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quarta-feira, 6 de junho de 2012

5músicas, uma breve mixtape

e o eduardo roberto (aka @euamotubaina) me convidou para fazer uma seleção para o seu tumblr de mixtapes, o cinco músicas. não tive dúvida, fiz um recorte (negro) entre as músicas que tenho ouvido ultimamente. curumin ("afoxoque") e oquadro ("balançuquadro") já tinham aparecido aqui pelo esforçado, e de brasileiro entrou também "nem se, nem dó", música do sensacional disco de estreia do café preto, projeto de dub liderado por cannibal (devotos). as outras duas vieram da áfrica: "ekassa 24" é do nigeriano victor uwaifo, a grande estrela da coletânea the rough guide to psychedelic africa, e "make is fast, make it slow" é a faixa-título de um disco de 1977 do ganês rob.

já tinha visto esse mixcloud em outros blogs e foi tão rápido o processo (de mandar pro eduardo e ele subir no tumblr) que acho que o usarei para fazer umas mixtapes mensais aqui. será que conseguirei? aguardem os próximos capítulos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

é tudo verdade (fotográfica)

depois de assistir repetidas vezes o clipe que está no post abaixo - "control" de spoek mathambo - fui dar uma fuçada mais detalhada no site do fotógrafo sulafricano pieter hugo (um dos diretores do video). já o conhecia daquele ensaio sensacional com nigerianos, invariavelmente foras-da-lei, e seu delicados animais de estimação: hienas! lá no site tem outros projetos impressionantes como o de vestígios do massacre de ruanda e uma série de retratos de pessoas que nos fazem desviar o olhar (albinos, velhos, cegos, deficientes físicos, etc.), mas nada tão maravilhoso, colorido e rico como o projeto nollywood, no qual hugo chamou atores e atrizes da grande indústria cinematográfica nigeriana - falei sobre ela no post "nollywood não é aqui" - para uma série de retratos. todos foram tirados entre os anos de 2008 e 2009 na cidade de enugu. olha só essa selecta.

escort kama

junior ofokansi, chetachi ofokansi e mpompo ofokansi

obechukwu nwoye

azuka adindu

malachy udegbunam

dike ngube e gabriel

rose njoku

chommy choko eli, florence owanta e kelechi anwuacha

emeka uzzi

chris nkulo e patience umeh

clinton ibeto

linus okereke

song iyke e crianças

princess adaobi

maureen obise

emeka onu

tarry king ibuzo

ngozi oltiri

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

o filho do homem está entre nós

que homem? fela kuti. que filho? femi kuti, o mais velho rebento do mestre nigeriano criador do afrobeat. pois então, femi fará dois shows no sesc santo andré neste final de semana, dentro do evento batuque - conexão áfrica-brasil, e é uma bela oportunidade de conhecer o balanço político do cantor, compositor e multiinstrumentista que vem honrando o legado do pai. a base do show vem direto de seu disco mais recente, o ótimo africa to africa (wrasse records, 2010), e dá para sentir a força do sujeito (e de sua banda) nestes dois videos recentes feitos por vincent moon, o cara do la blogotheque. o primeiro, mais lento, quase religioso, é da música "day by day", do disco day by day (wrasse records, 2008).

Femi Kuti | Day by Day | A Take Away Show #115 from La Blogotheque on Vimeo

e o segundo, totalmente enérgico, é de "africa to africa". os dois foram filmados em paris, agora em outubro.

Femi Kuti | Africa for Africa |A Take Away Show #115 from La Blogotheque on Vimeo

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

nollywood não é aqui

não sei se vocês sabem, mas a pobre e devastada nigéria possui a terceira maior indústria cinematográfica do mundo, perdendo apenas para os estados unidos (hollywood) e índia (bollywood), e é disso que trata o excelente documentário nollywood babylon (2008). produção canadense dirigida pela dupla ben addelman e samir mallal, o filme logo trata de dar essa informação e ainda capricha nos detalhes, afinal na última década, o país produz uma média de 2500 filmes por ano, sendo que a grande maioria custa no máximo 15 mil dólares, e as pessoas tem o costume de assistir de 3 a 5 filmes por dia. quer dizer, esse papinho de se eu fosse você 2, nosso lar, chico xavier, é tudo bobagem pros nigerianos. é bilheteria de pinga. saca só o trailer do documentário.



mas antes de seguir falando sobre o filme é bom esclarecer que a nigéria não é nada pobre, na verdade. sua grande população de mais de 150 milhões de pessoas é, mas o país possui grandes reservas de petróleo e é uma das economias que mais cresce no continente africano. claro que as pessoas não vem a cor desse dinheiro e seguem vivendo na pobreza, abaixo da pobreza, em grandes periferias sem serviço público algum. colonizada pela inglaterra, a nigéria se declarou independente em 1960 e durante quatro décadas se debateu entre golpes militares de estado, guerras civis, violência étnica e todo tipo de inferno que costuma de abater sobre a áfrica. desde 1999 vive em uma democracia relativamente tranquila, apesar de eleições fraudulentas e da região do delta do rio niger ainda ser palco de violentos conflitos entre minorias étnicas e corporações petrolíferas estrangeiras. de novo, esse "ouro negro" não chega nas pessoas e o país é muito atrasado em todos os índices possíveis, de educação a saneamento básico e assim por diante. nós aqui no brasil sabemos bem como uma ditadura militar pode atrasar o desenvolvimento de uma sociedade.



mas voltemos a nollywood babylon. o documentário foi quase todo filmado em lagos, a maior cidade e centro econômico do país (14 milhões de pessoas), uma cidade que "é como um jardim que cresceu sem um jardineiro" (nas palavras do escritor odia ofeimun, um dos melhores entrevistados do filme). quase não existem mais cinemas na nigéria (sobraram apenas três em lagos que não exibem nenhum filme de nollywood) e toda a produção é assistida nas casas, em bares, enquanto os filmes são vendidos em camelôs, seguindo mais ou menos o mesmo esquema de venda e distribuição que acontece com o tecnobrega em belém do pará. o produto chega diretamente e de uma forma muito rápida a quem mais se interessa por ele. não tem erro.

e os diretores do documentário vão conversando com atores, atrizes, populares e acompanham a produção de bent arrows, o 157º filme de lancelot imasuen, um dos mais conhecidos e bem sucedidos cineastas de nollywood. evangélico e falastrão, lancelot deixa claro que os nigerianos consomem de tudo, de todos os gêneros, e como quase todo mundo afora dão privilégio a fantasia, mas que seja produzida e estrelada por eles. e por esses caminhos ficamos sabendo de um cineasta considerado pioneiro na cena, eddie ugbomah (de filmes como death of a black president, de 1983), que critica a grande quantidade de filmes produzidos no país ("é claro que se são produzidos 15 filmes em uma semana, a maioria certamente será uma porcaria"). também ficamos sabendo que o filme que é considerado um marco inicial de nollywood é o longa living in bondage (1992). ah, olha só o trailer de bent arrows.



o filme já seria ótimo se somente tratasse dessa grande e descentralizada indústria popular (e de sua consequente manifestação cultural e suas várias facetas), mas os diretores vão ainda mais longe ao problematizar uma importante questão: um dos motivos do sucesso de nollywood é seu aspecto aspiracional para uma grande camada da população, só que o "aspiracional" nos filmes é conservador, mágico, externo. além do já citado escritor odia ofeimun, o historiador onookome okome também joga lenha nessa fogueira. são eles que dizem que a crise geral no país pós-guerras civis empurrou boa parte da população para novas igrejas pentecostais. as pessoas procuram salvação em algo externo (o céu, o paraíso) e não na produção de bens e serviços (por exemplo, as indústrias viraram igrejas) e o cinema não fala disso, e ocasionalmente ainda demoniza a tradição "pagã" africana em filmes evangelizadores. esse esquema predatório de "filme feito rapidamente é dinheiro rápido" não pensa em médio e longo prazo, na construção de uma linguagem/tradição cinematográfica nigeriana. enfim, o grande filme nigeriano ainda não foi feito. será que o veremos?

p.s. 1: a nigéria é um dos países culturalmente mais ricos da áfrica, principalmente na música, afinal foi lá que nasceu fela kuti, o pai do afrobeat (que teve muitos problemas com os militares nas décadas de 1970 e 80). curiosamente, fela kuti não aparece na ótima trilha que traz artistas locais e estrangeiros como the anambra beats, the funkees, dan satch & his atomic dance band of aba, nekwaha semi colon, the hykkers, the nigerian police force band, george akaeze & his augmented hits, dele ojo & his star brothers band, opotopo, tony benson sextet, leo fadaka & the heroes, afrikan boy, chicago afrobeat project e konono nº1.

p.s. 2: pouco antes de nollywood babylon foram feitos outros documentários sobre o cinema nigeriano: welcome to nollywood, this is nollywood e good copy, bad copy, todos de 2007.

p.s. 3:
no site izogn movies é possível assistir filmes de nollywood on-demand.

domingo, 12 de setembro de 2010

domingueira

e o selo alemão analog africa continua positivo e operante. falei dele aqui no ano passado por causa de um discaço que tenho, african scream contest (analog africa, 2008), e também do legends of benin (analog africa, 2009), o terceiro e o quinto lançamento deles, respectivamente. também no ano passado eles lançaram echos hypnotiques (analog africa, 2009) com mais músicas foderosas da big band nigeriana orchestre poly-rythmo de cotonou. o clipe abaixo é da música que abre o disco, "se ba ho".



depois desse disco, o analog africa já lançou outro dois: mambo loco (analog africa, 2009), do colombiano anibal velasquez y su conjunto (o primeiro disco de fora da áfrica) e afro-beat airways - west african shock waves (ghana & togo, 1972-79) (analog africa, 2010). ainda não ouvi esses dois, mas é certeza que são da pesada.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

nneka, o nome da fera

filha de pai nigeriano e mãe alemã, nneka egbuna nasceu no natal de 1981 na cidade de warri, costa sudoeste do mesmo país do mestre fela kuti. aos 18 levantou âncora e se mandou para hamburgo estudar antropologia, mas já dando seus pulinhos no canto e no violão. sua voz linda, cantando em inglês e no língua igbo de sua terra natal, foi registrada pela primeira vez em 2005 no ep the uncomfortable truth e no mesmo ano no disco independente victim of truth. em 2008 veio no longer at ease, o primeiro disco que ouvi da moça, mas foi só no ano passado, ouvindo repetidamente a excelente mixtape que ela fez em parceria com o produtor j. period (the madness), que me apaixonei por ela. hoje fiquei sabendo que saiu nos eua o disco concrete jungle (decon records, 2010), um ótimo catadão de músicas de seus primeiros discos para apresentá-la ao público norte-americano. conheça você também nneka.



soul, rap, reggae, afrobeat, política, africanismo, fela kuti, bob marley, mos def, lauryn hill, poesia urbana, tudo isso e muito mais se encontra no canto de nneka. olha aqui o video da música "africans", filmado em lagos, capital da nigéria.



agora, nada melhor que ser bem apresentada e a moça apareceu uns dias atrás no programa de david letterman e cantou com muita força a música "heartbeat" (que também tem clipe, só que não incorporável por causa da mente tacanha de algum executivo de gravadora). ah, "heartbeat" e "africans" estão em
concrete jungle junto com outras maravilhas do naipe de "showin' love", "mind vs. heart", "kangpe", "suffri", "come with me" e "walking".



e pra encerrar, a mixtape
the madness está disponível para download gratuito no site do j. period. é imperdível. vai na fé. basta clicar na imagem abaixo.

africa is the future, mano!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

fluxo de consciência (negra)



do grande, do gigantesco fela kuti (1938-1997) em video feito pelo baterista/percussionista inglês ginger baker (o barbudão maluco que aparece no início). era o ano da graça de 1971 na cidade de calabar, litoral sudeste da nigéria. a música é "je'nwi temi (don't gag me)" que tá no disco afrodisiac (regal zonophone, 1973). tinha chovido muito. mas quem pararia fela? via @ritchieguy. é desse mesmo disco, aliás, uma das preferidas da casa, "alu jon jonki jon". e tente parar fela...



uma dica. tirar o som do video e deixar rolando "alu jon jonki jon". outra experiência, tá ligado? outro fluxo.