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sábado, 30 de maio de 2009

olhando para trás

filme estranho e instigante esse land of look behind (1982). nunca tinha ouvido falar nem dele, nem de seu realizador, o americano alan greenberg, e acabei sabendo de seu lançamento em dvd nos eua pelo site documentaryfilms. a versão que consegui nos torrents da vida vem com legendas em inglês, dois curtas sobre os bastidores, o trailer e a trilha sonora (pausa para o habitual assombro virtual – jamais assistiria/teria acesso a esse filme se não fosse a internet, fato).

taí outro filme que não possui uma tese, não procura respostas e, conseqüentemente, não as encontra (quer dizer, pelo menos não do jeito “jornalístico”). as viagens pelo interior da jamaica, feitas em maio e julho de 1981 logo após a morte precoce de bob marley, procuram faces distintas do movimento rastafari, desde as oficiais até as mais chapadas, passando até rapidamente por um certo rastafarianismo feminista. bem no início, um agricultor diz assim: “essas rãs passam a vida inteira dentro dessas plantas. tem também as que vivem embaixo das pedras, só que essas tem outras cores. existem muitos tipos de rã. não apenas uma, duas, três ou quatro, mas muitas. os cientistas vem aqui e as estudam”. e lá estão, por exemplo, alan greenberg e o câmera jörg schmidt-reitwein (de filmes como o enigma de kaspar hauser, nosferatu e woyzeck, todos de werner herzog, uma espécie de padrinho do filme e de greenberg) fazendo o mesmo com o povo jamaicano, mas não com olhos de cientistas.

o cineasta já conhecia bob marley de outras viagens ao país e quando o artista morreu, aos 36 anos, sua família o chamou para fazer um documentário. no entanto, land of look behind quase não trata de bob, apesar de algumas cenas das cerimônias de velório e enterro, da comoção popular. é mais sobre alguns mistérios e estranhamentos com essa terra de espiritualidade sob cortinas de fumaça, pobreza agressiva e música vibrante (participações de gregory isaacs e lui lepki, além de alguns petardos de bob, tais como “natural mystic”, “time will tell” “sun is shining” e “crisis”). olha o trailer do dvd.



pra finalizar: este é o primeiro filme de alan greenberg, que trabalhou com cineastas como bernardo bertolucci (no épico 1900) e o próprio werner herzog (em coração de cristal e nos roteiros de
cobra verde e fitzcarraldo). atualmente vem tentando viabilizar a produção do longa love in vain, roteiro seu já publicado em livro e baseado na vida do bluesman robert johnson.

sexta-feira, 27 de março de 2009

mixtape #1 reggae

o reggae entrou na minha vida já tem uns dois anos. veio junto com o dub. acho que de uma hora pra outra comecei a ouvi-los em muitas músicas e nas entrevistas de um monte de gente (quase contemporâneos e também mais novos, muitos brasileiros, alguns gringos). era jamaica pra lá, kingston pra cá, e pensei, só pra citar um exemplo, “o nação zumbi não pode estar errado”. e fui ouvir.

logo descobri o you & me on a jamboree e passei a tomar repetidos tapas na cara – e nunca poderei agradecer o bastante aos caras que mantém o blog, principalmente ao greg, com quem conversei por e-mails para fazer uma matéria para o gafieiras. quanta coisa linda. quanta história. tanta gente. tanta música. minha cabeça deu um nó e, enquanto o nó se agravava, carolina passou a duvidar da minha sanidade e os amigos zombavam surpresos. e eu lá, embasbacado com a habilidade, o balanço e a alegria dos músicos/cantores(as) jamaicanos. outra periferia, mais áfrica.

do reggae conhecia, e detestava, apenas o que todos conhecem, principalmente bob marley. pra mim ele sempre foi (e ainda é) o renato russo do reggae, o raul seixas do reggae. o mártir, o poeta, o santo, e por aí vai. claro que todos são muito mais interessantes e geniais do que é urrado/louvado sobre eles, e isso é constante e humilde aprendizado, mas estou me perdendo e me complicando... porque só queria dizer que fiz uma mixtape, uma coletânea, um best of com algumas das músicas mais bonitas que ouvi nesses últimos anos, reggaes variados, de épocas variadas, homens e mulheres, instrumentais e cantados, mas muito pouquinho, é só um começo... bob marley entrou, claro, e essa, pelo menos, carolina ama.

baixem AQUI. comentem, se possível.

essa é a primeira mixtape do esforçado e outras virão, outros gêneros, outras paradinhas...

seguem as faixas (algumas destas datas são aproximações, afinal a indústria fonográfica jamaicana não era das mais rigorosas em termos de informações, principalmente na virada da década de 1960 para 70).


01 bob marley & the wailers - chances are (1960s)
02 dawn penn - no, no, no (1967)
03 ken boothe - everything i own (1974)
04 hortense ellis - wooden heart (1967)
05 johnny nash – cupid (1973)
06 susan cadogan – fever (1976)
07 jackie mittoo - drum song (1970)
08 freedom singers - come together (1969)
09 im & david - soul brother (1970)
10 barrington levy - englishman (1979)
11 augustus clarke - black foundation (1976)
12 horace andy - skylarking (1972)
13 johnny osbourne - truth and rights (1979)
14 george faith - i've got the groove (1976)
15 the drastics - bulletproof (2005)
16 lee perry - pussy man (2004)
17 sly dunbar - river niger (1980s)
18 the lions - sweet soul music (2008)
19 easy star all-stars & citizen cope - karma police (2006)
20 dj raiz (ministereopublico) - na baixa do sapateiro [bonus] (2009)