagno e Mattos ficaria com Cláudio Marzo. Mas problemas de saúde deste o afastaram da produção e a oportunidade caiu como uma luva no estilo calado de Mayer (que, anos mais tarde, interpretou outro personagem de Rubem Fonseca no longa Buffo & Spallanzani). Lomagno ficou com José Wilker.
CAIO O PANO - A história não acaba bem para grande parte dos envolvidos em Agosto. No mundo real, Gregório Fortunato, o Anjo Negro, foi preso e assassinado no presídio em 1963. Os braços armados de Fortunato na ação contra Lacerda, Climério Euribes de Almeida e Alcino João do Nascimento (o confesso autor dos tiros que tentou impedir judicialmente a exibição da minissérie), também foram presos. Nascimento passou pouco mais de 21 anos entre as grades e foi liberto em 1975.
Getúlio Vargas cometeu suicídio, mas entrou para a história. A princípio vítima, Carlos Lacerda foi vilanizado pela opinião pública após a morte de Vargas e as coisas para o seu lado não melhoram quando mais tarde, e com apoio de militares, tentou dar um golpe em Juscelino Kubitschek. Acabou caindo no ostracismo pelas mãos das próprias Forças Armadas que apoiou em 1964.
Agora, José Henrique Fonseca está muito bem, obrigado. Irá lançar seu novo longa, Heleno (sobre o intempestivo jogador de futebol Heleno de Freitas), em novembro e seu pai não tem nada a ver com isso. “Cinema é amadurecimento. Veja os filmes do Clint Eastwood, os últimos filmes do John Huston. Cineastas filmam bem em final de carreira. Não trocaria a forma mais objetiva como enxergo minha profissão hoje em dia, pela garra do início de carreira. Penso que vou fazer, ou pelo menos vou ter a chance de fazer filmes mais interessantes, a partir de um amadurecimento como homem, como cineasta.”
Já no campo ficcional, o Mattos... bem, após um surto memorável no qual prende todos os policiais e liberta os detentos de uma delegacia, o Mattos... olha, o melhor é rever a minissérie porque meses como esse agosto de 1954 são realmente inesquecíveis.
p.s.: segue abaixo uma das músicas da trilha de agosto, "segredo" (herivelto martins e marino pinto). na minissérie a versão é a clássica de dalva de oliveira lançada em 1947, mas aqui vou com uma recente de ney matogrosso, direto do show da turnê do disco beijo bandido (2009). ney já havia gravado "segredo" em outras duas ocasiões: pescador de pérolas (1987) e à flor da pele (1991).
CLÁSSICOS - AGOSTO
As primeiras noites de agosto de 1954 foram agitadas no Rio de Janeiro. Modo de falar, claro. Aquelas primeiras noites mudaram a história do país. Tudo começou com o assassinato do empresário Paulo Gomes de Aguiar no primeiro dia do mês em um prédio numa das ruas mais movimentadas de Copacabana. Apenas quatro dias depois, e distante cerca de seis quarteirões, o jornalista Carlos Lacerda sofreu um atentado e quem acabou morrendo foi Rubens Vaz, major da Aeronáutica que fazia sua segurança.
Nada menos que o presidente Getúlio Vargas, principal alvo das críticas e denúncias de Lacerda, tornou-se o principal suspeito de ser o mandante, deixando o país em pé de guerra. Mas o Comissário Mattos acreditava que os dois crimes tinham alguma conexão. Pelo menos no campo da ficção, já que estamos falando de Agosto, minissérie baseada em livro homônimo de Rubem Fonseca lançado em 1990 e que agora ganha reexibição.
Mistura hábil de personagens ficcionais com figuras muito reais, e excelente reconstituição de época, os 16 capítulos de Agosto foram ao ar entre os dias 24 de agosto e 17 de setembro de 1993 com produção e direção artística do veterano Carlos Manga. Já o roteiro adaptado ficou a cargo de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, enquanto a direção foi dividida entre Paulo José, Denise Saraceni e o jovem estreante José Henrique Fonseca. “Foi o Manga que me convidou e de certa forma me ‘indicou’ [risos] ao Paulo José, diretor-geral da série. Dirigia algumas cenas externas e no final acabei fazendo algumas bem legais, mas rodei poucas em estúdio. A maior parte eram externas noturnas e assassinatos. Devo dizer que gostava”, relembrou Fonseca, não por acaso filho de Rubem Fonseca, em entrevista para a MONET.
Foi sua primeira grande experiência como diretor e mais tarde assinaria inúmeros clipes, shows, filmes publicitários, um dos episódios de Traição (1998), o longa O Homem do Ano (2003) e a série Mandrake (2005-07). Detalhe: tanto O Homem do Ano quanto Mandrake tiveram participação direta ou indireta de Rubem Fonseca. “Já disse e repito que poderia ser o cineasta oficial do meu pai se fosse preciso, ou se alguém quisesse fechar um acordo desse... toparia na hora!!! Faço cinema por causa dele, pelos filmes que vi com ele, pelos livros que li na minha juventude, inclusive e sobretudo os que ele escreveu.”
Escritor da rua (sobretudo carioca), seco e intenso, Rubem Fonseca criou em Agosto uma história policial trágica ao redor do dividido Comissário Mattos (José Mayer). Honesto em meio a uma corporação corrupta, Mattos também balançava entre um amor do presente, Salete (Letícia Sabatella), e outro do passado, Alice (Vera Fischer), enquanto vivia consumido por uma intensa gastrite. A frágil Alice, por sua vez, tinha casado com Pedro Lomagno (José Wilker), tipo ambicioso e amante de Luciana (Lúcia Veríssimo), mulher de Paulo Gomes de Aguiar. Pois então, para controlar a empresa de Aguiar, Lomagno e Chicão (Norton Nascimento) arquitetam sua morte, o que não chega a ser um mistério para o espectador da minissérie.
Porém, Mattos se confunde com algumas evidências que ligam Gregório Fortunato (Tony Tornado), chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas acusado do atentado a Carlos Lacerda, à empresa ambicionada por Lomagno e o tem como suspeito da morte de Aguiar. Fortunato é o principal personagem real a participar da trama de Agosto e estes paralelos entre a ficção e a não-ficção – a saber, o esfacelamento do governo de Vargas culminando no suicídio em 24 de agosto de 1954 – só amplificavam a roda viva de sentimentos e impulsos dos personagens.
“Quando a gente faz personagens nascidos da boa literatura a gente se torna melhor. Nem é muito mérito nosso não. Mas a gente fica visivelmente melhor quando fala texto de bons autores. Pra mim, [o Comissário Mattos] foi um crescimento na carreira”, relembrou José Mayer dentro do projeto Memória Globo. Mayer, aliás, não foi a primeira opção para viver Mattos. Quando Carlos Manga o chamou seu papel deveria ser o do vilão Pedro Lomagno e Mattos ficaria com Cláudio Marzo. Mas problemas de saúde deste o afastaram da produção e a oportunidade caiu como uma luva no estilo calado de Mayer (que, anos mais tarde, interpretou outro personagem de Rubem Fonseca no longa Buffo & Spallanzani). Lomagno ficou com José Wilker.
CAIO O PANO - A história não acaba bem para grande parte dos envolvidos em Agosto. No mundo real, Gregório Fortunato, o Anjo Negro, foi preso e assassinado no presídio em 1963. Os braços armados de Fortunato na ação contra Lacerda, Climério Euribes de Almeida e Alcino João do Nascimento (o confesso autor dos tiros que tentou impedir judicialmente a exibição da minissérie), também foram presos. Nascimento passou pouco mais de 21 anos entre as grades e foi liberto em 1975.
Getúlio Vargas cometeu suicídio, mas entrou para a história. A princípio vítima, Carlos Lacerda foi vilanizado pela opinião pública após a morte de Vargas e as coisas para o seu lado não melhoram quando mais tarde, e com apoio de militares, tentou dar um golpe em Juscelino Kubitschek. Acabou caindo no ostracismo pelas mãos das próprias Forças Armadas que apoiou em 1964.
Agora, José Henrique Fonseca está muito bem, obrigado. Irá lançar seu novo longa, Heleno (sobre o intempestivo jogador de futebol Heleno de Freitas), em novembro e seu pai não tem nada a ver com isso. “Cinema é amadurecimento. Veja os filmes do Clint Eastwood, os últimos filmes do John Huston. Cineastas filmam bem em final de carreira. Não trocaria a forma mais objetiva como enxergo minha profissão hoje em dia, pela garra do início de carreira. Penso que vou fazer, ou pelo menos vou ter a chance de fazer filmes mais interessantes, a partir de um amadurecimento como homem, como cineasta.”
Já no campo ficcional, o Mattos... bem, após um surto memorável no qual prende todos os policiais e liberta os detentos de uma delegacia, o Mattos... olha, o melhor é rever a minissérie porque meses como esse agosto de 1954 são realmente inesquecíveis.
p.s.: segue abaixo uma das músicas da trilha de agosto, "segredo" (herivelto martins e marino pinto). na minissérie a versão é a clássica de dalva de oliveira lançada em 1947, mas aqui vou com uma recente de ney matogrosso, direto do show da turnê do disco beijo bandido (2009). ney já havia gravado "segredo" em outras duas ocasiões: pescador de pérolas (1987) e à flor da pele (1991).
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
cadê a peruca de crina de cavalo do ney?
foi a primeira vez que falei com ney matogrosso. meros 20 minutos e por telefone. mas o bastante para admirá-lo ainda mais por sua franqueza e simpatia. conversa boa, viu? a deixa para essa entrevista é a exibição do seu mais recente show, beijo bandido, no canal brasil (dia 19 de dezembro, 21h), e o texto abaixo, inédito, estará na revista monet de dezembro que ainda estamos fazendo (quer dizer, estou saindo de férias na semana que vem, ficando 20 dias fora, e nem pegarei o fechamento). e o show sairá em dvd logo depois, ou antes.

SANGUE E PAIXÃO
Camaleão em pele de sofisticado artista pop, Ney Matogrosso está muito próximo de completar 70 anos. Não parece, claro. Nem ao telefone, com sua voz tranquila, bem humorada e límpida, e muito menos no palco, espaço que domina como poucos há quatro décadas. Quem já o viu saracoteando ao vivo sabe de sua intensidade e magnetismo. Ninguém é Ney Matogrosso à toa e seu mais recente show, Beijo Bandido, é uma nova prova disso. Gravada em agosto, na reabertura do reformado Theatro Municipal carioca, a apresentação chega ao Canal Brasil com toda a energia do ex-integrante da lendária banda Secos & Molhados aliada a uma recém-descoberta maturidade artística.
“Acho que estou mais maduro na forma. Antes era uma coisa muito aleatória. Agora vou entendendo e procurando dar uma continuidade na história. Antigamente não era assim: eu entrava, caía naquela loucura e ia até o final sem muita preocupação com a forma. Agora estou conduzindo mais a história e antes era conduzido.” E o show Beijo Bandido, que ganhou este nome por causa do elogiado disco de 2009, é conduzido como uma história romântica cheia de cores e possibilidades, e como sempre esbarrando no erotismo, no qual cabem músicas de veteranos como Luiz Bonfá (“De Cigarro em Cigarro”), Herivelto Martins (“Segredo”), Roberto e Erasmo Carlos (“À Distância”) e Vinicius de Moraes (“Medo de Amar”), mas também de jovens como Herbert Vianna (“Nada por Mim”), Vitor Ramil (“Invento”), Junior Almeida (“A Cor do Desejo”) e Cazuza (“Mulher Sem Razão”).
Curioso é que este repertório repleto de corações partidos nasceu de um estímulo, digamos assim, político-ambiental. Ney explica melhor: “Esse trabalho surgiu porque a Lucélia Santos me ligou dizendo que era aniversário de morte do Chico Mendes – e a única passeata que fui na minha vida foi uma com ele pela defesa da Amazônia. A Lucélia também participou e como sabia que eu tinha essa ligação me perguntou se não queria fazer um show. Comecei a pensar e fui vendo que começou a aparecer um repertório romântico, mas achei que tudo bem. Quero sempre cantar o que gosto, independente do que for.”
O bom dessa autonomia é que Ney gosta de muita coisa e está sempre de ouvidos abertos. Em discos recentes como Olhos de Farol (1999), Vagabundo (2004, feito em parceria com Pedro Luís e a Parede) e Inclassificáveis (2008), o intérprete mostrou a seus fãs que a música popular brasileira continua pulsante no cancioneiro de gente como Itamar Assumpção, Marcelo Camelo, André Abujamra e Luiz Tatit. Mas obviamente nunca deixa de lado as vozes que aprendeu a amar ouvindo o rádio da década de 1950. E dá-lhe Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso e Ângela Maria.
De terno sóbrio e justo, o cantor investiga em Beijo Bandido os sobressaltos do amor, mas atualmente ele mesmo não tem o que reclamar desse campo permanentemente minado. Não revela nada, discreto como sempre, mas sua voz deixa escapar sinais de felicidade. Bem, pode ser também porque virou unanimidade nacional e só faz os discos e shows que quer. “Olha, quando vi o show gravado vi que é o primeiro que realmente... tem alguns outros que gosto, mas esse me satisfez artisticamente. Já vi duas vezes e tive muito prazer ao vê-lo.” Se Ney, autocrítico que é, repetiu a dose, imagine a gente...
e agora segue a breve entrevista na íntegra.
Como nascem seus discos? Cada um tem uma história diferente ou você já tem um método na escolha de repertório?
Nascem de várias maneiras, por vários estímulos. Esse, por exemplo, surgiu porque a Lucélia Santos me ligou dizendo que era aniversário de morte do Chico Mendes – e a única passeata que eu fui na minha vida inteira foi uma com o Chico aqui no Rio de Janeiro pela defesa da Amazônia. A Lucélia também participou e como sabia que eu tinha essa ligação me perguntou se não queria fazer um show para o aniversário da morte dele no Teatro Tom Jobim. Estava fazendo o show “Inclassificáveis”, mas ele não cabia lá, então comecei a pensar em outro show. Fui vendo que começou a aparecer um repertório romântico, mas achei que tudo bem. Quero sempre cantar o que gosto, independente de ser o que for. Quando terminei fui falar com ela, que ficou espantada e disse que “não era um show inteiro!”. Aí respondi que era tarde demais [risos]. Mas no dia cantei 6 das 14 músicas desse show. Depois de gravar o disco coloquei mais 5 para montar o show definitivo, porque 14 é pouco para um show.
E quando você está montando o repertório já pensa no show?
Penso. Penso. Não consigo disso dissociar. Quando começo a gravar um disco já começo a imaginar como será o espírito da coisa ao vivo. Claro que só depois vou entender como a coisa vai ser, mas já vou tendo idéias pra frente.
Acontece então de músicas ficarem de fora se você acha que não terão força ao vivo?
Sim, podem ficar de fora. Como também podem entrar outras. Depois dessa apresentação no Teatro Tom Jobim fiz outros três shows em lugares diferentes para públicos muito diferentes. Queria observar a reação dessas pessoas ao repertório e em função disso tirei “Veleiros” (Heitor Villa-Lobos) e “Tema de Amor de Gabriela” (Tom Jobim), que ficavam no meio do show e acabavam dando uma amornada. Aí gravei o disco sem elas e acabei colocando outras no lugar. Achei que podia colocar alguma coisa mais pop no disco e não ficar apenas nos clássicos, sabe? Então coloquei “Nada por Mim” (Herbert Vianna e Paula Toller) e “A Cor do Desejo”, que é de um compositor de Maceió, o Junior Almeida (em parceria com Ricardo Guima). Achei que o show ficou mais equilibrado. Tirou aquela cara de recital apenas. Continua sendo um recital, mas ele é pop no sentido que canto um tango, um Piazzolla, um bolero, uma música do Roberto Carlos que queria cantar faz muito tempo (“À Distância”), alternando climas. Embora a temática romântica seja a mesma.
Você mudou no palco nos últimos anos?
Acho que estou mais maduro na forma. Antes era uma coisa muito aleatória. Agora eu vou entendendo e procurando dar uma continuidade na história. Antigamente não era assim: eu entrava, caía naquela loucura e ia até o final sem muita preocupação com a forma. Agora estou conduzindo mais a história, antes eu era conduzido. É o amadurecimento mesmo. Ah, mas deixa te falar uma coisa que descobri recentemente. Um amigo me mostrou uns livros sobre butô, aquela dança japonesa, e fiquei muito impressionado porque eu me via nas fotos dos livros. Eu me via em cena! Nunca imaginei que eu fizesse butô [risos]. Gostei de saber disso. Claro que não é trágico como o do Kazuo Ohno, mas tem uma coisa similiar.
Essa descoberta te fez pesquisar mais sobre?
É uma descoberta muito recente. Vou fazer um ensaio fotográfico e estou pensando em caminhar exatamente por aí. Tenho uma série de amigos fotógrafos e às vezes faço ensaios sem maiores pretensões. Apenas para entrar no estúdio e curtir. Estou atrás de uma peruca gigante de crina de cavalo que eu tinha... mas não sei, não encontrei. Achei que seria interessante pra esse trabalho. Ia até a cintura e era muito selvagem. Ela cai sobre o rosto, fica em pé no alto da cabeça. Era uma peruca que foi feita pra mim, sabe? [risos] Já usei até em show.
No release diz que o show foi dedicado ao Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN)...
Foram duas noites no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, uma delas para esse projeto. Foi na mesma noite que o [empresário] Eike Batista doou R$ 4,5 milhões para o movimento e... estamos esperando.
Não veio ainda?
Ainda não [risos].
Eike caloteiro... [risos]
Não, imagina...
Tô brincando.
Ele não ia se comprometer publicamente, né? Mas o dinheiro não chegou na mão do movimento...
Mas como começou sua relação com o projeto?
Foi em 2000. Fui procurado por engano porque o Ney Latorraca tinha dado uma entrevista dizendo que ia deixar a herança dele para projetos relacionados a AIDS e a Hanseníase. E aí mandaram procurar o Latorraca e chegaram a mim [risos]. Não foi uma surpresa.
É comum confundirem vocês? [risos]
Acontece muito na rua. As pessoas gritam: “Ê, Ney Latorraca!”. Eu já aceno, nem digo nada [risos]. E ele também acena quando o chamam de Matogrosso.
Olha só, tipo Itamar Assumpção e Luiz Melodia. Gêmeos.
Pode ser. Só que nossos nomes são parecidos. Ambos somos de Mato Grosso. Também tem isso, né?
Então começou assim...
Começou com essa confusão. E eu achava, como 99,9% da população, que essa doença não existia mais no Brasil. Eu achava que não existia mais no mundo! E fiquei muito assustado em saber que o Brasil lidera... temos essa medalha de ouro vergonhosa [nesse ano, segundo a OMS, o Brasil caiu para o segundo lugar e a Índia voltou a liderar]. Comecei a pedir informações e vi que eram extremamente úteis e não estavam disponíveis. Ninguém falava que a doença tem cura, que o remédio é de graça. Informações simples e muito importantes. Aí fui participando de campanhas Brasil afora. Já são dez anos nisso.
E como foi ver o registro do show?
Olha, quando vi o show gravado vi que é o primeiro que realmente... tem outros que gosto, mas esse me satisfez artisticamente. O pessoal que filmou, a Urca Filmes, fez algumas intervenções visuais que me agradaram muito. Já vi duas vezes e tive muito prazer ao vê-lo.
e pra encerrar, um video raro: ney cantando "desafinado" (tom jobim e newton mendonça) em um especial da tv bandeirantes de 1978.

SANGUE E PAIXÃO
Camaleão em pele de sofisticado artista pop, Ney Matogrosso está muito próximo de completar 70 anos. Não parece, claro. Nem ao telefone, com sua voz tranquila, bem humorada e límpida, e muito menos no palco, espaço que domina como poucos há quatro décadas. Quem já o viu saracoteando ao vivo sabe de sua intensidade e magnetismo. Ninguém é Ney Matogrosso à toa e seu mais recente show, Beijo Bandido, é uma nova prova disso. Gravada em agosto, na reabertura do reformado Theatro Municipal carioca, a apresentação chega ao Canal Brasil com toda a energia do ex-integrante da lendária banda Secos & Molhados aliada a uma recém-descoberta maturidade artística.
“Acho que estou mais maduro na forma. Antes era uma coisa muito aleatória. Agora vou entendendo e procurando dar uma continuidade na história. Antigamente não era assim: eu entrava, caía naquela loucura e ia até o final sem muita preocupação com a forma. Agora estou conduzindo mais a história e antes era conduzido.” E o show Beijo Bandido, que ganhou este nome por causa do elogiado disco de 2009, é conduzido como uma história romântica cheia de cores e possibilidades, e como sempre esbarrando no erotismo, no qual cabem músicas de veteranos como Luiz Bonfá (“De Cigarro em Cigarro”), Herivelto Martins (“Segredo”), Roberto e Erasmo Carlos (“À Distância”) e Vinicius de Moraes (“Medo de Amar”), mas também de jovens como Herbert Vianna (“Nada por Mim”), Vitor Ramil (“Invento”), Junior Almeida (“A Cor do Desejo”) e Cazuza (“Mulher Sem Razão”).
Curioso é que este repertório repleto de corações partidos nasceu de um estímulo, digamos assim, político-ambiental. Ney explica melhor: “Esse trabalho surgiu porque a Lucélia Santos me ligou dizendo que era aniversário de morte do Chico Mendes – e a única passeata que fui na minha vida foi uma com ele pela defesa da Amazônia. A Lucélia também participou e como sabia que eu tinha essa ligação me perguntou se não queria fazer um show. Comecei a pensar e fui vendo que começou a aparecer um repertório romântico, mas achei que tudo bem. Quero sempre cantar o que gosto, independente do que for.”
O bom dessa autonomia é que Ney gosta de muita coisa e está sempre de ouvidos abertos. Em discos recentes como Olhos de Farol (1999), Vagabundo (2004, feito em parceria com Pedro Luís e a Parede) e Inclassificáveis (2008), o intérprete mostrou a seus fãs que a música popular brasileira continua pulsante no cancioneiro de gente como Itamar Assumpção, Marcelo Camelo, André Abujamra e Luiz Tatit. Mas obviamente nunca deixa de lado as vozes que aprendeu a amar ouvindo o rádio da década de 1950. E dá-lhe Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso e Ângela Maria.
De terno sóbrio e justo, o cantor investiga em Beijo Bandido os sobressaltos do amor, mas atualmente ele mesmo não tem o que reclamar desse campo permanentemente minado. Não revela nada, discreto como sempre, mas sua voz deixa escapar sinais de felicidade. Bem, pode ser também porque virou unanimidade nacional e só faz os discos e shows que quer. “Olha, quando vi o show gravado vi que é o primeiro que realmente... tem alguns outros que gosto, mas esse me satisfez artisticamente. Já vi duas vezes e tive muito prazer ao vê-lo.” Se Ney, autocrítico que é, repetiu a dose, imagine a gente...
e agora segue a breve entrevista na íntegra.
Como nascem seus discos? Cada um tem uma história diferente ou você já tem um método na escolha de repertório?
Nascem de várias maneiras, por vários estímulos. Esse, por exemplo, surgiu porque a Lucélia Santos me ligou dizendo que era aniversário de morte do Chico Mendes – e a única passeata que eu fui na minha vida inteira foi uma com o Chico aqui no Rio de Janeiro pela defesa da Amazônia. A Lucélia também participou e como sabia que eu tinha essa ligação me perguntou se não queria fazer um show para o aniversário da morte dele no Teatro Tom Jobim. Estava fazendo o show “Inclassificáveis”, mas ele não cabia lá, então comecei a pensar em outro show. Fui vendo que começou a aparecer um repertório romântico, mas achei que tudo bem. Quero sempre cantar o que gosto, independente de ser o que for. Quando terminei fui falar com ela, que ficou espantada e disse que “não era um show inteiro!”. Aí respondi que era tarde demais [risos]. Mas no dia cantei 6 das 14 músicas desse show. Depois de gravar o disco coloquei mais 5 para montar o show definitivo, porque 14 é pouco para um show.
E quando você está montando o repertório já pensa no show?
Penso. Penso. Não consigo disso dissociar. Quando começo a gravar um disco já começo a imaginar como será o espírito da coisa ao vivo. Claro que só depois vou entender como a coisa vai ser, mas já vou tendo idéias pra frente.
Acontece então de músicas ficarem de fora se você acha que não terão força ao vivo?
Sim, podem ficar de fora. Como também podem entrar outras. Depois dessa apresentação no Teatro Tom Jobim fiz outros três shows em lugares diferentes para públicos muito diferentes. Queria observar a reação dessas pessoas ao repertório e em função disso tirei “Veleiros” (Heitor Villa-Lobos) e “Tema de Amor de Gabriela” (Tom Jobim), que ficavam no meio do show e acabavam dando uma amornada. Aí gravei o disco sem elas e acabei colocando outras no lugar. Achei que podia colocar alguma coisa mais pop no disco e não ficar apenas nos clássicos, sabe? Então coloquei “Nada por Mim” (Herbert Vianna e Paula Toller) e “A Cor do Desejo”, que é de um compositor de Maceió, o Junior Almeida (em parceria com Ricardo Guima). Achei que o show ficou mais equilibrado. Tirou aquela cara de recital apenas. Continua sendo um recital, mas ele é pop no sentido que canto um tango, um Piazzolla, um bolero, uma música do Roberto Carlos que queria cantar faz muito tempo (“À Distância”), alternando climas. Embora a temática romântica seja a mesma.
Você mudou no palco nos últimos anos?
Acho que estou mais maduro na forma. Antes era uma coisa muito aleatória. Agora eu vou entendendo e procurando dar uma continuidade na história. Antigamente não era assim: eu entrava, caía naquela loucura e ia até o final sem muita preocupação com a forma. Agora estou conduzindo mais a história, antes eu era conduzido. É o amadurecimento mesmo. Ah, mas deixa te falar uma coisa que descobri recentemente. Um amigo me mostrou uns livros sobre butô, aquela dança japonesa, e fiquei muito impressionado porque eu me via nas fotos dos livros. Eu me via em cena! Nunca imaginei que eu fizesse butô [risos]. Gostei de saber disso. Claro que não é trágico como o do Kazuo Ohno, mas tem uma coisa similiar.
Essa descoberta te fez pesquisar mais sobre?
É uma descoberta muito recente. Vou fazer um ensaio fotográfico e estou pensando em caminhar exatamente por aí. Tenho uma série de amigos fotógrafos e às vezes faço ensaios sem maiores pretensões. Apenas para entrar no estúdio e curtir. Estou atrás de uma peruca gigante de crina de cavalo que eu tinha... mas não sei, não encontrei. Achei que seria interessante pra esse trabalho. Ia até a cintura e era muito selvagem. Ela cai sobre o rosto, fica em pé no alto da cabeça. Era uma peruca que foi feita pra mim, sabe? [risos] Já usei até em show.
No release diz que o show foi dedicado ao Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN)...
Foram duas noites no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, uma delas para esse projeto. Foi na mesma noite que o [empresário] Eike Batista doou R$ 4,5 milhões para o movimento e... estamos esperando.
Não veio ainda?
Ainda não [risos].
Eike caloteiro... [risos]
Não, imagina...
Tô brincando.
Ele não ia se comprometer publicamente, né? Mas o dinheiro não chegou na mão do movimento...
Mas como começou sua relação com o projeto?
Foi em 2000. Fui procurado por engano porque o Ney Latorraca tinha dado uma entrevista dizendo que ia deixar a herança dele para projetos relacionados a AIDS e a Hanseníase. E aí mandaram procurar o Latorraca e chegaram a mim [risos]. Não foi uma surpresa.
É comum confundirem vocês? [risos]
Acontece muito na rua. As pessoas gritam: “Ê, Ney Latorraca!”. Eu já aceno, nem digo nada [risos]. E ele também acena quando o chamam de Matogrosso.
Olha só, tipo Itamar Assumpção e Luiz Melodia. Gêmeos.
Pode ser. Só que nossos nomes são parecidos. Ambos somos de Mato Grosso. Também tem isso, né?
Então começou assim...
Começou com essa confusão. E eu achava, como 99,9% da população, que essa doença não existia mais no Brasil. Eu achava que não existia mais no mundo! E fiquei muito assustado em saber que o Brasil lidera... temos essa medalha de ouro vergonhosa [nesse ano, segundo a OMS, o Brasil caiu para o segundo lugar e a Índia voltou a liderar]. Comecei a pedir informações e vi que eram extremamente úteis e não estavam disponíveis. Ninguém falava que a doença tem cura, que o remédio é de graça. Informações simples e muito importantes. Aí fui participando de campanhas Brasil afora. Já são dez anos nisso.
E como foi ver o registro do show?
Olha, quando vi o show gravado vi que é o primeiro que realmente... tem outros que gosto, mas esse me satisfez artisticamente. O pessoal que filmou, a Urca Filmes, fez algumas intervenções visuais que me agradaram muito. Já vi duas vezes e tive muito prazer ao vê-lo.
e pra encerrar, um video raro: ney cantando "desafinado" (tom jobim e newton mendonça) em um especial da tv bandeirantes de 1978.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
letra/música #18
ney matogrosso é um sujeito e tanto. intérprete sério e porralouca, coerente e constantemente aberto - o mencionei rapidamente na domingueira passada -, ney tem muitas fases, facetas, momentos. mas acho que minhas preferências acabam recaindo sobre sua fase "séria", de discos como pescador de pérolas (cbs, 1987), as aparências enganam (polygram, 1993), olhos de farol (polygram, 1998) e vagabundo (universal, 2004). só que ontem lembrei de uma música que sempre achei muito engraçada e que é de um de seus discos mais populares, pois é (barclay/ariola/universal, 1983), no qual comemorou dez anos de carreira. toda trabalhada em um homoerotismo caboclo amazônico, "cobra manaus" é de eduardo dusek e de luiz carlos góes (escritor, habitual parceiro de dusek e roteirista de filmes como rock estrela e lua de cristal). prestando um pouco mais atenção na letra é fácil ver uma poesia intensa, cheia de imagens fortes, sensual de verdade, mas... eu só acho ela muito divertida, principalmente pelo gritinho sibilante de ney na hora de falar "manauuuussss". pois então.

cobra manaus
(eduardo dusek e luiz carlos góes)
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ela mora debaixo desse cais
ela gosta de moça e de rapaz
te enrola macio num anel
e te cobre de veneno e mel
ela leva pro rio bons e maus
ela passa sua língua em manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra (bis)
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
é manaus, cobra rio, cobra amante
é a espreita, é o desejo, é o instante
é o pecado com brilho de brilhante
é o desejo da vida sibilante
violenta os barcos nos seus vaus
com o prazer que ela bebe de manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra (bis)
é manaus, cobra amiga, cobra fada
que desperta do sono espreguiçada
quando acorda tudo fica diferente
se espreguiça, se estica e estica a gente
cobra manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra (bis)
Ney Matogrosso - Cobra Manaus by dafnesampaio4

cobra manaus
(eduardo dusek e luiz carlos góes)
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ela mora debaixo desse cais
ela gosta de moça e de rapaz
te enrola macio num anel
e te cobre de veneno e mel
ela leva pro rio bons e maus
ela passa sua língua em manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra (bis)
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
ondeia, ondeia, balança e venha
é manaus, cobra rio, cobra amante
é a espreita, é o desejo, é o instante
é o pecado com brilho de brilhante
é o desejo da vida sibilante
violenta os barcos nos seus vaus
com o prazer que ela bebe de manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra (bis)
é manaus, cobra amiga, cobra fada
que desperta do sono espreguiçada
quando acorda tudo fica diferente
se espreguiça, se estica e estica a gente
cobra manaus
cobra manaus
cobra manaus
cobra (bis)
Ney Matogrosso - Cobra Manaus by dafnesampaio4
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