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sábado, 14 de maio de 2011

yahoo #05

15 dias passam depressa e cá está o texto da minha quinta coluna ultra pop. dessa vez os comentaristas não me xingaram, nem nada (tanto que foi o texto mais 'favoritado' via facebook entre todas as colunas até agora), porque simplesmente preferiram sair em defesa de chico césar, o secretário de cultura da paraíba, e sua política de valorização da música tradicional nordestina. é uma política interessante a dele, mas é conservadora também. sugeri um meio termo, mas ninguém deu bola, claro. enquanto isso, já tá rolando texto novo por lá, "chacrinha continua balançando a pança", um comparativo entre os programas de auditório de chacrinha e faustão.

puxe o fole, zé!

A PELEJA DO FORRÓ JUNINO

Forró é para todo mundo, certo? É música de todo dia para alguns, diversão para muitos e ganha pão de outros tantos. E não é exclusividade do Nordeste, afinal tem nordestino em tudo que é canto do mundo (é de Nova York, por exemplo, o excelente grupo Forró in the Dark). Mas durante o agitado período das festas juninas, o forró vira assunto sério na região, coisa de riscar a faca no chão mesmo. Tanto é verdade que nesse ano o gênero se viu em meio a uma polêmica que começou na Paraíba e se alastrou, por meio das redes sociais, Brasil afora. É que o secretário de cultura do Estado, o músico Chico César, declarou que o governo não pagará por grupos e artistas que “nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina”. Não foram citados nomes – o artista Chico César não cometeria essa indelicadeza com a classe -, mas bastou defini-los como “bandas de forró de plástico e grupos sertanejos” para o arraial pegar fogo.

Ficou uma coisa assim: forró pé-de-serra X forró eletrônico ou então arrasta pé X forró universitário, folclórico X comercial e assim por diante, com direito a presença do sertanejo-estranho-no-ninho bagunçando tudo. Teve gente incomodada com o Estado – esse bicho mau, sufocante e intrometido – escolhendo o que toca e o que não toca no “Maior São João do Mundo” em Campina Grande. Em entrevista ao jornal cearense O Povo, o músico Dorgival Dantas (do hit “Você Não Vale Nada”) declarou que a atitude do colega paraibano era “safadeza, falta de atitude, covardia e besteira”. Mas teve mais gente que soltou rojão a louvar essa defesa da música de raiz, incluindo o próprio governador da Paraíba e Waldonys, o sanfoneiro herdeiro da tradição de Luiz Gonzaga e Dominguinhos.



Acho interessante e corajosa a postura de Chico César de enfrentar pressões comerciais para ter uma festa “autenticamente nordestina”. Em nota oficial, o músico-secretário – cujo último disco lançado, Francisco, Forró y Frevo (2008), foi justamente uma visão nada ortodoxa de suas raízes – defendeu-se das críticas que distorciam sua declaração. Segundo ele, não existe nenhuma proibição por parte do governo de tocar artista X ou música Y, só que o erário público não pagará por isso. Quem quiser que pague. Afinal, as tais “bandas de plástico” e os sertanejos já tocam o ano todo, sem parar, nas rádios (que são concessão pública, sempre é bom lembrar). É muita vitrine! E ainda querem tomar a festa que se tornou o último refúgio de artistas populares/folclóricos como Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Livardo Alves e Pinto do Acordeon.

Mas não seria possível fazer uma ponte entre a tradição e a contemporaneidade, entre o popular e o pop? E misturar tudo nessa grande festa? Porque por melhor que a cultuada e tradicionalíssima Zabé da Loca seja (e é), sua música e sua poesia não dialogam tão facilmente com gerações mais novas. Outro tempo, outra velocidade, outro pique. Então não seria o caso de ter um Aviões do Forró ali no meio do furdunço chamando um público que de outra forma não conheceria Zabé, Pinto do Acordeon, etc.? A cultura popular é dinâmica e o que é “autenticamente nordestino” hoje não é o mesmo de 30 anos atrás, e a política do junto & misturado talvez seja a melhor saída para todos os forrós que existem.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

criatividade, objetivos e resultados

a fábrica de loucuras musicais do ceará não tem fim, não tem limites, não vê fronteiras. ontem fiquei sabendo via @chicobarney da banda amor real. eles acabaram de colocar na rede o clipe de "mamãe passou açucar em mim" (não, não é uma regravação daquele clássico do wilson simonal), uma superprodução com tomadas aéreas feitas por um helicóptero e a participação de duas panicats (?), juju e babi, em compreensíveis trajes sumários. vejaí que depois tomo fôlego e faço alguns comentários...



quer dizer, as loiras juju e babi, mais essa morena que deve ser da banda, com poucas roupas e salto alto em um terreno pedregoso que deve ser de uma futura represa ou mineradora ou sei lá o quê. é muita informação, isso é fato. quem canta é janaína alves e o rapaz que não teve a sorte da mãe passar açucar nele se chama léo cássio. todo mundo nesse terreno que fica nos arredores da cidade de araçariguama, "o portal do interior" (distante 45 km de são paulo). mas o que mais me impressiona não é o fato da música só ocupar metade do video - o resto serve para créditos de abertura e encerramento -, e nem do conceito com moças com pouca roupa dançando em um terrenão com tomadas aéreas, muito menos que o diretor do video se chame comandante hamilton. o que mais gosto nisso tudo - fora a música, que achei boa de verdade, divertida - é uma frase que aparece nos créditos finais e acho que resume bem a empreitada: "não adianta ter ideias super criativas se elas não estiverem alinhadas com os objetivos e gerarem resultados". taí uma verdade.

p.s.: ah, vale dar uma olhada nos bastidores da gravação do clipe feitas com o habitual espírito investigativo do tv fama.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

uns brasileiros, uns gringos e as cadelinhas

projeto manada é o grupo do mano oga mendonça. tive a honra de escrever o texto que apresenta o disco de estreia do caras, urbanidades (independente, 2008), uma das boas revelações do rap nacional nos últimos tempos. em um trecho escrevi - o texto, na íntegra, tá no myspace - que as treze faixas do disco "distribuem sopapos, reflexões, críticas, areia no olho e um tanto de carinho em rimas velozes. é que eles também sabem que a cidade é cheia de gente e tem muita gente boa por aí. cidade grande é assim, amor e ódio e não necessariamente nessa ordem. (...) é desse jeito que leco, macário, prizma e venom colocam novos tijolos na construção de um moderno rap brasileiro. porque rap é vida real, pulsante, um rio caudaloso cheio de vozes. aí chegam esses quatro paquidermes e colocam suas "patinhas" na água. pense nas ondas bagunçando a superfície. pense no barulho. projeto manada é mais, muito mais rimas, bumbo e caixa do que você imagina". e aqui segue a participação dos caras no programa radiola com a faixa "estouro".



já os cultuados americanos do vampire weekend fazem um indie rock cheio de camadas, e com algumas pitadas africanas, e estão prestes a lançar seu segundo disco, contra (xl recordings, 2010). "cousins", do clipe bacana logo abaixo, é a primeira música de trabalho. a estreia dos quarteto saiu em janeiro de 2008 e trouxe, entre outras, a excelente "cape cod kwassa kwassa".



pra encerrar com chave de ouro, o engraçadíssimo clipe de "melô da cadelinha", de outro quarteto, as apimentadas, filmado em pleno centro de são paulo. é forró eletrônico pra dar e vender, tá ligado? mas não vá achando que o clipe é uma puta idéia porque foi "inspirado" no video de "baby baby baby", dos franceses do make the girl dance (que, claro, é muito melhor, as garotas dublam a música e os transeuntes franceses não ficam causando por causa de umas peladas na rua - apesar que isso é uma graça bem brasileiro pro clipe).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

transversão #18

ah, muito obrigado soundcloud! agora posso voltar ao transversão depois de quase um mês que o goear.com me (nos) deixou na mão. e a volta é popular com P maiúsculo. conheci em 2008, na trilha do belíssimo filme chega de saudade, a música "você não vale nada" e foi lá, em interpretação alegre e intensa do mestre marku ribas, que soube que esse forró sacudido tinha sido composto por dorgival dantas, sanfoneiro potiguar radicado em fortaleza (uma outra música sua, "eu não vou mais chorar", entrou na trilha de o céu de suely em interpretação do aviões do forró). a música agora tá bombando porque entrou, via banda calcinha preta, na trilha da escalafobética novela caminho das índias. mas aqui você vai ouvir, primeiro a original, e depois a de marku. puxa o folé, zé!!!

dorgival dantas - você não vale nada by dafnesampaio

marku ribas & banda luar de prata - você não vale nada by dafnesampaio

p.s.: e clicando nessa setinha-pra-baixo, aí no canto direito do player, você pode baixar a música. e no youtube tem uma
divertida versão ao vivo, registrada em macaúbas (ba) em maio de 2008, com o próprio dorgival.

atualização em 7 de abril de 2011: a paulistana tiê, em seu segundo disco solo (a coruja e o coração), cometeu uma versão doce em ritmo de flamenco de "você não vale nada". escuta só.