segunda-feira, 13 de abril de 2026

margot robbie & jacob elordi, que perfis

escrevi mais dois perfis na Monet de abril. dois perfis bonitos. de uma dupla. de australianos. que interpretam um casal tragicamente apaixonado na nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, clássico 1800s da inglesa Emily Bronte reimaginado pela roteirista e diretora Emerald Fennell. mas os perfis de Margot Robbie e Jacob Elordi tem muito mais que isso. saca só.

colagem por toscographics 8bit

A DOCE VINGANÇA DE MARGOT ROBBIE

A atriz australiana driblou tentativas de transformá-la em objeto e em O Morro dos Ventos Uivantes mostra mais uma vez quais histórias quer contar

Quando Margot Robbie apareceu pela primeira vez para o grande público em 2013, seduzindo e brigando com Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street, o mundo nunca mais foi o mesmo. O impacto daquele grande sorriso e da energia solar que ele trazia junto mudou Hollywoord, mas mudou ainda mais a atriz australiana. Hoje, ao lançar O Morro dos Ventos Uivantes, sua nova empreitada como atriz e produtora, ela tem distância o bastante para refletir como esse momento de seu passado foi ao mesmo tempo empolgante e extremamente assustador. 

Margot Cathy

“Aconteceram coisas muito horríveis naquele início, tanto em termos de assédio da imprensa quanto de inúmeras ofertas para repetir o mesmo papel de ‘loura gostosa’. Lembro de dizer para minha mãe: ‘Acho que não quero fazer isso.’ E ela simplesmente olhou para mim, com a cara mais séria do mundo, e disse: ‘Querida, acho que é tarde demais para desistir.’ Foi aí que percebi que o único caminho era seguir em frente”, disse em entrevista para a Vanity Fair. 

Robbie tanto seguiu em frente que já em 2014 fundou sua própria produtora (LuckyChap Entertainment) ao lado de seu futuro marido (Tom Ackerley) e dois amigos (Sophia Kerr e Josey McNamara) com o objetivo claro de tocar projetos com mulheres protagonistas, mas também com diretoras e/ou roteiristas no comando. Decidiu que a partir daí alternaria filmes comerciais para bancar as produções independentes que gostaria de fazer. E assim foi, e assim continua até hoje. 

ALTOS E BAIXOS E MUITO ALTOS 

Após alguns filmes pequenos em 2015, Robbie entrou no ano de 2016 com duas grandes produções: A Lenda de Tarzan e Esquadrão Suicida. Neste último encontrou Arlequina, a vilã psicopata e feliz dos quadrinhos da DC que encarnaria outras duas vezes. Apesar do filme ter sido um sucesso de bilheteria e ter ganho até um Oscar (Maquiagem), Robbie afirmou anos depois que se sentiu muitas vezes constrangida com os figurinos diminutos e extremamente sexualizados que era obrigada a usar. Fez questão que não repetir esse desconforto e suas Arlequinas em Aves de Rapina (2020) e O Esquadrão Suicida (2021), dessa vez sob a direção de James Gunn, estavam muito mais vestidas e à vontade. 

Margot Arlequina

Então, no ano de 2017, foi lançado o primeiro filme produzido pela LuckyChap, o drama independente Eu, Tonya. Baseado na história real de Tonya Harding (Robbie), uma patinadora norte-americana acusada de planejar com seu marido (Sebastian Stan) um ataque à sua principal rival Nancy Kerrigan, o filme foi um modesto sucesso comercial e um grande sucesso de crítica que deu a primeira indicação ao Oscar para Robbie (já Allison Janney, que interpretou a mãe abusiva de Tonya, ganhou como atriz coadjuvante). 

Margot Tonya

Após o sucesso de Eu, Tonya e o reconhecimento do talento de Robbie, a carreira da atriz teve uma inesperada sequência de anos e escolhas ruins, ou que eram boas e fracassaram nas bilheterias, com exceção de uma participação especial em Era Uma Vez em Hollywood (2019), de Quentin Tarantino, os dois retornos como Arlequina em 2020 e 2021, e a produção de Bela Vingança (2020), o primeiro longa da amiga, roteirista e diretora Emerald Fennell (que levou Oscar de Melhor Roteiro). Nesse período, de 2018 a 2022, Robbie sentiu particularmente o fracasso de dois filmes com os quais se dedicou de corpo e alma: Amsterdam, de David O. Russell, com Christian Bale; e Babilônia, de Damien Chazelle, com Brad Pitt e Diego Calva. 

“A maneira como tento explicar este trabalho - e este mundo - às pessoas é que os momentos bons são realmente muito bons e os momentos ruins são realmente muito ruins. E acho que, se você tiver sorte, tudo se equilibra no meio”, disse para a Vanity Fair. 

XEQUE-MATE DA BONECA 

Então veio a boneca e tudo mudou. Após muito anos de tentativas de levar Barbie para os cinemas, Margot Robbie entrou em contato com a Mattel para apresentar sua visão de como seria Barbie, o filme, e impressionou os executivos da fabricante da lendária boneca. Depois fez o mesmo com o estúdio Warner e ganhou um sinal verde, inclusive com a ousada contratação de Greta Gerwig como diretora e co-roteirista (seu marido, o também diretor Noah Baumbach, seria o parceiro no roteiro). O resto é história cinematográfica com Barbie (2023) ultrapassando a barreira de 1 bilhão de dólares nas bilheterias e se tornando uma das 20 produções mais rentáveis de todos os tempos. 

Margot Barbie

No mesmo ano de 2023, a produtora de Robbie produziu o segundo longa de Emerald Fennell, o elogiado Saltburn, e a atriz tirou o pé do acelerador para cuidar da vida pessoal. Tanto fez que em outubro de 2024 deu à luz ao seu primeiro filho e conseguiu um tempo para pensar nos próximos projetos enquanto cuidava de sua produção mais importante. “As pessoas têm sentimentos fortes sobre as coisas. Mas prefiro isso à indiferença. Então, da minha parte, gosto de subverter as expectativas. É muito mais assustador, mas também é um ótimo ponto de partida”, disse durante uma entrevista antes do parto. 

Subvertendo as expectativas, Robbie escolheu dois projetos muito intensos após se tornar mãe: a fantasia romântica A Grande Viagem da Sua Vida (2025) e o drama ultrarromântico e e kitsch O Morro dos Ventos Uivantes, o terceiro longa da amiga Emerald Fennell. Em um evento na Inglaterra, a diretora se derramou em elogios para a atriz e parceira. “Ela é tão linda, interessante e surpreendente, que acho que é o tipo de pessoa que, como Cathy [a protagonista do filme], poderia se safar de qualquer coisa. Acho que Margot poderia cometer uma série de assassinatos e ninguém se importaria. E é assim que Cathy é para mim, alguém que simplesmente se esforça para ver até onde pode ir. Então, precisávamos de alguém como Margot, que é uma estrela, não apenas uma atriz incrível - o que ela é -, mas alguém que tem um poder, um poder sobrenatural, um poder divino, que faz as pessoas perderem a cabeça”.

MORENO ALTO, BONITO E SENSUAL

Da criatura atormentada de Frankenstein ao violentamente romântico Heatcliff em O Morro dos Ventos Uivantes, Jacob Elordi se firma como um dos grandes jovens atores de Hollywood

Jacob Elordi chegou a Hollywood com apenas 19 anos, o sonho de ser ator, mas quase nada de experiência. Se alguém chegasse para esse jovem australiano que pouco menos de dez anos depois ele seria não só um dos principais galãs da indústria como um ator respeitado por suas escolhas e atuações, ele daria boas gargalhadas. Mas a verdade é que Elordi se consagrou no final de 2025 ao interpretar a criatura em Frankenstein de Guillermo Del Toro, e já começou 2026 a toda velocidade ao contracenar com Margot Robbie na ousada interpretação da diretora Emerald Fennell para o clássico O Morro dos Ventos Uivantes

Coincidência ou não, Elordi acabou se tornando o único ator da história a participar de adaptações para o cinema de dois dos maiores romances do gótico inglês: Frankenstein, de Mary Shelley, é de 1818; enquanto O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte, é de 1847. 

Mas o prestígio agora alcançado por Elordi começou a ser construído poucos anos atrás, mais precisamente em 2023, quando esteve nos elogiados Priscilla, de Sofia Coppola, e Saltburn, o segundo longa de Emerald Fennell. Foi uma espécie de grito de liberdade das comédias românticas juvenis que o deixaram famoso (a trilogia A Barraca do Beijo, por exemplo) e que ele detestava fazer. “Diziam que eu era ingrato, pretensioso, por reclamar. Mas me diz, como se importar com o seu trabalho pode ser pretensioso? E não estou dizendo de se importar e, conscientemente, enganar as pessoas, sabendo que está ganhando dinheiro com o tempo delas, que é literalmente a coisa mais valiosa que elas têm! Como isso pode ser algo legal?”, disse o ator em uma entrevista para a GQ, em novembro de 2023. 

Jacob Felix

E Elordi passou a procurar mais coisas legais para fazer, trabalhos que o desafiassem. Foi a versão jovem de Richard Gere em Oh, Canadá (2024), drama do renomado diretor Paul Schrader, e voltou a Austrália em grande estilo na minissérie O Caminho Estreito para os Confins do Norte (2025), uma superprodução de época. E entre esses trabalhos e a dobradinha gótica formada por Frankenstein e O Morro dos Ventos Uivantes, o ator conseguiu encaixar a gravação da muito aguardada terceira temporada de Euphoria

A cultuada série criada por Sam Levinson com adolescentes problemáticos de toda sorte foi responsável por lançar nomes que se tornaram grandes pouco tempo depois, tais como Zendaya, Sydney Sweeney, Hunter Schafer, Barbie Ferreira, Colman Domingo e Jacob Elordi, em um de seus primeiros trabalhos nos Estados Unidos. Em Euphoria, Elordi interpreta Nate Jacobs, o jogador de futebol americano estrela da escola, bonitão e popular. Também tem acessos de raiva perigosos, sexualidade atormentada, conflitos na família e mantém relações abusivas com suas namoradas (uma delas é Cassie, interpretada por Sydney Sweeney). 

Jacob Nate

Ser o antagonista complexo numa série de sucesso – a primeira temporada de Euphoria foi lançada em 2019 e a segunda em 2022 – foi o maior presente de início de carreira que Elordi jamais poderia imaginar. Agora, aos 28 anos, chega à terceira temporada, que estreia neste mês na HBO, com uma bagagem invejável. Seu Nate Jacobs, bem como quase todos os outros personagens, será visto em situações ainda mais complicadas na vida adulta após um salto de tempo de cinco anos. Elordi ganhou um novo presente ao poder reencontrar o personagem e injetá-lo com novas nuances que só a experiência pode dar. 

GÓTICO E ROMÂNTICO 

Tímido e consequentemente avesso a entrevistas, Elordi abriu algumas exceções nas turnês de divulgação de seus dois últimos filmes, Frankenstein e O Morro dos Ventos Uivantes. No primeiro estava ao lado de Oscar Isaac, Mia Goth ou Guillermo Del Toro. No segundo, quase sempre em companhia da conterrânea Margot Robbie. 

Jacob Monstrão

Sobre Frankenstein, que lhe deu sua primeira indicação ao Oscar, invariavelmente falava sobre as onze horas de maquiagem que tinha que passar diariamente para, literalmente, entrar na pele da criatura. “Foi o tempo perfeito. Normalmente você não tem tanto tempo durante as filmagens para realmente entrar no personagem. Então foi o tempo ideal para deixar tudo para trás e me tornar outra coisa”, explicou durante sua passagem no programa de Jimmy Fallon. 

Já sobre O Morro dos Ventos Uivantes, Elordi estava mais salto tanto por já ter trabalhado com a diretora Emerald Fennell quanto por ter se tornado muito amigo de Margot Robbie. A atriz, aliás, confessou em entrevista para a Vogue Austrália que foi ela que sugeriu Elordi para o papel de Felix Catton em Saltburn por causa de sua atuação em Euphoria. E foi no set de Saltburn que Fennell pensou em Elordi para interpretar Heatcliff em O Morro dos Ventos Uivantes, seu terceiro longa como diretora e o terceiro a ser produzido pela empresa de Margot Robbie.

Jacob Heatcliff 

Durante um festival literário na Inglaterra, Fennell confirmou que escolheu Elordi porque “ele parecia exatamente com a ilustração de Heatcliff na capa da primeira edição que li do romance”. Obcecada pelo livro e por adaptá-lo para o cinema, Fennell disse ainda que “queria criar algo que me fizesse sentir quando li o livro pela primeira vez, ou seja, algo que provocasse uma resposta emocional. Algo primitivo, sexual. Queria criar algo que fosse a experiência de ler o livro quando tinha 14 anos”. Elordi e Robbie lhe deram régua e compasso.