foi lá no original pinheiros style que fiquei sabendo que o francês blundetto tinha soltado uma mixtape com pouco mais de 55 minutos repletos de lindos sons jamaicanos. também estão presentes algumas composições do produtor, como por exemplo um remix adubado da sensacional "voices", gravada originalmente em bad bad things (heavenly sweetness, 2010), e a novíssima "warm my soul", faixa que dá título ao segundo disco que está prestes a sair (o mais aguardado do ano pela diretoria). dá para ouvir tudo abaixo e no mesmo player é possível baixar a mixtape.
Voices Of Jamaïca by heavenlysweetness
intro with don camillo
"warm my soul" – blundetto with courtney john
"love" – junior delahaye
"i’m the one to blame" – john holt
"you just got to be in love" – boris gardiner
"lonely soldier" – gregory isaacs
"the race" – the gladiators
"mongo walk" – the in crowd
"you’re not good" – ken boothe
"won’t come easy" – seeny & the wailers
"be thankful" – donovan carlos
"lucky man" – courtney john
"we people"
– nicky thomas
"when the lights are low [blundedit] " – joya landis
"mr. wind" – ken boothe
"reform institue [version]" – gregory isaacs
"adis abab" – wackies all stars
"rocky road" – blundetto dubplate with don camilo
"voices [re-dub-a-dub]" – blundetto with hindi zahra
e ouça e veja aqui um video promocional de warm my soul (heavenly sweetness, 2012). certeza que será um dos melhores do ano.
e, para finalizar, mais duas músicas do disco que já estão rodando por aí: "hercules" [cover de aaron neville, participações de hugh coltman e shawn lee] e "rocroy" [participação dos metais da banda akalé wubé].
atualização em 7 de fevereiro de 2012: o selo heavenly sweetness disponibilizou duas novas músicas de warm my soul, a afrobeat "crowded places" [outra com participação dos metais da akalé wubé] e "it's all about" [com aqeel].
atualização em 12 de fevereiro: mais quatro músicas de warm my soul, incluindo a faixa-título que antes estava apenas na mixtape acima. linda demais essa "warm my soul" e seu vocal derramado de courtney john (achei essa música tão bonita que me deu aquela impressão que ela sempre existiu). já "i'll be home later" é outra música com participação da metaleira da akalé wubé, enquanto "final goodbye" traz a lenda do skate e músico de mão cheia e carreira sólida tommy guerrero e "treat me like that" marca outra colaboração com courtney john.
caramba, foi só atualizar o post com essas quatro músicas que blundetto jogou outra na rede. mais eletrônica, "walk away now" tem participação de jaddan blakkamoore.
atualização em 16 de fevereiro: hora das faixas 10 e 11 do disco, a instrumental soul "since you've been gone" e uma versão dub toda climática de "hercules".
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
domingueira
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sábado, 2 de julho de 2011
transversão #39
fazia tempo que não rolava um transversão nos conformes, então retorno com uma edição particularmente recheada e não poderia ser por menos. é que o caso agora é "ain't no sunshine", canção que o mestre bill withers lançou no disco just as i am (sussex, 1971) e virou sucesso mundial instantâneo. sempre tive a impressão que "ain't no sunshine" existe desde que o mundo é mundo. é daquelas músicas completas, totais, na sua mistura de lamento e balanço. é profundamente soul e ao mesmo tempo aberta para possibilidades em outros gêneros como reggae, funk, samba, eletrônica e rock. mas comecemos pela original na voz suada de seu autor (que começou a escrevê-la inspirada no filme vício maldito, drama etílico de blake edwards lançado em 1962).
sucesso! e vocês sabem como sucessos são... todo mundo quer tirar uma lasquinha. só que não falaremos aqui dos oportunistas e sim de gente da pesada como o saxofonista/flautista/etc rahsaan roland kirk (1935-1977) que, em blacknuss (atlantic, 1971), fez essa linda versão instrumental cheia de novas camadas.
e a jamaica, sempre atenta ao soul americano, não podia ficar de fora. ken boothe, por exemplo, gravou sua versão, mas ficaremos aqui com a de boris gardiner lançada no disco a soulful experience is happening (vampisoul, 1971). bela e sentida que só.
provavelmente no mesmo ano, no panamá, o pessoal do the soul fantastics escapou da influência do vizinho caribe e fez de "ain't no sunshine" um funk pesadão (no bom sentido). tá na excelente coletânea panama! vol.2 - latin, funk and calypso on the isthmus 1967-77 (soundway, 2008), que o original pinheiros style disponibilizou para a turma.
outra banda pouco falada. outra data desconhecida. outra coletânea. os moleques da kashmere stage band, regidos pelo prof. conrad o. johnson (1915-2008), quebraram tudo nessa interpretação moderna, e igualmente funk e instrumental, que foi registrada no disco texas thunder soul 1968-1974 (stones throw, 2006).
e então veio o sempre muito inspirado guitarrista josé feliciano (cego como rahsaan roland kirk) que em 1972 mostrou a sua ótima gravação e a registraram em video.
no mesmo 1972, um garoto de 13/14 anos lançou seu disco de estreia solo, got to be there (motown, 1972), e lá estava "ain't no sunshine". o nome dele era michael jackson (1958-2009) e mesmo que já fosse o menino prodígio conhecido e admirado no jackson 5 ninguém estava preparado para tamanho poder interpretativo sobre uma música tão adulta.
brasil não podia faltar. foi o grande sivuca (1930-2006) que, no auge de sua carreira internacional (quando morou em nova york de 1964 a 1976, tocava com miriam makeba), colocou a música de bill withers para abrir o disco sivuca (vanguard, 1972). acompanhado por muitos músicos americanos, o paraibano torceu o soul e acelerou sambisticamente.
agora, se em bill withers o drama é próximo, real, sussurrado, em tom jones a coisa muda um pouco de figura e seu drama é de fera ferida, afetado e poderoso. e os arranjos dessa versão, que saiu no disco the body and soul of tom jones (decca/parrot, 1973), são matadores.
e para encerrar, mais uma instrumental. dessa vez assinada pelo gigante vibrafonista roy ayers na sua fase ubiquity. e a canção pop(ular) transforma-se numa suite épica e suingante. é do disco red, black and green (polydor, 1976).
sucesso! e vocês sabem como sucessos são... todo mundo quer tirar uma lasquinha. só que não falaremos aqui dos oportunistas e sim de gente da pesada como o saxofonista/flautista/etc rahsaan roland kirk (1935-1977) que, em blacknuss (atlantic, 1971), fez essa linda versão instrumental cheia de novas camadas.
e a jamaica, sempre atenta ao soul americano, não podia ficar de fora. ken boothe, por exemplo, gravou sua versão, mas ficaremos aqui com a de boris gardiner lançada no disco a soulful experience is happening (vampisoul, 1971). bela e sentida que só.
provavelmente no mesmo ano, no panamá, o pessoal do the soul fantastics escapou da influência do vizinho caribe e fez de "ain't no sunshine" um funk pesadão (no bom sentido). tá na excelente coletânea panama! vol.2 - latin, funk and calypso on the isthmus 1967-77 (soundway, 2008), que o original pinheiros style disponibilizou para a turma.
outra banda pouco falada. outra data desconhecida. outra coletânea. os moleques da kashmere stage band, regidos pelo prof. conrad o. johnson (1915-2008), quebraram tudo nessa interpretação moderna, e igualmente funk e instrumental, que foi registrada no disco texas thunder soul 1968-1974 (stones throw, 2006).
e então veio o sempre muito inspirado guitarrista josé feliciano (cego como rahsaan roland kirk) que em 1972 mostrou a sua ótima gravação e a registraram em video.
no mesmo 1972, um garoto de 13/14 anos lançou seu disco de estreia solo, got to be there (motown, 1972), e lá estava "ain't no sunshine". o nome dele era michael jackson (1958-2009) e mesmo que já fosse o menino prodígio conhecido e admirado no jackson 5 ninguém estava preparado para tamanho poder interpretativo sobre uma música tão adulta.
brasil não podia faltar. foi o grande sivuca (1930-2006) que, no auge de sua carreira internacional (quando morou em nova york de 1964 a 1976, tocava com miriam makeba), colocou a música de bill withers para abrir o disco sivuca (vanguard, 1972). acompanhado por muitos músicos americanos, o paraibano torceu o soul e acelerou sambisticamente.
agora, se em bill withers o drama é próximo, real, sussurrado, em tom jones a coisa muda um pouco de figura e seu drama é de fera ferida, afetado e poderoso. e os arranjos dessa versão, que saiu no disco the body and soul of tom jones (decca/parrot, 1973), são matadores.
e para encerrar, mais uma instrumental. dessa vez assinada pelo gigante vibrafonista roy ayers na sua fase ubiquity. e a canção pop(ular) transforma-se numa suite épica e suingante. é do disco red, black and green (polydor, 1976).
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