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terça-feira, 9 de abril de 2013

subir mais, subir além

agora em abril saiu minha primeira colaboração pra tam nas nuvens (escrevi um tanto bom para a antiga tam magazine). a pauta veio deles, mais precisamente de augusto olivani, e foi bacana saber que fui chamado porque eles queriam alguém que contasse bem uma história (no caso, a desse jovem piloto paulista e seu recorde de volta ao mundo). a entrevista com walter toledo aconteceu em um restaurante de rodízio perto do campo de marte, pouco depois das fotos que claus lehmann tirou para a revista, o que ajudou a criar um ambiente divertido pra história se desenrolar (e, como sempre, a versão aqui está maior que na revista, sem revisão e coisa e tal). mas então, depois que entreguei o texto, uma ótima surpresa: chamaram o bróder daniel almeida, autor do header do blog, para fazer uma ilustração para a matéria. 



NA VOLTA QUE O MUNDO DÁ

A história da jornada de Walter Toledo, o piloto paulista que entrou para o Guiness como o mais jovem a dar a volta ao mundo em um monomotor; e em menos tempo também


A pista do Campo de Marte, em São Paulo, está pegando fogo. É um sábado de verão e faz aquele tipo de calor que nem chuva ameniza. No meio desse cenário, e com uniforme de piloto, Walter Toledo ouve com atenção as indicações do fotógrafo para os retratos que ilustram essa matéria. Vai um pouco mais para a direita, um pouco para a esquerda, levanta o rosto e depois abaixa, coloca um chapéu de boiadeiro, alterna com um capacete, sobe no avião, e desce, e sobe, e fica ao lado, sempre acompanhado de óculos escuros. “É mais difícil ser fotografado que voar”, confessa entre um clique e outro. E olha que esse garoto de apenas 21 anos já foi protagonista de uma aventura aérea e tanto.

Entre julho e agosto do ano passado, Toledo deu a volta ao mundo e entrou para o Livro Guiness dos Recordes como o piloto mais jovem a fazer tal feito em menos tempo e com um monomotor. O recorde anterior, de 2007, era do jamaicano Barrington Irving, que tinha 23 anos na ocasião e fez a viagem em pouco mais de 90 dias. Toledo estava com 20 anos e completou o trajeto em 49 dias. “Se não tivessem acontecido dois problemas, a volta ao mundo poderia ter sido feita em 30 dias, mas de qualquer forma abaixou bem, né?”, explica sem falsa modéstia e com um forte sotaque do interior de São Paulo, mais precisamente de Lins, cidade a 429 km da capital.

Bastante seguro para tão pouca idade, Toledo sempre soube que iria voar. Nasceu sabendo, diz. “Meu avó foi piloto no passado, então sempre teve essa coisa de voar em casa. Só fiquei esperando ter a idade obrigatória para começar o curso teórico. Entrei com 16 anos, até um pouquinho adiantado. Em um ano, um ano e meio, a pessoa já está formada”. Durante e após a parte teórica, o jovem piloto se submeteu a horas e horas em simuladores e muitas outras de voo até conseguir sua habilitação pela Faculdade de Aviação Civil.


“Sempre convivi no meio, então desde cedo já perguntava e queria saber como as coisas funcionam. Tinha mais ou menos noção de tudo, não teve muita novidade”, mas não esconde certa frustração por seu plano inicial não ter dado certo. Também desde cedo quis voar em caças militares, só que ficou sabendo tarde demais que existia uma idade limite para entrar na Academia Preparatória de Cadetes do Ar, a porta de entrada para a Força Aérea Brasileira. Quando viu, já era. “Ficou uma sensação de vazio, mas tem que tocar a vida. Não tem caça pra voar? Vai voar em outra coisa então. Voar ainda é o mais importante”.

A essa altura, as fotos já tinham sido feitas e o jovem piloto estava com uma fome de anteontem. A decisão mais rápida era ir a um rodízio perto do Campo de Marte e lá fomos todos, incluindo os avós do piloto, Walter e Elba. Entre picanhas no alho e maminhas na manteiga, Toledo contou do momento de virada quando leu uma matéria sobre a volta ao mundo do jamaicano. Viu que era um recorde possível de ser batido, que a família era sócia de uma empresa que possuía um monomotor, e embarcou com tudo nessa aventura. “Do surgimento da ideia até o dia em que parti foram cinco meses”.

Mas antes do avião decolar, então batizado como Piper Malibu Matrix, as outras cinco pessoas envolvidas no projeto “Brasil Voando Alto” ainda precisaram ralar bastante para enfrentar alguns obstáculos: o patrocínio, o seguro e a compra de combustível na Rússia (afinal, o país tem uma legislação que não permite comercialização para aviões particulares). Todos foram resolvidos a tempo, porém no dia da partida a empresa russa responsável pelo combustível desistiu do negócio. Só que era impossível recuar com o sonho do recorde tão próximo e Toledo partiu, deixando o pessoal “de terra” cuidando dos enroscos russos.


A rota inicial foi a seguinte: saída de Goiânia rumo a Miami, local do início da contagem, com passagens pelas ilhas de Granada e Porto Rico, no Caribe; depois rumo ao Canadá pela costa leste norte-americana, Groenlândia, Escócia, Inglaterra e Alemanha. “Esse avião não tem radar meteorológico, então era só no visual e com cartas de navegação, bússola e cronômetro. Por mais que planejasse você só ia ver o tempo ruim em cima da hora. Esse foi sempre um problema, principalmente sobre o mar”. Uma das partes mais complicadas da viagem foi justamente a travessia pelo Atlântico Norte, mas nada se aproximaria do tormento que aconteceria na longa passagem pela Rússia.

Quando chegaram à Alemanha tudo estava certo com o combustível para o resto da viagem. Porém o governo russo só permitiu quatro aterrisagens e pelo planejamento, a partir do desempenho da aeronave, seriam necessárias sete. A saída foi instalar um novo tanque de combustível e isso precisou ser feito na Escócia. Este foi o primeiro atraso, só incômodo pela burocracia. O segundo foi mais sério, porque potencialmente fatal, pois um grande vazamento de óleo do avião em pleno voo obrigou uma aterrisagem forçada em Yakutsk, considerada a cidade mais fria do mundo, na Sibéria Oriental.

Enquanto o avião era consertado, Toledo foi surpreendido com o convite para falar do projeto “Brasil Voando Alto” e das relações entre países no Fórum dos Jovens do Leste da Rússia. “Como sabia que tinha muitas paradas no país fiz um curso intensivo de russo. O que não entendiam em inglês eu complementava no russo e vice-versa. Mas taí outra coisa que foi mais difícil que voar. Comecei a falar da viagem, mas eles queriam saber de outras coisas porque são muito ligados em política”, e o raciocínio do ainda faminto piloto foi interrompido pela oferta de um camarão com catupiry.


“Aí falei coisas como o Brasil e Rússia são países emergentes e que se a gente se unir acaba ganhando muito mais. Falei que eu mesmo comprava fertilizante russo pra jogar no pasto pras minhas vacas comerem e depois vender a carne de volta pra Rússia... compro nada, tava inventando [risos]. Mas falei que era esse tipo de parceria que a gente deveria fazer em muitas áreas”, e novamente ri ao lembrar-se da nova surpresa com uma fila de mais de 100 pessoas querendo seu autógrafo. “Ah, falei que não era jogador de futebol, nem dançarino, nem cantor, e que eles podiam ir embora”.

Após sair da Rússia, o monomotor atravessou o gelado Mar de Behring e entrou no Alaska, passando depois pelo Canadá e chegando aos Estados Unidos em Salt Lake City. A última surpresa da viagem aconteceu nos últimos 100 km quando Toledo foi informado que o devastador Furacão Isaac estava se aproximando de Miami. A única saída foi um voo baixo e arriscado pelo gigantesco Parque Nacional Everglades. O resto foi festa, muita festa.

“Vi muita coisa lá de cima. O Caribe é muito, muito bonito. Água clarinha, dá pra ver o chão do mar. O Alaska, a Groenlândia, o sol da meia noite na Islândia, é uma coisa de louco o tanto de coisa bonita que tem no mundo”. Ao total, o projeto “Brasil Voando Alto” percorreu 11 países, aterrissou em 36 aeroportos e consumiu 8540 litros de combustível, cruzando todos os meridianos da Terra. Sobre novos desafios ainda não sabe, mas tem certeza que serão no ar.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

tudo é viagem

comecei o ano fazendo uns trabalhos bacanas pra revista da gol. agora na edição de fevereiro saíram dois, este sobre lançamentos da série cidades ilustradas (casa 21) - a conversa com os irmãos fábio moon e gabriel bá foi por email e com o lourenço mutarelli por telefone - e uma entrevista com a cantora paraense lia sophia que já coloco aqui. e tem mais coisa pela frente. ah, e como sempre, a versão aqui é ligeiramente maior do que a editada.


autoretratos


DE FORA PRA DENTRO

Série 'Cidades Ilustradas' lança álbuns nos quais os ilustradores Lourenço Mutarelli e os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá viram e descobriram nas cidades de Manaus e São Luís, respectivamente

Quem viaja, sabe. Muitas vezes um olhar estrangeiro, de fora, revela mais sobre uma cidade do que os que nasceram nela podem imaginar. Pensando nisto, e tendo como referência os cadernos de viagens que europeus fizeram nos tempos do Brasil Colônia e Império, a editora Casa 21 deu início, em 2001, a série Cidades Ilustradas. O primeiro álbum trouxe o Rio de Janeiro segundo o traço e o bom humor do francês Jano e acabou resultando ainda em um premiado documentário (Rio de Jano).

“A escolha de Jano deveu-se ao fato dele ser um artista viajante - esteve na África e Índia onde produziu dois lindos álbuns. (...) Em geral, escolhemos um autor com perfil de artista viajante, avaliamos o seu traço e tentamos uma aproximação com uma determinada cidade”, explicou Roberto Ribeiro, diretor e editor da Casa 21.

De lá para cá outras cidades brasileiras foram esquadrinhadas pela série: São Paulo pelo inglês David Lloyd, Belo Horizonte pelo espanhol Miguelanxo Prado, Brasília pelo gaúcho Edgar Vasques, Curitiba pelo carioca César Lobo, Florianópolis pelo gaúcho Guazzelli, Belém pelo francês Jean-Claude Denis, Porto Alegre pelo argentino Carlos Nine, Salvador pelo fluminense Marcelo Quintanilha, Niterói pelo gaúcho Joaquim Fonseca e as Cidades do Ouro por Lelis, que também é mineiro, mas de Montes Claros.

As viagens da vez ficaram por conta dos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá, que foram para São Luís, e Lourenço Mutarelli, que esteve em Manaus. “Estamos pensando realizar em 2013 um livro sobre Recife. Ainda não escolhemos o autor, mas seguramente não será brasileiro”, conclui Ribeiro.



SÃO LUÍS POR FÁBIO MOON E GABRIEL BÁ

“A gente não conhecia praticamente nada.  Sabia que era a capital do Maranhão, terra do Sarney, e conhecia o trabalho do Zeca Baleiro e do Ferreira Gullar, mas não sabia que eles eram de São Luís. Nos nove dias que passamos lá, além de passear por lugares de interesse histórico, participamos um pouco da vida cultural da cidade, encontrando pessoas em bares, restaurantes, descobrindo o que o povo gosta de fazer à noite para relaxar e se divertir. Uma coisa que nos surpreendeu foi o calor. Acho que essa temperatura influencia o ritmo da vida do povo, sempre procurando sombra, mais lentos durante o dia, mais agitados à noite.

Numa caminhada pelo centro histórico você passa por edifícios, fontes e praças que preservam séculos de história nas fachadas, e encontra os mais diversos museus, de arte, de história e folclore, de cultura negra, onde a história é preservada e difundida. Ah, e quem puder visitar a cidade durante a festa do Bumba meu Boi [junho e julho] não se arrependerá. Vimos os ensaios finais e já achamos o máximo. 

São Luís é uma bela, rica em história e tradições, embora um pouco maltratada, precisando de um pouco mais de atenção na conservação do seu patrimônio. É também quente, cheia de um povo curioso, interessado, falante.”



MANAUS POR LOURENÇO MUTARELLI

“Estive em Manaus em 1999 para fazer uma palestra em um evento de quadrinhos. Adorei a cidade e, principalmente, as pessoas. Passei uns 5 ou 7 dias, não lembro direito. Foi uma experiência incrível. Mas tenho a pele muito clara, não aguento calor e umidade. Quando o pessoal da Casa 21 me chamou para fazer esse livro sobre Manaus minha única condição foi de não voltar lá. Fiz remotamente com ajuda das minhas memórias, de algumas fotos que tirei e de outras de um profissional. Sei que é horrível falar isso, mas não tinha condições mesmo.

Mas nessa vez que fui andei bastante na cidade e encontrei pessoas muito interessantes, gente que tenho contato até hoje, e são pessoas que fazem uma cidade, né? Comi pratos típicos e conheci pontos turísticos como o porto, o mercado e o Teatro Amazonas, que é muito mais bonito ao vivo que nas fotos. Aliás, a cidade toda é mais bonita que eu imaginava e tem um lado urbano muito forte que as pessoas de fora não fazem ideia. Teve uma noite que assisti ao show de uma banda cover do Velvet Underground. Só não pude ir pra floresta porque o convite chegou em cima da hora e não deu tempo de tomar as vacinas.”

p.s.: e aqui como ficou na página.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

uma eurotrip no papel

venho escrevendo sobre assuntos diversos nessa nova fase de frilas e uma das pautas que mais me exigiu foi a estreia na audi magazine, outra publicação da área de customizadas da editora trip (como a revista da gol). décio galina, o diretor de redação, me passou essa pauta sobre estradas bacanas na europa, tanto pelas paisagens quanto pelas estradas. fiz uma pesquisa e mandei umas dez possibilidades e eles também tinham algumas sugestões. fechamos em cinco estradas, no qual duas vieram das minhas pesquisas (escócia e noruega). a ideia original era conseguir aspas de pessoas que tivessem viajado nas estradas escolhidas, mas logo as minhas deram um trabalho danado por serem fora de rota e quem fiz contato acabou não respondendo a tempo de fechar a matéria. uma pena, teria ficado completo, e mesmo assim gostei do resultado final. no mais, não conheço nenhum dessas estradas, o que pode dar uma cara ficcional para essa reportagem. mas te digo uma coisa: minha paixão por mapas e rotas, a internet e a combinação de google maps com google street view são muito reais. ah, e antes de começar a viagem segue a matéria nas seis páginas da revista.






O CAMINHO É UMA VIAGEM


1. DE MÔNACO A PORTOFINO, ENTRE FRANÇA E ITÁLIA



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São pouco mais de 200 km de uma estrada quase sempre estreita e cheia de curvas, mas o trajeto que vai do Principado de Mônaco até o luxuoso balneário italiano de Portofino é, provavelmente, uma das mais indispensáveis viagens na costa mediterrânea europeia. Em condições normais de temperatura e pressão, a viagem pode ser feita em tranquilas 3 horas, mesmo com os pedágios. Mas não é preciso se apressar quanto o assunto é a região da Ligúria.


“A estrada vai margeando a costa, no alto das montanhas, e o mais impressionante são as surpresas que aparecem a cada curva - de repente um vilarejo fofo em tons pastéis, uma prainha azul de doer lá embaixo, cantinhos completamente desconhecidos do Mediterrâneo. E sim, isso ainda é possível”, relembrou a jornalista Rachel Verano, que morou durante sete anos na Europa.


Saindo de Mônaco, rumo leste, a França não demora muito para acabar e apenas uma cidade, Menton, separa a terra que coroou Grace Kelly da Itália. “Depois da fronteira a estrada vira uma sucessão de viadutos e pistas suspensas que desafiam a gravidade: a sensação é a de voar sobre as cidadezinhas”.


Boa parte da viagem é feita em duas pistas pela Autoestrada dei Fiori, muito bem sinalizada, mas até chegar a Gênova, a maior cidade da Ligúria, passa-se por localidades interessantes como San Remo (sede do festival de música que, realizado desde 1951, premiou Roberto Carlos em 1968) e Vado Ligure. Esta, na verdade, não vale pela beleza natural ou por ser antiga, mas sim porque é um importante entroncamento de possibilidades. Pode-se entrar pelo país, rumo noroeste, e ir até Turim e os Alpes ou então pegar um barco com destino a Bastia, o principal porto da ilha francesa de Córsega. Ou então seguir em frente, Ligúria afora.


“Portofino fica logo depois de Gênova e a estradinha estreita de curvas que lhe dá acesso é só um aperitivo do que a vilinha, dona da marina mais charmosa da Itália, reserva”, explica Rachel. É hora então de colocar os pés de molho no Mediterrâneo e curtir os pequenos prédios coloridos e espremidos entre o morro e o mar.


2. DE KYLE OF LOCHALSH A ULLAPOOL, ESCÓCIA



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No canto noroeste das highlands escocesas, recebendo rajadas velozes vindas do Atlântico Norte, uma estrada limpa, pista única, com pouco tráfego e de mão inglesa, serpenteia entre campos, montanhas e uma infinitude de lagos, com direito a alguns vislumbres assombrosos do oceano.


A maior e mais próxima cidade desse trajeto é Inverness, mas o passeio começa de verdade em Kyle of Lochalsh, cidade portuária que ficou conhecida na Grã-Bretanha por ter sido cenário da série televisiva Hamish Macbeth (1995-97). Cerca de 200 km a separam de Ullapool e existe uma opção mais curta entre elas, mas o melhor é tentar ficar o mais próximo possível da costa. Com as rodas na estrada e um tanque de combustível cheio, a civilização vai sendo rapidamente deixada para trás. A paisagem parece desolada, e ocasionalmente é mesmo, mas traços de humanidade vão surgindo aqui e ali em placas e vilarejos como Ardnaff, Coulags e Kinlochewe, cidadezinha que fica próxima à majestosa montanha Beinn Eighe. 


A partir de Gairloch, mais ou menos na metade do passeio, já é possível começar a ver, do lado esquerdo, o mar e algumas praias, algumas de areia branca, outras de pedras, todas desertas. Londubh, Poolewe, Aultbea, Laide e outros vilarejos surgem à margem da estrada livre e todos com suas típicas casinhas pintadas de um branco muito vivo.  


Deste trecho até Ullapool, nos cerca de 65 km finais, a solitude volta a dominar e dirigir em estradas assim é quase como uma meditação. Por essas e outras, a chegada em Ullapool é quase um choque de realidade (e olha que segundo o censo de 2001, a cidadezinha possui 1300 habitantes). Por outro lado é sede de muitos eventos culturais durante o ano, tais como Ullapool Book Festival (maio), Loopallu Music Festival (setembro) e Ullapool Guitar Festival (outubro). Portanto é bom checar antes o calendário de eventos para curtir um pouco da cidade e comemorar uma viagem inesquecível. No mais, atenção redobrada durante a viagem, pois ovelhas hão sempre de pintar pelas estradas.


3. VALE DO LOIRE, FRANÇA



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Cravado no centro e no coração da França, o Vale do Rio Loire se espalha por 800 km2, portanto existem muitas maneiras de se conhecê-lo e várias cidades históricas (Tours, Orléans, Amboise e Nantes) a se escolher como quartel-general para a viagem. “As estradas são bonitas, muito bem pavimentadas e sinalizadas, e têm limites de velocidade. Há radares escondidos, por isso não se pode bobear. Por ser à margem de um grande rio, o caminho é quase todo bem plano, exigindo pouco do motor do carro, o que economiza gasolina”, explica o jornalista Glauco Lucena que optou por se hospedar na cidade de Amboise, cujo belíssimo castelo guarda os restos mortais de Leonardo da Vinci.


Entre castelos, vinícolas e restaurantes em cavernas, Lucena fez um percurso de quase mil quilômetros durante uma semana de suas férias no ano passado. “Há uma autoestrada que passa pela região, mas a dica é usar as duas estradas menores que beiram a margem do Loire. Pode-se optar por uma das margens. Uma é mais movimentada e dá acesso às vinícolas e cavernas, enquanto a outra tem mais vegetação, trânsito livre, oferecendo um passeio muito mais bucólico”, relembra. 


História e natureza são os pontos altos dessa viagem e é possível tanto se perder entre as pedras seculares de castelos como Chambord, Villandry, Chinon, Rivau e Chenonceau quanto nas florestas do Parque Nacional Loire-Anjou-Touraine e na Reserva Chasse de Chambord. 


O Vale do Loire também é conhecido como o Berço da Língua Francesa, título que não nasceu à toa. Até meados do século 16 era o centro do poder do império e os mais de 300 castelos que sobreviveram à Revolução de 1789 e as Primeira e Segunda Guerras Mundiais só confirmam uma importância histórica que segue atravessando séculos. Tanto é verdade que desde 2000 a parte central do Vale foi incluída pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Portanto, não custa imaginar que pelas estradas de asfalto macias dos dias de hoje passaram nobres e plebeus aos trancos e barrancos.


4. DE WÜRZBURG A FÜSSEN, ALEMANHA



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Estradas longas, planas, bem sinalizadas e com muitas pistas. Perfeitas, enfim. É assim que se imagina uma autoestrada alemã (Autobahn). E é justamente assim que elas são, sem tirar nem por. Davi Tangerino, advogado paulista, morou um ano em Berlim e constatou isso de perto em algumas viagens pelo país. “Ao contrário das caóticas estradas brasileiras, as alemãs são planejadas e seguem a mesma lógica das artérias humanas. Grandes Autobahnen, sem limite de velocidade, interligam os principais eixos do país, mas, em regra, sem passar por centros urbanos, e das Autobahnen saem estradas menores e são essas que se dirigem a cidades”.


E justamente pelas menores que se escondem as maiores surpresas. Uma delas, por exemplo, é conhecida desde o início da década de 1950, principalmente por turistas americanos e japoneses, como a Estrada Romântica. A única diferença entre ela e uma Autobahn, na verdade, é o número de pistas (a Romântica tem uma pista para ir, outra para voltar). De resto, é perfeita igual. É também uma das primeiras rotas turísticas criadas no país no pós-guerra.


São 420 km que vão de Würzburg até Füssen, já quase na fronteira com a Áustria, atravessando assim boa parte da região da Bavaria. Entre uma ponta e outra, grandes campos, planícies verdejantes, cervejarias e vinícolas, tráfego suave e as pequenas e adoráveis cidades de Rothenburg ob der Tauber, Dinkelsbühl e Nördlingen, as únicas na Alemanha que ainda possuem vestígios de seu passado medieval.


Existem duas interessantes portas de entrada para se começar essa viagem: Frankfurt ao Norte ou Munique ao Sul. Mas o ideal é fazer o trajeto Norte-Sul tendo a bela cidade de Füssen como destino final. Nela, aos pés dos Alpes austríacos e às margens do Rio Lech, despontam alguns dos mais belos castelos germânicos. A saber, Schwangau, Hohenschwangau e o célebre Neuschwanstein, extravagante e rebuscada encomenda do Rei Ludwig II (1864-1886) em homenagem ao compositor Richard Wagner.


“Saindo da Estrada Romântica e pegando a Colomanstrasse, um dos caminhos para Munique, é que se vai ao Neuschwanstein. À esquerda de quem dirige nessa excelente estrada acompanha-se uma formação montanhosa. Não custa muito para que se aviste, lá em cima, o castelo que serviu de inspiração - dizem - para o castelo da Cinderela de Walt Disney”, diz Tangerino. Um final e tanto para uma viagem de sonhos. 


5. DE OSLO A BERGEN E DE VOLTA A OSLO, NORUEGA



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O mais longo dos trajetos dessa seleção também cobre, circularmente, todo o sul da Noruega, o que não é pouca coisa. São 1300 km de ótimas estradas, mesmo quando estreitas, repletas de verde por todos os lados, montanhas, florestas, lagos e os imponentes fiordes. Terra e água, muita água. O objetivo é, no primeiro trecho, sair da capital Oslo e atravessar o país até Bergen, rumo Oeste. 


Em um país repleto de estradas fascinantes - Trollstigen e Atlantic Road só para citar dois exemplos mais ao Norte -, a que liga Oslo a Bergen surpreende pela variedade de paisagens com poucas distrações humanas. As maiores cidades, Eidfjord e Alvik, só aparecem perto de Bergen, e é exatamente entre elas que se pega o primeiro ferry boat da viagem. Durante todo o percurso é bom ficar de olho nos alces que atravessam a estrada e que podem causar sérios estragos no carro.


O segundo trecho, entre Bergen e Stavanger, já margeando a costa atlântica, é muito mais movimentado de carros e, consequentemente, possui estradas melhores. E muitas pontes e túneis submarinos ligando as centenas de ilhas e penínsulas de um dos litorais mais recortados da Europa. Antes de chegar a Stavanger é hora de treinar um pouco de paciência, afinal dependendo da época do ano é possível encarar filas para pegar os dois ferry boats. Ou também se pode matar um tempinho entre um e outro na pequena Haugesund, considerada uma das vilas mais bonitas da Noruega.


Se o tempo estiver bom não custa desviar um pouco para conhecer a tortuosa estrada de Lysebotn, um teste para os bons pilotos e distante apenas 85 km de Stavanger. Mas se não for o caso, o próximo destino é Kristiansand numa estrada sinuosa e com vistas para o Mar do Norte e suas muitas ilhas rochosas. Nesse terceiro trecho vale parar em uma das cidades costeiras. A bucólica Mandal, por exemplo.


O quarto trecho desta viagem, que vai de Kristiansand até Oslo, tem pouco mais de 300 km e garante novas surpresas cênicas, estradas mais largas e, novamente, um tanto mais de trânsito. Nada que um viajante viking não tire de letra.

segunda-feira, 5 de março de 2012

brasil (e portugal) por cyril pedrosa

mas quem diabos é cyril pedrosa? quadrinista e ilustrador francês da cidade de poitiers, mas com um tanto de raízes portuguesas, pedrosa começou trabalhando como animador e foi integrante das equipes dos longas o corcunda de notre-dame (1996) e hércules (1997), ambos da disney. aí decidiu se dedicar exclusivamente ao traço e ao roteiro de seu traço e em 2009 soltou o delicadíssimo três sombras, lançado no início de 2011 no brasil pela companhia das letras. em novembro do ano passado, pedrosa passou duas semanas aqui numa série de compromissos em são paulo, belo horizonte (fiq) e olinda (fliporto) e não parou de rasbicar um minuto sequer (também esteve no rio de janeiro, mas ainda não postou nada). fiz uma seleção aqui do que ele colocou no seu sítio, mas antes... uma palavrinha do próprio, poucas horas antes de embarcar, e publicado no blog da sua editora aqui... "tive a sorte incrível de que três sombras atravessasse fronteiras, sendo traduzido e lido em vários países, me abrindo as portas para belos encontros e inesperadas aventuras… pela primeira vez na minha vida, graças a esse livro, eu vou sobrevoar o atlântico essa noite e chegar amanhã de manhã em são paulo. não consigo acreditar que os livros tenham um poder assim, de mobilizar os homens, de provocar encontros, de mudar vidas. parece, no entanto, que é isso."


são paulo




belo horizonte





olinda





pedrosa tem um traço muito bonito, limpo e classudamente distorcido, e já tem um outro livro em quadrinhos lançado na europa: portugal. nesse video divertido ele "fala" um sobre a gênese desse livro e os três meses que passou na vila de seus antepassados escrevendo e desenhando.




p.s.: e o bruno dorigatti falou com cyril pedrosa quando ele esteve aqui, o que resultou numa baita entrevista. 

sábado, 12 de novembro de 2011

yahoo #18

essa foi difícil. não sabia o que escrever, não conseguia pensar em nada. um tanto bom disso foi resultado de uma semana infernal com dentes doendo, minha arcada dentária se vingando após anos de descuidos. acabei apelando para um texto mais na primeira pessoa, claro que tentando sempre manter aquela linha com os temas principais da ultrapop. de nada adiantou e esse "classe econômica, ida e volta", sobre viagens, aprendizados, alteridade e aeroportos-rodoviárias, passou em brancas nuvens pelo yahoo. totalmente diferente do atual, "pra cima, com raiva", que tratou da ocupação e desocupação na usp, filhinhos e não-filhinhos de papai, no qual voltei a ser odiado (nos comentários) e amado (nos 'likes' do facebook) em grandes quantidades.


CLASSE ECONÔMICA, IDA E VOLTA

Vou pedir licença para fazer uma coluna um pouco diferente das outras, um tanto mais pessoal. Tentarei não aborrecer ninguém. Será uma coisa assim sobre viagens, sobre fugir do universo umbigo e depois voltar.

Acho que uma das melhores coisas de viajar é colocar sua vida (e sua cidade, seu país, tudo que o cerca cotidianamente) em perspectiva. Não lembro quando tive a primeira consciência de que existia um mundo grande além da minha cidade natal (Fortaleza), mas sei que foram os mapas – muito mais que a TV e o cinema e sua ilusória proximidade – que me fizeram ver que existiam outras cidades, várias muito distantes, com outras pessoas vivendo mais ou menos como eu mesmo.

Em cada um daqueles pontinhos se reuniam pessoas andando de carros, fazendo sexo, chorando, morando juntas, embalando bebês, pedindo água sem gás e sem gelo, por favor. Tive a certeza disso quando me mudei, aos 9 anos, para o Rio de Janeiro (e depois Ribeirão Preto e então, finalmente, São Paulo). Mas porque diabos tanto blábláblá em um espaço que deveria tratar de comportamento e cultura popular?



É que eu estou querendo falar de viagens, mais especificamente de viagens para o exterior, e que são uma coisa nova pra mim, tá entendendo? Uns três anos atrás fui para Buenos Aires, mas só em 2010 tirei passaporte e comecei a carimbá-lo por algumas capitais europeias. Isso mesmo, sou filho orgulhoso dessa era brasileira na qual os aeroportos se tornaram acessíveis a mais pessoas (ah, e se você já ouviu a expressão “que horror, os aeroportos estão parecendo rodoviárias” tenha certeza que a pessoa que falou é um(a) idiota).

Olha, viagem ao exterior tem que ser uma lição de humildade. Temos que aprender a nos comunicar novamente, é quase uma volta a infância, e tudo que temos como certo pode virar de cabeça pra baixo. Em um país não se brinda com cerveja, em outro homens andam de mãos dadas e assim por diante. E é isso. Você está indo para outro país para ver coisas novas, para aprender, e não para procurar o que tem de sua cultura em outra (depois você vê isso e também pode ser legal, mas é outra história). Se ninguém é dono da verdade em casa, imagine em terras estrangeiras.

Por isso obedeço cegamente um dos nossos mais sábios ditados populares: “em terra alheia, pise no chão devagar”. E esse tipo de aprendizado, o do respeito e atenção ao outro e sua cultura e costumes, é coisa que se leva para o dia-a-dia. Não adianta falarem que no Brasil faltam mais leis e punições, mais família, mais Jesus. Tudo bobagem. O que falta é respeito, olhar pro outro e viajar mais.



sábado, 15 de outubro de 2011

yahoo #16

lá no novo ultrapop já tem texto novo, é o "miss de tudo um pouco", que trata de concursos de beleza um tanto mambembes e seus bafos ultramarinos. e aqui segue o anterior, "ajoelhou tem que dançar", que fiz durante as férias (talvez por isso tenha sido o menor dos textos que já fiz pra coluna). a turma maluca dos comentários até me deu um descanso, muita gente gostou do video da pastora ana lúcia, mas não deixei de ser acusado de fazer "críticas" aos evangélicos (não sei onde viram isso, paciência). só fiz uma pequena correção na versão do texto aqui para o esforçado: pela informação na página do youtube achei que a igreja fosse em madureira (zona norte carioca), mas na verdade é na estrada de madureira que fica em nova iguaçu (baixada fluminense). no mais, agradecimentos ao trabalho sujo de alexandre matias que postou esse video e me salvou no último momento (iria escrever sobre a claudia leitte no rock in rio e foi ótimo não tê-lo feito porque o pedro alexandre sanches mandou muito bem no seu "claudia leitte e os arianos").


AJOELHOU TEM QUE DANÇAR

Música e religião sempre andaram juntas, rostinho colado, desde que o mundo é mundo. Para entrar em transe, elevar o espírito, entrar em contato com algo supremo ou passar uma mensagem, de amor ou fé. Não sou um estudioso do assunto, mas acredito que em todas as religiões criadas pela humanidade a música seja um dos componentes mais importantes e presentes.

Estava eu de férias batendo perna pelo Velho Mundo, mais precisamente Viena, quando entro na Igreja de São Pedro (1733) e me deparo com uma combinação rebuscada de arquitetura barroca e um dos órgãos mais antigos da cidade soltando melodias de Johann Sebastian Bach pelos quatro ventos. Coisa mais linda do mundo, podem pensar alguns, mas eu particularmente não me emociono com música clássica e por isso acabo achando a atmosfera um tanto opressora, intimidante.

De volta ao hotel, poucas horas depois, entro na internet para checar emails e começar a escrever essa coluna e me deparo com um vídeo que consegue, em pouco mais de 8 minutos, fazer com que cantos gregorianos pareçam ranger de portas. Com vocês, Ana Lúcia, pastora e cantora de alguma pequena igreja evangélica na baixada fluminense.



Nunca entendi o temor a Deus em suas diversas manifestações: o peso da culpa judaico-cristã, a sisudez muçulmana e a caretice evangélica, por exemplo. E não é por ser ateu (ai Jesus, polêmica à vista?) que acho isso e sim porque acredito que a espiritualidade deveria ser uma declaração de amor à vida. E amor é alegria, compreensão, respeito, suor e calor.

Foi uma surpresa e tanto – e uma ótima surpresa – ver essa igreja evangélica pegando fogo ao som de um samba reggae acelerado cuja intensidade e os batuques são profundamente devedores ao candomblé. E o pessoal girando e girando como elevados dervixes turcos. Sem falar em Ana Lúcia, uma mistura rascante de Tim Maia e Mr. Catra. Quer dizer, é o famoso samba do crente doido e pra mim isso tudo faz muito sentido.

Gosto desse Deus que dança e gosto ainda mais que ele seja negro e brasileiro.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

de volta (quase)

amsterdam

berlin

londres

paris (só o aeroporto mesmo)

e agora, acelerando devagarzinho de volta ao(s) batente(s) e feliz com uma viagem bem da boa. beijo grande pra carolina, minha companheira dessas e de outras cidades.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

cuidado com o bulldog

aqui no bulldog, perto da praça com pista de gelo pequena e meio fuleira cheia de folhas secas constantemente jogadas para fora, na calçada mesmo. perto do american hotel imponente, de outros grandes tempos, e com janelas enormes e vitrais fantasmagoricamente lindos. de frente para essa praça movimentada, uma das filiais do bulldog, um bar como qualquer outro. entro lá e vejo um menu sortido, basta apertar um botão e acende uma luz. digo logo: i'm a first timer in coffeshops. marijuana or hash? marijuana. weak, medium or strong? medium. white widow! levo o saquinho plástico zipado e, depois de sentando, peço uma coca pequena. bem pianinho, pra curtir o momento, aproveitar essa oportunidade sem crise nenhuma, sem babar na gravata. de vez em quando pensando que nem ia conseguir o fumar o baseadinho todo. só mais um dia e pouquinho na cidade livre. não ia dar conta do saquinho todo. que maldade. e ao redor muita música, sempre dançante, mais ou menos pop. mas estava sozinho e não entendia as pessoas, o que é ao mesmo tempo solitário e liberador. o que faço enquanto fumo sozinho? começo a escrever que estava aqui no bulldog, perto da praça com pista de gelo pequena e meio fuleira...

fui escrevendo isso ontem a noite, umas 10 e meia da noite, no meu celular, enquanto curtia minha primeira e tranquila experiência em um coffeeshop de amsterdã. acho que queria mais comprar e sentar em um bar, assim mesmo normalmente, do que propriamente fumar. só para confirmar que é assim tem que ser. normal. um negócio como qualquer outro. mas, como diria a presidenta dilma, tergiverso. durante minha permanência no bulldog - um coffeeshop com cara de hard rock café, isto é, sem charme, comercialzão - conheci um rapper belga simplesmente sensacional: stromae. filho de mãe belga e pai ruandês, paul van haver adotou o pseudônimo de stromae (palíndromo de 'maestro') ali pelo início dos anos 2000 e só foi lançar seu primeiro trabalho solo, o ep juste un cerveau, un flow, un fond et un mic…, em 2007. mas foi no final de 2008 ou ínicio de 2009 que nasceu a música "alors on danse" (algo como 'então vamos dançar'), sucesso que saiu da bélgica, lhe deu o primeiro contrato com uma grande gravadora, e depois, no primeiro semestre de 2010, espalhou-se pela europa continental. está em seu disco de estreia, cheese (vertigo/mercury/universal music, 2010), ganhou remix assinado por kanye west e um clipe sensacional. ainda não consegui achar o disco, mas o som do garoto é esse rap com batidas de electro, house, eurodance e outras coisinhas globais. saiba mais sobre stromae na wikipédia e o acompanhe pelo twitter @Stromae. mas antes, escute e veja...



não é foda? coisas que o bulldog pode fazer por você. e lá em seu canal no youtube achei esse video, no qual stromae fala de como foi compondo a música, camada por camada, e demonstra ao vivo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ser nordestino é...

justo agora que acabei de vir de um bate-volta de menos de dois dias na terrinha fortaleza (e levei a paulistana carolina, que não conhecia, a tiracolo). justo agora aparece esse video ótimo, direto, com vários não-nordestinos (estrangeiros e nacionais) tentando definir o que é ou como é um nordestino. é de autoria de márcio acselrad (que mora em fortaleza segundo informação em seu twitter meio paradão) e foi dica de @santoisaac.

domingo, 3 de janeiro de 2010

5 cenas de uma viagem

de volta a são paulo, mas com a cabeça ainda cheia de imagens de mais uma viagem pra santa olinda, sítio da família materna de carolina, lá pelas bandas de palmital, noroeste paulista, pertinho do paraná. separei cinco imagens celulares. simbora que o ano tá correndo...

estrada de terra que vai de ibirarema a palmital e corre paralela à rodovia raposo tavares

um cachorro, um vira-lata

corredor de eucaliptos na chegada da santa olinda

vista do deck do piscinão numa manhã após ventos e chuva forte na madrugada

os figuraças andré e pedro, sobrinhos meus por parte de carolina, com piscinão e eucaliptos ao fundo

sábado, 26 de setembro de 2009

duas fotos e meia

casa dos pais de santos dumont (1873-1932), ouro preto, 2006

casa dos pais de santos dumont (1873-1932), ouro preto, 2006

e taí a fachada da casa pra não falarem por aí que ando inventando...