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sábado, 30 de dezembro de 2017

65 + 45 discos brasileiros de 2017

acabei demorando mais do que esperava pra fechar as retrospectivas musicais brasileiras [as gringas, de discos e músicas, saíram mais rapidamente]. muita coisa como sempre, e querendo ser cuidadoso com tudo que ouvi e gostei e me fez pensar e cantar. mas taí, os discos brasileiros de 2017 segundo o esforçado. a de músicas já está pronta [só falta o texto rsrs].

os raps, sempre - e o rap brasileiro continua numa bueníssima onda com beats, misturas, assuntos e sotaques dos mais diversos. mas quatro discos se destacam entre os destaques: galanga livre do paulistano rincon sapiência, esú do baiano baco exu do blues, roteiro pra ainouz vol. 3 do cearense don l e eletrocardiograma da brasiliense flora matos. rincon e baco, cada um a seu modo, dialogam fortemente com a cultura e a história afro-brasileira, e a violência da opressão e preconceito, e o orgulho das raízes, do amor e da beleza, e o poder dos batuques e beats. já don l e flora, mais hedonistas, tratam de rolês mais pessoais e vão fundo nisso embalados por ótimas produções e excelentes rimas e flows.

rincon, baco, don, flora 
e o rap brasileiro em tempos de glória

só que no mundo rap dessa lista tem ainda a força da experiência no retorno do rzo [quem tá no jogo traz ainda participações de sombra, rael, criolo e negra li] e de mais um trabalho firme e caudaloso de rodrigo ogi [pé no chão], além do diálogo brasil X portugal no belo encontro de emicida, rael, valete e capicua [língua franca] e dos elétricos álbuns de estreia do desbocado djonga [heresia], do raivoso coruja bc1 [no dia dos nossos] e do rimas & melodias, coletivo de minas rappers que já possuem sólidas carreiras solo como tássia reis e drik barbosa.

tem ainda o grupo baiano oquadro com mais um disco irrepreensível [nêgo roque], a estreia solo do brasiliense froid no excelente o pior disco do ano, o surpreendente segundo trabalho de nill [regina é ao mesmo tempo doce, tocante e bem humorado], um rico dalasam mais eletrônico e festeiro [balanga raba] e a densidade dos mineiros matéria prima [2 atos, uma interessante parceria com gui amabis] e thiago elniño [a rotina do pombo]. além disso tudo, tem ainda rap nos delicados sambas urbanos de criolo [espiral de ilusão] e na presença de sombra, yzalú e lurdez da luz na ótima estreia do neompbístico [no bom sentido] coletivo rua.

pop, radicalmente - se o disco de estreia do grupo as bahias e a cozinha mineira era ao mesmo tempo teatral, dramático e universitário, no que isso tem de bom e ruim, este segundo trabalho [bixa] vai além como uma deliciosa, tropical e diversa festa autoral muito bem produzida por daniel ganjaman e com ainda melhores arranjos vocais de assucena assucena e raquel virginia. falando em tropicalidades, a estreia do produtor baiano àttøøxxá [#blvckbvng] é um novo caminho de ritmos para o pop nacional, é o pagodão eletrônico no topo. mas nada consegue ser tão desavergonhadamente pop quanto vai passar mal, de pabblo vittar, uma mistura de funk, forró, sertanejo , arrocha, reggae, trap, balada e muita auto estima [logo após anitta, que aparecerá bastante na lista de músicas, pabblo é certamente a grande figura pop do ano].

a maranhense pabblo vittar e o baiano àttøøxxá

instrumentais, majoritariamente - sensacional o que o macaco bong fez com o nirvana em deixa quieto [nevermind, tá ligado?], e lindo o passeio sonoro do duo cæs em santos 3am, e uma delícia de guitarradas em mais um registro de felipe cordeiro com o pai manoel cordeiro em combo cordeiro, e o bandolinista hamilton de holanda encarando com delicadeza o cancioneiro de milton nascimento em casa de bituca [com participações do próprio milton e de alcione], e a sempre atual herança de moacir santos, edu lobo, naná vasconcelos e baden powell tudo misturado em tempo dos mestres de fabiano do nascimento, e o metá metá mais uma vez quebrando tudo na trilha que fez para o grupo corpo [gira tem ainda participação luxuosa de elza soares], e a guitarra sempre instigante de fernando catatau em dois projetos paralelos [tarde, o segundo disco do lamber vision, e praia futuro, feito em parceria com dengue, yury kalil e ilhan ersahin], e o incansável thiago frança abriu e fechou o ano com dois discos curtos, variados e divertidos [chão molhado da roça e bomba, suor e bafo]. destaque especial para o disco de estreia do onça combo, um power trio paraibano que injeta jazz nas tradições musicais indígenas, ibéricas e nordestinas.

os paraibanos porretas do onça combo

cantautoras, intérpretes - e a safra musical brasileira segue alto nível com um punhado de discos de cantoras/compositoras nessa nossa vasta tradição cancioneira: alzira e, uma das preferidas da casa em qualquer tempo, trouxe mais uma beleza rascante, o corte; letícia novaes, metade do saudoso letuce, estreou solo com o eletrônico, noturno e oitentista letrux em noite de climão; xênia frança, uma das vozes do aláfia, também estreou solo com o forte xênia, disco de composições próprias e releituras de figuras como chico césar, antônio carlos & jocafi, luisa maita, verônica ferriani e tiganá santana; tulipa ruiz, acompanhada apenas de gustavo ruiz e stephane san juan, veio intimista, e até relendo algumas músicas do passado, em tu; linn da quebrada entortou o funk em pajubá, disco violentamente conceitual, experimental, sexual e político; luana carvalho mostrou toda a amplitude de sua poesia, sob produção de moreno veloso, nos discos irmãs branco e sul; e ainda teve o balanço de luciana oliveira em deusa do rio niger, as novas bossas de nina becker em acrílico e as múltiplas faces de mallu magalhães em vem.

alzira e, letícia "letrux" novaes e xênia frança

uns grupos, encontros - o excelente grupo paulistano aláfia não brinca em serviço e o terceiro disco deles, sp não é sopa, é mais um tratado sobre balanço, poesia, afrobrasilidades e política; os goianos do boogarins seguem aprimorando psicodelias em seu terceiro disco, lá vem a morte; e os cariocas do amor também experimentam mais e melhor em fodido demais; já os mineiros do pato fu soltaram mais um disco do seu projeto de versões “infantis” para hits nacionais e internacionais, o divertido música de brinquedo 2 [que tem gilberto gil, joão bosco & aldir blanc, raul seixas, raimundos, rita pavone, ricky martin, etc]; e falando em versões, o nação zumbi deu um tempinho nos discos autorais e fez seu primeiro de covers, o excelente radiola nz, vol. 1, que tem tim maia, beatles, david bowie, the specials, marvin gaye, gilberto gil e secos & molhados [com participação de ney matogrosso]; ainda no terreno das interpretações, o trupe chá de boldo lançou o belo verso que tem canções de amigos como alzira e, andré abujamra, negro leo, leo cavalcanti, iara rennó, marcelo segreto, pélico, juliano gauche e tatá aeroplano; e o tatá, aliás, reuniu-se com a amiga e parceira barbara eugênia nos folks delicados de vida ventureira; pra finalizar esse bloco, o surpreendente sambas do absurdo, o encontro de rodrigo campos com juçara marçal, gui amabis, nuno ramos [co-autor das músicas] e albert camus [inspiração do projeto].

os paulistanos/paulistas do aláfia - e olha xênia, novamente - 
e da trupe chá de boldo

uns caras - chico buarque e guilherme arantes, dois medalhões da música popular brasileira lançaram discos bem interessantes [caravanas e flores & cores, respectivamente]; mas outros veteranos se saíram ainda melhor, como foi o caso do gaúcho vitor ramil e seu delicado e milongueiro campos neutrais e o eterno titã paulo miklos com o belíssimo a gente mora no agora [que o colocou em parcerias com emicida, céu, tim bernardes, lurdez da luz, erasmo carlos, guilherme arantes, silva e russo passapusso]; o tim bernardes, por sua vez, deu uma pausa n’o terno pra lançar seu primeiro solo, o folk intimista confessional recomeçar; também são intimistas, e das mais bonitas e diversas formas, os novos discos de dudu tsuda [bicicleta], lucas santanna [modo avião é uma parceria multimídia de lucas com o escritor joão paulo cuenca e o desenhista rafael coutinho], momo [voá] e domenico lancellotti [serra dos órgãos], e as estreias de giovani cidreira [japanese food], lincoln [malvado canto], felipe s [cabeça de felipe] e zé ed; mas certamente os pontos altos desse bloco estão na crueza punk de cortes curtos de kiko dinucci, no lirismo dolorido de batatinha na voz de celso sim [o amor entrou como um raio], no tropicalismo de experimentos grooveados de boca do curumin e em mais uma beleza romântica e torturada, raivosa e sensível, de otto [ottomatopeia].

otto, paulo miklos e curumin

A Espetacular Charanga do França - Chão Molhado da Roça/Bomba, Suor e Bapho
Aláfia - SP Não é Sopa
Alzira E - Corte
As Bahias e a Cozinha Mineira - Bixa
ÀTTØØXXÁ - #BLVCKBVNG
Baco Exu do Blues - Esú
Barbara Eugênia e Tatá Aeroplano - Vida Ventureira
Boogarins - Lá Vem a Morte
Chico Buarque - Caravanas
Coletivo Rua - Coletivo Rua
Combo Cordeiro - Combo Cordeiro
Coruja BC1 - No Dia dos Nossos
Curumin - Boca
Djonga - Heresia
Do Amor - Fodido Demais
Domenico Lancellotti - Serra dos Orgãos
Dudu Tsuda - Bicicleta
Duo Cæs - Santos 3AM
Emicida, Rael, Valete e Capicua - Língua Franca
Fabiano do Nascimento - Tempo dos Mestres
Felipe S - Cabeça de Felipe
Fernando Catatau, Dengue, Yury Kalil e Ilhan Ersahin - Praia Futuro
Flora Matos - Eletrocardiograma
Giovani Cidreira - Japanese Food
Guilherme Arantes - Flores & Cores
Hamilton de Holanda - Casa de Bituca
Kiko Dinucci - Cortes Curtos
Lamber Vision - Tarde
Lincoln - Malvado Canto
Linn da Quebrada - Pajubá
Luana Carvalho - Branco/Sul
Lucas Santanna - Modo Avião
Luciana Oliveira - Deusa do Rio Niger
Macaco Bong - Deixa Quieto
Mallu Magalhães - Vem
Matéria Prima - 2 Atos
Metá Metá - Gira
Momo - Voá
Nação Zumbi - Radiola NZ, Vol. 1
Nina Becker - Acrílico
niLL - Regina
Onça Combo - Onça Combo
OQuadro - Nêgo Roque
Otto - Ottomatopeia
Pabblo Vitar - Vai Passar Mal
Paulo Miklos - A Gente Mora no Agora
Rico Dalasam - Balanga Raba EP
Rimas & Melodias - Rimas & Melodias
Rincon Sapiência - Galanga Livre
Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis - Sambas do Absurdo
Rodrigo Ogi - Pé no Chão
Thiago Elniño - A Rotina do Pombo
Tim Bernardes - Recomeço
Trupe Chá de Boldo - Verso
Tulipa Ruiz - Tu
Vitor Ramil - Campos Neutrais
Xênia França - Xênia
Zé Ed - Zé Ed

e como já é de lei aqui por essas bandas, uma segunda lista se faz necessária pela quantidade de discos interessantes lançados ano após ano. uns só não entraram na primeira por motivos de não ter ouvido tanto quanto outros. coisa de momento/oportunidade mesmo.

Airto Moreira - Aluê
Akira Presidente - Fa7her
André Sampaio - Alagbe
Angela Ro Ro - Selvagem
Arto Lindsay - Cuidado Madame
Banda Mantiqueira - Com Alma
Camarones Orquestra Guitarrística - Feeexta
Castello Branco - Sintoma
Chaiss - Chara
Cinnamon Tapes - Nabia
Conteção 33 - Ruas Sujas
Davi Moraes - Tá em Casa
Diomedes Chinaski & DJ Caique - Ressentimentos II
Gragoatá - Gragoatá
Haikaiss - Teto Baixo
Hermeto Pascoal & Big Band- Natureza Universal
João Donato e Donatinho - Sintetizamor
Johnny Hooker - Coração
Jonathan Tadeu - Filho do Meio
Juliana Kehl - Lua Full
Kalouv - Elã
Lia Sophia - Não Me Provoca
Luedji Luna - Um Corpo no Mundo
Luiza Lian - Oyá Tempo
Marcelo Callado - Musical Porém
Meia Dúzia de 3 ou 4 - 81 Anos de Tom Zé
My Magical Glowing Lens - Cosmos
Nana - CMG-NGM-PDE
Nevilton - Adiante
Nomade Orquestra - EntreMundos
Satanique Samba Trio - Xenossamba
Seu Pereira e Coletivo 401 - Eu Não Sou Boa Influência pra Você
Tetê Espíndola - Outro Lugar
Tiê - Gaya
Tribalistas - Tribalistas
Valério - Água Pedra
Vanguart - Beijo Estranho

domingo, 5 de maio de 2013

elas cantam ele, eles cantam ela

neste ano, o selo jóia moderna lançou dois excelentes tributos. não foram os primeiros da curta vida do selo criado pelo dj zé pedro – antes aconteceram literalmente loucas - as canções de marina lima (2011) e a voz da mulher na obra de guilherme arantes (2012) –, mas certamente são os melhores até agora (achei o da marina bom e o do guilherme arantes muito fraco). mulheres de péricles (2013) traz um punhado de cantoras da nova geração ao redor do compositor péricles cavalcanti, enquanto coitadinha bem feito (2013) faz o mesmo com jovens cantores e as músicas de ângela ro ro. ah, como se não bastassem trazer interpretações surpreendentes para algumas canções bem conhecidas, os dois tributos também estão disponíveis para download gratuito.


mulheres de péricles - péricles cavalcanti é um ilustre desconhecido. todos sabem cantar pelo menos uma de suas composições, mas poucos conhecem seus discos solos (são 5) ou associam seu nome a canções gravadas por gal (“negro amor”), caetano (“elegia”), arnaldo antunes (“eva e eu”) e adriana calcanhotto (“medo de amar nº3”). não que isso seja um problema ou motivo de ressentimento para ele (não parece), mas de qualquer forma esse disco é uma oportunidade e tanto para colocar alguns pingos nos is, principalmente sobre a poesia sofisticada e popular de suas letras. por outro lado, a escolha dessas jovens vozes femininas confere diversos tons de delicadeza (sexual, rascante, derramada, etc.) e experimentações musicais das mais variadas a canções feitas no decorrer das últimas quatro décadas. todas soam igualmente fresquinhas, urgentes. cada ouvinte terá suas preferidas e as minhas são “clariô” (marietta vital e mairah rocha), “blues” (céu), “porto alegre” (tulipa ruiz), “elegia” (mallu magalhães), “quem nasceu?” (laura lavieri) e “ode primitiva” (bárbara eugênia). detalhe: os anos indicados após as músicas (o mesmo vale para o próximo tributo) são das gravações originais.


1. céu – “blues” (péricles cavalcanti, 1981)
2. nina becker – “o céu e o som” (péricles cavalcanti, 1974)
3. blubell – “bossa nova” (péricles cavalcanti, 2004)
4. mallu magalhães – “elegia” (péricles cavalcanti & augusto de campos, 1979)
5. bárbara eugênia – “ode primitiva” (péricles cavalcanti & haroldo de campos, 1991)
6. marietta vital & mairah rocha – “clariô” (péricles cavalcanti, 1977)
7. tulipa ruiz – “porto alegre” (péricles cavalcanti, 2007)
8. iara rennó – “nossa bagdá” (péricles cavalcanti, 2004)
9. anelis & serena assumpção – “eva e eu” (péricles cavalcanti & arnaldo antunes, 1996)
10. laura lavieri – “quem nasceu?” (péricles cavalcanti, 1974)
11. karina buhr – “negro amor” (péricles cavalcanti & caetano veloso, 1977)
12. juliana kehl – “será o amor?” (péricles cavalcanti, 2004)
13. ava rocha – “musical” (péricles cavalcanti, 1983)
14. tiê – “medo de amar nº3” (péricles cavalcanti, 2000)
15. juliana perdigão – “canto maneiro” (péricles cavalcanti, 1991)




coitadinha bem feito - felizmente ângela ro ro se tornou objeto de culto ainda em vida, e a partir dos anos 2000 voltou a fazer shows, a gravar e até emplacou um programa de televisão. coitadinha bem feito é um coroamento desse movimento e uma bela homenagem a uma das compositoras mais fortes da música popular brasileira. a costura do repertório é menos original que a do mulheres de péricles – tanto que metade do tributo veio diretamente do disco de estreia de ângela, de 1979 –, mas a escolha por (e dos) intérpretes masculinos é um belo contraponto ao estilo da carioca. suas ironias mudam de lugar, seu romantismo rasgado ganha distância, seu blues ganha novas cores. as preferidas da casa são (sem nenhuma ordem, sempre) “balada da arrasada” (tatá aeroplano), “perdoai-os pai” (rael), “coitadinha bem feito” (otto), “não há cabeça” (pélico), “me acalmo danando” (hélio flanders), “came e case” (léo cavalcanti), “abre o coração” (gui amabis) e “fogueira” (rodrigo campos). baixe aí e veja quais são suas preferidas porque música boa é que não falta.

1. lucas santtana – “amor meu grande amor” (ângela ro ro & ana terra, 1979)
2. lira – “renúncia” (ângela ro ro, 1980)
3. leo cavalcanti – “came e case” (sérgio bandeira & ângela ro ro, 1981)
4. rómulo froés – “só nos resta viver” (ângela ro ro, 1980)
5. thiago pethit – “mares da espanha” (ângela ro ro, 1979)
6. tatá aeroplano – “balada da arrasada” (ângela ro ro, 1979)
7. otto – “coitadinha bem feito” (sérgio bandeira & ângela ro ro, 1981)
8. gui amabis – “abre o coração” (ângela ro ro, 1979)
9. adriano cintra – “gota de sangue” (ângela ro ro, 1979)
10. pélico – “não há cabeça” (ângela ro ro, 1979)
11. rodrigo campos – “fogueira” (ângela ro ro, 1984)
12. kiko dinucci – “tango da bronquite” (ângela ro ro, 1980)
13. rael – “perdoai-os pai” (sérgio bandeira & ângela ro ro, 1981)
14. gustavo galo – “fraca e abusada” (ângela ro ro, 1981)
15. dani black – “tola foi você” (ângela ro ro, 1979)
16. juliano gauche – “a mim e a mais ninguém” (ângela ro ro, 1979)
17. helio flanders – “me acalmo danando” (ângela ro ro, 1979)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

yahoo #57

desdobramento estratégico da lista de melhores músicas brasileiras do ano publicada aqui, a coluna da semana passada no yahoo foi uma selecta de dez canções que imaginei serem interessantes para mostrar pro leitor de lá. qual não foi minha surpresa quando começaram a rolar vários comentários detonando o gosto dessa "estagiária ridícula"!? o yahoo é isso, um pescotapa no ego.



10 MÚSICAS QUE VOCÊ DEVERIA TER OUVIDO EM 2012

Fim de ano é tempo de listas, só que dessa vez resolvi fazer algo diferente. Separei 10 músicas brasileiras da lista de 50 que publiquei no meu blog pessoal, o Esforçado. Não porque sejam melhores que as outras 40, mas por serem ótimos exemplos para os comentaristas apocalípticos aqui do Yahoo! que a música brasileira anda muito bem, obrigado. Quem só consome música através de TV e rádio pode até achar que o país anda “perdido”, na mesma. Não existe muita oferta mesmo. É que as coisas do mundo estão na internet, minha nega. Basta ter um pouco de curiosidade. Escuta só.

Lado A – O coração

1) “Se assim quiser” (Mahmundi)


Mahmundi é pseudônimo do trio liderado pela cantora e compositora Marcela Vale, carioca de 25 anos. “Se assim quiser” está em seu trabalho de estreia, o EP Efeito das Cores. Tecladinhos saídos diretamente dos anos 1980 se juntam docemente com programações eletrônicas em clima de fim de tarde. E Marcela só cantando coisa boa de fazer. Autoajuda deveria ser assim.

2) “Alegria da gente” (Alvinho Lancellotti)


Filho do compositor Ivor Lancellotti, parceiro de bambas como João Nogueira, Paulo César Pinheiro e Leci Brandão, Alvinho começou a cantar e mostrar suas músicas no grupo Fino Coletivo e só agora estreou solo em O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos. O título do disco, aliás, é um dos versos de “Alegria da gente”, sambinha espertíssimo, moderno e tradicional, que só poderia ter sido feito sob o efeito da alegria solar do Rio de Janeiro.

3) “Areia fina” (Letuce)


Em quase todas as músicas do Letuce quem canta lindamente é Letícia Novaes, mas esta, especialmente, traz os vocais do guitarrista Lucas Vasconcellos, parceiro de Letícia de música, vida e vice-versa. Música de Manja Perene, segundo disco do casal carioca, “Areia fina” é um rock cheio de climas sobre as descobertas, algumas doloridas, do amor.

4) “A carta de amor” (A Banda dos Corações Partidos)


Marchinha dramática sobre amores perdidos, “A carta de amor” é também uma ótima porta de entrada para o som desse grupo de Aracaju, Sergipe. Tem também brega na mistura, fator recorrente na nova música feita no Norte-Nordeste, e a ótima voz de Diane Velôso.

5) “Poder da sedução” (Dona Onete)


Do alto seus 73 anos, a cantora paraense costuma ser comparada a Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus e Omara Portuondo, mas em seu disco de estreia (Feitiço Caboclo) é possível ouvir todo seu brilho próprio. Dona Onete passeia por carimbós maliciosos como “Jamburana” e lindas baladas bregas como essa “Poder da sedução”, que é também tango com pitadas eletrônicas em meio a lamentos de cabaré amazônico.

Lado B – Os quadris

1) “Pode para” (Flow MC)


Uma das revelações do jovem rap paulistano, Flow MC é também um dos organizadores da tradicional Batalha de MCs do Santa Cruz e “Pode para” está em sua terceira mixtape, SensaFLOWnal. Os samples de “Abrigo de vagabundos” (Adoniran Barbosa), em gravação do Demônios da Garoa, são apenas o começo de um surpreendente e novo cruzamento de rap com samba (paulista). E o sujeito ainda possui humor e um fraseado afiadíssimo.

2) “O mundo (Panela de pressão)” (BNegão & Os Seletores de Frequência)



Nove anos separam a estreia solo de BNegão em Enxugando Gelo deste recente e igualmente ótimo disco Sintoniza Lá. Entre muitas canções cheias de suingue e politização destaque para “O mundo (Panela de pressão)”, uma mistura de funk, rap, rock e afoxé sobre as encruzilhadas desse mundão grande sem porteira.

3) “Afoxoque” (Curumin, com participação de Russo Passapusso)


Música de Arrocha, um dos melhores discos do ano e o terceiro trabalho solo do multiinstrumentista, cantor e compositor paulistano. Influências africanas misturadas com programações eletrônicas dão o tom de uma poética e poderosa canção de protesto feita em parceria com Russo Passapusso, vocalista do Baiana System.


4) “Exu parade” (Otto)


Otto talvez seja o mais conhecido dessa lista, afinal começou no Mundo Livre S/A nos anos 1990 e depois construiu sólida carreira solo (dois anos atrás emplacou “Crua” em trilha de novela global). “Exu parade” está em seu quinto disco, The Moon 1111, e é uma pedrada das mais dançantes do cancioneiro do pernambucano. Pop, batuque, música eletrônica e celebração em alta velocidade.

5) “Piloto de fuga” (Maga Bo, com participações de Funkero e BNegão)


Disco de estreia do produtor americano que vive desde 1999 no Rio de Janeiro, Quilombo do Futuro é uma impressionante mistura de ritmos nordestinos, música eletrônica, africanidades e pancadões. Entre as muitas e ótimas faixas destaque para “Piloto de fuga”, uma prova da relevância e do poder sonoro do funk carioca. Sem falar na vontade louca que dá de sair dirigindo pela cidade (qualquer cidade, estrada).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

os 30 discos brasileiros de 2012 e algo mais

bem, a lista de melhores músicas brasileiras do ano já trazia indicações de quais discos ficariam entre os bonzões: as estreias de gaby amarantos, los sebosos postizos, maga bo, oquadro e alvinho lancelotti, e ainda curumin, tulipa ruiz, lucas santtana, letuce, gui amabis, siba e bnegão & os seletores de frequência. discos fortes, variados, alegres, melancólicos e, acima de tudo, repletos de ótimas músicas. mas acho que dois discos resumiriam o ano pra mim: arrocha, o terceiro do paulistano curumin, e treme, a estreia de gaby amarantos.


   
arrocha por seus cruzamentos surpreendentes e orgânicos do batuque afro-brasileiro com música eletrônica, e sem jamais esquecer a necessidade por canções, refrões, pegada, balanço, amor, experiências. e por músicas como “afoxoque”, “selvage”, “passarinho”, “treme terra”, “paris vila matilde”, “doce” e “pra nunca mais”, além da regravação linda de “vestida de prata” (paulinho boca de cantor, 1981) e da parceria com russo passapusso (baiana system).



treme por suas gigantescas possibilidades pop. gaby amarantos conseguiu um feito raro no brasil, pois é, ao mesmo tempo, hype e popularíssima (claro que isso não dura muito). seu disco de estreia, que começou a ser lançado no final de 2011 com o clipe de “xirley”, reúne fernanda takai e dona onete, thalma de freitas e zezé di camargo & luciano, zé cafofinho e veloso dias, kraftwerk e gang do eletro, todo um tsunami de altas e baixas culturas. ah, se um pedacinho da música pop mundial tivesse tanta informação como nas músicas cantadas por gaby... exemplos não faltam, vide “merengue latino”, “eira”, “gemendo”, “pimenta com sal”, “mestiça”, “coração está em pedaços”, “ex mai love”, “galera da laje” e “chuva”.

no mais, segue a lista completa:

alvinho lancelotti (o tempo faz a gente ter esses encantos)
caetano veloso (abraçaço)
café preto (café preto)
céu (caravana sereia bloom)
curumin (arrocha)
dona onete (feitiço caboclo)
dudu tsuda (le son par lui même)
gui amabis (trabalhos carnívoros)
hurtmold (mils crianças)
improvisado trio (interferências)
letuce (manja perene)
los sebosos postizos (interpretam jorge ben jor)
lucas santtana (o deus que devasta mas também cura)
maga bo (quilombo do futuro)
nina becker & marcelo callado (gambito budapeste)
oquadro (oquadro)
otto (the moon 1111)
paulo carvalho (o amor é uma religião)
rodrigo campos (bahia fantástica)
sambanzo (etiópia)
shaw (orquestra simbólica)
siba (avante)
silva (claridão)
síntese (sem cortesia)
thiago pethit (estrela decadente)
tom zé (tropicalismo lixo lógico)
tulipa ruiz (tudo tanto)

dessa lista gostaria de destacar ainda os excelentes e densos discos de rap do carioca-paulistano mc shaw (orquestra simbólica) e dos paulistas do síntese (sem cortesia, e ah, paulistas de são josé dos campos), bem como os novos trabalhos de uma turma muito produtiva de são paulo, bahia fantástica de rodrigo campos e metal metal, do trio juçara marçal, kiko dinucci e thiago frança. este último, saxofonista da banda do criolo, também lançou o belo instrumental etiópia sob o pseudônimo sambanzo (dinucci incluso). falando em instrumental, uma ótima surpresa foi interferências, disco de estreia do improvisado trio (marcelo castilha, meno del picchia e pedro ito). e pra finalizar, outras três estreias muito felizes, café preto (projeto adubado de cannibal do devotos do ódio), claridão (do capixaba indie silva) e le son par lui même (o multifacetado primeiro solo de dudu tsuda, que foi jumbo elektro, cérebro eletrônico, trash pour 4, etc). detalhe: os últimos discos a entrar na lista, tipo 43 do segundo tempo, foram abraçaço de caetano veloso e o extraordinário mils crianças do hurtmold.



MENÇÃO HONROSA - não tem como não falar de alguns ótimos tributos/coletâneas lançados no ano, destacando primeiro os que foram produzidos de forma independente, tais como o duplo re-trato los hermanos (com bárbara eugênia, cícero, dan nakagawa, hidrocor, lula queiroga, érika machado, nevilton, do amor, velhas virgens, tibério azul, banda gentileza, nervoso & os calmantes, etc.), o variadão brasileiros (com pélico cantando cartola, mahmundi de rita lee, bazar pamplona de dorival caymmi, etc.) e o muito excelente jeito felindie (tributo ao raça negra com lulina, amplexos, letuce, vivian benford, harmada, minha pequena soundsystem, etc.). menções honrosas também para o multinacional a tribute do caetano veloso (com beck, chrissie hynde, seu jorge, marcelo camelo, jorge drexler, céu, qinho, momo, tulipa ruiz, mariana aydar, etc.) e o projeto transglobal paraense terruá pará vols. 1 e 2 (com gang do eletro, gaby amarantos, mestres da guitarrada, lia sophia, dona onete, pio lobato, metaleiras da amazônia, etc.)

TEM MAIS SAMBA – nem preciso dizer que rolou muito mais coisa, portanto não custa nada mencionar outros discos interessantes/divertidos/desafiadores lançados neste ano e que passaram pelos ouvidos da casa. alguns emplacaram músicas entre as melhores do ano, mas acabaram não entrando na lista principal de discos. então, se não ouviu, ouça a banda dos corações partidos (a banda dos corações partidos EP), abayomy afrobeat orquestra (abayomy afrobeat orquestra), afroelectro (afroelectro), aíla (trelelê), amplexos (a música da alma), arnaldo antunes, edgard scandurra & toumani diabaté (a curva da cintura), banda uó (motel), beto mejía (abraço), bonde do rolê (tropical/bacanal), caio bosco (caio bosco), domenico & joão brasil (taksi EP), doo doo doo (casa das macacas), filarmônica de pasárgada (o hábito da força), flow mc (sensaflownal), fóssil (mocumentário), holger (ilhabela), jair naves (e você se sente numa cela escura…), kamau (... entre), laura wrona (r.h. volcano), madrid (madrid), mahmundi (efeito das cores EP), mão de oito (um dia que já vem), márcia castro (de pés no chão), marginals (marginals 2), marina de la riva (idílio), mr. catra (com todo respeito ao samba), o terno (66), orquestra contemporânea de olinda (pra ficar), orquestra imperial (fazendo as pazes com o swing), pentágono (manhã), psilosamples (mental surf), qinho (o tempo soa), rafael castro (lembra?), rogerman (o caminho do lobo), sasquat (alfazema), ska maria pastora (as margens do rio doce), sobre a máquina (sobre a máquina), sonic junior (inspire), strobo (quando se perde a inocência), tatá aeroplano (tatá aeroplano), trupe chá de boldo (nave manha), vítor araújo (a/b), volver (próxima estação) e zélia duncan (tudo esclarecido – músicas de itamar assumpção).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

as 30 + 20 músicas brasileiras de 2012

começo a temporada de retrospectivas aqui no esforçado com as melhores músicas brasileiras do ano segundo a humilde opinião da casa. ainda rolarão por aqui os melhores discos e clipes nacionais, e discos e músicas da gringolândia (também conhecida como resto do mundo). a categoria ‘clipes nacionais’ é a novidade dessa retrospectiva porque achei um ano excepcional na produção audiovisual, muita coisa boa mesmo e nos gêneros mais variados. de resto, a única diferença é que aumentaram um pouco mais o tanto de escolhidos. na retrospectiva de 2009 foram 10, já em 2010 e 2011 o número aumentou para 25. agora são 30.

de alguns discos – que, não coincidentemente, estão entre os melhores do ano – foi particularmente difícil escolher apenas uma música. isso aconteceu nos discos de alvinho lancellotti (o tempo faz a gente ter esses encantos), bnegão & os seletores de frequência (sintoniza lá), céu (caravana sereia bloom), curumin (arrocha), gaby amarantos (treme), gui amabis (trabalhos carnívoros), letuce (manja perene), los sebosos postizos (interpretam jorge ben jor), lucas santtana (o deus que devasta mas também cura), maga bo (quilombo do futuro), oquadro (oquadro), siba (avante) e tulipa ruiz (tudo tanto). nessa horas a gente precisa ser forte, engole o choro moleque. afinal de contas, a vida é ‘escolhas’ e listas são fotografias de um instante. bola pra frente.

como é de praxe aqui não tem essa coisa de primeiro, segundo, terceiro lugar. assino embaixo do pessoal do hominis canidae que, em um email pedindo listas pessoais de seus colaboradores/amigos/colegas, afirmaram que eram “discipulos do satanique samba trio e achamos que ordenar é apenas mais uma pratica cristã ultrapassada”. segue a lista.

a banda dos corações partidos - “a carta de amor”
afroelectro - “pra sonhar”
alvinho lancellotti - “alegria da gente”
beto mejia - “vermelho”
bnegão & os seletores de frequência - “o mundo (panela de pressão)”
caetano veloso - “um abraçaço”
céu - “baile de ilusão”
curumin & russo passapusso - “afoxoque”
don l & flora matos - “enquanto acaba”
dona onete - “poder da sedução”
edi rock & seu jorge - “that’s my way”
flow mc - “pode para”
gaby amarantos - “merengue latino”
gui amabis - “tiro”
letuce - “areia fina”
los sebosos postizos - “toda colorida”
lucas santtana - “músico”
maga bo, funkero & bnegão - “piloto de fuga”
mahmundi - “se assim quiser”
mão de oito & marcela bellas - “acorda”
nina becker & marcelo callado - “armei a rede”
oquadro - “balançuquadro”
otto - “exu parade”
paulo carvalho - “sóis”
siba - “preparando o salto”
silva - “a visita”
tulipa ruiz - “cada voz”
volver - “mangue beatle”

mas tem muita coisa, muitos sons bons. e naquela linha inclusiva do blog fiz ainda um segunda lista com outras 20 músicas.

amplexos - “making love”
banda uó & luiz caldas - “beija flor”
bonde do rolê - “kilo”
café preto - “nem se, nem dó”
caio bosco - “mendigos de amor”
doo doo doo - “carnaval no fogo”
filarmônica de pasárgada - “o seu tipo”
lurdez da luz - “levante”
márcia castro - “de pés no chão”
negro leo - “jovem tirano príncipe besta”
o terno - “66”
orquestra contemporânea de olinda - “mar azul”
qinho - “o tempo soa”
rafael castro & pélico - “marítima”
roberta sá - “no arrebol”
rodrigo campos & criolo - “ribeirão”
sasquat - “homem guaracheiro”
shaw - “coração”
síntese - “se escute”
tatá aeroplano - “par de tapas que doeu em mim” 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

você quer um coração tonto?

que fase essa de clipes nacionais, que fase... depois de todos esses que saíram em julho – e que coloquei nas postagens “crítica social no balanço”, “a postos” e “sonhos legais e ilegais” – teve márcia castro & hélio flanders (“29 beijos”), madrid (“sad song”), banda gentileza (“quem me dera”), super stereo surf (“clipe vertical”) e agora surgiu “valete”, do primeiro disco solo de lirinha (ex-cordel).



a direção é de lírio ferreira, em parceria com natara ney, e participam ângela ro ro e otto, as vozes que acompanham lirinha nessa música absurdamente bonita. detalhe: lírio ferreira, que dirigiu longas como baile perfumado e árido movie, também esteve esse ano atrás das câmeras do clipe de “passione”, de junio barreto.