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quarta-feira, 26 de março de 2014

reiOpixo, o fim

tinha separado mais alguns versos de músicas do roberto carlos e o #reiOpixo poderia seguir tranquilamente por mais umas 20 ou 30 intervenções, mas a verdade é perdi o pique. deu o tempo. e, pensei, poderia muito bem finalizar no 100. mas qual música? tinha que ser alguma muito relevante, sei lá. então passei quase dois meses para achar a resposta – os #reiOpixo 98 e 99 foram feitos em 26 de janeiro, um domingo –, e nem lembro como a ideia surgiu. mas era isso, o que tinha de mais atual relacionado ao roberto era a patacoada da publicidade da friboi que ele protagonizou com a história de voltar a comer carne [e dá-lhe a escolha óbvia, e já utilizada em outras propagandas, de “o portão”]. taí ó...


o #reiOpixo acabou e foi muito bom enquanto durou [sete meses, por aí, com direito a matérias na folha de s. paulo e na revista vida simples]. foi bem divertido escrever na rua, conseguir criar novos diálogos do texto com o espaço, isso sem se repetir nem uma vez [e ainda finalizar na zuera com o grande, falho e sinceramente amado ídolo]. mas os rolezinhos não param... faltam mais alguns vocêpraça [22, para ser mais exato], posso voltar com o “menos mimimi, mais cariri” e o existencialismo leminski, e comecei o “menos mais, mais menos”. e o que mais vier. cidade também serve pra isso.


p.s. 1: muitas pessoas me ajudaram nesse projeto, principalmente dando sugestões de músicas [algumas que não conhecia], e estão devidamente creditadas nas respectivas canções-intervenções lá no tumblr. a todas e todos, agradeço mais uma vez. foram muitas emoções. 

p.s. 2: dois dias depois passei lá novamente [faria lima com pedroso de moraes] e deu uma vontade de "assinar". então tasquei um #reiOpixo. ficou assim.


domingo, 10 de novembro de 2013

vcpraça em são miguel paulista

ontem, 9 de novembro, passei o dia em são miguel paulista, bairro-cidade de 300 mil habitantes na extrema zona leste de são paulo. fui convidado para participar da quarta edição do festival do livro e da literatura de são miguel e minha missão era conversar com quem aparecesse na praça morumbizinho sobre a experiência do #vocêpraça e os assuntos atrelados (arte na rua, ocupação da rua, intervenções, cidade, etc.). e depois andar um tanto pelo bairro fazendo uns #vocêpraça e, aproveitando o embalo, uns #reiopixo.

na bonita e movimentada praça [um dos muitos lugares do festival, programação aqui] acabaram aparecendo umas dez pessoas e eu, que nunca tinha feito nada parecido, deixei logo claro meu amadorismo nessa coisa de falar e que ficassem a vontade para me interromper, afinal o lance ali era para ser realmente uma conversa sobre cidade arte na rua. depois me dei conta que não me apresentei e nem peguei nomes/ocupações/etc. do pessoal que participou. o nervosismo da hora me fez esquecer o lado do jornalista.




único momento que registrei do encontro na praça morumbizinho; poucos depois, carlos (de boné), erika (de saia azul) e cauê (de barba) foram meus guias no rolê por são miguel

mas tirando o meu amadorismo, a conversa foi ótima e durou cerca de uma hora. todo mundo falou, um monte de assuntos foram tratados, consegui tirar algumas risadas (sempre um bom sinal), e saí de lá com aquela sensação boa de encontrar pessoas legais e interessadas, gente que olha pros lados, gente que ouve os outros.

daí que minha sorte máxima foi ter a companhia de três participantes da conversa no rolê posterior para fazer os grafites/pixos. erika, cauê  e carlos, todos integrantes do coletivo caixa preta e moradores ativos do bairro (poucos dias antes tinham espalhado lambes poético-fotográficos por partes de são miguel), foram os meus guias numa caminhada que teve quase 5 km, durou pouco mais de 5 horas, teve um bom consumo de cervejas para hidratar a cabeça aquecida pelo solzão, paradas estratégicas para conversas das mais variadas (de trabalho a relações afetivas), 6 #vocêpraça (mais um na casa de erika e cauê) e 3 #reiopixo.

instantâneo do sábado em são miguel: 6 #vocêpraça e 3 #reiOpixo

no longo caminho de volta pra casa (uns 45 km, por aí) pensei um bocado em como pequenos movimentos pessoais, absolutamente descompromissados, mas feitos com entrega sincera, podem gerar ondas surpreendentes. e que uma das melhores consequências disso são justamente os encontros com pessoas especiais como erika, cauê e carlos. tenho certeza que faremos algo juntos por são miguel, jardim lapenna, jardim pantanal e quetais. isso é só o começo pra todos nós.

fora o trio acima, e o resto das pessoas que participaram da conversa na praça, gostaria muito de agradecer outras que tornaram esse 9 de novembro um dia muito especial pra mim: paula galeano e inácio neto (fundação tide setúbal), e jana soares. beijão, abração, tamos aí sempre.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

#vocêpraça no peito

é com muito prazer que venho aqui anunciar a chegada das camisetas do #vocêpraça. tinha imaginado isso no início, mas de uma forma amadora, caseira. daí surgiram os camaradas da greentee com a proposta de fazer uma série e achei bacana e surpreendente porque não conhecia ninguém lá. foi uma coisa totalmente espontânea de interesse e identificação. pra fechar o projeto eles fizeram um vídeo de divulgação, como sempre fazem quando rola um lançamento de uma nova série de camisetas, e cá estou eu falando uma coisa ou outra, coçando a barba, e fazendo uns grafites na rua natingui (que foram apagados no dia seguinte). ah, a camiseta custa singelos 58 reais e pode ser comprada aqui.

Greentee + Esforçado from greentee on Vimeo

sexta-feira, 15 de março de 2013

yahoo #65

não resisti e aproveitei a chance de colocar o "você praça" lá no yahoo, um tanto para divulgar mais, mas também para ver a reação dos comentaristas malucos, e escolhi um recorte bem definido: a reação das pessoas na rua justamente na hora que estou aplicando o stencil. experiência interessante mesmo com poucos comentários postados. enquanto isso, lá no ultrapop, o texto "o princípio, o meio e o fim de harlem shake".



POR UMA CIDADE CHEIA DE GRAÇA

Deixa pedir licença para falar de um projeto pessoal. Quer dizer, pessoal, mas que também tem muito a ver com um dos temas recorrentes aqui nas minhas colunas no Ultrapop: a retomada de uma cidade mais humana a partir do diálogo, do comprometimento, da ação. Faz pouco menos de um mês que venho espalhando uma quadrinha, em formato estêncil, pelas ruas de São Paulo. Escrevi sobre a origem do “Você praça acho graça / Você prédio acho tédio” lá no Esforçado e aqui gostaria de tratar das reações que tenho percebido no momento que estou grafitando.

Antes de tudo é bom dizer que até agora não tive nenhuma experiência de repressão, nem da polícia e nem de seguranças particulares, e olha que tenho feito tudo às claras, sol a pino (e já fiz com dois amigos e duas amigas, sendo que uma delas com seu filho de 9 anos). Tenho duas explicações possíveis para essa calmaria: a quadrinha é doce, não dá para ver nada de ofensivo nela, e o objetivo não é vandalizar nada, justamente pela quadrinha ser doce. Existe uma transgressão, obviamente, mas é uma transgressão moleque, meio hippie, e feita por um sujeito de cabelos e barba grisalhos, óculos. Enfim, eles nem ligam. Melhor pra mim.


E lá vou eu com algumas opções de sprays na mochila (preto, vermelho, cinza, amarelo e azul safira) à procura de tapumes de obras, muros de terrenos baldios, estacionamentos, coisas assim. Logo no primeiro, na Rua Amaro Cavalheiro, um pai parou seu filho de 7 anos. “Olha o que o moço tá fazendo”, disse, e o moleque rapidamente foi hipnotizado pelos movimentos do spray. Não disse nada, mas saiu a contragosto para almoçar em casa. Logo depois, na Rua Fradique Coutinho, o primeiro sorriso.

Sorrisos silenciosos, e invariavelmente femininos, foram se repetindo nos dias seguintes: um grupo de evangélicas perto do Largo da Batata, uma família na Rua Heitor Penteado, um grupo de crianças na Rua Paris, duas amigas em um ponto de ônibus da Av. Corifeu de Azevedo Marques e metade de um outro ponto na Av. Paulista. Mas também um chinês que parou na Rua Girassol, leu o texto com certa dificuldade em voz alta e me deu tapinhas nas costas repetindo “Muito bom, muito bom”. Ou um garoto que passou com a mãe por um dos últimos casarões na Paulista, deu meia volta e tirou uma foto do estêncil fresquinho dizendo que ia colocar “no Face”.

“Você nunca tinha visto alguém fazendo arte na rua, então... e olha, é poesia também”, disse uma mãe para sua filha na Rua Pedroso de Moraes. Já em tapume na Travessa Pátio do Colégio uma garota olha para o namorado e dispara “Vi um desses na Cardeal”, enquanto na escondida Rua das Flores, perto do Poupatempo da Sé, um grupo de amigos lê o texto da quadrinha e ao fim um deles diz simplesmente um “Ó!”. Sem falar em um senhor que deu um tempo de sua cervejinha dominical para acompanhar o grafite sendo feito na Rua Aurélia e seguranças que depois foram bisbilhotar na Rua João Moura e na Av. Brigadeiro Luis Antônio (até agora fiz grafites em 91 pontos de São Paulo e Fortaleza, tudo devidamente registrado no Google Maps e em um tumblr). A listagem de reações não é para encher a bola deste que voz escreve e sim para mostrar como é possível, e fácil, fazer sorrir em uma cidade que aparentemente distancia as pessoas. Basta ser carinhoso.


Por fim, esse grafite, como toda arte urbana, tem a consciência do efêmero. O local pode ser demolido, alguém pode pintar por cima, outro grafite pode ser feito por cima, tudo pode acontecer, menos a eternidade. E tudo bem. O que importa é a ação e as reflexões/emoções conseguidas através dela. Por essas e outras disponibilizei o PDF da quadrinha-estêncil para download. Para que essa ação possa ser feita em outras cidades, por outras pessoas, ou seja inspiradora, vai saber. Cidade boa é aquela que sorri junto com a gente.

p.s.: Dos mais de 60 textos que já fiz para o Yahoo! estes são os outros em que tratei da cidade. “Quando o Minhocão balançou de alegria”, “Saudade de cinema de rua”, “Nem todos estão surdos”, “Um centro vivo e no virote”, “Arte que desmancha no ar”, “São Paulo, velha e louca” e “Pra cima, com raiva”. E para finalizar o texto, “Cola de Farinha”, ótimo documentário sobre um grupo que vem trabalhando em São Paulo com stickers, uma variação do bom e velho lambe-lambe, e suas inspirações.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

você praça, você prédio

desde que assisti o documentário exit through the gift shop (banksy, 2010) me bateu uma vontade danada de fazer algo na rua. de falar algo pra cidade e pras pessoas. mas como não desenho um boneco palito sequer, o lance tinha que ser em texto mesmo. e nada surgia, nada, até que em algum momento do ano passado, como numa brincadeira, eu e ana lima cecílio criamos a quadrinha "você praça / eu acho graça / você prédio / eu acho um tédio". e a quadrinha ficou lá, maturando na cabeça, esperando o impulso técnico de ação. nessa semana, depois de conversar com o bróder daniel almeida - e cortar os "eu" e o "um" pra deixar mais concisa em um bloco - parti pro ataque e com ajuda de outro bróder, fernando de almeida, levei o pdf pra gráfica (é do fernando o projeto gráfico), comprei quatro latinhas de spray, fita crepe e caí na rua. já fiz em onze lugares e estou postando os registros em um álbum no facebook. só que a euforia-alegria que era só minha, quando fiz o primeiro lá na sede da cia. de foto, viralizou de uma forma surpreendente quando joguei no campinho do zuckerberg. não saberia dizer o porquê disso ter acontecido, mas meu chute é que tem muito carinho, muito amor, e um lirismo direto e com bom humor na quadrinha que acabou pegando as pessoas. já iria disponibilizar o pdf para download aqui no blog pra que outras pessoas pudessem fazer em suas cidades e espalhar essa vontade, esse diálogo possível, mas os milhares de compartilhamentos deram uma urgência pra esse movimento. então, minha gente, pode clicar aí na imagem abaixo e vamos cair pra rua.



de todas as imagens que já postei dessa ação essa foi, de longe, a mais compartilhada. curioso que foi olhando pra esse muro, pra esse terreno que já já se transformará num prédio gigante entre as ruas simão alvares e mourato coelho, em são paulo, que a quadrinha nasceu. 

p.s.: o pdf traz a quadrinha em tamanho A2, mas acabei imprimindo em duas folhas A3 de gramatura 240. 

atualização: enquanto estava lá na cia de foto cortando as letras da quadrinha-stencil conheci um amigo do pio figueiroa, o igualmente pernambucano pedro fonseca. enquanto eu pelejava pra estrear nessas de intervenção urbana e tals ele foi filmando com iphone e fez esse vídeo. achei tão bacana (de bem feito) e tão carinhoso da parte dele que nem fiquei com vergonha da minha pessoa. de resto, também estou marcando os lugares das intervenção lá no google maps e fiz um tumblr para ter todas as fotos fora do facebook. e rolou uma entrevista longa lá no último segundo. ah, e o pessoal da greentee fez uma camiseta.