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domingo, 23 de novembro de 2025

as 82 vidas de jards macalé

tinha acabado um trabalho e estava prestes a sair pra pegar filha na escola quando dei uma espiada no Instagram. foi então que pulou na minha cara a notícia da morte do Jards Macalé no perfil do próprio Jards. tinha acabado de ser publicada. 1 minuto atrás. lembro bem disso também. 17 de novembro de 2025, a tarde de uma segunda-feira. achei que que iria lamentar. cara foda. um dos maiores. ídolo. viveu bons 82 anos, com vários anos não bons, mas 82, então era de se esperar. ao mesmo tempo tava produzindo bastante, coisas inéditas, numa longa fase ótima. porra, mesmo assim.

só que senti mais do que esperava. chorei uma, duas, três vezes. era por ele, o romântico debochado, o sambista abolerado, o inquieto zen, um artista tão original no que criava quanto no que recriava (afinal ele 'jardsificou' Ismael Silva, Zé Keti, Noel Rosa, Tom Jobim, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Lupicínio Rodrigues, etc). mas chorei por mim também, provavelmente, porque a sensação foi a de perder um tio muito querido, aquele tipo de tio (ou tia) que transforma sua vida de alguma forma, mostra coisas, tem um humor mais livre. já perdi um tio assim (salve Flores!) e é uma ausência que nunca passa.

passei a noite e a manhã seguinte com esse baque, um vazio. mas também feliz de ouvir tantas histórias de tanta gente, de tanto amor e aprendizado e piada. de lembrar da vez que o entrevistei nos tempos do Gafieiras (e fotografei e escrevi o texto de abre) e vi e fotografei um show dele no pequenino e saudoso Villaggio Café, tudo no mesmo 1º de abril de 2006. e feliz de ver como ele, a música dele, o jeito, o humor, fazem parte do que sou (como Itamar Assumpção, Buster Keaton, Laerte, etc etc etc). oras bolas, é de uma música dele o nome desse blog e um resumo de mim: meu segredo é que sou um rapaz esforçado.

tudo ok no Villaggio Café, em 2006

nos dias e noites que se seguiram desta semana, enquanto trabalhava, ouvi pela primeira vez a discografia de Jards em ordem cronológica, participações em outros discos, pra fazer a minha playlist dele, um resumão musical de 60 anos de carreira. olha só. escuta isso. que cara foda esse Jards Macalé.


acima, a playlist, e abaixo, a lista das 82 músicas pros 82 anos de vida de Jards Macalé, um dos maiores da história mundial de gentes e artistas. é tanto uma homenagem a ele quanto um registro da minha jornada pela música dele, em discos próprios, participações, tributos, ao vivos e em estúdio. mantive a ordem cronológica (só uma que não consegui info) e não estabeleci cotas por disco. o tanto que a música, a voz e o humor de Jards fizeram trilha da minha vida é uma coisa que não tá no gibi.

"Sem essa" (1969)
"Soluços" (1969)
"Farinha do desprezo" (1972)
"Vinheta Vapor Barato/Revendo amigos" (1972)
"Mal secreto" (1972)
"Movimento dos barcos" (1972)
"Meu amor me agarra e geme e treme e chora e mata" (1972)
"Rua Real Grandeza" (1974)
"Imagens" (1974)
"Anjo exterminado" (1974)
"Dona de castelo" (1974)
"Mambo da Cantareira" (1974)
"Mora na filosofia/E daí?" (1974)
"Boneca semiótica" (1974)
"Choro do Archanjo" (1976)
"Conto do pintor" (1976)
"Sim ou não" (1976)
"Black and blue" (1976)
"Contrastes" (1976)
"Pai e mãe" (1977)
"Vela no breu" (1977)
"Tio Barnabé", com Marlui Miranda (1977)
"Cabritada mal sucedida" (1981)
"Olha o Padilha" (1981)
"Chega de saudade" (1981)
"Let's Play That", com Naná Vasconcelos (1983-1994)
"Pano pra manga", com Naná Vasconcelos (1983-1994)
"Luz", com Naná Vasconcelos (1983-1994)
"Quero viver sem grilo" (?)
"Crotalus Terrificus" (1985)
"Para ver as meninas" (1987)
"Luz negra" (1987)
"Exemplo" (1987)
"Acertei no milhar" (1987)
"Cor de cinza" (1991)
"Falta um zero no meu ordenado" (1994)
"Estrupício", com Itamar Assumpção (1994)
"Laranja madura", com Itamar Assumpção (1995)
"Dindi" (1996)
"Rei de Janeiro" (1998)
"Favela" (1998)
"Cidade Lagoa" (1998)
"Mais uma luz" (1998)
"Coração do Brasil", com Monarco (1998)
"O Rei do gatilho" (2001)
"Choro esdrúxulo" (2001)
"Tira os óculos e recolhe o homem" (2001)
"Roendo as unhas" (2003)
"Positivismo" (2003)
"Berceuse Crioulle", com Maria Bethânia (2005)
"Senhor dos sábados" (2005)
"Vapor barato", com Jr. Tolstoi (2005)
"Olhos de lince", com Waly Salomão (2005)
"Pontos de luz", com As Gatas (2005)
"Ne me quitte pas" (2008)
"Ronda" (2008)
"Só assumo só" (2008)
"Juízo final", com Elton Medeiros (2011)
"Negra melodia", com Luiz Melodia (2011)
"Faisão dourado (Tendência e cor)", com Dorgas (2012)
"Cogito", com Rogério Skylab (2014)
"Volta", com Samba Noir (2015)
"Gotham City" (2015)
"Canalha" (2015)
"A saudade mata a gente", com Guinga, Moacyr Luz e Zé Renato (2016)
"Vampiro de Copacabana" (2019)
"Trevas" (2019)
"Buraco da Consolação", com Tim Bernardes (2019)
"Pacto de sangue" (2019)
"Meu amor meu cansaço" (2019)
"Tempo e contratempo" (2019)
"Peixe", com Juçara Marçal (2019)
"Ontem e hoje", com João Donato (2021)
"Síntese do lance", com João Donato (2021)
"Um abraço do João", com João Donato (2021)
"Sem samba não dá", com Criolo e Ana Frango Elétrico (2023)
"Amor inatura" (2023)
"Coração bifurcado" (2023)
"Grãos de açucar" (2023)
"A foto do amor" (2023)
"Para um novo amor chegar" (2023)
"Acender as velas", com Sergio Krakowski Trio (2024)

Jards, durante a entrevista para o Gafieiras, em 2006
[foto minha]

domingo, 15 de dezembro de 2024

56 músicas e 50 discos brasileiros de 2024

neste 2024 que está acabando o esforçado completa 15 anos ininterruptos de retrospectivas musicais (desde a criação do blog, em 2009). acho que no começo tentei manter um número fixo de músicas e discos e depois, com o tempo, fui vendo que muita coisa ia ficando de fora e que era muito mais interessante ter um panorama maior e mais diverso do que ouvi no ano. a partir daí, o número de músicas e discos mudou de ano em ano. muito mais legal.

em alguns anos cheguei a fazer a playlist de músicas também no spotify, mas a preguiça que tenho com a plataforma é tão grande que o bom e velho youtube me basta (tanto para a playlist quanto para os links dos discos na íntegra).

como sempre tem gente nova, novos e velhos veteranos, instrumentais e pop, remixes e tradição, de um tudo. escuta só...


Agnes Nunes – “As ruas não te amaram como eu”
Alessandra Leão & Sapopemba – “Exu Ajuô”
Alice Caymmi – “O amor (El Amor)”
Alvaro Lancellotti – “Maneira de ver”
Arrigo Barnabé & Trisca – “Fico Louco”
ÀTTØØXXÁ & Baco Exu do Blues – “Tranca rua”
Áurea Semiseria – “Big Mama”
Bruna Alimonda – “Estado febril”
Céu – “Raiou” [part. Ladybug Mecca]
Chico Bernardes – “Motivo”
Conjunto Boi de Piranha – “Dançando no escuro” [Ramiro Galas Remix]
Criolo, Dino D'Santiago & Amaro Freitas – “Esperança”
Curumin – “Paixão faixa preta”
Davi Nadier – “MaPeople”
Deize Tigrona – “Prazer sou eu” [feat. Larinhx]
Dom Salvador, Adrian Younge & Ali Shaheed Muhammad – “Os ancestrais”
Don L - Bem alto
Duda Beat – “Desapaixonar”
Duda Brack – “Cumbia Mel” [part. Gaby Amarantos]
FBC, Djonga & Pepito – “Rap bom”
Felipe Cordeiro – “Revolú” [part. Ariel Moura e Victor Xamã]
Giovani Cidreira – “O ouro e a madeira”
Grelo da Seresta – “Vida loka”
Iara Reluxx & Juçara Marçal – “Iroko (Axé que vem do Pé)”
João Gomes & Pabllo Vittar – “Vira lata”
Jup do Bairro, Maria Alcina & Pagode da 27 – “Amor de carnaval”
Karina Buhr – “Poeira da luz”
Liniker – “Ritmada Caju” [Mulú remix]
Lucy Alves & Rachel Reis – “Melaço”
Lurdez da Luz – “Ben Bella”
Maria Beraldo – “Minha missão”
Marina Sena – “Numa ilha”
Marujos Pataxó & Tropkillaz – “A força dos encantados” [Tropkillaz Remix]
MC Reino – “Bom dia princesa/Dono do Porsche”
Melvin Santhana – “Zara” [part. Luedji Luna & Zudizilla]
Meno Del Picchia – “Fogo bom”
Mombojó – “Romance da Bela Inês”
MOMO – “P​á​ra” [part. Jessica Lauren]
Moreno Veloso – “A donzela se casou” [part. Maria Bethânia, Caetano, Tom e Zeca Veloso]
Mulú & Carmen Miranda – “Pra Você Gostar de Mim” [Remix]
Nego Gallo – “Catedrais”
Pabllo Vittar & Duda Beat – “Ai que calor”
Péricles – “Bem que se quis” [Reggae Remix prod. Rincon Sapiência]
Rei Lacoste & Juçara Marçal – “Sem contrato”
Rincon Sapiência – “Jogo de cintura”
Rocha Ishi – “Respira”
Rodrigo Campos & Thiago França – “Gamei”
Russo Passapusso – “Dora” [part. Karina Buhr]
Saulo Duarte – “Canção do Povo”
Thiago França – “Dor elegante” [part. Juçara Marçal]
Verônica Ferriani & Áurea Martins – “Cochicho no silêncio vira barulho, irmã”
Vitor Ramil – “Teu vulto”
Yago Oproprio – “Catedrais”
Zé Manoel – “Malaika” [part. Luedji Luna]
Zeca Baleiro & Wado – “Alma turva”
Zécarlos Ribeiro, Ná Ozzetti & Tulipa Ruiz – “Bem humorado”
  

e agora vamos aos discos... como sempre tem gente que emplacou disco e música, gente que só emplacou música, gente que só emplacou disco e assim que a banda toca por aqui. mas gosto sempre de fazer alguns destaques nessa lista porque dentre esses 50 tem alguns que ouvi muito mais que outros. são aqueles discos que pegaram mais, tais como os poderosamente instrumentais Y'Y do pianista pernambucano Amaro Freitas e Canhoto de pé do saxofonista mineiro/paulistano Thiago França. tem o samba baiano de Ederaldo Gentil na voz do jovem Giovani Cidreira em Carnaval eu chego lá. tem o samba carioca de Zé Keti entortado por Jards Macalé e o Sergio Krakowski Trio em Mascarada. tem toda a beleza do cancioneiro de Milton Nascimento no encontro com a cantora, baixista e fã norte-americana Esperanza Spalding em Milton + esperanza. tem excelentes novos trabalhos de jovens ídolos da casa como Novela da Céu, Pedra de selva do Curumin e Digital Belém de Saulo Duarte. tem o estreante paulistano Yago Oproprio, uma espécie de herdeiro de Criolo (tanto nas rimas quanto no canto), em Oproprio. e, por último, o lindo lindíssimo Coral do cantor, compositor e pianista pernambucano Zé Manoel. mas lista completa tá aqui...
 
Álvaro Lancellotti - Arruda, alfazema e guiné
Amaro Freitas - Y’Y
ÀTTØØXXÁ - Summer Groove
Boogarins - Bacuri
Bruna Alimonda - Estado febril
Céu - Novela
Chico Bernardes - Outros fios
Clube do Balanço - Cadê Tereza
Curumin - Pedra de selva
Davi Nadier - Profundhi
Deize Tigrona - Não tem rolê tranquilo
Duda Beat - Tara e tal
Erasmo Carlos - Erasmo Esteves
FBC - Feito à mão
Felipe Cordeiro - Close, drama, revolução & putaria
Filarmônica de Pasárgada - Música infantil para crianças malcriadas
Giovani Cidreira - Carnaval eu chego lá
Hermeto Pascoal - Pra você, Ilza
Josyara - Mandinga multiplicação
Juçara Marçal - DEB RMX
Jup do Bairro - In.corpo.ração
Kamau - Documentário
Liniker - Caju
Maria Beraldo - Colinho
Mascarada: Zé Keti por Sergio Krakowski Trio & Jards Macalé
Matéria Prima - novidadedasantiga
Meno Del Picchia - Maré cheia
Milton + esperanza       
Mombojó - Carne de caju
Momo - Gira
Moreno Veloso - Mundo paralelo
Ná Ozzetti & Luiz Tatit - De lua
Nabru - Desenredo
Nego Gallo - Yopo
Negro Leo - Rela
Orquestra Frevo do Mundo, Pupillo & Davi Moraes - Moraes é frevo
Rashid - Portal
Rodrigo Campos - Pode ser outra beleza
Saulo Duarte - Digital Belém
Silva - Encantado
Slipmani - Até aqui, Slip nos ajudou
SPVIC & Síntese - Olímpico: Fora do Tempo
Tássia Reis - Topo da minha cabeça
Thiago França - Canhoto de pé
Verônica Ferriani - Cochicho no silêncio vira barulho, irmã
Vitor Ramil - Mantra concreto
Yago Oproprio - Opropio
Zé Manoel - Coral
Zeca Baleiro & Wado - Coração sangrento
Zudizilla - Le FauVe 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

50 músicas brasileiras de 2019

a grande maioria das músicas brasileiras dessa lista veio, como quase sempre acontece por aqui, da lista de discos. então pode acreditar que tem Aláfia, Alice Caymmi, Amiri, Baiana System, Bárbara Eugênia, Black Alien, Céu, Djonga, Dona Onete, Douglas Germano, Drik Barbosa, Elza Soares, Emicida, Felipe Cordeiro, Guilherme Kafé, Héloa, Jaloo, Jards Macalé, Keila, Larissa Luz, Lucas Santtana, Lúcio Maia, Luísa e Os Alquimistas, Lulina, Marcelo Jeneci, MC Tha, Momo, Nego Gallo, Pélico, Pitty, Rincon Sapiência, Siba e Tássia Reis. em alguns casos foi muito difícil definir apenas uma música, mas a vida é feita de escolhas né não.

então vou destacar aqui músicas de artistas/músicas que não apareceram na lista de discos. é o caso de jovens gigantes pop como Pabllo Vittar e a maravilhosa "Amor de Que", Ludmilla e a deliciosa "Verdinha", e novamente Ludmilla junto de Anitta na poderosa "Onda Diferente", além de Gloria Groove e outra canção maconhística ["Sedanapo"] e Iza e a jamaicana "Brisa".

seguindo com as minas: a paraibana Agnes Nunes vem construindo delicada e vagarosamente uma bela carreira [apoiada recentemente pelo pessoal da Baguá Records do rapper carioca Xamã] e o sambinha "Sônia" é um de seus pontos altos; a pernambucana Duda Beat largou um pouco do brega fossa do seu disco de estreia e neste ano participou de músicas de artistas muito variados como Lucas Santtana e Rashid e lançou a divertida "Chega" com Matheus Carrilho [Banda Uó] e Jaloo; as também pernambucanas MC Loma e As Gêmeas Lacração conseguiram mais uma vez criar um hit bregafunk; e a baiana Luedji Luna é outra voz poderosa atual e sua "Tô Te Querendo", parceria com os produtores Omulu e ÀTTØØXXÁ, é uma coisa doce demais. sem falar nas paulistas Linn da Quebrada, Luiza Lian, Tulipa Ruiz [numa parceria linda com o mestre João Donato] e YMA.

pra encerrar os destaques entre as músicas de 2019, o engraçadíssimo trap de MC Caverinha, o funk hit de verão de Thiaguinho MT ["Tudo OK" é demais], e as doçuras transcendentais de Eduardo Gudin e Rogerman.

segue abaixo a lista completa das músicas seguida de uma playlist no YouTube.

Agnes Nunes & Xamã - "Sônia"
Aláfia - "Canção Pra Nós"
Alice Caymmi - "Areia Fina"
Amiri - "Êta Porra! 2.0(19) Da Bomboclat"
Anitta, Ludmilla & Snoop Dogg - "Onda Diferente" [part. Papatinho]
Baiana System - "Salve" [part. BNegão, Antônio Carlos & Jocafi]
Bárbara Eugênia - "Perdi"
Black Alien - "Área 51"
Céu - "Coreto"
Djonga - "Hat-Trick"
Dona Onete & BNegão - "Musa da Babilônia"
Douglas Germano - "Valhacouto"
Drik Barbosa - "Quem Tem Joga" [part. Gloria Groove & Karol Conká]
Duda Beat, Matheus Carrilho & Jaloo - "Chega"
Eduardo Gudin & Léla Simões - "Alma"
Elza Soares & BaianaSystem - "Libertação" [part. Virginia Rodrigues]
Emicida - "AmarElo" [part. Majur & Pabllo Vittar]
Felipe Cordeiro - "Onde é Que Vou Parar" [part. Dona Onete]
Gloria Groove - "Sedanapo"
Guilherme Kafé - "Muitas Casas" [part. Mauricio Pereira]
Iza - "Brisa"
Héloa - "Silêncio"
Jaloo - "Dói d+" [part. Nave]
Jards Macalé - "Pacto de Sangue"
Keila - "Brega Doido"
Larissa Luz - "Gira"
Linn da Quebrada - "Oração" [part. Liniker]
Lucas Santtana - "Ninguém Solta a Mão de Ninguém" [part. Jaloo, Juçara Marçal & Linn da Quebrada]
Lúcio Maia - "Palomar"
Ludmilla - "Verdinha"
Luísa e Os Alquimistas - "Garota Ligeira" [part. Luê]
Luiza Lian & Bixiga 70 - "Alumiô"
Lulina - "O Que é o Quê" [part. Mauricio Pereira]
Marcelo Jeneci - "Aí Sim"
MC Caverinha - "Flash"
MC Loma e As Gêmeas Lacração - "Xonadão"
MC Tha - "Onda" [part. Jaloo & Felipe Cordeiro]
Momo - "Diz a Verdade"
Nego Gallo - "Onde Há Fogo Há Fumaça"
Omulu, Luedji Luna & ÀTTØØXXÁ - "Tô Te Querendo"
Pabllo Vittar - "Amor de Que"
Pélico - "Descaradamente"
Pitty - "Noite Inteira" [part. Lazzo Matumbi]
Rincon Sapiência - "Meu Ritmo"
Rogerman - "Tarde"
Siba - "Só é Gente Quem se Diz"
Tássia Reis - "Dollar Euro" [part. Monna Brutal]
Thiaguinho MT - "Tudo OK" [part. Mila & JS O Mão de Ouro]
Tulipa Ruiz & João Donato - "Gravidade Zero"
YMA - "Par de Olhos"

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

40 + 20 discos brasileiros de 2019

e dá-lhe mais um ano ótimo, esse 2019, pra música brasileira. ano de discos fortes de mulheres idem como a rainha Elza Soares e seu Planeta Fome, de Alessandra Leão e o sagrado Macumbas e Catimbós, de Céu e a doçura confessional de APKÁ!, além das "estreantes" Larissa Luz e seu belo Trovão e MC Tha e seu elevado Rito de Passá.

o sagrado em MC Tha e Alessandra Leão, 
alguns dos pontos altos musicais de 2019

da macharada destaco O Futuro Não Demora do BaianaSystem, Besta Fera do gigante Jards Macalé, I Was Told To Be Quiet do Marcelo "Momo" Frota e Coruja Muda do Siba. 

a besta fera Jards Macalé

mas nunca é demais frisar que um quarto dos mais interessantes, bacanas, fortes, etc discos brasileiros do ano - aqui segundo os 40 +20 do esforçado - são de rap, uma média que tem se mantido alta por aqui há pelo menos uma década. é o gênero mais crítico, diverso, pulsante e rico [e crescentemente popular]. e que em 2019 nos deu os poderosos Abaixo de Zero: Hello Hell de Black Alien [tão franco ao expor tantas feridas] e AmarElo de Emicida [tão maduro entre a doçura e o dente afiado]. e ainda por cima novos trabalhos de outros preferidos da casa como Amiri, Coruja BC1, Djonga, Rincon Sapiência, Tássia Reis e Thiago Elniño. e solos finos de veteranos como Edi Rock [Racionais MCs] e Nego Gallo [do saudoso e cearense Costa a Costa]. e também Davzera, Drik Barbosa, Nill, Rashid e Zudizilla. muita coisa boa, impressionante.


Black Alien, Emicida e o rapBR mais forte que nunca

vale destacar ainda a volta dos veteranos e paulistaníssimos Rumo, a produção intensa de Marcos Valle [que já lançou disco novo neste 2020] e de Dona Onete, a crescente politização de Lucas Santtana, o retorno de Lia de Itamarcá, e o sempre irrequieto Jorge Mautner.

então, sem mais delongas, a lista completa 40 +20 da música brasileira de 2019 segundo o esforçado.

Alessandra Leão - Macumbas e Catimbós
Alice Caymmi - Electra
Amiri - O.N.F.K.
Baiana System - O Futuro Não Demora
Barbara Eugênia - Tuda
Boogarins - Sombrou Dúvida
Céu - APKÁ!
Coruja BC1 - Psicodelic
Djonga - Ladrão
Dona Onete - Rebujo
Douglas Germano – Escumalha
Edi Rock - Origens
Elza Soares - Planeta Fome
Emicida - AmarElo
Felipe Cordeiro - Transpyra
Héloa - Opará
Jaloo - ft. (pt. 1)
Jards Macalé - Besta Fera
Karina Buhr - Desmanche
Larissa Luz - Trovão
Lia de Itamaracá - Ciranda Sem Fim
Lúcio Maia - Lúcio Maia
Lulina - Desfaz de Conta
Marcelo Jeneci - Guaia
Marcos Valle - Sempre
MC Tha - Rito de Passá
Nego Gallo - Veterano
O Terno - atrás/além
Pitty - Matriz
Rumo - Universo
Siba - Coruja Muda
Tássia Reis - Próspera

+ 20
Chico Bernardes - Chico Bernardes
Davzera - Vale do Silício
Drik Barbosa - Drik Barbosa
Giovani Cidreira - Mix$take
Iconili - Quintais
Juliana Perdigão - Folhuda
Keila - Malaka
Lello Bezerra - Desde Até Então
Liniker e Os Caramelows - Goela Abaixo
Luísa e os Alquimistas - Jaguatirica Print
Manoel Cordeiro - Guitar Hero Brasil
Nill - Lógos
Nomade Orquestra - Vox Populi Vol. 1
Rashid - Tão Real
Rogerman - Manhã de Amanhãs

segunda-feira, 24 de junho de 2013

redesenhando macalé

o blog banda desenhada faz aniversário de dois anos de vida e quem ganha presente é você! ou eu. ou nós. ou todos. disponível para download gratuito, e volto pra curtir é um tributo a jards macalé tendo seu disco de estreia, lançado originalmente em 1972, como bússola conceitual. estão lá suas dez faixas mais o hit “vapor barato”  que gal costa gravou em 1971 e jards somente em 1998 (no disco o q faço é música), interpretados por jovens artistas de várias partes do país sob curadoria de márcio bulk (o idealizador da banda desenhada). olha a capa do disco de jards, um dos melhores da música brasileira.


como todo tributo que se preze, e volto pra curtir é irregular e cada ouvinte terá suas preferidas. gostei de “farinha do desprezo” do letuce, “let's play that” do metá metá, “mal secreto” do apanhador só (música que deu nome ao esforçado e, portanto, tem um importante valor sentimental aqui por essas bandas), “revendo amigos” de márcia castro e das versões mínimas de “78 rotações” de arícia mess e “movimento dos barcos” de bruno cosentino & marcos campelo. não gostei de “vapor barato” das garotas suecas, “hotel das estrelas” de léo cavalcanti e “meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata” do filipe catto & pipo pegoraro. no disco original de jards existem dois covers numa faixa só, “farrapo humano” (luiz melodia) e “a morte” (gilberto gil), que no tributo viraram faixas independentes interpretadas por rafael castro (com tulipa ruiz nos vocais) e ava rocha, respectivamente. gostei de ambas, mas ainda tenho problemas com ava, algo cerebral demais me incomoda no seu canto. mas baixe o tributo e tire suas próprias conclusões. jards nunca é demais.

sábado, 3 de novembro de 2012

yahoo #51

nesse primeiro texto yahoozístico pós-campanha escolhi um assunto que queria tratar há tempos: quadrinhos. os últimos anos tem sido sensacionais em termos de lançamentos aqui no brasil e posso falar com conhecimento de causa porque compro e leio quadrinhos nacionais e internacionais desde meados dos anos 1980. na primeira parte, o texto é um apanhado pessoal, enquanto na segunda é um vôo panorâmico sobre os livros em quadrinhos (as tais 'graphic novels') de 2012. quem conhece quadrinhos tá careca de saber de tudo isso, mas é que foi feito como uma apresentação desse mundo pros leitores do yahoo.




CADA UM NO SEU QUADRINHO

Tem gente que até hoje acha que quadrinho é coisa de moleque, criança ou adolescente. Eu descobri criança, ali em meados dos anos 1980, que o buraco era mais embaixo, ou ainda, que os melhores quadrinhos eram aqueles que usavam essa linguagem tão popular para tratar de temas tremendamente adultos. E eles existiam aos montes! Na verdade desde sua origem, na virada do século 19 para o 20, com o extraordinário Little Nemo (1905-14/1924-27), de Winsor McCay. Claro que só fui saber disso muito depois.

No começo eram os super-heróis: Batman, X-Men, Homem Aranha, Hulk, DC Comics e Marvel, aquela coisa toda. Mas aí dentro desse universo comecei a ver coisas diferentes, densas, como Batman – O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller, 1986), Elektra Assassina (Miller e Bill Sienkiewicz, 1986-87), Batman: Ano Um (Miller e David Mazzucchelli, 1987), Batman – A Piada Mortal (Alan Moore e Brian Bolland, 1988), Asilo Arkham (Grant Morrison e Dave McKean, 1989) e o Monstro do Pântano de Alan Moore.

E as portas definitivamente se abriram com V de Vingança (Alan Moore e David Lloyd, 1982-85), Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons, 1986-87), Maus (Art Spiegelman, 1986/91), a Mafalda do argentino Quino, a Valentina do italiano Guido Crepax, as moças do também italiano Milo Manara, as aventuras do francês Moebius e o pioneirismo de Will Eisner. No Brasil eram os tempos de Chiclete com Banana (Angeli), dos Piratas do Tietê (Laerte), da revista Circo (editada por Luiz Gê e Laerte) e da saudosa Animal, revista que me fez conhecer um mundo inteiro de artistas de primeira como Tanino Liberatore, Daniel Torres, Fábio Zimbres, Andrea Sapienza, os irmãos Jaime e Gilbert Hernandez, e Lourenço Mutarelli.

Tudo isso que foi citado tinha (e tem) uma coisa em comum: linguagem pop, impacto visual e dedo na ferida (nas mais diversas feridas).


Acredito que nos últimos anos os quadrinhos se cristalizaram como uma das mais relevantes artes populares. E que o mercado editorial brasileiro vem conseguindo dar conta de lançar grandes álbuns estrangeiros e estimular a produção nacional (graças às editoras guerreiras Conrad, Devir e Zarabatana Books, e ao atual poderio da Quadrinhos na Cia.). Não é o ideal, poder ser mais, e ainda é um pouco caro, mas estamos muito melhores do que já estivemos. Basta dar uma olhada nos lançamentos deste ano para se ter pistas disso.

Entre os gringos é possível entender um pouco sobre as relações entre o Oriente Médio e os Estados Unidos em Os Melhores Inimigos (Jean-Pierre Filiu e David B.) ou da história chinesa em Adeus Tristeza – A História dos Meus Ancestrais (Belle Yang). Acompanhar leituras particulares das vidas de grandes personalidades como J. Edgar Hoover (Rick Geary) e Freud (Anne Simon e Corinne Maier) ou de zés-ninguéns como Wilson (Daniel Clowes). E o subgênero ‘confessional’? Está lá em Pagando por Sexo (Chester Brown). Porém, nada melhor que fábulas barra pesada como Pinóquio (Vincent ‘Winshluss’ Paronnaud) e Habibi (Craig Thompson).

Já no Brasil tem o confessionalismo moleque de Momentos Brilhantes da Minha Vida Ridícula (Adão Iturrusgarai), a fantasia Monstros! (Gustavo Duarte), a crônica sexual-racial de Deus Essa Gostosa (Rafael Campos Rocha) e a deliciosa aventura de A Máquina de Goldberg (Vanessa Barbara e Fido Nesti). Destaque especial para os relançamentos luxuosos de Avenida Paulista (Luiz Gê), Diomedes (Lourenço Mutarelli) e Toda Rê Bordosa (Angeli).

Histórias diversas, traços ainda mais, tudo unido em nome de obras que se mostram atualmente mais adultas que o cinema, mais impactantes que a literatura e mais humanas que o noticiário.

p.s.: Até o final do ano deve sair Crônicas de Jerusalém, do sempre excelente Guy Delisle, enquanto não chegam por essas bandas Building Stories (Chris Ware, o mesmo de Jimmy Corrigan) e Journalism (Joe Sacco, de Notícias de Gaza). Sem falar em mais Rafael Coutinho, Rafael Grampá, Dash Shaw, Charles Burns, Marjane Satrapi, Caeto Melo, Alison Bechdel, muita gente boa pra dedéu...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

1974

foi o ano que nasci, e que meus pais não tiraram férias. foi o mesmo que jards macalé lançou o disco aprender a nadar (philips), seu segundo solo, com uma das músicas mais lindas da história mundial do mundo: "rua real grandeza" (jards macalé e waly salomão).

jards macalé - rua real grandeza by dafne47

lá no gafieiras tive uma coluna chamada disco do mês de sempre, no qual escrevi textos curtos e ficcionais inspirados em discos clássicos (alguns bem no esquema colagem como esse aqui). teve discos de figuras como jorge ben, racionais mcs, batatinha, egberto gismonti, chico buarque, roberto carlos, paulinho da viola, paulo vanzolini, elis regina e romulo fróes (15 ao total). mas começou, coincidentemente, com esse disco do jards, justo do ano que nasci. já faz muito tempo que não escrevo e nem me interesso por ficção (na literatura), então segue o texto, sem nenhuma revisão espaço-temporal e com um pouquinho de vergonha.

...

Estava nascendo e ouvia uma voz batendo suavemente na barriga da minha mãe - "vale, vale a pena ser poeta!" -, mas relutava em sair. Só o calor e aquela escuridão úmida, fruto de dois corações que se amavam de verdade, importavam. Posso ficar mais um pouco? E ouvir meu pequeno coração descompassando em jatos de sangue?

Mas então meu pai encostou a boca na barriga de minha mãe e sussurrou, "tudo é alegria". Parecia um aviso. O médico veio da sala ao lado com um instrumento de ferro que parecia poder agarrar um pouco mais de seis cabeças ao mesmo tempo. Seus olhos cansados de uma longa madrugada escoavam um só lamento, "tudo é ilusão". Vi muito claramente que não poderia mais ficar ali e que para ser poeta precisava antes nascer. Só mesmo vendo. Doeu... e o mundo ficou de cabeça para baixo.

A luz fria da sala me cegou, o frio me fez chorar e não conseguia deixar de ouvir música por todo o lado. Não eram violinos, nem trombetas, pareciam mais violões dobrados e caixas de fósforo. Gemi entre sete cordas e soltei um silencioso "e daí?"

Mãos emborrachadas me levantaram ao céu do quarto e logo depois fui descendo até o peito de minha mãe que entre um choro e outro me segredou, "não pode haver no mundo maior felicidade". Mas vai continuar assim? pensei. E se eu saltar de banda? E se eu saltar de lado? Meu pai não tardou a emendar, "meu querido, samba é sempre a mesma história". Uma tesoura veio correndo prateada e jogou fora o cordão. Aliviada, a enfermeira cantou "vou aprender a nadar... eu não quero me afogar". Silêncio, olha o vexame, o ambiente exige respeito.

Fui retirado para o berçário, minha mãe foi para o quarto descansar e meu pai saiu para comer alguma coisa. Nada de café, estraga o estômago, são quatro e meia da manhã. A sala de cirurgia ficou assim vazia. Paisagem de fim de festa. Meu olhos pareciam grudados de tanta música, mas não estava com medo, já havia nascido com a alma em sinuca. Todo o resto seria mais fácil.

p.s.: achei um myspace em homenagem ao jards - o site dele que existiu sumiu no éter - e a imagem de fundo da página é uma foto tirada para a entrevista que ele deu ao gafieiras.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

mensagem de um de nossos patrocinadores

"obrigado a vocês pela atenção dispensada e cuidado com o brasil! ele tanto pode fazê-los felizes, como enfiá-los num buraco do cacete. vamos torcer pela felicidade".
jards macalé, 1º de abril de 2006, para o gafieiras


p.s.: e hoje o esforçado completa 6 meses de existência com 10.500 pageviews e 7000 visitas. esses números cresceram com minha entrada no twitter no final de abril (já tenho quase 500 seguidores por lá e umas 1000 e poucas tuitadas). tenho nem palavras pra agradecer a todos que passam por aqui e por lá. experiência ótima, transformadora, não sei porque não comecei antes. ainda falta uma troca maior nas janelas de comentários, mas é coisa de tempo, confiança que preciso ganhar. considerem-se abraçados com carinho.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

transversão #15

a quantidade de músicas lindas que saíram da cachola de paulinho da viola é absurda e por essas e outras sempre foi muito regravado. mas, invariavelmente, de uma forma respeitosa e coisa e tal. agora, uma de suas maiores qualidades, ou pelo menos a que mais me chama atenção, é que ele é um tradicionalista não-tradicional. prova disso é uma de minhas preferidas pessoais, a experimental "roendo as unhas", que paulinho lançou no disco nervos de aço (odeon, 1973). escuta.



aí, muitos anos depois, jards macalé deu mais uma entortadinha na música no disco amor, ordem & progresso (lua music, 2003). não custa lembrar que jards também regravou paulinho (e lupicínio rodrigues, geraldo pereira e nelson cavaquinho) no clássico 4 batutas & 1 coringa (continental, 1987).



um dos filhos de paulinho, o violonista joão rabello, estreou solo em um disco todo instrumental e já no título - roendo as unhas (rob digital, 2006) - lembrou essa canção do pai, que também participou da gravação.



pra encerrar, a maravilhosa & doidivanas maria alcina abriu seu disco mais recente, o ótimo confete e serpentina (outros disco, 2009), com uma regravação atualíssima da música.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

do título

não tinha ideia qual. tentei um, baita egotrip, saiu rápido. outro, mais genérico, durou um dia. aí veio na cabeça um verso de waly salomão em música de jards macalé: "meu segredo é que sou um rapaz esforçado". cortei. resumi. esforçado. auto-referente, novamente. não consegui fugir. pelo menos por enquanto.

a música é "mal secreto" e já foi gravada algumas vezes. sou suspeito.

gal costa no show fa-tal em 1971



jards em seu disco de estréia, jards macalé, ano de 1972



e a banda numismata, em seu disco brazilians on the moon, chama jards pruma nova versão em 2003

duas fotos gafieiras


jards macalé no villaggio café, 2006