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domingo, 17 de março de 2019

os sons da monga

Tem documentarista que sente calafrios com a possibilidade de trilha sonora em seus filmes. Jean Rouch e Eduardo Coutinho que o digam. Pra essa turma, o lance é o som direto, o que importa é o que a câmera registra e apenas o que a câmera registra. Nada de comentar, ilustrar ou acompanhar musicalmente as imagens. Tem também documentarista que não vê problema algum em promover diálogos-choque entre música e imagem, são novas e outras camadas de significados possíveis. Exemplos não faltam, mas Errol Morris e Godfrey Reggio fizeram história em suas colaborações com o compositor Philip Glass.

Cris Siqueira está com esta segunda turma. Seu filme de estreia, Monga [ver datas, horários e locais de exibição ao fim do texto], tem uma instigante trilha sonora praticamente toda original alternando faixas instrumentais e canções do punk rock ao funk. São 11 músicas que fazem cama, mesa e banho para as memórias e histórias de uma lendária atração circense que nasceu no Brasil e foi parar nos Estados Unidos. Em Monga, imagem e música andam juntas, conversam, brigam, dão um tempo, enfim, se entrelaçam de muitas formas.

E não poderia ser diferente, afinal Cris se formou dirigindo programas na MTV Brasil enquanto tinha uma banda pra chamar de sua em São Paulo, a barulhenta e divertida Go Hopey [montou outras bandas também em Milwaukee, EUA, onde mora desde 2004].

Lançamento doc MONGA em SP from Cris Siqueira on Vimeo.

Tal qual a trajetória transcontinental da Monga circense, Cris Siqueira fez da trilha de seu filme uma ponte entre Brasil e Estados Unidos, São Paulo e Milwaukee/Chicago. E, por ser uma produção radicalmente independente bancada às próprias custas S/A, as músicas são também uma carinhosa ação entre amigas(os). Então, vamos a elas.

arte de Silvana Mello e Mica O'Herlihy para o cartaz do filme

AS INSTRUMENTAIS

Coincidência ou não, quatro faixas instrumentais da trilha de Monga foram compostas por bateristas. Mauricio Takara, integrante do Hurtmold e do São Paulo Underground [além de trabalhos solo], assina “Monga”, uma intrigante música tribal levada em programações de cuíca e tamborim. John Herndon, do Tortoise, é autor da espacial e climática "Ape Girl Instrumental"



Brock Gourlie, marido de Cris e baterista da Scrimshaw [entre outros projetos], compôs a curta e intensa “Capy Theme”, faixa que dá um pouco do clima, humor e velocidade de todo o filme, e a experimental e envolvente "Springtube and Casio" [em parceria com Anton Sieger, outro integrante da Scrimshaw].



A quinta música instrumental da trilha é anterior ao filme. "Jane Birkin", uma surf music distorcida, é de um dos muitos projetos musicais de Helena Fagundes, o Ex Naive. Helena é amiga de longa data de Cris Siqueira e também assina a edição de som de Monga.


OS ROCKS

Voltando à Helena Fagundes, ela é metade do projeto Clementine [a outra é a portuguesa Shelley Barradas]. As duas enquanto Clementine assinam a veloz "Ape Girl", pós punk à la Sonic Youth que serve de aviso para os perigos da Monga, afinal de contas ela definitivamente não é uma garota como outra qualquer.


"Go Monga" tem a mesma sonoridade de “Ape Girl”, mas sua letra é delirante e trash como um filme de terror B dos anos 1950. Fruto de encontro de amigos em um estúdio em Mogi das Cruzes, “Go Monga” é Eliane Testone [Repentina], Helena Duarte e Danilo Sevali [Hierofante Púrpura} e a própria Cris Siqueira expandindo musicalmente a mitologia da Monga.


Enquanto isso, "Lowland Gorila", de Jordan Davis [Space Raft/Mystery Girls], é a que dá o tom predominante dessas histórias de muitas Mongas. Tem algo de romântico, um tanto de nostálgico, pitadas de lamento, mas principalmente delicadeza nas quatro diferentes versões de "Lowland" presentes no filme.


Outras duas músicas não inéditas estão entre os rocks: "Walt Disney Jr", da Scrimshaw, parece que veio de uma animação underground e casa perfeitamente com o clima da Monga; já "Just What You Need", do Resist Her Transistor [uma das bandas que Cris fez parte nos EUA], é outro punk rock como manda o figurino, rápido e cru.



E O FUNK

Por ultimo, o inusitado hit da trilha: "Calma Monga", ou o encontro de uma das rappers brasileiras, a paulistana Lurdez da Luz, com um veterano produtor do funk carioca, o DJ Zé Colméia. Sob a batida de um pancadão clássico, Lurdez encarna duplo papel, tanto de funkeira bilíngue quanto de mestre de cerimônias do espetáculo.


EXIBIÇÕES DE MONGA

CineSesc [Rua Augusta, 2075]
dia 18, 21h - Exibição do filme + bate papo de Cris Siqueira com a jornalista Renata Simões

Matilha Cultural [Rua Rêgo Freitas, 542]
dia 20, 19h - Festa de lançamento
dia 21, 20h
dia 22, 19h
dia 23, 19h

quinta-feira, 24 de março de 2016

histórias do rap nacional, a série

totalmente ótima a primeira temporada de histórias do rap nacional, série em seis episódios escrita e comandada por ronald rios e exibida pela tv gazeta [ora veja só você, a gazeta]. apesar de errar em alguns poucos insights pessoais sobre o rap, nacional e gringo, ronald se mostra sempre atento e entusiasmado com o tema e colocou no ar um belo panorama histórico e atual sobre o gênero [majoritariamente em são paulo].


ronald e leandro, que ganhou um episódio totalmente 
dedicado ao seu alter ego emicida 

segue a lista da turma que aparece em cada episódio e, na sequência, todos os seis episódios numa mesma playlist de youtube.

episódio 1: rashid, tássia reis, rincon sapiência, bitrinho, lurdez da luz, lívia cruz, haikaiss, síntese, drika barbosa e rodrigo ogi

episódio 2: pepeu, thaíde, max b.o., dmn, gabriel o pensador, kamau e rappin hood

episódio 3: emicida

episódio 4: kl jay, edi rock, dj nyack, dj cia, wzy, dario, skeeter, dj hum e daniel ganjaman

episódio 5: rzo, rael, msário, sampa crew, de menos crime, gog, ndee naldinho, dbs, xis, renan inquérito e rico dalasam

episódio 6: criolo, rinha dos mcs, dj dandan, redniggaz, kauan, bivolt mc, flow mc, dj colorado, tvs, helibrown, marcelo gugu, guilherme treeze e matheus mc

sexta-feira, 21 de março de 2014

raps, pontes e overdrives

as amigas e colegas de trabalho laíssa barros e renata assumpção tem um site chamado 'era segunda e não tinha sorvete' e pouco tempo atrás me chamaram pra colaborar com uma seleção musical. acabei fazendo uma seleta de raps contemporâneos, de clipes de rap pra ser mais exato, que segue agora também aqui no esforçado.


lurdez da luz em show na casa do mancha

raps, pontes e overdrives

não é de hoje e não é novidade, mas também não custa repetir: o rap é a música mais forte, política, variada, pulsante, inclusiva e com mais cores de todos os gêneros dos últimos tempos (no brasil e no mundo). aqui vai uma uma amostra grátis exclusivamente brasileira – tem gente de são paulo, claro, mas também de fortaleza, rio de janeiro e são josé dos campos – e muito atual.

“doce dose”, don l & leo grijó
“equação”, síntese
“ela é favela”, aláfia & lurdez da luz
“beijo de judas”, kayuá
“caminho”, rael
“quartinho obscuro”, flow mc

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

50 músicas brasileiras de 2013 e um p.s.

dezembro é aquela coisa. listas e balanços, balanços e listas. a retrospectiva aqui no esforçado começa com a de músicas brasileiras e 2013 foi mais um ano sensacional pros lados de cá. como é de costume tento traçar um largo panorama do que ouvi durante o ano - aqui nós é da inclusão, tá ligado? -, mas é claro que ficam coisas de fora e claro que poderia acrescentar mais duas ou três músicas de determinados discos. só que a vida é escolhas, né não? engole o choro e vai...

agora, reparem o seguinte... boa parte da lista é formada por raps, gênero que tem sido o mais ousado, inquieto e variado nesse começo de século no brasil. são manos e minas rimando sobre tudo, sem medo de arriscar e misturar. um desses raps é, muy provavelmente, a música mais bonita desse ano e desde já um clássico: "crisântemo", do emicida. do lado da, digamos assim, mpb destaco a lindíssima, sambística e experimental "sim", de cacá machado, registrada num dueto arrepiante de elza soares e zé miguel wisnik.



aláfia - “ela é favela”
amiri - “trinca”
andreia dias -“brisa tropicana” [part. criolina]
anitta - “show das poderosas”
bárbara eugênia - “roupa suja” [part. pélico]
bruno morais – “insomnio y palabrería” [part. 3 cruzeiros]
bruno souto - “dentro”
cacá machado - “sim” [part. elza soares e zé miguel wisnik]
catarina dee jah - “intercumbia”
cérebro eletrônico - “não bateu nosso santo”
cícero - “duas quadras”
criolo - “duas de cinco”
dj dolores - “álcool” [part. isaar frança]
do amor - “mindingo” [part. lucas santtana]
don l - “cafetina seu mundo”
edi rock - “negro cantou” [part. don pixote]
emicida - “crisântemo”
gang do eletro - “só no charminho”
garotas suecas - “a nuvem” [part. lurdez da luz]
gasparzinho - “vai no cavalinho”
iara rennó - “outros tantos”
joão rosseto - “pagando pra ver”
juliano gauche - “amor do capeta”
karol conká - “sandália” [part. rincon sapiência]
lívia cruz - “sei quem eu sou” [part. karol de souza]
lulina - “lua vazia”
lurdez da luz - “ping pong”
luz marina - “paisagem”
marcelo d2 - “fella” [part. shock, batoré e akira presidente]
marcelo jeneci - “de graça”
mc garden - “isso é brasil”
mc guimê - “país do futebol” [part. emicida]
mc tipocki - “quero bunda”
meno del picchia - “vou pro pará”
momo - “uu”
ná ozzetti - “lizete” [part. kiko dinucci]
rael - “o hip hop é foda”
rodrigo amarante - “maná”
ruspo - “chatuba do agroboy”
síntese - “equação”
slim rimografia - “limpe seu próprio quintal”
sombra - “piada cabeluda”
submarinos - “trampolim”
thiago frança - “caso do bacalau” [part. kiko dinucci e rodrigo ogi]
tono - “tu cá, tu lá”
trio eterno - “saí descalço”
tropkillaz - “morena” [part. nave]
vanguart - “olha pra mim”
verônica ferriani - “estampa e só”
zulumbi - “babe, eu vou bombar”

p.s.: depois de fechar a lista saíram os clipes de "beijinho no ombro" de valesca popozuda e "bai bai" de jaloo, duas músicas que tinha esquecido de colocar na lista. e teve outra música sensacional que não tinha ouvido, passei batido geral, mas que apareceu aos 49 do segundo tempo e senti que precisava deixar o registro. é "bigode grosso" da mc marcelly (aqui num remix à la trap music).





quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

yahoo #58

acabei usando minhas listas retrospectivas em duas colunas no yahoo: a de 10 músicas e essa de 6 clipes. tudo nacional, tudo nosso. publicando essa de clipes aqui no esforçado encerro definitivamente 2012 e agora 2013 é o que importa. bola pra frente que tem muita coisa pra fazer.



O BRASIL DE 2012 EM 6 CLIPES

Semana passada rolou por aqui uma lista com 10 das melhores músicas brasileiras do ano como parte de uma retrospectiva que tenho feito no meu blog pessoal, o Esforçado. Agora é a vez de clipes, videoclipes, que de alguma forma resumem a excelente e sortida safra audiovisual nacional (e, não coincidentemente, são de ótimas músicas) bem como a descentralização de nossa produção.

“Legal e ilegal” (Felipe Cordeiro). A última década viu nascer no Pará uma pulsante geração de artistas populares: estrelas como Gaby Amarantos, eletrônicos como a Gang do Eletro e ligeiramente MPB como Aíla, Luê Soares e Lia Sophia. Felipe Cordeiro também é desse último grupo só que traz a tiracolo uma guitarra eletrizante e bastante humor (com um bigode daqueles, só podia). O clipe de “Legal e ilegal”, música do disco Kitsch Pop Cult, pega o humor, o balanço e as cores da trabalho do paraense e lhe dão uma forma de carrossel repleto de figuraças. Direção de Bruno Reggis e Carolina Matos.


“66” (O Terno). Prova clara que São Paulo também possui senso de humor, o primeiro clipe do trio liderado por Tim Bernardes, filho de Mauricio Pereira (Os Mulheres Negras), é uma montanha russa de boas ideias e achados visuais em pouco menos de 3 minutos. Sem falar que “66” é ótimo exemplo de uma união entre senso pop, pulso de rock e inteligência (a música que fala da própria situação da música hoje em dia). Direção de Marco Lafer e Gustavo Moraes.


“Carnaval no fogo” (doo doo doo). Que o Rio de Janeiro não é mais aquele do banquinho e violão todo mundo já está bronzeado de saber, mas UPPs e funks à parte, ninguém jamais imaginou uma invasão de zumbis em um bloco carnavalesco. Esse é um dos muitos acontecimentos do divertido e estranho clipe dessa marchinha rock psicodélica retirada do disco Casa das Macacas.


“Mi vida eres tu” (Vanguart). Por mais que clipes livres, nonsense ou de colagens de imagens sejam ocasionalmente bacanas, nada como o bom e velho clipe com história, com roteiro. Ainda mais quando rola uma produção, elenco, etc. e tal. “Mi vida eres tu”, música do disco Boa Parte de Mim Vai Embora, é isso e ainda a muito bem filmada aventura romântica e violenta de um menino. É também o encontro do folk rock com a Jovem Guarda, Mato Grosso e São Paulo, o cool e o brega. Direção de Ricardo Spencer.


“Levante” (Lurdez da Luz). Uma das mais ativas vozes femininas no ultramasculino cenário rapper brasileiro, Lurdez tem aprontado das suas desde os tempos do Mamelo Sound System. Sua estreia solo em 2010 mostrou uma artista segura, engajada e bela (e com clipes ótimos como “Andei” e “Ziriguidum”). Neste ano, inquieta, começou a colocar novas sonoridades, mais eletrônicas, em sua rima e o primeiro resultado foi “Levante”, batidão politizado com clipe simples, bem iluminado e fashion. Direção de Ricardo Magrão.


“Sangue é champanhe” (Don L & Flora Matos). Já falei do cearense Don L aqui no meio do ano (“A hora e a vez do rap nordestino”), mas de lá pra cá ele lançou o mais interessante e belo clipe do ano. A música, que traz participação da brasiliense Flora Matos, fala de diversões, vida e morte, encantamentos e a volatilidade dos afetos. Enquanto isso, o clipe alterna imagens de moças muito nuas, viagens, comidas e shows, muito diferente do que se imagina em um vídeo de rap. Atenção: não recomendável para ambientes de trabalho e moralistas de plantão. Direção de Autumn Sonnichsen e Erica Gonsales.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

elas por elas

estreou na quinta passada um programa bem bacana no canal brasil. cantoras do brasil é uma série em 13 episódios com uma ótima seleção de jovens cantoras (e uma atriz) homenageando um time da pesada de intérpretes clássicas, tudo muito bem filmado, bem tocado e com boa curadoria. foi a deixa pro meu terceiro vídeo-reportagem pro site da istoé, o primeiro no qual apareço (tímido, encurvado, malsaê) entrevistando lurdez da luz, luisa maita e blubell (que cantam, respectivamente, nara leão, elis regina e sylvia telles). achei que fiquei bom.




durante a espera e um pouco antes do início da conversa tirei algumas fotinhas. e foi coincidência (acho) que apareceram mulheres em todas.





ah, e o primeiro episódio, com tulipa ruiz cantando dalva de oliveira (a versão de "fim de comédia" é particularmente foda), já pode ser visto no site oficial do programa.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

yahoo #43

coincidência boa que na semana que estive em fortaleza por motivos familiares saíram sons novos do meu conterrâneo don l, vocalista do grupo costa a costa, e o disco de estreia dos baianos d'oquadro. era o nordeste me chamando atenção mais uma vez e saiu esse "a hora e a vez do rap nordestino". já o texto mais recente no yahoo, "fã, essa coisa louca", trata do quebra-pau virtual envolvendo o tributo à legião urbana com o ator wagner moura fazendo os vocais.


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A HORA E A VEZ DO RAP NORDESTINO

Uma das muitas coisas boas da democracia digital é que produção de qualidade (se é boa ou ruim de fato é outra história) não é mais sinônimo de ter que se mudar de mala e cuia para o Eixo Rio-São Paulo. Daí que mais gente, vozes e sotaques são ouvidos, principalmente em um país tão grande e diverso como o nosso, e todo mundo sai ganhando, pode acreditar. Mas por exemplo, o rap é um dos gêneros musicais que vem amadurecendo mais rapidamente no Brasil e na última década uma nova geração apareceu com força (Emicida, Lurdez da Luz, Criolo, Kamau, Ogi, Savave, Karol Konká, tanta gente). E é interessante de ver e ouvir que o Nordeste também vem contribuindo para esse amadurecimento.

Lembro agora de memória dos pernambucanos Zé Brown e Inquilinus (mas acho que o grupo acabou), dos cearenses RAPadura Xique-Chico (ver e ouvir video abaixo) e Costa a Costa e dos baianos Risco 88 e OQuadro, mas tem gente da Paraíba, do Rio Grande do Norte, etc. No entanto, a deixa para essa coluna foram os lançamentos do disco de estreia d’OQuadro e das primeiras músicas do trabalho solo de Don L, o principal vocalista do Costa a Costa.

Comecemos com Don L, que já no Costa a Costa se mostrava um rimador diferente com jeitão de produtor e atento para sonoridades não usuais no rap nacional. Vida Premium é o nome de seu disco solo e dele saíram “Enquanto acaba” (com base de piano jazz, citação a Chico Buarque e participação da brasiliense Flora Matos) e “Cafetina seu mundo” (mais pesada, pop e com letra bastante atual).




“Perguntar o que tem do Ceará na minha música é perguntar o que tem do Ceará em mim. Tenho certeza de que encontrarão a alma de um cearense na minha música e acho mais interessante do que um chapéu de palha. No Criolo, por exemplo, que é filho de cearenses, percebo uma melancolia tipicamente cearense nas letras, uma coisa que você pode ver nos primeiros discos do Belchior por exemplo. Não sei se tenho isso. Talvez sejam outras características cearenses, as minhas. Não sei dizer. Sei que não forço. Não me importo. Me interesso por coisas do mundo todo, tanto quanto, ou até mais do que me interesso por coisas do Ceará. Por que motivo não poderia? Sou um cidadão do mundo. Agora uma coisa que não posso deixar de ser é cearense. Isso eu sempre serei, com todo prazer e orgulho”, disse Don L em conversa por email.

Já quando questionado sobre o que existe de Bahia no rap d’OQuadro, o baixista Ricardo Santana, ou Ricô, falou que “olhamos pro mundo a partir daqui, afinal é o lugar onde moramos. É a maior concentração de negros do mundo depois da África. É um estado onde a cultura pulsa numa diversidade infinita de ritmos, passando pela literatura, teatro, cinema e etc. Somado a isso temos grandes problemas sociais que se refletem nas desigualdades, na violência, nos lamentos e nas formas de celebrar desse povo. E tudo isso nos influencia direta ou indiretamente. Seria impossível afirmar que não sofremos influências de nomes como Os Tincoãs, Edgar Navarro, Adonias Filho, dentre outros tantos. As influências são muitas, mas não nos limitamos a elas. Na verdade não há fronteiras pra arte e hoje em dia grandes artistas podem surgir dos lugares mais improváveis, surpreendendo a todos e quebrando estereótipos. Mas cada estado, cada cidade, tem o seu contexto. Eles versam sobre as verdades deles, nós cantamos as nossas.”

Em ambos os casos, as raízes são importantes, mas não podem e nem devem prender. E o excelente disco OQuadro tem seus pés firmes no rap (tem participação de Lurdez da Luz, por exemplo), mas com rimas que ganham novos sentidos ao som de dub, samba, ijexá, afrobeat, jazz, afrosamba e o diabo a quatro. Essa multiplicidade (liberdade) de sonoridades, misturas, diálogos e sotaques de grupos ou artistas estão fazendo do Nordeste um dos lugares mais férteis para o rap brasileiro. Afinal, em se rimando, tudo dá.


p.s. 1: OQuadro é formado pelas vozes de Rans, Freeza e Jef, o guitarrista Rodrigo Dalua, o baixista Ricô, o baterista Victor Santana e o percussionista Jahgga.

p.s. 2: toquei no assunto da democracia digital em outro texto do Yahoo, “Faça você mesmo”.


esses papos com don l e ricô aconteceram no facebook e por email. seguem abaixo outras perguntas e respostas que não entraram no texto do yahoo.

DON L

qual a diferença do rap do don l? existe essa preocupação (em soar diferente)? e qual a diferença entre teu trabalho solo e no costa a costa?
não existe essa preocupação porque não existe esse problema. eu faço música pensando num conceito de álbum, em termos de produção e em termos de ideias sobre as quais quero falar. na verdade faço as músicas muito no instinto, só depois que tenho algumas prontas cai a ficha do álbum, do conjunto da obra. daí pra frente as coisas ficam mais claras, e as músicas vêm mais ainda dentro do conceito que começa a se desenvolver pro disco na minha cabeça. mas é muito natural porque a música é só uma forma de expressar minha busca e minhas experiências com o mundo, comigo mesmo, e a relação entre as duas coisas. minhas aspirações, meus amores, meu ódio. minha versão da vida em 2012. na mixtape do costa a costa, em 2007, o momento era completamente diferente. mesmo musicalmente, se em 5 anos você não vier completamente diferente, não é verdadeiro, você parou no tempo, ou tá tentando repetir uma fórmula. eu não uso livros de receita.

o que você acha do rap feito fora do eixo rio-sp? como você se encaixa nele? o que tem de mais interessante?
acho que não existe mais uma característica de escola de acordo com o local de onde vem a música. as diferenças que você pode classificar por cidade, são muito mais mercadológicas. mas se a música que você faz tem o que ela precisa ter pra estar entre o que é considerado relevante e influente nacionalmente ou até internacionalmente, mais cedo ou mais tarde ela vai chegar a esse ponto. acho que nesse momento sou um artista relevante e influente pro rap brasileiro. mas isso não quer dizer retorno financeiro. quer dizer que você conseguiu alguma visibilidade por mérito do seu trabalho. hoje você pode chegar a esse ponto sem ir pro eixo. a partir daqui, a partir desse ponto, já é outra história. gosto muito de flora matos que é de brasília, e karol konká que é de curitiba, mas estão no sudeste agora. alguns que considero promessas são gasper, de goiânia, zudzilla, de pelotas, e risco 88 de salvador. mas tem muitos outros, não sou o cara mais bem informado, tô muito concentrado no meu próprio disco a um bom tempo.

RICÔ (OQUADRO)

qual a diferença do rap d'oquadro? existe essa preocupação (em soar diferente)?
o rap é um gênero musical onde cada artista, cada grupo, faz de seu jeito, de acordo com suas experiências de vida, com suas influências e referências culturais. isso torna o rap rico e diversificado. com oquadro, ainda podemos somar o fato de ser feito com instrumentos convencionais, o que torna, naturalmente, o nosso rap mais orgânico. mas nada disso foi premeditado ou programado para soar diferente. nossa música é resultado dos recursos e dos acessos que tínhamos até então. hoje, depois da obra pronta, podemos perceber nessa estética que criamos uma série de conceitos interessantes. mas tudo isso vem acontecendo espontaneamente.

o que você acha do rap feito fora do eixo rio-sp? como vocês se encaixam nele? o que tem de mais interessante?
quando começamos a nossa caminhada, ainda enquanto adolescentes, lá pelos meados dá década de 90, os únicos grupos que faziam rap e que tínhamos acesso no brasil, eram do rio, são paulo e de brasília. agora estamos no século 21, onde as informações estão aí pra quem busca. grandes artistas podem surgir dos lugares mais improváveis, surpreendendo a todos e quebrando estereótipos. agradecemos a mrn, câmbio negro, athalyba e a firma e etc., por nos influenciarem. a identificação foi e sempre será muito grande. mas, cada estado, cada cidade tem o seu contexto.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

letra/música #26

foi no vídeo de uma festa que conheci a música "carregar". quer dizer, não sabia seu nome, nem de onde vinha e quem cantava (mas as vozes eram familiares e deviam estar próximas porque a festa aconteceu em são paulo). coloquei os versos do refrão no twitter e perguntei, vai saber... não demorou nada pra ter uma resposta e logo de uma das autoras-cantoras, nada menos que lurdez da luz. era uma parceria dela, uma das melhores cantoras e rappers dos últimos tempos e figura recorrente aqui no esforçado, com marietta vital, também conhecida como massarock e a principal voz feminina da cena dub-reggae de são paulo (foi integrante dos grupos afetos e rockers control). 

coincidentemente, as duas lançaram seus excelentes discos de estreia em 2010 e entre mil e um projetos pessoais escreveram "carregar", o primeiro fruto de um projeto chamado mercúrias. a produção é do especialista victor rice (que tocou uma versão mais adubada de "carregar" naquela festa do video). música linda, política e amorosa. confere aí, letra e música.


marietta e lurdez na festa take a ride #6, dezembro de 2010

carregar
(lurdez da luz e marietta vital)

o amor não escolhe cor nem endereço 
não avalia se eu mereço ou se eu deixo a desejar
não escolhe crença, cultura, integra a gente 
mistura e no meu peito 
é o que eu quero carregar (2x)

falo por aqueles que num tem pra onde voltar
que sempre vão seguir sem saber onde vai dar
que pra longe vão ir mas nunca vão chegar
a fincar raíz em terra própria
a história tá gravada na nossa matiz, diz
atravessa a pele é tatuagem cicatriz,
raíz é pé é coração, é mente sã
é retina cristalina sem ter medo do amanhã
inevitável, inexorável, bota cimento e tijolo sobre o vento favorável
invisível é o próximo nível
rude boyz and girls de alma sensível
vão chegar lá

supercapitalismo radical ianque
capaz e perspicaz de atropelar de tanque
raízes e culturas, diversas nuances,
onde mora a origem, onde funde o sangue
amortecimento chega até a própria alma
que esqueceu sua morada de certeza e calma
sentiu quem sabe um dia o impulso, o choque,
mas hoje num arrepia quando ouve o toque

o amor não escolhe cor nem endereço
não avalia se eu mereço ou se eu deixo a desejar
não escolhe crença, cultura, integra a gente, 
mistura e no meu peito
é o que eu quero carregar

atravessa a pele é tatuagem cicatriz,
raíz é pé é coração, é mente sã
é retina cristalina sem ter medo do amanhã
inevitável, inexorável, bota cimento e tijolo sobre o vento favorável
invisível é o próximo nível
rude boyz and girls de alma sensível
vão chegar lá

o amor não escolhe cor nem endereço
não avalia se eu mereço ou se eu deixo a desejar
não escolhe crença, cultura, integra a gente, 
mistura e no meu peito
é o que eu quero carregar (2x)

marietta e lurdez, as mercúrias, em 2014

atualização em 20 de abril de 2015: sim, três anos depois dessa postagem saiu finalmente uma versão oficial dessa lindeza permanentemente atual e agora acompanhada de uma versão instrumental adubada por victor rice.

sábado, 17 de setembro de 2011

pra desanuviar

depois de uma semana de muitas emoções - jornalistas musicais em chamas, yahoos de ontem e hoje, a estreia do gafieiras no mundo das twitcams e mais um fechamento da monet -, saio de férias. darei notícias e continuarei ali pelas quebradas do twitter e facebook, porque não consigo ficar longe. quem sabe até coloco nesse meio tempo umas descobertas, umas imagens, videos, sei lá. mas por enquanto tiro o pé do acelerador, abro a janela... porque nesse setembro eu resolvi fazer algo de diferente... resolvi ir para o litoral gaúcho!


brincadeira. "a última estrada da praia" é a faixa que encerra o excelente e instrumental música pra ouvir sentado (independente, 2011), de arthur de faria e seu conjunto, e foi originalmente feito para a trilha do longa a última estrada da praia, de fabiano de souza.

então... porque nesse setembro eu resolvi fazer algo de diferente... resolvi sair de rolê por pernambuco com um careca!


não é isso. "setembro" é música nova de junio barreto. tem disco novo aí pra chegar.

vamos lá, outra vez... porque nesse setembro eu resolvi fazer algo de diferente... resolvi cair no ziriguidum do mundo.


"ziriguidum" é mais um clipe e música fodásticos de lurdez da luz.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

3 mulheres, 3 línguas

um post rápido, musical, pra não deixar o blog abandonado em semana de fechamento da monet e coluna no yahoo. então reuni lurdez da luz, rihanna e zaz. brasil, barbados e frança. o de lurdez, em parceria com o grupo aláfia, é de hoje. "ela é favela" foi produzido pela df5, distribuidora de filmes digitais e gratuitos ligado ao coletivo fora do eixo.

Lurdez Da Luz e Alafia - Ela É Favela from DF5 - Distribuidora de Filmes Fo on Vimeo

já rihanna é estrela internacional e autora de um gigantesco hit ("umbrella", do ótimo good girl gone bad, de 2007), mas tinha perdido as esperanças nela depois de um disco muito ruim (rated r, de 2009). tanto que nem ouvi loud (def jam, 2010) até o bruno natal falar dos ares jamaicanos do clipe e da música "man down".



a francesinha isabelle geffroy, ou zaz, é nova no ramo e estreou ano passado no disco zaz (play on/sony, 2010). uma coisa meio jazz, meio pop, meio tudo. mas com uma música bonita como essa "la fée" nem é preciso correr atrás de rótulos, né?


sábado, 30 de abril de 2011

fique atento! criolo no microfone!

só se você esteve fora do ar na semana. só assim pode não ter cruzado com alguma coisa-notícia-dica relacionada ao paulistano criolo e seu segundo disco, nó na orelha, que foi liberado para download gratuito pelo próprio (agora em maio saem as versões em cd e vinil). se você não ouviu nada a respeito fique atento porque logo vai ter gente aí do seu lado falando que é o disco do ano, que o cara detona, numa corrente daquelas que vira onda grande, unanimidade surpreendente e nada burra. fique atento!

alguns meses atrás um dos produtores do disco, daniel ganjaman colocou em seu soundcloud três aperitivos do disco: o rap forte "grajauex", a balançante e malandra "subirusdoistiozin" e a soul "não existe amor em sp". aí já deu pra sacar que um dos comandantes da lendária rinha dos mcs de são paulo, e que em 2006 estreou com o convencional ainda há tempo, tinha mudado. o rap continuava ali nas suas músicas, mas de repente aquele rap era uma canção! com cara de clássico, "não existe amor em sp" é um bom exemplo de que o tema da cidade, tão caro ao rap, está ali, mas sob violinos, batidas e sentimentos soul. quando as outras sete faixas de nó na orelha caíram oficialmente na rede no início da semana, a variedade de caras e sons de criolo se mostrou ainda maior e melhor (com ajuda de ganjaman e marcelo cabral, do trio marginals, o outro produtor). escuta só o disco todo aí embaixo e me diz se estou mentindo.

Criolo - Nó Na Orelha by PoesiaRitmada

o disco começa com "bogotá" em ritmo de afrobeat, mas tem afrosamba em "mariô" (parceria com kiko dinucci), reggae adubado em "samba sambei", bolerão setentista em "freguês da meia noite", mais rap em "sucrilhos", orientalidades em "lion man" e o sambão divertido "linha de frente", com direito a uma turma da mônica do asfalto. sem parecer esquizofrênico, e muito menos oportunista, a variedade de vozes e ritmos de criolo é toda natural, absolutamente autêntica, fazendo de nó na orelha um microcosmos de achados e possibilidades para o rap e a canção brasileira. são as coisas que se ouve saindo do jeito que se sente. e sem as amarras de um gênero. afinal, quem disse que um rapper não pode fazer um bolero?

mas essas dez faixas são apenas um pedacinho de sua produção. parece que o sujeito está compondo como quem respira. então separei aqui videos de outras músicas. começando com uma homenagem a "cálice", aquela mesmo cantada por chico buarque e milton nascimento.



ou então "pra quê cerol?", numa versão ao vivo, rap meio punk e meio jazz com participações de lurdez da luz e os marginals.



e encerrando com a nordestina "lantejoula", dedicada aos seus pais cearenses (e como meus pais, como eu, também são cearenses, aproveito e dedico também a eles).



e o sujeito tem uma presença de palco que vou te falar...

p.s.: vale ler as resenhas do camilo rocha no bate estaca e a do velot wamba na + soma, e a reportagem do pedro alexandre sanches.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

12 músicas e um segredo

o rodrigo salem fez o convite na semana passada com uma ideia simples e ótima: uma mixtape, ou coletânea, com 12 das melhores canções de 2010 (nacional e internacional) e uma faixa-bônus-segredo. como estava preparando uma lista para a rolling stone brasil as músicas já estavam meio que certas e entreguei rápido, mas só quando o salem subiu o projeto na segunda fui ver quem mais tinha sido chamado. gentes finas como @carolnogueira, @stefaniegaspar, @babee, @diegomaia, @pablomiyazawa e @flaviadurante, tudo boa companhia.

de resto, o ano foi muito bom, como todos os últimos, e muita coisa legal ficou de fora da minha 12 músicas e um segredo, mas nos próximos dias postarei listas mais inclusivas de discos e canções nacionais e internacionais. por enquanto, escuta só...

01. “oxe, como era doce”, baiana system
02. “felicidade”, marcelo jeneci [part. laura lavieri]
03. “voices”, blundetto [part. hindi zahra]
04. “tudo cabe num beijo”, seu jorge & almaz
05. “fm tan sexy”, el guincho
06. “ziriguidum”, lurdez da luz [part. rodrigo brandão]
07. “tightrope”, janelle monáe [part. big boi]
08. “brocal dourado”, tulipa ruiz
09. “miss fortune”, aloe blacc
10. “todo esse tempo”, bnegão
11. “ek shaneesh”, das racist
12. “monster”, kanye west [part. jay-z, rick ross e nicki minaj]
13. o segredo

download AQUI.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

um sorriso dub, um abraço dub

gente bonita, clima de paquera, alguma fumaça e muito dub na periferia de são paulo com o mestre jah shaka, victor rice, buguinha dub e quilombo hi-fi. destaque para o ótimo trabalho de câmera e a edição carinhosa do pessoal do midiadub.

Outubro Independente - Jah Shaka from midiadub on Vimeo

e se alguém souber que música é essa que toca a partir dos 4:50 (e de quem é, claro), por favor, deixe um recado aí. tentei procurar pelos versos lindos do refrão: "o amor não escolhe cor nem endereço / não avalia se eu mereço / ou se eu deixo a desejar".

atualização: perguntei lá no twitter sobre essa música e tive rapidamente a resposta de uma das autoras, ninguém menos que @lurdezdaluz, que disse ser uma música nova feita em parceria com massarock. na espera então para ouví-la na íntegra.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

um pé após o outro

enfim, o primeiro (e ótimo) clipe do disco lurdez da luz (independente, 2010), estreia da cantora que é o lado feminino do mamelo sound system. filmado no centro de são paulo, o video tem participação da rapper stefanie e foi dirigido por joão solda.



e tem muitas fotos dos bastidores da gravação no flickr de tales sad.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

compactando músicas

o videocast compacto é, sem sombra de dúvida, uma das melhores coisas que apareceram na internet brasileira nos últimos tempos. ótimo conceito, grandes encontros, bela produção. já tinha colocado aqui a dobradinha gaby amarantos e catarina dee jah, mas antes tinha rolado siba e cidadão instigado e sempre no mesmo esquema: dois blocos, alguma conversa entre os artistas e duas músicas em versões inéditas (uma de cada artista). a versão de "alados" (siba, dengue e lúcio maia) é de chorar de tão bonita - essa música foi lançada no disco toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar (ambulante discos, 2007).



e acabou de ser colocado na rede o primeiro bloco do terceiro programa da série com o encontro da rapper lurdez da luz (mamelo sound system) e o músico kiko dinucci (acompanhados pelo dj makoto). desse bloco saiu uma excelente versão de "ziriguidum", uma das melhores canções do primeiro trabalho solo de lurdez. o refrão é ótimo: "seu ziriguidum / encaixa bem com o meu / o que é bastante incomum / nem é só mais um / mas vai com calma / que meu corpo não é de adamantium" (para quem não sabe, adamantium é o nome de uma "liga metálica indestrutível" e fictícia que reveste os ossos do personagem wolverine).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

mãos na massa

acabei de ver um novo clipe a sair do disco na confraria das sedutoras (deckdisc, 2008), o primeiro registro em disco do projeto 3namassa (pupillo, dengue e rica amabis). desde que foram lançadas no início de 2008, as 13 faixas do disco já renderam 3 clipes, muitos shows e uma participação no dvd mtv apresenta: sintonizando recife (universal, 2008). "o objeto", com nina becker, é o quarto (e ótimo) video, então aproveitei para colocar juntos dos anteriores acompanhados de mais dois bônus. vamulá.

primeiro, a carioca nina becker, também vocalista da orquestra imperial, em "objeto", que tem letra do pessoal do mombojó.




a atriz karine carvalho faz a voz de "tatuí", com letra de seu marido (o hermano rodrigo amarante), em clipe com participação de joão miguel.




outra das vozes da orquestra imperial, thalma de freitas canta "enladeirada (o seu lugar)", que tem letras de jorge du peixe.




outra atriz, leandra leal, fala em português e francês na vinheta "certeza", faixa que abre o disco.




bônus 1. lurdez da luz, do mamelo sound system, manda suas rimas em "sem fôlego", com o bróder junior boca na guitarra.




bônus 2. pitty encontra com os versos de lirinha em "lágrimas pretas", uma das faixas do dvd mtv apresenta: sintonizando recife.