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terça-feira, 17 de julho de 2012

isto é palmirinha

olhaí meu segundo video pro site da istoé. dessa vez não foi reportagem, nem entrevista, simplesmente porque a divertida palmirinha não consegue falar e cozinhar ao mesmo tempo. e como ela tinha em mente uma receita exclusiva pras amiguinhas da revista... a câmera e edição dessa vez ficou à cargo de alexandre gessone. participações musicais de mozart, los miticos del ritmo (quantic) e gang do eletro ("tributo a carmen miranda").



e pouco antes de começar a gravar tirei umas fotos da folclórica e octogenária cozinheira e de seu eterno ajudante guinho. saca só.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

pode fragmentar, pode rir de mim

"não precisamos botar abaixo tudo o que for velho, como em muitas revoluções. se isso for o início de um 'movimento', ele prosseguirá, ao contrário de ondas anteriores, em muitas direções - algumas opostas. chegou a grande fragmentação, reflexo do que anda acontecendo com a audiência na televisão, com o público de música e com a mídia impressa, já faz algum tempo. torço para que o ramo de restaurantes, ao contrário dos conglomerados de mídia, esteja mais bem preparado e seja mais rápido para lidar com os novos imperativos históricos. serão impelidos a isso", de anthony bourdain, em ao ponto - uma carta de amor sangrenta ao mundo da culinária (cia. das letras, 2011, pagina 97, tradução de celso nogueira).

fragmentou?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

pimenta e sal a gosto

segue abaixo um perfil do claude troisgros que fiz para a revista oas (spring). infelizmente, pela correria das agendas do chef franco-brasileiro e a minha própria, a entrevista foi por email, mas acho que o resultado saiu bem honesto.

que marravilha, paulô!

A EDUCAÇÃO BEM TEMPERADA DE CLAUDE


Ele não tinha como fugir. Aliás, melhor, ele nunca pensou nisso. O destino de Claude Troisgros estava traçado muito antes da maternidade, antes até de sua existência ser cogitada na pequena Roanne, cidade bem no centro da França e às margens do Rio Loire. Nascido do mesmo berço que gerações e gerações de cozinheiros, chefs e amantes da boa gastronomia, Claude cresceu brincando entre panelas e fogões, queijos e legumes. Não podia querer outra coisa. E foi para fazer o que gosta que chegou ao Brasil há pouco mais de trinta anos. Mal sabia que fincaria raízes no país, criando família, restaurantes e misturas gastronômicas inéditas.

“Como qualquer francês, a imagem que tinha do Brasil se resumia a futebol, Pelé, Copacabana, samba, carnaval, belas mulheres, praia e sol. Enfim, o Paraíso Tropical”, explicou em entrevista exclusiva. “Naquela época não tinha pretensão alguma. Era mais o desejo de conhecer o país trabalhando no que faço bem que é cozinhar. E depois voltar para casa da família e continuar a tradição Troisgros”. Mas calma porque já chegaremos ao Brasil. Antes é bom falar da tal tradição Troisgros.
Família almoça junto todo dia

Tudo começa com o casal Jean-Baptiste e Marie Troisgros que, autodidatas na cozinha, ganharam notoriedade ao criarem um menu de pratos regionais do interior francês, tudo enganosamente simples, após se mudarem para a cidade de Roanne, em 1930. Jean-Bapstite ainda ganhou fama de polêmico na época ao sugerir que não era nenhum fim do mundo comer peixe acompanhado de vinho tinto. Os dois filhos do casal, Jean e Pierre, foram educados nesse meio, no qual tradição e experimentação sempre conviveram em harmonia. Não deu outra, os dois começaram sua educação formal no início da década de 1940, pouco depois de completarem 15 anos. Em 1957, com experiência acumulada em restaurantes premiados em toda a França, os irmãos voltaram a Roanne para assumirem o Hotel Moderne do pai Jean-Baptiste, que queria ficar mais sossegado cuidando apenas da carta de vinhos.

Foi em Roanne que Jean e Pierre Troisgros criaram, junto com o amigo Paul Bocuse em Paris, os fundamentos da nouvelle cuisine, um jeito mais leve e sofisticado de experimentar a tradição. Pelo lado familiar, Pierre se casou com a italiana Olympe e tiveram três filhos: Michel, Anne-Marie e Claude. Todos seguiram incrementando a história de uma das linhagens mais respeitadas da gastronomia mundial (entre as muitas láureas estão as cobiçadas três estrelas do Guia Michelin que o restaurante de Roanne possui desde 1968). Michel faz sua cozinha na cidade que os Troisgros colocaram no mapa, Anne-Marie em Bordeaux e Claude, bem, Claude foi para outro continente, para um país chamado Brasil.
Bonito por natureza

Em 1979, Claude aceitou o convite do veterano chef Gaston Lenôtre e veio para o Rio de Janeiro com a equipe do Le Pré Catelan (que existe até hoje). O contrato era de dois anos, mas o francês nunca mais foi embora. Curioso e inquieto como todos da família Troisgros, Claude logo descobriu que vários ingredientes que conhecia não eram facilmente encontrados no Brasil do início da década de 1980. Precisou se adaptar, acertar e errar com o que tinha na mão, e aí um novo mundo se abriu diante de seu paladar. “Por necessidade de produtos frescos, da estação, fui até os pequenos produtores e incorporei, naquela época, os produtos do mercado brasileiro. Criei uma personalidade própria que podemos chamar de ‘francês valorizando o produto brasileiro’. Casei a França com produtos como manga, maracujá, inhame, quiabo, jabuticaba e maxixe, entre outros. E isso deu um start para uma nova cozinha brasileira”.

Nasceram assim, dessa necessidade e já no seu próprio restaurante (o Olympe), pratos clássicos como Ravioli recheado de mousseline de inhame em molho aveludado de trufa branca, o Filet de linguado grelhado com banana e o Cheesecake caramelado com calda de goiaba. Agora, como era de se esperar numa família aberta e criativa, o aprendizado brasileiro de Claude acabou contagiando os premiados restaurantes dos familiares ao redor do mundo. “A família já usa receitas minhas como Tapioca caviar, Crepe Passion, Peixe com coco e Cherne com banana. E estão querendo jambu, açaí e tucupi”. Aprendizado tem dessas coisas, multiplica-se e nunca tem fim. Por isso o chef expandiu seu prazer para além da cozinha (mas sem nunca sair dela, claro).

Além de seus restaurantes - atualmente são três, o Olympe, o 66 Bistrô e o CT Brasserie, todos no Rio de Janeiro -, Claude escreve livros, é consultor gastronômico para outros restaurantes e desenvolve linhas de produtos para supermercados e delicatessens (conservas artesanais, por exemplo). Sua simpatia, e o divertido português com sotaque, também lhe garantiram espaço em programas de TV, o que lhe permitiu injetar outros novos mundos em sua cozinha.
Com sabor de descoberta

A ideia de entrar na televisão era desejo antigo de Claude. Mas qual a motivação? “Queria divulgar mais o meu savoir faire (conhecimento), meu amor pelo Brasil e também ficar mais perto das pessoas, que é o que a televisão propicia. O primeiro programa que fiz no GNT já tem quatro anos e era chamado
Adivinha o Que Tem para Jantar?. De lá pra cá consegui me aproximar mais do telespectador, das pessoas que querem aprender as bases, das pessoas que querem comer bem em casa com receitas fáceis, mas com um toque de chef”. O que certamente lhe ajudou nesse processo de conquista foram as viagens que fez pelo Brasil em edições especiais do Menu Confiança, programa que dividiu durante anos com o jornalista Renato Machado e, durante uma temporada, com a somelière Denise Novakovski.

Foram nessas jornadas que caiu de amores pelos pratos e ingredientes do Norte do Brasil. Um dos pratos nacionais que mais gosta é o nortista Pato no tucupi. “Acho que aprendi a ser mais simples no meu jeito de cozinhar. Sempre fui um chef de alta gastronomia e continuo sendo, mas aprendi que podemos comer muito bem sem complicar demais a coisa. Sem precisar usar técnicas muito sofisticadas e apuradas. É isso que quero passar para o telespectador”. Essa é a receita que usa no seu terceiro e mais recente programa,
Que Marrravilha!, no qual ajuda pessoas comuns a cozinharem pratos nada ordinários.

Incentivador e embaixador de uma nova e moderna cozinha brasileira - que, segundo ele, existe sim e “está ultrapassando fronteiras e mostrando para o mundo que o Brasil existe também na arte culinária” -, Claude gosta de citar dois nomes 100% nacionais que já estão fazendo bonito entre fogos e panelas: Alex Atala e Roberta Sudbrack. Da sua parte colocou no mundo uma quarta geração de Troisgros, os filhos Thomas e Carolina, a entrar nesse mundo de muitos sabores e labuta quente e diária. Mas nem por isso sonha em parar. “Tenho grande prazer em descobrir novos produtos, novos sabores e tentar criar alguma coisa que agrade os paladares”. Em resumo, Claude Troisgros ama cozinhar e esse amor é do tipo que dura a vida toda.


p.s.: e a imagem que abriu essa reportagem, do encontro de claude troisgros e paulo tiefenthaler, é um flagra do último episódio da segunda temporada do larica total. saca só o caos e as rãs...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

xablablau no tucupi

segunda temporada do larica total estreando hoje - de sexta pra sábado, meia noite e meia no canal brasil -, e consequente segundo encontro com paulo tiefenthaler (mas desta vez por telefone). fã assumido que sou, sempre procuro divulgar o programa por onde passo e escrevo, e essa entrevista com o paulo, divertida como sempre, saiu na monet deste mês.


paulo encarando a lente de eduardo monteiro

Em que pé está a segunda temporada? O que tem pela frente?

Bem, gravamos 10 episódios e serão 24 como na temporada anterior. Já fizemos carne assada, pesto, salada Caesar [risos], tapioca, um refogadão de restos de gaveta de geladeira e, o mais trash de todos, o bolinho de miojo. Cara, bolinho de miojo é uma coisa muito ruim [risos], mas é larica total pura, né? E é uma homenagem ao criador do miojo, o Momofuku Ando, que morreu uns dois anos atrás. Agora, tem uma foto dele na cozinha, tem um altar e tal. É o padroeiro do programa. Sei que ainda vai ter canja de galinha, arroz à piemontese, sanduíche-no-ferro-de-passar-roupa, farofa de girino, cachorro-quente-vira-lata e sopa de pedra [risos].


Como você está sentido esse começo de segunda temporada em comparação com a primeira?


Na primeira temporada a gente não tinha noção do que estava fazendo. Não tínhamos resposta de nada. A gente ia gravando e editando, e quando o programa estreou em outubro do ano passado já tínhamos gravado uns episódios. Aliás, o primeiro, o “Frango Total Flex”, foi gravado no final de 2007. Quer dizer, ninguém sabia fazer nem o próprio programa, que foi uma coisa que a gente foi descobrindo a cada episódio. Algumas ideias não rendiam, outras sim, e pouco a pouco chegamos a esse formato da câmera parada, do improviso, das coisas criadas na hora, onde não se decora absolutamente nada. A primeira temporada foi mais na loucura. E agora a gente já tá gravando com uma resposta, um retorno da primeira temporada. Trago agora esse retorno da rua. Afinal, já sou reconhecido na rua [risos]. O personagem já não é mais tão inocente, ele tá mais rodado. Mas sempre vai existir o afeto, no sentido de estar afetado mesmo [risos]. Continuo equilibrando o tiozão, o amigão, o brother e, ao mesmo tempo, sendo charmoso pras moças [risos].

Conta então como você sentiu retorno da rua?
Teve um dia que estava numa padaria 24h na Glória, na descida de Santa Tereza [bairro onde mora no Rio de Janeiro], tomando um café com leite às 11 e meia da noite, e passa um taxista com os braços de fora do carro, gritando: “Larica totaaal!” [risos]. Depois teve uma louca figuraça que saiu de um boteco gritando pra mim: “Larica total! Não acredito que tô te vendooo!”. E teve um advogado forense [risos], lá no Centro, que chegou e disse: “Sou teu fã!”. Comecei a achar engraçado isso e ao mesmo tempo me policiando pra não acreditar em nada, né? Porque as pessoas quando me veem procuram o personagem e mesmo que tenha emprestado a minha alegria ao Paulo de Oliveira, não sou assim o tempo todo. Agora, em março, logo que acabou a primeira temporada começou uma reexibição e muito mais gente começou a assistir. Tem uma comunidade no Orkut que já tem quase 4 mil pessoas, e tem outras como a do “xablablau”, que foi uma coisa que inventei inspirado no [poeta] Chacal e pegou de jeito. Mas nesse mundo virtual existe uma resposta absurda de gente discutindo, querendo levantar dinheiro pro programa, fazer churrasco [risos]. Marquei uma vez um chopp aqui na esquina, foi engraçado.

O que esse personagem te trouxe? Como tem sido essa experiência?
O Paulo me deu oportunidade de fazer um trabalho de atuação quase documental. É quase o que acontece diante da câmera. E ele também está me dando possibilidades de ver algumas coisas minhas... dizem que os atores interpretam o tempo todo, o que não é nem mentira, nem verdade. Mas esse personagem tem muito a ver com a vida que levei nesses últimos dois, três anos, pelo menos no meu lado social, tenho muitos amigos e tal. Porque normalmente sou mais calado, fico muito em casa. Então saiu de mim muita coisa e foi pra ele. Aí, de tanto fazer no Larica, não faço mais. Fiquei assim... esvaziado não é a palavra. Liberado! Tô pronto pra uma nova fase na minha vida, que ainda não sei o que é. Isso me ajuda porque, inclusive, estão pintando umas propostas muito boas de trabalho. Mas ainda quero fazer muita coisa com o Paulo de Oliveira, chamar amigos dele pra cozinhar, sair mais pra rua, e sempre dizendo por aí que o Larica é um programa libertário em nome do amor e da alegria.


tiefenthaler em foto que tirei em novembro de 2008

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

tá com medo do arroz?

desde outubro do ano passado, quando larica total estreou no canal brasil, já foram exibidos 18 dos 24 episódios previstos pr'essa primeira temporada. então dá tempo pra colocar aqui o texto que fiz pra monet de novembro de 2008, com direito a algumas fotos minhas. aproveitei que o ator paulo tiefenthaler estava em são paulo, editando umas das partes da saga os sertões do zé celso martinez corrêa, e batemos um papinho numa praça no pacaembu. conversa boa e ainda deu pra ver que tem muito dele em paulo de oliveira, o protagonista de uma das mais divertidas comédias dos últimos tempos.



tiefenthaler, pacaembu, 2008

COMIDA KUNG FU

Você é solteiro? Solteira? Mora em república de estudantes? É desquitado? Ficou pra titia? Tem medo de fazer arroz? Pavor de panela de pressão? Pois então, seus problemas acabaram, ou pelo menos parte deles. Está no ar Larica Total, nova série do Canal Brasil apresentada por um tal de Paulo de Oliveira que promete desvendar os segredos e mistérios de uma cozinha de guerrilha. Pense em um Jamie Oliver sem eira e nem beira que faz pratos rápidos com o que tem na porta da geladeira. Assim é Paulo, criação do ator suiço-carioca Paulo Tiefenthaler.

Pouco conhecido fora do circuito teatral carioca – ele já trabalhou com Hamilton Vaz Pereira, Antônio Abujamra e Domingos de Oliveira -, o ator chegou ao programa por acaso. “A idéia original surgiu em 2006 com o Terêncio Porto e a Adriana Nolasco. Eles são casados e tem uma produtora que faz curtas e documentários. Tiveram esse estalo de criar um programa sobre uma cozinha rápida, do dia-a-dia. O termo ‘larica’ vem da fome da maconha, mas é uma palavra bem mais antiga. Até me perguntaram se pode colocar esse nome na televisão! Claro que pode, ainda mais que nosso programa é quase de criança, né?”, explicou durante uma breve passagem por São Paulo.



Tiefenthaler fez um teste para o papel e foi tão bem sucedido na improvisação que os cacos criados no dia rapidamente se transformaram em marca registrada do solteirão convicto. “O Paulo tem muita inspiração no meu pai. Minha mãe cozinhava pra 20 pessoas e deixava tudo impecável. Meu pai fazia pra uma e sujava tudo. Ele tinha esse espírito palhaço de quebrar a rotina. Outra inspiração foi meu primo Horácio que era mais velho que eu e vivia na praia porque era guia turístico. Vivia correndo atrás de gringo para vender pacotes. Ele era muito bonito e parecia milionário, mas era um duro. Tinha uma disposição, uma cara-de-pau que poucas vezes vi na vida”. Com estas e outras figuras na cabeça, o ator criou um personagem tão debochado quanto camarada e que já vem fazendo sucesso na internet com sua receitas infalíveis de arroz, macarrão alho e óleo, yakisoba e de um muito suspeito e totalmente genial frango total flex [do episódio que deu origem a série].



“Tenho essas misturas na minha cabeça. Tudo isso precisava sair alguma hora de dentro de mim. Na verdade esse personagem começa comigo, mas não sou isso o tempo todo. É um personagem que trago editado dentro de mim porque muita coisa vem na hora mesmo”. Quando esta entrevista foi feita era início de novembro, 12 dos 24 episódios da primeira temporada já estavam prontos, e todos da equipe aproveitavam para aumentar a biografia do personagem no site oficial do programa. De uma hora para outra, Paulo de Oliveira era formado em Veterinária, mas sem nunca ter exercido, e sobrevivia alugando buggys para turistas. “Não quero congelar o personagem porque ele ainda está em construção. Agora tem que jogar pros leões, amadurecer, encontrar outros personagens, mudar de cenários porque a veia cômica do programa vem muito da rua, do cotidiano. Queremos sofisticar esse cara dentro da loucura dele”.

Louco que só ele, Tiefenthaler também se desdobra esfomeadamente nas funções de diretor [o premiado curta documental Jorjão, de 2004, sobre um dos mais famosos mestres de bateria do Rio de Janeiro] e editor [participou das primeiras edições do Big Brother Brasil e atualmente finaliza parte da saga Os Sertões, adaptação teatral de Zé Celso Martinez Corrêa da obra de Euclides da Cunha, a ser lançado em DVD]. Mas agora ele é Paulo de Oliveira, principalmente Paulo de Oliveira, que grita ao seu pé do ouvido: "E você?! Você tem fome de quê?"



leia mais: entrevista com tiefenthaler sobre a segunda temporada de larica total.