sexta-feira, 2 de outubro de 2009

xablablau no tucupi

segunda temporada do larica total estreando hoje - de sexta pra sábado, meia noite e meia no canal brasil -, e consequente segundo encontro com paulo tiefenthaler (mas desta vez por telefone). fã assumido que sou, sempre procuro divulgar o programa por onde passo e escrevo, e essa entrevista com o paulo, divertida como sempre, saiu na monet deste mês.

paulo encarando a lente do fotonauta eduardo monteiro

Em que pé está a segunda temporada? O que tem pela frente?
Bem, gravamos 10 episódios e serão 24 como na temporada anterior. Já fizemos carne assada, pesto, salada Caesar [risos], tapioca, um refogadão de restos de gaveta de geladeira e, o mais trash de todos, o bolinho de miojo. Cara, bolinho de miojo é uma coisa muito ruim [risos], mas é larica total pura, né? E é uma homenagem ao criador do miojo, o Momofuku Ando, que morreu uns dois anos atrás. Agora, tem uma foto dele na cozinha, tem um altar e tal. É o padroeiro do programa. Sei que ainda vai ter canja de galinha, arroz à piemontese, sanduíche-no-ferro-de-passar-roupa, farofa de girino, cachorro-quente-vira-lata e sopa de pedra [risos].
Como você está sentido esse começo de segunda temporada em comparação com a primeira?
Na primeira temporada a gente não tinha noção do que estava fazendo. Não tínhamos resposta de nada. A gente ia gravando e editando, e quando o programa estreou em outubro do ano passado já tínhamos gravado uns episódios. Aliás, o primeiro, o “Frango Total Flex”, foi gravado no final de 2007. Quer dizer, ninguém sabia fazer nem o próprio programa, que foi uma coisa que a gente foi descobrindo a cada episódio. Algumas ideias não rendiam, outras sim, e pouco a pouco chegamos a esse formato da câmera parada, do improviso, das coisas criadas na hora, onde não se decora absolutamente nada. A primeira temporada foi mais na loucura. E agora a gente já tá gravando com uma resposta, um retorno da primeira temporada. Trago agora esse retorno da rua. Afinal, já sou reconhecido na rua [risos]. O personagem já não é mais tão inocente, ele tá mais rodado. Mas sempre vai existir o afeto, no sentido de estar afetado mesmo [risos]. Continuo equilibrando o tiozão, o amigão, o brother e, ao mesmo tempo, sendo charmoso pras moças [risos].
Conta então como você sentiu retorno da rua?
Teve um dia que estava numa padaria 24h na Glória, na descida de Santa Tereza [bairro onde mora no Rio de Janeiro], tomando um café com leite às 11 e meia da noite, e passa um taxista com os braços de fora do carro, gritando: “Larica totaaal!” [risos]. Depois teve uma louca figuraça que saiu de um boteco gritando pra mim: “Larica total! Não acredito que tô te vendooo!”. E teve um advogado forense [risos], lá no Centro, que chegou e disse: “Sou teu fã!”. Comecei a achar engraçado isso e ao mesmo tempo me policiando pra não acreditar em nada, né? Porque as pessoas quando me veem procuram o personagem e mesmo que tenha emprestado a minha alegria ao Paulo de Oliveira, não sou assim o tempo todo. Agora, em março, logo que acabou a primeira temporada começou uma reexibição e muito mais gente começou a assistir. Tem uma comunidade no Orkut que já tem quase 4 mil pessoas, e tem outras como a do “xablablau”, que foi uma coisa que inventei inspirado no [poeta] Chacal e pegou de jeito. Mas nesse mundo virtual existe uma resposta absurda de gente discutindo, querendo levantar dinheiro pro programa, fazer churrasco [risos]. Marquei uma vez um chopp aqui na esquina, foi engraçado.
O que esse personagem te trouxe? Como tem sido essa experiência?
O Paulo me deu oportunidade de fazer um trabalho de atuação quase documental. É quase o que acontece diante da câmera. E ele também está me dando possibilidades de ver algumas coisas minhas... dizem que os atores interpretam o tempo todo, o que não é nem mentira, nem verdade. Mas esse personagem tem muito a ver com a vida que levei nesses últimos dois, três anos, pelo menos no meu lado social, tenho muitos amigos e tal. Porque normalmente sou mais calado, fico muito em casa. Então saiu de mim muita coisa e foi pra ele. Aí, de tanto fazer no
Larica, não faço mais. Fiquei assim... esvaziado não é a palavra. Liberado! Tô pronto pra uma nova fase na minha vida, que ainda não sei o que é. Isso me ajuda porque, inclusive, estão pintando umas propostas muito boas de trabalho. Mas ainda quero fazer muita coisa com o Paulo de Oliveira, chamar amigos dele pra cozinhar, sair mais pra rua, e sempre dizendo por aí que o Larica é um programa libertário em nome do amor e da alegria.

Um comentário:

Jorge Ramiro disse...

Eu acho que a segunda temporada foi boa. Eu não sei qual a sua opinião, mas alguns dias eu saia tarde do trabalhar e fui a ums restaurantes em santana com televisão para ver o programa. Sim, eu sei que ser um grande fã de algo não é bom. Mas me diverte.