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sábado, 23 de março de 2013

deusa e diaba na terra da chuva

dois anos atrás, quando foi gravado live in jurunas, gaby amarantos ainda estava se preparando para gravar seu cd de estreia (treme, 2012). muita coisa aconteceu com a paraense de lá pra cá, desde seu disco entrar em boa parte das listas de melhores do ano (também aqui no esforçado) até centenas de shows, participações, aparições em tv, editoriais de moda e o escambau, sempre trafegando muito fácil e confortavelmente entre os mundos popular e cult. 


mas este live in jurunas, lançado hoje, é particularmente revelador da energia da intérprete no palco e da sua forte ligação com seu bairro de nascimento e criação (coisas que, obviamente, não aparecem no disco). e tudo filmado de forma crua, documental, suada e apaixonada por priscilla brasil (que depois dirigiria o clipe de "xirley") e vincent moon. clique aí e se divirta com os muitos detalhes, sonoros e visuais, desse grande show que é gaby amarantos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

maderito, a entrevista

a outra metade da gang do eletro, assunto da reportagem que está no post "as duas cabeças do eletromelody", é o mc maderito, o alucinado do brasil, e aqui segue a íntegra da conversa que tive com ele via skype. figuraça esse maderito.

o começo
tenho 28 anos. nasci e me criei no bairro de aclimação, aqui em belém do pará. [trabalho com música] desde 2000, quando meu tio me colocou pra ser roadie do açaí machine... eu sou sobrinho de tonny brasil, entendeu? era o surgimento do tecnomelody, do tecnobrega, aquela onda todinha. aí ele criou a banda bundas, que era pra ser uma cover do mamonas [assassinas], e a gente foi fazer um show lá no acará. foi lá que o tonny disse que ia fazer uma banda e queria que eu fosse um dos principais. eu quero que você seja um personagem. porque a banda bundas tinha um teatro e chamava a galera pra dançar. daí que surgiu o maderito.

o apelido
o tonny criou o maderito do nada. ele falava que eu tinha que chamar as garotas pra dançar no palco comigo e naquela época eu era mais magro, aí ficou o maderito. e é assim que todo mundo me conhece.
[dias depois, no messenger, waldo squash comentou sobre o apelido de maderito: “rsrsr... é... mais agora ja está mais forte, tomou remédio pra vermes e está se alimentando melhor... rsrs]

composições próprias e parcerias
já vinha fazendo minhas composições tinha tempo. desde quando tinha uns 15 anos. vinham rimas na minha cabeça, direto, e versos e frases, aí eu criava uma coisa. mas nunca imaginei criar um ritmo chamado eletromelody e a galera adaptar aquilo como se fosse um hino nacional. é o que equipes falam aqui em belém. então é isso, desde os 15 que faço rimas, faço músicas, tecno, melody, eletro, direto... eu me acostumei a fazer letras desde o tempo do pop brega, do brega mesmo. tempo de roberto villar, nelsinho rodrigues, do brega de raiz do pará mesmo! mas eu não tenho ideia de onde surgiu isso, tanta coisa, tantas letras na minha cabeça como surgem até hoje. eu sinceramente não sei, não sei [ri]... não sei de onde vem tanta imaginação, tanta coisa na minha vida. só deus que sabe.

comecei a fazer as minhas coisas em 2002. foi quando a banda bundas teve uma pequena... pequena não, teve uma discussão entre os donos, o meu tio tonny brasil era um deles, e ficaram sem se falar. foi quando a banda bundas acabou que decidi que iria realizar o meu sonho. foi aí que comecei a criar tecnobrega. primeiro com o dj miller, depois com o dj betinho izabelense. também gravei algumas músicas que fizeram sucesso com o dj alex, da banda vip, e com o furacão sonoro. com o betinho izabelense foi que gravei uma música que fala: “fazemos a festa que você merece / agora joga a mão pra cima e faz um s”. essa música foi uma febre aqui no pará. depois, em 2007, conheci o joe benassi. quem me apresentou a ele foi o dj rafael teletubies, com quem também gravei uns tecnobregas. pouco depois conheci o waldo squash, e nós estamos juntos até hoje, na luta com a gang do eletro, entendeu? tipo assim, tenho um vínculo direto com a moçada. todos os djs me respeitam, tanto os velha guarda quanto os atuais. já mandei umas quatro letras pra banda medley, fora outras bandas. e sempre correndo atrás de inovar, de estudar várias rimas e gírias. sempre correndo atrás de tudo, de tudo, de tudo.

eu trabalhei com o joe [benassi] em 2007 e a gente montou a banda eletromelody. mas aí teve um desentendimento entre eu e ele e eu saí fora. vou falar de um ditado aqui... eu tô vendo que aquela plantação ali não vai me dar arroz, não vai me dar feijão, não vai me dar comida, não vai me dar dinheiro pra poder comprar um trator e colher alguma coisa boa dali, eu prefiro tacar fogo naquela porra e vender o terreno. sabendo que aquela praga não vai ter mais jeito... prefiro partir pra outro lugar. foi isso que aconteceu. não deu certo entre nós dois e eu saí fora. nessa época, o waldo trabalhava numa empresa aqui e eu conheci ele assim, do nada. a gente começou a bater um papo e falei de fazer uma parada juntos. ele disse que ainda não sabia mexer direito [nos equipamentos], e eu falei ‘bora que a gente vai ver no que vai dar. e hoje o waldo squash é uma referência no pará. gosto de trabalhar com ele porque o waldo estuda várias coisas, sabe? coloca uns violinos, ou um cello, ou então um sax. só o filé.

sobre a gang do eletro e o futuro
a gang do eletro é muito diferente do que fazia antes. totalmente diferente. a gang do eletro está pronta pra competir com qualquer banda mundial de eletrodance, entendeu? o waldo, além de ser produtor, ele é locutor também e tem uma técnica muito fina pra voz. ele ajuda a gente a cantar. ele faz muito comercial pra holanda, pra fora, e a gente fala com esse pessoal pelo facebook, pelo twitter. já toquei um set da gang do eletro em londres e o pessoal pirou e ficava perguntando de onde vinha aquela música. e eu falei que era de belém do pará, do brasil. a galera não acredita que no norte tenha uma evolução tecnológica assim. é uma onda diferente.

não dá pra dizer o que vai ou o que não vai acontecer porque o futuro só a deus pertence. porque, olha só, meu sonho era ser jogador de futebol. era pra eu estar jogando uma hora dessas no paysandu, apesar de ser remista, só que essa história acabou quando eu quebrei meu braço. mas aí surgiu essa onda das músicas.



breve digressão
antigamente tinha dificuldade de fazer minhas letras pra gang do eletro. hoje em dia não. vem do nada, tipo assim... “dafne sampaio / chegou pra você / entrevistando o alucinado / pra galera estremecer”, uma onda assim [risos]... entendeu? gostou? é do nada! e dafne tem tudo a ver com uma aparelhagem do pará, sabia? aqui tem uma aparelhagem boa chamada daf som.

o acidente
tenho sete parafusos desse aqui no meu braço. e um jogo de platina. era remo e paysandu, decisão do primeiro turno. eu trabalhava no jornal o liberal. minha mãe disse... “meu filho, não vá pro campo não que hoje é final e tu vai só tu”... “não, mãe, vai eu e um amigo meu”... acabou que meu amigo não foi porque foi levar a mulher no hospital que tava grávida. fui pro mangueirão. chegando lá... o remo tinha que ganhar do paysandu de 1 a 0, e pro paysandu bastava um empate. o remo dando com bola na trava tudinho. terminou o jogo e o paysandu foi campeão, levantaram a taça, e aí a torcida do remo veio com tudo. eu vinha descendo a arquibancada, a rampa, quando veio aquele arrastão, muita gente atropelando e aí me empurraram e eu caí lá de cima do mangueirão. caiu eu e uma senhora. ela quebrou a bacia e eu o meu braço, que quebrou em quatro partes. o médico falou que não tinha mais jeito do meu braço ficar normal, mas veio outro e disse que tinha jeito sim, mas que tinha que pegar um jogo de platina em são paulo que custava r$ 2,7 mil
[o resumo da sequência dessa história é que maderito estava em um consórcio para tirar a moto holda falcon, acabou resgatando o dinheiro e salvou o braço, recuperou todos os movimentos].

maderito escuta...
por incrível que pareça, as músicas que escuto em casa não são eletromelody, melody, funk, forró, nenhuma. eu curto muito baile da saudade. minha onda é flash brega. eu sou apaixonado por borba de paula, magno, roberto villar, wanderley andrade, tonny brasil, que é meu tio... direto... minha onda em casa é baile da saudade. não escuto outra coisa. merengue, cumbia, soca, casicó, siriá, entendeu? reggaeton. e lá em casa é direto cd do pop saudade, rubi saudade, daf saudade, que é um outro segmento da empresa, né? ah, porque ficar escutando latino, essas músicas de fora, lady gaga, beyonce... pra mim isso pode tá aí! choro! eu gosto de escutar o que é do pará, o que é nosso.

a evolução da música pop paraense
pro meu conceito mudaram três coisas. primeiro: as batidas são mais acelerados porque a galera dá mais valor. pela harmonia, melodia, tudinho geral. pelo instrumental. e as letras que hoje em dia tem umas lindas. por isso que falo pra todo mundo que nós paraenses temos a capacidade de criar uma música, uma letra linda maravilhosa. eu falo, gente, vamos parar de pegar música dos outros, forró ou funk, e transformar em melody, porque não vinga. desse jeito a gente nunca vai ser muita coisa. acho que mudou muita coisa, eu gostei.

do pará
nós somos ricos em música. temos artistas bons aqui e a nossa cultura é forte. eu considero o pará como um país, um país cheio de ritmos, entendeu? agradeço muito a deus por ter nascido no pará e ser paraense da nata. ter o sangue parauara. acho uma coisa bem legal, diferente mesmo.

tirando o chapéu
gaby amarantos, acho o trabalha dela filé mesmo. a banda os brothers tem umas sacadas boas no melody. marlon branco junto com david sampler, outro cara que tiro o chapéu. viviane batidão com betinho izabelense. só filé. uma onda gostosa de curtir.

dou muito valor a ivete sangalo. ia ser um grande privilégio cantar com ela. e com o marcelo d2, ele de camisa do flamengo cantando a rima dele, e eu com a camisa do vasco cantando a minha do pará. e tem também um cara que sou louco pela música dele que é o josé augusto
[e cantarola um trecho de “tudo deu em nada”].

os sonhos
tenho três sonhos na vida. quero construir uma casa e dar boas condições pra minha família, principalmente pra minha filha e minha mulher. quero conhecer são januário, o campo do vasco no rio de janeiro. e também tenho o sonho de conhecer o jô soares. os dois primeiros estão quase realizados, porque já mandei tirar o orçamento e daqui pra outubro vou terminar minha casa
[seu aniversário é em 3 de outubro, perto do círio de nazaré], tenho um abraço gravado do carlos germano, que foi goleiro do vasco, e esse ano eu devo ir a são januário. então falta esse sonho de conhecer o jô soares e todo o sexteto dele.

quarta-feira, 30 de março de 2011

as duas cabeças do eletromelody

taí meu primeiro texto pra vice brasil que surgiu dessa minha paixão pelo pará e pelo som da gang do eletro, e quem já passou por aqui sabe disso. a entrevista foi feita pelo skype, primeira vez que fiz isso, e funcionou muito bem (talvez se tivesse uma webcam fosse um pouco melhor, afinal é sempre bom o olho no olho). agradecimentos a andré maleronka (@Andre_Maleronka), editor da vice brasil, e priscilla brasil (@prisbrasil), da produtora greenvision. ah, as imagens são capturas de tela feitas durante a entrevista.

@djwaldosquash & @marcosmaderito, a gang do eletro

DUAS CABEÇAS, UMA LEVADA

O Pará já é, e qualquer um que acompanhe a música popular brasileira dos últimos tempos sabe disso. O ousado comércio alternativo (sim, a pirataria), a autonomia cultural, a intensa produtividade, e a proliferação exponencial de aparelhagens, equipes e DJs, além de uma criatividade enérgica aliada a velocidade da internet, fizeram o Estado entrar no foco de quem faz e consome música no Brasil e no resto do mundo. Esse processo vem acontecendo e se amplificando na última década, mas 2011 poderá ser lembrado como o ano do surgimento do
Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band ou do Samba Esquema Novo da música paraense, e da consequente coroação de umas das ramificações mais promissoras (criativa e comercialmente) do tecnobrega: o eletromelody. Mas vamos com calma que tal divisor de águas parauaras se chama Gang do Eletro, bicho de duas cabeças (Maderito e DJ Waldo Squash) que precisa ser apresentado.

“E aí? Só na manha?”. Do outro lado da webcam quem fala é Marcos Maderito, o Alucinado do Brasil, cria do bairro belenense de Cremação. Aos 28 anos, Maderito já pode ser considerado um veterano, afinal é sobrinho de uma lenda viva da música paraense, Tonny Brasil, e começou, ainda adolescente, na função de roadie de uma de suas mais famosas aparelhagens, a Açaí Machine (Tonny também é compositor de muitos dos sucessos da Banda Calypso). Não demorou muito e o tio o promoveu a um dos vocalistas da Banda Bundas, uma espécie de cover do Mamonas Assassinas, e foi nessa época, início dos anos 2000, que surgiu o apelido Maderito. E porque? Ele era muito magro, simples assim.

Mas a Bundas passou e Maderito ficou, já compondo tecnobregas aos milhares e em parcerias com os DJs Miller, Alex, Betinho Izabelense e Rafael Teletubies. “Não tenho ideia de onde surgiu tanta coisa, tantas letras na minha cabeça. E nunca imaginei ser reconhecido em todo lugar como sou hoje. Sinceramente não sei, não sei de onde vem tanta imaginação, tanta coisa na minha vida.” Essa torrente de criatividade tem muitos escoadouros e até hoje Maderito faz muita música sob encomenda, principalmente para aparelhagens e equipes (que são os fã-clubes das aparelhagens), o que é muito frequente entre compositores e DJs paraenses. Músicas assim já possuem um canal de divulgação próprio, os shows e coletâneas de aparelhagens, e isso já é meio caminho para o intrincado sucesso pelos igarapés do Pará.

“Nós somos ricos em música. Temos artistas bons aqui e a nossa cultura é forte. Eu considero o Pará como um país, um país cheio de ritmos, entendeu?” E Maderito sabe o que está falando, pois faz e ouve de tudo (que é paraense), mas o coração tem seus mistérios e o dele já tem dono. “Curto muito Baile da Saudade. Minha onda é Flash Brega. Sou apaixonado por Borba de Paula, Magno, Roberto Villar, Wanderley Andrade, Nelsinho Rodrigues e Tonny Brasil, que é meu tio”. Resumindo: em casa, com sua mulher e sua filha de pouco mais de 1 ano, Maderito gosta mesmo é de ouvir os clássicos bregas das décadas de 1970 e 80, um cancioneiro que deve muito à guitarrada, ao merengue, a cumbia e a uma romântica Jovem Guarda.

Só que o tempo de hoje é outro e a hiperatividade de Maderito o levou a acelerar as batidas do tecnobrega, criando assim o eletromelody, uma mistura da música de festa paraense com o eletrodance europeu do início da década de 1990 (“as batidas são mais aceleradas porque a galera dá mais valor”, diz, na lata). As primeiras experiências aconteceram com os DJs David Sample e Joe Benassi e em 2008 veio seu primeiro sucesso, “Galera da Laje”, música que lhe deu o título de Rei do Eletromelody e que foi feita originalmente para uma equipe. Quem já viu ao vivo ou no documentário Brega S/A (2009), de Vladimir Cunha e Gustavo Godinho, sabe que “Galera da Laje” é pancadão eletrônico para qualquer pista de dança que se preze eclética e atual.

Quase ao mesmo tempo, um mecânico industrial nascido em Muaná, mas criado em Ananindeua, na Grande Belém, estourou ao produzir um outro eletromelody pioneiro, “Super Pop é Curtição”, composto para a célebre aparelhagem Super Pop. Seu nome, Josivaldo, ou melhor, Waldo Squash. Atualmente morando em Barcarena, o DJ é outra cria exemplar da terra. “Meu pai já era apaixonado por música e tinha uma aparelhagem, como todo mundo aqui tem. Quando era pequeno lembro dele me colocar na beira do toca-discos. Fui crescendo assim, no meio dos sons, conhecendo equipamentos. Acho que já nasci DJ”, disse após tomar o lugar de Maderito na entrevista por Skype.

Mais crescido, Waldo foi trabalhar com áudio em algumas rádios pelo interior do Estado, geralmente como produtor de comerciais e vinhetas, além de ocasionais locuções. “Fui aprendendo a mexer nos programas e comecei a desenvolver minhas idéias. Às vezes ouvia uma música e achava que dava pra fazer outra coisa que ficaria bem melhor”. Entre essas experiências surgiu “Super Pop é Curtição”, cujo sucesso chegou aos ouvidos de Maderito. Foi então que combinaram de se encontrar para uma carne assada em um restaurante próximo ao terminal de ônibus do São Braz. “No mesmo dia fizemos a base de duas músicas, uma de aparelhagem e outra de equipe”, confessou Waldo sobre aquele 21 de novembro de 2008.

Melhor combinação não podia acontecer. De um lado, o falante Maderito com seu talento para criar rimas freneticamente. Do outro, Waldo Squash e sua permanente curiosidade por sons de todos os cantos da internet. “A gente procura fazer o seguinte: uma mistura do ritmo daqui com o geral que a gente ouve, com um pouco do que os baianos fazem com percussão e um pouco da música pop internacional mesmo. Mas a levada é a mesma [do tecnobrega]. Só é mais eletrônico”, explica o DJ. Pois então, já em 2009 nasceu o primeiro hit da Gang, o “Eletromelody da Indiana”, com referências a novela
Caminho das Índias, Osama Bin Laden, Saddan Hussein e o diabo a quatro.

“Tento colocar nas minhas produções também coisas de fora do Pará. Já incluí samba no ‘Tributo a Carmen Miranda’, reggaeton e umas coisas da América do Sul como a cumbia villera [da Argentina]. E tô pensando em fazer umas coisas com pagode”. Waldo concretiza nas bases o que Maderito costuma chamar – e o termo é recorrente em várias letras - de “onda desguiada”. Uma onda diferente, desviada, que parte do Pará e vai engolindo (musicalmente) outras partes do mundo até voltar.

É isso, a Gang do Eletro é uma pororoca de duas cabeças que em um par de anos gerou uma infinidade de trabalhos encomendados e muitas músicas, algumas absurdamente originais como “Panamericano”, “Arrazadora (Sanfona Mix)”, “Friquitona”, “Tecno Cumbia Colombiana” e o tributo a Carmen, tudo devidamente disponível gratuitamente para download em uma conta 4shared. “Gosto de trabalhar com o Waldo porque ele estuda várias coisas, sabe? Coloca uns violinos, ou um cello, ou então um sax. É só o filé. A Gang do Eletro é muito diferente do que fazia antes. Totalmente diferente, e acho que está pronta pra competir com qualquer banda mundial de eletrodance, entendeu?”, é Maderito quem fala, sempre muito sincero.

E como tudo no Pará é muito urgente, pelos menos em termos de música, os dois decidiram voltar ao estúdio para registrar, com mais e melhores equipamentos, o disco de estreia. Em parceria com o GreenLab, um dos braços da produtora audiovisual Greenvision, Maderito e Waldo Squash vão, quase simultaneamente, gravar o álbum (que deve sair ainda neste semestre), preparar o show que farão em São Paulo em abril, idealizar o espetáculo que colocarão na estrada e gravar o clipe de “Galera da Laje” e um DVD. Tudo isso pouco depois do DJ acabar de produzir as bases para o disco de Gaby Amarantos, que participará do clipe e, atualmente, é considerada a embaixatriz da música paraense. Gaby, aliás, é também uma espécie madrinha da Gang e os convidou para participar de seu primeiro DVD solo, gravado no final de fevereiro no bairro belenense de Jurunas.

Só que existe mais uma ambição neste projeto da dupla: eternizar, sintetizar e divulgar a cultura eletromelody para fora do Estado. “Nada, nada mesmo, é mais a cara da periferia de Belém que o eletromelody. Tu chega lá e já está tudo pronto”, garante Priscilla Brasil, sócia-fundadora da Greenvision, diretora de documentários, clipes e institucionais e, no caso da Gang, produtora executiva. “As pessoas tem uma forma específica de se vestir, de se comportar, de se comunicar (sim, eles usam símbolos pra se comunicar nas festas), de dançar... é um mundo bem maluco”. Um mundo desguiado, tal como Maderito, Waldo Squash e a Gang do Eletro.



p.s. 1: colocarei logo mais os extras dessas duas entrevistas (ficou bastante coisa de fora, tais como o nome de dois cantores que entraram na trupe para shows e que aparecem aí no video, keyla gentil e william).
aliás, a gang do eletro vai estrear em são paulo agora no dia 2 de abril com apresentação no sesc pompéia.

p.s. 2: olha um videozin caseiro que fiz durante o show e do exato momento da participação de gaby amarantos.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

eletrodemo, pode acreditar

como sempre, timpin, o cabra mais antenado sobre a atual música popular brasileira, deu o aviso. o pessoal da gang do eletro (waldo squash & maderito), que falei aqui no mais recente transversão, lançou um cd demo (volume beta) e, não coincidentemente, o próprio timpin foi o responsável pela seleção das dez músicas presentes. basta clicar no logo que está aí logo abaixo e se divertir com uma sensacional coleta de hits para pistas sem preconceitos.

ah, olha aí o nome das faixas. só s-u-c-e-s-s-o.

01. tributo a carmem miranda
02. curtição da night
03. panamericano
04. velocidade do eletro
05. eletromelody da indiana
06. vou passar o sal
07. pout-pourri de eletromelodys
08. eletrocumbia do mexicano
09. rubi boy
10. mariazinha & joãozinho do pop

terça-feira, 26 de outubro de 2010

waldo squash, o fenômeno

chego na redação, ligo o computador e uma janela do messenger pula na minha cara: "paaaaaara tudo, parem as máquinas!". é o timpin, com sua habitual animação. e segue ele. "waldo squash superou todas as fronteiras da genialidade com seu novo single. quanto bati os olhos na tela e li o nome, pensei de cara - agora é que fudeu tudo!". waldo squash é um dj paraense de eletromelody que vem causando espécie com seus remixes venenosos (que geralmente misturam a batida tecnobrega com coisas latinas) e composições em parceria com maderito, o alucinado do brasil. os dois juntos formaram a gang do eletro e o resto é história. o novo single da gang se chama "tributo a carmen miranda" e tudo faz muito sentido. escuta só.



basta uma música como essa para saber que waldo squash não é um dj comum. tem técnica, humor, balanço e um tanto bom de invenção e inspiração. e como ele tem uma conta no 4shared com uma porrada de músicas para baixar gratuitamente já vinha ouvindo uma coisa ou outra, principalmente o hit "panamericano".



genial, simplesmente genial. mas me bateu uma curiosidade para saber de onde veio esse sampler da música e fui refazendo a história. achei primeiro "we no speak americano", sucesso recente em rádios mundo afora, que tem assinatura dos australianos do yolanda be cool. a música ganhou um clipe simpático em ritmo de comédia muda.



só que essa música também possui um sampler, amiguinhos e amiguinhas. e qual não foi minha surpresa quando soube que a original ("tu vuò fa' l'americano", 1956) é do grande renato carosone, que já esteve aqui com "mambo italiano".



o mundo dá voltas.