quinta-feira, 29 de abril de 2010

o pensamento vivo de grace carioka

a quantidade de figuraças no twitter é gigante, alguns reais e outros bem ficcionais (sendo que alguns gostam de passar por reais). agora no dia 21 de abril surgiu mais uma, grace kieli pinto, ou mais precisamente, @gracecarioka. de lá pra cá, a "moça" já conseguiu mais de 6 mil seguidores. mas pelo que me lembro as primeiras reações foram típicas da classe média tuitêra (de direita?), do tipo "essa maldita inclusão digital! é a orkutização do twitter", sem perceber o personagem gargalhando por trás de cada pio. outras reações, mais pra esquerda, eram de repúdio ao personagem/autor que debochava de pessoas pobres. mas esses também não conseguiam ver as críticas e a irônica acidez sobre vários assuntos bem reais. pena que esse humor do twitter, apesar de avassalador em sua origem, tem fôlego curto - ou param de postar como @mainardicompara ou se repetem como @oclebermachado.

enquanto isso não acontece, quem tem humor se diverte. aí dei uma vasculhada nos poucos mais de 600 tweets de grace (até sexta, dia 30, de manhã) e dei uma peneirada nas frases geniais dessa "moça" que vive com a mãe auxiliadora em algum lugar da baixada fluminense e que ainda tem pai (werservaldo) e irmão presos em bangu. e é isso, deixa a menina brincar (mas tenho impressão, por algumas tiradas mais pesadas, que grace é homem. mas tanto faz).


esta é grace, talvez. mas uma carioca com chapeuzinho
do pernambucano santa cruz?!

grace por ela mesma

to tao gostoza com os cabelo da perna loro que meu cachorro ja ta agarrando minha perna pra faze indecencia

tirei a calsinha e agora percebi que minha virilha ta lora mas minha xuquinha ta morena nao ta legal

to pulando nua e consegui acerta o peito esquerdo no meu nariz to boa

nao posso fica nua sinto tezao em mim

eu gosto de queima e com o oleo da soya porque o liza deixa minhas estria vermelha demais

estou lambuzando meu corpo com sorvete to tezuda

gosto de fazer neve balançando meu cabelo

to enfiando o grampo no ouvido sinto um tezaozinho no corpo

achei que eu tava com tezao mas e que to sentada no ifone e ele tava vibrando

sentei pra lambe meu juelho tava rececado

quando saio do banho me sinto uma virgem porque lavo ta nova
a fauna da casa

tem duas largatixa brigando por uma barata aqui na cozinha vao se dar mau com a aranha que ta no canto rsrs

e claro que e a pernilonga que chupa porque no mundo animal sempre e a femea que acaba chupando mesmo

dexo o pernilongo me chupa ate ele fica gordo depois eu estoro ele muito sangue

vesti a blusa porque os rato aqui me viram e começaram a faze amor e engraçado

tem um besouro na flor artificial aqui da sala que burro

agora que lembrei que meu carregador ta amarrando o cachorro no pe do tanque

tem uma formiga ate zonza com o cheiro meu peido e baigon o poder e meu

tinha um rato em cima do meu ifone no sofa liguei pro ifone vibro e o rato ate saiu voando sou mau

acho que to alcolizada to vendo duas formiga trepando aqui no computador rsrs

escurreguei e cai sentada em cima do cachorro ele ta mancando rsrs

tem uma aranha em cima da dentadura da minha mae

minha mae ainda ta bebada porque ela ta conversano com a ratazana achando que ela vai intende
os vizinhos e as amigas

os jeova tao brigando la no bar

o tiao paro de compra cerveja e ta tomando gasolina diz ele que ta mais barato depois vou la isprimenta

jogaram uma cabeça de barbie aqui na minha janela aposto que foi a vera vai te troco

passei o pao de queijo dentro da calsinha e levei la na casa da vera falei que minha mae que mando rsrs

vera ta pelada na laje ela ta com uma vanessa da mata no meio das perna

a vera ta dando um teco com o rego de fora de novo

mandei a vera toma no cu mas esqueci que ela fez plastica e tem dois furo no chibiu ai ela pergunto em qual dos dois e baxo a calça eu ri
pensamentos avulsos

se o roberto carlos dançar o rebolation ele cai de uma perna

coloco agua na geladeira na garrafa de refri sem lava pra agua fica com gostinho de coca

3 horas dentro do busao revoltei e pixei o banco com corretivo

cortei minha mao ta saindo sangue mas to chupando o sangue pra ele volta pra mim sou esperta

ai meu sangue junto de formiga na gota que caiu no chao sou docinha

gosto mais da vivo porque a tim a claro e a oi nao estao vivas e tenho medo

se a paris hilton nascesse no brasil ela ia ser irma da tessalia

se a lady gaga naiscesse no brasil ela ia ser a elke maravilha

sou moreninha agora mas quando eu era espermatozoide eu era branca
twitter, esse mistério

eu sou sincera acho esse twitter muito maxista tudo é home

eu gosto mais do orkut porque aqui me sinto sozinha

acho que ganhei um premio apareceu um desenho de uma baleia com passarinho aqui

apareceu a baleia com passarinho de novo e mesmo em ingles agora eu entendi ganhei um capacete

agora que vi que no final da minha pagina do twitter tem um botao escrito morre que medo

o morre aqui ta escrito com um r so nossa que vergonha erro de portugues

fica me chamando de home e me mandando morre isso vai me rende um processo bao demais

a baleia com passarinho apareceu de novo ganhei mais um premio
interagindo

@twittess ei tessalia boquetera

@ParisHilton you tambem is boquetera ne?

@ParisHilton halo devassa i vi you aqui in rio no carnaval i sou carioka

@britneyspears halo brit foquio you biti

@wanessaoficial se voce nao vai me responde sai do meu twitter ok?

@ladygaga tudo good porque you quer um bad romance?

@PretaMaria voce devia processa seu pai porque colocou em voce nome de preta e preconceito

@xuxameneghel oi xuxa descolori meu braço minha virilha e meu imbigo to lora agora igual voce poderozas e glamurozas ne nao?

atualização em dezembro de 2011: grace criou um site, o grace - esperta e glamuroza.



atualização em maio de 2012: grace está com mais de 170 mil seguidores.

domingo, 25 de abril de 2010

from south africa with love

grande cantora sulafricana, miriam makeba (1932-2008) foi acompanhada durante muitos anos pelo violão do mestre sivuca (1930-2006). ele também assinou arranjos de muitos dos seus sucessos, entre eles "pata pata". mas nada disso tinha me preparado para esse video lindo com makeba, sivuca ao fundo e "chove chuva" (jorge ben), em algum lugar da segunda metade da década de 1960. dica de andré leão (@alpn00).



separei abaixo dois trechos da entrevista que sivuca deu ao gafieiras em 2004 e que tratam do encontro com makeba (eles trabalharam de 1965 a 1969 e depois se reencontraram algumas vezes como no show zaire 1974, aquele do documentário soul power (2009), mencionado aqui em um post sobre bill withers, outro artista no show):

Miriam Makeba foi em 1965, no final do ano. Ela precisava de um violonista, um contrabaixista e um percussionista. Aí eu fui lá fazer um teste de violão na mão. Quando me mostravam como era o ritmo que ela cantava, era a mesma coisa que um ritmo nordestino, que nós chamamos de balaio. Fui tocar o balaio pra ela cantando. Ela olhou pra mim... A filha dela falava francês e eu não falava nada de inglês. Nessa altura eu já falava francês. “Sivuca, minha mãe quer saber onde é que o senhor aprendeu o ritmo sul-africano tão bem?” Eu disse: “Diga a ela que foi por assimilação. Estou fazendo um ritmo nordestino chamado balaio que é igual ao que ela chama de upacanga, da África do Sul”. Aí fui logo contratado por ela.

Mas aí essa audição que começou às três da tarde, terminou às duas da manhã com todo mundo de fogo. Miriam era muito amiga de Jorge Ben, Jorge Benjor, e começou a cantar “Mas que nada” e eu comecei a acompanhá-la. Ela vibrou! Aí fiquei quatro anos e meio trabalhando com a Miriam.

p.s.: aliás, falando em soul power, o documentário acabou de sair em dvd aqui no brasil pela sony e com alguns extras, tais como ótimas cenas excluídas e uma faixa de aúdio com os comentários do diretor do filme e do produtor do show. tem que ter (ou ver).

domingueira + transversão #33

acho que foi no começo do mês que via edu k (@edukeduk) relembrei o ótimo clipe de "fiu fiu (gostosa)" e de quebra fiquei sabendo que o nome do diretor era fabiano liporoni (@fabilipo) que disse lá no youtube: "o primeiro clipe que dirigi na vida e o meu preferido até hoje, devo confessar!". essa música divertidíssima era o carro chefe do primeiro disco solo do edu, meu nome é edu k (warner, 1995), ainda nos tempos do defalla. sente o drama.



fiz a minha parte, espalhei o link do clipe lá no twitter e dois jornalistas amigos se pronunciaram. o mítico pedro só (@PedroSoh), por exemplo, confidenciou: "eu escrevi o release desse bagulho, atendendo a pedidos do edu. "vai tomar no c*" is gonna live forever". essa "vai tomar no c*" é a quarta faixa do disco, logo antes de "fiu fiu (gostosa"). aí luciano marsiglia (@lmarsiglia), ex-bizz e agora época sp, mandou na lata: "não esperava outra coisa de você, pedro. do edu, prefiro não esperar nada", e completou que "esse disco ainda tem uma versão de "black coco", do painel de controle. é a obra mais fora de contexto do pop nacional". painel de controle? "black coco"? não lembrava nada disso. aliás, não lembrava de nenhuma música desse disco do edu k além de "fiu fiu" (e sua versão de "black coco" vem logo depois dela, é a sexta faixa). agora vai edu k...

edu k - black coco 1995 by dafne47

fui atrás da tal painel de controle e descobri que foi uma banda dos anos 1970 liderada por lincoln olivetti e que lançou apenas três discos, sendo que desliga o mundo (rca victor, 1978), o disco que abre com "black coco" (ronaldo e lincoln olivetti), é o segundo. nos anos 1980, olivetti seria o responsável pelos arranjos e produção musical, invariavelmente soterrados por tecladeiras pop, de gente como tim maia, zizi possi, jorge ben, gal costa, roberto carlos, etc. mas "black coco" é muito legal. escuta só.

painel de controle - black coco 1978 by dafne47

e pra encerrar, uma descoberta que surgiu enquanto escrevia esse post. o clipe - feito pro fantástico, claro - da original "black coco".


o roto falando do esfarrapado

maior emoção na madrugada. depois de uma combinação matadora de never weaken (1921), curta silencioso do grande comediante harold lloyd, com algumas faixas do excelente novo disco do pianista brad mehldau, highway rider (2010), tive o prazer de achar esse video de orson welles apresentando a general (1926), longa do meu herói buster keaton, e falando de sua arte, de sua carreira e coisa e tal. arrepiei com esse "encontro" de dois caras que admiro tanto. relevem a legenda tosca e se divirtam (e tentem essa combinação de harold lloyd e brad mehldau, funciona muito bem e as possibilidades são enormes, já que 5 ou 6 faixas dão conta dos 28 minutos do curta).

sábado, 24 de abril de 2010

mundo tela

eles não foram os primeiros e isso não é novidade. mas o pessoal do seeper, coletivo londrino de artes visuais, elevou as projeções ao ar livre a um patamar de excelência embasbacante. a dica veio de @rodox que soltou na madrugada o link para uma produção recente dos caras. foi agora em abril, numa das laterais do castelo de rochester, que o seeper misturou ac/dc, homem de ferro (divulgação pro homem de ferro 2 que está prestes a estrear), animações 3D e o diabo a quatro. olha, só assim pr'eu ouvir ac/dc...



lá no canal que eles tem no vimeo tem outro "architectural projection mapping" feito pelos caras no ano passado, mais precisamente no início de outubro, e encomendado pelo festival de cinema de branchage. igualmente espetacular e, claro, achei a música mais legal. mas dá pra ver que houve um ligeiro salto qualitativo-tecnológico.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

letra/música #15

ah, hellcife. foi de lá que saiu recife lo-fi vol. 1 (independente, 2010), coletânea de artistas novos e semi-novos que foi lançado em fevereiro. idealizada pelo músico zeca viana, o disco virtual é uma parceria recife rock, coquetel molotov, trama virtual, revista o grito e agência alavanca. agora, é uma coletânea e sendo assim é irregular. natural. tem coisas interessantes de lulina e júlia says, nomes já conhecidos, e também de gente como bruno souto, rama, d mingus e ex-exus. mas nenhuma bate jalu maranhão e "só nietzsche explica (acadêmico frustrado)", tecnobrega de letra debochadamente erudita. não vou negar, lembrou meu tempo de faculdade nas ciências sociais da usp. clicando na imagem abaixo tem link para baixar o disco.

só nietzsche explica (acadêmico frustrado)
(jalu maranhão, mas não consegui nenhuma confirmação sobre a autoria da música, portanto qualquer ajuda é bemvinda)

sou um acadêmico frustrado
que queria ter a vida de artista
um pós-moderno sequelado
essa injustiça cultural só nietzsche explica

componho sonhos, vendo a prazo
mas o real me vem e cobra, é à vista
tem que existir um resultado
arrumo a trouxa e lavo a roupa no analista

já tentei rené descartes
tentei o lévi-strauss
tentei até o paulo coelho

já tentei santo agostinho
tentei henri wallon
mas nada disso dá dinheiro

tentei sigmundo freud
tentei o lévinas
já tentei ser gustave flaubert

já tentei o karl jung
hipnose com o braüer
nada disso dá mulher

sou um acadêmico frustrado
que queria ter a vida de artista
um pós-moderno sequelado
essa injustiça cultural só nietzsche explica

componho sonhos, vendo a prazo
mas o real me vem e cobra, é à vista
tem que existir um resultado
arrumo a trouxa e lavo a roupa no analista

já tentei ser o karl marx
em protesto estudantil
pras gatinhas de história

já tentei henry thoreau
pra não ser um bom civil
mas nada disso me dá glória

já tentei ser fukuyama
tentei ser adam smith
para entrar na burguesia

já tentei ser bom selvagem
como pregava rousseau
mas nada disso alivia

eu quero mesmo é ser artista
compor feito rimbaud
e encantar o mundo inteiro

ser em banda ou ser solista
cantar feito john lennon
e ganhar muito dinheiro

eu quero ser como joão bosco
pra comprar com o violão
a estadia no cabaret

quero ser a cássia eller
quero ser como a bethânia
pra não me faltar mulher

eu quero ser elis regina
quero ser a rita lee
eu quero ser esta fusão

quero ter a minha glória
quero ver minha memória
bem escrita num refrão

sou um acadêmico frustrado
que queria ter a vida de artista
um pós-moderno sequelado
essa injustiça cultural só nietzsche explica

componho sonhos, vendo a prazo
mas o real me vem e cobra, é à vista
tem que existir um resultado
arrumo a trouxa e lavo a roupa no analista


jalu maranhão - só nietzsche explica (acadêmico frustrado) by dafne47

p.s.: essa música tem uma gravação anterior, igualmente sensacional, assinada pelos míticos the playboys no disco
chega de niilismo (independente, 2008). tem lá no blog discoteca nacional.

laerte da semana #10

clicou? viu grande? é isso mesmo, laerte vs. dante alighieri.
tem outras coisas assim no
manual do minotauro

quinta-feira, 22 de abril de 2010

esse trombone moleque

troy andrews tem apenas 24 anos, mas o diabo do moleque toca trombone desde os 6, quando nem alcançava todas as notas. é de família totalmente musical da extremamente musical new orleans, e é reconhecido como um cara que comanda intensas apresentações ao vivo. ah, ele adotou o pseudônimo de trombone shorty. só que até agora nenhum de seus discos tinha conseguido registrar toda essa potência. produzido por ben ellman (galactic), o recém-lançado backatown (verve forecast, 2010) é excelente pancadão com muitos metais e algumas pitadas de pop, funk, rock e soul. tem músicas sensacionais como "in the 6th", "quiet as kept" e "hurricane season", participação de lenny kravitz, ex-chefe de troy, em "something beautiful" e do veterano allen toussaint numa regravação da sua "on your way down" (todas as outras músicas são inéditas e foram compostas pelo trombonista, que também é trompetista e até canta uma vez ou outra). e, olha só, o disco todo está para audição gratuita no soundcloud da gravadora. parece que vai durar só até o dia 27 desse mês. ouçamos.



e nessas buscas e cruzamentos na internet encontrei esse curta documental que conta um pouco de sua história e da música que faz. chama-se trombone shorty (2008), tem pouco mais de 5 minutos e foi dirigido pela dupla eric alan donaldson e l. lonnie peralta. taí ó...

terça-feira, 20 de abril de 2010

onipresença musical

assim é a ubiquity records. duvida? dá uma olhada nos melhores lançamentos gringos dos últimos cinco anos e é certeza que apareça algum título do selo criado em 1993 em são francisco. mais de um por ano, sem sombra de dúvida. afinal, que outro selo possui artistas como shawn lee, nomo, greyboy, georgia anne muldrow, ohmega watts, quantic, breakestra, jimi tenor, spanky wilson, the bamboos, connie price & the keystones, gilles peterson, nostalgia 77, orgone, the lions, clutchy hopkins, darondo e lord newborn & the magic skulls? fora que relançou para o mercado americano discos cultuados de artistas como eugene blacknell, har-you percussion group, bernard purdie, betty padgett e do muito nosso arthur verocai. e, veja bem, se você não conhece esse pessoal não perca tempo.

mas é que lembrei da ubiquity porque acabou de sair um novo disco de clutchy hopkins (the story teller), com direito a um impressionante clipe-animação da música "verbal headlock". de biografia misteriosa, e provavelmente alterego de algum produtor ou dj (ou de um coletivo), clutchy é autor de alguns discos instrumentais interessantíssimos e ultimamente vem produzindo velozmente numa média de dois discos por ano. em 2008 lançou walking backwards e clutch of the tiger (em parceria com shawn lee) e em 2009 vieram fascinating fingers (novamente com shawn lee) e music is my medicine (com o igualmente misterioso lord kenjamin, que coloquei como música de fundo do corjacast #3), todos ótimos. mas olhe e ouça aqui o clipe de "verbal headlock" de clutchy hopkins.



aí no canal do youtube da ubiquity vi clipes de outros artistas da casa para rechear esse post. sons que já me são muito familiares, mas que ainda não tinha visto com imagens. por exemplo, o projeto lord newborn & the magic skulls, que estreou em 2009 com um dos grandes lançamentos do ano e é fruto da união inédita de money mark, shawn lee e tommy guerrero. só vi ontem que eles fizeram um clipe para a música "a phase shifter i'm going through".



pra encerrar, darondo, a lenda. cantor obscuro de funk na década de 1970, william "darondo" pulliam voltou à ativa nos anos 2000, mais estiloso e pessoal que nunca, a partir do disco let my people go que, em 2006, compilou os poucos singles que lançou e algumas faixas inéditas de seu passado (mais recentemente, darondo também participou de discos de shawn lee e clutchy hopkins). uma das músicas de seu primeiro disco, "listen to my song", ganhou clipe.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

desabafo subaquático

na madrugada de 6 de abril, auge da chuva histórica e destruidora que caiu sobre o rio de janeiro, os cariocas do rizoma saíram ali da tijuca, esquina da rua são francisco xavier com a haddock lobo, e foram rumo a praça da bandeira (ver mapa do trajeto de cerca de 2 km, aqui). a ideia era fazer alguma espécie de manifestação diferente, mas a realidade das ruas cheias de água, das pessoas naúfragas, dos carros boiando, da ausência do poder público, acabou transformando a ação. detalhe: foram de bote! o resultado foi o vídeo enchente de verdade, com pouco mais de 9 minutos, provavelmente o melhor documento visual sobre esse momento traumático para a cidade maravilhosa (certamente, mais impactante e divertido que toda a cobertura televisiva).

um dos pontos altos do video é o desabafo de um carioca ilhado, raivoso e anônimo. são dois minutos de xingamentos, raiva típica de classe média e alguns interessantes momentos de lucidez (principalmente sobre o papel da imprensa). saca só a transcrição de sua fala com o vídeo na sequência.

e nos jornais ficam falando assim... 'e a chuva castiga os cariocas, são pedro'... e fica esse negocinho de olimpíada, sérgio cabral com aquela cara de tartaruga touché falando que o rio é a cidade maravilhosa. isso é um engodo. essa é uma cidade governada por milícias, traficantes e um bando de vagabundos. o meu carro, com ipva em dia, tá enchendo d'água. cadê aquele filha da puta do eduardo paes? porra! agora, vocês da imprensa ficam lá tirando fotinha dele... ah, eduardo paes, choque de ordem, tirou da rua camelô, multou o carrinho que tava em cima da calçada. agora, cadê a guarda municipal aqui na esquina da são francisco xavier com haddock lobo, 3 da manhã? esse é o contexto da nossa cidade. a gente paga imposto para sustentar daniel dantas e eike batista. foda-se se o eike batista tá comendo uma piranha que tá cobrando mil reais a hora! foda-se se a nicole bahls tá dando pro filho do eike batista! foda-se se a britney spears tá grávida de um cavalo! eu quero saber quem vai pagar o prejuízo do meu carro! então, amigo, faça um documentário à la michael moore. não faça um documentário à la joão moreira salles falando 'rio, eu gosto de você'. essa coisa fascista de dizer, de enganar a gente que a gente mora numa cidade maravilhosa. essa é uma falácia criada por aquela bicha enrustida do tom jobim que cantava nos (?) da ditadura, 'ipanema é tão legal, o meu pai é general'. então é isso aí. foda-se a bolsa nova! foda-se sérgio cabral tartaruga touché! foda-se eduardo paes! valeu, abração. obrigado, você me curou de um câncer agora.



é muito interessante e revelador ele citar michael moore e joão moreira salles. misto de datena com cqc, o conservadorismo indignado de moore é bem a cara de uma classe média que "está cansada". claro que o anônimo não percebe (ou não deseja perceber) que a complexidade de um notícias de uma guerra particular, do mesmo joão moreira salles taxado por ele como um documentarista que está do lado desse "engodo da cidade maravilhosa", é muito mais forte e crítica que toda a filmografia de moore.

p.s.: o pessoal do rizoma se define como um "grupo de praticantes de esportes radicais e circenses que usam suas habilidades em intervenções e missões que desafiam a rotina urbana, chamam a atenção e interferem em questões sociais, políticas e ambientais de forma criativa e surpreendente". e tem outros vídeos lá no canal deles no youtube. fiquei sabendo desse vídeo via @malvados e @luddista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

o fim do cinema (em 1992)

no começo de minha carreira de jornalista, 10 anos atrás, escrevia sobre cinema na falecida som livre loja virtual. depois, via gafieiras, veio a música (brasileira) que acabou tomando um espaço gigantesco na minha vida profissional. mas o cinema acabou voltando em freelas e na revista monet, mas geralmente em perfis. a crítica de cinema ou música nunca me interessou - principalmente pela gratuidade e falta de preparo de muitos dos meus colegas -, mas é claro que uma figura ou outra sempre salta aos olhos pelo texto bonito, argumentos e reflexão. no caso do cinema, fora o mestre inácio araújo e alguns outros (ricardo calil, josé geraldo couto, carlos alberto mattos e luiz zanin, por exemplo), um dos caras que mais respeito e acompanho é o kléber mendonça filho. agora, e isso é falha minha, não lembrava que o cara também é cineasta com vários curtas interessantes no currículo (ficção e não-ficção). olha o pernambucano aí.

kléber recentemente até anunciou que dará um tempo na crítica de cinema (que exercia há 12 anos no jornal do commercio) para fazer seu primeiro longa, o som ao redor. fiquei sabendo disso em seu blog, o cinemascópio (que tem twitter), e também tomei conhecimento do canal que criou no vimeo com parte de sua filmografia. foi de lá que pincei um documentário que fez em parceria com elissama cantalice como trabalho de encerramento do curso de jornalismo na ufpe. sobre homem de projeção (1992), curta de pouco mais de 7 minutos, kléber diz que "seu alexandre (alexandre moura) era o operador de projeção do cine art palácio em 1991, centro do recife. ele nos mostra a grande sala de cinema da rua da palma (fechada um ano depois), e fala sobre exibir filmes. seu alexandre tornou-se um amigo. faleceu em 2003. na verdade, eu revi o filme agora, antes de upload, e fiquei meio triste..."



lá no vimeo tem ainda outro documentário de kléber, igualmente melancólico e sobre o fim dos cinemas de bairro em recife. é casa de imagem (1992) e tem participação do seu alexandre. pena que não deu para incorporar. no mais, veja (e leia) tudo do cara.

terça-feira, 13 de abril de 2010

o pampa é folk

tem uns dois anos que conheci buenos aires. apenas cinco dias muito quentes em um início de janeiro, mas posso dizer que foram cinco dias transformadores, principalmente porque não imaginei que fosse gostar tanto da cidade e que tivesse, por inúmeras vezes durante esse tempo, tanta vontade de voltar. acho que me lembrou são paulo, pois apesar de ser muito mais arborizada e plana é uma cidade de belezas escondidas, urbanas e humanas. depois disso passei a ver a argentina de outra forma - e como não ligo muito pra futebol, foi fácil. bem, teve também uma grande amiga, a gabriela, que casou com um argentino (joaquin, gente boníssima) e se mandou pra terra dele, neuquén, mas isso é outra história.

a real é que o bichinho porteño voltou a me morder recentemente ao ouvir o belíssimo disco délibáb (núcleo contemporâneo, 2010), no qual vitor ramil musicou poemas de jorge luis borges (1899-1986) e do seu conterrâneo gaúcho joão da cunha vargas (1900-1980). disco foda de bonito e triste, e desde já um dos melhores do ano, délibáb é ponte estreita entre essas milongas pampeiras, brasil e argentina, e foi todo gravado em buenos aires. ramil canta e toca violão acompanhado de outro violonista, o argentino carlos moscardini, em disco de 12 faixas divididas irmanamente entre os dois países. detalhe: o cd vem junto com um dvd que traz um bom documentário de pouco mais de 1 hora sobre o projeto e os bastidores da gravação, e ainda dois clipes; "querência", sob poema de joão da cunha vargas, é um deles (essa música não está no cd).



seguindo nesses cruzamentos virtuais volto a me deparar com buenos aires em vídeo estrelado por hélio flanders. o líder do vanguart esteve na cidade participando como convidado de um show da dupla arthur de faria e mauricio pereira. este show, aliás, contou também com uma canja que dará o que falar quando chegar por essas bandas no segundo semestre. é a surdomundo imposible orchestra, "a primeira banda totalmente mercosulista" segundo o idealizador e gaúcho arthur de faria, que ainda traz como integrantes dois outros brasileiros (maurício pereira e caíto marcondes), dois uruguaios (martin buscaglia e osvaldo fattoruso) e dois argentinos (ignacio varchausky e martin sued). mas volto a flanders que gravou esse video bacana para o pessoal do indiefolks em um estiloso estacionamento porteño. a música é uma das novas do vanguart e se chama "a patinha da garça" (hélio flanders, julio nhanhá e reginaldo lincoln).



moral da história: o tal do folk pode estar em muitos lugares e línguas.

e como faixa bônus desse diálogo brasil-argentina, uma outra música do disco délibáb, a doída "milonga de manuel flores", sob poema de jorge luis borges. essa música está no dvd e também no cd.



p.s.: tinha esquecido de frisar a importância de arthur de faria nessa interação entre brasil e argentina. o gaúcho é certamente a figura mais atuante nessa engenharia cultural mercosulista. esqueci também de costurar mais apertadamente certas ligações de arthur com o blog e os amigos flanders e ramil: o primeiro post do esforçado foi uma reportagem que fiz com ele para a folha de são paulo, ele participou do primeiro dvd de hélio flanders & cia, multishow registro - vanguart (universal, 2009), e que também virou reportagem minha pra monet, e lá no gafieiras o gaúcho falou sobre o vanguart. e o ramil? bem, o arthur mandou um email avisando que no dia 15 de abril, quinta, tem estreia de délibáb em são paulo, no sesc pompéia. diz arthur: "eu recomendo com ênfase. qualquer tentativa de entendimento do que é pertencer a estes suis aqui passa pelo ramil. ao menos pra mim".

sábado, 10 de abril de 2010

transversão #32 + letra/música #14

tava aqui com carolina assistindo a um documentário nos extras do dvd o pirulito da ciência (ao vivo) (biscoito fino, 2010), e entre as muitas falas ótimas de tom zé apareceu um de seus poucos sucessos radiofônicos lá no ano de 1973, "se o caso é chorar" (tom zé e antônio "perna" fróes, do disco se o caso é chorar, lançado pela continental em 1972). carolina, que é grande fã do baiano, tinha esquecido dela e assim de bate-pronto a música entrou no seu rol de a-melhor-música-do-tom-zé-de-todos-os-tempos (junto com "qualquer bobagem", "augusta, angélica e consolação", "mã", "o amor é velho-menina" e "lua-gira-sol"; esqueci alguma, carolina?). aí fiquei pensando se tinha alguma regravação para fazer um transversão e fui lá no memória musical. a resposta foi: poucas. é curioso como tom zé não é muito regravado. talvez por suas músicas serem muito pessoais, e sua interpretação invariavelmente as eternizá-las; talvez porque as canções carregam um tanto de não-canções dentro delas, são estranhas, quebradas. enfim, tudo chute. certo mesmo é que "se o caso é chorar" foi regravada por um grupo chamado os caretas no mesmo ano que foi lançada (1972), pelo milton banana em 1973, pelo próprio tom zé em outras ocasiões ao vivo e por bete calligaris em 2002. e é isso. por enquanto, a original.



agora vamos com uma versão instrumental comandada pelo genial baterista milton banana no disco milton banana (odeon, 1973).

milton banana - se o caso é chorar by dafne47

dá pra ver aí como é daquelas canções que se sai muito bem tanto em letra quanto em música, mas não há como negar que a letra de "se o caso é chorar" é das melhores de sua lavra. confira.


se o caso é chorar
(tom zé e perna)

se o caso é chorar
te faço chorar
se o caso é sofrer
eu posso morrer de amor.

vestir toda minha dor
no seu traje mais azul
restando aos meus olhos
o dilema de rir ou chorar.

amor deixei sangrar meu peito
tanta dor, ninguém dá jeito.

amor deixei sangrar meu jeito
pra tanta dor
ninguém tem peito.
se o caso é chorar...

hoje quem paga sou eu
o remorso talvez
as estrelas do céu
também refletem na cama
de noite na lama
no fundo do copo
rever os amigos
me acompanha
o meu violão

o engraçado é que em um show de junho de 1990, e dividido com o violonista e compositor gereba (que saiu no disco independente cantando com a platéia), tom zé explica a letra dessa música, e que na verdade não tem nada de romântica (acho que não vou contar pra carolina essa parte). é uma brincadeira de colagem, um de seus processos preferidos de composição, e nesse balaio tem uma valsinha cantada por hebe camargo, chopin, tom jobim, antônio carlos & jocafi, erasmo carlos e rolling stones, entre outros. na agenda do samba & choro
tem a transcrição dessa explicação e aqui segue o áudio.

tom zé - se o caso é chorar 1990 by dafne47

p.s.: em novembro de 2009, dentro de uma série de shows idealizados por ronaldo evangelista, a doce lulina assinou mais um registro de "se o caso é chorar" (e tem foto do encontro de lulina e tom zé no twitpic do renato parada). segura.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

dança, essa coisa subversiva

desde que o mundo é mundo, tem gente que dança. tem aqueles que criam e executam, e tem outros que proíbem. sempre foi assim, afinal dança é corpo, corpo é sexo, é mão na coisa, é coisa na mão, é coisa na coisa, enfim. é vida, essa coisa louca.

por exemplo, olha que só que bonito a janelle monáe dançando. uma versão mignon, estilosa e elétrica de james brown. a americana tem 24 anos e está prestes a lançar seu disco de estreia, the archandroid (wondaland/bad boy/atlantic, 2010). a sacudidíssima "tightrope" estará nele e tem participação do "cara-que-descobriu-ela" big boi, do outkast (a primeira grande aparição da moça foi na trilha do filme idlewild, de 2006, feita por big boi e andre 3000). descobri janelle via ronaldo evangelista e flávia durante.



e as bundas vivem, tem rosto, nessa brincadeira genial do galactic, quinteto que faz um pancadão de metais à la new orleans. "do it again", que tem participação da rapper cheeky blakk, tá no disco ya-ka-may (anti records, 2010), o sexto de estúdio dos caras. conheci o galactic no só pedrada, claro.



e pra encerrar esse trio-triplo de dança e música, música e dança, um retorno à àfrica em compania de baloji, rapper congolês criado na bélgica. ao seu lado, mortes e a população de kinshasa dançam freneticamente. é o clipe sensacional de "karibu ya bintou (welcome to life in limbo)", que tem participação elétrica dos malucos e igualmente congoleses do konono nº 1, e estará no segundo disco de baloji, kinshasa succursale (hostile records, 2010). via dancing cheetah.


depois dos nossos comerciais

música, sempre ela. participei hoje do programa play unbuttoned na ótima e virtual rádio levi's. o lance é o seguinte: toda sexta, 14h, um convidado especial tem uma hora pra colocar o que quiser. foi nessa que entrei e a experiência foi boa, garanto. segue abaixo o que rolou, na ordem que rolou, e aqui o caminho para baixar as músicas. agradecimentos especiais a edu parez, coordenador artístico da rádio. simbora que o som não pode parar.

thalma de freitas, max b.o. & projeto guri - sonho de criança
mini box lunar - amarelasse
kassin + 2 - água
r.e.m. - losing my religion [dj cremoso remix]
luis visconde & alvarito - chofer de praça
nneka - kangpe [feat. wesley williams]
iara rennó - dói dói dói [feat. bnegão & funk buia]
flora matos & stereodubs - viver
galactic - boe money [feat. the rebirth brass band]
blakroc - ain't nothing like you [feat. mos def & jim jones]
caro emerald - back it up
miike snow - animal [mark ronson remix]
gonjasufi - holidays
josé james - black magic
azambuja & cia. - a turma

p.s.: agora no dia 20 de abril achei o clipe de "back it up", essa delicinha pop da holandesa caro emerald, e resolvi colocar aqui para dar uma animada no post.


um convite literário

tá começando hoje lá em fortaleza a 9ª bienal internacional do livro do ceará - vai até o dia 18 de abril no centro de convenções e dá pra baixar aqui toda a programação do evento em pdf -, e mais uma vez a livraria da família estará presente. a feira do livro existe desde 1958 e começou com um irmão de minha avó, o manoel raposo, e depois cresceu e se diversificou através das mãos do meu avô zé júlio, pai de meu pai. crises familiares na década de 1990 e uma consequente crise financeira, junto com a saúde cada vez mais debilitada de meu avô, quebraram as pernas da livraria (que saiu de sua unidade no centro de fortaleza para ficar apenas no bairro do montese). sorte que minhas tias seguraram o rojão, principalmente a mileide - que é maria do socorro mesmo e ganhou esse apelido nos tempos da faculdade de geologia -, e mais recentemente minha irmã ariadne entrou na parada. todas juntas e cheias de ideias reerguendo a feira do livro. é um trabalho bonito e admirável o delas que, infelizmente, acompanho de longe, com algumas ajudas ocasionais. por exemplo, fiz a pedido da mileide e em toque de caixa, esse convite virtual da livraria para a bienal. dêem uma olhada e um pulo lá pra conhecer essas mulheres lindas e fortes que moram no meu coração (e, claro, comprem uns livros bacanas que tem por lá também). ah, o convite...

e pra finalizar, o trecho de um texto que fiz pro livro de ouro da feira do livro (é como elas chamaram o livro de memórias e depoimentos sobre a livraria): "lá na feira do livro do centro... lembro da escada em espiral, os livros no mezanino de teto baixo, o cheiro de material escolar, e lá no andar de cima seu zé júlio esperando os netos para comer pastel e tomar refrigerante. livro pra mim é isso: refrescante, alimento, diversão, mistério e família. livro vive pra sempre. é história de todos e para todos."

quinta-feira, 8 de abril de 2010

fim do mundo em 8-bit

no incrível pixels (2010), dirigido pelo francês patrick jean, integrante do one more production, produtora de comerciais, curtas e clipes como "mistake" do moby.

Pixels from Patrick JEAN on Vimeo

quarta-feira, 7 de abril de 2010

fala mulatu

isso mesmo, o homem, a lenda, o cara, ou simplesmente mulatu astatke. um ano depois do maravilhoso disco em parceria com os heliocentrics (inspiration information vol. 3, strut records, 2009), o jazzista etíope retorna com um novo disco solo, mulatu steps ahead (strut records, 2010), e fala sobre o novo trabalho nesse excelente video. vi lá no radiola urbana.



gostei bastante do
steps ahead, mas o inspiration information é imbatível, ainda acho que é um dos melhores discos que já ouvi na vida. vai saber. no mais, clicando aí na capa do disco novo do mulatu você será direcionado ao original pinheiros style, um dos blogs preferidos da casa.

terça-feira, 6 de abril de 2010

o horror, o horror

a crueldade humana é coisa assustadora. pode ser diária, pequena, cotidiana (alô nardonis, alô anônimos que soltaram fogos). ou então extrordinária, em grande escala, espetacular (alô hitler, alô israel). tudo é crueldade, e não adianta vir com papinho que o inferno são os outros. o inferno somos nozes. está tudo dentro da gente, esse horror de muitas caras. por isso que é importante ouvir, mais que falar, porque só assim entendemos o outro, viramos o outro.

pensando alto, na verdade. sabe como é, fui pego por aquelas coincidências que fazem a gente parar e refletir. nessa segunda, 5 de abril, a organização wikileaks divulgou um video assustador conseguido de dentro do exército americano com imagens de um ataque de helicóptero a alvos civis em bagdá em 12 de julho de 2007. collateral murder tem pouco mais de 17 minutos e traz imagens dos dois helicópteros apache (com o áudio legendado de seus tripulantes) disparando fogo pesado em uma dúzia de pessoas, incluindo um fotógrafo da reuters e seu motorista. ah, todo esse oba-oba porque teve jornalista! ah, mas foram só 12 pessoas em uma guerra de muitos milhares de mortos! o ponto aqui é outro. o video é muito revelador da gratuidade do ataque, de como os soldados tratam tudo como se fosse uma não-realidade de game, e riem, e zombam, e atiram e atiram. fiquei sabendo do video de manhã por um link que me levou ao the huffington post (no meio da torrente de informações, perdi a pessoa que colocou no twitter), e à noite li essa repercussão no new york times.



essas cenas ficaram ecoando na minha cabeça junto com imagens de um impressionante documentário que vi ontem no futura: divórcio na albânia (2007). o filme da búlgara adela peeva conta a história de três casais que foram brutalmente separados e presos pelo regime ditatorial de enver hoxha (1908-1985) durante a década de 1960. são microhistórias que contam muito sobre um dos países mais fechados do mundo e que, após o rompimento com a união soviética no final da década de 1950, passou a tratar todo estrangeiro como espião de fato. em todos esses casais absolutamente normais, uma estrangeira (duas russas e uma polonesa) virou o bode expiatório por se recusar a deixar a família. quem não renegou a "estrangeira" da casa (e isso, claro, nunca foi o motivo alegado pelas autoridades e sim a "proteção da albânia de perigo externos") foi preso, torturado, sem possibilidade de defesa. a diretora também ouve três responsáveis pelas prisões que mesmo hoje acreditam ter feito o certo. de novo, a crueldade, mas agora em escala institucional.



por outro lado, temos o pessoal do wikileaks e adela peeva que tiveram coragem, foram atrás, ouviram e, desafiando, nos trouxeram histórias importantíssimas que não deveriam nunca se repetir.

p.s.: albânia, como todos os países dos balcãs, é uma pequena obsessão minha (agradecimentos ao escritor ismail kadaré que injetou em mim, nos tempos que lia ficção, essa curiosidade com títulos como abril despedaçado, concerto no fim do inverno, dossiê h, e o general do exército fantasmao palácio dos sonhos), mas isso são outras histórias.

domingo, 4 de abril de 2010

domingueira

taí raphael saadiq, soulman sangue bom, com um convite pro que resta desse domingo de páscoa. "let's take a walk" é do disco the way i see it (sony bmg/columbia, 2008) e o clipe foi dirigido por edouard salier que também assinou outro que coloquei aqui (aquele do massive attack, "splliting the atom").

sexta-feira, 2 de abril de 2010

não vai passar disso

é isso mesmo. e mr. oizo avisa que "esse filme provavelmente nunca existirá". esse curta (com participação ótima do pharrell) é o que temos, pelo menos provavelmente, pelo menos por enquanto. ah, e mr. oizo é quentin dupiex, produtor musical e cineasta francês, e o nome desse personagem é flat eric e foi criado por oizo (acho) pr'uma série de comerciais para a marca de roupas levi's em 1999 (podem ser vistos aqui no repcred). via @lalai.