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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

35 discos gringos de 2013 e algo mais

já meio que adiantei na lista das “70 músicas gringas” dois dos melhores discos segundo o gosto da casa. o mergulho jamaicano de snopp dogg em reincarnated (que também virou um excelente documentário) é um compêndio e tanto de velhos e novos ritmos da ilha, tudo habilmente misturado com rap na produção de diplo/major lazer (e snoop ainda arranjou tempo de cair no funk como snoopzilla em outro trabalho). já matangi, o quarto disco de m.i.a., é uma volta aos sons espertos, rascantes e pesados de arular (2005) e kala (2007). são discos intensos, variados musicalmente e politicamente urgentes.   


tem também um disco muito especial que foi um dos mais ouvidos por aqui: brassens – echos d’aujourd’hui, um tributo ao cantor e poeta francês georges brassens com participações de artistas de muitas partes do mundo, desde o brasileiro rodrigo amarante até as colombianas do grupo canalon de timbiqui, passando pelo francês blundetto, o americano shawn lee, a inglesa lianne la havas e as argentinas hermanas caronni. disco bonito da porra.


outro destaque do ano foi o rap – como também aconteceu na lista de discos do brasil – só que diferente daqui, quem mandou bem no mundão foram artistas veteranos ou com vários anos de estrada. teve snoop dogg (lion) e m.i.a., e ainda jay-z, kanye west, ghostface killah, busta rhymes, q-tip, rjd2 e o grupo hieroglyphics. outra contribuição feminina veio com o ótimo bruja, da espanhola mala rodriguez.


pra encerrar essa primeira leva de destaques, três grandes discos instrumentais: o retorno do mestre mulatu astatke em sketches of ethiopia, o piano solo de john medeski no delicado a different time e o jazz latino inspiradíssimo de chucho valdes em border-free. e, sem mais delongas, os 35 melhores discos gringos de 2013 segundo o esforçado.

am & shawn lee - la musique numerique
arcade fire – reflektor
busta rhymes & q-tip - the abstract and the dragon
caro emerald - the shocking miss emerald
charles bradley - victim of love
chico mann - magical thinking
deela - ritmo de las cavaleras
elvis costello & the roots - wise up ghost and other songs
ghostface killah & adrian younge - twelve reasons to die
hypnotic brass ensemble - fly: the customs release
janelle monáe - the electric lady
jay-z - magna carta holy grail
john medeski - a different time
justin timberlake - the 20/20 experience
kanye west - yeezus
la femme - psycho tropical berlim
la yegros - viene de mi
matias aguayo - the visitor
m.i.a. - matangi
mulatu astatke - sketches of ethiopia
nick cave & the bad seeds - push the sky away
nightmares on wax - feelin' good
rjd2 - more is than isn't
snoop lion - reincarnated
stromae - racine carrée
the hieroglyphics - the kitchen
the lions - this generation
toro y moi - anything in return
valerie june - pushin' against a stone

agora é a hora e a vez da segunda lista. discos muito interessantes que por um motivo ou outro não entraram na lista principal: gosto pessoal, momento da vida, humor, não foram ouvidos com tanta frequência, chegaram no finalzinho do ano pro mundo ou pra mim (por exemplo, drake, young fathers, federico aubele e sébastien tellier). tem mais 35...

andrew bird - i want to see pulaski at night
archie shepp & attica blues orchestra - i hear the sound
blitz the ambassador - the warm up EP
booker t. jones - sound the alarm
buika - la noche más larga
capicua - capicua goes west
dam-funk & snoopzilla - 7 days of funk
david bowie - the next day
david lynch - the big dream
deolinda - mundo pequenino
drake - nothing was the same
femi kuti - no place for my dream
franz ferdinand - right thoughts, right words
goodie mob - age against the machine
gregory porter - liquid spirit
keith jarrett, gary peacock & jack dejohnette - somewhere
kid cudi - indicud
kobo town - jumbie in the jukebox
lee fields & the expressions - let's talk it over
mayer hawthorne - where doed this door go
mayra andrade - lovely difficult
omar souleyman - wenu wenu
owiny sigoma band - power punch
sébastien tellier – confection
the cactus channel - wooden boy
the heliocentrics - 13 degrees of reality
the liberators - power struggle
the strokes - comedown machine
tribecastan - new songs for the old country
vampire weekend - modern vampires on the city
young fathers - tape two EP

e aqui mais uma listinha singela com outros discos interessantes que ajudaram na trilha de 2013 e alguns até emplacaram nas melhores músicas do ano.

amadou & mariam (mali meets latin america EP), bajofondo (presente), beyoncé (beyoncé), boban & marko marković orchestra (gipsy manifesto), bonobo (the north borders), childish gambino (because the internet), da lata (fabiola), danny brown (old), dizzee rascal (the fifth), eminem (the marshall mathers LP 2), family atlantica (family atlantica), fanfara tirana meets transglobal underground (kabatronics), fimber bravo (con-fusion), ghostpoet (some say i so i say light), gogol bordello (pura vida conspiracy), hot chip (dark & stormy), jamie lidell (jamie lidell), john scofield (überjam deux), laura mvula (sing to the moon), major lazer (free the universe), marc ribot's ceramic dog (your turn), marques toliver (land of canaan), mazzy star (seasons of your day), moby (innocents), new order (lost sirens EP), orgone (new you), poliça (shulamith), quadron (avalanche), robin thicke (blurred lines), sexmob (cinema, circus & spaghetti: sexmob plays fellini), shantel (anarchy + romance), sizzla (the messiah), talib kweli (prisoner of conscious), the bamboos (fever in the road), the electric peanut butter co. (trans-atlantic psych classics vol.2), the greyboy allstars (inland emperor), the internet (feel good), the stepkids (troubadour), wale (the gifted), winston mcanuff & fixi (a new day) e zaz (recto verso).

ao fim, ao cabo, a derradeira lista. são projetos especiais, coletâneas caprichadas (a analog africa sempre presente, claro) de artistas cultuados na américa do sul, sudeste asiático, áfrica e oriente médio ou então ao vivos inéditos, invariavelmente jazzísticos, que saem de algum fundo de depósito. sons antigos, mais ou menos antigos, e muito, muito atuais.

abelardo carbonó (el maravilloso mundo de abelardo carbono), afrobeat airways 2: return flight to ghana (1974-1983), angola soundtrack 2 - hypnosis, distorsions & other sonic innovations (1969​-​1978), bob thiele emergency (head start), dave brubeck & tony bennett (the white house sessions live 1962), el sonido de la carretera central con el rey de la guitarra teo laura, goush bedey funk, psychedelia and pop from the iranian pre-revolution generation, john coltrane (sun ship: the complete sessions), juaneco y su combo (the birth of jungle cumbia), los nuggetz: 60's punk, pop and psychedelic from latin america, meridian brothers (devoción (works 2005-2011)), miles davis (four & more), miles davis (so what: the complete 1960 amsterdam concerts), orchestre poly-rythmo de cotonou (the skeletal essences of afro funk 1969-1980 vol.3), pop yeh yeh psychedelic rock from singapore and malaysia vol. 1 (1964-1970), rodrigo leão (songs (2004-12)), thelonious monk (paris 1969), voltaique panoramique vol. 1 e william onyeabor (who is william onyeabor? world psychedelic classics vol. 5).

quinta-feira, 23 de maio de 2013

letra/música #27 e transversão #42

foi no blog do blundetto que fiquei sabendo do tributo brassens - echos d'aujourd'hui (fanon records), uma homenagem transglobal ao poeta, cantor e compositor anarquista francês georges brassens. nunca tinha ouvido falar dele, confesso, mas semana passada finalmente achei link para download do disco (aqui ou aqui) e é uma coisa linda. e também surpreendente porque foram reunidos artistas de várias partes do planeta cantando brassens em suas línguas nativas, o que acaba abrindo inúmeras portas para se procurar as versões originais e compará-las, colidí-las, etc. nas 16 faixas aparecem figuras como shawn lee (estados unidos), lianne la havas (inglaterra), grupo canalon de timbiqui (colômbia), las hermanas caronni (argentina), enkhjargal (mongólia), anthony joseph (trinidad), yael naim (israel) e, claro, blundetto (frança). mas então aparece rodrigo amarante cantando "o não-pedido de casamento" e... puxa... que versão, que música espantosamente linda e rebuscada. escuta só.




o não-pedido de casamento
(georges brassens, tradução e adaptação de rodrigo amarante e stephane san juan)

meu bem, por deus, tenho um pedido
não apontemos pro cupido
sua própria flecha
tantos amantes se arriscaram
com seu gozo eles pagaram
tal sacrilégio

uma aliança em cada mão
a jurar ordem de prisão
em domicílio
pro inferno, amélias secas amas
que deixam frias suas camas
pra pilar milho

eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?

vênus presa perde o viço
e com o choriço frita o juízo
cai na comida
por nada neste mundo eu vou
despetalar sobre o escargot
a margarida

cai o véu, com ele o encanto
o segredo da sereia, o canto
de Melusine
o batom nas cartas perde a cor
entre uma e outra página do
Nouvelle Cuisine

eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?

é muito fácil a gente pensa
largar no fundo da despensa
numa conserva
o belo fruto proibido
perdeu o gosto, foi cozido
não se preserva

de uma empregada eu não preciso
tratado a pão de ló, aviso
não quero nunca ser
como uma noiva eterna intento
a dona dos meus pensamentos
eu sempre ver

eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?
eu tenho a honra de não te pedir a mão
pra quê firmar no pergaminho essa união?

amarante, que está para lançar seu primeiro disco solo (cavalo), canta e toca violão acompanhado de berna ceppas (sintetizador), moreno veloso (cello), alberto continentino (baixo) e stephane san juan (percussão). agora veja e escute brassens direto de algum lugar dos anos 1960...



nas buscas por saber e ouvir mais dessa música encontrei ainda uma versão instrumental comandada por eddie "lockjaw" davis (sax tenor) e harry "sweets" edison (trompete) e lançada em 1979.



p.s.: agradecimentos a bebel prates que conseguiu essas informações (banda, tradução e revisão da letra que transcrevi) com o próprio amarante.