após uma sequência de releases de discos de canções - o da héloa no ano passado e os de zé ed e lincoln neste ano - apareceu um todo instrumental pra fazer. e que coisa bonita e ótima surpresa o projeto santos 3am, de guilherme barros e bruno bortoloto, ou melhor, o duo cæs. em pouco menos de 50 minutos, o disco leva o(a) ouvinte numa viagem por leituras musicais muito pessoais inspiradas por sons captados nas ruas e pela história da cidade.
então, sem mais blábláblá, o release, o disco na íntegra - que também pode ser ouvido ou baixado no bandcamp, no itunes e no soundcloud - e até o curta setentista do lendário aloysio raulino, uma das inspirações desse trabalho do duo cæs.
Toda cidade tem sons. De uma freada de ônibus. Da chuva no telhado. Do grito de gol. Da água correndo no meio fio. De um vendedor ambulante, um amolador de facas, uma feirante, um pedinte. Buzina, um palavrão, mais buzinas. Ou, de repente, um trem, o trem, o trem, o trem. Toda cidade tem seus sons e o Duo Cæs, formado pelos músicos Bruno Bortoloto e Guilherme Barros, andou por Santos, principalmente em sua região central, para registrar a vida e a história da cidade, e daí fazer música.
Contemplado pelo 5º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes do Munícipio de Santos, e beneficiado com verba do Fundo Municipal de Assistência à Cultura [Facult], o disco-projeto Santos 3AM é uma espécie de épico urbano intimista e instrumental. ‘Épico’ por tratar do heroísmo cotidiano de anônimos e ‘intimista’ pelo olhar delicado, próximo e envolvente sobre todas essas pessoas. E a cidade, sua história e seus cantos, amarrando tudo.
Tudo começa na faixa que dá nome ao trabalho, com seus barulhos de uma madrugada na cidade misturados a samples históricos de O Porto de Santos, curta dirigido por Aloysio Raulino em 1978 e uma das inspirações de Santos 3AM. E então o dia vai nascendo vagarosamente ao som “Trem para Vicente de Carvalho”, um blues sertanejo a contemplar o movimento das barcas que ligam Santos a Vicente de Carvalho, distrito do município vizinho do Guarujá. Contempla ainda o andar sonolento de mulheres e homens, a maioria de ascendência nordestina, rumo ao trabalho. Com o trem ao fundo, e o sinaleiro dando o tom.
Já “Vila” e “Guarany” tratam de dois espaços icônicos de Santos: a Vila Belmiro, casa do Santos Futebol Clube, e o centenário Teatro Guarany, o mais antigo da cidade ainda de pé. Nas duas faixas, a delicadeza de quem vê as coisas por fora e por dentro e, acima de tudo, escuta a tudo atenta e carinhosamente.
A vida santista volta a se agitar em “Avenida dos Portuários”, um samba instrumental oitentista com direito a sintetizadores, efeitos de guitarra e sons de trânsito, e “Feira”, registro sem cortes de um passeio pelas barracas de uma feira livre comentado por uma guitarra que às vezes chora e n’outras vezes grita baixinho.
Então os olhos e ouvidos se voltam para o porto em “Santos-Valparaiso-Montevideo”, uma toada tango que dialoga com várias gravações de radioamadores de outras cidades portuárias mundo afora. Ainda na região, “Paralelepípedos” é uma balada sobre o vai e vem de carros por ruas que mantém seu calçamento original, e essa combinação sonora da borracha dos pneus com os paralelepípedos tem um colorido especial que não existiria com o asséptico e impermeável asfalto.
E o tempo fecha e lá vem “Chuva na Rua Direita”, outra música que contempla tanto o presente [das gotas de chuva] quanto o passado histórico da cidade [a Rua Direita foi a mais importante da cidade quando ainda era vila e atualmente se chama Rua XV de Novembro]. Aliás, uma das causas da chuva e do calor tão característicos da região dá o nome a penúltima faixa do disco, “Vento Noroeste”, mais uma delicada observação sonora e musical sobre as coisas de Santos.
“E o resto é silêncio”, a última faixa do disco, é uma despedida ao som da barca que vai até a Praia do Góis, no Guarujá. E a água batendo, e o mar, e a vida que segue sem lamentar o eterno movimento, movimento dos barcos, movimento.
p.s.: Santos 3AM foi todo tocado e programado por Bruno Bortoloto e Guilherme Barros, mas teve a participação do baixista Fábio Machado em três faixas. Todas as composições também são do duo Bruno-Guilherme, com exceção de “Vento Noroeste”, co-escrita por Jota Amaral.
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
duo cæs, o release
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017
cinema dos 70, uma listinha
nasci nos anos 70 – mais precisamente 1974 – então é claro
que tenho um certo carinho pela década mais louca, suja e malvada do século 20.
mas só fui me dar conta da profundidade cinematográfica da época muitos anos
depois, já adulto. tinha visto um ou outro clássico em corujões, sessões da
tarde ou VHS, e depois outros em DVD ou TV a cabo, e finalmente muito mais nos torrents
ou streamings do site internet.
fascinante ver o tanto de beleza e loucura dos filmes dessa
época e de como as novidades e experimentações radicais da década anterior [câmeras
na mão, luz natural, edição não linear, zoom, etc] ganharam uma maturidade
perturbadora. daí que fui montando uma lista com os meus filmes preferidos
dessa década, ano a ano. claro que tem coisa faltando, coisa que não vi ou não gostei, e espero que consiga lembrar de atualizar. de qualquer forma, segue o fio...
Orson Welles, mestre, em Ardil 22
1970
ARDIL 22 (CATCH-22, Mike Nichols)
DODESKADEN (Akira Kurosawa)
GIMME SHELTER (Albert Maysles, David Maysles e Charlotte
Zwerin)
M.A.S.H (Robert Altman)
O CONFORMISTA (IL
CONFORMISTA, Bernardo Bertolucci)
OS PALHAÇOS (I
CLOWNS, Federico Fellini)
PEQUENO GRANDE HOMEM (LITTLE BIG MAN, Arthur Penn)
ZABRISKIE POINT
(Michelangelo Antonioni)
1971
A ÚLTIMA SESSÃO DE
CINEMA (THE LAST PICTURE SHOW, Peter Bogdanovich)
AS AVENTURAS DE M.
HULOT NO TRÁFEGO LOUCO (TRAFIC, Jacques Tati)
CORRIDA CONTRA O
DESTINO (VANISHING POINT, Richard C. Sarafian)
CORRIDA SEM FIM (TWO LANE BLACKTOP, Monte Hellman)
ENCURRALADO (DUEL, Steven Spielberg)
LARANJA MECÂNICA (A CLOCKWORK ORANGE, Stanley Kubrick)
MACBETH (Roman Polanski)
MORTE EM VENEZA
(DEATH IN VENICE, Luchino Visconti)
O ESTRANHO QUE NÓS
AMAMOS (THE BEGUILED, Don Siegel)
OPERAÇÃO FRANÇA (FRENCH CONNECTION, William Friedkin)
QUANDO EXPLODE A
VINGANÇA (GIU LA TESTA, Sergio Leone)
SOB O DOMÍNIO DO MEDO
(STRAW DOGS, Sam Peckimpah)
THX-1138 (George Lucas)
Barbra Streisand numa das comédias
mais divertidas de todos os tempos,
Essa Pequena é uma Parada
1972
A INOCENTE FACE DO TERROR (THE OTHER, Robert Mulligan)
AGUIRRE, A CÓLERA DOS
DEUSES (AGUIRRE, DER ZORN GOTTES, Werner Herzog)
AMARGO PESADELO (DELIVERANCE,
John Boorman)
CABARET (Bob
Fosse)
CIDADE DAS ILUSÕES
(FAT CITY, John Huston)
ESSA PEQUENA É UMA
PARADA (WHAT'S UP, DOC?, Peter Bogdanovich)
GRITOS E SUSSURROS
(VISKINIGAR OCH ROP, Ingmar Bergman)
O DISCRETO CHARME DA
BURGUESIA (LE CHARME DISCRET DE LA BOURGEOISIE, Luis Buñuel)
O PODEROSO CHEFÃO (THE GODFATHER, Francis Ford Coppola)
ÚLTIMO TANGO EM PARIS
(LAST TANGO IN PARIS, Bernardo Bertolucci)
SONHOS DE UM SEDUTOR (PLAY IT AGAIN, SAM, Herbert Ross)
Magali Noel em Amarcord, um dos muitos pontos altos
da gigantesca carreira de Fellini
1973
A NOITE AMERICANA
(LA NUIT AMERICAINE, François Truffaut)
AMARCORD (Federico Fellini)
CAMINHOS PERIGOSOS (MEAN STREETS, Martin Scorsese)
GOLPE DE MESTRE (THE STING, George Roy Hill)
INVERNO DE SANGUE EM
VENEZA (DON'T LOOK NOW, Nicolas Roeg)
LUA DE PAPEL
(PAPER MOON, Peter Bogdanovich)
O DORMINHOCO (SLEEPER, Woody Allen)
O EXORCISTA (THE EXORCIST, William Friedkin)
OPERAÇÃO DRAGÃO (ENTER THE DRAGON, Robert Clouse)
OS AMIGOS DE EDDIE COYLE (THE FRIENDS OF EDDIE COYLE, Peter
Yates)
SERPICO (Sidney
Lumet)
TERRA DE NINGUÉM (BADLANDS,
Terrence Malick)
TODA NUDEZ SERÁ
CASTIGADA (Arnaldo Jabor)
VERDADES E MENTIRAS (F FOR FAKE, Orson Welles)
Warren Oates em um dos filmes mais selvagens e
menos conhecidos de Peckimpah,
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia
1974
A CONVERSAÇÃO (THE CONVERSATION, Francis Ford Coppola)
CHINATOWN (Roman Polanski)
CORAÇÕES E MENTES (HEARTS AND MINDS, Peter Davis)
GOLPE BAIXO (THE LONGEST YARD, Robert Aldrich)
LENNY (Bob Fosse)
MARTHA (Rainer Werner Fassbinder)
O JOVEM FRANKENSTEIN (YOUNG FRANKESTEIN, Mel Brooks)
O PODEROSO CHEFÃO II (THE GODFATHER PART 2, Francis Ford
Coppola)
O SEQUESTRO DO METRÔ (THE TAKING OF THE PELHAM ONE TWO
THREE, Joseph Sargent)
OPERAÇÃO YAZUKA (THE YAKUZA, Sydney Pollack)
TRAGAM-ME A CABEÇA DE
ALFREDO GARCIA (BRING ME THE HEAD OF ALFREDO GARCIA, Sam Peckimpah)
UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA (A WOMAN UNDER THE INFLUENCE, John
Cassavetes)
Grey Gardens, mais uma das obras primas
documentais dos irmãos Maysles
1975
BARRY LYNDON (Stanley Kubrick)
BLACK MOON (Louis Malle)
GREY GARDENS (Albert Maysles, David Maysles, Ellen Hovde e
Muffie Meyer)
KUNG FU CONTRA AS
BONECAS (Adriano Stuart)
MONTY PYTHON EM BUSCA DO CÁLICE SAGRADO (MONTY PYTHON AND THE HOLY GRAIL, Terry
Jones e Terry Gilliam)
NASHVILLE (Robert Altman)
O DIA DO GAFANHOTO (THE DAY OF THE LOCUST, John Schlesinger)
O HOMEM QUE QUERIA SER REI (THE MAN WHO WOULD BE KING, John
Huston)
SALÓ, OU OS 120 DIAS
DE SODOMA (SALÒ, O LE 120 GIORNATE DI SODOMA, Pier Paolo Pasolini)
O REI DA NOITE
(Hector Babenco)
OPERAÇÃO FRANÇA II (FRENCH CONNECTION, John Frankenheimer)
PROFISSÃO: REPÓRTER
(THE PASSENGER, Michelangelo Antonioni)
ROLLERBALL – GLADIADORES DO FUTURO (ROLLERBALL, Norman Jewison)
TUBARÃO (JAWS, Steven Spielberg)
UM DIA DE CÃO (DOG DAY AFTERNOON, Sidney Lumet)
UM ESTRANHO NO NINHO (ONE FLEW OVER THE CUCKOO'S NEST, Milos
Forman)
UM LANCE NO ESCURO (NIGHT MOVES, Arthur Penn)
Peter Finch na cena clímax de Rede de Intrigas
1976
1900 (NOVECENTO,
Bernardo Bertolucci)
A ÚLTIMA LOUCURA DE
MEL BROOKS (SILENT MOVIE, Mel Brooks)
CARRIE, A ESTRANHA (CARRIE,
Brian De Palma)
DONA FLOR E SEUS DOIS
MARIDOS (Bruno Barreto)
O INQUILINO (LE
LOCATAIRE, Roman Polanski)
REDE DE INTRIGAS (NETWORK,
Sidney Lumet)
TAXI DRIVER (Martin Scorsese)
Diane Keaton e Woody Allen em
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1977
A CRUZ DE FERRO (CROSS OF IRON, Sam Peckimpah)
ALTA ANSIEDADE (HIGH ANXIETY, Mel Brooks)
CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (CLOSE ENCOUNTERS OF THE THIRD
KIND, Steven Spielberg)
ESSE OBSCURO OBJETO
DO DESEJO (CET OBSCUR OBJET DU DESIR, Luis Buñuel)
LÚCIO FLÁVIO, O
PASSAGEIRO DA AGONIA (Hector Babenco)
NOIVO NEURÓTICO,
NOIVA NERVOSA (ANNIEL HALL, Woody Alen)
O AMIGO AMERICANO
(DER AMERIKANISCHE FREUND, Wim Wenders)
O OVO DA SERPENTE
(THE SERPENT'S EGG, Ingmar Bergman)
O TRAPALHÃO NAS MINAS
DO REI SALOMÃO (J.B. Tanko)
OS DUELISTAS (THE DUELISTS, Ridley Scott)
STAR WARS (George
Lucas)
1978
A DAMA DO LOTAÇÃO (Neville
de Almeida)
A FÚRIA (THE
FURY, Brian De Palma)
A LIRA DO DELÍRIO (Walter
Lima Jr.)
CINZAS NO PARAÍSO (DAYS OF HEAVEN, Terrence Malick)
CLUBE DOS CAFAJESTES
(ANIMAL HOUSE, John Landis)
O FRANCO ATIRADOR
(THE DEER HUNTER, Michael Cimino)
OS TRAPALHÕES NA
GUERRA DOS PLANETAS (Adriano Stuart)
PRETTY BABY (Louis Malle)
Roy Scheider no musical All That Jazz de Bob Fosse
1979
A VIDA DE BRIAN (LIFE OF BRIAN, Terry Jones)
ALCATRAZ - FUGA
IMPOSSÍVEL (ESCAPE FROM ALCATRAZ, Don Siegel)
ALIEN – O OITAVO
PASSAGEIRO (ALIEN, Ridley Scott)
APOCALYPSE NOW (Francis Ford Coppola)
MANHATTAN (Woody
Allen)
NOSFERATU - O VAMPIRO
DA NOITE (NOSFERATU: PHANTOM DER NACHT, Werner Herzog)
O CASAMENTO DE MARIA
BRAUN (DIE EHE DER MARIA BRAUN, Rainer Werner Fassbinder)
O
SHOW DEVE CONTINUAR (ALL
THAT JAZZ, Bob Fosse)
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
i'm not alone, i've met a few
o grande grande grande leonard cohen nos deixou, mas também deixou muita coisa em seus 82 anos de vida: 14 discos, 13 livros de poesia, 2 romances, uma porrada de shows, uma infinidade de coisas bonitas. lembro até hoje que o ouvi o canadense pela primeira vez em algum momento do final dos anos 1980. meu pai comprou o LP poets in new york [1986], um tributo em memória aos então 50 anos da morte de federico garcia lorca, e lá estava leonard e sua voz rouca cantando "take this waltz" [versão que fez para a "pequena valsa vienense" do poeta espanhol]. lorca era um de seus poetas preferidos.
o tempo passou, minha adolescência foi indo embora e reencontrei leonard nas trilhas de assassinos por natureza de oliver stone e exotica de atom egoyam, ambos de 1994. do primeiro vieram "the future", "waiting for the miracle" e "anthem"; do segundo, "everybody knows". aí fiquei sabendo que ele era o autor de "hallelujah", "so long marianne", "first we take manhattan", "the partisan" e "suzanne", entre tantas outras de seus primeiros anos [seu disco de estreia é de 1967, quando já tinha pouco mais de 30 anos]. foi também nessa época, meados da década de 1990, que ele se converteu ao budismo e largou mão dessas coisas ocidentais. pausa para um flashback rápido com "suzanne" ao vivo em seu lendário show na ilha de wight em 1970.
daí que durante seu retiro budista, leonard foi passado pra trás por uma ex-empresária e precisou voltar aos palcos por motivos financeiros. e ele voltou com tudo em shows de 3, 4 horas, além de discos novos e novos clássicos sobre os temas que sempre o rodearam: amor, espiritualidade, sexo e, eventualmente, política. seus três últimos discos de estúdio são umas lindezas e separei aqui as minhas preferidas: "different sides" [old ideas, 2012], "almost like blues" [popular problems, 2014] e "traveling light" [you want it darker, 2016]. o título desta postagem é um verso desta última, uma linda e leve canção de despedida.
i'm traveling light. it's au revoir.
p.s. 1: um finlandês obcecado pelo artista mantém desde 1995 um grande arquivo online com tudo o que você possa imaginar que exista sobre leonard e também as muitas regravações de seus trabalhos. é o leonard cohen files.
p.s. 2: segue abaixo, como faixa bônus, ladies and gentlemen... mr. leonard cohen, um interessante documentário feito em 1965, quando leonard ainda era exclusivamente escritor.
o tempo passou, minha adolescência foi indo embora e reencontrei leonard nas trilhas de assassinos por natureza de oliver stone e exotica de atom egoyam, ambos de 1994. do primeiro vieram "the future", "waiting for the miracle" e "anthem"; do segundo, "everybody knows". aí fiquei sabendo que ele era o autor de "hallelujah", "so long marianne", "first we take manhattan", "the partisan" e "suzanne", entre tantas outras de seus primeiros anos [seu disco de estreia é de 1967, quando já tinha pouco mais de 30 anos]. foi também nessa época, meados da década de 1990, que ele se converteu ao budismo e largou mão dessas coisas ocidentais. pausa para um flashback rápido com "suzanne" ao vivo em seu lendário show na ilha de wight em 1970.
daí que durante seu retiro budista, leonard foi passado pra trás por uma ex-empresária e precisou voltar aos palcos por motivos financeiros. e ele voltou com tudo em shows de 3, 4 horas, além de discos novos e novos clássicos sobre os temas que sempre o rodearam: amor, espiritualidade, sexo e, eventualmente, política. seus três últimos discos de estúdio são umas lindezas e separei aqui as minhas preferidas: "different sides" [old ideas, 2012], "almost like blues" [popular problems, 2014] e "traveling light" [you want it darker, 2016]. o título desta postagem é um verso desta última, uma linda e leve canção de despedida.
i'm traveling light. it's au revoir.
p.s. 1: um finlandês obcecado pelo artista mantém desde 1995 um grande arquivo online com tudo o que você possa imaginar que exista sobre leonard e também as muitas regravações de seus trabalhos. é o leonard cohen files.
p.s. 2: segue abaixo, como faixa bônus, ladies and gentlemen... mr. leonard cohen, um interessante documentário feito em 1965, quando leonard ainda era exclusivamente escritor.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
diversão é solução sim
"nós estamos aqui no mappin pra curtir aquele som, pra achar aquele som que nós queremos curtir. todo mundo. não só os negro, como os branco, os mulato. nós queremos curtir o jazz, queremos curtir o pop, o samba, o rock. todo mundo quer curtir aquele som, vc entende? nós viemos aqui pra achar aquele meio social que nós queremos curtir, aquele salão. um determinado lugar que você se sente bem, que você se sente gente... não que você vegeta! você quer sentir, você quer sentir gente", depoimento dessa moça da imagem abaixo e que tá no documentário feito por mano brown para o dvd 1000 trutas, 1000 tretas (2006).
era no calçadão do falecido mappin, em frente ao teatro municipal de são paulo, que no início dos anos 1970 a moçada fazia a divulgação das festas black da cidade.
era no calçadão do falecido mappin, em frente ao teatro municipal de são paulo, que no início dos anos 1970 a moçada fazia a divulgação das festas black da cidade.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
redesenhando macalé
o blog banda desenhada faz aniversário de dois anos de vida e quem ganha presente é você! ou eu. ou nós. ou todos. disponível para download gratuito, e volto pra curtir é um tributo a jards macalé tendo seu disco de estreia, lançado originalmente em 1972, como bússola conceitual. estão lá suas dez faixas mais o hit “vapor barato” que gal costa gravou em 1971 e jards somente em 1998 (no disco o q faço é música), interpretados por jovens artistas de várias partes do país sob curadoria de márcio bulk (o idealizador da banda desenhada). olha a capa do disco de jards, um dos melhores da música brasileira.
como todo tributo que se preze, e volto pra curtir é irregular e cada ouvinte terá suas preferidas. gostei de “farinha do desprezo” do letuce, “let's play that” do metá metá, “mal secreto” do apanhador só (música que deu nome ao esforçado e, portanto, tem um importante valor sentimental aqui por essas bandas), “revendo amigos” de márcia castro e das versões mínimas de “78 rotações” de arícia mess e “movimento dos barcos” de bruno cosentino & marcos campelo. não gostei de “vapor barato” das garotas suecas, “hotel das estrelas” de léo cavalcanti e “meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata” do filipe catto & pipo pegoraro. no disco original de jards existem dois covers numa faixa só, “farrapo humano” (luiz melodia) e “a morte” (gilberto gil), que no tributo viraram faixas independentes interpretadas por rafael castro (com tulipa ruiz nos vocais) e ava rocha, respectivamente. gostei de ambas, mas ainda tenho problemas com ava, algo cerebral demais me incomoda no seu canto. mas baixe o tributo e tire suas próprias conclusões. jards nunca é demais.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
letra/música #27 e transversão #42
foi no blog do blundetto que fiquei sabendo do tributo brassens - echos d'aujourd'hui (fanon records), uma homenagem transglobal ao poeta, cantor e compositor anarquista francês georges brassens. nunca tinha ouvido falar dele, confesso, mas semana passada finalmente achei link para download do disco (aqui ou aqui) e é uma coisa linda. e também surpreendente porque foram reunidos artistas de várias partes do planeta cantando brassens em suas línguas nativas, o que acaba abrindo inúmeras portas para se procurar as versões originais e compará-las, colidí-las, etc. nas 16 faixas aparecem figuras como shawn lee (estados unidos), lianne la havas (inglaterra), grupo canalon de timbiqui (colômbia), las hermanas caronni (argentina), enkhjargal (mongólia), anthony joseph (trinidad), yael naim (israel) e, claro, blundetto (frança). mas então aparece rodrigo amarante cantando "o não-pedido de casamento" e... puxa... que versão, que música espantosamente linda e rebuscada. escuta só.
o não-pedido de casamento
(georges brassens, tradução e adaptação de rodrigo amarante e stephane san juan)
meu bem, por deus, tenho um pedido
não apontemos pro cupido
sua própria flecha
tantos amantes se arriscaram
com seu gozo eles pagaram
tal sacrilégio
uma aliança em cada mão
a jurar ordem de prisão
em domicílio
pro inferno, amélias secas amas
que deixam frias suas camas
pra pilar milho
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
vênus presa perde o viço
e com o choriço frita o juízo
cai na comida
por nada neste mundo eu vou
despetalar sobre o escargot
a margarida
cai o véu, com ele o encanto
o segredo da sereia, o canto
de Melusine
o batom nas cartas perde a cor
entre uma e outra página do
Nouvelle Cuisine
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
é muito fácil a gente pensa
largar no fundo da despensa
numa conserva
o belo fruto proibido
perdeu o gosto, foi cozido
não se preserva
de uma empregada eu não preciso
tratado a pão de ló, aviso
não quero nunca ser
como uma noiva eterna intento
a dona dos meus pensamentos
eu sempre ver
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
amarante, que está para lançar seu primeiro disco solo (cavalo), canta e toca violão acompanhado de berna ceppas (sintetizador), moreno veloso (cello), alberto continentino (baixo) e stephane san juan (percussão). agora veja e escute brassens direto de algum lugar dos anos 1960...
nas buscas por saber e ouvir mais dessa música encontrei ainda uma versão instrumental comandada por eddie "lockjaw" davis (sax tenor) e harry "sweets" edison (trompete) e lançada em 1979.
p.s.: agradecimentos a bebel prates que conseguiu essas informações (banda, tradução e revisão da letra que transcrevi) com o próprio amarante.
o não-pedido de casamento
(georges brassens, tradução e adaptação de rodrigo amarante e stephane san juan)
meu bem, por deus, tenho um pedido
não apontemos pro cupido
sua própria flecha
tantos amantes se arriscaram
com seu gozo eles pagaram
tal sacrilégio
uma aliança em cada mão
a jurar ordem de prisão
em domicílio
pro inferno, amélias secas amas
que deixam frias suas camas
pra pilar milho
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
vênus presa perde o viço
e com o choriço frita o juízo
cai na comida
por nada neste mundo eu vou
despetalar sobre o escargot
a margarida
cai o véu, com ele o encanto
o segredo da sereia, o canto
de Melusine
o batom nas cartas perde a cor
entre uma e outra página do
Nouvelle Cuisine
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
é muito fácil a gente pensa
largar no fundo da despensa
numa conserva
o belo fruto proibido
perdeu o gosto, foi cozido
não se preserva
de uma empregada eu não preciso
tratado a pão de ló, aviso
não quero nunca ser
como uma noiva eterna intento
a dona dos meus pensamentos
eu sempre ver
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
amarante, que está para lançar seu primeiro disco solo (cavalo), canta e toca violão acompanhado de berna ceppas (sintetizador), moreno veloso (cello), alberto continentino (baixo) e stephane san juan (percussão). agora veja e escute brassens direto de algum lugar dos anos 1960...
nas buscas por saber e ouvir mais dessa música encontrei ainda uma versão instrumental comandada por eddie "lockjaw" davis (sax tenor) e harry "sweets" edison (trompete) e lançada em 1979.
p.s.: agradecimentos a bebel prates que conseguiu essas informações (banda, tradução e revisão da letra que transcrevi) com o próprio amarante.
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
alma do brasil, instantâneos
décio galina me chama, eu vou. nessa segunda colaboração para a audi magazine a pauta era pedir para cinco renomados fotógrafos brasileiros escolherem uma foto que julgavam sintetizar o brasil. cinco fotografias, cinco regiões, um só país. e aí rolar uma conversa sobre a tal região e a foto, brasilidades e coisa e tal. todas as entrevistas rolaram por telefone e só tenho agradecer a disponibilidade e a simpatia dos envolvidos (sei bem que 'dar entrevista' não é o forte da profissão), mas a conversa com o mestre bóris kossoy foi particularmente deliciosa. ah, não custa repetir que a versão aqui no esforçado é sempre ligeiramente diferente da impressa.
EM BUSCA DA ESSÊNCIA
À pedido da Audi
Magazine, cinco renomados fotógrafos brasileiros escolheram registros que
resumem a grande experiência que é o Brasil
“Olha a tempestade caindo sobre o Rio Tapajós... tirei essa
foto em 2008 durante uma expedição de pouco mais de um mês cruzando a
Transamazônica. O Tapajós é um rio belíssimo com praias de areia branquinha na
época da seca (julho a novembro). Nessa região existe a deliciosa tradição do
Piracaia, que é comer peixe feito na areia da praia. Imagine a cena: o sol se
pondo, o rio banhado por uma luz vermelha, a areia menos quente, umas
estaquinhas de madeira seca com peixe frito. É uma coisa linda de se ver (e
comer). Já andei tanto na Amazônia quanto os irmãos Villas-Boas, fiz quatro
livros, conheci lugares maravilhosos como o Pico da Neblina, os lagos de
Mamirauá, o Cabo Orange e o Parque Nacional de Anavilhanas, então,
definitivamente, a região é a minha matriz criativa. Conheço o caboclo, o
caráter dele, sua educação, beleza, simplicidade e força. Ele é o guardião de
uma floresta que precisa cada vez mais buscar a sustentabilidade.”
“Essa foto foi tirada em 1972 em um dos períodos mais
sombrios da história brasileira. Estava em Brasília pela segunda vez dentro de
um projeto no qual fui a todas as capitais do país. Fotografava o que tinha de
ser fotografado, mas também fazia imagens pra mim, como esta onde olho para o
poder central, para uma justiça cega que só vê o que quer, tudo sob um contexto
de deformação. É uma metáfora ao pé da letra daqueles anos de chumbo, o outro
lado de uma balança desequilibrada no plano social e econômico. Como sou
formado em Arquitetura também existe meu interesse estético pelas formas e
espaços da cidade, mas lembro que na época parecia que estava andando em uma
maquete, uma assepsia total. Não se via gente, tudo parecia mais ameaçador e
isolado. Hoje a cidade está mais humanizada, mais plena de histórias e dúvidas.
Sou formado em Arquitetura e a questão das formas, dos espaços, sempre esteve
em minha cabeça. Brasília é tudo isso, mas quando você anda pela Esplanada hoje
em dia vê que essa utopia moderna feita no coração do Brasil por Oscar Niemeyer
e Lúcio Costa finalmente é um lugar que quer ser cidade.”
“As Serras Gaúchas não são uma coisa só como muitos pensam
com aquela coisa de italianos e alemães. A cultura do pampa, por exemplo, tomou
conta dessa região de cânions, que vai de Cambará do Sul até Santa Catarina por
uns 250 km. Tirei essa foto do Cânion Montenegro, no município de São José dos
Ausentes, em 2011 para o meu livro Brasil Invisível, que foi uma tentativa
minha de mostrar a população afastada dos grandes centros. Foi em um das minhas
30 viagens para a região e nessa vez fiquei em uma ex-estância de gado que
virou pousada. Tive o prazer de compartilhar o dia-a-dia com o gaúcho tomando
chimarrão, comendo churrasco no fogo de chão e fazendo passeios a cavalo que
saem da praia e sobem esses paredões vencendo um desnível de 1000 metros. Esses
cânions profundos possuem algumas das paisagens mais lindas que já fotografei,
mas faço questão de não só registrar a natureza. A cultura do local tem que
estar junto.”
“Nasci no Rio de Janeiro, mas fui bem cedo para São Paulo,
onde fui criado. Depois morei por 20 anos em Nova York e quando retornei fiquei
me questionando quem eu era, o que era ser brasileiro, porque mesmo sem querer
perdemos as referências quando moramos longe. Então, no primeiro grande
trabalho autoral após a minha volta decidi ir ao Rio de Janeiro para tentar me
encontrar. Usei uma câmera grande, de médio formato, porque ela muda a relação
com o que você fotografa (é junto com ela e não através dela). Ela é difícil,
complexa, mas também te ensina a enxergar além do retângulo. E era isso que eu
queria no Rio de Janeiro, ir além. Usando filme preto & branco, mexendo com
foco e desfoque, paradoxos. Afinal, o Rio é um dos lugares mais contraditórios
e extraordinários do Brasil, com praia e montanha, morro e asfalto, tudo muito
próximo, muito junto. Essa foto é da praia do Leblom com o Morro Dois Irmãos ao
fundo, e eu fiquei esperando o sujeito passar dentro do retângulo do gol.”
“Acho que a Bahia é o único estado brasileiro onde é
possível ver a cultura tradicional nas ruas. Tem as baianas com trajes típicos
vendendo acarajé e vatapá, o pessoal jogando capoeira, o candomblé, gente
olhando o mar como se fosse numa foto dos anos 1930, os pescadores. E é uma
cultura muito forte, basta olhar o tanto de excelentes músicos, pintores e
escritores baianos. Existe esse clichê de falar que baiano é preguiçoso, mas
discordo. Acho que eles tem um outro ritmo, que é muito mais ditado pelas
forças da natureza, principalmente as marés. Eles sabem que não adianta perder
tempo, muito menos se estressar, quando é a natureza que rege todas as coisas. Falando
em natureza, essa foto eu tirei na Praia do Espelho, um lugar maravilhoso perto
de Trancoso. Típica praia onde se pode desfrutar o que é essencial na Bahia:
céu, sol e mar, tudo sem pressa.”
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
esforçado 4 anos
foi agora, dia 7 de fevereiro, que o esforçado completou 4
anos de existência. não lembrei no dia, cabeça a mil, mas sabia que dessa vez
precisava comemorar de alguma forma. já tinha rolado um aquecimento, digamos
assim, com o surgimento do projeto “você
praça acho graça”, mas me deu vontade de fazer umas coletâneas pra
download. e qual seria o recorte? já tinha feito de reggae
e música
brasileira, então sobrou pra paixão mais recente, a latina. chegou então a
vez de reunir sons da colômbia, peru, panamá, porto rico, caribenhas e globais,
coisas belas de ontem e hoje, balanço negro e mestiço da pesada. acabei
fechando em 3 coletâneas, com 13 faixas cada. sabe aquela coisa de “o gerente
ficou louco! a gente faz aniversário e quem ganha o presente é você”? então, é
exatamente o caso. a primeira das selectas é toda de instrumentais e devo
confessar que é a minha preferida tanto por causa da versão absolutamente
sensacional de “90 percent of me is you” feita em 1975 pelo amral's trinidad
cavaliers, grupo de trinidad tobago, quanto pela doçura de “una tarde en
mariquita”, canção que grudou lindamente em mim no ano passado e que é um dos
pontos altos do encontro dos ingleses quantic e alice russell com os
colombianos do combo bárbaro. mas claro que tem mais. lembrando que basta clicar nas imagens pra baixar.
esforzado #01
amral's trinidad cavaliers – “90 percent of me is you”
(trinidad tobago)
los beltons – “cumbia pop” (peru)
los miticos del ritmo – “willy’s merengue” (colômbia e
inglaterra)
rosendo martinez y su orquesta – “el alegron” (colômbia)
lucho bermudez y su orquesta – “fiesta de negritos” (colômbia)
los superiores – “descarga superior” (panamá)
los mirlos – “sonido amazonico” (peru)
los destellos – “constelación” (peru)
los wemblers de iquitos – “lamento del yacuruna” (peru)
jesus acosta & the professionals – “guajida” (belize)
los silvertones – “carmen” (panamá)
quantic, combo bárbaro & alice russell – “una tarde en
mariquita” (colômbia e inglaterra)
original
tropicana steel band – “ain't no sunshine” (trinidad tobago)
...
a segunda coletânea é uma mistura de colômbia com porto
rico, países com tradições musicais riquíssimas. a colômbia então... é de lá que surgem coisas maravilhosas como a
cumbia moderna de soledad (que em “shacalao” estabelece uma ponte entre o país
e a áfrica via fela kuti), jesus torres y sus provincianos e o sexteto manaure.
de porto rico vem surpresas como o incansável e versátil cortijo e bobby valentine,
este já criado no harlem espânico em nova york.
esforzado #02
cumbia moderna de soledad – “shacalao” (colômbia)
los salvajes – “amor salvaje” (colômbia)
cortijo y su combo – “déjalo que suba” (porto rico)
luis kalaff y sus alegres dominicanos – “agarralo que eso es
tuyo” (porto rico)
cortijo y su combo & ismael rivera – “el bombón de elen”
(porto rico)
jesus torres y sus provincianos – “de mala y de buena”
(colômbia)
angel luis torruellas y su conjunto pleneros de borinquen –
“camélia” (porto rico)
monse garcía y su conjunto – “el gallo espuelérico” (porto
rico)
abelardo carbono – “quiero mi gente” (colômbia)
canario y su grupo & raful – “cortaron a elena” (porto
rico)
sexteto manaure – “bajo el trupillo guajiro” (colômbia)
bobby
valentin – “funky big feet” (porto rico e spanish harlem)
afrosound – “el eco y el carretero” (colômbia)
...
a terceira e última coletênea deste aniversário do esforçado
é uma mistura e tanto. tem sons setentistas de cuba, panamá e república
dominicana, e também músicas de grupos atuais que prestam homenagem e recriam a
tradição caribenha do sacolejo, entre eles os colombianos do frente cumbiero e
os transnacionais bronx river parkway, los po-boy citos, chicha libre, ska
cubano e ondatrópica.
esforzado #03
los invasores – “el raton” (panamá)
orquestra riverside – “en casa del trompo no bailes” (cuba)
papi brandão y sus ejecutivos – “decidete mi amor” (panamá)
bobby quesada and his band – “bataola boogaloo” (república
dominicana/spanish harlem)
los van van – “y no le conviene” (cuba)
bobby quesada and his band – “ritmo moderno” (república
dominicana/spanish harlem)
papi brandão y conjunto aires tablenos – “la murga de
panamá” (panamá)
frente cumbiero & mad professor – “la bocachico”
(colômbia e guiana)
bronx river
parkway – “el resbalón” (nova york)
los po-boy
citos – “fried neck bones and some homefries” (nova orleans)
chicha libre – “lupita en la selva y el doctor” (nova york)
ska cubano – “lupita” (londres)
quantic & frente cumbiero's ondatrópica – “suena”
(colômbia e inglaterra)
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
yahoo #62
meio nonsense (ou não) esse texto do yahoo sobre música popular brasileira, cavalos, a derrocada do macho moderno, etc. e tal. e tudo teve início com o vídeo que tá lá no pé do post. agora, lá no ultrapop, "as charges e a dor".
MÚSICA POPULAR DE CAVALGAR
Você não sabe que a cavalo dado não se olham os dentes? Pois
então, lugares comuns equinos não faltam à música popular brasileira. Primeiro
vieram os reais cantados pelo caipira/gaúcho/sertanejo, tais como “Cavalo Baio”
(Brinquinho & Brioso), “Cavalo Preto”
(Palmeira & Luisinho), “Como é Burro
o Meu Cavalo” (Bob Nelson), “Cavalo
Zaino” (Raul Torres & Florêncio), “Cavalo
Enxuto” (Jacó & Jacózinho) e “Cavalo
Crioulo” (Luiz Gonzaga).
Mas a partir dos anos 1970, o cavalo ganhou diferentes usos
na música popular, desde a viagem mística-suingante-elétrica de “Cavaleiro do Cavalo Imaculado” (Jorge
Ben) até o revisionismo regionalista de crítica social de “Ventania (De Como um Homem Perdeu Seu Cavalo
e Continuou Andando)” (Geraldo Vandré), passando pela euforia de “Cavalo das Alegrias” (Marku Ribas), a
liberdade de “Cavalo Bravo” (Renato Teixeira),
e os delírios de “Cavalo Ferro”
(Fagner) e “Cavalo de Pau” (Alceu
Valença). Só que o duplo sentido acabou ganhando a batalha. Em “Cavalgada”,
lançada em 1977, Roberto Carlos e Erasmo Carlos transformaram o simples ato de
trotar numa explosão de sacanagens românticas (sim, isso é possível). Nada mais
foi o mesmo.
Aí, meu amigo e minha amiga, quando a sacanagem entra na
parada não sobra pra mais nada. Potrancas, por exemplo, se multiplicaram nos
axés baianos e pancadões cariocas e encontraram com garanhões e pangarés que
sumiram dos pastos para ganharem as cidades. E essa cavalgada seguiu em ritmo
de festa até ser interrompida brevemente pelo sucesso, em 2003, da quase
infantil “Eguinha Pocotó”, de MC Serginho (e Lacraia, in memoriam).
Hoje em dia, o cavalo se encontra numa encruzilhada. Ou vai
para o brejo de vez, já que até no campo foram substituídos por Camaros, Dodges
Ram e até helicópteros.
Ou então fica na eterna dúvida se é dominado ou se domina como em “Vai
Cavalinho” (Forró da Curtição),
provável hit do verão baiano do Trio da Huanna. Certo mesmo é que estrelas
mudam sempre de lugar, sua cavalgadura!
p.s.: o gatilho desse texto surgiu quando yuri de castro postou no facebook o vídeo de um casal muito bêbado dançando "vai cavalinho" em algum lugar no espírito santo. depois colocaram uma versão extendida no youtube e a parte do cavalinho começa no 5:22. coisa mais linda é ver gente feliz, né?
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
daquele itamar em diante
lançado em 2011 em poucos cinemas, depois em DVD e, mais recentemente, encartado no livro cadernos inéditos de itamar assumpção (itaú cultural/editora terceiro nome), daquele instante em diante é documentário sensível e essencial sobre um dos maiores e mais inquietos artistas da música popular brasileira dos últimos anos. e o longa dirigido por rogério velloso agora está todo disponível no youtube em HD para que mais pessoas conheçam o nego dito, cantor da pesada, poeta raivoso e apaixonado, moderno e tradicional, e que foi embora cedo demais (10 anos, porra, em 12 de junho serão 10 anos sem ele!). pra ver, rever e ouvir muito.
aproveitando a deixa, acabei não falando de tudo esclarecido (warner music, 2012), disco de zélia duncan que saiu bem no fim do ano e somente com músicas de itamar assumpção. a cantora, como era de se esperar, aplaina o que itamar tem de mais ousado em suas interpretações. por outro lado mostra como ele pode ser pop e acessível (acompanhada de músicos como kassin e marcelo jeneci, e em duetos com martinho da vila e ney matogrosso, outro dos intérpretes mais assíduos de itamar). o resultado é irregular, algumas versões não descem ("tua boca", por exemplo) e outras surpreendem lindamente como essa "noite torta".
atualização: rogério velloso, diretor de daquele instante em diante, também disponibilizou o documentário para download gratuito.
aproveitando a deixa, acabei não falando de tudo esclarecido (warner music, 2012), disco de zélia duncan que saiu bem no fim do ano e somente com músicas de itamar assumpção. a cantora, como era de se esperar, aplaina o que itamar tem de mais ousado em suas interpretações. por outro lado mostra como ele pode ser pop e acessível (acompanhada de músicos como kassin e marcelo jeneci, e em duetos com martinho da vila e ney matogrosso, outro dos intérpretes mais assíduos de itamar). o resultado é irregular, algumas versões não descem ("tua boca", por exemplo) e outras surpreendem lindamente como essa "noite torta".
atualização: rogério velloso, diretor de daquele instante em diante, também disponibilizou o documentário para download gratuito.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
yahoo #48
o texto mais recente do ultrapop só poderia ser sobre eleições (tá logo aí, domingão) e o recorte escolhido foi o da mobilização virtual, principalmente entre tumblrs e facebook. no texto não falo nenhuma vez o nome de fernando haddad, não era minha intenção declarar voto lá, mas tá bastante claro qual é minha escolha para prefeito de são paulo (não só porque ele é realmente o melhor candidato pr'uma cidade que vem sofrendo bastante nos últimos dois mandatos serra-kassabianos, mas também porque ele é o único que pode derrotar o coisa ruim do russomanno). simbora.
o lugar do russomanno
POLITIZA QUE EU GAMO
Lembro que quando começou a campanha eleitoral deste ano vi inúmeras
mensagens no Facebook de pessoas avisando, quase sempre ameaçadoramente, que
deletariam qualquer “amigo” que postasse ou compartilhasse mensagens políticas.
Que o Facebook é um residencial virtual e realmente careta todo mundo sabe e
essa repulsa à política é apenas reflexo de um dos mais idiotas sensos comuns de
todos os tempos.
Quer dizer, os não-políticos curtem adoidado mensagens
“edificantes” sobre fotos de bebês ou cachorros fofos, mas na hora que o calo
aperta, quando temos a chance de mudar algo em nossas cidades, o pessoal tira o
corpo fora com o bordão “político é tudo a mesma merda”. Peraí, a gente é tudo
a mesma merda? Porque, afinal de contas, político é gente, político é a gente,
sem tirar nem por.
Obviamente, essa gritaria apolítica não adiantou em nada e
as campanhas para prefeituras e assembleias de todo o Brasil se espalharam
rapidamente pela internet, principalmente no Facebook, para o bem e para o mal.
Como vivo há 18 anos em São Paulo sou bombardeado pela campanha local, mas com
a internet consigo ter alguma noção do que está acontecendo em outras cidades
do meu interesse: Fortaleza, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Belém,
Salvador e Porto Alegre. Se fosse esperar pelos jornais e revistas...
Porque internet é praça pública, é o caos da vida. Tem
discussão, piada, agressão, troca de ideias, uma baladinha aqui, um bandeiraço
acolá. Onde mais se poderia rir, agrupar e comentar as impagáveis fotos
careteiras e os micos de José Serra? Nessa eleição, o veterano candidato tucano
– que está correndo o sério risco de não conseguir emplacar no segundo turno em
São Paulo (numa disputa que ele estava em primeiro poucos meses atrás), – virou
protagonista de três tumblrs divertidíssimos: Serra Demasiadamente Humano, Serra
Loko e Serra Inova. Rir é política também.
No entanto, também foi na internet que o Coronel Telhada,
ex-comandante da Rota e candidato a vereador pelo PSDB, ameaçou e incentivou
agressões a André Caramante, profissional sério que cobre segurança pública
pela Folha de S. Paulo. O jornalista que tanto apontou em suas reportagens um
aumento de mortos por policiais em 2012 quanto os assassinatos de policiais,
numa autêntica nova guerra entre Rota e PCC, foi afastado (exilado) pelo jornal
por medida de segurança.
Agora, por exemplo, soube que o Coronel publica em sua
página no Facebook fotos de bandidos (ou quem ele julga bandidos) assassinados
pela polícia na rua. Esse tipo de material violento o Facebook demora séculos
para tirar, diferente de um evento-festa que, criado na segunda feira para
criticar o candidato Celso Russomanno, foi deletado duas vezes em questões de
minutos (o Facebook assumiu o erro e republicou o evento “Amor sim,
Russomanno não”, que acontece nessa sexta).
Toda ação, progressista ou conservadora, individual ou
coletiva, gera uma reação. Isso é política. Acompanhei muita coisa interessante
nesses meses, muita mobilização, várias discussões importantes sobre que tipo
de cidade queremos viver. Também assisti a coisas de perder a fé na humanidade.
Mas, como diria Carlinhos Cachoeira, tudo é processo.
O que quero dizer é que não adianta fugir da
responsabilidade. A política somos nós, no que temos de mais bonito e feio, e
assino embaixo no que o colega aqui de Ultrapop, Pedro Alexandre Sanches, disse no twitter: “Quem pensa que a política não é arte. E não é nobre. Não
sabe nada. Da vida.”
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