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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

yahoo #57

desdobramento estratégico da lista de melhores músicas brasileiras do ano publicada aqui, a coluna da semana passada no yahoo foi uma selecta de dez canções que imaginei serem interessantes para mostrar pro leitor de lá. qual não foi minha surpresa quando começaram a rolar vários comentários detonando o gosto dessa "estagiária ridícula"!? o yahoo é isso, um pescotapa no ego.



10 MÚSICAS QUE VOCÊ DEVERIA TER OUVIDO EM 2012

Fim de ano é tempo de listas, só que dessa vez resolvi fazer algo diferente. Separei 10 músicas brasileiras da lista de 50 que publiquei no meu blog pessoal, o Esforçado. Não porque sejam melhores que as outras 40, mas por serem ótimos exemplos para os comentaristas apocalípticos aqui do Yahoo! que a música brasileira anda muito bem, obrigado. Quem só consome música através de TV e rádio pode até achar que o país anda “perdido”, na mesma. Não existe muita oferta mesmo. É que as coisas do mundo estão na internet, minha nega. Basta ter um pouco de curiosidade. Escuta só.

Lado A – O coração

1) “Se assim quiser” (Mahmundi)


Mahmundi é pseudônimo do trio liderado pela cantora e compositora Marcela Vale, carioca de 25 anos. “Se assim quiser” está em seu trabalho de estreia, o EP Efeito das Cores. Tecladinhos saídos diretamente dos anos 1980 se juntam docemente com programações eletrônicas em clima de fim de tarde. E Marcela só cantando coisa boa de fazer. Autoajuda deveria ser assim.

2) “Alegria da gente” (Alvinho Lancellotti)


Filho do compositor Ivor Lancellotti, parceiro de bambas como João Nogueira, Paulo César Pinheiro e Leci Brandão, Alvinho começou a cantar e mostrar suas músicas no grupo Fino Coletivo e só agora estreou solo em O Tempo Faz a Gente Ter Esses Encantos. O título do disco, aliás, é um dos versos de “Alegria da gente”, sambinha espertíssimo, moderno e tradicional, que só poderia ter sido feito sob o efeito da alegria solar do Rio de Janeiro.

3) “Areia fina” (Letuce)


Em quase todas as músicas do Letuce quem canta lindamente é Letícia Novaes, mas esta, especialmente, traz os vocais do guitarrista Lucas Vasconcellos, parceiro de Letícia de música, vida e vice-versa. Música de Manja Perene, segundo disco do casal carioca, “Areia fina” é um rock cheio de climas sobre as descobertas, algumas doloridas, do amor.

4) “A carta de amor” (A Banda dos Corações Partidos)


Marchinha dramática sobre amores perdidos, “A carta de amor” é também uma ótima porta de entrada para o som desse grupo de Aracaju, Sergipe. Tem também brega na mistura, fator recorrente na nova música feita no Norte-Nordeste, e a ótima voz de Diane Velôso.

5) “Poder da sedução” (Dona Onete)


Do alto seus 73 anos, a cantora paraense costuma ser comparada a Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus e Omara Portuondo, mas em seu disco de estreia (Feitiço Caboclo) é possível ouvir todo seu brilho próprio. Dona Onete passeia por carimbós maliciosos como “Jamburana” e lindas baladas bregas como essa “Poder da sedução”, que é também tango com pitadas eletrônicas em meio a lamentos de cabaré amazônico.

Lado B – Os quadris

1) “Pode para” (Flow MC)


Uma das revelações do jovem rap paulistano, Flow MC é também um dos organizadores da tradicional Batalha de MCs do Santa Cruz e “Pode para” está em sua terceira mixtape, SensaFLOWnal. Os samples de “Abrigo de vagabundos” (Adoniran Barbosa), em gravação do Demônios da Garoa, são apenas o começo de um surpreendente e novo cruzamento de rap com samba (paulista). E o sujeito ainda possui humor e um fraseado afiadíssimo.

2) “O mundo (Panela de pressão)” (BNegão & Os Seletores de Frequência)



Nove anos separam a estreia solo de BNegão em Enxugando Gelo deste recente e igualmente ótimo disco Sintoniza Lá. Entre muitas canções cheias de suingue e politização destaque para “O mundo (Panela de pressão)”, uma mistura de funk, rap, rock e afoxé sobre as encruzilhadas desse mundão grande sem porteira.

3) “Afoxoque” (Curumin, com participação de Russo Passapusso)


Música de Arrocha, um dos melhores discos do ano e o terceiro trabalho solo do multiinstrumentista, cantor e compositor paulistano. Influências africanas misturadas com programações eletrônicas dão o tom de uma poética e poderosa canção de protesto feita em parceria com Russo Passapusso, vocalista do Baiana System.


4) “Exu parade” (Otto)


Otto talvez seja o mais conhecido dessa lista, afinal começou no Mundo Livre S/A nos anos 1990 e depois construiu sólida carreira solo (dois anos atrás emplacou “Crua” em trilha de novela global). “Exu parade” está em seu quinto disco, The Moon 1111, e é uma pedrada das mais dançantes do cancioneiro do pernambucano. Pop, batuque, música eletrônica e celebração em alta velocidade.

5) “Piloto de fuga” (Maga Bo, com participações de Funkero e BNegão)


Disco de estreia do produtor americano que vive desde 1999 no Rio de Janeiro, Quilombo do Futuro é uma impressionante mistura de ritmos nordestinos, música eletrônica, africanidades e pancadões. Entre as muitas e ótimas faixas destaque para “Piloto de fuga”, uma prova da relevância e do poder sonoro do funk carioca. Sem falar na vontade louca que dá de sair dirigindo pela cidade (qualquer cidade, estrada).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

os 30 discos brasileiros de 2012 e algo mais

bem, a lista de melhores músicas brasileiras do ano já trazia indicações de quais discos ficariam entre os bonzões: as estreias de gaby amarantos, los sebosos postizos, maga bo, oquadro e alvinho lancelotti, e ainda curumin, tulipa ruiz, lucas santtana, letuce, gui amabis, siba e bnegão & os seletores de frequência. discos fortes, variados, alegres, melancólicos e, acima de tudo, repletos de ótimas músicas. mas acho que dois discos resumiriam o ano pra mim: arrocha, o terceiro do paulistano curumin, e treme, a estreia de gaby amarantos.


   
arrocha por seus cruzamentos surpreendentes e orgânicos do batuque afro-brasileiro com música eletrônica, e sem jamais esquecer a necessidade por canções, refrões, pegada, balanço, amor, experiências. e por músicas como “afoxoque”, “selvage”, “passarinho”, “treme terra”, “paris vila matilde”, “doce” e “pra nunca mais”, além da regravação linda de “vestida de prata” (paulinho boca de cantor, 1981) e da parceria com russo passapusso (baiana system).



treme por suas gigantescas possibilidades pop. gaby amarantos conseguiu um feito raro no brasil, pois é, ao mesmo tempo, hype e popularíssima (claro que isso não dura muito). seu disco de estreia, que começou a ser lançado no final de 2011 com o clipe de “xirley”, reúne fernanda takai e dona onete, thalma de freitas e zezé di camargo & luciano, zé cafofinho e veloso dias, kraftwerk e gang do eletro, todo um tsunami de altas e baixas culturas. ah, se um pedacinho da música pop mundial tivesse tanta informação como nas músicas cantadas por gaby... exemplos não faltam, vide “merengue latino”, “eira”, “gemendo”, “pimenta com sal”, “mestiça”, “coração está em pedaços”, “ex mai love”, “galera da laje” e “chuva”.

no mais, segue a lista completa:

alvinho lancelotti (o tempo faz a gente ter esses encantos)
caetano veloso (abraçaço)
café preto (café preto)
céu (caravana sereia bloom)
curumin (arrocha)
dona onete (feitiço caboclo)
dudu tsuda (le son par lui même)
gui amabis (trabalhos carnívoros)
hurtmold (mils crianças)
improvisado trio (interferências)
letuce (manja perene)
los sebosos postizos (interpretam jorge ben jor)
lucas santtana (o deus que devasta mas também cura)
maga bo (quilombo do futuro)
nina becker & marcelo callado (gambito budapeste)
oquadro (oquadro)
otto (the moon 1111)
paulo carvalho (o amor é uma religião)
rodrigo campos (bahia fantástica)
sambanzo (etiópia)
shaw (orquestra simbólica)
siba (avante)
silva (claridão)
síntese (sem cortesia)
thiago pethit (estrela decadente)
tom zé (tropicalismo lixo lógico)
tulipa ruiz (tudo tanto)

dessa lista gostaria de destacar ainda os excelentes e densos discos de rap do carioca-paulistano mc shaw (orquestra simbólica) e dos paulistas do síntese (sem cortesia, e ah, paulistas de são josé dos campos), bem como os novos trabalhos de uma turma muito produtiva de são paulo, bahia fantástica de rodrigo campos e metal metal, do trio juçara marçal, kiko dinucci e thiago frança. este último, saxofonista da banda do criolo, também lançou o belo instrumental etiópia sob o pseudônimo sambanzo (dinucci incluso). falando em instrumental, uma ótima surpresa foi interferências, disco de estreia do improvisado trio (marcelo castilha, meno del picchia e pedro ito). e pra finalizar, outras três estreias muito felizes, café preto (projeto adubado de cannibal do devotos do ódio), claridão (do capixaba indie silva) e le son par lui même (o multifacetado primeiro solo de dudu tsuda, que foi jumbo elektro, cérebro eletrônico, trash pour 4, etc). detalhe: os últimos discos a entrar na lista, tipo 43 do segundo tempo, foram abraçaço de caetano veloso e o extraordinário mils crianças do hurtmold.



MENÇÃO HONROSA - não tem como não falar de alguns ótimos tributos/coletâneas lançados no ano, destacando primeiro os que foram produzidos de forma independente, tais como o duplo re-trato los hermanos (com bárbara eugênia, cícero, dan nakagawa, hidrocor, lula queiroga, érika machado, nevilton, do amor, velhas virgens, tibério azul, banda gentileza, nervoso & os calmantes, etc.), o variadão brasileiros (com pélico cantando cartola, mahmundi de rita lee, bazar pamplona de dorival caymmi, etc.) e o muito excelente jeito felindie (tributo ao raça negra com lulina, amplexos, letuce, vivian benford, harmada, minha pequena soundsystem, etc.). menções honrosas também para o multinacional a tribute do caetano veloso (com beck, chrissie hynde, seu jorge, marcelo camelo, jorge drexler, céu, qinho, momo, tulipa ruiz, mariana aydar, etc.) e o projeto transglobal paraense terruá pará vols. 1 e 2 (com gang do eletro, gaby amarantos, mestres da guitarrada, lia sophia, dona onete, pio lobato, metaleiras da amazônia, etc.)

TEM MAIS SAMBA – nem preciso dizer que rolou muito mais coisa, portanto não custa nada mencionar outros discos interessantes/divertidos/desafiadores lançados neste ano e que passaram pelos ouvidos da casa. alguns emplacaram músicas entre as melhores do ano, mas acabaram não entrando na lista principal de discos. então, se não ouviu, ouça a banda dos corações partidos (a banda dos corações partidos EP), abayomy afrobeat orquestra (abayomy afrobeat orquestra), afroelectro (afroelectro), aíla (trelelê), amplexos (a música da alma), arnaldo antunes, edgard scandurra & toumani diabaté (a curva da cintura), banda uó (motel), beto mejía (abraço), bonde do rolê (tropical/bacanal), caio bosco (caio bosco), domenico & joão brasil (taksi EP), doo doo doo (casa das macacas), filarmônica de pasárgada (o hábito da força), flow mc (sensaflownal), fóssil (mocumentário), holger (ilhabela), jair naves (e você se sente numa cela escura…), kamau (... entre), laura wrona (r.h. volcano), madrid (madrid), mahmundi (efeito das cores EP), mão de oito (um dia que já vem), márcia castro (de pés no chão), marginals (marginals 2), marina de la riva (idílio), mr. catra (com todo respeito ao samba), o terno (66), orquestra contemporânea de olinda (pra ficar), orquestra imperial (fazendo as pazes com o swing), pentágono (manhã), psilosamples (mental surf), qinho (o tempo soa), rafael castro (lembra?), rogerman (o caminho do lobo), sasquat (alfazema), ska maria pastora (as margens do rio doce), sobre a máquina (sobre a máquina), sonic junior (inspire), strobo (quando se perde a inocência), tatá aeroplano (tatá aeroplano), trupe chá de boldo (nave manha), vítor araújo (a/b), volver (próxima estação) e zélia duncan (tudo esclarecido – músicas de itamar assumpção).

quarta-feira, 25 de julho de 2012

sonhos legais e ilegais

e os clipes nacionais não param de ser lançados. rolando um boom daqueles. e nessa terça, 24 de julho, saíram três ao mesmo tempo. “pra sonhar” é do disco de estreia de marcelo jeneci, de 2010 portanto, mas só veio à tona agora em forma colaborativa com um chamado na internet por imagens de casamento. o resultado é emocionante, música e clipe feitos na medida para fazer qualquer ouvinte-espectador beijar a lona diante de tamanha fofice.


daí vem felipe cordeiro com seu “legal e ilegal”, música de seu disco de estreia, kitsch pop cult (ná music), que foi lançado de forma independente no ano passado, mas tá ganhando mais divulgação por agora mesmo. a música é divertidíssima, tem uma letra tremendamente atual, e o clipe dirigido por brunno regis e carolina matos – com produção executiva de priscilla brasil – ficou a altura. sem falar nas participações de dona onete, manoel cordeiro (guitarrista pai de felipe), keila gentil (gang do eletro) e andré abujamra, o produtor do disco.


finalizando esse post, uma música-clipe novinho em folha. “alteração (éa!)” é do discaço sintoniza lá (coqueiro verde), o segundo e muy esperado disco de bnegão & os seletores de frequência, e ganhou esse clipe com cara de curta esperto dirigido por emílio domingos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

pará invade são paulo, outra vez

de volta ao lar depois de uns dias além mar (ooops, rimou) me preparo para assistir a segunda edição do terruá pará, cinco anos após o primeiro, e que acontece hoje e amanhã, às 21h, no auditório ibirapuera. quem passa por aqui sabe que o pará é uma das obsessões da casa (junto com rap, áfrica, documentários, a questã das drogas, política e por aí vai), tanto que já falei bastante de gaby amarantos, gang do eletro, waldo squash e maderito, alguns dos artistas que estarão no palco nestes dois shows. mas tem muito mais gente, de tribos, sons e gerações das mais diversas: solano, dona onete, manoel cordeiro, felipe cordeiro, félix robatto (félix y los carozos), sebastião tapajós, pio lobato, orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia, grupo charme do choro, carimbó uirapuru de marapanim, lia sophia, luê soares, paulo andré barata e edilson moreno. vou colocar aqui uma palinha do que são paulo pode esperar nestas duas noites potencialmente inesquecíveis. tem para todos os gostos e pode começar com a voz rascante, safada e poética de dona onete.



ou a jovem guitarrada de pio lobato (la pupuña/cravo carbono).



ou o brega sacolejante de edilson moreno.



ou o folclore vivo do carimbó uirapuru.



ou a versatilidade de lia sophia.



ou félix y los carozos que emprestou alguns de seus integrantes (o guitarrista félix robatto e o baterista adriano sousa, ambos ex-la pupuña) para formar a banda base para todo esse terruá.



ou a erudição de sebastião tapajós.



ou as canções de luê soares.



ou as muitas caras/sons de felipe cordeiro (e o pai manoel cordeiro).



ou o compositor paulo andré barata (de hits como "foi assim" eternizado pela conterrânea fafá de belém).



ou os eruditos-moleques da orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia.



ou o choro raiz das meninas da charme do choro.



ou o clássico brega solano.



além de, claro, gaby amarantos e a gang do eletro.