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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

50 músicas brasileiras de 2019

a grande maioria das músicas brasileiras dessa lista veio, como quase sempre acontece por aqui, da lista de discos. então pode acreditar que tem Aláfia, Alice Caymmi, Amiri, Baiana System, Bárbara Eugênia, Black Alien, Céu, Djonga, Dona Onete, Douglas Germano, Drik Barbosa, Elza Soares, Emicida, Felipe Cordeiro, Guilherme Kafé, Héloa, Jaloo, Jards Macalé, Keila, Larissa Luz, Lucas Santtana, Lúcio Maia, Luísa e Os Alquimistas, Lulina, Marcelo Jeneci, MC Tha, Momo, Nego Gallo, Pélico, Pitty, Rincon Sapiência, Siba e Tássia Reis. em alguns casos foi muito difícil definir apenas uma música, mas a vida é feita de escolhas né não.

então vou destacar aqui músicas de artistas/músicas que não apareceram na lista de discos. é o caso de jovens gigantes pop como Pabllo Vittar e a maravilhosa "Amor de Que", Ludmilla e a deliciosa "Verdinha", e novamente Ludmilla junto de Anitta na poderosa "Onda Diferente", além de Gloria Groove e outra canção maconhística ["Sedanapo"] e Iza e a jamaicana "Brisa".

seguindo com as minas: a paraibana Agnes Nunes vem construindo delicada e vagarosamente uma bela carreira [apoiada recentemente pelo pessoal da Baguá Records do rapper carioca Xamã] e o sambinha "Sônia" é um de seus pontos altos; a pernambucana Duda Beat largou um pouco do brega fossa do seu disco de estreia e neste ano participou de músicas de artistas muito variados como Lucas Santtana e Rashid e lançou a divertida "Chega" com Matheus Carrilho [Banda Uó] e Jaloo; as também pernambucanas MC Loma e As Gêmeas Lacração conseguiram mais uma vez criar um hit bregafunk; e a baiana Luedji Luna é outra voz poderosa atual e sua "Tô Te Querendo", parceria com os produtores Omulu e ÀTTØØXXÁ, é uma coisa doce demais. sem falar nas paulistas Linn da Quebrada, Luiza Lian, Tulipa Ruiz [numa parceria linda com o mestre João Donato] e YMA.

pra encerrar os destaques entre as músicas de 2019, o engraçadíssimo trap de MC Caverinha, o funk hit de verão de Thiaguinho MT ["Tudo OK" é demais], e as doçuras transcendentais de Eduardo Gudin e Rogerman.

segue abaixo a lista completa das músicas seguida de uma playlist no YouTube.

Agnes Nunes & Xamã - "Sônia"
Aláfia - "Canção Pra Nós"
Alice Caymmi - "Areia Fina"
Amiri - "Êta Porra! 2.0(19) Da Bomboclat"
Anitta, Ludmilla & Snoop Dogg - "Onda Diferente" [part. Papatinho]
Baiana System - "Salve" [part. BNegão, Antônio Carlos & Jocafi]
Bárbara Eugênia - "Perdi"
Black Alien - "Área 51"
Céu - "Coreto"
Djonga - "Hat-Trick"
Dona Onete & BNegão - "Musa da Babilônia"
Douglas Germano - "Valhacouto"
Drik Barbosa - "Quem Tem Joga" [part. Gloria Groove & Karol Conká]
Duda Beat, Matheus Carrilho & Jaloo - "Chega"
Eduardo Gudin & Léla Simões - "Alma"
Elza Soares & BaianaSystem - "Libertação" [part. Virginia Rodrigues]
Emicida - "AmarElo" [part. Majur & Pabllo Vittar]
Felipe Cordeiro - "Onde é Que Vou Parar" [part. Dona Onete]
Gloria Groove - "Sedanapo"
Guilherme Kafé - "Muitas Casas" [part. Mauricio Pereira]
Iza - "Brisa"
Héloa - "Silêncio"
Jaloo - "Dói d+" [part. Nave]
Jards Macalé - "Pacto de Sangue"
Keila - "Brega Doido"
Larissa Luz - "Gira"
Linn da Quebrada - "Oração" [part. Liniker]
Lucas Santtana - "Ninguém Solta a Mão de Ninguém" [part. Jaloo, Juçara Marçal & Linn da Quebrada]
Lúcio Maia - "Palomar"
Ludmilla - "Verdinha"
Luísa e Os Alquimistas - "Garota Ligeira" [part. Luê]
Luiza Lian & Bixiga 70 - "Alumiô"
Lulina - "O Que é o Quê" [part. Mauricio Pereira]
Marcelo Jeneci - "Aí Sim"
MC Caverinha - "Flash"
MC Loma e As Gêmeas Lacração - "Xonadão"
MC Tha - "Onda" [part. Jaloo & Felipe Cordeiro]
Momo - "Diz a Verdade"
Nego Gallo - "Onde Há Fogo Há Fumaça"
Omulu, Luedji Luna & ÀTTØØXXÁ - "Tô Te Querendo"
Pabllo Vittar - "Amor de Que"
Pélico - "Descaradamente"
Pitty - "Noite Inteira" [part. Lazzo Matumbi]
Rincon Sapiência - "Meu Ritmo"
Rogerman - "Tarde"
Siba - "Só é Gente Quem se Diz"
Tássia Reis - "Dollar Euro" [part. Monna Brutal]
Thiaguinho MT - "Tudo OK" [part. Mila & JS O Mão de Ouro]
Tulipa Ruiz & João Donato - "Gravidade Zero"
YMA - "Par de Olhos"

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

40 + 20 discos brasileiros de 2019

e dá-lhe mais um ano ótimo, esse 2019, pra música brasileira. ano de discos fortes de mulheres idem como a rainha Elza Soares e seu Planeta Fome, de Alessandra Leão e o sagrado Macumbas e Catimbós, de Céu e a doçura confessional de APKÁ!, além das "estreantes" Larissa Luz e seu belo Trovão e MC Tha e seu elevado Rito de Passá.

o sagrado em MC Tha e Alessandra Leão, 
alguns dos pontos altos musicais de 2019

da macharada destaco O Futuro Não Demora do BaianaSystem, Besta Fera do gigante Jards Macalé, I Was Told To Be Quiet do Marcelo "Momo" Frota e Coruja Muda do Siba. 

a besta fera Jards Macalé

mas nunca é demais frisar que um quarto dos mais interessantes, bacanas, fortes, etc discos brasileiros do ano - aqui segundo os 40 +20 do esforçado - são de rap, uma média que tem se mantido alta por aqui há pelo menos uma década. é o gênero mais crítico, diverso, pulsante e rico [e crescentemente popular]. e que em 2019 nos deu os poderosos Abaixo de Zero: Hello Hell de Black Alien [tão franco ao expor tantas feridas] e AmarElo de Emicida [tão maduro entre a doçura e o dente afiado]. e ainda por cima novos trabalhos de outros preferidos da casa como Amiri, Coruja BC1, Djonga, Rincon Sapiência, Tássia Reis e Thiago Elniño. e solos finos de veteranos como Edi Rock [Racionais MCs] e Nego Gallo [do saudoso e cearense Costa a Costa]. e também Davzera, Drik Barbosa, Nill, Rashid e Zudizilla. muita coisa boa, impressionante.


Black Alien, Emicida e o rapBR mais forte que nunca

vale destacar ainda a volta dos veteranos e paulistaníssimos Rumo, a produção intensa de Marcos Valle [que já lançou disco novo neste 2020] e de Dona Onete, a crescente politização de Lucas Santtana, o retorno de Lia de Itamarcá, e o sempre irrequieto Jorge Mautner.

então, sem mais delongas, a lista completa 40 +20 da música brasileira de 2019 segundo o esforçado.

Alessandra Leão - Macumbas e Catimbós
Alice Caymmi - Electra
Amiri - O.N.F.K.
Baiana System - O Futuro Não Demora
Barbara Eugênia - Tuda
Boogarins - Sombrou Dúvida
Céu - APKÁ!
Coruja BC1 - Psicodelic
Djonga - Ladrão
Dona Onete - Rebujo
Douglas Germano – Escumalha
Edi Rock - Origens
Elza Soares - Planeta Fome
Emicida - AmarElo
Felipe Cordeiro - Transpyra
Héloa - Opará
Jaloo - ft. (pt. 1)
Jards Macalé - Besta Fera
Karina Buhr - Desmanche
Larissa Luz - Trovão
Lia de Itamaracá - Ciranda Sem Fim
Lúcio Maia - Lúcio Maia
Lulina - Desfaz de Conta
Marcelo Jeneci - Guaia
Marcos Valle - Sempre
MC Tha - Rito de Passá
Nego Gallo - Veterano
O Terno - atrás/além
Pitty - Matriz
Rumo - Universo
Siba - Coruja Muda
Tássia Reis - Próspera

+ 20
Chico Bernardes - Chico Bernardes
Davzera - Vale do Silício
Drik Barbosa - Drik Barbosa
Giovani Cidreira - Mix$take
Iconili - Quintais
Juliana Perdigão - Folhuda
Keila - Malaka
Lello Bezerra - Desde Até Então
Liniker e Os Caramelows - Goela Abaixo
Luísa e os Alquimistas - Jaguatirica Print
Manoel Cordeiro - Guitar Hero Brasil
Nill - Lógos
Nomade Orquestra - Vox Populi Vol. 1
Rashid - Tão Real
Rogerman - Manhã de Amanhãs

quinta-feira, 24 de março de 2016

histórias do rap nacional, a série

totalmente ótima a primeira temporada de histórias do rap nacional, série em seis episódios escrita e comandada por ronald rios e exibida pela tv gazeta [ora veja só você, a gazeta]. apesar de errar em alguns poucos insights pessoais sobre o rap, nacional e gringo, ronald se mostra sempre atento e entusiasmado com o tema e colocou no ar um belo panorama histórico e atual sobre o gênero [majoritariamente em são paulo].


ronald e leandro, que ganhou um episódio totalmente 
dedicado ao seu alter ego emicida 

segue a lista da turma que aparece em cada episódio e, na sequência, todos os seis episódios numa mesma playlist de youtube.

episódio 1: rashid, tássia reis, rincon sapiência, bitrinho, lurdez da luz, lívia cruz, haikaiss, síntese, drika barbosa e rodrigo ogi

episódio 2: pepeu, thaíde, max b.o., dmn, gabriel o pensador, kamau e rappin hood

episódio 3: emicida

episódio 4: kl jay, edi rock, dj nyack, dj cia, wzy, dario, skeeter, dj hum e daniel ganjaman

episódio 5: rzo, rael, msário, sampa crew, de menos crime, gog, ndee naldinho, dbs, xis, renan inquérito e rico dalasam

episódio 6: criolo, rinha dos mcs, dj dandan, redniggaz, kauan, bivolt mc, flow mc, dj colorado, tvs, helibrown, marcelo gugu, guilherme treeze e matheus mc

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

65 discos brasileiros de 2015

já rolaram os discos e músicas gringas de 2015, então agora é a vez de falar daqui, de listar o que mais gostei do que ouvi aqui: artistas novos se firmando, iniciantes cheios de gás e voz, medalhões inquietos, um pouco mais da nossa costumeira efervescência musical. acabei fechando a minha lista [sempre e cada vez mais] inclusiva com 65 discos, mas destacarei 17 que estiveram mais muito mais próximos. pra facilitar minha vida separei esses 17 em 3 blocos: os raps, as mina e os mano.

ogi, emicida, instituto, black alien, bnegão, síntese & cia

os rap – tal e qual a gringolândia, o rap também é no brasil o gênero que tem mostrado mais originalidade, mais vontade de falar de assuntos diversos e urgentes, e de se misturar sem medos. isso, claro, não é de hoje, mas seis discos lançados este ano são prova clara que o rap brasileiro cresceu de uma forma absolutamente inequívoca. por exemplo rá!, o segundo disco do grande cronista paulistano rodrigo ogi, que é um passeio veloz e afiado pelos humores da cidade. e tem ainda samba e muita vida, e ocasionalmente sangue, em suas rimas. já sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa, de emicida, a grande jovem estrela do gênero, é uma maravilha de diversa atualidade: é família, pop, pesado e ativista, tudo ao mesmo tempo, e com uma delicadeza e equilíbrio de dar inveja a muito veterano. 

transmutação e babylon by gus vol. II, dos contemporâneos, cariocas e ex-companheiros de planet hemp, bnegão e black alien, são produções extremamente bem acabadas, divertidas e com pegada [e como é bom ver e ouvir black alien de novo].

a volta do instituto, após 14 anos de sua estreia, com violar é outra prova de como o rap se tornou predominante e incontornável. até as músicas instrumentais do disco parecem rap, mas como se isso não bastasse, tem criolo, bnegão, karol conká, sombra e uma linda pérola póstuma de sabotage.

então, pra finalizar esse bloco de rap, um trabalho que entrou aos 48 do segundo tempo, síntese, akilez, kiko dinucci e thiago frança. encontro poderoso e ofegante esse do rapper de são josé dos campos com o produtor curitibano, o guitarrista guarulhense e o saxofonista mineiro [nada mais paulistano que isso]. síntese continua firme com um dos rappers mais originais da atualidade, apesar dos arroubos religiosos [ou devido a eles?].

elza, gal, alessandra, karina, letuce e tulipa

as mina – duas veteranas abrem esse bloco com discos absurdos de lindos. a mulher do fim do mundo é o encontro de elza soares com composições e músicos muito atuais e de são paulo. é trabalho poderoso, negro, rasgado, torto, sexual, melancólico e surpreendente. estratosférica é gal costa tinindo em delicadezas e com repertório também todo de inéditas. duas grandes mulheres artistas inquietas e atentas.

a jovem guarda feminina tem um tanto de pernambuco via são paulo com selvática, o mais regular e bonito disco de karina buhr, e os fortes e carnais eps aço e língua de alessandra leão [karina e alessandra foram companheiras de comadre fulozinha]. tem também rio de janeiro com estilhaça, o terceiro disco de letuce e que traz a cantora e compositora letícia novaes ainda à flor da pele, mas também conseguindo ser menos estritamente confessional e mais universal. pra encerrar o bloco, dancê, o mais recente, alegre e solto trabalho de tulipa ruiz.

jaloo, siba, lira, cidadão instigado e rodrigo campos

os mano – a grande surpresa deste ano, entre os manos, foi o #1 de jaloo. conhecido por seus remixes tecnobregas, o paraense fez um belíssimo, doce e dançante disco autoral. gosto de jaloo tem tempo, mas realmente não esperava um disco com tantas músicas tão bonitas. no mais, os feras de sempre aprontando mil e uma confusões: fortaleza, o quarto disco do cidadão instigado, é o que existe de melhor e mais pulsante no rock nacional; de baile solto do siba tem pernambuco, áfrica, guitarra e muitas outras coisas tão boas quanto; o igualmente pernambucano lira lançou seu segundo disco solo, o labirinto e o desmantelo, e sua poesia está cada vez mais apurada e dolorida; por último e não menos importante, o delicado conversas com toshiro, terceiro e mais maduro disco de rodrigo campos.

aqui, a lista completa com os 65 discos:

aláfia - corpura
alessandra leão – aço/língua EPs
amplexos - sendeiro
andreia dias - prisioneira do amor
as bahias e a cozinha mineira - mulher
barbara eugênia - frou frou
bixiga 70 - III
bnegão & seletores de frequência - transmutação
boogarins - manual
cícero - a praia
cidadão instigado - fortaleza
daniel groove - romance pra depois
diogo strausz - spectrum vol. 1
eddie - morte e vida
fabio góes - zonzo
frito sampler - aladins bakunins
gal costa - estratosférica
gui amabis - ruivo em sangue
hélio flanders - uma temporada fora de mim
iconili - piacó
instituto - violar
jaloo - #1
juçara marçal e cadu tenório - anganga
karina buhr - selvática
karine alexandrino - mulher tombada
letuce - estilhaça
liniker - cru EP
mariana aydar - pedaço duma asa
metá metá - metá metá EP
ná ozzetti e zé miguel wisnik - ná e zé
ná ozzetti & passo torto - thiago frança
odair josé - dia 16
orquestra brasileira de música jamaicana - obmj ataca!
orquestra raiz - as américas
pélico - euforia
qinho - ímpar
rafael castro - um chopp e um sundae
raphão alaafin - eu gosto
rodrigo campos - conversas com toshiro
rodrigo ogi - rá!
romulo froés - por elas sem elas
silva - júpiter
space charanga - r.a.n. (rhythm and noise)
thiago ramil - leve embora
trupe chá de boldo - presente
tulipa ruiz - dancê
vicente barreto - cambaco
vitrola sintética - sintético
wado - 1977
zé manoel - canção e silêncio
zé pi - rizar
síntese, akilez, kiko dinucci & thiago frança

terça-feira, 4 de novembro de 2014

notas aleatórias sobre um grande show

foi uma grande e longa noite no teatro municipal. a terceira edição do 'casa de francisco em concerto' pareceu uma peça do teatro oficina: cinco horas, dois intervalos, um monte de artistas no palco; só faltou gente pelada.

dividido em 3 partes, o show começou com um bloco levado por benjamin taubkin. foi o mais longo e, pra mim, o único com momentos chatos. ótimas participações de felipe cordeiro com o pai manoel cordeiro, marcelo pretto, pau brasil e mani padmé trio. teve também renato braz, que é um sujeito que me dá vontade de morrer, e alaíde costa que fez uma versão muito falha e só no gogó de villa-lobos. 

o segundo bloco, capitaneado por arrigo barnabé, teve uma cara de vanguarda paulistana. rolaram grandes momentos com cida moreira, zé miguel wisnik, cacá machado, ná ozzetti, celso sim, isca de polícia e maurício pereira com daniel szafran [que lindo foi ouvir "um dia útil" no teatro municipal]. 

o terceiro, mais atual e interessante, veio com kiko dinucci. e lá vieram os amigos romulo froés, rodrigo campos e marcelo cabral [passo torto], thiago frança e juçara marçal [metá metá], a juçara detonando solo, etc. e ainda teve alessandra leão cantando a música mais bonita da noite ["pedra de sal"] junto com rodrigo caçapa e manu maltez. o encerramento épico veio com o trio emicida, rodrigo campos e thiago frança [do espetacular show que já falei aqui] e então o metá metá se juntou.


emicida + metá metá

lá pelo final, antes do metá metá se reunir a emicida, kiko dinucci fez um breve discurso pra casa de francisca e agradeceu a presença do prefeito fernando haddad, que foi muito ovacionado.

ao fim & ao cabo, a noite foi ótima, apesar do cansaço de cinco horas, da confusão de algumas passagens de um artista pro outro, do roteiro também ocasionalmente confuso e da falta de um mestre de cerimônias que apresentasse os músicos e preenchesse os vazios.


uma parte do elenco do show agradecendo ao final

de qualquer forma, vida longa a casa de francisca! que venham novos, grandes e pequenos shows.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

rap esquema novo

sem medo de adjetivos e afirmações categóricas: emicida, thiago frança e rodrigo campos criaram na casa de francisca um dos melhores, mais intensos, surpreendentes e divertidos shows do brasil, quiçá do mundo. é algo entre gil scott-heron e adoniran barbosa. é o experimentalismo do sax, flauta e pocket piano de thiago com o da guitarra, violão e cavaquinho de rodrigo fazendo cama para a velocidade urgente das rimas de emicida [e que com esse acompanhamento acabaram ganhando novas e surpreendentes densidades junto a um flow mais relaxado]. 


quase no final, antes de um engraçadíssimo momento freestyle que uniu emicida a grupo raça, padeirinho, bezerra da silva e paulinho da viola, thiago frança disse o seguinte: "ó, todo mundo aqui é sambista, viu?". e é a mais pura verdade porque o rap é também uma outra forma de sambar. só que o que aqueles três fizeram na pequenina casa de francisca já está além. tem algo muito novo surgindo desse encontro [idealizado por thiago]. que sorte a nossa.

setlist do show


- “ngoloxi” [thiago frança] / “ubunti fristili” [emicida]
- “crisântemo” [emicida]
- “outras palavras” [emicida]
- “sol de giz de cera” [emicida]
- “ela diz” [emicida]
- “rua augusta” [emicida]
- “fim da cidade” [rodrigo campos]
- “beco” [rodrigo campos]
- “saudosa maloca” e “despejo na favela” [adoniran barbosa]
- “hino vira-lata” [emicida]
- momento freestyle que teve “favela” [padeirinho], “eu sou favela” [noca da portela e sérgio mosca], “eu e ela” [grupo raça], “meu mundo é hoje” [wilson batista e josé batista] e “timoneiro” [paulinho da viola e hermínio bello de carvalho]
- “triunfo” [emicida]

atualização: o programa manos e minas [tv cultura] fez uma matéria sobre o show e a gravação foi justamente nesse dia que fui. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

50 músicas brasileiras de 2013 e um p.s.

dezembro é aquela coisa. listas e balanços, balanços e listas. a retrospectiva aqui no esforçado começa com a de músicas brasileiras e 2013 foi mais um ano sensacional pros lados de cá. como é de costume tento traçar um largo panorama do que ouvi durante o ano - aqui nós é da inclusão, tá ligado? -, mas é claro que ficam coisas de fora e claro que poderia acrescentar mais duas ou três músicas de determinados discos. só que a vida é escolhas, né não? engole o choro e vai...

agora, reparem o seguinte... boa parte da lista é formada por raps, gênero que tem sido o mais ousado, inquieto e variado nesse começo de século no brasil. são manos e minas rimando sobre tudo, sem medo de arriscar e misturar. um desses raps é, muy provavelmente, a música mais bonita desse ano e desde já um clássico: "crisântemo", do emicida. do lado da, digamos assim, mpb destaco a lindíssima, sambística e experimental "sim", de cacá machado, registrada num dueto arrepiante de elza soares e zé miguel wisnik.



aláfia - “ela é favela”
amiri - “trinca”
andreia dias -“brisa tropicana” [part. criolina]
anitta - “show das poderosas”
bárbara eugênia - “roupa suja” [part. pélico]
bruno morais – “insomnio y palabrería” [part. 3 cruzeiros]
bruno souto - “dentro”
cacá machado - “sim” [part. elza soares e zé miguel wisnik]
catarina dee jah - “intercumbia”
cérebro eletrônico - “não bateu nosso santo”
cícero - “duas quadras”
criolo - “duas de cinco”
dj dolores - “álcool” [part. isaar frança]
do amor - “mindingo” [part. lucas santtana]
don l - “cafetina seu mundo”
edi rock - “negro cantou” [part. don pixote]
emicida - “crisântemo”
gang do eletro - “só no charminho”
garotas suecas - “a nuvem” [part. lurdez da luz]
gasparzinho - “vai no cavalinho”
iara rennó - “outros tantos”
joão rosseto - “pagando pra ver”
juliano gauche - “amor do capeta”
karol conká - “sandália” [part. rincon sapiência]
lívia cruz - “sei quem eu sou” [part. karol de souza]
lulina - “lua vazia”
lurdez da luz - “ping pong”
luz marina - “paisagem”
marcelo d2 - “fella” [part. shock, batoré e akira presidente]
marcelo jeneci - “de graça”
mc garden - “isso é brasil”
mc guimê - “país do futebol” [part. emicida]
mc tipocki - “quero bunda”
meno del picchia - “vou pro pará”
momo - “uu”
ná ozzetti - “lizete” [part. kiko dinucci]
rael - “o hip hop é foda”
rodrigo amarante - “maná”
ruspo - “chatuba do agroboy”
síntese - “equação”
slim rimografia - “limpe seu próprio quintal”
sombra - “piada cabeluda”
submarinos - “trampolim”
thiago frança - “caso do bacalau” [part. kiko dinucci e rodrigo ogi]
tono - “tu cá, tu lá”
trio eterno - “saí descalço”
tropkillaz - “morena” [part. nave]
vanguart - “olha pra mim”
verônica ferriani - “estampa e só”
zulumbi - “babe, eu vou bombar”

p.s.: depois de fechar a lista saíram os clipes de "beijinho no ombro" de valesca popozuda e "bai bai" de jaloo, duas músicas que tinha esquecido de colocar na lista. e teve outra música sensacional que não tinha ouvido, passei batido geral, mas que apareceu aos 49 do segundo tempo e senti que precisava deixar o registro. é "bigode grosso" da mc marcelly (aqui num remix à la trap music).





sábado, 3 de agosto de 2013

emicida, racionais, kanye west & jay z,
ou o rap é grande

passamos agora da metade desse muy loco 2013 e me dei conta, após assistir o excelente vídeo de "picasso baby" do jay z, que mais uma vez o rap é a música/cultura mais relevante e poderosa da atualidade. lembrei imediatamente de outros videos que bateram forte este ano, desde a crueza do lamento documental sambístico de emicida em "crisântemo" - e o paulistano lançara agora em agosto, seu primeiro disco, o glorioso retorno de quem nunca esteve aqui - até a apresentação histórica dos racionais na virada cultural em são paulo.





realidade, transformações, misturas, é o rap quem está cantando e está mais próximo de tudo que realmente importa hoje em dia. os exemplos aqui e no mundo são muitos e das mais variadas gerações, nem adianta fazer lista (deixa isso pro fim de ano). mas seguem aqui o vídeo de "picasso baby" (uma das melhores músicas do ótimo magna carta... holy grail) e a apresentação ao vivo de kanye west e sua potente "new slaves" no programa saturday night live. essa música está no mais recente disco de kanye, o estranho e interessante yeezus.



domingo, 12 de maio de 2013

mexidão #09

uma coisa certa nessa vida: tom zé é foda. hoje com 76 anos, o artista segue produzindo a mil por hora, experimentando, olhando e pensando sobre o presente e o futuro da cultura e da música popular, e com bom humor, sem parar, sem parar. as críticas que surgiram com sua participação em uma propaganda da coca-cola o fizeram criar um de seus trabalhos mais interessantes e divertidos dos últimos anos, o EP tribunal do feicebuqui. lá no yahoo falei dessa resposta-musical que ainda contou com a participação de uma boa turma de jovens músicos paulistanos - o terno, emicida, tatá aeroplano, trupe chá de boldo e filarmônica da pasárgada - sob curadoria do jornalista marcus preto. de seus discos dos anos 2000 gosto muito de estudando o pagode e jogos de armar, gosto de estudando a bossa, imprensa cantada e pirulito da ciência, achei danç-êh-sá muito chato e ainda não entendi direito o tropicalismo lixo lógico. só a partir dessa listinha é possível ver o muito que o baiano produziu nos últimos anos e sempre muito intensamente. quer dizer, você pode não entender, pode até não gostar, mas é impossível não respeitar um cara apaixonado como ele e que ainda faz tanto pela música e pelo brasil... após ter lançado tribunal do feicebuqui deu ótima entrevista no programa roda viva e pagou um esporro federal durante show no circo voador (porque alguém jogou um copo de cerveja no palco).


O ARROTO GOSTOSO DE TOM ZÉ

Foi no início de março deste ano que apareceu na TV e na internet uma propaganda da Coca-Cola narrada por Tom Zé. Rapidamente, como sempre nos tempos de hoje, apareceram um tanto de comentários críticos à participação do artista na publicidade do refrigerante. “Tom Zé, seu vendido” foi o mantra repetido ad nauseam nas redes sociais.

O baiano de Irará, 76 anos, é um dos maiores artistas da música brasileira (e, consequentemente, do mundo). Também é um dos mais irrequietos, originais e coerentes. Por tudo isso ele já merecia um pouco de mais maturidade nas críticas, mas Tom Zé nunca fez sucesso (em sucesso leia-se, no caso, dinheiro) na vida, apesar de ser referência para centenas de artistas brasileiros e internacionais. E durante cerca de 15 anos, do final da década de 1970 ao inícios dos anos 1990, passou por profundas dificuldades financeiras que quase o fizeram desistir da carreira.

Mas os mimados da internet se acham no direito de julgar e apontar o dedo – quem destes comprou um disco dele ou foi em shows? – e tanto fizeram que Tom Zé publicou um texto em seu blog. Genuinamente preocupado, afirmou o seguinte: “É curioso que quando fui consultado sobre o anúncio nem pensei nessa probabilidade [das críticas negativas]. No ano passado meu disco [Tropicália Lixo Lógico] fora patrocinado pela Natura e como eu nunca tinha recebido patrocínio desse tipo – nem de nenhum outro – , cara, eu me senti como um artista levado em conta!”.


Não tem nada de errado na propaganda da Coca narrada por Tom Zé. Tem uma graça e um otimismo pelo Brasil que são típicos dele. Mas certos fãs que ainda acreditam que o refrigerante é o “líquido negro do capitalismo” ou algo parecido não lhe perdoaram (e, veja bem, a Natura, que é bem brasileira, não é nada santa). E não adiantou o compositor de clássicos como “Angélica, Augusta, Consolação” falar que o dinheiro ganho será reinvestido em sua própria música (nada de carrões, iate, cobertura de luxo, etc).

“Atualmente sinto paixão pela retomada do projeto dos instrumentos experimentais de 1972. Com a eficiente colaboração do engenheiro Marcelo Blanck, começamos a desenvolver alguma tecnologia, mas com recursos parcos, insuficientes. (...) Aí entrou o anúncio da Coca-Cola que, mesmo sem ela saber, patrocinaria boa parte da pesquisa”, disse no blog. Humildemente ainda perguntou: “Será que o uso dos recursos obtidos com o anúncio muda a avaliação de vocês?”. Olha o tamanho da fofurice e da atenção do sujeito! Eu já teria mandado todo mundo catar coquinho na ladeira.

Só que Tom Zé é mais, muito mais. Nesse meio tempo ele se reuniu com um grupo de jovens artistas de São Paulo (Emicida, O Terno, Tatá Aeroplano, Filamônica de Pasargada e Trupe Chá de Boldo), gravou e acabou de lançar o EP Tribunal do Feicebuqui para dowload gratuito em seu site oficial.

Nas cinco faixas do disco, Tom Zé dá um tapa com luva de pelica nos patrulheiros da vida alheia. Estão lá versos irônicos como “Que é que custava morrer de fome só pra fazer música?” (em “Tom Zé Mané”) ou “O povo, querida, com pedras na mão voltadas contra o imperialismo pagão / E na cerimônia do beija-pé / Papa Francisco perdoa Tom Zé / No Feicebuqui da Santa Sé / Papa Francisco perdoa Tom Zé” (em “Francisco perdoa Tom Zé). É isso, meu caro Tom Zé, arrota melhor quem arrota melhor.


p.s.: seguem abaixo as cinco músicas do tribunal do feicebuqui.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

os 30 clipes brasileiros de 2012 e muito mais

não sei se fui eu que prestei mais atenção ou se este ano, especialmente, houve uma grande e muito boa produção de clipes nacionais. tanto que alguns que aparecem na lista abaixo foram postados aqui no esforçado no decorrer do ano. e tem de tudo, caseiros e superproduções, do digital ao super 8, com mais roteiro ou sem roteiro nenhum, com humor ou sérios pra cacete, de tudo quanto é canto do brasil, quase todos produzidos na raça. vale destacar ainda o nome de alguns diretores e diretoras com trabalhos bacanas na área: ricardo spencer, fred ouro preto, lírio ferreira, vera egito, felipe rocha, daniel lisboa, vivi amaral, rabu gonsales, del reginato, toddy ivon e a dupla autumn sonnichsen & erica gonsales (do clipe de “sangue é champanhe”, talvez o melhor do ano).


banda gentileza - “quem me dera”
bnegão & os seletores de frequência - “alteração (éa!)”
bonde do rolê - “kilo”
caio bosco - “mendigos de amor”
cone crew diretoria - “chama os mulekes”
domenico - “cine privê”
don l. & flora matos - “sangue é champanhe”
doo doo doo - “carnaval no fogo”
edi rock & seu jorge - “that's my way”
emicida - “zica, vai lá” (também no primeiro semestre lançou “dedo na ferida”, vídeo cru e preto & branco)
felipe cordeiro - “legal e ilegal”
filarmônica de pasárgada - “o seu tipo”
flow mc - “o quartinho obscuro” (música de sua mixtape de 2011, enquanto a desse ano trouxe o clipe de “por que”)
gui amabis - “pena mais que perfeita”
haikaiss - “camaleão” (no começo do ano os rappers lançaram também o clipe de “existência”, bem mais prosaico)
junio barreto - “passione”
lirinha, angela rô rô & otto - “valete” (e ainda “ah se não fosse o amor” e “sistema lacrimal”)
lucas santtana - “o deus que devasta mas também cura” (outras música do excelente disco de lucas, “para onde irá essa noite?”, também ganhou clipe)
lurdez da luz - “levante”
mallu magalhães - “velha e louca” (outras duas músicas do seu disco de 2011, “sambinha bom” e “baby i'm sure”, ganharam vídeos, sendo que o último feito pelo maridão marcelo camelo)
marcelo jeneci - “pra sonhar”
max b.o. - “fábrica de rap”
negro leo - “jovem tirano príncipe besta”
o terno - “66”
racionais mcs - “mil faces de um homem leal (marighella)” (prestes a lançar mais um esperado disco de inéditas, o quarteto também lançou o clipe de “mente do vilão”)
silva - “a visita”
thiago pethit - “pas de deux” (e, pouco antes, lançou outro clipe de uma música do seu primeiro disco, “não se vá”)
tono - “samba do blackberry”
tulipa ruiz - “é” (também rolou um clipe caseiro de “memória fora de hora”, música que gravou no tributo à marina lima lançado em 2011)
vanguart - “mi vida eres tu”

MENÇÃO HONROSA #01. sou fã assumido do letuce e o segundo disco (manja perene) da dupla-casal deixou marcas profundas em mim e no meu ano de 2012. mas tem outra coisa admirável neles: seus vídeos caseiros. imagens de viagens, do cotidiano, um ultrassom, coisas da internet, gif animados, qualquer coisa vira clipe e assim sendo nasceram os vídeos de “areia fina”, “medo de baleia”, “ninguém muda ninguém”, “sempre tive perna” e “loteria”.

MENÇÃO HONROSA #02. não gosto de funk ostentação e acho os clipes tão repetitivos quanto as músicas, mas é admirável o trabalho de konrad “kondzilla” dantas. o cara criou e ampliou, em apenas dois anos, todo o imaginário visual de um gênero musical crescentemente popular.

MENÇÃO HONROSA #03. fora os clipes produzidos pelos próprios artistas também rolam outros que aparecem em séries independentes ou patrocinadas na internet e em programas de tv. destaco aqui a segunda temporada da série compacto, a estreia da versão brasileira de meet the legends (com emicida & wilson das neves, elza soares & garotas suecas, luiz melodia & karol konká, jards macalé & dorgas, jorge mautner & tulipa ruiz), o inescapável música de bolso (mesmo que atualizando menos), o inspirado don’t touch my karaoke, o projeto in.casa (com gente como barbara eugênia, pélico e romulo fróes cantando acusticamente em suas próprias casas) e os programas televisivos cada canto (canal brasil), cantoras do brasil (canal brasil) e som brasil (tv globo).

MUITO MAIS QUADROS POR SEGUNDO. e dá-lhe autoramas (“abstrai”), barbara eugênia & tatá aeroplano (“dos pés”), cabes mc (“não nasci pra ensinar”), céu (“retrovisor”), chimpanzé clube trio (“tira essa pessoa da minha vida”), cícero (“ponto cego”), clarice falcão (“oitavo andar”), criolo (“mariô”), funkero (“chapa quente”), grandphone vancouver (“miss me”), jamés ventura (“odeio político”), japan bondage (“japan bondage”), kamau (“21/12” e “(eu quero) mais”), karina buhr (“amor brando”), karol conká (“corre, corre erê”), kassin (“fora de área”), léo cavalcanti & tulipa ruiz (“sem (des)esperar”), lívia cruz (“não foi em vão”), lucy and the popsonics (“eu vou casar com um cosmonauta”), madrid (“sad song” e “siblings”), malbec (“calo”), marcelo camelo (“vermelho”), marcelo d2, sain e helio bentes (“eu já sabia”), márcia castro & helio flanders (“29 beijos”, e márcia esteve ainda no divertido “de pés no chão”), marina wisnik (“na rua agora”), molho negro (“aparelhagem de apartamento”), mv bill (“o soldado que fica”), ogi (“eu me perdi na madrugada” e “profissão perigo”), ordinária hit (“patrão”), psilosamples (“no canto da cidade”), rashid (“r.a.p.”), rita lee (“reza”), savave (“tá suave”), shaw (“a área”), slim rimografia & thiago beats (“limpe seu próprio quintal”), sobre a máquina (“oito”), sonic junior (“inflamável”), super stereo surf (“clipe vertical”), supercordas (“índico de estrelas”), terra preta (“nasce, cresce e morre”), trupe chá de boldo (“na garrafa”), vivendo do ócio (“nostalgia”) e xis (“entre o amor e o ódio”).