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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

40 discos gringos de 2019

neste ano que acabou, o tal de 2019, o esforçado completou dez anos ininterruptos de retrospetivas musicais. essa de 2019 demorou um pouco pra sair por motivos variados, desde computador quebrado até criança pequena, passando por trabalho e pouco tempo pra ouvir tudo que aparece. mas saiu e isso é que importa né. então vamos lá pra lista de discos gringos (e antes, alguns destaques).

um dos artistas preferidos da casa, Andrew Bird, lançou o absurdamente bonito e de título "humilde" My Finest Work Yet, disco cheio de grandes músicas. e então a grande Missy Elliott voltou após muitos anos de silêncio com um disco curto (Iconology), mas potente, enquanto outro veterano, Thom Yorke, lançou o belo Anima (que, ainda por cima, veio acompanhado de uma maravilhoso curta dirigido por Paul Thomas Anderson).


Andrew Bird como Jean Paul Marat (no quadro clássico de Jacques Louis David) 
na capa de My Finest Work Yet

outros destaques de 2019 foram dois belos discos póstumos: Thanks for the Dance de Leonard Cohen e Black Velvet de Charles Bradley. grandes discos de grandes artistas cujo legado segue vivo (principalmente em Cohen, compositor, cantor, poeta, pessoa foda e linda).

Garifuna Collective, de Belize


diretamente de Belize, o Garifuna Collective lançou o fodão Aban, disco que une passado e presente com muito balanço e força, mesma ponte feita pelo produtor e multiinstrumentalista Dexter Story com suas raízes etíopes em Bahir. isso sem falar no sempre excelente saxofonista inglês Shabaka Hutchings que neste 2019 lançou trabalhos novos de um de seus muitos projetos/bandas, The Comet is Coming (na lista entrou Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery, mas o grupo lançou também The Afterlife).

por último, entre os destaques, um grupo poderoso de jovens artistas femininas, desde a inglesa Little Simz até a queniana (radicada na Austrália) Sampa the Great, passando pelas americana Rapsody, todas rimando poderosamente. e também as experimentações de Sudan Archives e Solange, além do soul pop astral de Lizzo.

então, sem mais delongas, a lista de 40 discos gringos de 2019

Anderson Paak - Ventura
Andrew Bird - My Finest Work Yet
Bantou Mentale - Bantou Mentale 
Beck - Hyperspace
Beirut - Gallipoli
Blood Orange - Angel's Pulse
Brockhampton - Ginger
Brother Ali - Secrets and Escapes 
Chance the Rapper - The Big Day
Charles Bradley - Black Velvet
Dexter Story - Bahir
FKA Twigs - MAGDALENE 
Freddie Gibbs & Madlib - Bandana
Ibibio Sound Machine - Doko Mien
Ikebe Shakedown - Kings Left Behind 
Karen O & Danger Mouse - Lux Prima
Kate Tempest - The Book of Traps and Lessons 
Leonard Cohen - Thanks for the Dance 
Little Simz - Grey Area
Lizzo - Cuz I Love You
London Afrobeat Collective - Humans 
Los Wembler's de Iquitos - Visión del Ayahuasca
Michael Kiwanuka - Kiwanuka 
Missy Elliott - Iconology
Nick Cave & The Bad Seeds - Ghosteen
Omar Souleyman - Shlon 
Raphael Saadiq - Jimmy Lee 
Rapsody - Eve
Sampa the Great - The Return
Sinkane - Dépaysé
Skinny Pelembe - Dreaming Is Dead Now 
Solange - When I Got Home
Sudan Archives - Athena
The Comet is Coming - Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery
The Garifuna Collective - Aban 
The Good Ones - RWANDA, you should be loved 
Thom Yorke - Anima
Toro y Moi - Outer Peace
Tyler, The Creator - Igor 
Vampire Weekend - Father of the Bride

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

90 músicas gringas de 2015

após a lista dos melhores discos gringos do ano, nada mais natural que a de músicas né não. acabei meio que sem querer fechando também no número 90. coisa pra diabo, muitos sons, e esse número podia facilmente ser maior, pois tem artistas aí - kendrick, blur, dj vadim & sena, drake, ibeyi, son little, etc - que poderiam emplacar 3 ou 4. também é fácil notar que a lista tem muito rap e, nunca é demais repetir, a razão é simples: o rap é foda [e tá cada vez mais foda em todos os níveis, do político ao musical, das misturas à tradição, e em vários lugares do mundo].

sinceramente não saberia dizer qual ou quais músicas do ano. tem 3 hits globais na minha lista - “uptown funk” [mark ronson & bruno mars], “bitch better have my money” [rihanna] e “hotline bling” [drake] - e tem canções sensacionais de veteranas(os) em plena atividade - madonna, ghostface killah, blur, missy elliott, erykah badu, giorgio moroder, lauryn hill, prince e public enemy. tem também um punhado bom de novinhas e novinhos mostrando que as novas gerações não deixarão a música cair na mesmice, tais como alessia cara, bishop neru, don monique, dope saint jude, le1f, leon bridges, lianne la havas, lizzo, nicola cruz, nozinja, pell, rae sremmurd, raury, shamir e the internet.

então, sem mais delongas e na ordem alfabética, as 90 melhores músicas de 2015 segundo os padrões da casa.

a$ap rocky - "excuse me"
action bronson - "actin' crazy"
alabama shakes - "shoegaze"
alessia cara - "here"
am & shawn lee - "persuasion"
andreya triana - "gold"
badbadnotgood & ghostface killah - "six degrees" [feat. danny brown]
beirut - "no no no"
bishop nehru - "manssin" [feat. que hampton]
blueprint - "the talented tenth"
bomba estereo - "caderas"
cee-lo green - "mother may i"
dengue fever - "taxi dancer"
disiz - "abuzeur"
dj vadim & sena - "give more pt. 2" [feat. syross the virus]
don monique - "drown"
dope saint jude - "keep in touch" [feat. angel-ho]
drake - "hotline bling"
erykah badu - "phone down"
future - "where ya at" [feat. drake]
ghostpoet - "yes, i helped you pack" [feat. etta bond]
giorgio moroder - "tom’s diner" [feat. britney spears]
heems - "sometimes" [feat. hannibal buress & eric andre]
ibeyi - "stranger/lover"
jamie xx - "i know there's gonna be (good times)" [feat. young thug & popcaan]
joey bada$$ - "like me" [feat. bj the chicago kid]
kendrick lamar - "king kunta"
lauryn hill - "feeling good"
le1f - "umami/water"
leon bridges - "smooth sailin"
lianne la havas - "unstoppable"
lil b & chance the rapper - "we rare"
lizzo - "ain’t i"
l'orange & kool keith - "upwards. to space!"
m.i.a. - "borders"
madonna - "unapologetic bitch"
major lazer - "too original" [feat. elliphant & jovi rockwell]
mark ronson - "uptown funk" [feat. bruno mars]
mick jenkins - "your love"
miley cyrus - "cyrus skies"
missy elliott - "wtf (where they from)" [feat. pharrell williams]
murs - "the worst"
nicola cruz – "colibria"
nneka - "book of job"
nozinja - "baby do u feel me"
panda bear - "mr. noah"
pell - "queso"
people under the stairs - "runaway" [feat. greg nice]
petite noir - "mdr"
prince - "ain't about to stop" [feat. rita ora]
public enemy - "mine again"
rae sremmurd - "throw sum mo" [feat. nicki minaj & young thug]
raekwon - "i got money" [feat. asap rocky]
ratatat - "drift"
raury - "crystal express"
rdgldgrn - "runnin away"
roots manuva - "don't breathe out"
sadat x - "never left" [feat. tony mays]
shamir - "in for the kill"
son little - "go blue blood red"
songhoy blues - "sekou oumarou"
sons of kemet - "play mass"
sts & rjd2 - "monsters under my bed"
talib kweli & 9th wonder - "every ghetto" [feat. rapsody]
the arcs - "outta my mind"
the breathing effect - "fireflies"
the internet - "get away"
the lions - "the magnificent dance" [feat. black shakespeare]
the mighty mocambos - "road to earth" [feat. peter thomas]
the selecter - "karma"
the skints - "my war"
the souljazz orchestra - "courage"
the very best - "let go"
the weeknd - "can't feel my face"
toro y moi - "lilly"
travis scott - "antidote"
wiley - "chasing the art"
young fathers - "rain or shine"
young thug - "can't tell" [feat. t.i. & boosie badazz]

e a laíssa, do era segunda, fez o favorzão de fazer uma playlist gigante no youtube. das 90 músicas, 83 estão na plataforma. as 7 restantes estão logo na sequência, com destaque para a poderosa “hell you talmbout”, um grito liderado por janelle monáe contra a constante morte de negros(as) pela força policial norte-americana.


janelle monáe, deep cotton, st. beauty, jidenna, roman gianarthur & george 2.0 - "hell you talmbout"
los crema paraiso - "la luz se apaga" [feat. juan rivas]
opio & free the robots - "opiopia"
owiny sigoma band - "nairobi (too hot)"
pat thomas & kwashibu area band - "odo adaada"
quantic - "bicycle ride"

the electric peanut butter company - "mister pink"

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

yahoo #12

pois então, amiguinhos e amiguinhas, a polêmica está de volta ao ultra pop! a coluna nova, "bastardo é a mãe", trata de misturas mashupeiras entre ritmos bem populares (funknejo, no caso) e o pessoal está surtando com "o baixo nível que tomou a música brasileira". o texto anterior, que segue abaixo, é sobre fofocas, demagogia e internet, o que não deixa de ser uma pensata de boteco sobre a psicologia desse pessoal que não sabe se comportar nas caixas de comentários.

FOFOCA EU, FOFOCA TU

Uma das coisas mais comuns no Brasil é enxergar problemas ou culpas somente nos outros. O sujeito faz uma barbeiragem daquelas de fazer o Vin Diesel corar de vergonha e se alguém o repreeende, mesmo com uma singela buzinada, o tal sujeito xinga, mostra o dedo do meio, puxa o revólver, faz o diabo. Ou então aquele pessoal que fala que a música de hoje em dia não é boa como a do passado e quando se pergunta de quem gostam surgem nomes como Shakira, Jorge Vercilo ou J. Quest (nada contra, são só exemplos). Ou ainda sites e revistas de fofoca, que todos acham uma falta do que fazer ao mesmo tempo que sabem os mexericos mais recentes.

“Que jornalismo é esse que fica dando trela para subcelebridades, mulheres-frutas, etc. É esse país que quer receber a Copa?!”. Basta dar as costas que a pessoa clica na primeira manchete com a Nana Gouvêa ou a Nicole Bahls muito à vontade em alguma praia carioca. Essa hipocrisia de não assumir suas próprias escolhas e/ou responsabilidades, de fingir ser quem não se é, é típico de uma sociedade de aparências. Só o tempo e a educação nos libertará disso (ou não), mas enquanto a iluminação não acontece precisamos assumir nossas baixezas ou pelo menos nosso espírito voyeurístico. E fofocar pode até não ser bom, mas é natural desse pessoal que somos nós.

Veja bem. Os tablóides são uma invenção da imprensa inglesa no século 19 e em suas chamadas espalhafatosas existia uma vontade de esculhambar com a realeza e a classe aristocrática. Trazer o altar pra rua, digamos assim. Em um mundo desigual a palavra era (e ainda é) a única arma disponível para quem não tinha poder. Notícias cheias delas então... Claro que isso também virou poder, mas aí é outra história.



Na década de 1920, os tablóides tomaram outra forma e ganharam novos alvos do outro lado do Oceano Atlântico com o surgimento de um novo tipo de nobreza: os astros e estrelas de Hollywood. Um público novinho em folha estava ávido por saber com quem Greta Garbo dormia ou como era Charles Chaplin por trás do bigode de Carlitos. O espírito de fofoca da rua ganhou ares de jornalismo sério e já não era mais possível saber se essa demanda foi criada pelo público ou alimentada pela própria imprensa. De qualquer forma, sensacionalismo (da mídia) e crueldade (do público) costumam andar de mãos dadas em meio a essa bisbilhotice toda.

Agora, para fazer isso de um jeito que fosse bom para todo mundo foi criado o colunismo social, uma versão chapa-branca do nosso voyeurismo. Domaram e comercializaram nossa curiosidade. E foi esse tipo de tablóide que venceu aqui no Brasil. Só que muito diferente da agressividade fofoqueira inglesa - que fez nascer casos extremos como o do centenário e recém-falecido News of the World que chegou a grampear ilegalmente telefones de astros, políticos, etc. -, a brasileira
é cordial, amiga, “inofensiva”.

Ninguém quer perder as entradas VIPs, a boca livre, o tapete vermelho, a entrevista exclusiva, e por isso o nosso jornalismo de celebridades estampa uma gravidez aqui, uma boa forma acolá, novos e velhos casais explodindo de alegria, um final de semana inesquecível em um castelo ou numa ilha. Nada de traições, filhos fora do casamento, dependências químicas (só se já estiverem no estágio de “superação”), xiliques em gravações, plágios, calotes fiscais e o escambau.

Talvez os ingleses façam uma “fofoca do mal” e os brasileiros sejam “do bem”. Aí vai da opinião de cada um. Só não vale culpar o mensageiro. Somos nós que mexemos no lixo e é lá que desejamos encontrar algo. Talvez por identificação ou então para passar o tempo. Quem sabe seja amor, ódio ou tara. Mas de repente a gente pode criar o Dia do Orgulho Fofoqueiro e se encontrar, trocar umas ideias...