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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

onfalofobia, a reportagem

mais uma reportagem daora que fiz pra revista trip e dessa vez a pauta veio aqui de casa, com inspiração e ajuda da minha mulher, carolina. é que desde que estamos juntos fui proibido de vir com saliências pro umbigo da moça. então quando o renan fagundes, lá da trip, me contou desse tema 'umbigo' pra edição de novembro, lembrei logo dessa aflição de carolina, que me ajudou a fazer as perguntas e deu o norte para o tipo de abordagem do texto. depois fui no twitter e, surpreendentemente, em menos de uma hora consegui quatro fontes-fóbicas. e o resultado está aqui [como sempre, essa é a versão maior do texto que está nas páginas da revista].

agradecimentos especiais a bia lins, clara souza, daiana de souza e danilo moura que mostraram - pela primeira vez e em público - questões muito íntimas [as íntegras de suas entrevistas estão aqui]. outros agradecimentos à psicóloga paula bonilha e aos psicanalistas arnaldo dominguez e marilucia melo meireles que me ajudaram a entender isso tudo. e, acima de tudo, ao amore carolina, que tem um umbigo lindo [mesmo que ela não acredite].

umbigo, umbigo meu

O MEDO DO UMBIGO DIANTE DO COTONETE

Uma das imagens mais icônicas criadas pelo fetichismo cinematográfico de cinquenta tons de nove semanas e meia de amor é a do cubo de gelo dando voltas ao redor do umbigo, um filete de água gelada escorrendo para dentro dele e, por isso, uma mulher mordendo os lábios de prazer. Mas o que é sexy pra uns é motivo de agonia extrema, quase horror de sexta feira treze, para quem sofre de onfalofobia, o medo aflitivo de umbigos [onfalo é umbigo em grego, e fobia é fobia em qualquer lugar].

“A primeira recordação que tenho de mal estar é minha mãe brincando comigo, tinha uns dois anos, e ela fazia cócegas lá e eu chorava porque doía. Reconheci assim a existência do umbigo e que ele dói. Ainda hoje é como se fosse uma ferida em recuperação, mas ainda muito sensível”, explicou Bia Lins, arquiteta de Curitiba. 

Outras conexões com a mãe, o nascimento ou a primeira infância também são feitas por Daiana de Souza: “Minha mãe sempre ficou intrigada com essa sensação ruim, de agonia, que tenho. Porque veio já na minha infância. Pensei em fazer regressão, porque nada me tira da cabeça que é lance do começo de tudo, lá do meu nascimento, da hora do parto ou de dias depois [ou até da gravidez da minha mãe]”, disse a jornalista gaúcha de Campo Bom, região metropolitana de Porto Alegre.

Lembranças parecidas tem Carolina Toledo, analista de pesquisa de mercado em São Paulo, que diz que “não sei se minha mãe tentava limpar com cotonete quando eu era pequena. Mas a minha aflição não é uma coisa de olhar, foi sempre de tocar ou ser tocada. Dá uma sensação de enjoo, vontade de vomitar. É como se eu ficasse muito vulnerável, sabe? Parece uma invasão, dá sensação de fragilidade. E tem uma dorzinha física também.”

Mineira de Manhuaçu, Clara Souza também se sente vulnerável. “Tenho há muito tempo, não lembro quando começou. Talvez tenha desde sempre. Sinto uma coisa terrível quando alguém toca no meu umbigo. Não é cócega, não é tesão. É uma sensação de invasão, chega a me dar falta de ar”, recorda a fotógrafa que mora e trabalha em Salvador.

primeira dupla da matéria na trip

Não existem dados, estudos ou estimativas sobre onfalofóbicos no Brasil, e muito menos especialistas, grupos de apoio ou páginas no Facebook. É cada um por si, e cada um sem saber da existência de outros. “Quem sofre de onfalofobia acha que é mais uma aflição, o que sugere um nível de ansiedade menor, do que uma fobia. Mas ela é, verdadeiramente, uma fobia, afinal essas pessoas não conseguem fugir do medo. No entanto, como estão em contato com os umbigos diariamente acabam desenvolvendo recursos cognitivos pra lidar com aquela situação. Acaba sendo uma fobia mais branda. Não é paralisante, ou algo que comprometa o dia a dia, e talvez por isso não apareça em consultório”, explica a psicóloga comportamental Paula Bonilha, que tratou uma podofobia [medo dos pés], mas ainda não se deparou com fóbicos de umbigo.

Bia, Carolina, Clara e Daiana tem aflição do próprio e, principalmente, de mexerem nele. Com Danilo Moura a questão é mais externa. “Tenho problemas com esses umbigos para fora. É horrível, me dá agonia, uma sensação estranha. É como se algo estivesse fora do lugar, mas de um jeito grotesco. Sinto o meu antebraço repuxando, os pelos ficam eriçados, uma aflição. Não é nada bom”, disse o assistente de importação em Diadema.

Será coincidência que as quatro mulheres onfalofóbicas ouvidas para esta reportagem tenham questões com o próprio umbigo e justamente o único homem tenha com o dos outros? “Mulheres geralmente têm mais fobias físicas que os homens. Primeiro porque, numa sociedade machista, é menos permitido ao homem sentir medo. Mas acima de tudo tem a questão da relação da mulher com seu próprio corpo, do tabu de certas partes, da maior ou menor exposição das mesmas, de pudor”, opina a psicóloga.

Mas quem vive isso íntima e solitariamente durante tantos anos – e a agonia só piorou com o passar do tempo –, tal questão de gênero é a menos importante. Daiana teve uma época de pesadelos recorrentes com alguém afundando o dedo em seu umbigo. Faz tempo que não os tem. Bia só dorme de bruços, pois tem uma sensação boa de proteção. Quando vira de barriga pra cima cobre o umbigo com as mãos e sempre evita dormir de lado. Danilo busca não olhar pessoas na praia ou piscina para não ser surpreendido por “umbigos pra fora”. Clara tem horror aos umbigos estufados das grávidas, mas precisa encará-los na pós-produção dos retratos que tira.

A gravidez, aliás, é uma grande questão para as onfalofóbicas. Clara não quer ter filhos e Bia, que nunca passou por uma gravidez, acredita que teria problemas ao mexer no umbigo de um bêbe. Daiana não conseguia limpar o umbigo de sua recém-nascida e o marido é que dava conta da tarefa. Hoje, um ano depois de dar à luz, ela consegue limpar, mesmo com alguma agonia. “O que pra mim é uma conquista e tanto”, comemora.

Carolina, que está grávida, não quer nem pensar no próprio umbigo nos próximos meses e também passou para o marido a responsabilidade de limpar o da futura filha nas primeiras semanas. E complementa: “Tenho aflição também com cordão umbilical, e já tinha isso antes de ficar grávida. É como se a qualquer momento o bebê pudesse me puxar pelo cordão, dar um tranco e doer meu umbigo”. Mas mesmo com toda essa aflição, Carolina prometeu enfrentar todos os umbigos do mundo por sua Tereza.

Daiana encarou seu medo, anos atrás, de outra forma. “Resolvi colocar piercing pra tentar boicotar esse troço chato. Pensei: vou colocar um pendurico porque aí quero ver ter essas frescuras. Foi horrível. O negócio inflamou e minha própria pele expeliu o adorno. Até hoje tenho uma cicatriz ali que se potencializou, inclusive, quando engravidei. E detalhe: a linea nigra, comum em gestantes, acentuou justamente quem? Ele, o umbigo”, e dá uma risada, sinal que a aflição anda perdendo terreno para o bom humor.

segunda e última dupla da matéria na trip

Ninguém ouvido por essa reportagem cogitou buscar tratamento. Muito pelo contrário. “Vi na internet que se você estiver perto de alguma pessoa que te incomoda, o tal ‘sugador de energias’, seria indicado tapar o umbigo pra aliviar. Adotei o procedimento, pego fita crepe e lacro todo umbigo. E por incrível que pareça, alivia. Enfim, é um mal estar tão interiorizado que a gente não vê como um problema ou defeito, mas como uma característica pessoal”, e foi assim que Bia conseguiu momentos de tranquilidade.

Se quiserem, onfalofóbicos podem buscar ajuda profissional. “A função da fobia é a de proteger o sujeito da aproximação do desejo [do outro] e seu tratamento se dá, na psicanálise, pela via da transferência. Como a questão da fobia é muito colada no real, para que haja alguma eficácia simbólica exige-se do analista um ato. E a maioria dos analistas sofre de ‘horror’ do ato”, explicou Arnaldo Dominguez de Oliveira, psicanalista e fundador da Associação Etcétera e tal.

Já a terapia comportamental, muito mais pragmática, não possui essa aversão “ao ato” para o tratamento de fobias. “A gente ajuda o indivíduo a enfrentar aquela situação fóbica de uma forma gradativa e sistemática através de pensamentos cognitivos mais positivos. É uma técnica chamada dessensibilização sistemática. Mas, como a psicanálise, também acreditamos que fobia não precisa de medicação, é só terapia mesmo. Medicação só é necessária se a fobia estiver acompanhada de algum quadro depressivo”, afirmou Paula Bonilha.

Sem nunca antes terem falado conscientemente sobre suas fobias, Bia, Carolina, Clara, Daiana e Danilo até acham interessante a ideia de terapia, mas acreditam também que não é pra tanto. Só o fato de terem verbalizado a um completo estranho e saberem que não estão a sós “nessa maluquice” serviu como substituto gratuito para qualquer tratamento; pelo menos, por ora. Também ajuda terem parceiros(as) compreensivos(as). O resto dá-se um jeito.

E, afinal de contas, se pudessem escolher entre ter ou não ter umbigo? O que seria? ‘Ter’ foi a resposta unânime e enfática. “Mas preferia um que não me desse tanto o que falar. Ou melhor: queria descobrir o porquê disso tudo pra poder fazer as pazes com o meu”, resumiu uma Daiana esperançosa de, finalmente, curar essa cicatriz.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

a avó e a boi

foi no dia 10 de junho que @EduardoHanzo começou a contar uma história no twitter sobre uma rixa de décadas entre sua avó e uma vizinha, carinhosamente apelidada [pela vó] de "a boi". tão cômica quanto surrealista, a história viralizou rapidamente no mesmo dia e Hanzo seguiu acrescentando novas peripécias das duas no dia seguinte. pouco tempo depois a saga da avó e da boi chegou aos 'moments' do twitter, ao facebook e a sites que deram prints nos tweets. daí que Hanzo acrescentou mais histórias em 20 de junho.

lendo e relendo a história pensei [como muitas outras pessoas] que maravilhoso filme isso daria. poderia ser uma comédia violenta & surreal bem ao estilo de 'durval discos' da anna muylaert. 

mas verdade mesmo é que fui guardando tudo, separando, editando, e dividi a longa saga em três partes. então pedi pro amigo, e grande desenhista, fernando de almeida ilustrar a história. e se aparecerem mais capítulos acrescento aqui.



A AVÓ E A BOI 
ou 
EU NÃO TINHA NADA PRA FAZER MESMO

PARTE 1

deixa eu contar o conflito que já ultrapassa 50 anos entre minha vó e a vizinha dela, a Boi. Boi é o apelido da vizinha dado por minha avó. até lá pelo meio dos anos 90 minha avó chamava a vizinha de a Vaca, mas lá por 1996 decidiu que isso era muito machista e que tudo tinha limites, e a Vaca foi renomeada pra a Boi. 

minha avó conhece a Boi desde pequena. elas duas moram nas mesmas casas desde crianças. são vizinhas a pelo menos 60 anos. antes de casar com meu avô, minha avó teve 2 namorados. eram épocas mais simples. a Boi roubou os dois namorados, segundo minha avó. anos depois a Boi casou com o segundo namorado roubado num casamento feito NA RUA DE CASA, NA FRENTE DA CASA DA MINHA AVÓ. 

quando eu era criança, minha avó pagava moleques do bairro pra passar dias inteiros tocando a campainha da Boi. varias vezes por hora. minha avó usava uns aparelhos de inalação pra respirar melhor. toda vez que a Boi escutava o som característico do aparelho funcionando, ela ia na frente da casa da minha avó e desligava o disjuntor de energia pra cortar a energia da casa e o inalador parar de funcionar. e o ódio que a minha avó e a Boi compartilham uma pela outra é de longe o sentimento mais forte, intenso e dedicado que eu já vi na vida. 

minha avó tem certeza plena e total que a Boi MATOU pelo menos CINCO cachorros de estimação da minha avó ao longo do anos, e que ela também é responsável pelo desaparecimento de outros dois. um cachorro da minha avó sumiu uma vez. meses depois um conhecido dela foi em um sítio que a família da Boi tinha e viu o cachorro lá. desde que eu me lembro as galinhas que a Boi sempre cria volta e meia aparecem mortas em circunstâncias inexplicáveis e misteriosas. ela não admite mas eu SEI que minha avó tem participação nessa selvageria. dava polícia tantas vezes na rua da casa da minha avó devido a brigas dela com a Boi que eu conhecia vários policiais pelo nome. hoje quase não dá polícia mais porque elas ligam e a polícia, já sabendo da situação, simplesmente não aparece mais. desistiram. uma vez quando a Boi viajou, minha avó PULOU O MURO e envenenou todas as plantas do quintal da Boi com soda cáustica e querosene. todas as plantas. até a última roseira, até a última samambaia. até. o. último. pé. de. boldo.

em uma reviravolta shakespereana e otimista, meus tios e minha mãe eram e são até hoje muito amigos dos filhos da Boi. sempre foram vizinhos mais ou menos das mesmas idades. iam na mesma escola. claro que viraram amigos a despeito da insanidade das mães. pra degosto eterno da minha avó, um tio meu até namorou e depois casou com uma das filhas da Boi. Nem a Boi nem minha avó foram ao casamento. anos atrás, minha avó e a Boi já mulheres idosas, a Boi caiu sozinha em casa, se machucou e ficou gritando pra alguém chamar uma ambulância. minha avó ouviu e não só não chamou a ambulância como GRAVOU O GRITOS DE DOR DA BOI PRA OUVIR DEPOIS. ELA TEM ESSA GRAVAÇÃO ATÉ HOJE. minha avó é a SAVAGE original, ela é completamente implacável e ela não tem misericórdia nenhuma por seus inimigos. 



PARTE 2

o que vocês precisam entender sobre minha avó e a Boi é que:

1 - elas têm muito tempo livre nas mãos
2 - elas têm uma capacidade de FOCO incrível
3 - elas sempre vão até as últimas consequências

minha avó já fez inferno contra a Boi pra mulher do dono do comércio da rua e a mulher convenceu o marido a NÃO VENDER MAIS NADA PRA BOI. então há anos a Boi simplesmente precisa dar uma volta enorme pra ir em outro mercadinho lá na outra rua pra comprar coisas. a minha avó é uma velhinha já meio surda então ela escuta música MUITO ALTO quando tá fazendo as coisas em casa de dia. então a Boi juntou dinheiro da aposentadoria e fez o marido instalar um sistema de som daqueles enormes no carro pra tocar música MAIS ALTO. 

minha avó já caiu dentro da vala que tinha na rua pra se salvar da Boi jogando o carro nela, tem noção? a vala virou A VALA DA VOVÓ pra nós. quando a prefeitura cobriu e pavimentou a vala a gente foi lá se despedir da vala. vovó ficou pistola. minha família só tem gente louca. 

o conflito da minha avó com a Boi não consiste só de agressão física e moral. terrorismo psicológico também é frequente. por exemplo. a Boi acredita em macumba. minha avó não acredita em nada além de tormento e destruição. e no Sílvio Santos. ela acredita no Sílvio Santos. então claro que a minha avó tá sempre fazendo despacho de macumba fake e colocando no quintal e na frente da casa da Boi pra enlouquecer ela. ela já me fez procurar foto de trabalho e despacho no google images e imprimir pra ela poder reproduzir. minhas mãos tão sujas também. a Boi encontra bacia com farofa e galinha no portão de casa, saquinho de pano com ervas pendurados nas árvores do quintal, etc. 

uma vez a Boi achou um saco de veludo EMBAIXO DA CAMA DELA com ervas e um papel com o nome dela riscado que ela é convicta que foi escrito com sangue. (eu não sei se acredito que não foi realmente escrito com sangue. eu honestamente não sei mais no que acreditar a esse ponto). essa foi a primeira vez de muitas que a Boi chamou benzedor pra benzer a casa. ele cobrou 300 reais. não foram feitas perguntas a esse respeito. recentemente a esposa do meu tio, filha da Boi, fez ele confessar que a vovó fez ele entrar na casa e colocar o artefato de macumba lá. 

antes do estatuto do desarmamento passar tanto minha avó quanto a Boi tinha armas em casa, que os maridos usavam pra caçar no interor. todos nós vivíamos constantemente apavorados que alguma coisa ia ser a gota d'água e elas duas iam estourar um tiroteio. meu avô deixava a espingarda trancada no COFRE por causa disso e ninguém sabia a combinação além dele. eventualmente ele acabou se desfazendo da espingarda porque minha avó ficada inventando desculpa pra pedir a combinação do cofre da casa. porque a chance dela querer chegar na arma eram estarrecedoramente altas, e balear inimizades é total algo que ela faria. minha avó 'did not come to play'. eu amo demais essa mulher honestamente, ela me inspira diariamente. acho que a lição que eu tiro disso é que criatividade se apresenta das formas mais inesperadas e que determinação nem sempre dá bons frutos. 

pelo menos uma vez por semana eu ou a mamãe ligamos pra ela pra saber dos desenvolvimentos e inacreditavelmente sempre tem novos episódios. seria de se imaginar que depois de mais de 50 anos de conflito tudo que poderia acontecer já aconteceu né. mas as surpresas não param. é meio que essa piada entre a gente da família ligar pra ela e a primeira coisa que ela falar seja VOCÊS NÃO SABE A ÚLTIMA DA BOI. e é uma desculpa pra gente sempre estar em contato com a véia, ela adora o interesse e a atenção e a gente adora ela. 

acho que outra lição tirada disso é que fazer um inimigo de uma pessoa criativa e com muito tempo livre é uma ideia muito equivocada.



PARTE 3

minha avó chegou do interior de manhã, eu fui lá arrumar a tv dela e encontrei ela sentada numa cadeira no portão. o correio ia passar pra entregar encomenda. ela passou a tarde toda sentada no portão esperando com medo da Boi receber a encomenda e roubar. 

- vó, mulher. entra, por favor. não é assim que funciona. o correio não entrega coisa assim pra qualquer um.

- eu não tinha nada pra fazer mesmo. e tu lembra das contas de luz? a Boi sempre encontra um jeito.

(me ocorreu na hora que se fosse feito filme da história da minha avó com a Boi o nome ia ter que ser Eu Não Tinha Nada Pra Fazer Mesmo e o nome da inevitável sequência teria que ser Eu Não Tinha Nada Pra Fazer Mesmo 2: A Boi Sempre Encontra Um Jeito)

ela fez eu ficar lá no portão esperando enquanto ela entrava pra fazer café pra mim. eu fiquei. não me julguem por ter compactuado. o café da minha avó é muito bom, o suficiente pra não me deixar em posição de negociar no momento. então eu fiquei lá rindo sozinho lembrando do incidente com as contas de luz da minha avó que nunca chegavam. as contas de luz da minha avó nunca chegavam na casa e mais de uma vez contaram a luz porque ela não lembrou de pagar. eventualmente descobriu-se que a Boi sabia o dia que conta chegava e roubava da caixa de correio pra vó não ver e esquecer de pagar.

antes do cabaré realmente pegar fogo entre a vó e a Boi e um muro precisar ser erguido pelo bem de todos, as duas casas ficavam num só terreno enorme com duas caixas de correio, uma do lado da outra. assim como muitas coisas nessa história que fogem à minha compreensão, isso nunca foi mudado. é assim até hoje. talvez tenha a ver com elas serem as duas mulheres mais sovinas do Brasil e não quererem pagar pra mudar a caixa de lugar. ou talvez pra isso elas tivessem que admitir a maluquice que é isso tudo, coisas que elas não fazem. as duas acham que estão certas. a psique da minha avó e da Boi já foi muito analisada por nós nos dias de churrasco, foi concluído que as duas coisas são igualmente plausíveis. 

mas eu divago. enquanto eu tava lá no portão o correio passou. eu recebi a encomenda e entrei. assim que eu entrei minha avó viu o pacote e disse TÁ VENDO ELES ENTREGAM PRA QUALQUER PESSOA QUE TIVER NO PORTÃO SIM. eu odeio quando o viés-confirmatório e as loucuras da minha avó são aparentemente comprovadas e validadas empiricamente. mas eu não tive forças pra explicar que eu assinei o recebimento, mostrei minha identidade, etc. por hoje, o delírio dela foi bem alimentado. 

agora em casa eu estou pensando nas coisas que poderiam ter sido realizadas se essas mulheres não vivessem em estado de paródia constante. e constantemente tentando prever o próximo movimento uma da outra. pesando também que é IMPERATIVO encontrar alguém com a mesma dedicação por você quanto a vó e a Boi se dedicam a arruinar a vida uma da outra.  

PARTE 4 [tuites de 5 de julho]

a guerra secundária da minha avó com a boi pra ganhar a preferência do filho do meu tio com a filha da Boi está escalando muito rápido. elas ficam tratando o garoto como quem trata um Deus caprichoso, exigente, observador, rígido e muito facilmente irritável. 

em maio minha avó comprou um notebook pra ele porque ela achava a tela do celular muito pequena pra ele ver vídeo de Gameplay de Minecraft. mês passado a Boi tentou comprar um desses.



minha avó quer pagar a festa de aniversário dele que tá chegando (contando que seja na casa dela). meu tio e a mãe do menino sendo criados no seio da loucura reconhecem na hora quando é amor genuíno e quando não é e devolvem as coisas. mas as vezes algum suborno emocional passa pela vigilância. é assim que meu primo de 12 anos tem um iphone. meu tio, além de não ter probleminha e portanto não estar disposto de gastar 80 milhões de reais num iPhone ainda detesta Apple. e aí é obrigado a ter um ataque constante desse dentro de casa.

lição: a Guerra tem consequências pra todo mundo. os inocentes são atingidos e frequentemente sofrem destinos piores que a morte. eu aprendi muito mais sobre a moralidade da Guerra crescendo com a minha vó do que 'Catch-22' e Cormac McCarthy nenhum poderiam ter me ensinado.

sábado, 30 de agosto de 2014

miniperfis feirantes

quatro feiras-livre, quatro regiões, quatro personagens, uma série de miniperfis que fiz pro feicebuque da prefeitura de são paulo. a ideia partiu da efeméride '100 anos da regularização das feiras na cidade' e, como escrevi pouco esse ano, foi bacana ir pra rua com esse objetivo: falar com pessoas, escrever sobre elas. renata assumpção, que me ajudou a definir as feiras, me acompanhou nas manhãs semi-frias desse final de agosto e talvez pinte um vídeo. beijão pra ela e pra valorosa e divertida equipe das redes sociais da prefeitura de são paulo [no twitter é @prefsp] que traz ainda bia abramo, fábio vanzo, laíssa barros e ana clara ferrari. tá muito massa esse trabalho nosso.


Carminha
Praça Benedito Calixto 
Pinheiros, Zona Oeste

Maria do Carmo de Moura, a Carminha, não gosta muito de conversa. Diz que o trabalho não deixa “tempo pra essas coisas”. E, pensando na sua rotina, ela tem toda razão. Trabalha em cinco feiras por semana há pouco mais de 40 dos seus 74 anos, e acorda todo dia às 3 e meia da manhã em Ermelino Matarazzo, zona leste, para conseguir chegar às 5 e montar sua barraca com ervas, temperos, batatas, cebolas, alhos, palmitos enlatados, tapioca, e assim por diante.

Às terças está com uma filha ou um sobrinho na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, zona oeste, logo em frente ao caminhão de peixes. “Antes de me casar eu trabalhava em casa de família, mas nunca gostei de receber uma vez por mês. Na feira é bom porque mesmo com pouco movimento todo dia tem algum dinheiro”, diz enquanto atende uma cliente que leva quatro cabeças de alho por 5 reais. 

Foi seu marido que a levou por esse caminho de cheiros, barulhos e cores das feiras livres. Por mais de quatro décadas estiveram juntos na lida, mas oito meses atrás ele morreu. “Ele me disse, pouco antes de morrer, que eu não podia ficar parada, nem ficar triste, e que tinha que seguir com a barraca. Foi essa profissão que ele me deixou, né? A gente não pode desistir”, e dá uma limpadinha na mesa onde rala côco, um gesto que parece dizer que o tempo de conversa fiada já deu. 


Adriano
Rua Dr. Gabriel Piza
Santana, Zona Norte

Nascido em Pesqueira, interior de Pernambuco, Adriano mora em São Paulo desde 1989. Veio com a família ainda pequeno e foi conhecendo a cidade pelas feiras livres. Hoje, aos 38 anos, afirma orgulhoso que trabalha como feirante há 20 anos e fez sua vida ao redor das frutas que vende [recentemente comprou, na planta, um apartamento próprio em São Mateus]. Mas sua vida profissional teve início com limões ao lado do pai no Parque Dom Pedro II. Depois passou a trabalhar sozinho e em outras bancas. 

Montou sua própria banca há seis anos e nela vende laranja, morango, caju, pera, manga, maçã e kiwi. “Tudo é interessante na feira. As pessoas, as conversas, um dia é diferente do outro. O ruim é acordar cedo”, e então começa a relatar seu cotidiano que tem início à meia-noite. Como trabalha com frutas frescas precisa acordar essa hora para se abastecer no Mercadão e lá pelas quatro da manhã chegar a uma das cinco feiras que faz semanalmente. 

Geralmente tem ao seu lado sua mulher e um amigo vizinho, mas em feiras livres maiores chama outros ajudantes e também muda as frutas que leva. Adriano entendeu rapidamente as particularidades de algumas regiões da cidade e, por exemplo, na feira que trabalha no Jardim América ele leva mais frutas importadas. “Tem outra diferença... esse pessoal com maior poder aquisitivo é meio cismado e não conversa muito. Às vezes só deixam uma lista e pedem para entregar em casa”, diz enquanto olha para os dois lados da feira em busca de algum possível cliente. “Daqui umas duas horas isso aqui está cheio e aí só gritando mesmo para ser visto. É a disputa da feira, né?”.


Nilton
Rua Irmã Carolina
Belém, Zona Leste

“De pai para filho desde 1950” é o que está escrito nas costas do uniforme de Nilton Rutkowski, 59 anos. Neto de poloneses e morador da Penha, ele foi o único que herdou do pai bucheiro o gosto pela feira livre e pelas carnes vermelhas, frangos e miúdos. Mas além de ser o único, ele também sabe que será o último, pois a filha e o filho, formados e com suas próprias famílias, não manifestaram nenhum interesse pela labuta feirante. 

De uma forma ou de outra, Nilton já está planejando sua aposentadoria pra daqui uns cinco anos. Afinal, montou sua banca própria em 1978 e desde então segue na firme rotina de cinco feiras por semana, todas na zona leste, com o dia começando às 3 da manhã. “No começo a gente trabalhava tanto que não tinha tempo pra pensar, mas hoje a feira está tranquila porque existem mais mercados e as pessoas tem mais acesso a alimentação, então já dá pra descansar”.

Teve uma época, uns dez anos atrás, que tentou sair da feira e virou fornecedor de carnes para feirantes. “Sei vender, não sei cobrar. Aí já viu, né? Não deu certo”, e interrompe uma história que lhe deu dores de cabeça e dívidas para mostrar ao longe uma cliente que vem na sua banca desde os tempos de seu pai. “Eu amo a feira por causa da freguesia. É uma coisa saborosa o contato que a gente tem, as conversas, os amigos”. 


Alexandre
Rua Conceição Veloso
Vila Mariana, Zona Sul

É uma das muitas tradições da centenária feira livre paulistana: onde queres legumes e verduras, tens japonês. É que desde sua chegada ao Brasil, a colônia japonesa criou sua própria rede de circulação de produtos, do cultivo a venda. Alexandre Nakamassu não fugiu a essa regra. Sua família trabalha no ramo há cerca de 50 anos e sempre com vistas a rabanetes, cenouras, nabos, alfaces, rúculas e quetais. Mas nos últimos tempos a responsabilidade ficou com Alexandre, que acorda às 3 da manhã e se manda para bairros como Vila Mariana e Ipiranga [ele faz quatro feiras por semana, todas na Zona Sul]. E depois ainda pega estrada até Suzano para comprar produtos frescos para o dia seguinte. 

“Não gosto de trabalhar [em lugar] fechado. Nunca gostei. Então vou seguir nas feiras até aguentar, afinal sempre trabalhei com isso, com esse contato direto, cada dia diferente do outro”, mas faz questão de deixar claro que sua filha, ainda criança, não seguirá os passos do pai. “Quero que ela estude pra ter uma vida mais tranquila”.

Esse desejo “por uma vida melhor” para a filha também está relacionado com o que vê todos os dias nos seus lugares de trabalho. Aliás, todos os feirantes sabem disso muito bem, pois o movimento nas feiras livres realmente vem caindo nos últimos anos por causa, principalmente, dos supermercados. Mas mesmo assim Alexandre tem certeza que as feiras nunca acabarão. “O atendimento é o diferencial, é personalizado, né? Em um supermercado não tem isso, não tem com que reclamar se a mercadoria não tiver boa. Feira é olho no olho”.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

cê é mó zébaratona!

câmera de celular ruim. filmagem vertical. dois mano discutindo e se medindo por dois minutos e uns quebrados em um quarto. luz horrível. janela fechada. todas essas coisas não necessariamente nessa ordem. quer dizer, altas chances de ruindade qualquer nota. mas "discussao de malandro !!!", postado por felix petich (um dos manos no vídeo), é uma maravilha muito louca. tudo dá certo, do texto improvisado ao sensacional duelo corporal cômico dos moleques.



fiquei sabendo desse vídeo através pelo @metros_sp, perfil fake-mano do metrô de são paulo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

não é tempo para tratar de poéticas agora

capicua são números palíndromos, tipo um 1455665541 ou um 474. números que são lidos da mesma forma em um sentido e no seu reverso. capicua também é o pseudônimo de ana matos fernandes, a comandante da guerrilha cor de rosa, uma rapper portuguesa de 31 anos (portuguesa do porto, claro esteja) que tem um trabalho interessantíssimo e bastante engajado politicamente. saca só essa trinca. 







o título da postagem é o verso final de "não, não, não subscrevo...", do poeta jorge de sena (1919-1978), que capicua usa no final de "jugular". o intelectual português, que também foi crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário, morou no brasil, nas cidades paulistas de assis e araraquara, entre 1959 e 1965.

conheci capicua através de uma tuitada de priscilla scurupa, que disse que a rapper seria uma mistura de lurdez da luz e anelis assumpção. é possível, é uma interessante mistura. e a música que priscilla citou, "casa no campo", tem citação e sampler de elis regina. quer dizer, realmente tem um tanto bom de brasil nas rimas e sonoridades dessa mc portuguesa.



ah, todos os trabalhos de capicua estão para download gratuito em seu site oficial: os dois EPs coletivos que participou em 2006 e 2007 e seus trabalhos solos, a mixtape capicua goes preemo (2008), capicua (2012) e a mixtape capicua goes west (2013), que ela fez rimas sobre beats do kanye west. os dois primeiros clipes são do disco de 2012 e "jugular" é da mixtape deste ano.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

yahoo #47, um novo começo

pois então... pouco mais de três meses de lapa de baixo (aka istoé) depois, o que era sólido se desmanchou no ar, e voltei ao fantástico e assustador mundo da frilândia. uma das primeiras coisas que fiz foi ligar para o bróder michel blanco para reativar minha coluna no ultrapop (afinal, meu rostinho feio continuava lá no header junto com pedro alexandre sanches e dudu tsuda). delícia voltar a escrever a coluna, saiu tão rápido... e sensacional (pro mal e pro bem) acompanhar novamente as mil e uma loucuras na caixa de comentários. tava com saudades, nem sabia quanto. e o texto de volta deve agradecimentos ao deputado protógenes queiroz e sua delirante cruzada contra o ursinho e a "mensagem" do filme ted, de seth macfarlane.



O URSINHO DA MALDADE CONTRA O MORALISTA MÍOPE

Foi domingo agora, provavelmente em algum normalíssimo cinema de shopping, que o deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B/SP) levou seu filho Juan, “o pequeno Juan” de 11 anos, para assistir ao longa norte-americano Ted. Deveria ser um programa divertido, pai e filho juntos, domingão, mas deu tudo errado, pelo menos para Protógenes que ficou absolutamente chocado com o filme e saiu xingando muito no twitter (as aspas logo abaixo estão do jeito que o excelentíssimo digitou). Até agora ninguém sabe o que o menino achou do acontecido.

“Assisti com o pequeno Juan o filme Ted uma cena de apologia às drogas: o ursinho Ted e o seu dono consumindo drogas. Isso é um absurdo! MJ [Ministério da Justiça] deve explicações!”, mas sua raiva santa não se conteve com isso e no dia seguinte aumentou a carga. “Acionarei os meios legais, a fim de impedir que o lixo o filme infanto-juvenil Ted seja exibido nacionalmente e apurar responsabilidades. O filme não esta apropriado para nenhuma faixa etária. Incentivar o consumo de drogas é crime, usando ainda ícones infantis.”

Bem, na minha terra isso tem nome e um nome apenas: censura. Curioso que no mesmo dia, o deputado disse que não concorda “com a restrição a liberdade de expressão” ao comentar uma notícia sobre censura a blog do Estadão.

Curioso também que o político que ficou famoso quando era delegado da Polícia Federal e integrou importantes operações como a que prendeu Law Kin Chong, o maior contrabandista do Brasil, e a complexa Satiagraha, a que encarcerou momentaneamente o banqueiro Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas, não deu uma investigadinha nos antecedentes do filme. Não olhou o trailer, não levou em conta a classificação (“Não recomendado para menores de 16 anos”) e não leu críticas, portanto não ficou sabendo que Ted é o primeiro longa de Seth MacFarlane, mais conhecido por ter criado as animações críticas e debochadas Family Guy, American Dad! e The Cleveland Show. Viu o ursinho no cartaz e achou que estava tudo bem para o pequeno Juan.


No entanto, o pior veio depois. O valente deputado que conseguiu criar as CPIs de Carlinhos Cachoeira e da Privataria Tucana simplesmente não entendeu o filme. Fala de incentivo de uso de drogas justamente quando o ursinho drogado é visto no filme como um vagabundo imaturo. Em uma reportagem no Estadão, Protógenes “disse que o filho perguntou se ele queria ir embora. ‘Respondi que não. Queria ver até onde ia aquele desrespeito.’” Parece o papo clássico de falso moralista. Quer dizer, ou se tem maturidade para falar o que é certo e errado para o seu filho, sem precisar apelar para qualquer tipo de proibição, ou você é um fracasso como pai/educador/cidadão.

Então, a partir de uma indignação conservadora e absolutamente pessoal, o deputado decidiu que seus preconceitos deveriam se estender a todo o país (“#foraFilmeTED das telas do cinema brasileiro. Não aceitamos mais esses enlatados culturais americanos no Brasil”). O filme é bom? Ruim? Aí vai da opinião livre de cada um. A reação, principalmente no twitter, foi rápida, irônica, inclemente e tão poderosa que ele desistiu do banimento do filme e já se contentava com a classificação de impróprio para 18 anos. Ainda deu tempo de soltar um desabafo ontem: “O mundo esta cheio de ursinho Ted”. E em vários lugares do mundo, Teds dos tipos mais variados soltaram risadinhas esfumaçadas.

Felizmente, essa história não vai dar em nada, diferente de outras restrições conservadoras e burras que ainda teimam em aparecer aqui e ali no Brasil (São Paulo, ou Kassabistão de Tucanópolis, está ficando mestre nessas patacoadas). E tomara que o pequeno Juan se saia melhor que o pai.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

meia hora de bill withers

um dos maiores cantores e compositores norte-americanos no seu auge. é bill withers em um programa de tv da bbc direto do ano de 1973. entre uma conversa e outra, withers toca (nessa sequência), “ain’t no sunshine”, “lonely town, lonely street”, “grandma’s hands”, “use me”, “let me in your life”, “lean on me” e “harlem”.



agradecimentos a @fredleal que descobriu essa coisa linda.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

yahoo #36

de uma hora pra outra, em algum lugar de 2011, comecei a ver instagram pra lá, instagram pra cá. era um aplicativo para iphones que dava um ar antigo, sujo, para fotos (algumas seriam totalmente ordinárias sem o filtro), ao mesmo que também funcionava como rede social. enfim, uma brincadeira legal. como não tenho nada da apple (questões ideológicas e tals) só fui mexer com o aplicativo quando recentemente chegou ao sistema android (smartphones). aí constatei que alguns membros do clubinho iphoner tinham ficado incomodados com essa popularização. essa foi a deixa para escrever na semana passada o texto "mimados e sem filtro" lá pro yahoo. o da semana é "arte é público", sobre o museu-parque inhotim e as pessoas se jogando nas cosmococas e penetráveis de hélio oiticica.


MIMADOS E SEM FILTRO

As redes sociais (a humanidade?) se alimentam de grandes e pequenas polêmicas diárias. Algumas reais, a maioria fictícia. Um tanto porque estão sempre acontecendo muitas coisas ao mesmo tempo e outro tanto porque vivemos numa corrida neurótica por assuntos, informações e opiniões sobre tudo. Só nos resta filtrar esse maremoto de muitas marolas do jeito que acharmos melhor.

A “polêmica” mais recente foi a chegada ontem do Instagram ao sistema operacional Android. Antes exclusivo para usuários de iPhone, o aplicativo é um jeito fácil e rápido de dar uma cara bacana, por meio de efeitos, a imagens comuns. Sabe aquela foto que você tirou nas últimas férias de uma prima enterrada na areia? Então, com o Instagram fica parecendo uma polaroide dos anos 1970.

Lançado em outubro de 2010, o aplicativo rapidamente se tornou cool, depois virou febre e agora, já com uma base de 30 milhões de usuários, tende a se tornar ainda mais popular. Daí que surgiu a palavra “popular” e o mundo (virtual) tremeu. “É a orkutização do Instagram!” foi a gritaria geral, principalmente no twitter. Bem, só de ler “orkutização” já sinto calafrios, mas felizmente esse termo já foi usado tantas vezes e de tantas formas (todas bestas) nos últimos anos que caiu no ridículo.
                                   
O curioso, nesse caso específico, é que muitas pessoas usaram esse termo especificamente para fazer alguma piada (já perceberam ou sempre perceberam o ridículo da coisa), mas a grande maioria foi mesmo para fazer troça ou simplesmente reclamar de quem a usava. Em alguns casos, a reação foi até desproporcional (e muito maior que) a ação como, por exemplo, em “Agora ‘guenta os macfags falando de ‘orkutização’ do instagram” (de @babalin).


Mais irônicas, consequentemente mais incisivas, foram frases como “Pessoa humana reclamando da orkutização do instagram, mal sabe que semana passada vi um iphone pré-pago” (de @srtabia) ou “Agora entendi pq estão falando da orkutização do Instagram. O povo se acha rico por ter iPhone, mas posso comprar em 25x nas Casas Bahia” (de @Karinalv).

E elas pegaram bem no nervo. A questão não passa por ser ou não ser um “macfags”. É mais uma briga de antigas percepções de classe, principalmente em um Brasil que, de uns poucos tempos pra cá, viu democratizações de certas posses e acessos. Resultado? Classes começam a se confundir, tudo se mistura com mais ânsia e velocidade, nada é o que parece.

Quem reclama disso bate em velhas teclas como nesses três exemplos: “Orkutização do Instagram não! Já tô vendo geral postando foto do sol na laje!! #MedoDoInstagramAndroid” (de @calterojr), “Tenho certeza q vou ver fotos de gente dentro de caixa dágua, ou seja, será a orkutização do instagram. vão matar o app” (de @amaralamaral) e “Liberaram o instagram pra android! Puuutz vai virar orkut! Fotos de biquinhos e V com mão! Perdemos um app legal! Droga!!” (de @babi_cocolichio). E daí? Como diria a colega Nina Lemos, “quantos anos essas pessoas têm para achar que um brinquedo vai perder a graça só porque mais gente vai poder brincar?”

É isso: brincar, verbo intransitivo. Ou então, como na “tuitada” de @Leuzito, “na moral, bem mais L0k0 um instagram com foto de favela/baile funk do que com parede ~tijolinho a vista/por do sol. viva a orkutização”.

p.s.: na esteira da “polêmica”, e como não poderia deixar de ser, apareceram alguns tumblrs para debochar da tal “orkutização do Instagram”. Tem o Orkutgram, o Hipsters Orkutizados e o Android no Instagram, por exemplo, além do precursor de todos, o sensacional Pobregr.am (um dos tumblrs citados na coluna “O país da internet moleque”).


p.s.: depois, o matias escreveu para o caderno link (estadão) o bonzão "a 'orkutização' do instagram e a natureza gregária da internet".

sábado, 4 de fevereiro de 2012

cinema em neon

michael whaite, ou @MrWhaite, é um ilustrador, animador e designer gráfico de manchester, inglaterra. oito meses atrás ele começou a misturar neon com outra de suas paixões, o cinema, e daí surgiram gifs animados sensacionais. dentre os muitos que já fez escolhi meus preferidos, mas em seu tumblr existem ainda de volta para o futuro, os caça-fantasmas, star wars, this is spinal tap, a origem, capitão américa, king kong, jurassic park e superman.


pacto sinistro (1951), de alfred hitchcock

It’s the Wimbledon finals this weekend, so I thought this would be a suitable neon poster to mark the occasion. It’s the creepy scene from Strangers on a Train where Guy Haines (Farley Granger) is being stalked by Robert Walker’s murderous Bruno.</p><p>At a tennis match the crowd watch the ball play back and forth while Bruno remains motionless, staring menacingly across the court at Guy.</p><p>A classic Hitchcock moment - can you spot him in the crowd?

intriga internacional (1959), de alfred hitchcock

North By Northwest in neon.

psicose (1960), de alfred hitchcock

neon movie poster

o iluminado (1980), de stanley kubrick

A neon poster for The Shining.

tubarão (1975), de steven spielberg

Jaws was released 36 years ago today and I still won’t get back in the water.</p><p>For this design, I initially tried animating the classic Jaws poster with the swimmer and shark. Unfortunately it looked like the girl was swimming on the spot and the shark was chewing gum - not very menacing!</p><p>Instead, I’ve gone for a pair of shapely female legs treading water - it evokes a sleazy strip-club neon sign but with added danger. Also, the ripples are a neat link to the previous Spielberg neon poster, Jurassic Park. 

batman (1989), de tim burton

neon movie poster

os fantasmas se divertem (1988), de tim burton

A neon poster for Beetlejuice. Beetlejuice. BEETLEJUICE!

as grandes aventuras de pee-wee (1985), de tim burton

A neon poster for Pee-wee’s Big Adventure. Tequila! http://youtu.be/BodXwAYeTfM

o pecado mora ao lado (1955), de billy wilder

A neon poster for The Seven Year Itch.

pulp fiction (1994), de quentin tarantino

neon movie poster

help! (1965), de richard lester

A neon poster for HELP!</p><p>The semaphore actually spells NUJV! According to cover photographer Robert Freeman, “I had the idea of semaphore spelling out the letters HELP, but when we came to do the shot the arrangement of arms with those letters didn’t look good, so we decided to improvise and ended up with the best graphic positioning of the arms.”

domingo, 29 de janeiro de 2012

animadões

gifs animados. provavelmente uma das coisas mais bacanas da internet, quiçá do mundo! esses aqui, feitos pelo ilustrador kerry callen sobre algumas capas clássicas de quadrinhos, são alguns dos melhores que já vi (e agora que, finalmente, aprendi a colocar gifs no blog, ninguém me segura). fora isso, callen tem um trabalho engraçado com super heróis da era de ouro. chama-se "super antics".


capa de frank miller



capa de steve ditko



capa de bob layton



capa de jim steranko



capa de curt swan e stan kaye



capa de mike sekowsky e murphy anderson



cheguei a kerry callen por dica de vini gorgulho (@garageira).


atualização em 7 de fevereiro de 2012: e não é que cullen já soltou uns gifs novos? olha só. 


batman #15 (1943)
capa de jack burnley

 
daredevil #7 (2011)
capa de paolo rivera


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

simplesmente tia creuza

acho que todo mundo já sabe que o marcelo adnet é um dos melhores e mais completos atores-roteiristas-compositores-comediantes da história do humorismo brasileiro (também sou muito fã de suas companheiras de comédia mtv, dani calabresa e tata werneck, mas isso fica para outros posts). a quantidade de material de primeira que ele já fez na mtv dá pra encher um caminhão de mudanças - lembro aqui, de cabeça, sua imitação de arnaldo jabor, seu osama marilac, o eleitor elitista, o jogador sincero, etc. -, mas uma das coisas mais divertidas é a tia creuza. 


as pausas, repetições, silêncios, cuspidas, roupa & maquiagem, o corpo e, claro, as coisa, tudo é construído de uma forma tão comicamente real que parece exagero. não é. e isso é o melhor. o jeito de (falso) documentário ajuda também no clima.





esse video reúne todos os 12 curtas da personagem e mais um material extra. acho que ela começou no twitter @tiacreuza, que tá meio abandonado (já deve ter sido pensado como uma piada de duração limitada), e depois ganhou o video, mas não tenho certeza.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

jornalismo musical, esse desconhecido

foi nos meus tempos de gafieiras que comecei a perder o interesse em fazer crítica musical. geralmente gosto de ler, e mesmo quando não concordo acho interessante, mas comecei a achar bobo (eu) falar se um trabalho era bom ou não. em um mundo tão cheio de opiniões - os críticos, na maioria das vezes e em todas as áreas, disfarçam opiniões pessoais com objetividade jornalística - achei que era mais interessante falar com o artista, tratar de suas referências, de seu trabalho, e deixar para o leitor ter suas próprias opiniões em vez de sair adjetivando por aí. claro que minhas opiniões também apareciam aqui e aqui, nas entrelinhas do texto (não existe objetividade, pronto), mas aquilo já não era crítica musical. e assim meu coração acalmou. muito bem.

umas duas semanas atrás fui convidado, e nem lembro mais por quem, a participar de uma comunidade da bizz (a falecida revista da abril que colaborei uma vez em sua última encarnação; foi o texto 'conexão entre o morro e o asfalto') no facebook. sabia que a comunidade da bizz no orkut era (e acho que ainda é) bastante intensa, mas depois de uns três dias nessa do facebook simplesmente desisti e saí. muita egotrip de jornalista, papinho furado, polêmica vazia, briga de turminhas, fofoca. "brinquedo de menino", segundo bia abramo (@biawabramo). "ufc de jornalistas musicais" nas palavras de nina lemos (@ninalemos).

mais ou menos ao mesmo tempo, o pedro alexandre sanches escreveu no farofafá o texto "criolo, o esqueleto do hype" e o circo de jornalistas musicais pegou fogo. para quem não é desse mundo (99,999% do brasil), uma breve contextualização. nó na orelha, o segundo disco do mc paulistano, foi saudado por muita gente como o disco do ano e seu autor, criolo, começou a aparecer em tudo que é lugar. com o hype veio seu irmão gêmeo, o antihype. ambos apaixonados, assertivos, totais. e nesse texto, o pedro tentou entender o fenômeno, o que era e o que não era "moda", para então chegar à música (que, segundo ele, e concordo com isso, quase sempre foi esquecida nas avaliações; apenas ser pró ou contra bastava).
daniel ganjaman (@danielganjaman), co-produtor do disco do criolo e um dos linhas de frente dessa história, elogiou o texto do pedro (@pdralex) e os dois começaram um diálogo interessante no twitter, mas fernanda couto (@sete8), assessora de imprensa do artista (e de tulipa ruiz, marcelo jeneci, etc) acabou atravessando o samba e alfinetou o jornalista ao afirmar que ele não podia julgá-lo sem também ter visto sua performance no palco. nas entrelinhas desse quiprocó, nos ditos e não-ditos, a velha rixa entre imprensa e artistas. mas nesse caso específico do criolo era uma briga que vinha acontecendo nos bastidores (hype X antihype) e que acabou vindo a tona a partir desse texto.

o bicho pegou lá no facebook e foi exatamente nessa hora que saí da comunidade. não queria saber. já tinha lido muitas resenhas, reportagens e avaliações sobre o nó na orelha. algumas entrevistas também. fora inúmeras conversas (reais e virtuais) com gente de dentro e fora da cena rapper paulistana. gosto imensamente do disco. não sei se o criolo vai emplacar como artista (e não é uma capa da serafina, suplemento descolado da folha de s. paulo, ou um dueto com caetano veloso no vmb que fará isso acontecer), mas tenho certeza que nó na orelha é um disco que vai entrar para a história. a versatilidade vocal, o carisma e as letras fortes e lotadas de referências de criolo, a produção e os arranjos inspirados de ganjaman, marcelo cabral e banda. é um grande disco de gênero indefinido porque não é rap, mas é do rap que vem toda sua essência. é ótima música popular (negra, branca, índia) brasileira. mas isso sou apenas eu dizendo, cê tá me entendendo?

mas quando achei que tinha saído, "eles" me puxaram de novo. foi no sábado que @igordisco (que também escreveu sobre aqui) me passou o link para um texto do daniel ganjaman espinafrando o jornalismo musical brasileiro a partir da comunidade da bizz no facebook. ele compilou uma série de frases polêmicas, quase todas de josé flávio jr. (bravo) e algumas poucas de alex antunes, tirou algumas fora de contexto, deu aquela generalizada e desceu o pau. algumas de suas críticas são bastante pertinentes, principalmente quando fala de leviandade de certas avaliações (polêmica gera audiência, todo mundo sabe), mas seu jeito irônico-agressivo acaba deixando transparecer uma dificuldade para lidar com críticas (negativas). sem falar no velho chavão, pretensamente deslegitimador, de que todo crítico é um artista frustrado ou então de que ele "apenas" escreve, não cria.

logo depois, o marcelo santiago (@meiodesligado) postou no blog meio desligado sua avaliação pessoal (bastante ponderada) do evento e uns printscreens com a continuação desse bate-boca, agora com as principais partes envolvidas (ganjaman, alex antunes e flávio jr.), lá no facebook. tiroteio pra lá, tiroteio pra cá e se de alguma forma eu também não estivesse envolvido nessa história (ossos do ofício) teria uma preguiça desgraçada de entendê-la, principalmente por questões escancaradamente pessoais entre ganjaman e flavio jr. isso me fez lembrar uma frase do livro de anthony bourdain (ao ponto) que estou lendo: "usar a função de crítico para resolver pendências pessoais o coloca no mesmo pântano interesseiro de seus colegas que usam o poder para obter vantagens pessoais". isso vale para ambos os lados e dá pano pr'algumas reflexões.

não acredito que o jornalismo musical - essa "especialização" criada no final da década de 1960 - no brasil vá mal. acho que estamos passando por uma entressafra. os "revolucionários" das décadas de 1980 e 90 já andam meio barrigudos, mal humorados e ocasionalmente perdidos nesse mundo novo descentralizado, sem certezas. a garotada dos anos 2000 ainda precisa descobrir que música não é tudo. mas também existem pessoas de gerações distintas que já se ligaram nisso e que mesmo assim mantém aquele tesão, aquela curiosidade pelo que é produzido ontem e hoje, aqui e no mundo, e pra além de seus gostos pessoais. agora, pra mim, curiosidade e tesão são diferentes de deslumbramento e tendência. e sinceridade é mais interessante que cinismo. no mais, tem espaço pra tudo nesse mundo e é assim que tem que ser. e cada um que faça o seu filtro, que busque sua turma. como eu nunca fui de turmas...

também não acho que artistas independentes (e sua entourage) sejam coisinhas puras de deus e nem os jornalistas demônios armados de iphones. a coisa não funciona assim. todo mundo pode ser alvo de críticas ou piadas. resta saber se são boas ou não, e se você aí sabe lidar com isso. "se nem jesus agradou a todos", diria algum comentarista ululante de grandes portais.

agora, pra encerrar, que esse texto já ficou mais longo que deveria, gostaria de falar um pouquinho sobre uma das acusações do antihype criolo: a do lobby na imprensa. acho que já passou da hora de encararmos o lobby como uma coisa natural do sistema. e quando digo lobby não me refiro a jabá. tentar vender seu peixe é uma coisa. empurrá-lo contra a vontade de outrem é diferente. quer dizer, é tão imaturo fingir indignação com a existência de algo que efetivamente existe (e que, a princípio, não é errado), fora que é ingênuo achar que a grande mídia e interesses privados estão criando um monstro-produto. a grande mídia não consegue nem mais eleger presidentes, um assunto que lhes interessa diretamente, quanto mais artistas pop. fora que o tal sucesso de criolo é totalmente entre aspas. 95% do país não sabe que ele existe e ainda mais pessoas não estão nem aí para o que o andré forastieri pensa dele.

falta humildade. falta interesse. falta voltar pra rua e abrir os ouvidos. falta discutir com pessoas diferentes. sobra se esparramar na redação à espera dos discos mandados pelas assessorias ou de link exclusivos. sobra a correria para ser o primeiro a falar da novidade da hora nas redes sociais. nesse universo umbigo quem mais perde são os jornalistas que, pouco a pouco, se vêem escrevendo para seus 13 amigos de cerveja e por alguns míseros 'curtir' no facebook. exatamante como talvez eu esteja fazendo agora...

damn!

atualização em 20 de setembro: e fernanda couto e daniel ganjaman fizeram ressalvas e comentários sobre o texto na janela de comentários, mas resolvi colocar aqui também pra enriquecer a discussão e não deixar "escondido" na janela de comentários. seguem...

fernanda couto: "oi Dafne, só corrigindo, não "atravessei" nenhuma conversa entre PAS e Ganja, até porque quando direcionei uma pergunta ao PAS no sábado de manhã, Ganja não estava nem online. questionei se PAS já tinha assistido a um show e ele respondeu que não."

daniel ganjaman: "Olá, Dafne. Gostei do seu texto e apesar de discordar de certos pontos, fico feliz de ver o assunto sendo discutido assim, abertamente. Gostaria de incluir algumas ressalvas, se me permitir.

A Fernanda Couto tem toda razão de fazer a correção, já que a conversa entre ela e o PAS foi "atravessada" por mim, e não o contrário. A discussão no caso tinha foco muito mais na capa da Serafina do que um confronto entre hype X antihype. Achei pertinente dar essa atravessada pois percebi que haviam outros pontos na conversa dos dois, em função do envolvimento da Fernanda com o trabalho e a posição "antifolha" que o Pedro faz questão de ressaltar sempre que tem a oportunidade. Na minha opinião, isso de certa forma deslegitimava um pouco os discursos, mas achei tudo super saudável e natural.

Em relação ao meu texto, gostaria só de deixar claro que não disse em momento algum que "todo crítico é um artista frustrado". É fato que um trabalho depende do outro, mas acho que essa forma comum de encarar o assunto diminui (e muito) a discussão. Críticas construtivas são sempre bem vindas e os textos que mais gostei sobre o trabalho do Criolo foram também os únicos que apontaram os defeitos do disco, escritos pelo próprio PAS (para o portal ig) e pelo Arthur Dantas (para a revista +Soma). O que eu questiono ali não são críticas. São todos os pontos também apontados por você no texto, como "egotrip de jornalista, papinho furado, polêmica vazia, briga de turminhas, fofoca".

No mais, concordo com oque você falou e aceito também suas críticas ao meu texto de forma construtiva, como deve ser. Abs! Daniel Ganjaman"