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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

cantando caetano

entre ontem e hoje fui ouvindo o recém-lançado a tribute to caetano veloso (universal) e soltando no twitter minhas impressões (pessoais, muito pessoais). acabei reunindo aqui no esforçado porque, afinal de contas, tudo vale a pena. os textinhos, ligeiramente revisados, estão na ordem das faixas e o saldo final do disco de homenagem ao setentão caetano veloso é bastante positivo, mesmo que irregular como qualquer tributo. vamos lá...


ousado o magic numbers escolher "you don't know me". ficou pop-rock normal em inglês e meio bunda no brasileiro com sotaque. magic numbers é fraquinho. são hippies docinhos nas suas próprias músicas, mas não tem estofo pra fazer cover de nada maior que eles.

céu e fernando catatau mandando ver em "eclipse oculto". tudo lindo, oitentista, mas achei esquisito e errado o efeito na voz da céu.

a faixa 3 é chrissie hynde junto com moreno, kassin e domenico...versão linda linda de "the empty boat". anos de estrada fazem diferença... chrissie hynde entende a música e a toma pra si, coisa que o magic numbers não conseguiu.

mas anos de estrada também enganam. mutantes (ou melhor, sérgio dias apenas) esculhambam a originalmente chata "london, london".

beck fez uma versão boa, correta, de "michelangelo antonioni", uma daquelas pouco conhecidas do baiano. mas não anima.

e jorge drexler, bem intencionado e com sotaque, faz boa versão de "fora da ordem", mas dá uma vontade de pular de faixa.

"de manhã" em versão bossinha rocker noisy muito boa comandada por marcelo camelo e hurtmold. ficou linda, uma das melhores.

bem confuso "quem me dera" com devendra banhart, rodrigo amarante e mais um monte de citações de outras músicas de caetano. faltou alguma concisão.

linda e triste "alguém cantando" com o momo. impressionante como a música parece que é dele e não do caetano.

uh, luisa maita, kiko dinucci, rodrigo campos & cia fizeram uma versão movimentada e interessante de "trilhos urbanos".

e caímos no fado com ana moura e uma bonita e dolorida (obviamente) versão de "janelas abertas 2".

uma das mais fodas músicas de caetano, "da maior importância", ganhou versão rascante, brincalhona e ótima por tulipa ruiz (que já cantava a música em shows).

tenho problemas com "força estranha" e na versão em espanhol - feita por miguel poveda - ela parece ainda mais cafona. puxado.

suingante e gostosinha a "qualquer coisa" de qinho (e sua voz parece um pouco com a do baiano). teclados e baixo espertos.

curioso o encontro de seu jorge, toninho horta e arismar do espírito santo, mas é que acho "peter gast" bem chatinha.

e o disco encerra com mariana aydar, duani e letieres leite numa bonita, mesmo que um pouco séria demais, versão de "araçá blue".

atualização caetânica: depois fui ver com calma de quais discos e épocas foram pinçadas as músicas do tributo. como era de se esperar das 16 faixas, 9 vieram da década de 1970, a grande era produtiva de caetano. na sequência, lá longe, vem a década de 1960 (3 músicas), a de 1980 (2) e, empatados, os anos 1990 e 2000 ("fora de ordem" e "michelangelo antonioni", respectivamente). houve uma interessante pulverização dos discos-fonte e, curiosamente, apenas um teve duas músicas escolhidas ("eclipse oculto" e "peter gast" vieram de uns, 1983). 

das 16 faixas, 6 não foram cantadas originalmente por caetano. "de manhã" ganhou de cara interpretações de wilson simonal e maria bethânia em 1965 e caetano nunca a gravou. bethânia gravou originalmente "janelas abertas 2" em 1971 e no ano seguinte a música apareceu no disco caetano e chico - juntos e ao vivo, mas quem cantou foi chico (caetano também nunca a gravou). gal foi a primeira a registrar "london, london" (legal, 1970) e "da maior importância" (índia, 1973) e só depois caetano fez das suas. "força estranha" foi composta especialmente para roberto carlos, que a registrou em seu disco de 1978 (caetano só fez o mesmo em zii & zie - mtv ao vivo, 2011). e, por último, "quem me dera", originalmente gravada pelo tamba trio em 1966 e um ano depois por caetano no disco domingo, aquele que dividiu com gal.

terça-feira, 2 de março de 2010

inteligência ao vivo

palco ou estúdio, não importa, tanto faz. a paulistana mariana aydar se vira bem em qualquer terreno com sua voz límpida, forte e cheia de balanço. um ano atrás ela lançou seu segundo disco, o excelente peixes pássaros pessoas (universal, 2009), e também se afirmou como compositora (resenha minha do disco lá no gafieiras). uma das inéditas desse disco, "beleza" (luisa maita e rodrigo campos), entrou no inaugural corjacast #0 e já foi citada aqui. mas agora acabou de sair uma ótima edição especial do disco com um dvd que traz cinco músicas registradas em um show de dezembro de 2008, dois videoclipes e um documentário. foi então que voltei a me impressionar com seu talento como intérprete e sua presença ali no cara a cara com o público (sem falar no talento dos músicos que a acompanham, gente como duani e gustavo ruiz). por exemplo, o samba "vai vadiar" (alcino corrêa e monarco), eternizado no molejo de zeca pagodinho, ganha novas e surpreendentes cores nessa versão.



o mesmo acontece em "zé do caroço" (leci brandão), que mariana gravou muy respeitosamente em seu disco de estreia,
kavita 1 (universal, 2006, resenha no gafieiras), e que agora ganha até um tamborzão envenenado e umas pitadas eletrônicas.



como diria aquele apresentador: ô loco, quem sabe faz ao vivo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CORJA, um podcast

amiguinhos e amiguinhas, chegou a hora da tão esperada estreia do podcast do CORJA. isso mesmo, C-O-R-J-A, ou para os menos íntimos, coletivo reunido no jaguaré, formado por eu mesmo, douglas mendonça (oga/macário), edson franco e valter silva (valtinho). a idéia de fazer um programa musical cheio de conversa fiada e com boa música surgiu das nossos encontros no quarto andar do prédio da editora globo (no jaguaré, zona oeste de são paulo). uma piada esdrúxula aqui, um achado musical acolá e montamos um roteiro básico ao redor de 6 músicas, sendo que uma é o consenso positivo, depois cada um traz uma música para surpreender os outros e o final é uma polêmica, uma música que dê o que pensar e falar. o podcast com pretensão de ser mensal taí na barra lateral, mas também pode ser acessado e assinado aqui.

gravada no meu cafofo em uma tarde de sábado muy agradável lá pelo final de abril, a edição de número 0 serviu como um teste para tudo: formato, entrosamento e questões técnicas. vocês logo perceberão que tem uns probleminhas no áudio e que ficou mais longo que o esperado. mas é tentativa e erro, mano! é a demotape, tá ligado? o bagulho é louco e o processo é dinâmico. no mais, sugestões, reclamações e pedidos de toda sorte na janela de comentários.

ah, e no CORJA nº 0 temos wilson simonal, caetano veloso, superchunk, mariana aydar, mayra andrade, instituto, sabotage, kassin e gabriel muzak, mas não necessariamente nesta ordem. e pablov black como som de fundo. e se preferir baixar, tá AQUI.

corjacast#0 by dafnesampaio

quarta-feira, 15 de abril de 2009

o samba a persegue

kavita 1 (universal, 2006) provou que mariana aydar, filha do músico mário manga (premê), tinha sim uma voz com identidade, bom gosto e uma indisfarçável predileção pelo samba. se o repertório era bom - de joão nogueira a rodrigo amarante, de leci brandão a giana viscardi, etc. - ainda faltava à cantora um toque mais pessoal que não a limitasse ao mero papel de intérprete (sem julgamentos aqui sobre a questão cantoras compositoras vs. intérpretes). o segundo disco da moça, peixes pássaros pessoas (universal, 2009), vai exatamente nessa direção, sem regravações nas 13 faixas inéditas, sendo que três delas são de autoria da cantora, sob o pseudônimo de kavita.

leia a íntegra da nota sobre o disco de mariana aydar no gafieiras.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

pra semana começar bem

correria louca até quinta e muita coisa pra acontecer. é que depois de um começo de ano fraquinho começaram a surgir os primeiros ótimos discos brasileiros de 2009 (já falei lá no gafieiras do novo da maria alcina, confete e serpentina, e da estreia de verônica ferriani). mas acabaram de chegar o novo de caetano (zii e zie) e os encontros de siba & roberto corrêa (violas de bronze) e de guinga & paulo sérgio santos (saudade do cordão), além de romulo fróes (no chão, sem o chão), rodrigo campos (são mateus não é um lugar assim tão longe) e mariana aydar (peixes pássaros pessoas). falarei, calmamente, sobre todos esses discos, mas enquanto isso não acontece - fora a monet e outras paradinhas, estou editando a nova entrevista do gafieiras, mais precisamente da ná ozzetti - separei aqui uma música que já entrou na minha lista pessoal de melhores do ano. é "beleza" (luisa maita e rodrigo campos), um dueto de mariana aydar com a caboverdiana mayra andrade.



e olha que ainda tem novidades de anelis assumpção, thalma de freitas, nina becker, jumbo elektro, etc.

p.s.: já ia esquecendo. dois trechos da vindoura entrevista com a ná ozzetti estão no myspace do gafieiras.