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terça-feira, 15 de outubro de 2013

e se houvessem gifs na renascença?

quem te responde é jamer kerr, canadense de montreal, no tumblr scorpion dagger. tem gif novo (quase) todo dia.














via @_cecilialara com link para o pêssega d'oro.

domingo, 6 de outubro de 2013

o encontro de banksy com o youtube

o inglês banksy está passando o mês de outubro numa residência artística em nova york intitulada "better out than in" ('melhor fora que dentro') e está usando seu site oficial para divulgar as ações. 




já rolaram stencils-grafites bem irônicos como estes acima, acompanhados no site de engraçadíssimos comentários-guias em áudio, e um caminhão transformado em jardim ambulante. mas neste domingo, 6 de outubro, apareceu esse vídeo que marca a estreia do canal oficial de banksy no youtube.



a zuera de banksy não tem limites.

sábado, 13 de julho de 2013

é fácil seduzir rafael coutinho

ano de várias matérias cortando os ares do brasil. já rolaram umas cinco pra revista da gol (naldo e marcelo D2, por exemplo), uma pra tam nas nuvens e agora essa pra azul magazine. rafael coutinho foi sugestão minha e a conversa foi muito melhor do que imaginava. como sempre deixei a entrevista para depois das fotos - que ficaram a cargo de victor affaro -, o que deixa tudo mais relaxado, e fiz questão de falar pouco do pai laerte, pois rafael tem voz autoral muito forte para ser um mero "filho de...". agradecimentos a alexandre maron que me indicou e, acima de tudo, a patrick moraes, editor da azul magazine (sempre bom encontrar bons editores). ah, já publiquei aqui no esforçado a íntegra da entrevista.


RETRATO DE UM ARTISTA COM IDEIAS DE SOBRA

No alto da escada uma vira lata balança o rabo. Seu nome é Mexerica e ela é a responsável pelas boas vindas ao ateliê que Rafael Coutinho, 33, divide com outros amigos-artistas no bairro da Pompéia, Zona Oeste de São Paulo. Após receber as devidas carícias, Mexerica retorna à companhia do igualmente vira lata Pancho numa almofada ao lado da prancheta de Rafael. “Eles já eram namorados antes d’eu adotá-los”, relembra e logo pede para ninguém chegar perto da almofada. Pancho é muito protetor de seu território.

Filho de Laerte Coutinho, criador dos Piratas do Tietê e um dos maiores nomes do quadrinho nacional, Rafael tornou-se, em pouco mais de três anos, uma das grandes revelações do meio. Alguns já o conheciam de animações (trabalhou no premiado clipe “Chapa o côco”, do rapper Xis, e assinou curtas como “Aquele Cara”), outros de seu trabalho no coletivo de arte urbana Base V, e outros ainda de suas primeiras histórias em quadrinhos em coletâneas e revistas independentes como a Sociedade Radioativa. Mas a virada na sua carreira foi mesmo com o elogiado Cachalote (2010), livro em quadrinhos feito em parceria com o escritor Daniel Galera.

Não foi da noite para o dia que Rafael chegou ao ponto de Cachalote, e nem por um caminho só. “Na infância usava o desenho como ferramenta para impressionar professoras e amigos. Não era por timidez, sempre fui extrovertido, era mais porque já tinha uma facilidade. Era meu cartão de apresentação. Em matéria que não ia bem desenhava ao redor da prova e a professora achava bonitinho e me dava mais nota [risos]. Usei bastante esse artifício [risos].”

Na época do vestibular viu que aquela sua facilidade, estimulada discretamente pelo pai-amigo já conhecido, era a única opção possível. Optou por Artes Plásticas sem saber direito o que lhe esperava e muito menos se realmente queria ser artista. “Durante a faculdade entrei em um estúdio de animação ligado a uma editora e comecei a me acalmar. Foi ali que vi que algum resultado estava saindo”. Trabalhou em charges, no primeiro videoclipe (“Chapa o côco”) e em muitas outras animações até montar um estúdio de design e arte urbana experimental com amigos, o Base V.

“Sempre tive esse interesse em trabalhar em diversas plataformas. Em algum momento me foi passada a informação de que esse meu desejo não só não era um problema como poderia ser a minha salvação em momentos de crise. Mas entendi também que profissionalmente era preciso focar em alguma dessas mídias pra ser reconhecido. Só que nunca me fechei porque gosto mais das ideias que das mídias”. E as ideias de Rafael seguiam ganhando formas nas animações, em pinturas e, cada vez mais, em quadrinhos. “Eu me defino como me convém. Se estou numa roda com quadrinistas, sou um quadrinista. Se me veem como um pintor, sou um pintor. Não vejo necessidade em me definir tanto assim. Acho que a essa altura do campeonato, o trabalho me define. Acho que tem muita coisa pra ser testada e também me empolgo com facilidade com a ideia dos outros. É fácil me seduzir [risos]”.



Empolgado sempre, Rafael decidiu em 2008 sair do conforto do coletivo Base V em busca de sua própria voz autoral. Coincidentemente foi também quando conheceu Daniel Galera e nasceu o projeto de Cachalote. “É preciso deixar que a vida alimente a produção continuamente. Acho que existe um problema crônico nessa nova geração que já chega com muita violência no mercado antes de desenvolver essa relação entre a vida e o trabalho. O conselho que posso dar é ‘ouça sua voz autoral’ e isso é uma coisa muito pessoal. Não acho que sou maior ou melhor que ninguém porque produzo meu próprio trabalho. Sei o preço que pago por essas escolhas. Minha mulher sabe mais que ninguém [risos]. Mas é preciso escutar essa voz, esse latido do cachorro... se ele tá dizendo que você tem que matar, você tem que matar [risos]”.

Atualmente, Rafael Coutinho está ouvindo mais latidos que nunca. Após lançar o segundo volume de Beijo Adolescente, uma série de histórias curtas, ele está finalizando para o final do ano o ousado Mensur, sua primeira longa história em quadrinhos 100% autoral. Enquanto isso vai tocando a loja virtual e selo Narval Comix, procura uma nova galeria para lhe representar e prepara, como curador, três exposições que homenagearão o pai Laerte no segundo semestre. E pretende retomar Fogo Fácil, projeto que reúne cinema, fotos e pinturas. “Acho que desde 2008 não fiquei nem um período sem trabalho, e não é porque sou excepcional, é porque me sobra ideia mesmo”. Pancho e Mexerica não o deixam mentir.





SAIBA MAIS

No batente: Rafael Coutinho trabalha desde os 16 anos e antes de se tornar quadrinista, pintor, etc. assumiu funções como garçom em restaurante, vendedor de CDs em banquinhas de stand center e atendente de locadora de vídeos.

Ídolos nos quadrinhos: O norte-americano Jaime Hernandez (Love & Rockets), o espanhol Miguelanxo Prado (Mundo Cão), o japonês Taiyo Matsumoto (Tekkonkinkreet), o francês Cyril Pedrosa (Três Sombras) e, claro, o pai (“O trabalho dele me estimula e me deixa pasmo. É um artista impressionante, sensível, generoso”).

Ídolos no cinema: Os franceses Bruno Dumont (A Humanidade) e Jacques Audiard (O Profeta), a argentina Lucrecia Martel (O Pântano) e o norte-americano Paul Thomas Anderson (Sangue Negro).

Ídolos na pintura: O inglês David Hockney, o alemão naturalizado inglês Lucien Freud, o alemão Neo Rauch e o brasileiro Wesly Duke Lee.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

tudo é viagem

comecei o ano fazendo uns trabalhos bacanas pra revista da gol. agora na edição de fevereiro saíram dois, este sobre lançamentos da série cidades ilustradas (casa 21) - a conversa com os irmãos fábio moon e gabriel bá foi por email e com o lourenço mutarelli por telefone - e uma entrevista com a cantora paraense lia sophia que já coloco aqui. e tem mais coisa pela frente. ah, e como sempre, a versão aqui é ligeiramente maior do que a editada.


autoretratos


DE FORA PRA DENTRO

Série 'Cidades Ilustradas' lança álbuns nos quais os ilustradores Lourenço Mutarelli e os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá viram e descobriram nas cidades de Manaus e São Luís, respectivamente

Quem viaja, sabe. Muitas vezes um olhar estrangeiro, de fora, revela mais sobre uma cidade do que os que nasceram nela podem imaginar. Pensando nisto, e tendo como referência os cadernos de viagens que europeus fizeram nos tempos do Brasil Colônia e Império, a editora Casa 21 deu início, em 2001, a série Cidades Ilustradas. O primeiro álbum trouxe o Rio de Janeiro segundo o traço e o bom humor do francês Jano e acabou resultando ainda em um premiado documentário (Rio de Jano).

“A escolha de Jano deveu-se ao fato dele ser um artista viajante - esteve na África e Índia onde produziu dois lindos álbuns. (...) Em geral, escolhemos um autor com perfil de artista viajante, avaliamos o seu traço e tentamos uma aproximação com uma determinada cidade”, explicou Roberto Ribeiro, diretor e editor da Casa 21.

De lá para cá outras cidades brasileiras foram esquadrinhadas pela série: São Paulo pelo inglês David Lloyd, Belo Horizonte pelo espanhol Miguelanxo Prado, Brasília pelo gaúcho Edgar Vasques, Curitiba pelo carioca César Lobo, Florianópolis pelo gaúcho Guazzelli, Belém pelo francês Jean-Claude Denis, Porto Alegre pelo argentino Carlos Nine, Salvador pelo fluminense Marcelo Quintanilha, Niterói pelo gaúcho Joaquim Fonseca e as Cidades do Ouro por Lelis, que também é mineiro, mas de Montes Claros.

As viagens da vez ficaram por conta dos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá, que foram para São Luís, e Lourenço Mutarelli, que esteve em Manaus. “Estamos pensando realizar em 2013 um livro sobre Recife. Ainda não escolhemos o autor, mas seguramente não será brasileiro”, conclui Ribeiro.



SÃO LUÍS POR FÁBIO MOON E GABRIEL BÁ

“A gente não conhecia praticamente nada.  Sabia que era a capital do Maranhão, terra do Sarney, e conhecia o trabalho do Zeca Baleiro e do Ferreira Gullar, mas não sabia que eles eram de São Luís. Nos nove dias que passamos lá, além de passear por lugares de interesse histórico, participamos um pouco da vida cultural da cidade, encontrando pessoas em bares, restaurantes, descobrindo o que o povo gosta de fazer à noite para relaxar e se divertir. Uma coisa que nos surpreendeu foi o calor. Acho que essa temperatura influencia o ritmo da vida do povo, sempre procurando sombra, mais lentos durante o dia, mais agitados à noite.

Numa caminhada pelo centro histórico você passa por edifícios, fontes e praças que preservam séculos de história nas fachadas, e encontra os mais diversos museus, de arte, de história e folclore, de cultura negra, onde a história é preservada e difundida. Ah, e quem puder visitar a cidade durante a festa do Bumba meu Boi [junho e julho] não se arrependerá. Vimos os ensaios finais e já achamos o máximo. 

São Luís é uma bela, rica em história e tradições, embora um pouco maltratada, precisando de um pouco mais de atenção na conservação do seu patrimônio. É também quente, cheia de um povo curioso, interessado, falante.”



MANAUS POR LOURENÇO MUTARELLI

“Estive em Manaus em 1999 para fazer uma palestra em um evento de quadrinhos. Adorei a cidade e, principalmente, as pessoas. Passei uns 5 ou 7 dias, não lembro direito. Foi uma experiência incrível. Mas tenho a pele muito clara, não aguento calor e umidade. Quando o pessoal da Casa 21 me chamou para fazer esse livro sobre Manaus minha única condição foi de não voltar lá. Fiz remotamente com ajuda das minhas memórias, de algumas fotos que tirei e de outras de um profissional. Sei que é horrível falar isso, mas não tinha condições mesmo.

Mas nessa vez que fui andei bastante na cidade e encontrei pessoas muito interessantes, gente que tenho contato até hoje, e são pessoas que fazem uma cidade, né? Comi pratos típicos e conheci pontos turísticos como o porto, o mercado e o Teatro Amazonas, que é muito mais bonito ao vivo que nas fotos. Aliás, a cidade toda é mais bonita que eu imaginava e tem um lado urbano muito forte que as pessoas de fora não fazem ideia. Teve uma noite que assisti ao show de uma banda cover do Velvet Underground. Só não pude ir pra floresta porque o convite chegou em cima da hora e não deu tempo de tomar as vacinas.”

p.s.: e aqui como ficou na página.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

yahoo #63

não tinha intenção de falar no yahoo sobre a tragédia de santa maria. não é a minha praia e não é assunto fácil (mesmo com as tvs esfregando histericamente tanta realidade, depoimentos, chutes e opiniões na cara do espectador). mas acompanhando as charges que foram produzidas nos dias seguintes vi que tinha um assunto ali. sobre percepções, humor, síntese, cuidado, crítica e desvios. e não coincidentemente, esse foi o primeiro texto do ultrapop, em quase dois anos, que não teve música acompanhando. e nem gif nonsense aqui.


AS CHARGES E A DOR

A tragédia ocorrida na madrugada do último domingo em Santa Maria, Rio Grande do Sul, é maior do que julga nossa filosofia chué. Não fazemos ideia de seus desdobramentos e do tamanho do vazio nos corações de inúmeras famílias da cidade e região. Mas não quero falar aqui da tragédia em si e de seus responsáveis, muito menos da dor, afinal o companheiro de Yahoo!, Walter Hupsel, já o fez muito bem no texto “Impossível”.

O lance aqui é como um acontecimento dessa magnitude foi retratado pelas charges de jornal, mídia das mais acessíveis e sintéticas dentro da imprensa. Dependendo do assunto a charge pode ser bem humorada ou reflexiva, mas em ambos os casos precisa ser, necessariamente, crítica. Santa Maria é assunto dos mais delicados – mais de 200 pessoas morreram, todos jovens –, portanto aqui o humor não tem lugar.

O primeiro a surgir veio assinado por Carlos Latuff, um reconhecido exemplar de chargista-ativista. Ele não perdeu tempo e foi logo mirando seus traços para o jeito sensacionalista e desumano com que a imprensa televisiva trata a notícia e as pessoas. Na mosca.


Depois apareceu outro colega aqui do Yahoo!, o Alpino, que delicadamente resumiu a dor de todos nessa imagem de um gaúcho em lágrimas. E não precisou dizer, nem mostrar mais nada.


Então veio Chico Caruso no jornal O Globo e logo depois no Blog do Noblat. Que Noblat é um dos colunistas mais irresponsáveis da imprensa brasileira já é sabido, afinal seu blog é quase todo feito com material de outras pessoas e veículos, e geralmente confunde fofoca, ou sonhos pessoais, com notícia. Mas é sujeito fino que gosta de jazz e música clássica, portanto era de se esperar que tivesse sensibilidade. Qual o quê?! Republicou com galhardia essa mancha no currículo do veterano Caruso, uma tentativa rastaquera de associar a presidenta Dilma com a tragédia. O horror, o horror.


Por fim, na Folha de S. Paulo de hoje, Jean Galvão foi o mais feliz de todos. Marcou o Brasil no lugar onde está Santa Maria no mapa do Rio Grande do Sul. Sem texto, sem rostos, só sentimento e solidariedade, material que tem andado em falta nesses tempos cínicos.


Atualização 1: depois que esse texto foi publicado fiquei sabendo no Facebook que o chargista Marco Aurélio, e logo no gaúcho Zero Hora, cometeu uma das leituras mais cretinas do incidente ao colocar os jovens mortos na entrada de uma universidade celestial. Não dá para entender como os editores deixam passar isso (detalhe, poucos dias depois, Marco Aurélio foi afastado do jornal).


atualização 2: dias depois que esse texto foi publicado no yahoo apareceu, no facebook, essa charge do sempre ótimo guazzelli. simples e contundente.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

e o nanquim semeou a terra

conheci cuttlas nas páginas da revista animal, nos anos 1980, e nunca mais tinha ouvido falar desse caubói malandro criado com poucos traços pelo espanhol calpurnio até que, no final do ano passado, foi lançado aqui no brasil o livro-compilação o bom e velho cuttlas (zarabatana books, 2012). bom humor, crítica, ótimos personagens, deboche, metalinguagen, enfim, leitura das mais divertidas. foi aí que descobri que calpurnio continuava produzindo novo material para cuttlas - desde 2004 está na versão impressa e digital do diário 20 minutos - e que o personagem completa 30 anos de vida nesse 2013. descobri ainda que entre 1992 e 1994 foi produzida uma série animada (cuttlas microfilms) em 13 episódios com o personagem e achei um deles no youtube. 





p.s.: poucos dias antes de adquirir esse livro do cuttlas comprei uma camiseta na el cabritón, aqui em são paulo, onde se lê "caffeine & cigarette. what else?". qual não foi meu espanto quando vi, tanto no livro quanto neste video acima, que uma das falas famosas de cuttlas é algo como "tenho café e cigarros. o que mais necessita um homem?". pois então, caro pistoleiro...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

yahoo #52

nem vou repetir o quanto sou fã de laerte, afinal ele tem aqui até uma seção própria ("laerte da semana"). mas resolvi escrever sobre ele no yahoo porque além de todo seu gênio no ofício este seu processo de feminização (essa palavra existe?) é uma das coisas mais interessantes e enriquecedoras no atual debate sobre direitos para homossexuais e transgêneros. e é preciso usar espaços populares-malucos como o yahoo para colocar essas questões (os comentários por lá são, como era de se esperar, repletos de preconceitos variados).



LAERTE, MAIS QUE UM ROSTINHO BONITO

Cerca de três anos atrás o cartunista Laerte Coutinho, um dos artistas mais importantes das artes visuais brasileiras, passou a dar mergulhos profundos e públicos na própria sexualidade. Quem acompanha suas tirinhas diárias no jornal Folha de S. Paulo já poderia prever que algo estava para acontecer, pois desde 2004/05 elas estavam mais existenciais, filosóficas. Mas então, em 2009, o paulistano começou a virar mulher. Quer dizer, mulher não.

Era o mesmo Laerte de sempre só que com roupas femininas, maquiagem, acessórios, depilação, assumidamente bissexual, e querendo seriamente experimentar um possível “ser mulher” sendo homem (nunca teve intenção de fazer cirurgia de troca de sexo, por exemplo, mas vem pensando em próteses de silicone). Tudo isso foi uma surpresa para os filhos, namorada, amigos e fãs. Mas quem está vivendo na pele, dia após dia, essa surpresa e essa batalha é o próprio Laerte.


  
“Gênero é uma construção social que faz parte da cultura e não da biologia. As possibilidades são inúmeras”, afirmou em recente entrevista à revista Continuum (Itaú Cultural). Homem, mulher, roupa de homem, roupa de mulher, nada disso importa. O que importa mesmo é ser livre e respeitado. O resto vai de cada um.

Agora, o fato de ser muito querido como artista/profissional ajudou um bocado na boa aceitação social de sua nova vida. Com pouco mais de 40 anos de carreira e um curriculum invejável de personagens (Piratas do Tietê, Overman, Palhaços Mudos, Deus, etc.) e obras (Laertevisão, Los Tres Amigos, Muchacha, etc.), Laerte é um privilegiado. Ele sabe disso.



Por isso vem usando suas entrevistas em revistas e TVs (“De frente com Gabi” e “Roda Viva”, por exemplo) como uma forma leve e didática de registrar sua busca pessoal e, ao mesmo tempo, quebrar tabus. Em um mundo que não oferece alguns dos direitos civis mais básicos a homossexuais e transgêneros, a discussão proposta por Laerte parece muito avançada. E é mesmo.

Basta ver a disposição de deputados federais irresponsáveis como o trio João Campos (PSDB-GO), Pastor Eurico (PSB-PE) e Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) que vem tentando revogar a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe profissionais da área de oferecerem tratamento para “curar” homossexuais. Coisa mais óbvia do mundo, afinal homossexualidade não é doença. Intolerância sim é uma doença e, felizmente, tem cura: educação.



Em reportagem da Exame, Marco Feliciano chega ao absurdo de afirmar que “Não é que nem negro que nasce negro e não tem como mudar. ‘Homossexualismo’ pode ser mudado”. Provavelmente se existisse uma cura para negritude esse homem de Deus lutaria por um tratamento voluntário. De um sujeito que já disse que a AIDS e a fome surgiram na África por causa da “maldição do paganismo, ocultismo” é possível se esperar qualquer coisa.

Mas é isso. As coisas do mundo não caminham em linha reta. São camadas variadas, níveis diversos, ocasionalmente fazendo curvas bruscas à direita ou esquerda, passando por solavancos, dando cavalos de pau. No entanto, alguém ter que se linha de frente, dar a cara pra bater. Sessentona enxuta, Laerte é a cara mais lindamente maquiada de quem respeita a diferença, luta pelo amor e recusa o ódio.


p.s. esforçado: depois lembrei de um vídeo muito divertido feito pelo comediante carioca rafucko que trata justamente de um dos "argumentos" mais recorrentes dos intolerantes dos tempos de hoje, a tal da "ditadura gay". as coisas que a gente tem que ouvir nessa vida...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

esforçando o instagram #12

edição especial 'streetart em são paulo', praticamente um capítulo à parte no meu instagram e uma das coisas mais interessantes de se procurar nas ruas da cidade. não conheço todos os artistas, então se alguém souber de algo que não foi creditado pode avisar. tamosaê.

rui amaral (viaduto da lapa)

rui amaral (viaduto da lapa)

rui amaral (viaduto da lapa)

rui amaral (viaduto da lapa)

andré "treco" farkas (rua sampaio vidal, jardins)

andré "treco" farkas (próximo à 
praça panamericana, alto de pinheiros)

andré "treco" farkas (rua pascoal vita, vila beatriz)

space invader (ladeira da memória, centro)

space invader (ao lado do teatro municipal, centro)

onesto (sobre a linha de trem, 
rua do curtume, lapa de baixo)

desconhecido (sobre a linha de trem, 
rua do curtume, lapa de baixo)


desconhecido (rua pio 11, alto de pinheiros)

silvio ? (minhocão)

desconhecido (minhocão)

desconhecido (em frente à quadra da vai-vai, bixiga)

desconhecidos (rua conselheiro crispiniano, centro)

desconhecido (rua fradique coutinho, pinheiros)

desconhecido (rua pascoal vita, vila beatriz)

desconhecido (rua oscar freire, pinheiros)

desconhecido (rua mourato coelho, pinheiros)