domingo, 31 de maio de 2009

domingueira pop

só porque estou indo pra algo totalmente diferente (leia-se uakti fazendo trilha ao vivo para o playtime (1967) de jacques tati). são os ingleses do golden silvers que acabaram de lançar seu disco de estréia, true romance (xl recordings, 2009). destaque para o primeiro single, clipe, faixa que dá nome ao disco, etc. e tal, afinal "true romance (true nº 9 blues)" é boa de verdade. mas tem ainda "arrow of eros", "here comes the king" e "please venus".

sábado, 30 de maio de 2009

olhando para trás

filme estranho e instigante esse land of look behind (1982). nunca tinha ouvido falar nem dele, nem de seu realizador, o americano alan greenberg, e acabei sabendo de seu lançamento em dvd nos eua pelo site documentaryfilms. a versão que consegui nos torrents da vida vem com legendas em inglês, dois curtas sobre os bastidores, o trailer e a trilha sonora (pausa para o habitual assombro virtual – jamais assistiria/teria acesso a esse filme se não fosse a internet, fato).

taí outro filme que não possui uma tese, não procura respostas e, conseqüentemente, não as encontra (quer dizer, pelo menos não do jeito “jornalístico”). as viagens pelo interior da jamaica, feitas em maio e julho de 1981 logo após a morte precoce de bob marley, procuram faces distintas do movimento rastafari, desde as oficiais até as mais chapadas, passando até rapidamente por um certo rastafarianismo feminista. bem no início, um agricultor diz assim: “essas rãs passam a vida inteira dentro dessas plantas. tem também as que vivem embaixo das pedras, só que essas tem outras cores. existem muitos tipos de rã. não apenas uma, duas, três ou quatro, mas muitas. os cientistas vem aqui e as estudam”. e lá estão, por exemplo, alan greenberg e o câmera jörg schmidt-reitwein (de filmes como o enigma de kaspar hauser, nosferatu e woyzeck, todos de werner herzog, uma espécie de padrinho do filme e de greenberg) fazendo o mesmo com o povo jamaicano, mas não com olhos de cientistas.

o cineasta já conhecia bob marley de outras viagens ao país e quando o artista morreu, aos 36 anos, sua família o chamou para fazer um documentário. no entanto, land of look behind quase não trata de bob, apesar de algumas cenas das cerimônias de velório e enterro, da comoção popular. é mais sobre alguns mistérios e estranhamentos com essa terra de espiritualidade sob cortinas de fumaça, pobreza agressiva e música vibrante (participações de gregory isaacs e lui lepki, além de alguns petardos de bob, tais como “natural mystic”, “time will tell” “sun is shining” e “crisis”). olha o trailer do dvd.



pra finalizar: este é o primeiro filme de alan greenberg, que trabalhou com cineastas como bernardo bertolucci (no épico 1900) e o próprio werner herzog (em coração de cristal e nos roteiros de
cobra verde e fitzcarraldo). atualmente vem tentando viabilizar a produção do longa love in vain, roteiro seu já publicado em livro e baseado na vida do bluesman robert johnson.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

transversão #8

todo mundo conhece essa. pop hippie na veia. "aquarius/let the sunshine" é a junção de duas canções do musical hair (1967), e como todo o resto foi composto por james rado, gerome ragni e galt macdermot. a dobradinha, como ficou conhecida, estourou nas rádios de todo o mundo a partir de 1969 com a gravação do grupo norte-americano the 5th dimension. mas antes, e depois, foi gravada por um monte de gente. por exemplo, lafayette, o mago dos teclados jovemguardistas de roberto carlos. essa é toda instrumental e tá no disco lafayette apresenta os sucessos vol. 8 (entré/cbs, 1969).



e agora, naquele esquema farofa-com-champanhe de sempre, o maestro ray conniff chama sua orquestra em registro do disco jean (columbia, 1969).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

amor no palco

moleque. ele é um moleque, o vitor araújo. tem quase 20 anos (ou já completou?). entrevistei ele por telefone no final do ano passado pra monet por causa da exibição, no canal brasil, do show toc - ao vivo no teatro santa isabel (deckdisc, 2008), primeiro registro do pernambucano que também saiu em cd e dvd. vitor é muito franco e o peguei em um daqueles momentos mais reveladores de um ser humano: o da fome (de comida, de vida, de música, etc). no final ele disse mais ou menos assim, "falei um monte, né? até esqueci que tava aperreado de fome". e foi almoçar. eu também. abaixo, um trecho do show em que o moleque entorta "paranoid android" do radiohead, versão que ajudou na construção de seu impressionante talento.



O show que saiu em DVD e que agora será exibido na TV foi gravado há um ano. O que mudou na sua vida desde então?
Olha, foi um ano bem gostoso de se viver. Gravei o CD e DVD em dezembro de 2007, lancei em abril e recebi uma acolhida muito boa, principalmente por ser a princípio um músico erudito inserido em um contexto pop. Isso foi bem legal. Por outro lado, fiz muitos shows e encontrei um público diverso, de jovens a senhores e senhoras de mais idade. Durante a turnê do TOC pude experimentar coisas que não tinha feito antes e me apresentei em lugares tão distintos como o Auditório Ibirapuera, uma escola para crianças em Guarulhos e o Festival Abril Pro Rock. Foi muito massa. E também conheci muita gente, inclusive alguns ídolos.

Quando as pessoas chegam para conversar com você depois do show, o que mais elas falam?
Interessante que as pessoas falam mais de sensações. Cada pessoa conta que sentiu uma emoção diferente, às vezes choro, ou riso. Quando ouço isso tenho certeza que meu trabalho foi bem feito. É muito interessante ver as pessoas querendo falar sobre o que sentiram. Não quero mudar o olhar das pessoas diante da música, mas sim diante de si mesmas. Tento transformar o palco em um lugar de comunhão porque para ouvir música tem o CD ou o DVD. No palco você pode experimentar essa coisa metafísica de sentimentos e sensações que não tem como explicar. O palco pra mim é um ato de entrega, de amor. Todo mundo fazendo amor. Acho que o palco é uma grande orgia [risos]. Busco isso e as pessoas que vêm falar comigo estão na mesma sintonia.

Sua relação com o palco sempre foi assim?
Não, muito pelo contrário. Quando você está no mundo erudito e sobe no palco, é para ser julgado, tanto pelas provas quanto pelos concursos. Até começar a subir no palco com este meu trabalho - e foi tudo muito rápido porque quando fui contratado pela gravadora tinha feito apenas quatro shows na vida – ficava sempre nervoso, querendo acertar todas as notas. Começava uma música já desejando que ela acabasse logo [risos]. Isso foi mudando com o tempo, principalmente quando entrei na música popular e na improvisação. Foi assim que comecei a ver o palco com outros olhos.

O que existe de Pernambuco, ou de Recife, e de Brasil na sua música?
Recife me ajudou bastante em muitos aspectos, tanto na estética quando no lado sentimental, porque é uma cidade que transpira arte e música. E depois do movimento mangue bit se criou uma cultura de ser músico. Todo mundo tem banda aqui, todo mundo é músico. Talvez se morasse em outra cidade não tivesse tanto estímulo. Também acho importante ver a música sob uma ótica brasileira. Todos os artistas brasileiros têm uma forma própria de fazer música e sempre ouvi muito todos eles, de Egberto Gismonti a Yamandú Costa, passando por Hermeto Pascoal, César Camargo Mariano, André Mehmari e Hamilton de Holanda. Sempre tentei seguir os meus ídolos da música instrumental para construir o meu próprio trabalho.

E o que vem te interessando atualmente em música?
De música estrangeira conheço pouco, devo admitir. Gosto mais de músicas velhas [risos], de Louis Armstrong, sabe? De hoje em dia só conheço Radiohead [risos]. Aqui no Brasil tem muita coisa que me inspira. Por exemplo, a SpokFrevo Orquestra, uma das coisas mais geniais que surgiram. Acho que existem alguns artistas que estão fazendo história na música brasileira, tais como o Marcelo Camelo e o Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado. Tremo quando chego perto desses caras. Sou suspeito para falar, porque ela acabou virando minha amiga, mas gosto muito da Mallu Magalhães. Tem o Junio Barreto, que também é aqui de Pernambuco. Tem muita gente fazendo música boa.

Como está a música brasileira instrumental nos dias de hoje?
Acho muito qualitativa e pouco quantitativa. Tem muito Villa-Lobos escondido por aí. A mídia ajuda um pouco ao fazer tanto estardalhaço com músicas mais comerciais, mas também não existe educação musical nas escolas. Falta incentivo artístico.

terça-feira, 26 de maio de 2009

transversão #7

o pop não poupa ninguém, disse certa vez um tal de humberto gessinger. taí uma verdade. o pop pega em cheio, pega na veia, marca a vida das pessoas. mas não tô aqui falando do pop radiofônico e sim de um pop maior que os top 10 da vida. é que existem músicas que, por alguma razão misteriosa, nascem perfeitas e prontas para dominar as mentes de milhões de pessoas. exemplos não faltam no mundo inteiro e o melhor é que nesses casos, a música é tão forte que qualquer regravação consegue ser tão boa (ou quase) quanto a original. vamos então de "toxic" que, provavelmente, é a melhor coisa que britney spears fez na vida e exemplo bom da carpintaria popular dos tempos de hoje. a canção foi lançada no disco in the zone (jive, 2003) e carrega a assinatura de um time de futebol de salão: cathy dennis, henrik jonback, rhian green, christian karlsson e pontus winnberg.

bem, acho que todo mundo conhece a versão original que tá aqui, no ótimo clipe dirigido por joseph kahn, mas gostaria de mostrar outras versões. a primeira é do multiinstrumentista shawn lee, que no disco hits the hits (ubiquity, 2007) jogou fora as letras e mergulhou "toxic" no instrumental.



e agora? a letra volta e o batidão vai embora. cortesia de katrine ottosen, ou simplesmente callmekat, que lançou no final do ano passado seu disco de estreia (fall down) e mandou ver na sua própria, doce e dinamarquesa "toxic".

duas fotos

letícia sabatella, curitiba, 2005

zé celso martinez corrêa, são paulo, 2000

segunda-feira, 25 de maio de 2009

frase da noite

"marketing é isso: falar baixinho no meio da missa."
ricardo tacioli, o capo do gafieiras

selton brinca de atuar

outra do baú, mas dessa vez da monet. uma versão dessa entrevista com selton mello está saindo na edição de junho da revista (que deve estar chegando por esses dias para assinantes e bancas) por causa de uma homenagem do canal brasil ao ator, com direito a seis filmes, um curta e um clipe. mesmo quando quer, e mesmo correndo o risco de se repetir, selton não para com o cinema.

tá olhando o quê?!?! o cheiro não é dele, do selton, é do ralo ali do banheiro

O MUNDO LOUCO DE SELTON MELLO

O ator, como o poeta, é um fingidor. Selton Mello é um ator, portanto ele é do tipo que finge que é dor a dor que deveras sente, e vem fazendo isso desde criança. Sem descanso, na loucura e com o coração na ponta da câmera. Nos últimos dez anos, o mineiro vem se dedicado quase que exclusivamente ao cinema, com direito a campeões de bilheteria como (2000), O Auto da Compadecida (2000), Lisbela e o Prisioneiro (2003) e Meu Nome Não é Johnny (2008). E que nos perdoem Wagner Moura, Lázaro Ramos e Matheus Nachtergaele, mas Selton é o cara do cinema brasileiro dos anos 2000.

Entre dramas e comédias escrachadas, o ator recentemente ainda estreou como diretor no elogiado Feliz Natal, seu programa Tarja Preta ganha nova temporada no Canal Brasil em setembro e as as salas de cinema recebem quatro filmes estrelados por ele: em junho, Jean Charles de Henrique Goldman e A Mulher Invisível de Cláudio Torres, e ainda sem data de estreia, A Erva do Rato de Júlio Bressane e Federal de Erik de Castro. Segue abaixo uma entrevista que o ator deu com exclusividade à MONET direto da Espanha, onde foi filmar Lope, o novo trabalho de Andrucha Waddington. Moral da história: Selton Mello não para e nem quer.


O que tem de bom e de ruim em ter começado tão cedo na profissão?

De ruim tem um cansaço precoce. Já estou quase me aposentando [risos]. O lado bom é o valor do trabalho, da conquista suada, de ver a estrada que percorri com meus méritos, acertando em cheio aqui, metendo a cara na parede acolá, mas sempre trilhando a minha história e arcando com as minhas escolhas. Sou um sobrevivente. Começar tão cedo pode ser sublime, pela experiência adquirida, e também um pesadelo, se não tiver uma estrutura familiar que o ampare. Fica aí minha dica para a menina Maísa [risos].

Depois de tanto tempo trabalhando, e com tantos trabalhos feitos em diversas áreas e formatos, você consegue ver algum linha condutora nas suas escolhas? Você tinha algo planejado?
Não teve uma fórmula, sou bastante intuitivo nas minhas escolhas. Fui feliz e quebrei docemente a cara em circunstâncias distintas. Mas tenho um orgulho de um pai que olha para seus filhos e se identifica com cada um deles. Sou todos os personagens que interpretei e sou nenhum. Essa é a grandeza da minha profissão.

Imagino que com o Tarja Preta você conheceu muita coisa e muita gente do cinema/tv/teatro brasileiro que talvez não tivesse conhecido de outra forma. Mudou o jeito como você vê o teu trabalho? Mudou o jeito como você vê o fazer arte no Brasil?
O
Tarja Preta foi minha faculdade teórica de cinema. Entrevistei mais de cem artistas e assisti a filmografia de todos eles. Poderia participar de um quiz show sobre cinema brasileiro. Pude detectar as diversas formas de expressão, as fases tão diferentes de nosso cinema. Atlântida, Vera Cruz, Cinema Novo, Cinema de Poesia, Chanchada, Pornochanchada, Retomada... fui alimentado por muita coisa, enchi os olhos, me abasteci de cinema brasileiro até vazar pelos poros. Inevitável que eu tenha partido para aventura de realizar o meu Feliz Natal. Era muita coisa represada que precisava ser canalizada para uma forma própria de contar uma história. E acredito que consegui fazer com que o público também se encantasse com todos os meus entrevistados. E com isso pude colocar um refletor sobre pessoas tão fascinantes e que ajudaram a construir o cinema brasileiro.

Você começar a dirigir mudou o seu jeito de atuar? Que diretores mais te influenciaram?
Dirigir expandiu minha visão sobre a arte. Cinema é palavra, imagem, som, poesia e realidade. É um sonho a 24 quadros por segundo. Não sou o mesmo depois de viver essa experiência. Sobre os diretores... aprendi com todos que me guiaram nesses trabalhos... Guel Arraes, Luiz Fernando Carvalho, Carlos Reichembach, Walter Lima Jr, e outros mais jovens como Lírio Ferreira, Mauro Lima, Heitor Dhalia, Cláudio Torres e tantos outros. As influências estão na sua frente, mas o desafio é encontrar o seu estilo, a sua pegada, a maneira de ver não apenas o cinema, mas a vida. Não separo uma coisa da outra. Arte e vida andam de mãos dadas.

Em algumas entrevistas durante o lançamento de Feliz Natal você afirmou que daria um tempo na atuação? Como está isso pra você?
Realmente parei por um tempo. Entrei em um período de focar mais na vida como ela é e, diga-se de passagem, a vida é bem dura. Trabalhar menos e viver mais. Para um capricorniano insano não é da noite pro dia que consigo isso, mas já mudei o rumo do barco. E como fiz muitos trabalhos que não estrearam, a impressão que se tem é que estou trabalhando muito agora, mas isso não é fato. Tenho feito coisas mais curtas por agora, para aos poucos, encontrar o novo ritmo que estou a fim de dançar.



Esse batidão cinematográfico que você tem mantido durante os últimos anos - e com dois longas estreando (Jean Charles e A Mulher Invisível) - te deu um reconhecimento popular que poucos atores conseguiram sendo quase que exclusivamente pelo cinema. Tem algo no cinema que te interessa mais?
Me interesso por cinema de uma maneira ampla e irrestrita.
A Mulher Invisível e Jean Charles, que estréiam em junho [o primeiro estreia agora em 5 de junho e o segundo em 26 de junho], são filmes importantes cada um à sua maneira. Curiosamente vão chegar aos cinemas sem muito espaço entre eles. Outros já prontos ainda vão estrear como A Erva do Rato uma experiência fabulosa que vivi ao lado de Julio Bressane e mais alguns que não cabe dizer agora senão vão pensar por aí que ando trabalhando muito, inclusive eu [risos].

Você pode adiantar alguns de seus novos projetos? O Tarja Preta vai voltar?
O
Tarja Preta volta ao ar em setembro no Canal Brasil. É um programa absolutamente caseiro e que já caminha com pernas próprias. Começo a mexer em um roteiro novo que pretendo filmar quando der. Enquanto isso vou saborear as estréias dos trabalhos que já estão finalizados. Uns projetos para filmes novos como ator, mas devem sair do papel apenas no ano que vem. O grande projeto no momento é não inventar novos projetos que me tirem do rumo de viver um novo projeto de vida.

O que é atuar pra você? E dirigir?
Atuar é ser criança. Se divertir e se assombrar, contando umas mentiras de uma forma convincente. Dirigir é proporcionar aos seus atores que se divirtam e se assombrem, contando umas mentiras de uma forma convincente.


domingo, 24 de maio de 2009

domingueira

o dia correu solto, azul, bonitão, e fiquei na rua o tempo todo. só agora lembrei da domingueira. então aí vai, sem mais delongas, que tem um pessoal chegando em casa. é "jaçanã picadilha", uma das melhores músicas brasileiras dos últimos anos. um dos melhores clipes também. é som dos paulistanos do relatos da invasão.

sábado, 23 de maio de 2009

transversão #6

o dia tá bonito em são paulo. é hora de música alto astral! dia bonito + alto astral = olodum, ora pois! confesso que ouvi bastante alguns dos primeiros discos do olodum nesse começo de ano. foi legal conseguir prestar atenção na alegria e na veia pop do grupo ("requebra" e "faraó, divindade do egito", por exemplo, fodas). agora vamos de "deusa do amor" (adailton poesia e valter farias), gravada originalmente no disco a música do olodum (continental, 1992).



e agora, a bela regravação voz e violão de moreno veloso que tá no disco máquina de escrever música (rock it, 2000), do moreno + 2. é o transversão comendo solto.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

o médico e o médico

mais um texto/entrevista do baú tam magazine. também de 2005.

drauzio retratado por kiko coelho

DA IMPORTÂNCIA DE SE EDUCAR PELA TV


Tudo começou quando ele pediu um café, pouco leite e nada de açúcar, perto de seu consultório em São Paulo. Depois a conversa seguiu dentro de um táxi, entre carros, motos e ônibus, e acabou na varanda de seu apartamento em Higienópolis. Só assim, entre compromissos, foi possível entrevistar o médico Drauzio Varella. Suas agendas, tanto pessoal quanto profissional, são tão complexas quanto a opção por tratar de saúde pública em um dos programas mais vistos da televisão brasileira, o dominical e global Fantástico.

Sua paixão pela Medicina, um agudo senso de responsabilidade profissional e o profundo interesse que tem pelas pessoas o fizeram superar tanto uma resistência da corporação médica no quesito aparições televisivas quanto a curiosidade vazia de certos meios de comunicação pela vida pessoal de quem está, ou aparece, na mídia. O Doutor Drauzio, como é chamado pelas ruas, conseguiu a proeza de ser reservado sem mudar uma vírgula do seu dia-a-dia, mantendo intacta sua curiosidade.

Pai de Mariana e Letícia e avô de primeira viagem de Manoela, filha de Mariana, Drauzio Varella sabe que se tornou referência médica para milhões de brasileiros, mas não se assusta e nem se envaidece com isso. Tem os dois pés na realidade. Quando recentemente contraiu febre amarela, e passou pouco mais de um mês de cama, deixou claro que a culpa era sua por não ter renovado a vacina. O erro faz parte da vida e Drauzio acabou usando um erro seu como mais uma aula sobre cuidados e atenções, afinal tudo é informação, tudo é útil e deve ser compartilhado. Agora, de uma coisa tem certeza, e fala sem medo: “pararia com todo o resto, mas nunca com a Medicina”.

Você já tinha feito algum outro trabalho na TV Globo antes dos especiais pro Fantástico?
Comecei fazendo uma série da BBC. Era sobre o corpo humano e eles queriam um médico para apresentar, porque no original inglês quem fazia também era médico. Isso foi logo depois que eu escrevi Estação Carandiru, em 1999. Vi a série e achei meio chata, muito falatório, mas as imagens do corpo humano eram deslumbrantes. Falei que me interessava, mas propus que a gente pegasse as imagens e fizesse um texto brasileiro. A série foi um sucesso e eles me convidaram para fazer um quadro no Fantástico. Na época não me interessei. Fiquei com medo dessa exposição e achei que fosse atrapalhar o meu trabalho. Um dia ligou o Ali Kamel, um dos diretores de jornalismo da TV Globo, porque tinha lido um artigo meu na Folha de São Paulo sobre a importância de lavar as mãos, uma coisa óbvia. Ele leu o artigo, gostou, e perguntou se eu não queria fazer aquilo no Fantástico. Disse que teria interesse se fosse uma série com tema específico. Uma coisa educativa. Por exemplo, uma série para convencer as pessoas a pararem de fumar. Em um país como o Brasil... se todo mundo lesse ou tivesse acesso a jornal e internet, tudo bem... mas é a televisão que é universal, então é também função dela encampar assuntos educativos para a população.

Então tudo começou com o cigarro...
Teve essa do cigarro, depois veio uma sobre primeiros socorros... como tratar queimaduras, o que fazer em caso de atropelamento, como se atende alguém que caiu de um altura grande, como se trata cortes e ferimentos... em saúde pública o que interessa são coisas elementares... depois vieram as grávidas, mas esse não foi idéia minha, foi da Karina Dorio [produção e direção da série]. Adorei essa série, ganhou esse prêmio Ayrton Senna de Jornalismo. Entrevistava uma gestante por semana. Tinha duas em São Paulo, uma no Rio de Janeiro, uma em Planalto, cidade perto de Recife e a quinta era em Piranduba, do outro lado do Rio Negro. Fiquei nessas viagens pelo Brasil durante um ano, todo fim de semana. Foi muito interessante fazer um acompanhamento em tempo real dessas gestações. Depois veio essa da obesidade. Já estava com a idéia de fazer sobre esse assunto, mas a série precisou de um tempo maior para pesquisa. Foi mais complicada. Aí fiquei doente... atrasou um pouco.

Que outros assuntos você pretende tratar em futuras séries?
Temos várias idéias, não sei qual vai ter prioridade. Tem uma sobre AIDS que é um assunto que ninguém fala mais a respeito, parece que acabou. Tem outra sobre contracepção onde a gente quer discutir essa questão do planejamento familiar que é um problema gravíssimo no Brasil. As duas têm atualidade, mas provavelmente a do planejamento familiar será a próxima.

A linguagem médica rebuscada dificulta nas soluções para a saúde pública no Brasil?
O desafio que nós temos em um país como o Brasil é pegar o conhecimento científico... ah, não adianta que o povo não vai entender... isso não é problema do povo, é problema seu... se você domina esse conhecimento científico você tem que encontrar uma linguagem que possa ser entendida pelos outros. Acho que essa é a razão do sucesso da série. Precisaria ter uma cadeira nas faculdades de Medicina sobre mídia ou comunicação.

E como você foi desenvolvendo a sua linguagem médica? Foi um processo natural?
Fui aprendendo desde jovem, porque entrei na Medicina e, ao mesmo tempo, comecei a dar aula em cursinho, aos 18 anos. Dar aula em cursinho é uma experiência muito interessante e super mal compreendida. É o único lugar em que o professor tem obrigação de ensinar aos alunos, caso contrário perde o emprego. Na universidade ninguém tem obrigação de nada, no colégio também... mas no cursinho se a aula não for boa, tem Ibope no fim do mês, e os caras te põe pra fora. Tive um aprendizado de vinte anos em cursinho. E na televisão, no rádio, foi só me adequar ao meio.

O que mudou do começo pra agora na sua percepção deste seu trabalho na TV?
Televisão é interessante porque nela você fica famoso independente da qualidade do que fala. Isso é um pouco incompatível com a imagem do médico no consultório cuidando de doentes. E aí você vê o seu médico falando na televisão... isso é uma coisa muito nova, porque os médicos não iam a televisão de jeito nenhum e quem acabava aproveitando eram os malandros, os que estavam em jogadas comerciais. No início fiquei com medo que isso me prejudicasse porque o que gosto de fazer é Medicina e o que faço na televisão é Medicina também. Mas com o tempo houve um entendimento sobre o que faço. Acho que é mais importante do que o que faço no consultório. Lá está o que mais gosto de fazer que é ver doente, examinar, tratar, acompanhar, é o que me dá mais prazer, mas se tivesse que pensar no alcance social, não tem nem comparação.

Com este seu trabalho na TV você acabou se tornando uma referência para muitos assuntos. Todo mundo quer sua opinião para todo tipo de tema. Qual é o tamanho dessa responsabilidade?
É complicado. Quando você chega nessa posição tem que medir tudo o que fala. Tudo tem repercussão, interpretação, sai no jornal... aí você começa a entender aqueles que falam, falam e não dizem nada. Detesto isso e às vezes acabo sendo espontâneo e falando coisas do jeito que penso. Isso causa problemas sérios porque tem gente que se ofende, ou não entende, ou pergunta coisas que não tem respostas simples. Dá vontade de ficar quieto, mas é impossível porque o trabalho na mídia tem essa característica pública. Agora tem uma coisa... eu acredito nisso e tenho a convicção que a gente tem que fazer esse trabalho. A gente tem uma obrigação moral... imagina, a pessoa faz uma universidade pública, trabalha, depois de um tempo está financeiramente tranqüilo, passa o fim de semana no sítio, depois vai pro consultório... acho que a vida é mais do que isso, tem que ter responsabilidade com o país, com as pessoas que vivem nele. Acredito firmemente nisso e é com esta certeza que consigo aguentar o peso da responsabilidade.

ele diz que é um santo homem e que mora dentro da baleia por vontade própria

morreu zé rodrix. aos 61 anos. nunca fui muito de rock rural e essas paradas todas, mas sempre prestei atenção nos caras até o momento que fui fisgado, na trilha de durval discos (2002, pra mim um dos melhores filmes brasileiros dos anos 2000), pela versão d'os mulheres negras para "mestre jonas" (a trilha também trazia a versão original de 1973). vai aqui minha sincera homenagem ao zé. um minuto de silêncio e muitos mais de música. com vocês, os mulheres negras...



e agora "mestre jonas" pelo trio sá, rodrix & guarabyra em um programa ensaio de 2002.



e uma filha do homem, barbara rodrix, tá por aí cantando. e um pouco mais sobre o zé rodrix no seu verbete no dicionário cravo albin.

p.s.: depois, via @mauriciopereira, encontrei a cena de abertura de durval discos (que plano sequência fudido!) com a versão d'os mulheres negras pra "mestre jonas". saca só.


quinta-feira, 21 de maio de 2009

duas fotos

chico buarque, são paulo, 2006

stuart murdoch (belle & sebastian), são paulo, 2001

transversão #5

pra não dizerem por aí que só coloco música brasileira... essa edição do transversões traz duas regravações do famoso, do eterno, do ítalo-americano "love theme from the godfather", o principal tema composto por nino rota (1911-1979) para o poderoso chefão (1972). também existe uma versão da música, com letra de larry kusik, chamada "speak softly love" e é esta que ouviremos aqui na voz doce e jamaicana de ken boothe em uma gravação de 1974.



agora é uma versão instrumental assinada pelo the professionals, um grupo foda de belize. achei essa música no belíssimo disco cult cargo: belize city boil up (numero group, 2005). a gravação é, provavelmente, de algum momento dos anos 1970
.

olha só o céu, que bonito

sabia muito pouco da céu quando a entrevistei no final de 2005 na sede da ambulante discos. bem, todo mundo sabia muito pouco dela. uma promessa. cantora e compositora. jovem. bonita. paulistana. nada mais. aí seu disco de estreia, que ganhou lançamento independente por aqui e da urban jungle para o exterior, ganhou um reforço de distribuição da warner. mesmo com toda a boa recepção aqui, céu acabou chamando mais atenção no exterior. aí, ela sumiu por um tempo. quer dizer, virou mãe, até que no ano passado começou a colocar novamente as manguinhas de fora nos excelentes projetos sonantes e 3namassa.

então, poucas semanas atrás, a cantora lançou no exterior o ótimo ep
cangote (six degrees records) com quatro faixas, sendo que uma delas, "visgo de jaca", tá no transcrição #1. mas enquanto o segundo disco não aparece resgato aqui o texto que fiz pra tam magazine de dezembro de 2005 (e desculpem o trocadilho no título, acho que ninguém resistiu a usar de algum jeito a palavra 'céu'). era uma vez uma cantora iniciante...

foto de céu ali por 2006, pré-mãe e tal

CÉU PARA TODOS

Certo que ela é uma Maria como muitas outras, mas não é em todo lugar que se acha, e se ouve, uma Maria do Céu. Esta, por exemplo, escolheu ser apenas Céu e lança agora seu disco de estréia, aos 25 anos, depois de conhecer pessoas, viajar, cantar na noite, participar de shows e CDs de amigos e em tudo fazer música. “O ambiente em casa sempre foi muito musical, tinha de tudo. Meu pai é músico, meu irmão também e minha mãe já cantou. Cedinho fui picada pelo bichinho da música. Comecei a estudar aos 15 anos e fiz canto lírico, canto popular, teoria, mas minha maior escola foi cantar na noite, porque nunca fui uma boa aluna, sou mais da prática”. O título do disco é uma afirmação de sua autora e chama-se, claro, Céu (Ambulante Discos).

Mas uma pausa se fez necessária. “Tenho uma grande paixão pela voz das cantoras negras de jazz, então fui para Nova York e fiquei um ano lá. Cantei na noite, conheci um monte de gente, entre eles o Antônio Pinto e o Alec Haiat, que depois viraram amigos e parceiros. Também foi lá que comecei a compor. Parece que quando a gente sai do país fica mais sensível a certas coisas, e pra mim serviu como uma inspiração pra começar a escrever”, relembra. Antônio Pinto, o premiado autor das trilhas sonoras de Central do Brasil e Cidade de Deus, acabou se tornando o padrinho do começo da carreira de Céu e apresentou-a para muitas pessoas, entre elas o compositor e produtor Beto Villares, outro que se transformou em amigo e parceiro. A rede estava formada e Céu só precisou puxá-la.

“Começamos e pensar em fazer o disco e fomos tocando nas brechas dos trabalhos deles. Tive tempo pra ir maturando as músicas e logo percebi que sou muito ligada na raiz das coisas. Por exemplo, se gosto de samba vou lá no Monsueto, no Nelson Cavaquinho. Mas também escuto rap, dub, afrobeat e muitas outras coisas. Minha vontade é fazer uma coisa enraizada no Brasil e juntar com o que estou ouvindo no momento, mas de um modo intuitivo, sem pensar no exterior ou no mercado”, explicou. O disco puxou-a dos pés a cabeça, diverso e despretensioso.

Agora, vale ressaltar o lado compositora de Céu. Ela lembra que foi por causa de Dolores Duran e “Por causa de você” (parceria com Tom Jobim lançada em 1957) que decidiu ser cantora. “Hoje em dia a mulher voltou a ter a coragem da Dolores, da Chiquinha Gonzaga e de tantas outras. Tem a Vanessa da Mata, as meninas da Dona Zica, a Lurdes da Luz (Mamelo Sound System)... eu, por exemplo, comecei sem grandes pretensões e a princípio pensava muito mais na música. Tinham muitas melodias na cabeça. Demorou um pouco para a letra chegar. Agora é meio que tudo junto”, explica. Detalhe, das quinze faixas do disco, apenas três não possuem o nome de Céu: uma vinheta de Beto Villares, “Concrete jungle” de Bob Marley e “O ronco da cuíca” da dupla João Bosco e Aldir Blanc.

Quando a palavra chegou à música de Céu os assuntos que surgiram foram os mais diversos. “Geralmente falo sobre sentimentos que surgem na hora. Pode ser o fato de morar numa cidade como São Paulo que ao mesmo tempo é maravilhosa e te devora ou então a condição feminina”, diz. Neste segundo tópico Céu não mede as palavras e canta docemente em “Bobagem” que “Minha beleza / Não é efêmera / Como o que eu vejo / Em bancas por aí / Minha natureza / É mais que estampa / É um belo samba / Que ainda está por vir”. Uma grande bobagem perseguir esse padrão de beleza imposto pelas revistas e pela publicidade. “Mas não quero ser panfletária. As mulheres são lindas, são flores, geram vida, e é importante a mulher se sentir bonita. O problema é dar tanto valor à imagem porque, afinal de contas, seu defeito pode ser a coisa mais linda que você tem”, conclui a jovem cantora veterana. Veterana sim, pois antes de assinar seu próprio trabalho, Céu participou dos discos de Rica Amabis (Sambadelic, 1999), Anvil FX (Miolo, 2002), Instituto (Coleção nacional, 2002), Beto Villares (Excelentes lugares bonitos, 2003) e Nereu, Mocotó & Swing (Samba power, 2005), além de ter sido vocalista dos grupos Vitrola Stereophonica e Sistema PF de Som.

Mas um pouco antes de começar a jornada de divulgação do seu disco de estréia no Brasil, Céu passou cerca de 20 dias na França indo em rádios e participando de festivais como o JVC Jazz Festival (onde abriu para Tânia Maria) e Nancy Jazz Festival (onde subiu ao palco ao lado de Lenine e Badi Assad). Com os pés novamente em solo tupiniquim não esconde uma certa ansiedade: “Espero que as pessoas sintam alguma coisa quando colocarem o disco pra tocar e sentindo qualquer coisa já tá bom”, e ri, “pode ser o que for, pode ser tudo! Fiz um trabalho de coração, porque é disso que gosto. Eu quero cantar e me divertir”. A previsão pra ela é de céu azul sem nuvens.

e aqui, mais uma música que estará no próximo disco de céu. o ragga "sonâmbulo" foi composto logo após o lançamento do primeiro disco, foi cantada em muitos shows e até no programa do jô, mas só ganhou registro agora.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

é o 30% aí, gente!!!

o pedro dória começou ontem uma série de videocasts-pensatas sobre o futuro da imprensa. o primeiro episódio é sobre a regra dos 30%, do jornalista norte-americano alan d. mutter (san francisco chronicle). segundo mutter, quando 30% das residências de um país tem acesso a banda larga, os jornais entram em crise (que aconteceu nos eua em 2004 e depois em alguns países europeus). a previsão é de que o brasil alcance esse número em 2011. aí sim, de acordo com dória/mutter, a porca vai torcer o rabo. imagino que seja em termos de vendagens, porque em credibilidade... que o diga a folha.

terça-feira, 19 de maio de 2009

michiko & hatchin

não sou de animes ou mangás. vi poucos e sem muito interesse. por isso cheguei na animação michiko e hatchin via urbe e a partir de sua trilha sonora, toda assinada pelo multihomem kassin. desde então o primeiro dos dois discos entrou na lista dos melhores do ano (tanto que "prova de amor" foi minha escolha no podcast de estreia do CORJA; o segundo disco ainda não foi lançado). sons variados do samba a guitarrada, do dub ao sambalanço, com direito a bnegão, gabriel muzak e wilson das neves, entre outros. depois de tanto ouvir a trilha decidi ir atrás dos 22 episódios da primeira temporada (tem no torrent, é fácil, mas com legendas em inglês). 20 poucos minutos cada. originalmente exibido no japão em 2008, a série foi dirigida por sayo yamamoto e produzida por shinichiro watanabe (cowboy bebop).



ambientada em um país latinomericano sem nome, mas com muitas e muitas referências ao brasil, michiko e hatchin é um roadmovie romântico, melodramático e violento. ah, e feminino. a história gira em torno da morena-fatal-cabeça-quente-criminosa michiko malandro (voz de yoko maki, do horror o grito) e de uma menina orfã de 10 anos, hana 'hatchin' morenos (voz de suzuka ohgo, de memórias de uma gueixa), na busca pelo pai de uma e grande amor da outra. aliás, essa é uma das partes mais curiosas da série, pois as mais fortes relações da trama se dão entre mulheres: amigas, inimigas, mãe e filha, irmãs, etc. michiko e hatchin passam os 22 episódios fugindo/apanhando da polícia e do crime organizado, e percorrendo um país continental, tudo em nome da busca por uma figura masculina que acaba se mostrando fraca demais para ambas. outra figura importante da trama é atsuko jackson, orfã criada junto com michiko que cresceu e virou policial. atsuko odeia e ama michiko, prende e liberta, e sofre uma bocado por não ser correspondida.

agora, o tal país sem nome onde a história se passa é uma mistura louca de ingredientes brasileiros: nomes de cidades, sobrenomes de pessoas, cartazes no fundo, paisagens amazonenses e cariocas, o samba, negros e negras, fuscas como carros de polícia, dunas, baianas, favelas e, claro, a trilha de kassin (que ainda tem pedradas como "alça de mira", "carimbó do orfanato", "dulcimin" e "calça de ginástica"). michiko e hatchin é divertido e pitoresco, apesar de um tanto arrastado e repetitivo em algumas ocasiões, e bem que poderia ser comprado por alguma tv paga daqui. tiro certo, certeza.

a menina hatchin e a morena michiko diante de um "banco da abril" (!?)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

transversão #4

ia colocar um texto, pra dar uma variada na sequência de videos, mas essa nova transversão já tava na mão e como ainda pouca gente conhece... vejamos: a música é "mã", faixa que abre o clássico estudando o samba (continental, 1976) de tom zé. aqui a versão original, permanentemente matadora há 33 anos.



e agora uma versão novinha em folha de "mã", ao mesmo tempo respeitosa e com personalidade. é assinado pelo grupo nomo, um bando de músicos de michigan liderados pelo multiinstrumentista elliot bergman e que surgiu em 2003 como parte de uma onda afrobeat (antibalas, the daktaris, the budos band, chicago afrobeat project, kokolo, hypnotic brass ensemble, menahan street band, etc.). tá no excelente disco invisible cities (ubiquity, 2009).

imensidão, a imensidão

atriz e grande amiga, cristiana ceschi montou o coletivo as rutes em 2007 com bê carvalho. fizeram oficinas na inglaterra no ano passado e seguem criando e fazendo, segundo o texto que tá lá no blog das moças, "pesquisa no espaço urbano e mítico da cidade, misturando em suas intervenções as artes performáticas (palhaço e contador de histórias), as artes visuais e a construção de narrativas". e elas acabaram de subir esse belo video com participações especiais do músico dudu tsuda (jumbo elektro, trash pour 4, etc.) e da ceramista kimi nii. devaneios, devaneios são.



detalhe: esse video faz parte do projeto ponto brasil, uma parceria da tv brasil com o museu da pessoa.

domingo, 17 de maio de 2009

domingueira pra esquentar

com os meus conterrâneos do costa a costa. formado em 2005 por don l., nego gallo, preto b e dj flip jay, o grupo lançou dois anos depois uma mixtape que surpreendeu a todos que acompanham o rap no brasil. dinheiro, sexo, drogas e violência de costa a costa (dunego records, 2007) trouxe um flow muito diferente de são paulo e rio, além de uma espantosa variedade de influências (brasileiras) nas batidas. só ouvindo. abaixo, o clipe de "costa rica", a mais latina das músicas do grupo, que foi dirigido por simone lima e valdo siqueira. a genial e caudalosa mixtape pode ser baixada aqui com a devida autorização dos caras.

sábado, 16 de maio de 2009

romulo não fica quieto

dificil saber por onde começar quando o assunto é romulo fróes, mas a primeira coisa que me vem a cabeça é que é muito bom poder acompanhar, mais ou menos próximo, as mudanças de um artista, o seu desenvolvimento. e tem uma porrada de exemplos na música brasileira nos últimos dez anos. só que o assunto aqui é romulo fróes e ele tá de disco novo.

conheci a música do paulistano pouco antes do lançamento de calado (bizarre, 2004). gostei de cara dos sambas estranhos, tristes, tortos. de um quê de nelson cavaquinho, batatinha e jards macalé. dos arranjos. da participação visceral de dona inah. do video de "suite". da regravação de ataulfo alves ("na cadência do samba"). fui no show de lançamento no sesc vila mariana e tava tudo lá, com direito a um romulo de ar roqueiro indie e totalmente sem jeito no palco (mão no bolso, imagine), e uma banda ótima com figuras tarimbadas de regionais de samba de são paulo (o clarinetista stanley, o violonista zé barbeiro e o bandolinista milton de mori, etc.), além do baixista fábio sá e de clima, um dos parceiros mais frequentes, na guitarra. as duas fotos que ilustram este texto tirei naquela noite.

depois veio cão (yb music, 2006) e sob algumas novas influências. após ser o diretor musical do show que refez acabou chorare (som livre, 1972) dos novos baianos dentro do projeto disco de ouro, romulo deixou a guitarra tomar mais espaço junto com uma certa psicodelia. gostei de cara. da entrada de curumin e lanny gordin. da velha guarda da nenê de vila matilde. do video de "sobre a gente". da regravação de nelson cavaquinho e guilherme de brito ("mulher sem alma"). o samba continuava lá, e muitos dos músicos também, mas tudo parecia ainda mais deslocado. também fui ao lançamento, dessa vez no sesc pompéia, e tava meio vazio porque na mesma noite tinha algum show gringo muito do disputado (quem era? gang of four?). taí, um dos melhores shows da minha vida. numa boa. se não me engano a banda virou zé barbeiro (violão 7 cordas), lanny gordin (guitarra), fábio sá (baixo) e curumin (bateria), e eles fizeram o diabo no palco. romulo sempre tímido, olhando pra baixo, pendendo de um lado para o outro, mão no bolso. lembro de um momento em que ficaram somente zé barbeiro e lanny gordin tocando e eu arrepiei porque ali estavam duas escolas muito diferentes, com destinos muito diferentes, tocando juntos. a coisa toda pareceu perfeita demais e as músicas ganharam mais força, mais presença.

agora é a vez de no chão sem o chão (yb music, 2009) e dessa vez não consegui ir no show de lançamento. fruto de uma crise com os músicos que o acompanhavam e com as músicas que vinha fazendo, romulo queria com esse disco se desfazer da imagem de "sambista" e assim abriu espaço para algumas experimentações, principalmente no encontro entre voz e música. projeto ousado pelo tamanho, o disco duplo vem com 33 faixas que ajudam a implodir ainda mais o tal conceito velho e vazio de mpb (afinal, a música popular brasileira só pode se contrapor a música erudita brasileira ou a música instrumental brasileira, não é rótulo e pronto). gostei de cara da coragem. do tamanho da empreitada. da regularidade na alta qualidade das canções. da melancolia rascante e eletrificada das letras de nuno ramos, clima e romulo. de guilherme held na guitarra (curumin e fábio sá continuam em muitas faixas). das participações instrumentais e fundamentais de bocato, andré mehmari, tatá aeroplano, mauricio tagliari, lanny gordin e rui weber, entre outros (destaque para o duelo/encontro do piano de mehmari com a guitarra de lanny em "ou nada"). das vozes de mariana aydar ("de adão pra eva"), anya ("ela me quer bem"), nina becker ("ninguém liga" e "astronauta"), lulina ("se eu for") e da velha guarda da nenê de vila matilde ("manda chamar" e "caveira", esta um rock que poderia ser de... walter franco, talvez). da regravação de assis valente ("uva de caminhão") com andreia dias.

o samba tá sempre pelos cantos dos discos, e muitas vezes na frente, mas a guitarra agora suja mais a batida da bateria ("qualquer coisa em você mulher" é um belo exemplo disso). mas tem rocks ("anjo", "peraí", "ela me quer bem"), ska ("minha casa"), bossa ("amor antigo", "fui eu" e "gelatina"), marchinha ("o que todo mundo quer/ninguém liga") e tudo o mais que ele ouvir. que é um tanto do que também ouvimos, tudo misturado, sem gradações ou hierarquias. por essas e outras que um rótulo abrangente e desbotado como a mpb parece cada vez mais sem propósito. mas deixa pra lá que a batata já está assando para a tal mpb, não coincidentemente junto com a tradicional indústria fonográfica e as grandes gravadoras. o que me fez lembrar de "para fazer sucesso", música que abre o segundo disco, no qual romulo canta que "para fazer sucesso faço uma greve de fome / para saber meu preço olha como um bicho dorme / (...) eu sou um resto que eu detesto de um projeto cultural / imobiliário, financeiro, otário e quase oficial". romulo, diferente de muitos artistas, não se isenta da fogueira das vaidades, da roda viva da cultura nacional (não custa lembrar que o cantor e compositor trabalha com nuno ramos, um dos artistas plásticos brasileiros mais inquietos da atualidade).

já ia esquecendo uma coisa sobre no chão sem o chão: os discos são chamados de 1a. sessão - cala boca já morreu e 2a. sessão - saiba ficar quieto. e pronto.

p.s.: os clipes de "suite" e "sobre a gente" estão aqui.

transversão #3

de novo, anos 70 vs. anos 2000. agora a gente vai de "amor em jacumã" (dom um romão e luiz ramalho), canção de amor linda e hippie gravada originalmente pelo grande e saudoso percussionista dom um romão no disco hotmosphere (pablo records/philips, 1976).



e agora "amor em jacumã" por lucas santtana. a música estará no disco sem nostalgia (diginois, 2009), prestes a ser lançado. aliás, a gravação dessa versão tem uma história boa que o lucas conta aqui.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

o que você diria para quem está começando?

eu não sei, mas o arnaldo branco sabe.



ufa. acabamos de fechar a edição de junho da monet, no qual arnaldo assina desde o ano passado a impagável coluna "histórias (inventadas) da televisão" com ilustrações do bróder fernando de almeida.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CORJA, um podcast

amiguinhos e amiguinhas, chegou a hora da tão esperada estreia do podcast do CORJA. isso mesmo, C-O-R-J-A, ou para os menos íntimos, coletivo reunido no jaguaré, formado por eu mesmo, douglas mendonça (oga/macário), edson franco e valter silva (valtinho). a idéia de fazer um programa musical cheio de conversa fiada e com boa música surgiu das nossos encontros no quarto andar do prédio da editora globo (no jaguaré, zona oeste de são paulo). uma piada esdrúxula aqui, um achado musical acolá e montamos um roteiro básico ao redor de 6 músicas, sendo que uma é o consenso positivo, depois cada um traz uma música para surpreender os outros e o final é uma polêmica, uma música que dê o que pensar e falar. o podcast com pretensão de ser mensal taí na barra lateral, mas também pode ser acessado e assinado aqui.

gravada no meu cafofo em uma tarde de sábado muy agradável lá pelo final de abril, a edição de número 0 serviu como um teste para tudo: formato, entrosamento e questões técnicas. vocês logo perceberão que tem uns probleminhas no áudio e que ficou mais longo que o esperado. mas é tentativa e erro, mano! é a demotape, tá ligado? o bagulho é louco e o processo é dinâmico. no mais, sugestões, reclamações e pedidos de toda sorte na janela de comentários.

ah, e no CORJA nº 0 temos wilson simonal, caetano veloso, superchunk, mariana aydar, mayra andrade, instituto, sabotage, kassin e gabriel muzak, mas não necessariamente nesta ordem. e pablov black como som de fundo. e se preferir baixar, tá AQUI.

corjacast#0 by dafnesampaio

quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

transversão #2

tenho quase certeza que o encontro das décadas de 1970 com os anos 2000 será frequente por aqui. foi assim com "visgo de jaca", a música do transversão #1. agora é a vez de "o mundo é assim" (alvaiade). gravado originalmente no lp histórias das escolas de samba - portela (discos marcus pereira, 1975), o samba é cantando pelo seu próprio autor, o saudoso alvaiade (1913-1981).



em 2009 é a vez do jovem bruno morais que gravou a música em seu segundo disco, a vontade superstar (yb music, 2009), que acaba de ser lançado.



ah, e pra quem não ouvi o primeiro transversão com o duelo entre martinho da vila e céu pelo "visgo de jaca", o link tá aqui.

domingo, 10 de maio de 2009

a mulher mais bonita do brasil em 2009

22h12. com mil diabos, perdi as primeiras imagens do miss brasil 2009. quando cheguei na sala as moças já sacudiam pra lá e pra cá ao som de sambas e xotes; aquele forrobodó no memorial da américa latina, em são paulo. todas no palco, umas vem para frente, outras vão para trás. mas são quantas mesmo? opa, perfilaram. entram as apresentadoras, misses de outros tempos, renata fan e nayla micheriff. a loura e a morena respondem a minha dúvida. 27. 27 meninas, com idades que variam de 18 a 25 anos.

bem, o tema desta edição do concurso é “riquezas brasileiras”. renata fala de capim dourado, rendas e pedras. nayla micheriff cita o ibge e lança ao mundo a existência de 8 milhões de artesãos no país sendo que não sei quantos por certo são mulheres. imagino que seja um número alto já que o dado foi citado e está acontecendo um concurso de beleza feminina. hora do primeiro clipe. é um pouco sobre a preparação das moças no dia e, principalmente, sobre as acomodações de luxe. “o hotel é lindo, tem uma estrutura linda”, vaticina a miss são paulo. pelo que deu pra entender, a preparação consistiu em maquiagem, pura e simples. intervalo.

maravilha. meu momento preferido, o desfile de trajes típicos. e carolina que não sai do computador lá no escritório. esta parte do concurso possui jurados próprios e são três: o carnavalesco da unidos da tijuca, uma designer de jóias e um estilista. o(a) autor(a) do traje mais original ganha um prêmio, mas não sei qual é, tinha ido na cozinha (é 5 mil, vi depois). carolinaaa. nada. vem daqui há pouco.

ABREM-SE AS CORTINAS - vamos então aos trajes típicos. acre vem como... uma jardineira? ah, é uma homenagem aos seringueiros, povo trabalhador. devia ter imaginado já que ela trazia em uma das mãos uma bandeirinha com o rosto de chico mendes. alagoas vem com fitinhas, toda folclórica. amapá vascilou um pouquinho na hora de dizer qual era seu estado, mas entrou bem no palco como um pássaro, de asas abertas. sendo mais preciso, é um beija flor. amazonas veio de deusa indígena neutra, nem caprichoso, nem garantido. a princício não entendi bahia, mas ajudou quando as apresentadoras disseram que era “uma exaltação às negras raízes da bahia”. ceará desceu a escadaria cheia de cajus, o ouro da terra. distrito federal veio trazendo uma plumagem espetada com as bandeiras de todos os estados. espírito santo é a rainha do café, enquanto goiás estava com um vestido que simbolizava a riqueza de seu solo. não entendi maranhão, mas saquei na hora que mato grosso estava de árvore pantaneira, com direito a um tucano no braço. mato grosso do sul parecia que tinha acabado de voltar de um safári, mas era mesmo uma vaqueira do pantanal. agora, minas gerais ousou. nada menos que uma nossa senhora com decotão. por mim, levava. mais folclore no pará como uma dançarina de carimbó, na paraíba toda junina, no paraná com a lenda da criação das cataratas do iguaçu, e em pernambuco com uma homenagem ao mestre vitalino (aliás, a primeira negra). também não deu pra entender o piauí, mas tinha a ver com o delta do parnaíba. rio de janeiro veio de carmen miranda e o rio grande do norte trouxe uma lenda e uns botos (ou golfinhos?). tome mais natureza na fauna e flora da amazônia de rondônia, nas riquezas de alguma serra de roraima e nas cebolas de santa catarina (a única loura do concurso). são paulo, a anfitriã do evento, valorizou sua capital fashion (e era também a segunda e última negra a participar desta edição). sergipe prestou loas a maria bonita e, por último, tocantins foi tomada pelo capim dourado.

olha, chuto como favoritas ao caneco (digo, à coroa), e sem nenhuma ordem específica, as misses ceará, minas gerais e rio grande do norte. pensamento interrompido pelas apresentadoras que anunciam: “e nesse clima tão nosso, tão brasileiro... jorge aragão!!!”, que vai de playback mesmo e manda ver em “disciplina”. ok, hora da verdade (sobre a fantasia). é minas gerais! é a religiosidade (com decotão) do nosso povo! intervalo. carolina chega e, agora, o miss brasil 2009 começa de verdade.

ave maria, minas gerais!

PEDRARIAS, BIQUINIS E DOIS OFURÔS FUMEGANTES - recomeçou. e carolina já coloca uma questão importante: “minas gerais está para o miss brasil como a venezuela está para o miss universo?”. suspense. será que leva? agora são roupas de gala e de roupas de gala eu não falo. muitas pedrarias e tal. e não transo swarowski. carolina logo aponta, e também aleatoriamente, para minas gerais, goiás, mato grosso, pará, distrito federal, paraíba e rio grande do norte. sim, ela tem dificuldade em fechar em poucas opções. logo derrubará goiás de sua lista. mas entra um novo clipe com alguns momentos de malhação, no tal hotel lindo, e um ida tímida à piscina. não tiram jamais as faixas, e muito menos os roupões. a diversão acaba em um ofurô. umas três ou quatro de cada vez. “ê, caldão de miss!”, dispara carolina.

uma nova hora da verdade: o desfile de biquínis. “julguem a plástica das meninas”, aconselha renata fan. a plástica, sei. e elas voltam a dançar, todas juntas, ao som de um pout pourri de jorge ben. é aquilo. 1, 2, 3, meia volta, chove chuva. abaixou. levanta, esse país tropical. e depois o desfile solo. carolina fica um pouco indignada com a miss roraima e dispara mais uma: “pelamordedeus, vá timbora!”. no mais, a miss rondônia tem um quê de carrie fisher (a princesa leia), a miss paraná tem olhos de alcione mazzeo, a miss rio grande do sul tem um nariz à la michael jackson e a miss piauí parece um oompa loompa, aqueles ajudantes coloridos do willy wonka. mais não falo. e lá vem outro clipe que flagra as moças dando um tapa no cabelo lá no salão do marco antônio de biaggi, um dos jurados. o clipe continua, mas muda de cenário. elas foram, sempre de faixa e sempre em fila indiana, até a casa da fazenda, no morumbi, para bater um rango e depois votar secretamente na missa simpatia. alguém sabe dizer se já houve uma miss simpatia que virou miss brasil ou mundo? sei que a pergunta é estranha, mas é que me veio, sei lá. ganhou pernambuco. pergunta que não quer calar: miss simpatia é sempre uma consolação? intervalo.

COMIDA PARA QUEM PRECISA OU ÉRAMOS 15 - renata e nayla mudam de figurino para apresentar um novo clipe com passeios das misses por são paulo. tudo começa com um café da manhã no próprio hotel. depois vão pra aquele restaurante mancini na rua avanhadava. com barriga cheia encaram uma espécie de terapia em grupo ou pelo menos algo parecido, afinal teve cena de gente chorando. aula de etiqueta também rolou. “passem credibilidade” e “é preciso valorizar o que se tem de melhor” foram algumas das frases ouvidas com atenção. aí elas se mandaram para o instituto brasileiro do câncer. cidadania dá fome e o ônibus do concurso as deixou no vento haragano. devem ter se acabado no rodízio porque o clipe foi encerrado com elas cantando em coro “extravasa”, aquela da claudia leitte. “pensam que vida de miss é sombra e água e fresca?”, questiona renata fan. jamais pensei isso. intervalo.

opa, agora na peneira só passarão 15 e o voto popular já garante minas gerais entre as finalistas. tambores anunciam, aleatoriamente sempre, que ainda ficam na disputa as misses rio de janeiro, são paulo, espírito santo, ceará, paraíba, rio grande do sul, pará, rio grande do norte, mato grosso do sul, bahia (jura?), goiás, santa catarina (jura mesmo?), paraná e distrito federal. para as restantes sobra um “vocês foram perfeitas” enquanto se comprimem em uma das saídas na parte superior do palco. vocês foram perfeitas e o ônibus tá esperando lá fora. pausa para os nossos comerciais.

as 15 que sobraram encaram a passarela de trajes casuais com apliques providenciados pela fátima rendas. minas gerais gosta de viajar e de estar próxima da natureza. rio de janeiro gosta de malhar e jogar tênis. são paulo adora malhar. espírito santo não gosta de nada (ou pelo menos foi o que renata fan achou porque não citou nada). ceará adora dançar. paraíba adora viajar. rio grande do sul tem como passatempo a patinação. pará gosta de caminhar, ouvir música e tem mania de ler antes de dormir. rio grande do norte gosta das praias do seu estado e não dispensa ficar em casa com a família. mato grosso do sul adora dançar. bahia gosta de andar a cavalo, sair com os amigos e viajar. goiás gosta de ir ao cinema. santa catarina passa suas horas livres lendo. paraná adora desfilar. distrito federal não dispensa um bom cineminha.

novo clipe. novos agitos na noite da capital. foram numa cantina no bixiga (disso a organização não pode ser acusada; as moças foram bem alimentadas). assistiram “a bela e a fera” na broadway paulistana. “é um espetáculo surpreendente”, afirmou miss paraná. depois mandaram uma pizza no piola, dançaram ritmos latinos no rey castro e encerraram a noite em outra cantina, agora no jardins. dormiram todos os dias de barriga cheia, enfim. “elas voltarão aos seus estados com muita história pra contar”, é novamente renata fan, que fez curso de dicção e gestual na escola bestshop tv.

MISS NÃO É SÓ BELEZA OU ÉRAMOS 10 - tensão. agora é de 15 pra 10 e as moças receberão a notícia de maiô. maiô da sweet cacau, claro esteja, bem como o biquíni. agora, acho um pouco cruel ser eliminada em rede nacional trajando um maiô, mas deixa pra lá. ficam então rio de janeiro, minas gerais, pará, ceará, rio grande do sul, rio grande do norte, santa catarina (“ação afirmativa pra loura é o fim da picada”, pensei), bahia (azarão total), distrito federal e paraná. em um novo clipe, as 10 restantes explicam porque desejam ser miss brasil. “ser miss abre portas para várias áreas como o jornalismo, que é a minha área”, afirma minas gerais. e taí uma verdade, abre mesmo.

desfile de maiô, minha gente. rio de janeiro gosta de pizza, mas evita. minas gerais gosta de esportes radicais como mergulho e rapel. pará gosta de ler e quer olhar para trás com a sensação de dever comprido. ceará tem como símbolo a escritora raquel de queiroz, a inteligência da mulher cearense. rio grande do sul diz que foi uma honra ter sido escolhida a miss de seu estado. rio grande do norte quer se realizar no lado profissional e no pessoal, e quer conhecer a grécia. santa catarina comenta que o povo catarinense é muito acolhedor. bahia chama a bahia de terrinha boa, de onde ninguém quer sair. distrito federal acredita que só chegou até aqui pela vontade de deus. paraná tem como símbolo sua mãe, que sempre lhe deu muita força.

Bem, recordar é viver e sobe ao palco a miss brasil 2008, natalia anderle. perguntam como foi a experiência e natalia não se faz de rogada. toma o microfone de renata fan e diz que “foi lindo. descobri que ser miss não é só beleza. tem que se preocupar com as causas, com as questões socioambientais... porque eu que sou green model...”, e o tempo pareceu congelar, o mundo girando e girando... green model!!! ok, intervalo.

ONDE AS FRACAS NÃO TEM VEZ OU ÉRAMOS 5 - de 10 pra 5 e ficam minas gerais, rio grande do norte, ceará, pará e distrito federal. boa seleção, até me surpreendeu. mas surpresa mesmo vem agora com as perguntas, a etapa que diferencia as meninas das mulheres. mas renata fan vai logo avisando que “aqui não é teste de inteligência, muito pelo contrário. é de comunicação”. beleza. combinado. quem merece ser aplaudido de pé, ceará? minha mãe, mulher guerreira, exemplo de mulher e cidadã. qual o homem ideal, minas gerais? o apaixonado. rio grande do norte ganha pontos ao chorar lembrando de um ensinamento de seu avô já falecido. um dia foi pedir emprestado dinheiro pro avô e ele perguntou se ela queria emprestado ou dado, afinal são coisas diferentes. “foi a consolidação da minha honestidade”, disse. não deu pra sacar o que uma coisa teve a ver com a outra, mas uma lágrima escorreu. pará acaba metendo os pés pelas mãos até dizer que ayrton senna faz falta. distrito federal agradece ao criador mais uma vez e afirma messianicamente que “foi deus que criou tudo isso aqui!!!”

o último clipe traz uma visita das misses ao palácio dos bandeirantes, residência do governador josé serra. são os momentos mais fortes da noite com serra de mão mole, olhar bobo e aquele incontornável sorriso amarelo e assustador. fotos e mais fotos. pode acabar logo, por favor?

E O OSCAR VAI PARA... - renata e nayla criam aquela atmosfera de suspense para dar nome aos bois. dá pra cortar o ar com uma faca de tão denso. e o quinto lugar vai para... ceará (que, no entanto, ganhou como melhor nome, khrisley karlen). o quarto lugar é do... pará. já o terceiro vai para o distrito federal. ficaram minas gerais e rio grande do norte. quem leva? deusdocéu, e agora? elas se olham, dão as mãos, riem e choram... a miss brasil 2009 é... a miss brasil 2009 é... rio grande do norte!!! “nossa, a minas gerais ficou muito puta dos infernos”, é carolina e seu olhar cirúrgico. pois é isso, nessa noite de glamour e beleza, a vencedora foi a potiguar larissa costa, formada em pedagogia e locada na secretaria de educação do estado. ganhou, entre outras coisas, um carro no valor de “quase 100 mil reais e com toda a documentação paga”, segundo nayla, e 200 mil reais em contratos (mas não falaram que tipo e nem com quem). e estará, claro, representando o brasil no miss universo que acontecerá em 23 de agosto nas bahamas. 1h10 da manhã. fim das nossas transmissões.


taí, a mulher mais bonita do brasil: larissa costa

domingueira

ainda no clima "visgo de jaca" do transversão #1. uma versão instrumental, registrada em algum momento da década de 1980 (acho). estão aí o gaitista rildo hora, um dos autores da música, e o guitarrista romero lubambo. o resto da banda está escondido. ah, e rildo e romero gravaram um disco juntos em 1990 (ou pelo menos foi quando lançaram). é autonomia (visom, 1990), que trouxe "visgo de jaca" e ainda "sampa" (caetano veloso), "ligia" (tom jobim) e "de frente pro crime" (joão bosco e aldir blanc).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

transversão #1

esse título aí, que já foi usado recentemente, é o nome de uma seção que tava há tempos querendo colocar aqui. o que atrasou foi o goear.com que não tava permitindo uploads nas últimas (várias) semanas. enfim, a ideia é postar uma canção e sua "transversão", isto é, uma regravação que altere substancialmente a original. ou não.

começando com "visgo de jaca" (rildo hora e sérgio cabral), gravada originalmente por martinho da vila no disco canta, canta minha gente (rca, 1974).



e agora a versão 2009 da música com céu nos vocais. é do ep cangote, prévia do segundo disco da cantora paulistana.



p.s. em 31 de julho de 2010: "visgo de jaca" foi a primeira transversão aqui do blog e hoje vi lá no trabalho sujo o video de uma garota americana, erica mcmanus, cantando a música caprichando no português e arranhando um violão (no início de 2009). ela ouviu a céu, certeza. e fez mais recentemente uma versão de "ponta de areia" (fala português bem a menina. qual será a história?).


ainda miles davis (e com surpresa)

miles davis continua me perseguindo. ontem terminei de assistir miles electric - a different kind of blue (2004), documentário realmente ótimo, com direito a entrevistas com boa parte dos músicos que tocaram com o trompetista na virada das décadas de 1960 para 1970 e muitas cenas de sua apresentação histórica no isle of wight festival em 1970 (airto moreira, impagável, afirma que fica surpreso ao lembrar de detalhes da apresentação, afinal, tava mutcho loco, entre apitos, cuícas, reco-reco, pandeiros e uma infinidade de sons brasileiros injetados naquela loucura funk-progressiva de miles). agora, qual não foi minha surpresa quando aos 31 minutos e 49 segundos do filme, em uma cena muito rápida de platéia, vejo isso.

gilberto gil!!! com sua típica cabecinha de lado, regatinha, black is beautiful e tal. a edição de 1970 do festival aconteceu na época em que gil e caetano estavam exilados na inglaterra. os dois e alguns outros músicos brasileiros fizeram uma apresentação improvisada na abertura do segundo dia do festival (27 de agosto). miles davis subiu ao palco dois dias depois. 600 mil pessoas por todos os lados.

como disse no post anterior, o documentário de murray lerner está no youtube.