quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

... e um 2010 totalmente excelente!

tô com carolina e família (incluindo meus pais que vieram de fortaleza) em algum lugar entre palmital e ibirarema, noroeste paulista. em algum lugar nada, estamos na fazenda santa olinda. depois de cinco dias na roça sem internet deu tempo pra pegar um resfriado, nadar muito na piscina gigante, ficar vermelho pimentão, comer bastante, brincar de rally na terra vermelha, dar uns tiros com uma espingarda de pressão, enfim, fazer coisas diferentes. já tô voltando pra lá. preciso antes passar no supermercado, comprar uns lances e tal. mas olha, que todos que passem por aqui tenham um ótimo reveillon...

essa foto foi tirada na santa olinda tem uns cinco anos; pena que esses cachorros não estão mais lá

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

o reggae da mallu

a regiane, colega aqui da época sp, deu o toque no twitter: saiu o primeiro clipe do segundo, e recém lançado, disco da mallu magalhães. a música é a lindinha "shine yellow", reggae praiano e relaxado da garota folk. aliás, esse disco da mallu tá bem bom, extraordinariamente variado e com mais músicas cantadas em português. não se deixe levar por preconceitos com a garota. ela é boa, vai longe e como diria jorge da capadócia: "deixa a menina brincar".

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

CORJA #6

olha, eu não sou de fazer fofoca, mas se querem um culpado pela demora dessa edição podem apontar seus canhões para douglas mendonça feitosa, o oga. a gente gravou numa segunda, 23 de novembro e tinha chovido pra cacete...

ah, finalmente! no ar, a edição #6 do corjacast. o resto do texto introdutório você pode ler no endereço oficial de nosso podcast, com direito a download em mp3, videos relacionados e outras mumunhas. claro que também dá pra ouvir aí do lado, no player do gcast. divirtam-se e não esqueçam de espalhar, comentar, sugerir ou xingar a mãe de alguém (mas que não sejam as nossas).

corjacast#6 by corjacast

2009 e a música

final de ano é tempo de lista, balanço, retrospectiva, etc. o pessoal da rolling stone voltou a pedir minhas opiniões sobre os dez melhores discos nacionais e internacionais, e as dez melhores músicas nacionais internacionais de 2009. sinceramente, venho achando que a cada ano que passa está ficando mais difícil fechar listas assim do tipo "as dez melhores". tem muita coisa boa sendo produzida em todo lugar, a todo momento, e dá um frenesi ótimo esse de garimpar coisas boas. mas é difícil, às vezes dolorido, fechar em dez. enfim, vida é escolhas. agora, mais especificamente sobre música brasileira, preparei uma lista bem abrangente de discos (mais dvds e livros) lá para o gafieiras. já já deve subir e eu aviso por aqui e pelo twitter. vamos lá, em ordem alfabética...

disco nacional
arnaldo antunesiê iê iê (rosa celeste)
caio bosco - diamante EP (independente)
céuvagarosa (universal)
cidadão instigadouhuuu! (independente)
emicida - pra quem já mordeu cachorro por comida até que eu cheguei longe... (independente)
erasmo carlosrock’n’roll (coqueiro verde)
lucas santtanasem nostalgia (yb music)
maria alcinaconfete e serpentina (outros discos)
romulo fróesno chão sem o chão (yb music)
wadoatlântico negro (independente)


música nacional
ainda ontem”, emicida
beleza”, mariana aydar & mayra andrade
bloco neguinho”, nervoso e os calmantes
bubuia”, céu, thalma de freitas & anelis assumpção
cira, regina e nana”, lucas santanna
invejoso”, arnaldo antunes
me adora”, pitty
modern kid”, júpiter maçã
pavão macaco”, wando
viver”, flora matos & stereodubs


disco internacional
beirut - march of the zapotec + realpeople holland (pompeii)
breakestra - dusk till dawn (strut)
franz ferdinandtonight (domino)
iggy poppréliminaires (astralwerks/emi)
kid cudi - man on the moon: the end of day (universal motown)
k'naan - troubadour (a&m/octone)
lily allenit’s not me, it’ you (emi)
lord newborn and the magic skulls (ubiquity)
mos defthe ecstatic (downtown records)
mulatu astatke & the heliocentrics - inspiration information 3 (strut)


música internacional
an epic story”, mulatu astatke & the heliocentrics
animal”, miike snow [mark ronson remix]
baby”, devendra banhart
chofer de praça”, luis visconde & alvarito [remix projeto comfusões]
green eyed love”, mayer hawthorne
pursuit of happiness”, kid cudi, mgmt & ratatat
splitting the atom”, massive attack, 3d, daddy g & horace andy
tourist”, julian casablancas
trippin’ at the disco”, people under the stairs
tv in the radio”, wale & k’naan

domingo, 20 de dezembro de 2009

vício da convivência

Quimby The Mouse from This American Life on Vimeo

animação do ilustrador chris ware (jimmy corrigan) apresentada durante uma transmissão especial, ao vivo e com audiência, do radiofônico this american life (chicago public radio). foi ao ar em janeiro desse ano e no link dá pra ouvir o programa gravado. a música é "eugene", de andrew bird (um dos preferidos da casa), e está no disco thrills (rykodisc, 1998).

e se eu quiser falar com deus?

tô aqui no começo de jimmy corrigan, o menino mais esperto do mundo (cia. das letras), livro em quadrinhos do chris ware que acabou de ser lançado aqui, e já muito impressionado com as quebras de tempo, o texto minimalista e poético, o traço sofisticado e enganosamente simples. enfim, fodão. literatura gráfica da mais alta qualidade (em um ano especialmente bom de lançamentos em quadrinhos no brasil). mas aí fiquei matutando, tentando lembrar de alguém aqui no brasil que fizesse tudo isso e pow! o laerte, porra! o LAERTE! e faz isso tem um tempão.
sou fã dele desde que o conheci, não sei se na chiclete com banana do angeli ou na saudosa circo (os palhaços mudos, putz). ali em meados dos anos 1980. depois teve a revista piratas do tietê e sempre as tirinhas na folha de são paulo. uma das coisas que sempre me fascinou no trabalho do laerte - fora seu traço ser um dos mais bonitos que já vi - foi sua liberdade formal. não sei se é a melhor expressão, mas essa falta de amarras (o personagem, suas características, coerência dramatúrgica, etc.) fazia suas histórias, tirinhas ou cartuns ganharem uma leveza, um humor e, ao mesmo tempo, uma profundidade que se espalhavam pr'além da leitura. oras bolas, esse é o material de que são feitos os clássicos, é isso que diferencia um grande artista (gênio?) de um "mero" artista. sua obra reverbera tempo afora. e isso bastaria pra colocá-lo entre os grandes criadores brasileiros.
mas alguma coisa aconteceu com laerte nos anos 2000. sua obra - sobretudo as tirinhas diárias da folha - ganharam mais sombras e novas profundidades. não saberia precisar uma data, uma obra, um acontecimento. mas tenho certeza que até mesmo seus fãs mais ardorosos, eu incluso, se assustaram ao se deparar com tirinhas que mergulhavam, dolorosamente até, em questões existenciais, metalinguísticas e o caralho a quatro. será que o laerte pirou? só bem depois soube que ele perdeu um de seus filhos em um acidente de carro em abril de 2005. diogo tinha 22 anos. quem não piraria?
em 2007, numa entrevista para o marco aurélio canônico na folha - por conta do lançamento do excelente laertevisão e da coletânea em três volumes de toda a saga do piratas do tietê -, o paulistano de (então) 56 anos abriu o jogo sobre essas mudanças: "é uma explicação que tem de passar pela morte do meu filho também, isso foi um divisor. eu passei a ver e pensar as coisas de um outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros. muito do que consistia a natureza das minhas tiras era um tipo de prestação de contas, era como se eu as estivesse fazendo para algum juiz, era um modo extenuante de trabalhar. passei também a não achar mais graça no tipo de humor que eu fazia, não me identificava mais com aquele modo de fazer, então resolvi deixar de lado os personagens".
o resultado é que laerte transformou para sempre os quadrinhos nacionais jogando com seus três ou quatro ou um ou dois quadradinhos diários (de 2005 pra cá). é claro que tem mais gente contribuindo para uma cena de quadrinhos mais forte e adulta no brasil - de bate pronto, lembro de lourenço mutarelli, que é de uma geração imediatamente posterior, e o jovem rafael sica -, mas nesse novo laerte tudo é mais belo e sombrio. em novembro de 2008, ele inaugurou o manual do minotauro, blog que vem reunindo seu trabalho mais recente, e durante esse período uma coisa ficou certa, cristalina (pelo menos pra mim): laerte coutinho é um dos 10 maiores criadores em quadrinhos de todos os tempos, no mundo inteiro, ombro a ombro com gente como robert crumb, will eisner, winsor mccay, moebius, etc. exagero? olha, dizem por aí que o laerte é deus. não sei. eu não acredito em deus. mas acredito sim no laerte. pra provar, pesquei algumas tirinhas lá no blog do homem (clique na imagem que aumenta). ô vontade de ver uma história longa dele nesses termos existenciais.

da série "ditadura"

da série "microrromance"


da série "mente"

p.s. 1: aliás, coloque o
manual do minotauro no seu favoritos, página inicial, qualquer coisa, mas tenha sua dose diária ou semanal, mas regular, de laerte. você será uma pessoa melhor.


p.s. 2: nessa quarta, dia 23, o andré conti, editor do selo quadrinhos na cia. (cia. de letras, que esse ano publicou jimmy corrigan, breakdows do art spiegelman, retalhos do craig thompson, umbigo sem fundo do dash shaw e jubiabá do spacca, etc), falou em seu twitter o seguinte: "em 2010, publicaremos muchacha, o primeiro graphic-folhetim (palavras dele) do mestre laerte. mesmo quem já acompanha a muchacha na folha terá umas boas surpresas. fiquei transtornado quando ele topou, um dos grandes momentos da minha vida editorial." que venha 2010.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"eu não tenho nada a ver com essa merda!"

já tinha visto na filmografia do wagner moura a existência de um negócio chamado blackout (2007), mas nunca vi de quem era, o que era, etc. e ontem assisti lá no blog do marcelo tas, que não visitava tinha um tempo, o curta. é a primeira experiência na direção do daniel rezende, um dos melhores editores do cinema nacional (cidade de deus, diários de motocicleta, tropa de elite, ensaio sobre a cegueira, etc.), e um belo trabalho, tanto visualmente quanto no conteúdo (brasília e suas armadilhas).

Blackout Subtitled from Daniel Rezende on Vimeo

letra/música #9

não resisti à overdose. é que a letra de "lado b do jornalista", do joão do morro, é muito boa pra deixar passar batida (e como não achei essa letra na internet, serve como serviço público). crítica e deboche em doses cavalares. essa raça, viu? merece!

capa e contracapa do disco do morro ao asfalto

lado b do jornalista
(joão do morro)

a turma passa anos e anos
estudando numa faculdade
pra ser um jornalista
daquele que dá notícias
fala mal ou bem
sou um cara punk, sou escroto
e por isso tomei liberdade
de fazer uma música
que pudesse falar de vocês também

o jornalista tem uma vida babada
é muita fechação
nos bastidores da mídia é vida loka
rola groove, rola pegação
e a putaria acontece
quando a turma se reúne e sai pra beber
a turma fuma um beque pra tirar o stress e espairecer

eu tô tirando essa onda
tirando onda com essa raça
de homens e mulheres e gays e muitos que adoram a massa
eu tô tirando essa onda
só espero que ninguém se queixe
jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe

eu tô tirando essa onda
porque eu gosto dessa raça
de homens e mulheres e gays e muitos que adoram a massa
eu tô tirando essa onda
só espero que ninguém se queixe
jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe



p.s.: e aqui tem o disco para baixar. corrão!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ei, joão! pega o gringo!

tem horas que a gente acha umas coisas e tudo faz sentido. pelo menos naquele momento. pelo menos pra si mesmo. tô aqui ouvindo o disco de estreia do figuraça joão do morro, do morro ao asfalto (independente, 2009), e me divertindo horrores com seu samba maroto, um tanto baiano, bastante desavergonhado. faixas como "ninguém segura", "sarará", "frentinha", "o avião" e a genial "lado b do jornalista" (tudo lá no myspace do pernambucano). aí encontrei o clipe da divertidíssima "eu não presto" (do refrão matador "eu não presto / não valho nada / eu sou do dia / sou da noitada / eu sou doidera / eu sou da cachorrada / só fica comigo se for mulher safada" e que tem participação do conde do brega). mais brasileiro e pop, impossível. ah, joão do morro tem outro clipe, é de "balaiagem", crônica debochada sobre questões capilares femininas.



também estou ouvindo bastante outro disco de estreia, sampleando deus e o mundo (independente, 2009), dos brasilienses do sacassaia (que disponibilizaram no site o disco para download gratuito). é música eletrônica, variada, mas profundamente brasileira e igualmente pop. outro tanto de músicas ótimas, tais como "ossoduro", "transmissão inclusiva", "gem jam" e "canibal". e por esses dias, a dupla (tony roballo e gardenel) lançou o fotoclipe de "pega o gringo", batidão crítico sobre a relação dos brasileiros com estrangeiros, certos clichês transnacionais, a imagem construída e refletida, etc. e tal.



pronto. mas aí, no mesmo dia - hoje - vejo o clipe dos suecos do maskinen (via thiago ney). nunca tinha ouvido falar dos eletro rappers afasi e frej larsson, mas a música "dansa med vapen" é quase toda cantada em português por marina ribatski (ex-bonde do rolê) e é um pancadão eletrônico bacana (produzido por johan hugo do radioclit). curioso é o clipe com os gringos sendo pegos e assassinados por uma tribo de canibais com armamentos saídos do cidade de deus (o título da música, aliás, significa "danças com armas"). quer dizer... é nozes.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

uma moça, uns caras e um kung fu fighting

e não é que "grains de beauté" foi a primeira música do disco vagarosa (urban jungle/universal, 2009) a ganhar um clipe? discreto e climático, o video flagra céu cantado de perfil como se estivesse em um quarto, ou sala, com uma cortina colorida balançando devagar ao sabor do vento. quando ouvi essa música no disco achei legal, mas não me causou nenhum furor. mas agora, com esse clipe, a música soou um tanto mais bonita. é a força da imagem, né não?



e o the very best?!?! passei batido por essa união entre esau mwamwaya, um cantor do malawi radicado em londres, e os ingleses do radioclit. encontro que já rendeu uma mixtape em 2008 e uma ótima estreia em disco com warm heart of africa (green owl records, 2009). fiquei sabendo dessa história lá no blog do zeca camargo e saí em busca de algum video. encontrei essa bizarrice de alguym fã que reúne "warm heart of africa", música tão doce e divertida, com imagens de algum programa de pegadinhas na ásia. essa canção tem participação do vocalista do vampire weekend, ezra koenig.



e outra animação pra finalizar mais essa edição do triplo x. é "kung fu bunny 3", de vincent, e nem precisa de sinopse, nem nada do tipo. conhecia pelo télio navega (que viu no kibe loco).



e tem as animações anteriores, "kung fu bunny 1" e "kung fu bunny 2".

letra/música #8

sabe "cadeira de rodas"? e "você não me ensinou a te esquecer"? ou então "meu pequeno amigo"? tudo parte do cancioneiro popular de fernando mendes. o mineiro franzino, romântico e de penteado afro fez muito sucesso na década de 1970 e, pode acreditar, seus dois primeiros discos são totalmente excelentes. escolhi aqui uma das preferidas da casa, "o pior é esperar", faixa que encerra lindamente o disco fernando mendes (odeon, 1973), a estreia fonográfica do cantor e compositor.

essa é a capa de fernando mendes (odeon, 1974),
o segundo bolachão do mineiro


o pior é esperar
(fernando mendes e banana)

um pedido de vez,
um sorriso outra vez,
para não chorar,
uma voz tão segura,
uma lágrima pura,
vão se misturar

o meu pranto vai ceder
já não posso mais conter
é tão imensa a dor que eu sinto
eu tenho que chorar...
e esta saudade no meu peito,
não vou suportar,
vou pedir ao grande homem,
pra fazer você voltar,
a distância não é nada,
o pior é esperar

um pedido de vez,
um sorriso outra vez,
para não chorar,
uma voz tão segura,
uma lágrima pura,
vão se misturar

o meu pranto vai ceder
já não posso mais conter
é tão imensa a dor que eu sinto
eu tenho que chorar...
e esta saudade no meu peito,
não vou suportar,
vou pedir ao grande homem,
pra fazer você voltar,
a distância não é nada,
o pior é esperar

o pior é esperar ...
é esperar.... é esperar..
é esperar... é esperar...



p.s.: aqui tem o disco de 1973 e ali o de 1974.

domingo, 13 de dezembro de 2009

domingueira

áfrica do sul, meus caros e caras. johannesburgo, tá ligado? é lá que acontecem os ficcionais alive in jo'burg e distrito 9, ambos de neill blomkamp, e o documental staying alive in jo'burg, de rob schröder, todos produções recentes. tem a copa do mundo de futebol logo ali na frente. e tem também o grupo blk jks (leia-se black jacks), afropop do bom que lembra tanto um tv on the radio de agora, como um talking heads de outrora ou um ali farka touré de sempre. agora com vocês, o video de "lakeside", a primeira música do grupo a ganhar o mundo em 2007 e finalmente registrada, em versões ligeiramente diferentes, no ep mystery (secretly canadian, 2009) e no disco after robots (secrety canadian, 2009).



e como bônus dessa domingueira, o video de "summertime" (não aquela dos gershwins) que está no ep mystery. imagens feitas para a revista fader (ah, na página no youtube dessa música tem um link pra baixar um bom remix feito por carlos ramos).



outra dica de oga mendonça.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

um jorge, uma alcione e uma sacanagem em 8-bit

o imbatível jorge, o cavaleiro jorge ben, acompanhado pelo originais do samba em uma versão ao vivo em 1970 de "domingas", música do próprio lançada no disco jorge ben (philips, 1969), aquele que trouxe também "país tropical", "cadê tereza", "bebete vãobora", "que pena", "charles anjo 45", quer dizer...



e um clipe em animação - animadíssimo, aliás - da faixa "trucker's delight", do inglês flairs (lionel flairs), amiguinho dos eletrônicos do justice e do daft punk. um aviso para os/as facilmente impressionáveis: o clipe, dirigido por jérémie périn, é um tanto pornográfico, escatológico, etc. & etc., e tudo em clima de videogame dos anos 1990.

FLAIRS - TRUCKERS DELIGHT from 3rd Side Records on Vimeo

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

da insônia fez se...

um ataque de pânico. curta fantástico do uruguaio federico alvarez, da produtora murdoc films, que em um mês já foi visto mais de 1 milhão de vezes. essa destruidora e não explicada invasão a montevidéu (alienígena? lembrou de distrito 9?) impressionou tanto que sam raimi chamou o cara pra fazer um lance lá em hollywood. vi lá no trabalho sujo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

domingueira

começo dos segundos tempos da decisão do brasileirão. nada definido ainda. apesar de ser flamengo, por respeito a minha infância, não tô muito aí. tô mais pra cá, lendo uma coisa aqui, baixando uma coisa acolá, dando uns beijinhos na minha carolina (que fez aniversário nessa sexta), e lembrando do balanço pop rock psicodélico daquele jovem hippie maluco, o devendra banhart. ele acabou de lançar what will we bee (warner, 2009), disco de músicas lindas como "baby", "can't help but smiling" e "foolin", participação de rodrigo amarante e ainda nenhum clipe. devendra é do tipo irregular, perdidão, mas quando acerta manda muito bem e o faz, em maiores ou menores quantidades, desde sua estreia em oh me oh my... (young god, 2002). mas meu disco preferido ainda é cripple crow (xl, 2005) e suas "lazy butterfly", "quedate luna", "santa maria de feira" e, a melhor de todas, "i feel just like a child".

sábado, 5 de dezembro de 2009

olhos de sabatella

foi em março de 2005 que começou efetivamente minha colaboração com a tam magazine (spring) e durou até dezembro de 2007 quando a revista se mudou para outro editora. um dos primeiros textos que fiz lá foi uma entrevista com a atriz letícia sabatella, direto de curitiba, onde já estávamos (eu, rafael jacinto e pio figueroa, os manos lá da cia de foto) para fazer outra pauta sobre a própria cidade. naquele momento, a atriz estava descansando e colhendo os elogios pela minissérie hoje é dia de maria, de luiz fernando carvalho. pouco depois enfrentaria a segunda parte da minissérie e pisaria no acelerador atuando em outra minissérie (jk), novelas (páginas da vida, desejo proibido e caminho das índias) e cinema (vestido de noiva, não por acaso, romance e o ainda inédito chico xavier). segue a entrevista com algumas instantâneos que tirei durante a sessão de fotos (tem uma outra, a que mais gosto, que coloquei aqui no blog em maio).
TODA MULHER É MEIO LETÍCIA

Mais uma vez a platéia somos nós. Sentados nas primeiras fileiras do cinquentenário Guairinha - o primeiro dos auditórios construídos no complexo do Teatro Guairá -, observamos a chegada mansa de Letícia Sabatella ao palco. Mineira de nascimento e paranaense de criação, a atriz é um exemplo raro, pelo menos nos dias de hoje, de coerência artística, discrição pessoal e paixão intensa por tudo o que faz.

A razão da entrevista ser em Curitiba é simples. Recarregar as baterias com a família após a excelente repercussão de Hoje é Dia de Maria, microsérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho, onde a atriz contracenou com Rodrigo Santoro, Fernanda Montenegro, Osmar Prado, Daniel Oliveira e Stênio Garcia. Ao vivo parece muito com seus personagens televisivos, Maria inclusive: doce, atenciosa, tranquila, romântica e firme. Em tudo se concentra e se entrega. No palco, as fotos. No camarim, a maquiagem, os cabelos, as roupas e a entrevista.

A data de seu nascimento não podia ser mais reveladora: 8 de março, mais conhecido como Dia Internacional da Mulher, logo ela que já foi muitas, todas apaixonadas. Letícia já se chamou Taís em O Dono do Mundo (onde conheceu o ator Ângelo Antonio, pai de sua filha Clara), Salete em Agosto, Ana em A Muralha e Latiffa em O Clone, fora Luíza, Diana, Márcia, Celeste e outras Marias.

“E se eu virar pra esse lado?”, pergunta Letícia ao fotógrafo. “Tá ótimo, mas é que no retrato da capa as pessoas costumam estar viradas para o lado esquerdo, aparecendo mais o lado direito do rosto, no sentido de quem vai abrir a revista. Ou então de frente”, responde semioticamente o fotógrafo. “Ah, tá! Se ficar de costas, então, ninguém vai ler a revista?”, brinca a atriz. Mesmo de costas na capa é certeza que todos, e todas, abririam a revista à procura de seus olhos grandes e do sorriso maior ainda.
Como é sua relação com Curitiba?
Eu nasci em Belo Horizonte, mas com quatro anos vim pra cá, a família do meu pai é de Curitiba. Hoje meus pais moram aqui, meu irmão, avós. Então, desde os quatro anos até os vinte anos eu morei aqui. Estudei, entrei no balé aos oito anos aqui no Guaíra e fiz até os dezessete. No Guaíra a gente convivia com muitas coisas, com teatro, orquestra, coral... entrei no Coral Sinfônico do Paraná... nessa época eu já estava fazendo faculdade de teatro na PUC. Eu era amiga dos porteiros e via todas as peças que vinham pra cá. Então, o Guaíra era o lugar, né? Curitiba foi onde aprendi muita coisa.

Como foi essa passagem de Curitiba para a TV Globo?
Fiz uns dois anos de faculdade e fui chamada pra fazer um teste na Globo para o especial Tereza Batista. Não fiz esse trabalho, mas acabei logo depois no primeiro especial dirigido pelo Luiz Fernando Carvalho, Os Homens Querem Paz. Foi a primeira pessoa com quem trabalhei. Isso em 1991. E foi ele que dirigiu esse meu último trabalho, Hoje é Dia de Maria. Até hoje, o Luiz é pra mim uma referência muito importante. Ele é o meu mestre e me orienta em muita coisa.

O que teve de diferente em Hoje é Dia de Maria para tuas outras experiências televisivas?
A radicalidade da experiência, da linguagem empregada... acho que foi um marco pelo espaço de arte que conquistou na TV com uma valorização brilhante da cultura popular. O texto é poético o tempo inteiro, e também tão corrente. Existe uma poesia tão grande na fala popular que tem muito a ver com o ambiente que a pessoa vive, os bichos, os passarinhos... tem uma grande amiga que é vizinha do meu sítio lá no interior do Rio de Janeiro e a voz dela me lembra muito o cacarejar de uma galinha... “Mas o quê-quê-quê é isso?” [risos]... isso é lindo. E a minissérie teve coragem de mostrar e dar valor a isso. Outra coisa é pode trazer novamente o símbolo pra televisão. No teatro você não precisa colocar um pássaro de verdade ali voando. Você deixa o público simbolizar o pássaro. E em Hoje é Dia de Maria a gente trouxe isso de novo. Tinha um refletor que era o sol e o refletor era enquadrado. O cavalo... apareciam as rodinhas. O pássaro... apareciam os fiozinhos da marionete. Todo mundo acreditava. Poder trazer o simbólico de novo é muito bom.

A minissérie conseguiu reunir cinema, teatro e TV. Tem algum desses meios que você se sente mais à vontade?
E tem o canto também, tem uma coisa operística. Mas acho que essa experiência da minissérie me fez sentir mais à vontade ali, sabe? Poder usar um veículo tão mágico como a televisão, tão abrangente, e ao mesmo tempo com uma linguagem tão bem cuidada quanto a do cinema e também o lúdico do teatro. Como atriz eu busco tudo isso junto. Sou uma pessoa mais introspectiva e através de um personagem eu me expresso bem melhor. Uma máscara me ajuda muito [ri].

O que te interessa na cultura popular?
A cultura é popular, né? Pra mim não tem como separar uma coisa da outra. Agora, sou uma atriz que moro no Brasil e que é riquíssimo nesse aspecto. Na faculdade a gente tem aulas de Teatro Grego, Commedia Dell’Arte, que é genial, é muito legal, são as origens do teatro, mas quando você começa a viajar pelo Brasil, tem tanta coisa que você fica saciada. Não precisa sair do Brasil porque aqui é muito rico. Claro que é legal viajar e ver outras coisas, mas o Brasil é fantástico, e quando você vai em busca do teatro popular você vê sua função na comunidade. O que o teatro traz pra comunidade? Traz auto-estima, tece críticas à sociedade e abre os olhos pro avesso das coisas de modo que se possa enxergar o caminho da harmonia.

Você acha que suas escolhas, tanto no cinema, quanto no teatro e na TV, se dão em algum sentido por essa função social?
Sim, mas não em um sentido panfletário. Tenho até medo de parecer pedante... porque tenho noção do meu tamanho... mas acho que não tem outro jeito de dar um sentido pra sua vida. Minha escolha pelo teatro não foi pra ser famosa, pra ter um status social e ter dinheiro... pelo contrário, não tinha ninguém na minha família que fazia isso e todo mundo achava que era um trabalho que não tinha estabilidade e tal. Quer dizer, foi uma sede mesmo. E cada vez mais fui descobrindo que apesar de todo aparente culto à vaidade o que na verdade tem que se ter menos é vaidade.

Como você faz para se manter afastada desse mundo de celebridades?
Tem muita celebridade, não é difícil. Sempre vai ter alguém aí [risos]. Mas o legal é não fazer da sua vida um evento, eu não faço isso com a minha. Eu me refugio muito, gosto muito de ir pro mato e também me interesso muito em saber o que está acontecendo nas veias do país... fui agora pela segunda vez ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre... então, diante disso a gente pensa, “será que tenho tanto a dizer pra ficar aparecendo nas revistas?”. Às vezes é interessante você falar alguma coisa pra construir o teu espaço e poder tocar na orquestra. Mas não é tão interessante você dizer se emagreceu ou engordou.

Teu aniversário cai no Dia Internacional da Mulher, dia 8 de março. Você já descobriu o que é ser mulher?
O legal é ser e sendo não ter medo do que se é. Pra mim ser mulher passa mais pela essência da pessoa e no momento a minha feminilidade tá plena e, por incrível que pareça, o meu lado masculino também tá sendo exercido. Sinto que estou encontrando esse equilíbrio entre o masculino e o feminino dentro de mim... do que é força, do que é ação, da vontade de revolucionar e mudar algumas coisas, de conquistar coisas, vamos chamar isso de masculino... e do que é amorosidade, conservação, cuidado, receptividade, do que seria feminino. E ser mulher hoje em dia é não abrir mão dessas duas dimensões. Mais que tudo, eu não abro mão de ser uma pessoa. Não quero ser só uma mulher, e muito menos essa mulher da sociedade de consumo, a mulher produto, a mulher desejada, fragmentada em pernas, bundas, seios... não quero ser só isso. A existência é mais importante e a gente tem que olhar o ser humano integrado. Uma criança não é só uma criança, tem uma velha sábia ali. Como em uma velha sábia tem também uma criança. O mais legal é ver o universo em cada um.

abaixo uma cena particularmente bela de hoje é dia de maria, com letícia e rodrigo santoro.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

kizomba que eu gamo

"o que acontece quando se mistura os ritmos mais quentes do continente africano com as sonoridades e sensualidade das terras de vera cruz?". é assim que a fnac portuguesa chama atenção para a série kizomba brasil (farol música) que, do ano passado pra cá, já lançou quatro volumes misturando cantores e cantoras angolanos a grandes sucessos brasileiros recentes (para quem não sabe, kizomba é dança, ritmo e festa, tudo ao mesmo tempo). é interessante ver como angola processa rapidamente a música brasileira, inclusive o sotaque, mas ouvir um disco inteiro de kizomba é um tanto monótono, por causa da batida (diferente do enérgico kuduro). mas tem umas faixas tão desavergonhadamente românticas que é impossível não se deixar levar - e a batidinha eletrônica, em doses homeopáticas, é muito boa. a dica veio de oga mendonça que jogou na mão o kizomba brasil vol. 1 que traz artistas como nelson freitas, don kikas, chelsy shantel e gaby fernandes, além de versões para hits como "morango do nordeste" e "coisas que eu sei". achei no youtube clipes de duas das melhores faixas desse primeiro volume. primeiro, "boa sorte/good luck" (vanessa da mata e ben harper), quase tão boa quanto a original (e em dueto de nelson freitas e chelsy shantel).



a dupla nelson e chelsy volta com carga total em "amor perfeito" (michael sullivan, paulo massadas, lincoln olivetti e robson jorge), gravada originalmente pelo rei roberto em seu disco de 1986.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

letra/música #7

puuutz. já citei "pedindo pra voltar" (carlinhos brown) aqui. foi em julho, quando falei das pazes que fiz com o pop baiano. essa música é uma das responsáveis por isso. linda, doce, amorosa e sensual, a versão original é da timbalada e saiu no disco alegria original (emi, 2006). depois foi regravada muy latinamente pelo próprio brown em a gente ainda não sonhou (som livre, 2007) e toda dramática por marisa monte no dvd infinito ao meu redor (phonomotor/emi, 2008) pra voltar, anabolizada e também latina em timbalada ao vivo (som livre, 2008). essa ao vivo é cantada pelo denny, o que faz uma música tão feminina perder força (a do brown, no entanto, consegue manter a delicadeza). por essas e outras, ficaremos aqui com a original na voz de amanda santiago (ex-timbalada). mas antes, a letra.

brown e amanda santiago, em 2008; tirei daqui

pedindo pra voltar
(carlinhos brown e alain tavares)

fica me pedindo pra voltar
se quiser que eu volte, voltarei
mas eu só lhe peço uma coisa
não faça novamente o que me fez

enciumava até do meu perfume
e dos meus amigos também tinha ciumes
eu vou lhe beijar mais uma vez
não faça novamente o que me fez

enciumava até do meu perfume
e dos meus amigos também tinha ciumes
eu vou lhe beijar mais uma vez
faça novamente o que me fez

eu vou lhe beijar, beijar, beijar...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

transversão #28

plantão tranversão! é porque um amigo de longa data, dos tempos da sociais, o walter "salvador" hupsel me lembrou lá no twitter de uma figura que só conhecia de nome: josé feliciano. nos googles da vida descobri que é violonista, portoriquenho radicado nos estados unidos, cego de nascença e que ganhou o mundo, em 1968, após uma versão sacudida de "light my fire" (robby krieger), aquela mesma do doors (e que foi lançada um ano antes). sente o drama.



queria colocar esse video de qualquer jeito, mas pra dar um sentido pra coisa toda fui procurar nos meus arquivos mais próximos outras versões. uma é totalmente instrumental, funky e assinada pela ebony rhythm band, grupo do meio oeste americano que nunca chegou a lançar um disco cheio (apenas singles). essa versão está em soul heart transplant: the lamp sessions (1969-70) (now-again, 2004). disponível para download no blog saravah club.



a outra, mais lenta e com um vocal rhythm & blues é de charles wright, que no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, comandou uma das bandas de funk mais interessantes dos estados unidos, a the watts 103rd street rhythm band. no segundo disco desse combo, o ótimo in the jungle, babe (collectables records, 1969), é que veio essa versão de "light my fire". aproveitando, ouçam o terceiro disco deles, o indispensável express yourself (collectables records, 1970).

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o de cima sobe e o de baixo desce

ah, que saudades do axé de protesto d'as meninas! o grupo liderado por carla cristina estourou com "xibom bombom", faixa que abriu o disco as meninas (universal, 1999), o primeiro dos três discos das moças. o resto é história.


As Meninas - Xibom, Bombom
Enviado por Verdegaio. - Buscar outros videos de Musica.

na página desse video no dailymotion, um usuário português disse o seguinte: "se ouvir com atenção e reflectir sobre os versos desta melodia interpretada pelas "Meninas", encontrará certamente muitas semelhanças com a actual realidade portuguesa. e mais não digo... Quim". quem há de duvidar?

domingo, 29 de novembro de 2009

guernica sempre

por essas coincidências que a gente tem que respeitar, o quadro guernica de pablo picasso (1881-1973) apareceu em vários momentos por esses dias. entre diversos torrentes baixei o mistério de picasso (1956), documentário de henri-georges clouzot, e veio como extra o curta guernica (1950), de alain resnais e robert hessens, também documental, mas do tipo poético, com versos de paul eluard e tal. ok, tá aqui. aí vi uma cópia do quadro na casa de amigos (um salve aí pro risoto, dani e davi, diliça!). volto pra casa e me deparo com um link no twitter pr'uma animação que é uma viagem tridimensional pelo quadro. linda, ao som de manuel de falla (1876-1943). direção de leni gieseke. link via fábio fernandes pro blog ambiente de aprendizagem, de ricardo néspoli.



e achei no youtube o curta de resnais e hessens. tá aqui, em duas partes, pra gente nunca esquecer (nem do painel, de 1937, e nem do horror). é meio cabeçudo, mas é bonito.



domingueira

flávio basso, ou melhor júpiter maça, ou melhor jupiter apple, ainda é uma incógnita pra mim, como boa parte do historicamente intenso rock gaúcho (flávio foi integrante do tnt e do cascavelletes). talvez pela minha velha questã com o próprio rock (tenho preguiça do rock'n'roll, dessa coisa toda). mas tô aprendendo, tô me dedicando, e já faz uns anos que algumas das músicas de jupiter entraram no meu repertório afetivo ("um lugar do caralho", "as mesmas coisas" e "síndrome de pânico"). a mais recente, "modern kid", ganhou um clipe divertido dirigido por andré peniche em uma loja de decoração perto aqui de casa (artemobilia). saca só a psicodelia do rapaz.



flávio/jupiter está morando em são paulo no presente momento - é vizinho, cruzei com ele ontem - e com uma banda interessante com luiz thunderbird, astronauta pinguim, dustan gallas e felipe maia. ah, tem fotos da gravação do clipe aqui (fotos de edu césar) e o making of do clipe...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

lázaro & selton, paralelos

foi em junho de 2007 que, lá pela monet, saiu uma matéria minha sobre o encontro de lázaro ramos e selton mello. a idéia era falar com os dois, e tirar retratos (a cargo de eduardo monteiro do fotonauta), para tratar das novas temporadas de seus programas, espelho e tarja preta, e falar do canal brasil e tal. a conversa rolou mais tranquilamente do que esperava, porque apesar de serem colegas de profissão e de grade, selton e lázaro não são da mesma turma, tem pouca intimidade. mas tudo aconteceu redondinho no apartamento de lázaro no leblon. pena que na época não rolou de colocar no texto um pequeno causo em meio a entrevista. é que não tinha nada a ver com a pauta. senão vejamos...

lázaro pergunta a selton se este já tinha visto o recém-lançado ó pai, ó. não, ainda não, doido pra ver. lázaro mostra um dvd. olha só isso aqui que achei em são paulo. e na tv surgem imagens do pelourinho, gente dançando, música. mas já tem o filme pirata? aí lázaro explica que não só é pirata, como é pirata de uma cópia não finalizada. não custa lembrar que isso aconteceu logo após o fenômeno tropa de elite nos camelôs do país. e entre surpreso e maroto (e também orgulhoso, porque não?), o baiano conta que estava passeando na liberdade, bairro central de são paulo, quando viu numa banquinha de dvd o seu filme. não pensou duas vezes: me dê o meu filme, rapaz! e que o camelô, entre surpreso e envergonhado, lhe deu as três cópias que tinha. cai o pano.

acabei não atualizando o texto, mas de lá pra cá, selton fez bastante sucesso nas bilheterias com
meu nome não é johnny e a comédia a mulher invisível, além de ter protagonizado a erva do rato (de júlio bressane) e sofrido um bloqueio criativo após a filmagem de jean charles (de henrique goldman), que o fez pensar em desistir de atuar. dirigiu em 2008 seu primeiro longa, o drama feliz natal. tem mais coisa pela frente, inclusive o citado federal. já lázaro ramos se dedicou à tv, com direito a uma novela (duas caras) e duas séries (ó pai, ó, inspirada no filme homônimo de 2007, e decamerão, a comédia do sexo). selton e lázaro ainda não trabalharam juntos.

UM GRANDE ENCONTRO

Uma segunda-feira de sol e céu azul no Rio de Janeiro foi o cenário para um encontro inédito de dois dos melhores atores da nova geração do cinema brasileiro. Inédito porque, surpreendentemente, Lázaro Ramos e Selton Mello ainda não foram vistos juntos na telona, nem na televisão e muito menos nos palcos, o que é, claro, apenas uma questão de tempo (suas participações afetivas e em cenas distintas de
Nina de Heitor Dhalia, obviamente, não contam). Mas os dois têm em comum o fato de serem orgulhosos destaques - ou habitantes como preferem - da programação do Canal Brasil. O mineiro Selton está há quatro anos com seu Tarja Preta, enquanto o baiano Lázaro, mais novo na casa, acabou de começar o segundo ano de Espelho. Entre águas, cafés e sucos de acerola, a dupla acabou descobrindo muitas outras semelhanças.

A chegada de Selton Mello ao canal aconteceu há pouco mais de quatro anos quando houve uma reviravolta na programação. “A direção que entrou na época queria dar uma arejada na grade. Eles tinham um grilo de que o canal era taxado por passar só filme brasileiro, só cinema, e não ter programas ou entretenimento. Houve então uma abertura de espaços que acabou dando uma cara forte para o canal, que hoje é cinema, mas também é música, fotografia, artes plásticas, teatro e muito mais”, afirma. Porém, antes do
Tarja Preta, Selton passou por uma espécie de batismo ao assinar um episódio do programa Retratos Brasileiros dedicado ao cineasta Afonso Brazza (1955-2003). “Ele era bombeiro em Brasília e adorava filmes de ação, era fã do Stallone. Ele filmava, atuava, editava, escrevia, fazia efeitos, vendia bala no quartel para conseguir dinheiro. Enfim, tinha uma história linda, chapliniana”. Após a morte precoce de Brazza, o Canal Brasil embarcou no projeto e bancou mais entrevistas e a finalização do documentário. Assim, dando voz a uma figura pouco lembrada pela história da sétima arte brasileira, nasceu o Tarja Preta. “É um painel pessoal do cinema nacional”, disse Selton, que em quatro anos de programa já entrevistou mais de cem personalidades, entre atores, atrizes, cineastas e técnicos.

E o
Espelho, Lázaro? “Entrei nessa por causa do sucesso do Tarja, mas enquanto não chegava a uma idéia própria para um programa fiz um Retratos Brasileiros sobre o ator e cantor Toni Tornado. Meio que para saber se sabia fazer, afinal não é a experiência de ator que determina se você sabe dirigir ou contar uma história. Depois veio a inspiração de um programa baseado em uma peça do meu grupo, o Bando de Teatro Olodum, que tratava de questões raciais de uma maneira muito democrática, sem dar respostas e buscando reflexões”. Esquetes teatrais, entrevistas, música e papo furado se misturam em uma tentativa nada ortodoxa de se entender o Brasil. “É um programa sem formato e a única coisa que une os episódios é a vontade de falar sobre certas coisas que não vejo serem ditas na TV, mas com leveza e diversão”.

Tanto Selton quanto Lázaro concordam que o aprendizado sobre a produção de uma atração de TV caminha lado a lado com o dinamismo da realização, um alimentando o outro. “Fazer o programa tem sido uma faculdade de cinema porque pude ouvir histórias de mais de uma centena de pessoas, cada uma delas com sua onda e representando uma época no cinema brasileiro. Ouvi e vi coisas incríveis, lindas mesmo”, explicou Selton. Após uma pausa, Lázaro disparou, também visivelmente emocionado: “Toda vez que penso sobre isso acho muito grande, muito especial. Estou junto com amigos para contar uma história que é meu desejo. Porque, nós atores, sempre estamos contando as histórias dos outros e defendendo como se fosse nossa. E agora estou defendendo o meu sonho. Nunca tive esse espaço antes”. De uma hora para outra, dois dos mais disputados e inquietos atores brasileiros pareciam crianças emocionadas por ganharem um brinquedo que jamais imaginariam ter.

Tudo isso acontece no terreno vasto do Canal Brasil que é um espaço, segundo Selton, que “está crescendo junto com o cinema brasileiro; aos poucos a gente vai ganhando público, pois um espectador vê um filme, gosta, quer ver outros e agora tem o Lázaro que dá uma baita visibilidade para o canal. A gente está construindo um espaço e é um barato participar disso. Era impensável há alguns anos”. A produtora das fotos que estampam estas páginas interrompe para perguntar se a dupla está pronta. Só mais um minutinho e Lázaro aproveita para educamente dar um toque: “a TV aberta ganharia muito se tivesse programas como os que tem no Canal Brasil. Daria uma renovada e traria um sabor muito bacana”. E lá se vão os dois, que fazem questão de não se maquiarem, para a primeira bateria de fotos.

Entre um clique e outro, Lázaro e Selton seguem conversando entre si. Falam de programas do Canal Brasil que gostam, entre eles a impagável sessão de pornochanchadas, os making of, o
Cine Jornal, os musicais Zoombido (de Paulinho Moska) e Faixa Musical, os recém-nascidos Todos os Homens do Mundo (de Domingos de Oliveira e Priscila Rozenbaum) e Retalhão (de Zéu Britto) e, claro, os próprios (Lázaro Ramos, aliás, fez questão de frisar que a equipe técnica do Espelho é formada por alunos da Central Única das Favelas, a CUFA).

“Atualmente, em termos de formato e conteúdo, é o canal que mais me interessa. A programação está arejada e dialogando com mais gente. Tem de tudo e para todo mundo”, explica Lázaro, que volta à telona ainda este ano em
Saneamento Básico, o Filme de Jorge Furtado. “Eu me identifico muito com o canal e é muito bom ter todo o acervo da nossa história cinematográfica reunido, vivo e 24 horas no ar”, diz Selton que espera a estréia dos longas Meu Nome Não é Johnny de Mauro Lima, Os Desafinados de Walter Lima Jr. e Federal de Eryk de Castro.

Selton retoma a palavra para dizer que “nós somos um pouco aquilo que interpretamos e acredito que pessoas que gostam do nosso trabalho identificam nos nossos personagens as nossas personalidades. Mas os programas são um bom lugar para que conheçam o homem por trás daqueles personagens. Saber, por exemplo, o que o Lázaro pensa da vida, o que ele gosta, quais são suas referências”. Mas o tempo é implacável, principalmente quando a conversa é boa, e é chegada a hora de levantar o acampamento. Algo mais? Lázaro Ramos dá um sorriso e solta: “Ó, lembrei de uma coisa... a gente se encontra no Canal Brasil”. Anotado, Seu Lázaro.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

letra/música #6

roberto carlos, e seu parceiro-irmão-camarada erasmo carlos, já fizeram tantas coisas boas e belas, principalmente no fim da década de 1960 e início dos anos 1970, que fica difícil fugir do óbvio. na recente votação que a rolling stone fez sobre as maiores canções brasileiras, a dupla emplacou "detalhes", "as curvas da estrada de santos", "sentado à beira do caminho" e "quero que vá tudo para o inferno" (a lista completa aqui). na lista que mandei pra eles acabei escolhendo o roberto como intérprete (de "como dois e dois" do caetano veloso). em comum nas duas listas, o disco roberto carlos (cbs, 1971), o meu preferido pessoal que traz, além de "como dois e dois" e "detalhes", petardos como "todos estão surdos", "traumas", "debaixo dos caracóis dos seus cabelos", "amada amante", "de tanto amor", "se eu partir" (fred jorge), "eu só tenho um caminho" (getúlio cortês) e a lindinha "i love you". canção romântica e bem humorada, com roberto impostando a voz como um vicente celestino encostado em um balcão de salloon, "i love you" mostra uma outra face da dupla de compositores-amigos e do maior cantor da música popular brasileira.

i love you
(roberto carlos e erasmo carlos)

eu queria um passarinho ser
pra levar um bilhetinho pra você
e nas mal traçadas linhas revelar
minha paixão e o meu amor, meu grande amor
no meu radinho de pilha sempre escuto
melodias que me lembram de você
cafonice talvez possa parecer
vou me modernizar você vai ver

uma calça lee agora vou comprar
vou ficar moderninho pra chuchu
vou até aprender falar inglês
pra lhe dizer: i love you, i love you

vou falar gíria e dançar o rock’n’roll
e do castelinho vou ficar freguês
e se tudo isso não adiantar
eu vou vestir meu terno branco outra vez


p.s.: procurando saber o que foi o "castelinho" citado na música - afinal, apesar de ter morado no rio na década de 1980, não sou carioca, muito pelo contrário - dei uma procurada na internet e achei o fotolog saudades do rio, capitaneado por luiz darcy. mandei um email pra ele que acabou de me responder: "há duas opções: a primeira, mais provável, é que iria frequentar o trecho da praia de ipanema conhecido como castelinho, entre o arpoador e a praia de ipanema propriamente dita (entre as ruas rainha elizabeth e francisco otaviano). neste trecho havia um castelo em estilo mourisco que deu nome ao lugar. foi o "point" da praia nos primeiros anos da década de 60 (a partir de 66 o "point" já passou para defronte da rua montenegro, hoje rua vinicius de moraes). a segunda, menos provável, é que iria frequentar o bar castelinho, que ficava também neste trecho, na av. vieira souto 100, onde se tomava um chope maravilhoso. as mais belas cariocas frequentavam os dois pontos: o bar e a praia". muito obrigado, luiz!